FHC, urubu na carniça, candidatíssimo

Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 09-02-2010

A estratégia de FHC não é a de enfraquecer Dilma, dizendo que ela não é lider, o que é verdade, porque ainda não exercitou o poder, o que não significa que poderá vir a ser , se eleita. O jogo do ex-presidente, ao contrário, é o de aproveitar o desgaste sofrido por Serra, nesse instante, por conta das chuvas, que o impedem de colocar a cara para bater, a fim de crescer no noticiário, para, quem sabe, tornar-se alternativa eleitoral. Chacal puro.

A estratégia de FHC não é a de enfraquecer Dilma, dizendo que ela não é lider, o que é verdade, porque ainda não exercitou o poder, o que não significa que poderá vir a ser , se eleita. O jogo do ex-presidente, ao contrário, é o de aproveitar o desgaste sofrido por Serra, nesse instante, por conta das chuvas, que o impedem de colocar a cara para bater, a fim de crescer no noticiário, para, quem sabe, tornar-se alternativa eleitoral. Chacal puro.

É o que ele mais queria: incomodar José Serra, governador de São Paulo. Como o titular do Palácio dos Bandeirantes se encontra acuado por uma série de circunstâncias políticas e meteorológicas, que transformaram vários bairros populares da capital paulista em verdadeiro Haiti, detonando o prestígio tanto do governador como do prefeito, Gilberto Kassab, em face de um PT disposto a culpar a ambos pelos desastres ambientais que afetam a maior cidade da América do Sul, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vislumbrou espaço para aparecer. E pode crescer. Os milhares de desabrigados – são mais de 750 mil pessoas penando por falta de tudo, nesse momento – transformam-se no pior cartão de visitas jamais imaginado e desejado por Serra, que, para contrabalançar a desgraça, eleva o salário mínimo no estado para R$ 560, como atenuante contra o violento desgaste social, no momento em que começa a campanha eleitoral. Pior pedida , impossível.

Como urubu na carniça, FHC entra em campo para faturar não em cima de Dilma Rousseff, mas , justamente, em cima de Serra, que, imobilizado, recua, assustado, pois, naturalmente, se sair para o embate político, no instante em que São Pedro judia dele, dançará junto à opinião pública, irritada. Os quase dois meses de chuvas ininterruptas sobre a paulicéia desvairada são os principais motivos da tentativa de José Serra em adiar suas manifestações políticas como candidato. Se sair , agora, leva chumbo grosso. Haveria sempre alguém que iria dizer que em vez de fazer política teria que estar resolvendo os problemas do estado, que está de pernas para o ar. Tenta dar um tempo, esperando a chuva passar.

Na prática, os alagamentos nos bairros mais pobres, localizados nas várzeas ao longo dos rios que cortam a capital, o Pinheiros e o Tietê, transformaram-se em inferno político. Dizer que a culpa é da natureza cola, apenas, em parte. As autoridades, não apenas durante o governo Serra, mas, igualmente, ao longo de administrações anteriores, que levaram e levam o povo como gado, tangido pela super-concentração da renda, deixaram os malefícios ambientais acumular,  como a especulação financeira que tomou conta da economia global, até que a natureza encontrou o campo propício para detonar tudo.

É nesse ambiente de desastre total, em que o governador José Serra não pode nem sair do palácio do governo, porque poderia ser vaiado, que o ex-presidente FHC escolhe para ir à luta política, atropelando seu aliado. Em vez de fortalecê-lo, naturalmente, o enfraquece, como que a dizer que substitui o governador por este estar imobilizado por circunstâncias sobre as quais não tem controle. Puro chacal. 

Escapismo fernandista

O cenário que aponta a disputa Serra-Dilma deixa FHC exasperado quanto mais os petistas afirmam que farão campanha comparando a Era FHC à Era Lula. Como essa comparação não interessa a Serra, que foi critico, quando ministro de FHC, o ex-presidente se julga na obrigação de sair à luta em defesa do seu governo. E ao fazê-lo escanteia Serra e se coloca no páreo, preenchendo o vácuo político do momento, lançando confusão total no tucanato, carente de discurso.

 O cenário que aponta a disputa Serra-Dilma deixa FHC exasperado quanto mais os petistas afirmam que farão campanha comparando a Era FHC à Era Lula. Como essa comparação não interessa a Serra, que foi critico, quando ministro de FHC, o ex-presidente se julga na obrigação de sair à luta em defesa do seu governo. E ao fazê-lo escanteia Serra e se coloca no páreo, preenchendo o vácuo político do momento, lançando confusão total no tucanato, carente de discurso.

Indiscutivelmente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está incomodado com a subida da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apoiada pelo presidente Lula, nas pesquisas. Quanto mais ela vai galgando espaço, relativamente, ao governador José Serra, de São Paulo, possivelmente, candidato do PSDB, mais o tucanato se mexe, por intermédio do ex-presidente, que, assim, vai aparecendo e, consequentemente, sendo lembrado, quem sabe como alternativa, em meio ao excessivamente incomodado ninho tucano.

