Socialismo dobra burguesia financeira global
Socialismo dobra burguesia financeira do G-8
Posted 6 horas ago

Moeda burguesa, adeus
LA MERKEL VIRA O INFERNO PARA BARACK. O discurso de La Merkel favorável à austeridade como solução final, que teria o mesmo caráter da solução final dada por…

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Metamorfose de FHC abala esquerda e direita
Vítima da conspiração do silêncio midiático
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Há um processo de mudanças envolvendo vários países na América Latina, nos quais, com apoio popular, governos progressistas vão recuperando a capacidade dos estados de  agir com protagonismo  em defesa…

Vítima da conspiração do silêncio midiático
Cachoeira, receita do capitalismo em crise
Cachoeira, produto do capitalismo em crise
Posted 3 dias ago

A corrupção que tomou
conta do Estado capitalista 
O drama maior da crise capitalista em ascensão irresistível decorre do fato de que o governo não pode mais gastar inflacionariamente, escondendo a…

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Colapso capitalista destroi direitos humanos
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Posted 5 dias ago

Os ex-presidentes precisam
unir-se à presidenta, urgente, 
É chato ficar repetindo.
Os neoliberais detestam.
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Olhaí a Europa!
Capitalismo desenvolvido, ao entrar…

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Estatizar o crédito, programa para neoesquerda
Capitalismo em transe: salve-se quem puder
Posted 5 dias ago

O programa politico para
neoesquerda é pregar

O comportamento dos bancos privados brasileiros de resistência à diminuição dos absurdos spreads bancários é a demonstração inequívoca de que a bancocracia não tem…

Capitalismo em transe: salve-se quem puder
Ataque à miseria reduz crise e eleva receita
Capital + Trabalho + Consumo = Receita – Cris…
Posted 7 dias ago

No auge da crise financeira
global, o jeito
São mais quatro milhões de novos consumidores na economia, que demandarão R$ 2,8 bilhões a serem lançados na circulação capitalista.
É o que, de…

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Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipação economica nacional
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Posted 8 dias ago

No país do entreguismo, o capital
 
estrangeiro deita e rola,

No momento em que surgem novos avanços na nanotecnologia e na criação de materiais, como o grafeno, é fundamental compreender a…

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Corrida suicida ao dólar como reação ao colapso europeu sinaliza moratória global inevitável
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Posted 12 dias ago

O mundo enlouqueceu ao 
Cenas de horrores econômicos.
A Europa, se não sair do pacto de austeridade, pode acelerar a bancarrota financeira americana, pois os investidores, sem nenhuma confiança nas atividades produtivas,…

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Grande mídia anti-nacional, inimiga de Dilma
Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Posted 13 dias ago

Acostumado a ver obedecidas
A grande mídia está com saudades do Banco Central subordinado à bancocracia.
O editorial do Estado de São Paulo, nessa quarta feira, é o exemplo acabado dessa nostalgia.
Reclama…

Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Agiotagem bancária une Dilma e Chavez
Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez
Posted 14 dias ago

A luta do governo Dilma Rousseff contra a agiotagem bancocrática vai ganhando contornos dramáticos e colocando a titular do Planalto na posição defendida também pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez,…

Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez
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Cegueira midiática neoliberal não vê PAC 2 impulsionando democracia econômica

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 31-03-2010



PAC 2 abre espaço para a democratização econômica, na medida em que permite aos empresários de pequeno e médio porte aproveitarem as oportunidades abertas pela melhor distribnibuição da renda nacional, impulsionada pelo keynesianismo financeiro praticado pela Caixa Econômica Federal , privilegiando população de baixa renda. O Estado se coloca a serviço não apenas da acumulação dos grandes, mas abre espaço, também, para os mais fracos, democratizando as oportunidades, no compasso da elevação do consumo interno. Democracia econômica passa a dar mais autenticidade à democracia política.

A cegueira ideológica neoliberal da grande mídia, subordinada à lógica do capital externo, que sustenta a democracia política, mas bloqueia a democracia econômica,  resiste ao óbvio: o PAC 2, sequência do PAC 1,  representa avanço da democratização econômica apoiada pelo Estado. orientado por visão nacionalista como contrapolo à oligopolização privada, ao mesmo tempo em que sinaliza a relação público-privada como mote do novo desenvolvimentismo com perfil distributivo da renda nacional como impulsionador da poupança interna.

O exemplo mais claro é o Programa MINHA CASA MINHA VIDA. Disseminam

pequenos e médios empresários comprando lotes pelo país afora, para construirem casas populares, a fim de  venderem elas para a Caixa Econômica Federal, financiadora do projeto governamental habitacional de perfil eminentemente popular.

É o VEM PRÁ CAIXA VOCÊ TAMBÉM, estúpido

Pequenas lojas de material de construção e de decoração estão ganhando dinheiro para equipar as novas casas.  Tenho, por exemplo, uma prima, em Ibiá, MG, Virgínia do Prado, dinâmica, competente, guerreira, com quem conversei, nesse final de semana, que está feliz da vida.

Formada em decorações de interiores, em Uberlândia, ela voltou para sua terra, abriu uma loja. Não tem descanso, atendendo clientes de baixa renda, com suas casas, que precisam ser equipadas. Os clientes, disse-me, estendem-se não, apenas, em Ibiá, mas , também, nas cidades vizinhas, Campos Altos, Pratinha, até Araxá.

A vida empresarial de Virgínia, 24 anos, como ressaltou, está toda agendada para o primeiro semestre. Os novos e felizes moradores agendam a decoração e a consequente assistência técnica. “Primo, o negócio tá bom, podes crer, graças a Deus”.

Os corretores estão pelas cidades comprando lotes em série ou pingados, para investidores de pequeno e médio porte, cobrando comissão de 5% para cada lote adqurido. As terras urbanas estão se valorizando. Fazendeiros estão loteando propriedades próximas às cidades. Em Formosa, Goiás, entorno de Brasília, o comércio de lotes residenciais está bombando.

De posse do terreno, dos documentos exigidos pela Caixa, imediatamente, o pequeno e médio construtor manda brasa, o negócio ganha velocidade. Lúcio Gomes, gaúcho que veio do Sul para plantar no cerrado, diversifica seu investimento na cidade goiana, comprando lotes e construindo. Como ele, vários. Duas casas e meia de 40 metros quadrados são construídas por mês, bancadas pela Caixa. Obtém-se, ao final, faturamento médio de 12 mil a 15 mil por mês. “Baaá, tchê, bão.”

