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Incompetência mundial

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca. Sebastiao Gomes em 06-02-2010

Os povos ricos demonstraram toda a sua incompetência, até agora, para encher os pratos de comida dos miseráveis do Haiti, porque, simplesmente, estão mais preocupados com sua sobrevivência egoísta, abalada pela especulação financeira, do que com a dos que mais necessitam, demonstrando a visão de mundo oligopolizada pela miséria capitalista em bancarrota geral.

Os povos ricos demonstraram toda a sua incompetência, até agora, para encher os pratos de comida dos miseráveis do Haiti, porque, simplesmente, estão mais preocupados com sua sobrevivência egoísta, abalada pela especulação financeira, do que com a dos que mais necessitam, demonstrando a visão de mundo oligopolizada pela miséria capitalista em bancarrota geral.

O capitalismo em crise está perdendo a moral para falar não apenas sobre o futuro, mas, principalmente, sobre o  presente. Não consegue resolver mais nada de forma satisfatória. Não dão resultados nem os esforços de solidariedade mundial que tenta despertar para salvar os aleijados pelas tormentas da natureza , como foi o caso do sacrificado povo do Haiti, recentemente, que se encontra nas ruas das amarguras, deslocando-se pelos caminhos por não disporem mais de suas casas , de suas vidas, de sua esperança. 

Falaram, falaram, mobilizaram-se e… nada. A fome do povo haitiano, que grassa, fortemente, não é atenuada. O que fizeram os Estados Unidos? Transferiram tropas e mais tropas de soldados, mais de dez mil, para ficarem se deslocando entre os escombros de Porto Príncipe, tentando colocar ordem na desordem geral. Não conseguiram e, dificilmente, conseguirão. Não está presente a determinação política dos ricos, para resolver o problema, porque, justamente, nesse momento, os ricos estão se transformando nos novos pobres. Estão mais de olho em suas próprias desgraças emergentes do que nas desgraças dos mais desgraçados. Farinha pouca, meu pirão primeiro.

Sequer foi organizada, até agora, uma forma de distribuir, adequadamente, os alimentos crus que chegam. Cadê as panelas e os cozinheiros? Seriam melhor tê-los do que soldados armados até os dentes.

As tecnologias de alimentos prontos não chegaram. As sopas congeladas, possíveis de serem preparadas, rapidamente, para realização e distribuição, não existem. Onde está a capacidade organizativa mundial?

 Até parece que o deslocamento das tropas americanas decorre da necessidade de o tesouro de Tio Sam buscar safar-se desse custo, se elas ficarem paradas em território americano, depois que sairam do Iraque, onde dançaram, como no Vietnam. Que ele seja pago pela ONU, ou seja, pela união dos capitais de todos, para ajudar os americanos, já que o caixa da Casa Branca, na crise mundial, está baixíssimo. Vai colar?

 A economia de guerra , bancada pela dívida pública keynesiana, entrou em crise, fato que deixa as tropas, sem guerra, exercendo custo exorbitante sobre o tesouro, incapaz de dar conta das necessidades de financiamento dos déficits que detonam a moeda americana e estampa a destruição capitalista mundial.

O terremoto financeiro que caiu sobre a praça mundial ao longo da semana, desestabilizando geral a moeda européia, que está sem fôlego para salvar os capitalistas europeus da periferia, como Grécia, Portugal, Espanha, sem falar nos países do Leste, que tentaram se salvar entrando na zona do euro, representou, simbolicamente, praga haitiana sobre a Europa. Trata-se de peste que se alastra sem controle. Empobrecimento geral dos ricos.

Cisma luterano

Os mais ricos estão mais perdidos que cego em tiroteio. Merkel e Sarkozy precisam cuidar da Alemanha e da França, abaladas, mas, se não olharem para Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e países do Leste, que despencam, financeiramente, poderão ver suas vestes pegar fogo, levando de roldão o euro, na fogueira monetária global. Enquanto isso, os discursos humanitários que fizeram para o Haiti não resultam em ações efetivas. Mortos vivos da história.

