15 fev
2010Habeas Corpus, armadilha para intervenção
Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 15-02-2010
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JK deve ter desfilado envergonhado no sambódromo, tendo que aguentar gozações dos cariocas contra os brasilienses, obrigados a suportarem a culpa pelos estragos promovidos pela cúpula apodrecida do poder sediada no Buritinga, jogando merda para todos os lados, sujando geral a capital da República no cenário nacional.
A política endoidou no Carnaval. O negócio pode descambar, pois está mais para Ivete Sangalo, fantasiada de Lobo Mau, correndo atrás de Chapeuzinho Vermelho: “vou de comer, vou de comer, vou te comer”.
Quatro imponderáveis emergem no pedaço:
1 – Sairá o Habeas Corpus para livrar Arruda da cadeia?
2 – Pintará, como pede o Procurador Geral da República, intervenção do STF no DF?
3 – A Câmara Legislativa, para se salvar, instaurará o impeachment contra Arruda, que poderia pegar, também, Paulo Octávio?
4 – Ou o HC, Lobo Mau, representará armadilha para intervenção?
O Habeas Corpus, a ser ou não concedido pelo ministro Marco Aurélio Melo, permitiria a volta do governador José Roberto Arruda ao Palácio do Buriti, se, justamente, ele foi encarcerado como forma de proteção para a sociedade contra manobras que praticava de esconder e destruir provas do crime que estava executando?
Ou pintaria HC condicional, isto é, o governador poderia ser solto, mas proibido de reassumir suas funções, para evitar a continuidade da prática criminosa pela qual paga com a prisão na PF?
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O ministro Marco Aurélio, do STF, pode representar o Lobo Mau, incorporado por Ivete Sangalo, querendo traçar Chapeuzinho Vermelho, no Carnaval, transformando o Habeas Corpus em armadilha que pode ou não destruir Arruda. Jogaria pólvora quente, detonando a intervenção. Bastaria, no despacho ministerial, conter restrições ao retorno do titular do Buriti ao cargo. Abriria espaço ao imponderável. “Vou te comer, vou te comer, vou te comer”.
No caso de decisão contida em HC que implicasse tal condicionalidade, estaria ou não o STF, indiretamente, intervindo no GDF e , simultaneamente, induzindo a Câmara Legislativa a levar adiante a CPI contra o Governo Arruda-Octávio?
O vice-governador, por ser um dos suspeitos das investigações em curso, teria sobre sua cabeça pesada Espada de Dâmocles suspensa por fio de cabelo. Nenhuma segurança.
O pressuposto para a intervenção, dessa forma, pode estar contido na concessão do Habeas Corpus. Torna-se implausível o retorno de Arruda, enquanto a permanência de Octávio, igualmente, vai se configurando problemática, especialmente, se o presidente Lula enrolá-lo, adiando recebê-lo, somente, depois da decisão de Marco Aurélio.
Em tal contexto não estaria afastada a possibilidade de a Câmara Legislativa, suja que nem pau de galinheiro, antecipar decisão favorável ao impeachment como forma de ficar bem perante a opinião pública em ano eleitoral.
O impeachment, por outro lado, representaria a condenação de Arruda, mas não seria garantia para a absolvição de Paulo Octávio. No desenrolar do processo, as acusações contra o vice ganhariam, certamente, dimensão extraordinária.
Tudo, por sua vez, pode precipitar, se o governador bater pé e não renunciar, mesmo diante de concessão de Habeas Corpus que, eventualmente, cerceasse sua volta ao poder.
Possibilidades carnavalescas
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O Supremo Tribunal Federal pode tomar decisões surpreendentes sobre a situação política explosiva brasiliense que teriam repercussões nacionais, levando o Congresso, totalmente, desmoralizado, em tempo eleitoral, à obrigação de encarar suas próprias vestes rotas, como alternativa de salvação perante os eleitores, ansiosos por uma reparação à falta geral de vergonha do legislativo e do executivo nacionais ao longo da Nova República.
Imagine, por exemplo, se o Supremo Tribunal Federal joga para o Congresso a votação da intervenção política no Distrito Federal.
O presidente Lula nomearia o interventor que dependeria do ok ou não dos congressistas. Ou seja, representaria contrariedade a partir de uma indução do Judiciário.
A Nova República teria chegado à desmoralização total, no sentido de suportar que os juízes passassem a dar as cartas no plano político, simplesmente, porque os políticos desandaram em suas funções.
O negócio é saber se o STF decidirá com olho na técnica jurídica ou na política. Certamente, se o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, antever a gloria política, por meio da restauração da moralidade dos costumes políticos, não a partir da classe parlamentar, mas da classe jurídica, que, nesse caso, preencheria vácuo neorepublicano, com o colapso moral do Legislativo e do Executivo, poderia dar um pontapé na reforma política.
Se ele manda aos congressistas, por meio do Executivo, a incumbência de destronar ou não a dupla Arruda-Octávio, evidentemente, emerge o maior problema político para os dois poderes da República que resistiram, até agora, a encarar, para valer, os desmandos por eles mesmos praticados em relação à questão eleitoral brasileira, dominada pelo abuso econômico.
O jogo da governabilidade estaria na dependência da remoção ou não, pelo Congresso e pelo Executivo, da questão emergente da ingovernabilidade imoral e jurídica expressa no Distrito Federal. O clima político poderia jogar por terra prioridades caras ao governo, no momento, como é o caso da votação do projeto de lei que cria o pré-sal. O impasse do DF embolaria o meio de campo. Como nem governo nem oposição ganhariam , se a discussão sobre corrupção generalizar-se, a solução poderia ser a sua remoção pela busca de solução para enfrentá-la em termos consensuais, e rápido.
O desafio aos congressistas estaria posto. Seja qual for a decisão, favorável ou contra o habeas corpus, favorável ou contra a intervenção, os desdobramentos estarão contaminados pelas incertezas e excitações sem fim.
Em caso de intervenção, por exemplo, a confusão seria geral. Se os congressistas decidissem contra o afastamento dos personagens suspeitos por ação dos guardiões da Constituição, poderão ser vistos como adversários da lei. Como, por diversas razões, as desconfianças sociais sobre os parlamentares tenderiam a aumentar diante de uma resistência nesse sentido, eles poderiam caminhar para o entendimento segundo o qual o episódio constituiria em oportunidade para recuperação de credibilidades perdidas em ano eleitoral.
DEM pode surpreender
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Lutando para tentar limpar o nome do DEM dos respingos de lama jogados pela dupla ARRUDA-OCTÁVIO, o senador Demóstenes Torres já defende a aprovação, no Congresso, da intervenção no Distrito Federal. Visa higienizar a sigla não apenas no DF mas em todo o país, visto que se encontra ameaçada de não poder participar das coligações com as oposições na eleição presidencial por falta de credibilidade. Dialética política em marcha.