O exercício da paciência de Serra em insistir em não sair para a disputa, sob o argumento de não antecipar a campanha, quando os tucanos pregam, exatamente, o oposto, que o governador está dando mole, demonstrando total impaciência das bases,  sobretudo, deixa o ex-presidente exasperado, embora diga que não é hora, ainda, de o governador sair da toca.

Freud explica muita coisa que está acontecendo. Quando FHC diz que não seria hora de Serra sair, não poderia estar querendo dizer que quanto mais ele demora, mais espaço abre para o próprio FHC ficar aparecendo? No noticiário político, desde o final de semana, em que o ex-presidente publicou artigo intulado “Sem medo do passado”, só dá ele.

 FHC preenche as angústias dos tucanos que não agüentam mais tanto jogo de paciência, quanto mais pesquisas demonstram subida de Dilma. Os ataques a ela, pelo ex-presidente, de que não possui perfil de líder porque não dispôs, historicamente, da oportunidade de provar sua capacidade, soa como tentativa de negar a ela a possibilidade de comprovar sua capacidade de liderar.

Se não foi lider, pode ser, por que não? Até ser presidente da República, pelas mãos do ex-presidente Itamar Franco, que o lançou e depois se arrependeu, haveria como medir a liderança de FHC, no cenário político nacional? Não fora nenhum executivo antes de chegar ao Planalto e enquanto senador deu vexame ao ter negada sua pretensão individualista anti-partidária, pelo ex-governador Mario Covas, de querer ser ministro do ex-presidente Collor, sob argumento de que enterraria o partido.

Ou seja, FHC não representou, na prática, nenhum espírito de liderança. Pelo contrário, se dispôs, tão somente, a entregar-se ao individualismo, correndo o perigo de detonar a sorte dos tucanos no destino trágico collorido.

Que liderança exercitou enquanto presidente, senão o próprio oposto de líder ao se tornar homem de recado do Consenso de Washington, que determinou todas as ações do seu governo, por intermédio do FMI?

Derrubou, sim, a inflação, mas, fazendo populismo cambial, que ergueu o poder incontrastável da bancocracia nacional. Sobrevaloriou a moeda, para conter os preços, mas a dívida pública interna e os juros explodiram, erguendo essa forma a primazia total dos  interesses dos bancos sobre todos os demais setores da economia, sujeitos aos contingenciamentos orçamentários, a fim de sobrar, via superávits primários elevados, mais recursos ao pagamento dos juros. A dívida cresceu, dialeticamente, no lugar da inflação. A explosão somente não aconteceu porque o ex-presidente Bill Clinton salvou o país duas vezes, liberando empréstimos, na base do sufoco, transformando o FMI no verdadeiro governo do tucanato. FHC dolarizou a dívida pública interna e jogou a economia no buraco, abrindo espaço para o amplo domínio da bancocracia, que se enriqueceu à custa do suor nacional, quando, em 1997, a taxa de juros básica alcançou 47%, virando um calo irremovível.

O principal adversário do ex-presidente , para dizer a verdade, não era o PT, no Congresso, mas o próprio governador José Serra, que, como ministro de FHC, indispôs-se com a equipe econômica e sua política bancocrática, sendo ejetado do Ministério do Planejamento, pela pressão dos banqueiros, deslocando-se para o Ministério da Saúde.

Sequência de desastres

Bill Clinton, que governou o Brasil na Era FHC, foi o responsável por não deixar o país ir à garra, colocando o FMI, por duas vezes, em campo, a fim de evitar o desastre decorrente do populismo cambial fernandista,que, embora tenha controlado a inflação, por outro lado, fez a dívida pública explodir, tornando-a , dialeticamente, contrapolo do processo inflacionário, falsamente, contido.

Bill Clinton, que governou o Brasil na Era FHC, foi o responsável por não deixar o país ir à garra, colocando o FMI, por duas vezes, em campo, a fim de evitar o desastre decorrente do populismo cambial fernandista,que, embora tenha controlado a inflação, por outro lado, fez a dívida pública explodir, tornando-a , dialeticamente, contrapolo do processo inflacionário, falsamente, contido.

Certamente, o presidente Lula seguiu as orientações de FHC no plano econômico financeiro porque o peso do endividamento público deixado pela Era FHC só se fez crescer vegetativamente no compasso do juro básico mais elevado do mundo, criando distorções que somente não explodiram porque a Era Lula, até 2008, foi favorecida pela abundância de capital especulativo que agitou a economia mundial, girando o consumo global nos rendimentos produzidos pela especulação.

Agora que tudo foi aos ares, a estratégia lulista, de fortalecer o consumo interno, para dispor de arrecadação capaz de promover investimentos públicos, tem dificuldades de manter-se em pé por mais tempo em meio a uma política econômica que protege o especulador, contra o qual o governador de São Paulo critica, assim como o faz, igualmente, a própria ministra Dilma Rousseff.