Os mais ricos estão mais perdidos que cego em tiroteio. Merkel e Sarkozy precisam cuidar da Alemanha e da França, abaladas, mas, se não olharem para Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e países do Leste, que despencam, financeiramente, poderão ver suas vestes pegar fogo, levando de roldão o euro, na fogueira monetária global. Enquanto isso, os discursos humanitários que fizeram para o Haiti não resultam em ações efetivas. Mortos vivos da história.

Pode estar pintando novo cisma mundial, tipo o que Lutero promoveu, no século XV,  contra o domínio a Igreja Católica, na sua prática de vender indulgências para os crentes se salvarem no reino eterno da ignorância e da enganação patrocinadas por Roma. Amém.

O que custava salvar o Haiti, a favor do qual o jornalista Beto Almeida se mobiliza para defender a criação de uma rádio comunitária capaz de socorrer os sofridos irmãos? Os banqueiros, que estão no colo do Estado nacional, em todos os países do mundo, gastando, especulativamente, trilhões e trilhões de dólares, reproduzindo, nas cirandas da especulação, o dinheiro estatal sem lastro, poderiam dar conta do recado, pagando indulgências ao povo do Haiti, para tentarem se salvar no outro mundo, quando forem banidos da terra?

Talvez. Mas, o que fizeram os ricos até agora para ajudarem os haitianos? Uma mobilização inicial e, em seguida, uma desmobilização covarde, a fim de que os interesses mesquinhos, individualistas, nacionalistas prevalecessem.

Falta  competência internacional para organizar a população haitiana até mesmo para prover-lhe a alimentação necessária. Primeiro tem que encher a barriga do povo para acalmá-lo. Não, deixaram as barrigas vazias que avançam umas sobre as outras, trazendo de volta a carnificina.

Se tivessem deslocado para lá não apenas os soldados fortemente armados para intimidarem os esfomeados destituídos dos seus tetos, mas , simplesmente, os chefs de cozinha dos países ricos, acompanhados de 10 mil cozinheiros auxiliares, para dar sustentação à população, poderia ter sido colhidos resultados mais produtivos.

O que se vê no desfile de soldados é uma tentativa de dominação imperialista desavergonhada. A ONU, que ensaia governo mundial, em meio à bancarrota capitalista, como solução global, de modo a salvar a humanidade do egoísmo que a leva à cegueira da busca pelo lucro a qualquer custo, danando-se na especulação desenfreada, demonstra sua incompetência em relação ao Haiti.

Se não consegue resolver o desastre haitiano, como resolveria a hecatombe capitalista global? Os analistas europeus, durante a última reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, bateram-se em busca de fórmulas. Os governos estão todos atolados em dívidas e os déficits apontam para desastres iminentes.

Tentam dizer que a saída da crise está à vista, quando o fato é o oposto, o monstro ganha força e ameaça  a todos. O que dizem os sabichões dos países ricos, nesse instante? Que os países pobres e emergentes devem acabar com seus programas fiscais anticíclicos primeiro que os países ricos, pois estes estão mais vulneráveis nesse instante.

Desejam, dessa forma, passar a conta do desastre que provocaram com a especulação desenfreada para quem não tinha o poder de dominar o panorama global, como é o caso dos emergentes, mas que, na grande  hecatombe, estão, relativamente, melhor posicionados.

Grande mídia vendida

A sombria face da grande mídia se expõe para a mentira a fim de vender a pátria para tirar o último centavo dos pobres para transferir aos ricos o suor expresso nos juros altos em nome do combate à inflação que visa tão somente enfraquecer o Estado para que ele não se transforme, na crise, na arma do desenvolvimento econômico da periferia capitalista. Vendilhã do templo.

A sombria face da grande mídia se expõe para a mentira a fim de vender a pátria para tirar o último centavo dos pobres para transferir aos ricos o suor expresso nos juros altos em nome do combate à inflação que visa tão somente enfraquecer o Estado para que ele não se transforme, na crise, na arma do desenvolvimento econômico da periferia capitalista. Vendilhã do templo.