Democracia econômica em marcha via keynesianismo financeiro produtivo bancado pelo Estado. O MINHA CASA MINHA VIDA bombeia o consumo de moradias, assim como o Programa Bolsa Família faz o mesmo com o consumo de alimentos. Mais consumo, mais arrecadação, mais investimentos. Essa é a lógica da formação da poupança interna, porque o seu oposto é a lógica do capital, a de bombear, via poupança externa, primeiro o investimento, que, em vez de arrecadação, produz, como destaca Mar, insuficiência crônica de consumo, dado o seu caráter acumulador de renda. Dialética.

Claro, os grandes investidores da construção civil não estão satisfeitos. O assalariado vai à Caixa, mediante lote que adquire, obtém financiamento e levanta sua moradia. Antes, teria que tentar comprar na construtora Paulo Octávio – ou congênere – , cuja filosofia lucrativa se assenta em negociar o preço com valorização especulativa futura de 10 anos trazido ao presente, dividido em prestações com intermediarias sufocantes, levando o comprador, quase sempre, à inadimplência. Vale dizer, mesma lógica dos banqueiros que sinalizam inflação futura por meio de pesquisas – FOCUS – que manipulam para trazê-la ao presente em forma de juro alto.

A filosofia do MINHA CASA MINHA VIDA é o  oposto. Fomentado pela Caixa, o programa  proporciona oportunidade para os empresários de pequeno porte, antes disponível apenas aos grandes.

O jornal Valor Econômico destaca em manchete nessa terça feira.30, que o valor das ações das grandes construtoras está caindo na Bolsa. É a democracia econômica em marcha no campo da construção civil.

O juro , por sua vez, está, para as atividades ligadas ao MINHA CASA MINHA VIDA, na casa dos 4%, 5%, tal qual o juro cobrado para compra de caminhões, que elevarão a frota nacional, para transportar a produção de alimentos – Programa Bolsa Família – que avançou em função da ampliação do consumo interno etc.


Nacionalismo latino-americano

A União das Nações Sulamericanas(Unasul) prega o fortalecimento do mercado interno sulamericano como forma de formar poupanças internas destinadas ao desenvolvimento via maior consumo interno. Tentam escapar das garras da poupança externa, que estabelece a eterna dependencia econômica colonial. O continente tenta deixar de ser eterno quintal dos especuladores internacionais desde os tempos coloniais.

O diretor presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn está vendo o óbvio que a grande mídia não vê, ou seja, que a América Latina está, sob nova orientação econômica e política, fortalecendo-se. Destacou admirado, nessa semana, que os latino-americanos estão surpreendendo o mundo. Latinos e africanos.

Claro, os governos nacionalistas de Lula, Brasil, Evo Morales, Bolívia, Hugo Chavez, Venezuela, Cristina Kirchner, Argentina, Rafael Correa, Equador, Fidel-Raul Castro, Cuba, Fernando Lugo, Paraguai, José Mujica, Uruguai etc, demonizados pela mídia colonizada , preconceituosa e racista, jogam com a distribuição da renda nacional , com a poupança interna, para dinamizar o consumo e , consequentemente, a arrecadação, que eleva os investimentos.

Fazem, dessa forma, base política popular, revertendo situação histórica financeiramente colonialista exercida pelos países ricos sobre os países da periferia capitalista. Atacam o subconsumismo, decorrente dos modelos de desenvolvimento concentradores de renda, produtores de remessas largas de capitais para os países ricos, melhor, outrora ricos, pois a crise global caiu em cima deles para valer, como ressalta o próprio titular do FMI, empobrecendo-os, relativamente. Avança o nacionalismo econômico democratico.

A surpresa de Dominique não é investigada profundamente pela grande mídia. A Europa está de joelhos. Os europeus compraram os papéis podres que os americanos emitiram, à larga, sem regras, para bombar a circulação financeira internacional a fim de gerar renda especulativa para o consumo americano de modo a bancar as exportações dos asiáticos e europeus. Divisão internacional do trabalho no pós-guerra, apoiado em econômica de guerra, que implodiu, especulativamente, no crash de 2008.

A América do Sul, que não tinha sido, ainda, invadida pelos derivativos como função geradora de renda financeira keynesiana para o consumo, como se disseminou em toda a Europa e Estados Unidos, acabou se safando. Por milagre.

Se demorasse mais um pouco, para além de setembro de 2008, a farra financeira global, grandes grupos de investidores imobiliários teriam invadido a América do Sul e levado os sulamericanos ao mesmo desespero do endividamento que pegou pelo pé os americanos e os europeus, jogando-os na rua da amargura. Cairam na armadilha da dívida.
O dinamismo econômico sulamericano, diante da paralisia europeia e americana, deixa Dominique excessivamente surpreso, mas a grande mídia, cega, não faz o jornalismo que o PAC 2 suscita.

O programa lulista-dilmista MINHA CASA MINHA VIDA se transforma em impulso à demanda global, não a partir de grandes grupos econômicos investidores no interior, mas dos pequenos e médios empresários, dinâmicos, que estavam, sob a orientação econômica dependente de poupança externa, sem oportunidade de negócios.

Estariam sendo barrados os movimentos de oligopolização que unem grandes empresas do varejo? Claro que não, mas ao lado dos oligopólios, o governo cuida de criar um contrapeso com a força keynesiana financeira estatal para bombar, também, os pequenos e médios. Antes Keynes funcionava para os ricos, gerando insuficiência crônica de demanda global. A arrecadação não crescia de forma correspondente, evidentemente. Agora, a estratégia keynesiana bombeia, via consumo, os ingressos tributários. Os pobres chegam ao banquete.

Escravos de Chicago

Os ricos levaram uma trolha muito grande com a crise global, explica Dominique, agradavelmente, surpreso com a América Latina, que revela mais pujança que as potências econômicas, sucumbidas sob o crash global, que as condena à deflação destruidora. O FMI vê o que a grande mídia nacional tenta esconder em nome da ideologia neoliberal.

A grande mídia cega, ideologica, neoliberal, está prisioneira da própria contradição do neoliberalismo. Não percebe que os programas sociais são os responsáveis pela geração da poupança interna que gera consumo, que gera arrecadação, que gera investimento, configurando, historicamente, novo momento histórico de desenvolvimento do Estado nacional, na promoção do progresso social e econômico, em busca de novo equilibrio relativo.

