19 fev
2010Ameaça de Lima faz PO adiar renuncia
Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 19-02-2010

Se tivesse ficado calado até que PO renunciasse, como havia prometido, Wilson Lima poderia ter chegado lá. Mas, precipitou-se, extraordinariamente, ao manifestar, antes da hora, o que iria fazer ao assumir o Buriti: paralisar todos os contratos em andamento no governo. Geraria tumulto tão grande que poderia provocar revolta popular com emergência do desemprego em massa. Macaco em loja de louça. Pode ter viabilizado a intervenção pelo STF.
O incrível vai e vem do vice- governador Paulo Octávio em relação a sua renuncia, anunciando-a, num momento, para, em seguida, negá-la, entrando nesse zigue-zague, ao longo do dia, ao sabor dos interlocutores, sendo o principal deles o presidente da República, representou uma das maiores fontes de confusões jamais vistas em um político brasileiro. No auge da parafernália verborrágica, PO acabou dizendo o que não fora verdade, isto é, que o presidente lhe recomendara ficar no poder até decisão final do Supremo Tribunal Federal sobre se intervém ou não no Distrito Federal, algo que, como desmentiu o Palácio do Planalto, não ocorrera. A partir daí, desencadearam-se contradições que tiveram como motivo essencial um fator explosivo, enquanto a renúncia era tida como certa, até ser descartada: as declarações precipitadas do presidente da Câmara Legislativa, deputado Wilson Lima, PRP, que seria o novo governador, caso PO se afastasse como prometeu, mas não cumpriu, pelo menos por enquanto. Enquanto era dada como certa a saída de Octávio, Lima, politicamente, ejaculou-se, precocemente, e traçou, de forma precipitada, as linhas básicas das suas ações assim que assumisse o poder. E ao fazer isso, criou um terremoto nas bases octavistas. Prometeu que iria cancelar todos os contratos em andamento na administração e reabriria discussões sobre o Plano Diretor de Ordenamento Territorial – PDOT.

Se tivesse ficado calado até que PO renunciasse, como havia prometido, Wilson Lima poderia ter chegado lá. Mas, precipitou-se, extraordinariamente, ao manifestar, antes da hora, o que iria fazer ao assumir o Buriti: paralisar todos os contratos em andamento no governo. Geraria tumulto tão grande que poderia provocar revolta popular com emergência do desemprego em massa. Macaco em loja de louça. Pode ter viabilizado a intervenção pelo STF.

PO protagonizou um dos espetáculos políticos mais grotestos de todos os tempos. Não pode falar a verdade sobre porque não renunciou como prometeu. Razões ocultas e latentes estavam em jogo. Se Lima chegasse ao poder, desarticulando o castelo de cartas armado pela administração Arruda-Octávio, pintaria confusão total. Sintonia entre o Buriti e a Cãmara Legislativa, na apuração da CPI, sob o governo Wilson Lima, detonaria consequências dramáticas para os interesses de PO. Representaria estouro de bomba atômica em ano eleitoral.
Os empreiteiros e toda a cadeia produtiva que movimentam entraram em polvorosa. Obras seriam paralisadas, bilhões de reais em prejuízos, desemprego em massa, caos. Além disso, o PDOT, aprovado pela Câmara Legislativa, sob pressão do governo Arruda-Octávio, conteria, segundo os petistas , as provas de manipulação de interesses favoráveis à Paulo Octávio Empreendimentos em loteamento geral do Distrito Federal. Vale dizer, escândalo explosivo. Assim que os olheiros e ouvidores de PO sentiram as declarações precipitadas de Wilson Lima, alardearam tempestades. O terremoto seria tão grande que Wilson chegou a fazer paralelo entre a bancarrota do governo do Distrito Federal e o que aconteceu no Haiti, para concluir, bombasticamente: “O Haiti é aqui”.

