31 mar
2010Cegueira midiática neoliberal não vê PAC 2 impulsionando democracia econômica
Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 31-03-2010

PAC 2 abre espaço para a democratização econômica, na medida em que permite aos empresários de pequeno e médio porte aproveitarem as oportunidades abertas pela melhor distribnibuição da renda nacional, impulsionada pelo keynesianismo financeiro praticado pela Caixa Econômica Federal , privilegiando população de baixa renda. O Estado se coloca a serviço não apenas da acumulação dos grandes, mas abre espaço, também, para os mais fracos, democratizando as oportunidades, no compasso da elevação do consumo interno. Democracia econômica passa a dar mais autenticidade à democracia política.
A cegueira ideológica neoliberal da grande mídia, subordinada à lógica do capital externo, que sustenta a democracia política, mas bloqueia a democracia econômica, resiste ao óbvio: o PAC 2, sequência do PAC 1, representa avanço da democratização econômica apoiada pelo Estado. orientado por visão nacionalista como contrapolo à oligopolização privada, ao mesmo tempo em que sinaliza a relação público-privada como mote do novo desenvolvimentismo com perfil distributivo da renda nacional como impulsionador da poupança interna.
O exemplo mais claro é o Programa MINHA CASA MINHA VIDA. Disseminam
pequenos e médios empresários comprando lotes pelo país afora, para construirem casas populares, a fim de venderem elas para a Caixa Econômica Federal, financiadora do projeto governamental habitacional de perfil eminentemente popular.

PAC 2 abre espaço para a democratização econômica, na medida em que permite aos empresários de pequeno e médio porte aproveitarem as oportunidades abertas pela melhor distribnibuição da renda nacional, impulsionada pelo keynesianismo financeiro praticado pela Caixa Econômica Federal , privilegiando população de baixa renda. O Estado se coloca a serviço não apenas da acumulação dos grandes, mas abre espaço, também, para os mais fracos, democratizando as oportunidades, no compasso da elevação do consumo interno. Democracia econômica passa a dar mais autenticidade à democracia política.
É o VEM PRÁ CAIXA VOCÊ TAMBÉM, estúpido
Pequenas lojas de material de construção e de decoração estão ganhando dinheiro para equipar as novas casas. Tenho, por exemplo, uma prima, em Ibiá, MG, Virgínia do Prado, dinâmica, competente, guerreira, com quem conversei, nesse final de semana, que está feliz da vida.
Formada em decorações de interiores, em Uberlândia, ela voltou para sua terra, abriu uma loja. Não tem descanso, atendendo clientes de baixa renda, com suas casas, que precisam ser equipadas. Os clientes, disse-me, estendem-se não, apenas, em Ibiá, mas , também, nas cidades vizinhas, Campos Altos, Pratinha, até Araxá.
A vida empresarial de Virgínia, 24 anos, como ressaltou, está toda agendada para o primeiro semestre. Os novos e felizes moradores agendam a decoração e a consequente assistência técnica. “Primo, o negócio tá bom, podes crer, graças a Deus”.
Os corretores estão pelas cidades comprando lotes em série ou pingados, para investidores de pequeno e médio porte, cobrando comissão de 5% para cada lote adqurido. As terras urbanas estão se valorizando. Fazendeiros estão loteando propriedades próximas às cidades. Em Formosa, Goiás, entorno de Brasília, o comércio de lotes residenciais está bombando.
De posse do terreno, dos documentos exigidos pela Caixa, imediatamente, o pequeno e médio construtor manda brasa, o negócio ganha velocidade. Lúcio Gomes, gaúcho que veio do Sul para plantar no cerrado, diversifica seu investimento na cidade goiana, comprando lotes e construindo. Como ele, vários. Duas casas e meia de 40 metros quadrados são construídas por mês, bancadas pela Caixa. Obtém-se, ao final, faturamento médio de 12 mil a 15 mil por mês. “Baaá, tchê, bão.”
Democracia econômica em marcha via keynesianismo financeiro produtivo bancado pelo Estado. O MINHA CASA MINHA VIDA bombeia o consumo de moradias, assim como o Programa Bolsa Família faz o mesmo com o consumo de alimentos. Mais consumo, mais arrecadação, mais investimentos. Essa é a lógica da formação da poupança interna, porque o seu oposto é a lógica do capital, a de bombear, via poupança externa, primeiro o investimento, que, em vez de arrecadação, produz, como destaca Mar, insuficiência crônica de consumo, dado o seu caráter acumulador de renda. Dialética.
Claro, os grandes investidores da construção civil não estão satisfeitos. O assalariado vai à Caixa, mediante lote que adquire, obtém financiamento e levanta sua moradia. Antes, teria que tentar comprar na construtora Paulo Octávio – ou congênere – , cuja filosofia lucrativa se assenta em negociar o preço com valorização especulativa futura de 10 anos trazido ao presente, dividido em prestações com intermediarias sufocantes, levando o comprador, quase sempre, à inadimplência. Vale dizer, mesma lógica dos banqueiros que sinalizam inflação futura por meio de pesquisas – FOCUS – que manipulam para trazê-la ao presente em forma de juro alto.
A filosofia do MINHA CASA MINHA VIDA é o oposto. Fomentado pela Caixa, o programa proporciona oportunidade para os empresários de pequeno porte, antes disponível apenas aos grandes.
O jornal Valor Econômico destaca em manchete nessa terça feira.30, que o valor das ações das grandes construtoras está caindo na Bolsa. É a democracia econômica em marcha no campo da construção civil.
O juro , por sua vez, está, para as atividades ligadas ao MINHA CASA MINHA VIDA, na casa dos 4%, 5%, tal qual o juro cobrado para compra de caminhões, que elevarão a frota nacional, para transportar a produção de alimentos – Programa Bolsa Família – que avançou em função da ampliação do consumo interno etc.
Nacionalismo latino-americano