O poder midiático raciocina com chapéu dos outros. Engole a teoria do capital externo sobre a questão da necessidade de o desenvolvimento nacional ser, necessariamente, realizado pela poupança externa, já que a interna é insuficiente, diz. Não conhece o desenvolvimento nacional do Japão. São desconhecidas da mídia as reportagens e os livros de Barbosa Lima Sobrinho sobre a economia japonesa e o desenvolvimento nipônico a partir da poupança interna. O capital se faz em casa, descreveu o grande jornalista nacionalista brasileiro.

Marx, que não faz parte da leitura dos jornalistas de economia, escravos de Chicago, cansou de ensinar que o desenvolvimentismo, na base da poupança externa, na periferia capitalista, dinamiza a produção, num primento momento, mas, num segundo instante, produz crônica insuficiência de demanda global, dado seu caráter sobreacumular de renda. Circulo vicioso subconsumista. Mais investimento, como propugnam os desenvolvimentistas, apenas, gerariam mais insuficiências que produziriam os excedentes, que necessitam, ao final, de desvalorizações cambiais inflacionárias para serem exportados, gerando mais concentração etc.

Torna-se, portanto, na visão oposta, não, apenas, de investir, como prioridade absoluta, mas de alavancar os investimentos como produto complementar do consumo interno via distribuição. para que a economia se livre da canga da poupança externa. Afinal, como destacou o autor de O Capital, a divida externa, que expressa a contradição da sobreacumulação nos países capitalistas avançados, representa instrumento de dominação internacional sobre os mais pobres.

O governo Lula, com a poupana interna, fortalecida pelo aumento do consumo interno, gerado por melhor distribuição da renda, tenta romper, com o PAC 2 via democratização econômica, a histórica dependência.

Fortalece, com a jogada econômica nacionalista, a moeda, que se transforma em ativo que atrai investidor. Se o Banco Central deixar totalmente livre a política cambial, os dólares que estão apodrecendo no juro zero, na Europa e nos Estados Unidos, chegariam a ser cotados, em pouco tempo, aos R$ 0,50, ultravalorizondo a moeda nacional e destruindo todo o parque industrial.

Quem vai comprar os dólares que o presidente do BC , ministro Henrique Meirelles, está acumulando, como reserva, quando os governos sulamericanos nacionalistas, estão utilizando-as para incrementar a infra-estrutura nacional e com elas o desenvolvimento com poupança interna?

Cegueira total toma conta da grande mídia. Ela perdeu o pique até para o FMI. Está a direita dele.

O jogo colonialista midiático, porém,  não dá para ir adiante, com aquele ímpeto de antigamente porque as moedas dos países ricos não têm mais gás para exercitar a relação de troca historicamente colonialista, de impor senhoriagem e necessária deterioração nos termos de troca com as moedas dos países capitalistas periféricos, como aconteceu com o dólar, no século 20, depois da segunda guerra mundial, substituindo a libra esterlina que exercitara tal papel no século 19.

Os imperialismos econômicos estão , depois do grande crash de 2008, balançando. O fortalecimento do mercado interno, na América Latina, como destaca Dominique Strauss-Kahn, não apenas é a boa novidade. Sobretudo, transforma-se em salvação do capital, mas num novo contexto de correlações de forças, dadas pelo avanço da democracia econômica nacionalista.


























Composição governista de pé quebrado

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 29-03-2010

Quem mais tem cara de povo para ajudar Dilma nas regiões Sul e Sudeste onde leva desvantagem em relação a Serra: Temer, que diz nunca ter sujado sapato para conseguir ser eleito, dispondo de vasto prestígio jurídico, alcançado à margem das articulações populares, ou Meirelles, banqueiro internacional, escolhido pelo tesouro americano, para ser presidente do Banco Central do Brasil, sempre sintonizado com a banca internacional, principal beneficiária dos juros altos, responsáveis por sangrar, permanentemente, a bolsa popular?

A estacionada de Dilma Rousseff na casa dos 27% frente a José Serra que se encontra na dos 36%, crescendo 2 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, demonstra que o PT é aquele vellho conhecido que dispõe, seguramente, dos 30% do eleitorado. Trata-se de percentual significativo, mas que não garante vitória. O presidente Lula, sabendo disso, buscou um empresário, José Alencar Gomes da Silva, para ser seu vice e emplacar vitória. Trabalho e capital se uniram. Foi a manobra vitoriosa para superar a barreira história dos 30% petista, insuficientes para assegurar chegada ao poder. E , agora, quem está sendo o contrapeso previsto para Dilma, como candidato a vice? O presidente da Câmara, deputado Michel Temer. Empresário? Não. Jurista. Trata-se de personagem sem perfil popular, desclassificado como representante de classe social. Não é entendido pela sociedade como trabalhador, tal como Lula, e muito menos empresário, como Alencar. Pinta de burocrata, sapato lustroso. Ele mesmo disse, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que jamais sujou sapato para ser eleito. Não é um personagem que se identifica com as massas. Acrescentaria, portanto, muito pouco. Por que o PMDB insiste em mantê-lo, sabendo que não tem carisma popular? Seria uma manobra peemedebista, para deixar margem às transgressões eleitorais, abrindo espaço para mudanças de posições, caso sejam necessárias, a fim de assegurar ao partido metamorfoses convenientes, dependendo das circunstâncias, dadas pelo vai-e-vem das pesquisas? Saindo de Temer, que não tem cheiro de povo, nem de perfil representativo de classe social produtiva, o outro que se cogita, o ministro Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, igualmente, nada tem a ver com o senso popular. É puro banqueiro. Sofisticado, palavras calculadas, olhar furtivo, sorriso forçado, ganhou eleição, em Goiás, gastando os tubos de dinheiro, elegendo-se pelo PSDB, adversário do PT. Nem esquentou os bancos do Congresso, para exercitar a atividade parlamentar, que daria a ele chances de mesclar-se ao povão, indo às bases, sentindo suas necessidades e levantando, no Congresso, suas reivindicações. Da vitória eleitoral, saiu direto para o Banco Central, indicado por tubarões do tesouro dos Estados Unidos, em negociações conduzidas pelo senador Aluízio Mercadante(PT-SP), visto que se tratava de homem ligado não ao povo, mas ao mercado financeiro internacional. Trabalhara mais de 30 anos, até aposentar, no Banco de Boston, onde se transformou em presidente. Ganhou sonoridade internacional, depois de uma carreira brilhante como tesoureiro de grande fôlego.

