Neo-imperalismo estatal salva país e abala banqueiro na crise mundial

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 01-02-2010

Os banqueiros privados lutam para colocar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice-presidente na chapa de Dilma. Teriam um pezinho(ou pezão?) nas decisões nacionalistas que estão em marcha sob comando lulista, que favorecem amplamente o setor financeiro estatal. Querem participar da herança que será tocada por Dilma, caso seja eleita, possibilidade sinalizada pelas últimas pesquisas, em que ela avança sobre Serra. Mas, seria Serra adversário ou aliado dos bancos no cenário em que prega política monetária que sustenta juro mais baixo e garanta resistência industrial contra o perigo de sucateamento em marcha via cambio sobrevalorizado diante da China com moeda sobredesvalorizada? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come? E Michel Temer, como é que fica?

Os banqueiros privados lutam para colocar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice-presidente na chapa de Dilma. Teriam um pezinho(ou pezão?) nas decisões nacionalistas que estão em marcha sob comando lulista, que favorecem amplamente o setor financeiro estatal. Querem participar da herança que será tocada por Dilma, caso seja eleita, possibilidade sinalizada pelas últimas pesquisas, em que ela avança sobre Serra. Mas, seria Serra adversário ou aliado dos bancos no cenário em que prega política monetária que sustenta juro mais baixo e garanta resistência industrial contra o perigo de sucateamento em marcha via cambio sobrevalorizado diante da China com moeda sobredesvalorizada? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come? E Michel Temer, como é que fica?

Os banqueiros entram no ano eleitoral seguros da máxima de que quem tem cutuvelo tem medo. Os movimentos do Estado, durante a crise mundial, criaram outra conjuntura. Os bancos estatais brasileiros, por exemplo, entraram na economia para valer. Substituíram, com o aval do Estado, o medo dos banqueiros privados. Estes, viciados em ganhar sem trabalhar, preferencialmente, jogando nos títulos do governo, faturando no juro alto, correram do pau. O presidente Lula, no auge da bancarrota financeira americana e européia de 2008, convocou-os para a grande batalha contra o perigo da recessão. Fugiram na hora H. Foram convocados os bancos estatais. O Banco do Brasil, o BNDES e a Caixa Econômica Federal incrementaram suas atividades, para reforçarem o caráter de ser o braço financeiro estatal. Deu resultado e ameaça criar cultura. Esse braço é longo. Os bancos privados já sentem o poder da gravata dura do braço estatal. Em 2009, os lucros dos bancos estatais foram maiores dos que os dos privados.  E essa onda promete continuar em 2010.

 Não apenas avançam os bancos estatais sobre o mercado financeiro, mas, sobretudo, no plano empresarial, girando grandes parcerias, com o aval do Estado, eles passam a participar e envolver-se numa nova jogada capitalista nacionalista sob comando estatal. Os banqueiros privadas deixaram, em outros momentos favoráveis, o cavalo passar arriado. Não entraram nas grandes jogadas multinacionais, aliando-se aos grandes grupos privados nacionais, para atacar o mercado financeiro. Por que não fizeram o que o governo faz agora com a Companhia Vale do Rio Doce, utilizando-se da condição de acionista majoritário, por meio dos fundos de pensão estatais, para realizar dobradinhas econômicas trilhonárias? As minas de fosfato e de potássio da multinacional privada Bunge foram adquiridas pela Vale sob toque do governo. Esse negócio estava pingando na área dos bancos há anos. Preferiram continuar mamando folgados na teta estatal. Negócios? Só o filé especulativo. Como os bancos iriam jogar na produção, se esta tinha que suportar juro alto imposto pelos próprios bancos, ao longo de toda a Nova República Neoliberal, até agora?

Por que os grandes bancos privados oligopolizados não entraram no negócio da união entre a Petrobrás e a Quattor, para formar grande parceria-público privada na exploração mundial da petroquímica, algo na casa 30 bilhões de dólares? Estavam mamando confortados da teta estatal. Perderam o instinto animal. Ficaram gordos demais com a mamata da mamadeira. Adiposidade total. Perderam o instinto animal sob ventos do novo tempo. O oligopólio financeiro privado se constituiu não para grandes negócios internacionais, levando a marca Brasil pelo mundo afora, mas para oligopolizar-se na exploração do sangue social por meio da veia estatal sob juro alto. Ele demonstrou não dispor de agilidade no lado oposto, ou seja, na alavancagem dos negócios multinacionais com bandeira brasileira. Por que não estão engajados na escalada estatal da Eletrobrás? Enfim, os bancos privados , pelo que se observa das parcerias econômico-empresariais em marcha, ficaram lerdos. Estão extremamente preocupados, porque as transações trilhonárias  se realizam ao largo deles, tocadas pela orientação estatal com grandes empresas nacionais. As cadeias produtivas que tais negociam comandam serão , certamente, clientes dos bancos estatais que bancam o direcionamento da nova economia pós-crise global, e não dos bancos privados, cujo interesse, no plano dos negócios, é inviabilizar os negócios com o juro alto.