A grande mídia, nos países da periferia capitalista, eternamente de joelhos diante do capital financeiro, vocaliza essa ignomínia dominante. Dizem, como fazem os banqueiros brasileiros, assessorados por economistas que fazem a cabeça do poder midiático nacional, que os gastos do governo, na periferia, tentando fortalecer os banco estatais, a fim de banquem a produção, na tarefa para a qual os bancos privados fugiram, são inflacionários.

Se geram inflação, dizem, deve ser aumentada a taxa de juro, para não haver descontrole nos preços. Na prática, o juro mais alto na periferia, agora, atrairia os capitais apodrecidos nos países ricos, a fim de faturarem, aqui, de modo a, em seguida, serem transferidos para lá.

Ou seja, a periferia precisa subir os juros para gerar renda ao capital sobreacumulado nos países capitalistas cêntricos, atolados na crise. Sangria financeira, é ou não é, dr. Meirelles?

O que diz a grande mídia? Que a insistência dos governos em salvar suas economias, utilizando seus instrumentos bancários oficiais, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, no caso brasileiro, resulta em aumento dos déficits.

Por isso, subir o custo do dinheiro seria, ao juizo do BC, a tarefa correta. Golpe puro no povo dado pela bancocracia, que quer continuar ganhando sem trabalhar.

Os banqueiros, na periferia capitalista, estão se procedendo como os países ricos em relação ao Haiti. Sanguessuguismo financeiro. Desejam fazer discurso. Agem da boca para fora. Querem, ao contrário, tirar da boca dos pobres, via juros altos, para transferir aos ricos, que estão falindo, espetacularmente, no rastro da bancarrota capitalista em tela 3D.

O Haiti, destruído pela natureza e pela avareza dos que o exploraram colonialmente desde o descobrimento da América, terá que contar com a colaboração dos latino-americanos por intermédio de uma unidade política.

Que tal unidade se realize no calor da crise, no compasso das transformações que a crise impõe, dialeticamente, criando novas correlações de forças, rompendo os laços que prenderam a América do Sul à Europa e aos Estados Unidos, até hoje, de forma dominada.

Nova força dos emergentes

O inteligente economista tucano, Luiz Carlos Mendonça de Barros, em meio à bancarrota global, que se evidenciou, de novo, na queda das bolsas, durante a semana, viu o clarão da nova divisão internacional do trabalho, dada pelo aumento do poder relativo das matérias primas em comparação com as moedas ricas que se despencam. Ponto para os emergentes, que se enriquecem nas relações de trocas com os países capitalistas cêntricos. Visão aguda.

O inteligente economista tucano, Luiz Carlos Mendonça de Barros, em meio à bancarrota global, que se evidenciou, de novo, na queda das bolsas, durante a semana, viu o clarão da nova divisão internacional do trabalho, dada pelo aumento do poder relativo das matérias primas em comparação com as moedas ricas que se despencam. Ponto para os emergentes, que se enriquecem nas relações de trocas com os países capitalistas cêntricos. Visão aguda.

O capitalismo cêntrico está despencando na deflação especulativa, por conta do excesso de oferta de manufaturados, de um lado, e de carência de consumidores, falidos, de outro; enquanto isso, os emergentes dispõem das matérias primas, das quais a manufatura global depende. Chegou, portanto, a hora da virada, a ser imposta pelas relações de trocas. Nova divisão internacional do trabalho. A que foi implementada depois da segunda guerra mundial sob domínio do dólar está virando pó.

O euro e o dólar despencam por excesso de oferta monetária, perdendo valor relativo na comparação com as matérias primas, que se erguem como moeda real. Os ricos jogaram essas sobras na periferia depois da bancarrota de 2008. Agora tentam transferir o que acumularam na especulação periférica para o centro, desestabilizando as economias emergentes. Onde estão as lideranças emergentes para dar o grito de resistência? Prevale, apenas, a visão de tesoureiro, caixa de banco, do dr. Meirelles.