Líder popular desprezado pela própria cúpula partidária, Paulo Paim, um dos maiores nomes do PT, dispõe de larga base eleitoral em todo o país, graças a sua bandeira de luta em favor da valorização histórica do salário mínimo, que, empalmada pelo presidente Lula, fortaleceu o mercado interno. Também, identificado com as lutas dos aposentados, o parlamentar gaúcho mereceu repúdio da cúpula, somente revertendo tal situação porque a oposição rendeu-se a sua bandeira. Santo de casa não faz milagre. Se fizesse seria candidato com grande chances de ser presidente da República com apoio de Lula.

No comando do BC, brilhou, atuando de forma ambígua, dando uma no cravo, outra na ferradura, segurando os juros, sempre, nas alturas, conferindo ao país o título de campeão mundial do custo mais alto do dinheiro colocado à disposição dos clientes para fazer negócios e de consumidores para morrerem enforcados. Não se pode, dessa forma, afirmar que obteve cancha popular, embora tenha atuado num período em que a oferta monetária global fora farta , para que o país dispusesse de acesso fácil ao crédito internacional, a fim de dinamizar a produção e o consumo, até que , em setembro de 2008, emergisse o crash global, jogando a economia mundial no abismo. Nesse momento, revelou-se usurário e não parceiro total do presidente Lula, na medida em que, com a classe dos banqueiros, manobrou para manter os juros relativamente altos, favoráveis à especulação com a dívida pública interna. As opiniões variam em torno do personagem, mas uma coisa é certa: sua filiação política está mais ligada aos homens do dinheiro do que ao povo brasileiro, que paga juro de 150% no crédito direto ao consumidor. Escândalo. Não representaria, dessa forma, nem a categoria do capital produtivo, ou seja, dos empresários, muito menos do trabalho, dos assalariados, cujos pescoços estão permanentemente na forca do crédito excessivamente caro, repassado aos preços, expressando-se em permanentes tensões inflacionárias. Temer ou Meirelles? Nem um nem outro fazem o jogo que corresponderia à necessidade vital de Dilma Rousseff, para que ela alavanque para além dos 30%, patamar histórico eleitoral do PT, de modo a dar folga suficiente, capaz de assegurar a vitória eleitoral. Henrique Meirelles e Temer subindo em cima de jegues no Nordeste, fazendo campanha eleitoral? Risível. Enquanto isso, os verdadeiros líderes do PT dormem nas poeiras das articulações palacianas, que fugiram das prévias eleitorais, para que os petistas buscassem suas verdadeiras opções populares, sejam para a candidatura à presidência, seja para a vice-presidência, na composição , no contexto da coalizão governamental, já que as ordens, dentro do partido, vieram de cima para baixo, a partir das conveniências palacianas e não partidárias.

Xadrez Sul-Sudeste

Se o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, for escolhido vice na chapa de Dilma, o governador do Paraná, Roberto Requião, já disse que estará fora da coalizão governamental. Cairá nos braços de José Serra o pregador nacionalista do Paraná, que poderia equilibrar o jogo perdido do governo nas regiões sul e sudeste, até agora? Pregador das prévias eleitorais para escolha dos seus candidatos na disputa eleitoral, Requião se transforma em líder nacionalista, dadas , principalmente, suas preferências pelos homens do agronegócio do sul, espalhados por todo o país, cansados de políticas agrícolas que favorecem o capital internacional, especialmente, dos que dominam o mercado mundial de fertilizantes, responsáveis por massacrar a taxa de lucro no campo, impondo deterioração permanente nos termos de troca. Dilma preferiria Meirelles ou Temer, sem cheiro de povo, ou RR, amplamente, popular, para compor sua chapa, nas regiões mais problemáticas para sua candidatura?

Quem são os verdadeiros líderes do PT, ligados ao povo, que teriam força suficiente para empolgar o eleitorado, de Norte a Sul e de Leste a Oeste do país. No Sul, por exemplo, destaca-se o senador Paulo Paim. Verdadeiro ídolo popular, negro, fenômeno eleitoral, ligado aos interesses das massas, com credibilidade construida nas lutas pelos interesses das categorias sociais mais sofridas, como são os casos dos aposentados, massacrados pelas políticas neoliberais adotadas ao longo da Nova República, regida pelas ordenações do Consenso de Washington. Nesse momento, sem dúvida, o parlamentar gaúcho é um dos maiores ídolos populares do partido, porque encabeçou a defesa das reivindicações populares mais caras. Tanto é verdade que sua bandeira está sendo tão retumbante que nem a oposição chia. Pelo contrário, adere a ela. Quem a repudiou, inicialmente, mas que, no calor da mobilização popular, agora, a ela se rende é o próprio governo. Depois de ser benemerente em excesso com os credores, o governo entrou numa de jogar usurariamente contra os aposentados em nome do combate ao déficit público. Terá que voltar atrás , caso não queira sofrer derrota achapante no Congresso e nas urnas. E o que faz o governo Lula em relação a Paim? Despresa sua popularidade em vez de embalá-la como triunfo maior da luta petista pela igualdade social, comandada por um parlamentar negro, de alta respeitabilidade. O mesmo aconteceu com a líder popular, senadora Marina Silva, cuja popularidade e bandeiras ambientalistas, apoiadas, internacionalmente, em vez de transforma-la em triunfo eleitoral do partido, com vistas à campanha, acabou sendo defenestrada, para dar lugar a uma candidata, tirada do bolso do colete do presidente, sem jamais ter disputado uma eleição. Os petistas, com seu histórico de lutas, não puderam, por meio de prévias eleitorais, testar seu próprio potencial, a fim de estimular as bases políticas partidárias, de modo a ganhar sonoridade nacional. Depois do vergonhoso episódio do mensalão, em 2005, o PT virou partidinho, jogando sua história ética na lata de lixo. Rendeu-se às práticas anti-éticas das correntes partidárias conservadoras que sempre dominaram o país. Assim, de costas para sua história, os petistas foram dando adeus às suas próprias virtudes. Nesse contexto, não conseguiu sair da sua margem de 30% junto ao eleitorado, mantendo-se, como demonstrou a pesquisa DataFolha, estacionário.

