04 fev
2010Petrobrás e BC pressionam inflação
Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 04-02-2010

Sérgio Gabrielli dá um tiro na reputação do governo ao sustentar preço da gasolina alta, enquanto exporta gasolina barata, ao mesmo tempo em que desmoraliza e desrespeita os que compraram carro flex, agora, caloteados pela oligopolização da empresa estatal de petróleo em sustentar preço alto do álcool misturado à gasolina, enquanto o álcool puro, com a redução da oferta, se transforma em açucar, cuja exportação gera escassez interna e consequente aumento de preço. O consumidor é massacrado com os aumentos dos combustíveis que bombeiam a inflação.
Que é mais vantajoso: vender o litro de álcool a R$ 1,30 ou ele misturado à gasolina, na proporção de 25%, ao preço de R$ 2,70?
Claro, a Petrobrás defende e exige a segunda opção. Fatura mais. O preço do álcool deixa de ser vendido a R$ 1,30 para ser faturado a R$ 2,70, misturado à gasolina, como alerta o empresário brasiliense Sebastião Gomes. Da mesma forma, os produtores de álcool preferem essa jogada, na medida em que eleva os preços do seu produto. Está vendendo por mais do dobro do preço se misturado à gasosa. Ou seja, união da Petrobrás com os usineiros, para massacrarem o consumidor, elevando os preços na bomba. Onde está o ministro do Supremo Tribunal Federal , ministro Gilmar Mendes, para denunciar assalto à propriedade de consumo dos consumidores, quando é tão cioso em defender a propriedade dos meios de produção dos empresários quando assaltados pelos SEM TERRA?
No país, todos e todas dependem dos seus carros, ou para ir ao trabalho ou como instrumento de trabalho, compondo empresa ambulante, assessorada pelo celular. Se o preço do álcool sobe mais de 100% misturado na gasolina e esta, por sua vez, sobe de preço, por manobras oligopólicas da Petrobrás, certamente, o resultado é o aumento geral dos fretes.
Um empresário do setor de vestuário conta a esse site que está pagando cerca de 30% a mais no transporte de sua mercadoria, vendida para todos os estados, a partir de Brasília, via cotações dos pregões eletrônicos. Se o preço do transporte sobe, o empresário tem que repassar esse aumento de custo ao seu preço final. A coisa rola em cadeia. Afinal, no Brasil, tudo é transportado pela gasolina a e pelo diesel, num espaço continental.
O governo e a Petrobrás prometeram reduzir os preços da gasolina e do álcool, especialmente, se o dólar baixasse. O dólar caiu, continua tatibitate, mas o preço da gasolina subiu, puxando o preço do álcool, no sentido de que ele equivalha, também, o mesmo preço daquela.
Extorsão total do consumidor. Por sua vez, se os preços do álcool sobem, enquanto a Petrobrás faz guerra contra a venda dele como combustível puro, cerceando o mercado, em parceria com a ideologia ambientalista, que impede a expansão da produção de cana, os preços do outro subproduto da cana, o açúcar, igualmente, disparam. Menos álcool, mais açúcar, que sendo exportado para a grande compradora, a China, cria escassez interna, que eleva o preço etc.
Certamente, as exportações, se fraquejarem, por conta do dólar desvalorizado, tornando melhor importar açúcar de beterraba, para baixar o preço do açúcar de cana, se for necessário, o governo teria que subsidiar, mais uma vez, os usineiros, sangrando a bolsa popular, como sempre acontece quando formam os excedentes.
Conto do vigário

O senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB dorme no ponto. Não é por falta de bandeiras que a oposição não age de forma a se aproximar mais da população. Os desmandos da Petrobrás e do BC, com os juros e os combustíveis saindo pelo ladrão, sangrando os consumidores. São os escândalos maiores para os quais os oposicionistas fazem ouvidos moucos. Evidenciam estarem desccompromissados com o povo, massacrado pelos oligopóilios públicos e privados relativamente aos preços essenciais que interessam à sociedade, bombando a inflação.
A Petrobrás, sozinha, no mercado, sem a concorrência do álcool, decretou calote nos compradores de carros flex. Dançaram. Rola, de novo, a falta de compromisso do governo com a cidadania. Joga uma propaganda para que o consumidor caia no conto do vigário. Depois que a mercadoria já está na mão do consumidor, fica clara a enganação.
Os compradores adquiriram os carros para gastar menos com combustível, tendo a opção de utilizar o álcool ou a gasolina, dependendo da vantagem comparativa dos preços. No início, festas, estouros de champanhes etc. Num segundo momento, o poder oligopólico da Petrobrás entrou em campo e jogou contra o interesse do consumidor. Seria ou não a hora do governo intervir?
O Palácio do Planalto, que vai enfrentar as eleições, com o consumidor sofrendo esse tipo de sacanagem contra o seu dinheiro, joga com falsidade. Tenta diminuir o imposto da CIDE sobre combustíveis, que não serão comepensados nos preços, e alivia o oligopólio da Petrobrás, enquanto engana os consumidores que acreditam no carro flex. Incentivou, os inocentes cairam na arapuca e , agora, estão na rua da amargura. Estão sendo obrigados a pagar mais caro por aquilo que venderam para ele como propaganda de que estariam comprando vantagens. O barato ficou caro. Terá troco nas urnas? A oposição está perdendo bela oportunidade para trabalhar a favor da comunidade e faturar seus votos.
Vista grossa

O consumidor leva chumbo grosso do BC que deixa rolar a torto e a direito o abuso no crédito direto ao consumidor, enquanto brande diagnóstico de que a inflação decorre do excesso de consumo e não da manipulação dos preços dos combustíveis. A Petrobrás e os bancos sangram a bolsa popular e criam as motivações para a oposição faturar a eleição. Armadilha espetacular.
Mas, não é só a Petrobrás a responsável pela alta geral dos preços a partir do jogo que faz com o álcool, sustentando seu preço nas alturas, em tempo de crise mundial do capitalismo, onde a demanda econômica global passa a ser a principal preocupação dos governos, dado seu potencial, politicamente, explosivo.
O Banco Central, igualmente, atua como instrumento de bombeamento da inflação pela omissão diante dos juros escorchantes que são empurrados sobre consumidores. Um pai de família que tente comprar par de tênis caprichado para dar ao filho no dia de aniversário paga 150% de juro ao ano, dividido em doze prestações.
Os juros compostos se transformaram na arma dos banqueiros para assaltarem o consumidor à luz do dia. Puro crime do colarinho branco. Onde está o ministro Gilmar Mendes?
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em vez de fazer carga contra o roubo descarado em cima do consumidor, entra no despiste de combater os altos salários dos agentes financeiros que ganham proporcionalmente aos negócios que alavacam, sendo necessário o estímulo dos excelentes bônus para que lutem pelos lucros. Do contrário, por que iriam fazê-lo? Melhor ser funcionário público.
Meirelles é lobo vestido de cordeiro para os consumidores brasileiros que suportam juros, para a produção, na escala de 50% ao ano; para o consumo, 150%; o cheque especial, 10% ao mês; o cartão de crédito, idem, e para os especuladores escancarados 8,75%. Paraíso tropical.
As grandes marcas internacionais de supermercados que chegam ao país terão seus lucros quadruplicados com o crédito ao preço aceitado pelo Banco Central, para financiar as compras da sociedade brasileira super-endividada, correndo risco de ir à bancarrota.
Nesse cenário de incerteza para o crédito, por conta, de um lado, dos aumentos de preços dos combustíveis, impulsionados pelo oligopólio petrolífero estatal incontrolável; e, de outro, por motivo do elevado custo do crédito no Brasil, configurando estrutura financeira que não ataca as causas , mas os efeitos da inflação, os banqueiros vêem riscos para todos os lados. Constroem pesquisas, Focus, que lançam expectativas futuras inflacionárias, para trazer o futuro ao presente, auto-realizando previsão de juros altos em meio às pressões inflacionárias que o próprio Banco Central, a Petrobrás e o governo como um todo estimulam.
Enganação neoliberal