PO protagonizou um dos espetáculos políticos mais grotestos de todos os tempos. Não pode falar a verdade sobre porque não renunciou como prometeu. Razões ocultas e latentes estavam em jogo. Se Lima chegasse ao poder, desarticulando o castelo de cartas armado pela administração Arruda-Octávio, pintaria confusão total. Sintonia entre o Buriti e a Cãmara Legislativa, na apuração da CPI, sob o governo Wilson Lima, detonaria consequências dramáticas para os interesses de PO. Representaria estouro de bomba atômica em ano eleitoral.
A renúncia, que já estava em curso, teve que ser revertida sob o alarde generalizado dos empresários, temerosos da possibilidade de Lima transformar-se em verdadeiro macaco em loja de louças. Como as circunstâncias políticas estão completamente descoordenadas, pois o vai e vem de PO quanto a sua renúncia reforçou o pedido de intervenção por parte do Procurador Geral da República no GDF, ao mesmo tempo em que solicitou a necessidade de não concessão do habeas corpus ao governador Arruda, preso na PF, sob argumento de que voltando ao poder, continuaria dificultando as investigações da Operação Caixa de Pandora, o caldo entornou.
Para o governador e o vice pode ser melhor a intervenção do que a chegada de Wilson ao Buriti. Como entre a abertura da CPI, aprovada pela Câmara, e seu efetivo funcionamento decorrerão cerca de 40 dias, por conta dos prazos implícitos, a resistência de PO à renúncia funcionaria como se buscasse tempo até que chegasse novo interventor. Com este, quem sabe, poderia haver diálogo, visto que com o dep. Wilson Lima, considerado uma versão piorada do ex-deputado Severino Cavalcanti, os interesses econômicos e financeiros assentados no processo de desenvolvimento atual do DF seriam todos, possivelmente, jogados para o alto. As chances da intervenção aumentaram.
STF anula Lula no DF

"Gilmar, você acha que sou doido de te atropelar nessa crise aqui no DF, saindo para tentar salvar o PO, sem saber o que você pensaria , antes, meu caro? Não sou doido! Tô contigo e não abro" , poderia ter dito o presidente Lula ao presidente Gilmar Mendes, que pode dar as cartas no processo político, se houver impasse geral no caos político brasiliense, desencaeado pela corrupção no governo Arruda-Octávio.
Foi pura perda de tempo a jogada política do vice-governador Paulo Octávio de ir ao presidente Lula para pedir sua interferência no processo político caótico no Distrito Federal, posicionando-se contra a intervenção, como se tal atitude vindo a ser tomada pelo judiciário fosse ilegal e não constitucional. O titular do Planalto foi seco, como se pode ler nas palavras do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, de que a ação do governo dependerá da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A palavra não está com o Executivo, mas com o Judiciário, ou seja, com os ministros guardeãos da Constituição, do outro lado da Praça dos Três Poderes. Se Lula, como Pilatos, lavou as mãos, deixando Paulo Octávio no sereno, significa que o poder político republicano, na crise política no Distrito Federal, transferiu de mão no começo da campanha eleitoral. O Judiciário , e não o Executivo ou o Legislativo, dão as cartas.

"Gilmar, você acha que sou doido de te atropelar nessa crise aqui no DF, saindo para tentar salvar o PO, sem saber o que você pensaria , antes, meu caro? Não sou doido! Tô contigo e não abro" , poderia ter dito o presidente Lula ao presidente Gilmar Mendes, que pode dar as cartas no processo político, se houver impasse geral no caos político brasiliense, desencaeado pela corrupção no governo Arruda-Octávio.

Depois do vai e vem de PO sobre sua renuncia e o desmentido do Planalto de que não teria aconselhado o vice governador a ficar no cargo até decisão do STF sobre a intervenção, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, concluiu que somente o processo intervencionista sanaria as contradições e os escândalos que se precipitaram espetacularmente na crise política no Distrito Federal.
Certamente, as possibilidades de renúncia de Paulo Octávio serão crescentes, porque o PT, na CPI aberta na Câmara Legislativa, vai apontar o que considera crime no jogo de influência econômica praticado pelo maior empresário do ramo imobiliário do Distrito Federal, no contexto do PDOT – Plano Diretor de Ordenação Territorial – no qual o dedo do vice, na avaliação dos petistas, estaria espalhando toda a sua influência na distribuição das terras no espaço distrital. A raposa havia tomado conta do galinheiro. Se não renunciar, agora, será obrigado a fazê-lo em meio aos escândalos que prometem multiplicar-se na escalada eleitoral. Até lá, possivelmente, a intervenção poderá ter ocorrido.

Depois do vai e vem de PO sobre sua renuncia e o desmentido do Planalto de que não teria aconselhado o vice governador a ficar no cargo até decisão do STF sobre a intervenção, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, concluiu que somente o processo intervencionista sanaria as contradições e os escândalos que se precipitaram espetacularmente na crise política no Distrito Federal.