A esquerda, com medo da popularidade de Marina Silva, que foi , literalmente, expulsa do PT, por discordar democraticamente das políticas ambientalistas abraçadas pela cúpula partidária, passou a ser considerada candidata de direita. É o preço a pagar por quem ousa discordar da ordem unida do pensamento único ditatorial da esquerda petista partidária semelhante à dos pregadores do partido único como indispensável à condução dos povos ao socialismo ortodoxo.

Da mesma forma, o maior aliado do PT, o PMDB, comporta-se compativelmente ao espírito conservador, cupulista, manobrista, incapaz de fazer valer o clamor das bases pela candidatura própria, fugindo da pregação nesse sentido de candidatos com respaldo popular autêntico, como é o caso do governador do Paraná, Roberto Requião. Se escolhido, poderia, nas regiões sul e sudeste, dar o contrapeso que falta à candidatura Dilma, perdida, nessas duas regiões, por falta de indentificação com as massas. Temer ou Henrique Meirelles ajudariam a ministra tirada da manga do colete nos estados mais ricos da federação, já que nos mais pobres, Norte, Nordeste e Centro-Oeste, poderá dispor de apoio forte, graças aos programas sociais adotados pelo governo Lula, responsáveis por elevar o consumo interno, valorizar a moeda e evitar hiperinflação na economia, como aconteceu em tempos passados, quando políticas econômicas, ditadas de fora para dentro, produziam, tão somente, crônicas insuficiências de demanda, subconsumismo, eternamente dependente da poupança externa, instrumento de dominação internacional? A composição da chapa presidencial da coalizão governamental parece estar de pé quebrado. O governador de São Paulo ganha folgado, por enquanto, em todo o país, da ministra, e com maior envergadura nos estados mais ricos e mais populosos, como são os casos das duas principais bases eleitorais, São Paulo e Minas Gerais, justamente, onde o PT e o PMDB não estão se entendendo, para formação de palanques, falando uma só linguagem dilmista. Um jurista, Michel Temer, de um lado, e um banqueiro, Henrique Meirelles, de outro, representariam solução de composição, sabendo que ambos não tem cheiro de povo, para complementar a candidatura Dilma, que nunca foi às urnas e espera ser entendida pela massa como reencarnação, em vida, de Lula?

Inflação infla Dilma

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 26-03-2010

A campanha eleitoral em ritmo de aquecimento econômico que bombeia a popularidade de Lula e favorece a candidatura Dilma Rousseff vai demonstrando que as pressões inflacionárias estão atuando favoravelmente aos propósitos do governo que seriam revertidos se os juros subissem, para abrir espaço à crítica da oposição que considera a política monetária perigosa para o emprego por estimular a valorização da moeda nacional , prejudicial à produção industrial. Não há clima para subir os juros já super-elevados. O governo arriscaria a ceder à oposição, que , sem discurso, busca argumento para se firmar de qualquer maneira.

O mercado financeiro está antecipando, precipitadamente, o aumento da taxa de juro na próxima reunião do Conselho de Política Monetária – Copom – em 28 de abril, para compensar, tecnicamente, a decisão de segurar a taxa na última reunião, em que o BC se mostrou dividido sob comando de um presidente que passou a jogar politicamente no comando da política monetária.

O ministro Henrique Meirelles, que teria presidido pela última vez o BC, preferiu manobrar para que o Copom mantivesse a taxa básica selic na casa dos 8,75%. Especulou-se, fortemente, que ela pularia para 9,25%, indo num crescendo, até final de ano, quando, hipoteticamente, alcançaria os 11,75% ou 12%.

As previsões antecipadas pelos banqueiros, que comandam a pesquisa Focus, responsável por fazer leituras futuras inflacionárias altistas trazidas ao presente em forma de elevação do custo do dinheiro como fator de amortecimento do consumo que estaria exagerado, batem de frente com o contexto eleitoral a ser pautado pelo comportamento da economia.

A popularidade do presidente Lula está bombando e, automaticamente, inflacionando a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, justamente, porque o comportamento do titular do Planalto passou a ser mais ou menos condescendente com as pressões altistas de preços, decorrentes do  aquecimento econômico, oxigênio maior da própria popularidade presidencial.

Como o titular do Planalto realiza todos os esforços possíveis e impossíveis para fortalecer a candidatura Dilma, arriscando-se a ser, crescentemente, multado pela justiça eleitoral, como aconteceu durante a semana, por antecipar o processo sucessório, a sustentação da popularidade dependeria do aquecimento econômico cujo resultado são pressões inflacionárias.

A crise internacional, que empobreceu relativamente os países ricos e enriqueceu relativamente os países emergentes, está na base das pressões inflacionárias em curso, porque os capitais, que estão empoçados na Europa e nos Estados Unidos, rendendo juro negativo, fogem para os fundos de investimentos que estão comprando ativos no Brasil. Tal movimento gira mais aceleradamente a economia emergente nacional.

Os aplicadores jogam parte do dinheiro na bolsa comprando empresas e parte na dívida pública interna comprando títulos do governo, para usufruírem a taxa real de juro mais alta do mundo. Trata-se de movimento determinado pela conjuntura internacional que coloca o Brasil em novo desafio histórico, de ter que sustentar a demanda interna aquecida ao mesmo tempo em que se vê sob pressão altista dos preços.

Lula ficou entre dois fogos, no calor da campanha que se inicia. Se aumentar o juro, eleva especulação com a dívida pública interna, que já excessivamente inchada, por conta da política anticíclica adotada para enfrentar a crise mundial, pode desatar especulações cambiais desenfreadas em face dos déficits em conta corrente crescente; se mantiver a taxa como está – reconhecidamente elevada – jogará com a inflação, produto do aquecimento produtivo, bombador da popularidade lulista.

Nesse contexto, a tentação presidencial será a de combinar técnica e política para manejar a taxa de juro, excessivamente alta. Juro mais alto reduziria a inflação ou aumentaria ela, sabendo que os empresários repassariam os aumentos de custos aos preços?


