09 mar
2010Sucessão entre inflação e colapso cambial
Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 09-03-2010

A sucessão presidenc ial 2010 pode se dar debaixo do dilema para o qual o ministro Mario Henrique Simonsen sempre alertava quanto ao comportamento das economias na periferia capitalista dependentes de poupança externa cujas consequências sempre são variações bruscas entre a existência de pressões inflacionárias, de um lado, e perigo de bancarrota nos deficits de balanço de pagamento, de outro. Aquelas, dizia, aleijam; este mata. A política cambial em curso no BC sinaliza a morte enquanto combate a inflação.

A sucessão presidenc ial 2010 pode se dar debaixo do dilema para o qual o ministro Mario Henrique Simonsen sempre alertava quanto ao comportamento das economias na periferia capitalista dependentes de poupança externa cujas consequências sempre são variações bruscas entre a existência de pressões inflacionárias, de um lado, e perigo de bancarrota nos deficits de balanço de pagamento, de outro. Aquelas, dizia, aleijam; este mata. A política cambial em curso no BC sinaliza a morte enquanto combate a inflação.
A política cambial sobe no palco eleitoral, podendo, em vez de dividir, unir os candidatos em disputa, porque tende a entrar em cena a necessidade de optar entre o pior, a inflação, e o péssimo, o déficit em contas correntes do balanço de pagamentos, agravado pelo ambiente da crise global. O candidato do PSDB, possivelmente, o governador de São Paulo, José Serra, vê necessidade de interferir no câmbio. Dão mostras dessa disposição serrista os economistas ligados aos tucanos, como o ex-ministro Bresser Pereira, em longo artigo, no jornal O Estado de São Paulo, no domingo, e o ex-secretário de Fazenda, Yoshiaki Nakano, no Valor Econômico, nessa terça feira. Ambos antevêem crise de balanço de pagamento que produzirá fuga de capitais, ou seja, depreciação forçada da moeda nacional e conseqüente pressão inflacionária. Da mesma forma, a candidata governista, Dilma Rousseff, de acordo analistas petistas, que comandam fundos de pensão estatais, destaca a necessidade de maior atenção ao câmbio, que, sob juros altos prenunciados pelo BC, como arma de combate às pressões inflacionárias, detonará maior depreciação do real, pior desempenho das exportações, maior pressão sobre a dívida pública interna e, por isso, maior perigo de corrida cambial em face do aumento do déficit em contas correntes. Candidatos à presidência, oposicionista, de um lado, e governista, de outro, caminham, contraditoriamente, para uma convergência em seus diagnósticos relativamente à política cambial executada pelo presidente do BC, ministro Henrique Meirelles. O câmbio pega fogo. Controla o bicho ou deixa o bicho solto, como está, tensionando o ambiente econômico?
A estratégia do Banco Central pode, portanto, levar o país à inflação incontrolável ao sinalizar aumento das taxas de juros nos próximos meses com argumento de que está, antecipadamente, combatendo pressões inflacionárias. O raciocínio é simples: mais juro alto, mais apreciação cambial, maior pressão salarial, maior redução das exportações, maior pressão sobre o emprego, maior necessidade de poupança externa, para complementar a interna, insuficiente, maior, consequentemente, o déficit com contas correntes, que levam os especuladores a jogarem contra a moeda a partir de determinado instante quando antevêem perigos, cujas conseqüência são fuga de capitais traduzida em desvalorização cambial com resultados conhecidos, ou seja, mais inflação. Jogo manjado. O discurso de que a poupança externa é necessária para complementar a interna produz, ao final, baque cambial, especialmente, na periferia capitalista onde se cumpre a pregação de Marx segundo a qual a dívida externa é instrumento de dominação internacional. Num primeiro momento, diz ele, dinamiza; num segundo, cria insuficiência crônica de demanda efetiva global, que exige novos empréstimos, que implicam em aumentos de juros, juros compostos, sangria financeira etc. História da América Latina em profusão.
Colapso do populismo cambial

Dilma e Serra desconfiam da política monetária do Banco Central, que valoriza o real, bloqueia as exportações, aumenta o desemprego, reduz a arrecadação e eleva a dívida pública interna, forçando deficits em contas correntes, que , no cenário de incerteza e medo global, pode, em algum instante, desatar corrida contra a moeda nacional, levando a economia à combinação mortífera de inflação com deficit em contas correntes, estrangulando as atividades produtivas. Ela como ele vêem criticamente a política cambial meirelliana

