05 mar
2010Espetáculo ditatorial pré-eleitoral
Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 05-03-2010
As cúpulas partidárias manobristas bloqueiam a oxigenação político partidária no Brasil ao se posicionarem contra as prévias eleitorais que eliminariam os vícios de origem do processo eleitoral tunipiquim, alçando-o ao patamar das nações desenvolvidas, para deixarem como herança evolucionismo dialético. Evoluiram muito pouco em relação ao tempo da eleição a bico de pena.
No momento em que começa a esquentar a campanha presidencial, todos os partidos fogem da democracia político-partidária pré-eleitoral por intermédio das escolhas prévias dos candidatos pela comunidade políticamente organizada. A última determinação dentro do PT, por exemplo, é essa. Não há inocentes. O cultivo do vício é geral entre os partidos. Não estão acostumados com a democracia pré-eleitoral. As escolhas prévias não se dão democraticamente, mas pela ação ditatorial de coronéis da política que mandam nos partidos, fazendo escolhas de cima para baixo e não o contrário, de baixo para cima. Contamina-se, dessa forma, todo o processo político eleitoral, lançando as bases da corrupção político partidária. As ordens partem das cúpulas. Já pode ser considerado famoso o divórcio em 2010, por falta de prévias eleitorais, dos governadores de Minas, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, porque não se entenderam sobre o modo democrático de escolha dos tucanos para disputar a presidência da República. O racha se acentuou e o famoso café-com-leite do PSDB não pode ser construído, pelo menos até agora, como evidenciou a resistência do titular do Palácio da Liberdade, essa semana em que Tancredo Neves, seu avô, completaria centenário de nascimento.
As cúpulas partidárias manobristas bloqueiam a oxigenação político partidária no Brasil ao se posicionarem contra as prévias eleitorais que eliminariam os vícios de origem do processo eleitoral tunipiquim, alçando-o ao patamar das nações desenvolvidas, para deixarem como herança evolucionismo dialético. Evoluiram muito pouco em relação ao tempo da eleição a bico de pena.
Como se verifica entre os tucanos, configurando lei geral, os rachas acontecem quando o império se desentende por dentro, desmoronando-se. A candidatura Serra é um ensaio de desmoronamento por dentro por ausência de democracia partidária. A democracia está cobrando seu preço por não estar sendo exercitada no interior dos partidos onde fluem os antagonismos sociais. Os resistentes aos processos democráticos internos para se escolher melhor nome, para além das manipulações das cúpulas, estão por todos os lados. Dentro da aliança governista é fato corrente. A ordem dentro do PT, agora sob nova direção, do ex-senador e ex-presidente da Petrobrás, Eduardo Dutra, é evitar a disputa democrática por intermédio de prévias e buscar o consenso. A educação democrática é descartada, como processo de evolução política nacional. A palavra de ordem é buscar a qualquer custo acertos consensuais à revelia dos interesses comunitários aos quais as falsas lideranças dizem representar. O modo de agir das cúpulas petistas visa engordar, a partir de ordens de cima para baixo, a candidatura Dilma Rousseff.
Cúpulas invertem prioridades
As cúpulas fogem da oxigenação partidária porque se alimentassem ela poderiam desaparecer do mapa, já que suas existências estão ligadas não à democratização dos partidos, mas a transformação deles em armazéns de negócios por meio dos quais são negociadas a anti-democracia partidária, que mantém o país no eterno atraso político da governabilidade provisória.