No embalo das pesquisas


O governador José Serra, que se prepara para fazer discurso forte em favor de políticas de emprego, tendendo a defender redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, ao mesmo tempo em que prega política monetária heterodoxa ao lado de política fiscal ortodoxa, espera que o Banco Central opte pelo juro mais alto, a fim de elevar o tom de sua crítica, a fim de manter dianteira nas pesquisas.

Se a candidatura Dilma, no rastro da popularidade de Lula, subir nas pesquisas e ultrapassar José Serra, o governo estaria tão forte que poderia dar ao luxo de decidir por um aumento controlado da taxa; se, porém, a candidatura do governador José Serra crescer, focando discurso favorável ao emprego e de crítica à política monetária, confirmando sua posição histórica nesse sentido, dificilmente, o BC, sob presidente indicado pessoalmente pelo presidente Lula, para substituir Henrique Meirelles, tenderia a resistir às pressões do mercado financeiro. Haveria equilíbrio de forças entre as vozes, de um lado, do mercado financeiro, e, de outro, do setor político e empresarial. Este tenderia, em tempo eleitoral, a ganhar força relativa maior, sabendo que as lideranças empresariais estarão indo às urnas em outubro.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI), deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), candidato ao Senado, e o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo(FIESP), Paulo Skaf, candidato pelo PSB ao governo paulista, já bombardeiam as intenções altistas previstas na ata do Copom, quase que antecipando aumento dos juros no final de abril. O que dirá José Serra diante de eventual puxada do juro para combater a inflação, visto que levanta a bandeira desenvolvimentista? Esta não combina com juro alto como o praticado pelo BC em nome do combate às pressões inflacionárias.

Como dissociar as próximas decisões do BC do contexto eleitoral, para que sejam vitoriosos os argumentos absolutamente técnicos, se a tecnicalidade alcançada pelos especialistas se realiza por critérios subjetivos articulados por meio de pesquisa organizada pelos próprios banqueiros, cujos interesses como classe social poderosa são favoráveis aos juros altos?

As pressões do mercado financeiro em favor dos juros altos, por sua vez, ficaram em xeque diante das previsões do IBGE de que os preços no atacado estariam sinalizando, para os próximos meses, quedas e não altas de preços, embora o movimento destes nos primeiros quatro meses do ano sofra influência de sazonalidades invariavelmente altistas nesse período.


Inflação versus deflação


Os empresários, como Paulo Skaf, presidente da FIESP, vão às urnas em favor do desenvolvimentismo, incompatível com a estratégia de juro alto, sinalizada pelo Banco Central, com base em pesquisa realizada pelos banqueiros, que fixam inflação futura para realizar no presente o juro alto.

O comportamento político do presidente Lula tenderia a pautar as decisões econômicas?

O titular do Planalto, depois que contrariou os cânones macroeconômicos neoliberais, durante a grande crise global, adotando medidas heteredoxas, anti-neoliberais, que elevaram, em vez de diminuir, o prestígio do Brasil na cena internacional, abrindo-lhes as portas aos investidores externos, em escala ascendente, dada a crença global no potencial econômico brasileiro, não estaria, principalmente, em tempo eleitoral, disposto a fazer o jogo do mercado financeiro, sistematicamente, de caráter especulativo.

Ao mesmo tempo, não, apenas, no Brasil, mas em todos os países emergentes, especialmente, os asiáticos, as manifestações inflacionárias estão sendo lidas, nos países capitalistas desenvolvidos, tecnicamente, falidos, como manifestação, não de fraqueza, mas de força relativa, apesar de as dívidas internas crescentes anunciarem tempestades.

A leitura positiva em relação ao aumento do endividamento dos países emergentes feita pelos países ricos, baseia-se no fato de que neles o mercado interno está aquecido, tornando-se atrativos às importações do mundo desenvolvido, onde o consumo se mostra insuficiente, tornando-se obstáculo ao juro alto que levaria os governos endividados à falência total, se tal opção fosse tomada em nome do enxugamento do excesso de dinheiro na praça global.

Ameaçados pela deflação, sinalizada pela insuficiência da demanda global, de um lado, e pelo endividamento elevado, de outro, os países ricos, relativamente, empobrecidos pela bancarrota financeira global, vêem na inflação, que avança na América do Sul e na Ásia, entre os países emergentes, relativamente, enriquecidos, não o problema, mas a solução deles. Os ricos perderam seus mercados e vêem nos emergentes a possibilidade de vender seus produtos, ameaçados de ondas deflacionárias, financeiramente destrutivas.


Nova macroeconomia


Tremenda dúvida. O presidente do BC, que está deixando o cargo para disputar o voto em outubro está diante de nova macroeconomia criada pela crise global , responsável por dotar o Brasil de peso relativo maior no cenário da competição internacional, algo que se torna incompatível com a cultura jurista altista vigente no Brasil para defender os interesses da sobreacumulação especulativa financeira.

A macroeconomia dos países emergentes, no novo contexto mundial, em que a divisão internacional do trabalho se dá sob nova correlação de forças políticas e econômicas, mudou de qualidade. Nesse sentido, o fortalecimento do mercado interno, no Brasil, por exemplo, gera não déficit de importações, mas, como diria Maurice Dobb, em “A evolução do capitalismo”, superávit de importações.

O país, com seu déficit em contas correntes, fortalecido pelo mercado interno consumidor, impulsionado por políticas sociais distributivas, estaria, dialeticamente, ganhando em vez de perdendo ao ter importações maiores do que exportações.

Nessa nova conjuntura, dada pela crise global, que favorece  o Brasil, detentor de mercadorias – as matérias primas em geral – que se valorizam diante dos produtos manufaturas, que se desvalorizam no compasso da competição global, o presidente Lula não teria motivo nenhum para render-se às previsões do mercado financeiro favoráveis aos juros altos.

Recolheria, se rendesse, pressões dos aliados, que reclamariam, por ameaçá-los diante das críticas da oposição, que cairá de pau, se o consumidor vier a ser ainda mais sacrificado pela visão monetarista do Banco Central, caso emplaque juro mais alto na próxima reunião do Copom.

Serra avaliza Dilma ao elogiar Lula

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 21-03-2010

Se o governo Lula vai bem e a gerente geral desse governo é Dilma, Serra , ao elogiar Lula, dizendo que o governo dele vai bem, logicamente, avaliza, também, quem é a comandante geral da administração lulista, Dilma, a candidata do titular do Planalto, escalada para sucedê-lo.