Dilma e Serra desconfiam da política monetária do Banco Central, que valoriza o real, bloqueia as exportações, aumenta o desemprego, reduz a arrecadação e eleva a dívida pública interna, forçando deficits em contas correntes, que , no cenário de incerteza e medo global, pode, em algum instante, desatar corrida contra a moeda nacional, levando a economia à combinação mortífera de inflação com deficit em contas correntes, estrangulando as atividades produtivas. Ela como ele vêem criticamente a política cambial meirelliana
O quadro econômico, depois da crise de 2008, agravou-se pela decisão do BC de reduzir, tardiamente, a taxa de juros, a fim de evitar colapso financeiro. Dificultou a ação do governo no sentido de agir anticiclicamente, como forma de manter a economia funcionando. Agora, antecipadamente, o BC sinaliza juros altos em meio ao aumento do endividamento fiscal governamental como fruto da política anticíclica, agravada, por sua vez, pelo fechamento protecionista dos mercados, bem como do aumento da competição comercial em escalada incontrolável. O protecionismo brasileiro, elevando tarifas de bens duráveis sobre importações americanas, para combater protecionismo americano contra exportações brasileiras de algodão é o retrato da guerra comercial global em marcha.
Os juros mais altos anunciados, previamente, pelo BC, rendido às pesquisas realizadas pelos bancos privados(Focus), criam tensões inflacionarias potenciais, enquanto mistifica que está, com eles, combatendo a inflação. Afinal, juros mais altos atraem, para o Brasil, os especuladores de todo o mundo para jogar no real, a fim de fugirem do juro negativo em vigor nos países capitalistas desenvolvidos, às portas de novas bancarrotas.
O conteúdo real, oculto e latente da política monetária do BC, no ambiente de crise internacional, potencialmente, explosiva, é inflacionário, enquanto, na aparência vende-se o discurso de combate à inflação. Nesse sentido, entra em colapso o populismo cambial que os governos FHC e Lula mantiveram até agora em meio a uma instabilidade global que explodiu em bancarrota global.
O foco da questão passa a ser a política cambial. O excesso de moeda na circulação global transforma-se em fator incontrolável pelos governos, mantido o discurso do câmbio flutuante segundo o qual os mercados se ajustam automaticamente. Papo de Papai Noel. O governo Lula, antes da crise, foi, fartamente, favorecido pelo mercado de capitais global, super-abastecido, até que, em setembro de 2008, a farra acabou.
Escolha de Sofia

Em polêmica aberta com o economista Affonso Celso Pastore, o ex-ministro Bresser Pereira considera a poupança externa, para complementar a interna, fator de sobrevalorização cambial que leva a deficit no balanço de pagamento, no contexto em que vigora câmbio flutuante. Não dá mais, segundo ele, para sustentar a ficção de que os ajustes cambiais são resolvidos pelo livre mercado. Conversa de papai noel.

- Brincadeira. Essa é a visão sarcástica de Nakano para classificar a convicção do BC de que o câmbio brasileiro é flutuante e suficiente para conter as tensões do fluxo de capital impulsionado, fundamentalmente, pela especulação, no cenário global de excesso de circulação de moeda especulativa. Faz-se necessário o dirigismo cambial em tal ambiente no qual predomina a desregulamentação da movimentação financeira global.

Em polêmica aberta com o economista Affonso Celso Pastore, o ex-ministro Bresser Pereira considera a poupança externa, para complementar a interna, fator de sobrevalorização cambial que leva a deficit no balanço de pagamento, no contexto em que vigora câmbio flutuante. Não dá mais, segundo ele, para sustentar a ficção de que os ajustes cambiais são resolvidos pelo livre mercado. Conversa de papai noel.

- Brincadeira. Essa é a visão sarcástica de Nakano para classificar a convicção do BC de que o câmbio brasileiro é flutuante e suficiente para conter as tensões do fluxo de capital impulsionado, fundamentalmente, pela especulação, no cenário global de excesso de circulação de moeda especulativa. Faz-se necessário o dirigismo cambial em tal ambiente no qual predomina a desregulamentação da movimentação financeira global.