11 fev
2010BC salva os ricos e condena os pobres
Categoria: (Economia) por Cesar Fonseca em 11-02-2010

O presidente do BC, Henrique Meirelles, alerta para os juros mais altos para combater a inflação, enquanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teme que tal estratégia detone o mercado interno e a Classe C que elevou a economia ao grau de excelência internacional, evitando que o país entrasse em bancarrota financeira. O jogo dos juros altos favorece os especuladores internacionais que se deslocarão mais forteme para o Brasil. Sobrevaloriza ainda mais a moeda, bloqueando as exportações, sucateando as indústrias e, consequentemente, salvando os bancos internacionais que estão cheios de liquidez ameaçados pela deflação, na Europa e nos Estados Unidos. BC pode transformar o Brasil no santo salvador dos especuladores. Seria canonizado pelo Vaticano.
Os economistas dos fundos de pensão estatais estão se convencendo de que os juros altos brasileiros estão se transformando em salvação dos bancos europeus e americanos. Às portas da falência, com a bancarrota da Europa e dos Estado Unidos, pulam com seus capitais especulativas para o Brasil, onde faturam altos. Em seguida, retornam às suas bases capitalizados, para apresentar lucros. Dessa forma, arrefecem as pressões sociais para que os governos atuem cada vez mais intensamente contra eles no sentido da regulamentação bancária. A jogada é cristalina. A boiada desloca-se em massa.
Enquanto vigora na Europa e nos Estados Unidos eutanásia do rentista, com juros zero, para evitar que, se elevados, quebrem os tesouros nacionais, obrigados a se endividarem para evitar a recessão, no Brasil, a taxa real de juros se transforma no maior atrativo mundial, no momento. Eles vêm para cá, magros, especulam, levantam lucros e retornam gordos que nem um major, como no baião de Luíz Gonzaga. Melhor negócio do mundo não há. Vai melhorar, ainda, mais a situação deles, se o Banco Central elevar a taxa básica de juros, como especula, largamente, o mercado financeiro.
Será mais um motivo para a atração dos capitais internacionais atolados no excesso de liquidez que impede os juros nos países ricos de subirem, como outrora, como arma de combate à inflação, que está escondida, dialeticamente, nas dívidas públicas nacionais, crescendo no lugar dela, mas podendo explodir, se os mercados começarem a desconfiar da capacidade de sustentação do endividamento por parte dos governos financeiramente encalacrados. Na prática, estão em sinuca de bico. Se os juros não subirem, os capitais empoçados entram em deflação; se subirem, detonam inflação exponencial, caso os mercados promovam corridas contras as moedas. Nesse ínterim, o Brasil, com os juros reais meirellianos mais altos do mundo se transformam na salvação da bancocracia nacional e internacional.
Classe C vai dançar

O presidente do BC, Henrique Meirelles, alerta para os juros mais altos para combater a inflação, enquanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teme que tal estratégia detone o mercado interno e a Classe C que elevou a economia ao grau de excelência internacional, evitando que o país entrasse em bancarrota financeira. O jogo dos juros altos favorece os especuladores internacionais que se deslocarão mais forteme para o Brasil. Sobrevaloriza ainda mais a moeda, bloqueando as exportações, sucateando as indústrias e, consequentemente, salvando os bancos internacionais que estão cheios de liquidez ameaçados pela deflação, na Europa e nos Estados Unidos. BC pode transformar o Brasil no santo salvador dos especuladores. Seria canonizado pelo Vaticano.