Raciocínio lógico. O presidente Lula está terminando o governo bem,segundo o governador de São Paulo , José Serra. Logo, a sustentação do bem lulista seria uma boa que continuasse, segundo a própria oposição. Qual a proposta de Lula, para a sustentação desse bem? Dilma! O elogio do governador representa recomendação dele à proposta Lula, que é Dilma Rousseff, visto que o programa dela é a continuidade do bem proporcionado pelo governo Lula. Qual é a base do governo lulista, que a oposição considera um bem? A popularização presidencial decorrente, naturalmente, da expansão e da distribuição melhor da renda nacional ao longo dos oitos anos de lulismo,apoiado na coalizão governamental PT-PMDB-PSD-PDT-PR-PTB etc. As pesquisas quanto à distribuição da renda apontam que nasce, no país, a partir da emergência dos pobres, subindo das classes E para D, da D para C e da C para a B, uma nova classe média nacional, diferente, qualitativa e quantitativamente, daquela antiga e reacionária classe média, atada à classe A, subordinada, egoísta, individualista, puxa-saquista, sem cabeça para pensar por si mesma, porque, essencialmente, dependente do pensamento das cúpulas econômicas e financeiras comandantes históricas do poder nacional. A emergência das novas classes médias, em decorrência da melhor distribuição da renda, proporcionada pelos aumentos reais de salários mínimos que transformaram a Previdência Social no maior programa distributivo da história brasileira, aliado.ao programa social Bolsa Família,criou novo conceito de classe, mais coletivista, mais participativa, mais ligada nos acontecimentos, disposta à organização política para além dos partidos cujas cúpulas estão apartadas da realidade social, como destaca o prefeito de Salinas, José Antônio Prates, do PTB mineiro.O bem que Lula faz ao país está ligado a essa nova emergência social. As cúpulas partidárias, que sempre deixaram o povo para trás, jogando à revelia das opiniões populares, das organizações comunitárias, enfim , do pensamento coletivo, estão sendo ultrapassadas, sem que elas percebam. Há, evidentemente, uma articulação social realizada por cima desse pensamento único cupulista partidário, que, durante a Nova República, fortaleceu-se, principalmente, em São Paulo, onde as elites, econômicas e financeiras, aliadas ao capital externo, comandam o país , pensando ser o país propriedade delas.

Prisioneiro do óbvio

Serra esticou ao máximo sua disposição de lançar-se candidato com discurso lulista que avaliza Dilma como comandante mor do governo, portanto, capacitada, tanto quanto ele, de levar adiante uma administração que vai bem. Se o que está aí vai bem , por que mudar o comando? Serra candidata-se a elogiar Dilma durante a campanha porque elogiando Lula, como está fazendo, produz o mesmo elogio para quem Lula considera seu braço direito para produzir governo de bem exaltado pelo discurso serrista. O governador tornou-se vítima de sua própria obviedade.

Serra pode ter marcado bobeira total, quando , seguindo o pensamento cupulista paulista reacionário, negou a disputa dentro do PSDB com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Emergiu o argumento elitista segundo o qual ele estava na fila, a hora seria dele e não de Aécio, para ser o candidato tucano à disputa com a candidatura da coalizão. Poderia ter dado show democrático, mas, não. Manobrou, e nessa manobra burra, ficou sem o parceiro ideal para facilitar sua vitória, mais difícil de ser alcançada. Agora, resta ao titular do Palácio dos Bandeirantes, sem a companhia de Minas Gerais, para valer, buscar agradar ao eleitor de Lula, dizendo que o titular do Planalto seria uma boa como plataforma política. Tenta, meio que escalafobeticamente, escalar as bases lulistas, a fim de furar o esquema de Dilma. Não seria contraditório ele elogiar Lula e deixar de elogiar a canditada de Lula, sabendo que Lula diz que quem comanda o governo é ela, por isso ter-se optado pela emergência da mulher como tsunami no mercado político eleitoral nacional? Onde se ancora Dilma? Na estratégia lulista que ela comanda, segundo o próprio presidente. E essa estratégia, na verdade, é a que salvou o Brasil da bancarrota financeira global, desatada pela irresponsabilidade do governo americano, ao sustentar economia de guerra keynesiana, emitindo dólar sem lastro a ser reciclado no sistema financeiro internacional, inundando monetariamente a praça até que tudo foi para os ares em setembro de 2008. Essencialmente, os programas sociais lulistas criaram a base da poupança interna, para sustentar o desenvolvimento nacional, historicamente, dependente da poupança externa. Na medida em que tais programas distributivos fortaleceram o mercado interno de consumo, tornaram-se pouco relevantes os problemas crônicos anteriormente existentes de formação de excedentes econômicos que necessitavam, por carência de consumo interno, de desvalorizações cambiais, a fim de serem exportados. Emergia inflação, enfraquecimento da moeda, corridas cambiais contra ela, arrochos salariais, mais dependência da poupança externa etc. Consumidos internamente os excedentes, a moeda valorizou-se, tornou-se relativamente mais forte para combater a inflação e os investimentos externos afloraram mais intensamente para o pais, porque com mais consumo interno, ocorreram maiores arrecadações tributárias, maiores disponbilidades de finanças públicas destinadas aos investimentos, maior volume de emprego, maior sustentação da previdência social. Os analistas em geral pregam que o país, historicamente, dependente de poupança externa precisa, antes de estimular o consumo interno, de mais investimentos. Como, por essa visão, os investimentos requereriam poupança externa, para atraí-la tornam-se necessários indispensáveis arrochos fiscais intermitentes. Com menos gastos públicos, gastos correntes, principalmente, haveria espaço para redução das taxas de juros etc. Um papo que não cola mais no compasso da emergência da nova classe média participativa, coletivista, solidária, diferente daquela que escutava essa baboseira econômica adequada aos interesses do capital internacional. O fato, como diz Marx, é que produção é consumo, consumo é produção. A estratégia lulista demonstrou que mais consumo representa mais produção porque há mais arrecadação que bombeia mais investimentos. Ou seja, a poupança interna , para crescer, depende não da restrição ao consumo, para que sobre mais recursos para os investimentos, mas, justamente, o contrário, requer mais consumo para que, obtendo maiores ingressos tributários, ocorram maiores inversões nas atividades produtivas. A manutenção da taxa de juros no patamar de 8,75%, na última reunião do Copom, obedece a essa lógica capitalista, porque , se ocorresse o contrário, isto é, se o juro subisse, o mercado interno, que está salvando o capitalismo nacional , seria prejudicado e, ao mesmo tempo, a dívida pública, que teve de crescer, para atuar como fator anticíclico, no auge da crise financeira, implodiria, jogando tudo pelos ares. A sustentação do status quo econômico-social-político lulista é incompatível com o juro alto, como se deu, até agora, na economia brasileira, porque não haveria autosustentabilidade econômica, caso vencesse a tese do mercado financeiro segundo a qual torna-se necessário conter o consumo, para permitir o avanço dos investimentos, tese que os analistas despejam, como prisioneiros de um pensamento que a crise neoliberal detonou por ser incompatível com o avanço da distribuição da renda nacional. Serra, durante a campanha, terá que continuar elogiando Lula e, consequentemente, Dilma, como se fosse cabo eleitoral dela e não de si mesmo, porque o que prega para a economia, no momento, ou seja, sua disposição de lutar contra a política monetária seguida, até agora, pelo Banco Centrla, que se tornou incompatível com a estratégia capitalista nacional para enfrentar a bancarrota financeira internacional, é o mesmo que já está praticando o governo Lula, cuja gerente é Dilma, como destaca o próprio titular do Planalto. Assim, ao elgoiar Lula, Serra apoia a proposta lulista que é Dilma. Por que trocar de atacante quanto o time está batendo de goleada, obtendo apoio popular e tornando o país atrativo ao capital externo mesmo diante da expansão do consumo que os analistas subordinados ao pensamento do capital internacional pregam ser necessário ser contido para que os capitais cheguem? Nada mais doido!