Não é à toa que os murmúrios emergentes no meio da bancocracia dão conta do temor que os banqueiros têm seja de Serra , seja de Dilma, diante da possibilidade de bancarrota financeira do estado super-endividado, pintando eventual calote.

 A era dos calotes está em marcha a partir dos países ricos. A Europa enfrenta a quebradeira dos seus membros sob guarda-chuva do euro. Os Estados Unidos estão batendo biela. As políticas fiscais que o presidente Lula adotou, iguais às que foram adotadas por todos os governos capitalistas, depois da bancarrota de 2008, estão chegando aos seus limites.

Logo, o que está por vir por aí é uma ampla renegociação das dívidas públicas, na sequência dos desastres financeiros em escala global. FHC, quanto entra em campo, estaria se dispondo a ser o porta-voz dos assustados banqueiros, que temem sair perdendo?

Seja Serra, seja Dilma a nova presidente do Brasil, o fato evidente é a possibilidade de esgotamento da capacidade de endividamento do governo para continuar bancando o desenvolvimento pela via keynesiana, optanto por financiar, no caso brasileiro, o consumo das massas, que possibilitam ao Estado a arrecadação necessária para girar novos investimentos.

Nesse contexto, Serra, crítico das políticas financeiras e cambiais, executadas, no Brasil, nos últimos quinze anos, não seria garantia suficiente para os bancos, da mesma forma que Dilma, igualmente, levantaria como está levantando, duras contestações.

Renegociação à vista

Enquanto FHC torce para que Aécio não marche junto com Serra, para que sobre espaço para si mesmo, já que sem Minas, Serra dança, Lula tenta trabalhar o governador mineiro para ser seu aliado, como ocorreu na eleição passada. Aécio corresponde quando diz que não é candidato anti-Lula, mas pós-Lula. Esconde-se por trás de tal declaração o propósito em favor de composição ou não?

 Enquanto FHC torce para que Aécio não marche junto com Serra, para que sobre espaço para si mesmo, já que sem Minas, Serra dança, Lula tenta trabalhar o governador mineiro para ser seu aliado, como ocorreu na eleição passada. Aécio corresponde quando diz que não é candidato anti-Lula, mas pós-Lula. Esconde-se por trás de tal declaração o propósito em favor de composição ou não?

Essencialmente, o mote eleitoral não estará na comparação das administrações de Lula e FHC, para ver quem fez mais ou menos pelo país, mas o que será feito depois das eleições de 2010, já que continuar com o que está em curso, no ritmo do endividamento público, necessário para sustentar a demanda global, torna-se, cada vez mais, impraticável. Pintará ajuste em cima da população, via juro alto, ou virá uma renegociação necessária das dívidas?

Nesse sentido, as perspectivas que se formam no horizonte demonstram que as ações econômicas que deverão prevalecer já têm um esboço definido: não se trata mais de se saber se haverá uma estatização ou uma privatização das atividades produtivas.

Os grandes negócios que estão em curso apontam a nova tendência. As grandes fusões público-privadas em curso, no campo da energia, principalmente, que baliza o novo desenvolvimento nacional, orienta a economia para uma nova característica.

 Os movimentos de privatização tocados na Era FHC, seguido dos movimentos de associação do Estado com a iniciativa privada, na Era Lula, intensificando-se tal tendência com mais energia depois da crise global de 2008, indicam, claramente, que a partir de 2011, com o país sob novo ou sob nova presidente, o perfil macroeconômico nacional terá por base o estado forte impulsionando grupos empresariais privados fortes. Se a dívida tornar-se empecilho, crescerão os gritos políticos em favor de sua renegociação.

Nem o oligopólio privado conseguirá emergir com exclusividade e muito menos, como contrapartida a ele, despontará, exclusivamente, o oligopólio estatal. Sobretudo, como a realidade está demonstrando, haverá uma fusão entre ambos, para que não se anulem em suas disputas respectivas.

Nesse novo contexto, a disputa política centrada na comparação entre a Era FHC e a Era Lula, para se saber quem fez mais ou menos pelo país, nas respectivas conjunturas predominantes numa etapa e noutra, com suas características peculiares em meio ao movimento de um todo absoluto em marcha dialética, perde importância.

Momentaneamente, atende as paixões, mas, passadas as fases eleitorais emotivas, o leito do rio vai apontar para aquilo que a história da crise está prenunciando: a ampliação conjunta do oligopólio público-privado sob democrática representativa caminhando para ser cada vez mais participativa, já que o modelo burguês tradicional neoliberal está sendo detonado pela história.

FHC, nessa conjuntura, fazendo barulho total, a partir das suas diatribes contra a tentativa de Lula de dar caráter plebiscitário à eleição presidencial, nada mais demonstra seu desejo não de empurrar Serra para frente, mas tentar segurar ele onde está, para que resulte na crescente aparição política do próprio FHC.

Freud explica: FHC é candidatíssimo.