Mendes tem olhos apenas para a propriedade privada dos meios de produção, mas da propriedade dos meios de consumo não está nem ai; quando os SEM TERRA invadem o bolso dos ricos, ele chia; quando os banqueiros assaltam os bolsos dos trabalhadores, praticando crime do colarinho branco, fica calado. Dois pesos, duas medidas.
Entra em cena o velho diagnóstico dos banqueiros de que a inflação brasileira – e da periferia capitalista – decorre do excesso de demanda, sendo necessário elevar os juros para segurar o consumo.
Na segunda metade do governo Lula(2006-2010) essa tese furou, como acabou a eficácia do neoliberalismo como remédio macroeconômico satisfatório em meio à quebradeira geral do sistema capitalista especulativo.
As motivações inflacionárias, decorrentes do histórico subconsumismo , foram fortemente atenuadas pelo fortalecimento do mercado interno, com o aumento dos reajustes e recomposições reais de salários ao longo dos últimos quatro anos, e com os gastos com os programas sociais.
Mais consumo resultou em redução dos excedentes internos, por um lado, e aumento de arrecadação, por outro. Tornou-se, consequentemente, desnecessária a desvalorização cambial que sempre acompanhava os estoques elevados, como mote para exportá-los.
O resultado foi, claro, queda da inflação, seja pelo aumento do consumo interno, seja pelo aumento das importações. O consumo interno, por sua vez, elevou a arrecadação e sustentou, assim, investimentos públicos em escala mais larga ao longo da segunda fase da Era Lula, até que emergiu a grande crise, durante a qual o titular do Planalto redobrou suas apostas no desenvolvimentismo keynesiano estatal, bombando a produção subsidiada no plano fiscal e o consumo dos mais pobres. Resultado: a inflação, com consumo mais alto, arrefeceu-se.
Investimento não é déficit

Quando Serra vai atirar nos juros altos e nos preços elevados dos combustíveis, para defender o consumidor, dominado pelos oligopólios público e privado, responsáveis, nesse momento, pela possibilidade de os juros subirem, porque provocam inflação. A sociedade inteira pagaria o prejuízo dado pelos dois oligopólios que atuam contra o interesse público? Onde está o Estado que tem que atuar como árbitro na distribuição da renda nacional?
O discurso, agora, dos bancos tenta confundir o panorama. Os gastos do governo em forma de emissão monetária para capitalizar o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, a fim de dinamizar a produção, o consumo e a taxa de emprego, visto que tal tarefa, na crise, não foi executada pela banca privada, estão sendo amplamente considerados pela grande mídia como pressão inflacionária em forma de expansão do endividamento público. O mecanicismo é automático: se aumenta a dívida, aumenta a inflação. Mas, são realmente, dívidas ou investimentos que terão retorno sobre o capital investido em forma de aumento de arrecadação?
Não seriam déficits. Trata-se, por parte dos banqueiros e dos economistas contratados por eles, de vender o peixe estragado de outrora articulado pelo FMI de que os gastos das empresas e dos bancos estatais representavam déficits e não investimentos, lembram?
Armadilha contra Dilma

Dilma e Temer, PT e PMDB, ficarão teorizando, tecnicamente, sobre as razões do preço elevado dos combustíveis, que, com os juros altos, pressionam a inflação, deixando ser atropelados pela oposição fragilizada, ou sintonizarão com os sentimentos vilipendiados dos consumidores, que levam a culpa pela inflação, enquanto os lobos comem os cordeiros?
O candidato do PSDB à presidência da República, governador de São Paulo, José Serra, quando ministro na Era FHC, bateu-se contra esse argumento, até que levou o FMI a desconsiderar como déficit os investimentos da Petrobrás, por exemplo.
Imagine, onde estaria o déficit do governo, acumulado nos últimos anos, se todo o dinheiro que colocou na grande empresa estatal fosse puro déficit?
Não seria a quarta maior empresa de petróleo do mundo, na atualidade, abrindo parcerias trilhonárias com grandes grupos privados, oligopolizados, para atuar imperialmente na cena global, como acaba de acontecer com a fusão Petrobrás-Odebrecht, para formar a Braskem, gigante internacional do termoplástico!
O Banco Central compra o argumento furado de que o endividamento público em expansão é puro déficit e, por isso, corresponde à pressão inflacionária, que deve merecer juro alto para ser contida. Bancocracia em ação total.
José Serra vai nadar de braçada, se o governo Lula elevar, nos próximos meses, a taxa de juro, como sinaliza o Copom, nessa quinta feira, para segurar a inflação, sob pressão do oligopólio da Petrobrás, de um lado, e do oligopólio bancário privado, de outro, ambos conspirando contra o interesse público, para tensionar a alta dos preços e dos juros.
Trata-se de armadilha que joga a candidatura de Dilma Rousseff nos braços da oposição. A legislação do consumidor está largamente detonada pelos poderosos grupos oligopolizados, estatais e privados. A oposição não pode reclamar. Não faltam motivos para ela subir nas pesquisas, se sair, realmente, em defesa do interesse público, JÁ.