Serra abaixo

Categoria: (Política) por Jose Prates em 18-03-2010

Na pesquisa espontânea, Ibope/CNI, divulgado nessa quinta feira, Dilma já bate Serra por 14% a 10%, demonstrando avanço da candidatura governamental, embalada depois que ocorreu o divórcio entre o governador de São Paulo e o de Minas por conta da insistência do primeiro em não disputar prévias eleitorais, sob o argumento de que estava na fila a mais tempo do que o segundo, levando os mineiros à rebelião contra a resistência da cúpula do tucanato paulista em democratizar a escolha partidária. Sem Minas engajada, prá valer, na campanha, a candidatura Serra pode descer a ladeira, sinalizando desastre.

Ao voltar as costas a um debate democrático, José Serra desrespeitou e subestimou Minas sem ser Presidente, imagine se fosse, o que ele não faria para prejudicar nosso Estado e o povo mineiro, como fez seu protetor, Fernando Henrique.

Aécio propôs debater dentro de seu partido, a céu aberto, a proposta para o Brasil e o candidato a Presidente; propôs democratizar, mais do que ninguém, o processo de escolha dos candidatos, oxigenando e inserindo componente novo ao cenário político-eleitoral brasileiro. Este seria o grande fato novo, prévio ao processo eleitoral formal.

Este intento foi desdenhado pela elite paulista, herdeira dos barões do café, incrustada no ideário e no comando da maioria dos partidos ali sediados. Não é o povo paulista, pois esse é um mosaico de correntes migratórias brasileiras e de outros paises, gente sofrida e laboriosa em busca de uma vida melhor à que tem legítimo direito.

E Aécio, ao sair pelo Brasil, mesmo na companhia de Serra, ofereceu a outra face, a face libertária de Minas, a imagem do Estado mediterrâneo, das várias Minas que a cada fronteira se assemelha ao vizinho, enlaçando sua alma a ele, despido de toda e qualquer pretensão hegemônica, mas preservando uma identidade que jamais será reconhecida por políticos vaidosos e elitistas.

A bandeira de Minas, símbolo indisfarçável de libertação ampla e irrestrita, acompanhou o Governador Aécio nessa proposta de mudança. Isto foi percebido por Serra que assustou-se e de forma matreira preferiu, sabotar as prévias e macular, de forma golpista, digno dos velhos tempos, semelhante processo tão rico e necessário à saúde política do Brasil.

Resta uma crítica aos tucanos mineiros que não ousaram denunciar a sabotagem ao processo vilipendiado  e, sobretudo, não tiveram coragem para ANUNCIAR Aécio à revelia de uma falsa correlação de forças e formalidades de prazos.

Rebelião mineira

Líder estudantil em Brasília, nos anos 70, exilado no Peru, Chile, Argentina, França e Guiné Bissau, articulador do movimento Lulécio(Lula + Aécio), em 2006, agora, novamente, articular da estratégia Dilmasia(Dilma + Anastasia), para levar o governador mineiro a sintonizar-se, taticamente, com o lulismo, José Antônio Prates, prefeito de Salinas, PTB-MG, movimenta as bases tucanas para apoiar Dilma e não Serra.

Com a retirada do Governador Aécio, a realidade instalou-se de forma transparente e irremediável: a descida de Serra começou e acelerou. Aécio volta a Minas onde se robustece e se legitima, a cada dia, para unir Minas e torná-la apta e preparada para todo e qualquer embate que venha.

É bom lembrar que vimos expressando há tempos em nosso discurso político: o povo brasileiro, há muito tempo, ultrapassou “suas” vanguardas em sonhos, desejos e posicionamentos. As vanguardas políticas brasileiras negociam demasiado e muitas vezes o fazem em prejuízo do povo.

Esta não é uma expressão do Governador e portanto ninguém precisa se justificar até Serra. É um sentimento de seus companheiros da base municipal. Não é uma análise, é uma constatação. Este movimento independe do Governador, mas é aliado em qualquer jornada.

O povo é generoso, mas clama para que suas ansiedades sejam diminuídas, alinhando-se à ação de Estadistas que o respeitem e agem de forma simples, sábia e generosa, para assinalar o rumo de sua caminhada.

Mais uma vez esse mesmo povo deixará de lado as articulações extranhas a ele e desenhará por conta própria o mapa de seu destino. É nesse mar que o barco de Minas, navegará conduzido por seu legítimo timoneiro, Aécio Neves, que por sua imensa sensibilidade, percebe, sente e transita com desenvoltura.

Não há e nem haverá Brasil sem Minas.

É entre nossas montanhas, chapadas e veredas que, mais uma vez, o destino do Brasil será definido.

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* Prefeito de Salinas/MG.