A União das Nações Sulamericanas(Unasul) prega o fortalecimento do mercado interno sulamericano como forma de formar poupanças internas destinadas ao desenvolvimento via maior consumo interno. Tentam escapar das garras da poupança externa, que estabelece a eterna dependencia econômica colonial. O continente tenta deixar de ser eterno quintal dos especuladores internacionais desde os tempos coloniais.
O diretor presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn está vendo o óbvio que a grande mídia não vê, ou seja, que a América Latina está, sob nova orientação econômica e política, fortalecendo-se. Destacou admirado, nessa semana, que os latino-americanos estão surpreendendo o mundo. Latinos e africanos.
Claro, os governos nacionalistas de Lula, Brasil, Evo Morales, Bolívia, Hugo Chavez, Venezuela, Cristina Kirchner, Argentina, Rafael Correa, Equador, Fidel-Raul Castro, Cuba, Fernando Lugo, Paraguai, José Mujica, Uruguai etc, demonizados pela mídia colonizada , preconceituosa e racista, jogam com a distribuição da renda nacional , com a poupança interna, para dinamizar o consumo e , consequentemente, a arrecadação, que eleva os investimentos.
Fazem, dessa forma, base política popular, revertendo situação histórica financeiramente colonialista exercida pelos países ricos sobre os países da periferia capitalista. Atacam o subconsumismo, decorrente dos modelos de desenvolvimento concentradores de renda, produtores de remessas largas de capitais para os países ricos, melhor, outrora ricos, pois a crise global caiu em cima deles para valer, como ressalta o próprio titular do FMI, empobrecendo-os, relativamente. Avança o nacionalismo econômico democratico.
A surpresa de Dominique não é investigada profundamente pela grande mídia. A Europa está de joelhos. Os europeus compraram os papéis podres que os americanos emitiram, à larga, sem regras, para bombar a circulação financeira internacional a fim de gerar renda especulativa para o consumo americano de modo a bancar as exportações dos asiáticos e europeus. Divisão internacional do trabalho no pós-guerra, apoiado em econômica de guerra, que implodiu, especulativamente, no crash de 2008.
A América do Sul, que não tinha sido, ainda, invadida pelos derivativos como função geradora de renda financeira keynesiana para o consumo, como se disseminou em toda a Europa e Estados Unidos, acabou se safando. Por milagre.

A União das Nações Sulamericanas(Unasul) prega o fortalecimento do mercado interno sulamericano como forma de formar poupanças internas destinadas ao desenvolvimento via maior consumo interno. Tentam escapar das garras da poupança externa, que estabelece a eterna dependencia econômica colonial. O continente tenta deixar de ser eterno quintal dos especuladores internacionais desde os tempos coloniais.
Se demorasse mais um pouco, para além de setembro de 2008, a farra financeira global, grandes grupos de investidores imobiliários teriam invadido a América do Sul e levado os sulamericanos ao mesmo desespero do endividamento que pegou pelo pé os americanos e os europeus, jogando-os na rua da amargura. Cairam na armadilha da dívida.
O dinamismo econômico sulamericano, diante da paralisia europeia e americana, deixa Dominique excessivamente surpreso, mas a grande mídia, cega, não faz o jornalismo que o PAC 2 suscita.
O programa lulista-dilmista MINHA CASA MINHA VIDA se transforma em impulso à demanda global, não a partir de grandes grupos econômicos investidores no interior, mas dos pequenos e médios empresários, dinâmicos, que estavam, sob a orientação econômica dependente de poupança externa, sem oportunidade de negócios.
Estariam sendo barrados os movimentos de oligopolização que unem grandes empresas do varejo? Claro que não, mas ao lado dos oligopólios, o governo cuida de criar um contrapeso com a força keynesiana financeira estatal para bombar, também, os pequenos e médios. Antes Keynes funcionava para os ricos, gerando insuficiência crônica de demanda global. A arrecadação não crescia de forma correspondente, evidentemente. Agora, a estratégia keynesiana bombeia, via consumo, os ingressos tributários. Os pobres chegam ao banquete.
Escravos de Chicago