 Quem detém o novo poder para as trocas globais? A América do Sul, claro, cheia de matérias primas das quais a Europa, os Estados Unidos e China dependem.  Cadê a voz política sul-americana para fazer valer esse novo poder relativo global detido por quem dispõe da verdadeira força?

 O lúcido economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, em comentário, na sexta, na Folha de São Paulo, destaca, com visão de estadista, seu otimismo em meio à bancarrota geral dos países ricos, ao ressaltar que a deterioração geral nos termos de trocas globais vira em favor dos emergentes. O Brasil está bem posicionado nesse sentido, apesar de o Banco Central não estar entendendo nada em termos econômicos, políticos, estratégicos globais.

Keynes disse a Santiago Fernandes, economista e jornalista brasileiro que cobriu, em 1944, para o Jornal do Brasil, a conferencia de Bretton Woods, que o poder real das nações, uma sobre as outras, é, comumentemente, estabelecido pelas relações de trocas cambiais, em que a moeda mais forte impõe-se à mais fraca, por meio da cobrança de senhoriagem.(“A Ilegitimidade da Divida Externa do Brasil e do III Mundo”, Nordica, 1985).

 A moeda mais forte, hoje, não é o dólar nem o euro, mas as matérias primas disponíveis que essas duas moedas outrora poderosas terão que comprar, sofrendo deterioração nos termos de troca. Fernando Henrique Cardoso, em reunião do PSDB, em outubro de 2008, no auge da crise, cantou essa bola. As moedas dos ricos sofrerão as conseqüências com seu poder desvalorizado, para continuar produzindo suas manufaturas, dada a mudança na correlação de forças, na nova divisão do trabalho em marcha. Seria a hora de Lula dar sequência ao alerta de FHC e fazer valer o novo poder emergencial dos emergentes, reunindo, rapidamente, a América do Sul, para criar o Banco do Sul e a moeda sul-americana.

Os ricos se candidatam a ser os novos Haiti do futuro, graças à incompetência que a visão egoísta produz, historicamente.

 

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O humor é fundamental

 

Você é um bom vendedor ?
 


 Um garotão inteligente, vindo da roça, candidatou-se a um emprego numa grande
 loja de departamentos da cidade. Na verdade, era a maior loja de departamentos
 do mundo, tudo podia ser comprado ali.
 
 O gerente perguntou ao rapaz:
 
 - Você já trabalhou alguma vez?
 
 - Sim, eu fazia negócios na roça.
 
 O gerente gostou do jeitão simples do moço e disse: Pode começar amanhã, no fim
 da tarde venho ver como se saiu.
 
 
 O dia foi longo e árduo para o rapaz.
 
 Às 17h30 o gerente se acercou do novo empregado para verificar sua
 produtividade e perguntou:
 
 - Quantas vendas você fez hoje?
 
 - Uma!
 
 - Só uma? A maioria dos meus vendedores faz de 30 a 40 vendas por dia.
 
 - De quanto foi a sua venda?
 
 - Dois milhões e meio de reais.
 
 - Como conseguiu isso?
 
 - Bem, o cliente entrou na loja e eu lhe vendi um anzol pequeno, depois um
 anzol médio e finalmente um anzol bem grande.
 Depois vendi uma linha fina de pescar, uma de resistência média e uma bem
 grossa. Para pescaria pesada, sabe. Perguntei onde ele ia pescar e ele me disse
 que ia fazer pesca oceânica. Eu sugeri que talvez fosse precisar de um barco,
 então o acompanhei até a seção de náutica e lhe vendi uma lancha importada, de
 primeira linha.
 Aí eu disse a ele que talvez um carro pequeno não fosse capaz de puxar a lancha
 e o levei à seção de carros e lhe vendi uma caminhonete com tração nas quatro
 rodas.
 
 
 Perplexo, o gerente perguntou:
 
 -Você vendeu tudo isso a um cliente que veio aqui para comprar um pequeno
 anzol?
 
 -Não senhor. Ele entrou aqui para comprar um pacote de
 absorventes para a mulher, e eu disse: ‘já que o seu fim de semana está perdido,
 por que o senhor não vai pescar?’