 

Oligopolização estatal global

Os banqueiros privados estão levando desvantagem com a formação dos oligopólios econômico empresariais que nascem com a BRASKEM, agora, avançando nos Estados Unidos, sob movimento do capital financeiro estatal. Eles não ajudaram na hora dura em que o governo precisou, por que o governo, agora, utilizaria a banca privada para alavancar os negócios trilhonários. Deixariam o oligopólio financeiro estatal de fora ou o utilizará para detonar o oligopólio financeiro privado?Oligopólio nacional contra oligopólio internacional na disputa global. Nesse contexto, quem banca as finanças do negócio, claro, são os bancos estatais. Se eles entraram no mercado de financiamento de bens e serviços à população, na hora da grande crise de enforcamento geral do crédito, transformando-se, relativamente, em armas eficientes contra a bancarrota, provocada de fora para dentro, por que não entrariam, agora, na nova fase do capitalismo internacional, para beber dos grandes negócios? Nesse terreno, por exemplo, as grandes multinacionais dos países ricos têm o Estado apenas como indutor. As poderosas multis dos Estados Unidos e da Europa recebem as ajudas dos seus respectivos governos por meio de medidas fiscais, cambiais e diplomáticas, no ambiente da diplomacia comercial guerreira global. Esso, Atlantic, Fina, Nestlé, Nokia, Mercedes Benz etc  têm a representação privada e a essência estatal indutora por trás. No Brasil, o papo é outro. A representação BRASKAM oferece a retaguarda PUBLICO-PRIVADA. Petrobrás, de um lado, e Norberto Odebrech, de outro, com financiamento estatal do BNDES. Já invadem a praça americana. Sabendo que a Norberto Odebrech alavanca seus negócios com dinheiro do banco estatal, ou seja, pelo governo, tem-se que o oligopólio internacional que nasce das duas empresas , apoiados pelo banco estatal, é puramente estatal. Imperialismo global.

Nova estatização, neonacionalismo brasileiro em marcha. A produção de fosfato e potássio por meio da parceira VALE DO RIO DOCE-BUNGE é, essencialmente, isso. Os fundos de investimentos que bancam a Vale são estatais. Se a empresa terá 51,2% da Fosfértil, antes dominada em 80% pela Bunge, que fica, agora, com 49%, responsável, apenas, pela mistura dos nutrientes químicos, para mandar , oligopolicamente, no mercado, o resultado do negócio é representação privada com o Estado no comando efetivo das orientações. O papo agora chama-se CO-GESTÃO, como disse o presidente da Petrobrás, Gabrielle. Vale dizer, internvencionismo econômico estatal.  O relevante é que o crédito estatal, bancado pelos bancos estatais, emissões financeiras do Estado, caminha ao lado da formação desses gigantes econômicos oligopolizados, verdadeiramente, imperialistas, no conceito clássico de formação dos impérios econômicos, a partir do final do século 19, cujos resultados foram duas guerras mundiais no século 20.

Nesse novo contexto que fortalece a onda econômica oligopólica global, o Estado , que , nas economias monetárias, é emissor de moeda, passa a utilizar não mais aqueles a quem contratava para serem concessionários dos serviços de exploração do comércio do dinheiro, ou seja, os banqueiros. O Estado é capital, como disse Marx. Passa a gerir sua própria moeda por meio dos bancos estatais, primeiro passo para a estatização do crédito, como já acontece na China, o maior país capitalista na cena global do capitalismo em crise.