Os ricos levaram uma trolha muito grande com a crise global, explica Dominique, agradavelmente, surpreso com a América Latina, que revela mais pujança que as potências econômicas, sucumbidas sob o crash global, que as condena à deflação destruidora. O FMI vê o que a grande mídia nacional tenta esconder em nome da ideologia neoliberal.
A grande mídia cega, ideologica, neoliberal, está prisioneira da própria contradição do neoliberalismo. Não percebe que os programas sociais são os responsáveis pela geração da poupança interna que gera consumo, que gera arrecadação, que gera investimento, configurando, historicamente, novo momento histórico de desenvolvimento do Estado nacional, na promoção do progresso social e econômico, em busca de novo equilibrio relativo.
O poder midiático raciocina com chapéu dos outros. Engole a teoria do capital externo sobre a questão da necessidade de o desenvolvimento nacional ser, necessariamente, realizado pela poupança externa, já que a interna é insuficiente, diz. Não conhece o desenvolvimento nacional do Japão. São desconhecidas da mídia as reportagens e os livros de Barbosa Lima Sobrinho sobre a economia japonesa e o desenvolvimento nipônico a partir da poupança interna. O capital se faz em casa, descreveu o grande jornalista nacionalista brasileiro.
Marx, que não faz parte da leitura dos jornalistas de economia, escravos de Chicago, cansou de ensinar que o desenvolvimentismo, na base da poupança externa, na periferia capitalista, dinamiza a produção, num primento momento, mas, num segundo instante, produz crônica insuficiência de demanda global, dado seu caráter sobreacumular de renda. Circulo vicioso subconsumista. Mais investimento, como propugnam os desenvolvimentistas, apenas, gerariam mais insuficiências que produziriam os excedentes, que necessitam, ao final, de desvalorizações cambiais inflacionárias para serem exportados, gerando mais concentração etc.
Torna-se, portanto, na visão oposta, não, apenas, de investir, como prioridade absoluta, mas de alavancar os investimentos como produto complementar do consumo interno via distribuição. para que a economia se livre da canga da poupança externa. Afinal, como destacou o autor de O Capital, a divida externa, que expressa a contradição da sobreacumulação nos países capitalistas avançados, representa instrumento de dominação internacional sobre os mais pobres.
O governo Lula, com a poupana interna, fortalecida pelo aumento do consumo interno, gerado por melhor distribuição da renda, tenta romper, com o PAC 2 via democratização econômica, a histórica dependência.
Fortalece, com a jogada econômica nacionalista, a moeda, que se transforma em ativo que atrai investidor. Se o Banco Central deixar totalmente livre a política cambial, os dólares que estão apodrecendo no juro zero, na Europa e nos Estados Unidos, chegariam a ser cotados, em pouco tempo, aos R$ 0,50, ultravalorizondo a moeda nacional e destruindo todo o parque industrial.
Quem vai comprar os dólares que o presidente do BC , ministro Henrique Meirelles, está acumulando, como reserva, quando os governos sulamericanos nacionalistas, estão utilizando-as para incrementar a infra-estrutura nacional e com elas o desenvolvimento com poupança interna?
Cegueira total toma conta da grande mídia. Ela perdeu o pique até para o FMI. Está a direita dele.
O jogo colonialista midiático, porém, não dá para ir adiante, com aquele ímpeto de antigamente porque as moedas dos países ricos não têm mais gás para exercitar a relação de troca historicamente colonialista, de impor senhoriagem e necessária deterioração nos termos de troca com as moedas dos países capitalistas periféricos, como aconteceu com o dólar, no século 20, depois da segunda guerra mundial, substituindo a libra esterlina que exercitara tal papel no século 19.
Os imperialismos econômicos estão , depois do grande crash de 2008, balançando. O fortalecimento do mercado interno, na América Latina, como destaca Dominique Strauss-Kahn, não apenas é a boa novidade. Sobretudo, transforma-se em salvação do capital, mas num novo contexto de correlações de forças, dadas pelo avanço da democracia econômica nacionalista.

Os ricos levaram uma trolha muito grande com a crise global, explica Dominique, agradavelmente, surpreso com a América Latina, que revela mais pujança que as potências econômicas, sucumbidas sob o crash global, que as condena à deflação destruidora. O FMI vê o que a grande mídia nacional tenta esconder em nome da ideologia neoliberal.





