Os governantes dos países ricos torcem para que os juros subam no Brasil, a fim de aliviar os passivos financeiros dos bancos europeus e americanos, atolados no excesso de liquidez, correndo perigo de quebradeira. Viriam para cá, faturariam altos lucros especulativos e retornariam às suas praças, registrando balanços positivos, impossíveis de serem alcançados por lá onde vigora a eutanásia do rentista em nome da preservação dos ricos altamente endividados à beira do colapso.
A comprovação prática de que a especulação internacional com os juros brasileiros está em alta foi dada pela volatilidade das bolsas nas últimas semanas. As notícias dando conta das eminentes bancarrotas financeiras dos chamados PIGS – Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha – promoveram corridas contra a bolsa. Os especuladores tiraram dinheiro daqui para levar para lá. Mas, o movimento não teve fôlego. Onde os capitais especulativos aplicados no Brasil, rendendo juros positivos escorchantes, teriam alternativa de ganho? Na Europa, nos Estados Unidos, no Japão? Nessas três outroras locomotivas capitalistas do mundo, dinheiro aplicado é prejuízo na certa. Assim, o dinheiro foi, mas já está voltando, como demonstram as recuperações das cotações nos últimos dias.
Se os juros subirem ainda mais na praça brasileira, evidentemente, aumentará a corrida para cá, como já destacam os economistas dos fundos de pensão estatais, prevendo avanço da especulação. Quem vai perder? A classe C, que, com os juros relativamente em queda, a partir de 2007 até a explosão da crise de 2008, estendendo-se por todo o ano passado, quando as taxas básicas ficaram estagnadas, sustentou o aumento do consumo interno, bombado, durante o ano passado, pelo aumento do endividamento governamental em gastos sociais e para a sustentação da demanda de crédito por parte dos bancos estatais, a fim de compensar a fuga dos grandes bancos privados, que, no auge da bancarrota, continuaram especulando com os juros altos da dívida pública interna.
Agora, com a dívida pública inchada – 62% dela financiada pelo juro selic –, os bancos privados voltam à carga em favor de juros mais altos sob argumento de que o endividamento provoca tensões inflacionárias. Consideram déficit o socorro estatal para bombear a produção e o consumo, quando, na verdade, esses recursos promovem o desenvolvimento e o retorno sobre o capital investido, bem como aumento da arrecadação tributária. Não se trata, dessa forma, de renda especulativa, para pagar juros, mas renda produtiva. Ao retornar o investimento em forma de arrecadação ao governo, este, por sua vez, disporá de recursos para alavancar novos investimentos etc.
O bombardeio midiático favorável aos juros tenta fazer confusão entre o esforço governamental para manter acesa a produção, o consumo e o emprego e a “verdade” bancocrática de que tal estratégica é, essencialmente, deficitária, cujo remédio, claro, é juro alto. E as notícias nesse sentido se multiplicam na grande mídia. As conseqüências de tal bombardeio midiático são, claramente, as tensões especulativas que já fazem subir o custo do dinheiro no mercado futuro que trazido ao presente reflete nas taxas cobradas no crédito direto ao consumidor. Estas estão pulando para a casa dos 120 a 130 por cento ao ano, ou seja, entre 115 e 125 por cento reais, descontada inflação de 4,% a 5%.
Trata-se de assalto à propriedade dos meios de consumo da população, contra o qual se mantém calado o presidente do Supremo Tribunal Federal(STF), ministro Gilmar Mendes, tão pródigo em condenar os assaltantes da propriedade dos meios de produção, como são acusados, por ele, os integrantes do MST. Parcialidade jurídica.
Armadilha bancocrática

Os governantes dos países ricos torcem para que os juros subam no Brasil, a fim de aliviar os passivos financeiros dos bancos europeus e americanos, atolados no excesso de liquidez, correndo perigo de quebradeira. Viriam para cá, faturariam altos lucros especulativos e retornariam às suas praças, registrando balanços positivos, impossíveis de serem alcançados por lá onde vigora a eutanásia do rentista em nome da preservação dos ricos altamente endividados à beira do colapso.

O governador José Serra, que , segundo os líderes do PSDB, mexeria, se eleito, na política monetária, para evitar aumento da dívida, que eleva os juros, será o principal beneficiário , se os juros subirem, de agora em diante, em nome do combate à inflação. O que será pior , juro alto que eleva a dívida ou juro mais baixo que aumenta a produção que evita a pressão inflacionária, como tenta fazer Lula transferindo recursos do tesouro para os bancos estatais fortalecerem as atividades produtivas, que darão retorno em forma de arrecadação, que eleva os investimentos etc?
A defesa dos juros altos, manipulada pelo mercado financeiro, trabalha, evidentemente, contra a estratégia do governo de sustentar a demanda global por meio do mercado interno, porque, no plano das exportações, as dificuldades são grandes em face da sobrevalorização cambial produzida pelo próprio juro alto praticado pelo BC. Haverá, consequentemente, bloqueio das exportações, por conta das taxas em elevação, de um lado, e contenção do consumo interno, de outro, se os juros subirem em nome do combate à inflação, claramente, manipulada pelos especuladores.
Nada melhor para os capitais que estão perdendo dinheiro na Europa e nos Estados Unidos, onde a onda consumista deu lugar à onda poupancista. Os bancos, com medo de calotes, não emprestam e, mesmo se emprestassem, o consumidor, superendividado, joga na retranca, com medo do desemprego que alastra na aldeia global , especialmente, nos países mais ricos, onde a crise econômica caminha para se transformar em crise política, com expansão das greves , ameaçadoras dos governos e das sociais-democracias.
Assim, o Banco Central, avalizando a onda especulativa em marcha, ajuda a combater a recessão na Europa e nos Estados Unidos e a intensificar as dificuldades internas, potencializado-as. Ao mesmo tempo, fortalece a armadilha preparada pela bancocracia de alardear que as capitalizações do tesouro para os bancos estatais geram déficits, que, consequentemente, recomendam juros altos. Tenta, dessa forma, toscamente, como diria FHC, fragilizar o Estado. Se o juro alto incide sobre o endividamento já elevado, evidentemente, o tesouro quebra. Não poderia continuar a capitalizar os bancos públicos. Sem essa transfusão de sangue financeiro estatal, eles perderiam fôlego, candidatando-se, num segundo momento, à privatização. Quem iria priviatizá-los? Os grandes bancos privados, claro. Foi isso que aconteceu na Era FHC com os bancos estaduais.

O governador José Serra, que , segundo os líderes do PSDB, mexeria, se eleito, na política monetária, para evitar aumento da dívida, que eleva os juros, será o principal beneficiário , se os juros subirem, de agora em diante, em nome do combate à inflação. O que será pior , juro alto que eleva a dívida ou juro mais baixo que aumenta a produção que evita a pressão inflacionária, como tenta fazer Lula transferindo recursos do tesouro para os bancos estatais fortalecerem as atividades produtivas, que darão retorno em forma de arrecadação, que eleva os investimentos etc?