 

Moeda burguesa, adeus

A burguesia financeira européia, que entrou em bancarrota com a sua congênere americana, passou a sofrer dura oposição do Estado francês, que inaugurou, com Napoleão, a era burguesa, detonada pela moeda papel inconversível especulativa sob desregulamentação em mãos dos banqueiros privados internacionais, sem rédeas, obrigando o Estado a erguer-se como oligopólio regulador para não deixar de ser útil como instituição pública e , consequentemente, ser varrido por revoluções. Os concessionários financeiros do Estadoestão sob ataques em todo o mundo

A burguesia financeira européia, que entrou em bancarrota com a sua congênere americana, passou a sofrer dura oposição do Estado francês, que inaugurou, com Napoleão, a era burguesa, detonada pela moeda papel inconversível especulativa sob desregulamentação em mãos dos banqueiros privados internacionais, sem rédeas, obrigando o Estado a erguer-se como oligopólio regulador para não deixar de ser útil como instituição pública e , consequentemente, ser varrido por revoluções. Os concessionários financeiros do Estadoestão sob ataques em todo o mundo

A burguesia fugiu da moeda monárquica, do Rei, vigente até final do século 19, esticando até a crise de 1929. Desde então, o modelo estatal burguês afastou o rei e sua moeda, ou seja, o padrão-ouro, determinante do falso equilibrismo orçamentário, e passou , dominando o Estado, a emitir sua própria moeda, sem lastro, papel-moeda, sem lastro, garantido por economia de guerra. Tal moeda, depois de mover o mundo, no século 20, entra em crise no século 21, com a grande crise mundial detonada em 2008. Os banqueiros privados, que se encheram de papel-moeda estatal para promover a circulação acabaram se intoxicando, demasiadamente, com o excesso de dinheiro, depois de quase um século de orgia monetária financeiro-especulativa. A deflação monetária global, sob o dólar, detonou os concessionários destinados a manusear o dinheiro estatal. Estão com moedas podres em suas carteiras, todas verdinhas, esperando, talvez, o milagre que as transformem milagrosamente em outra cor, para poder circular mediante novas normas, como destaca o empresário Sebastião Gomes.

Enquanto isso, ou seja, enquanto os bancos privados em processo de alta intoxicação se encontram na UTI ESTATAL dos governos ricos, nos governos emergentes, destacam-se os bancos estatais, como é o caso brasileiro. Seria o novo modelo de desenvolvimento? Olha a China aí, com a estatização do crédito, por meio da distribuição dele por bancos estatais. O desejo de consumo dos governos do ocidente passa a ser o modelo chinês. O Estado domina o crédito e direciona a economia. Moeda burguesa, adeus.

Os bancos estatais agitam os negócios. E a China, abarrotada de dólares, 2,4 trilhões, adquiridos na fase áurea do consumismo americano, mediante moeda desvalorizada chinesa, Yuan, dá as cartas. Se o modelo chinês é o tchan mundial, que deverá se expressar, nos próximos dias como direção essencial dos BRICs – Brasil, Rússia, Índica e China -, evidencia-se a possibilidade de maior centralização do crédito no comando estatal, na linha que Lenin propôs em 1917, para regular a anarquia capitalista financeira especulativa. Os banqueiros estão em polvorosa.

Isso ficou demonstrado, semana passada, em Davos. Emergiram novas orientações políticas. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, reforçou, duramente, as medidas propostas pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de dar fim à especulação desenfreada. Na prática, os banqueiros não são os culpados pela especulação, mas, sim, o Estado capitalista, que, emissor de moeda, emitiu demais e liberou, sem regras, os bancos para distribuir a montanha de dinheiro, mediante engenharias financeiras multiplicadoras. Sob o Estado, emissor de papel moeda inconversível, a burguesia reencontrou o comando da reprodução capitalista que havia sido bloqueada em 1929, pelo padrão-ouro, a moeda monárquica, sendo necessáio removê-la. 

Durante todo o século, tal moeda deu as cartas, acumulando problemas conjunturais que se transformaram em estruturais. Em 2008, no entanto, o modelo burguês especulativo, patrocinado pelo Estado, sem regras, esgotou-se. A nova classe, que comanda os investimentos é uma CO-GESTÃO estatal-privada. O Estado deixou de confiar no empresários sobreacumulador de capital sem regras. O Estado, para não ir para o espaço, aparta-se da burguesia financeira, em nome do interesse público, para tentar organizar a bagunça. Na Europa e nos Estados Unidos , a ordem é regulação. No Brasil, onde o serviço de regulação veio antes, durante a Era FHC, em meio à privatização geral da economia, que favoreceu os bancos, o quadro começa a mudar de figura, depois de 2008. O Estado entra na economia por meio dos bancos oficiais e deslocam a banca privada.