As bases regionais, nesse sentido, não podem exercer o contraditório, lei natural da política, como fator de evolução democrática dos povos. Assim, em vários estados, como Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo etc, o impulso democrático da disputa é negado como evolução, para dar lugar à involução, que considera aquela um insulto. As prévias, que se constituem na arma da comunidade, para, através das agremiações partidárias, escolher os melhores representantes comunitários, de acordo com o princípio maior de que o poder popular está nos municípios, nas bases primárias da organização política, transformam-se em fantasma dos quais as cúpulas partidárias anti-democráticas fogem , desesperadamente. O vício antidemocrático, representado pelo repúdio às prévias, em favor da busca de consenso que representa, quase sempre, interesses contrários aos da comunidade, que repudia os costumes dos coronéis eletrônicos da política, ditadores das máquinas partidárias, constitui a mãe de todas as corrupções. O consenso, manipulado por pesquisas de credibilidade duvidosa, acaba se transformando em bloqueio às pressões, que são substituídas pelos interesses de grupos aliados, invariavelmente, pelo poder do dinheiro e das articulações, planejadas para perpetrar interesses, se mantidos no poder.
As cúpulas fogem da oxigenação partidária porque se alimentassem ela poderiam desaparecer do mapa, já que suas existências estão ligadas não à democratização dos partidos, mas a transformação deles em armazéns de negócios por meio dos quais são negociadas a anti-democracia partidária, que mantém o país no eterno atraso político da governabilidade provisória.
O maior partido do país, o PMDB, da mesma forma que o PSDB e o PT, dá mostra explícita de negação dos interesses das bases partidárias. Os defensores da disputa interna dentro do partido falaram alto na última reunião nacional dos peemedebistas. A pregação das prévias ecoou forte, mas a cúpula manobrou e evitou que o histórico PMDB, mais uma vez, compareça à eleição presidencial com candidato próprio a presidente. Vai, assim, ser formada possível chapa governista não escolhida em prévias eleitorais democráticas. De um lado, no dedaço, ao largo da discussão dentro do PT, o presidente Lula escolheu sua candidata, a ministra Dilma Rousseff; de outro, seu maior aliado, o PMDB, do mesmo modo, caminha para indicar um vice, possivelmente, o deputado Michel Temer, presidente da Câmara, sem escolha prévia partidária. Ao mesmo tempo em que o repúdio às prévias partidárias se intensifica a partir dos comandos partidários coronelistas, no Congresso, todos os partidos se articulam para que não seja votado projeto de lei de origem popular, com quase dois milhões de assinaturas, colhidas em todo Pais, que proíbe participação, nas eleições, de candidatos fichas sujas, cujas origens se assentam no modo invertido, viciado, antidemocrático, de se fazer política no Brasil, isto é, sem a participação popular no âmbito partidário.
A inversão, por sua vez, constitui a raiz da corrupção e da conivência com legislação eleitoral laxista que desregulamenta objetivamente o poder do dinheiro para as campanhas eleitorais. As máquinas partidárias, construídas por pensamentos de cúpula, arredios à oxigenação partidária por meio de prévias eleitorais, que dão voz à comunidade, transformam-se, nesse contexto de inversão de prioridades, em balcões de negócio. Quem der mais leva o direito de ser candidato. Em vez de oxigenação, tal processo promove a intoxicação político-eleitoral.
Novo horizonte argentino
A realização das prévias eleitorais no dia 4 de agosto de todo o ano eleitoral de forma obrigatoria entre os partidos para escolha dos seus candidatos às eleições presidenciais e proporcionais por meio de filiados e não filiados das agremiações representa garantia de oxigenação democrática e fim do domínio das cúpulas antidemocráticas que freiam a evolução dos costumes políticos na periferia capitalista.
Os partidos deixam de constituir-se em sua essência, ou seja, condutos pelos quais circulam os antagonismos sociais, para se transformarem em moeda de troca que abomina o contraditório democrático. Como predomina, no Congresso, o poder do mercado financeiro, que impôs à Nova República a governabilidade por meio de MPs – medidas provisórias – , a escolha democrático partidária se transforma em incômodo, em problema em vez de solução.
A realização das prévias eleitorais no dia 4 de agosto de todo o ano eleitoral de forma obrigatoria entre os partidos para escolha dos seus candidatos às eleições presidenciais e proporcionais por meio de filiados e não filiados das agremiações representa garantia de oxigenação democrática e fim do domínio das cúpulas antidemocráticas que freiam a evolução dos costumes políticos na periferia capitalista.