 

Nacionalismo dirigista chinês

A estatização do crédito pelo governo chinês é a arma que orienta ideologicamente os BRICs, para dominarem a cena financeira internacional no momento em que os países ricos, ex-G-8, estão, com seus bancos intoxicados de moedas podres, nas cordas, ameaçando dar o calote mundial, enquanto as economias desenvolvidas estão praticamente paralisadas pela onda poupancista que emergiu, na crise, para substituir a onda consumista,que estimulada pelas engenharias financeiras especulativas, levou o capitalismo europeu e americano para o buraco no início do século 21, configurando uma nova era de imperialismos estatais bombados pelo crédito público.

A estatização do crédito pelo governo chinês é a arma que orienta ideologicamente os BRICs, para dominarem a cena financeira internacional no momento em que os países ricos, ex-G-8, estão, com seus bancos intoxicados de moedas podres, nas cordas, ameaçando dar o calote mundial, enquanto as economias desenvolvidas estão praticamente paralisadas pela onda poupancista que emergiu, na crise, para substituir a onda consumista,que estimulada pelas engenharias financeiras especulativas, levou o capitalismo europeu e americano para o buraco no início do século 21, configurando uma nova era de imperialismos estatais bombados pelo crédito público.

Por isso, nas eleições, os banqueiros estão temerosos quanto ao seu futuro. Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula, já dá o seu norte: continuará apoiando os bancos estatais, para se transformarem nos braços financeiros dos negócios público-privados, como é o caso da parceria VALE-FUNDOS DE PENSÃO ESTATAIS-BUNGE, para comandar o oligopólio do fosfato e do potássio. Trata-se de dinamizar a agroindústria nacional a preços mais baratos, produzidos internamente, eliminando as importações de minerais fosfalticos que chegam aos 12 bilhões de dólares, forçando o déficit em contas correntes. Da mesma forma, a parceria PETROBRÁS-NORBERTO ODEBERCHT, para comandar a Braskem no campo internacional da petroquímica, segue o modelo nacionalista imperialista brasileiro esquentando os cascos para a disputa oligopólica global no campo da petroquímica mundial.

Nos dois grandes negócios trilhonários, a banca privada está, relativamente, escanteada, pois quem dará as ordens será a nacionalista Dilma Rousseff, se eleita. Quem mandou ela fugir na hora em que o governo precisou dela, na crise, para evitar bancarrota do crédito direto ao consumidor, na hora crítica? Não se revelou amiga, mas, apenas, interesseira. Agora, na colheita dos bons negócios, candidata-se a ficar igual à Januária, de Chico, na janela, vendo a banda passar.  Daí,os banqueiros sonharem com o presidente do BC, Henrique Meirelles, na vice-presidência, deslocando o deputado Miltom Temer, por enquanto, o preferido do PMDB conservador.

O perigo é o PMDB rachar. O governador do Paraná, Roberto Requião, disse que apoia Dilma desde que descarte Meirelles, considerado por ele anti-nacionalista neoliberal. O titular do Paraná arrebanha o PMDB do sul e do sudeste, defensor de candidatura peemedebista própria. Rachado o PMDB ajudaria a repetir, no Brasil, o fenômeno que ocorreu no Chile, em que as forças governistas, divididas, dançaram. O presidente Lula pagaria o preço do racha, para satisfazer a banca privada, quando já enfrenta dificuldades na base governista diante da insistência do deputado Ciro Gomes, PSDB, em sair candidato, ficando como pedra no sapato bico fino de Dilma? Bancaria duas frentes de batalha que dividem a coalisão governamental?

Já o governador José Serra, caso eleito, representaria refresco para os banqueiros? As declarações precipitadas do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, Pernambuco,  de que com Serra na presidência haveria mudanças profundas na política monetária deixaram os bancos de cabelo em pé. O câmbio sobrevalorizado é alvo do governador paulista que diz ser ele responsável pela desnacionalização industrial em marcha. Os produtos chineses, em geral, argumenta, estão entrando no mercado 30% mais baratos, deslocando o produto nacional, graças ao real sobrevalorizado. Isso acontece, no juízo de Serra, porque as taxas de juros no país são escorchantes, atrativas aos dólares em desvalorização na praça mundial. Invadem o território nacional em busca de lucro especulativo e ativos que tenderão a baratear-se se os produtos chineses imperarem no compasso do Yuan desvalorizado, graças à orientação macroeconômica chinesa bancada pela crédito estatizado leninista.

É um novo tempo que a bancarrota financeira global abre , detonando o ESTADO BURGUÊS ESPECULATIVO, para dar lugar ao NACIONALISMO ESTATAL DIRIGISTA CHINÊS, que pode fazer escola global.