27 fev
2010Lula envergonha em Cuba
Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 27-02-2010

Reina Luísa Tamayo inicia movimento de caráter universal que demonstra ser a força do direito mais forte do que o direito da força para construir o socialismo verdadeiramente democrático na pátria cubana. Se as mães das praças de mayo do mundo gritarem em solidariedade à batalha da grande mulher cubana, a quem Lula não dirigiu nenhuma palavra, para lembrar , talvez, a luta de sua própria mãe, dona Lidu, a fortaleza de Fidel e Raul, construída para preservar o socialismo, pode balançar. A contradição está em marcha dentro de Cuba para o aperfeiçoamento do próprio sistema socialista cubano.

Reina Luísa Tamayo inicia movimento de caráter universal que demonstra ser a força do direito mais forte do que o direito da força para construir o socialismo verdadeiramente democrático na pátria cubana. Se as mães das praças de mayo do mundo gritarem em solidariedade à batalha da grande mulher cubana, a quem Lula não dirigiu nenhuma palavra, para lembrar , talvez, a luta de sua própria mãe, dona Lidu, a fortaleza de Fidel e Raul, construída para preservar o socialismo, pode balançar. A contradição está em marcha dentro de Cuba para o aperfeiçoamento do próprio sistema socialista cubano.
O presidente Lula, em Cuba, pediu que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, seja ousado e termine logo com o bloqueio comercial – que pode ser entendido, também, como um ato anti-humano, portanto, sintonizado com os propósitos lulistas relativos a uma política justa de direitos humanos. Infelizmente, porém, não teve ousadia suficiente, na frente dos líderes cubanos, presidente Raul Castro e o ex-presidente Fidel Castro, para pedir mais direitos humanos na Ilha. Pegou mal o silêncio do titular do Planalto sobre a morte de Zapata na cadeia por crime de opinião. Indiretamente, condenou o sacrificado, que optou pela renúncia à vida como opção de protesto contra a falta de liberdade, mas não fez o mesmo em relação ao sacrificante, o encarcerador. Soou covardia. Não entrou na essência, ficou na aparência. Não teve coragem suficiente para enfrentar a contradição dada pela dinâmica do princípio dos direitos humanos que implica na liberdade de opinião e não a condenação por ter opinião. Tratou dos efeitos, a morte de Zapata, mas não a causa, o que o levou à morte. Se Obama precisa , na avaliação de Lula, ser mais valente para enfrentar uma injustiça história, faltou, igualmente, ao presidente brasileiro mais valentia para encarar de frente, na terra de Fidel, a questão que coloca Cuba no centro do debate mundial durante a semana. A mãe de Zapata, a valente Reina, teria mentido quando disse que seu filho ficou, na prisão de Camague, dezoito dias sem beber água? Onde está a medicina avançada dos cubanos que não tratou o prisioneiro à morte por via endovenosa? Raul, com suas declarações arrogantes aos jornalistas, culpando os Estados Unidos pela morte do prisioneiro político, destacou que o semi-morto foi encaminhado aos melhores tratamentos da medicina, o que representa um escárnio total. O jogo de palavras de Lula foi falta de respeito à inteligência. Na prática, teve medo de falar a verdade, ou melhor, de defender os direitos humanos na terra dos outros. Convocou Barack Obama para uma ousadia maior, mas adotou, em terras cubanas, ousadia menor. Em terras chinesas, o titular da Casa Branca não titubeou em defender os direitos humanos, embora tais direitos não sejam respeitados pelos Estados Unidos nos Estados Unidos, nas prisões de Guantânamo onde morrem os Zapatas muçulmanos sem direito de defesa. Há como que um respeito excessivamente obsequioso da diplomacia brasileira pelo grande Fidel Castro, revolucionário que enfrentou o capitalismo e o venceu, abrindo espaço para uma nova consciência universal. No entanto, não é o líder cubano uma onipotência que não mereça crítica do ponto de vista do próprio marxismo do qual o fidelismo se alimenta, porque Marx, ídolo de Fidel, não renunciou à crítica, por exemplo, àquele que fez a sua cabeça, Hegel, pregador da máxima de que tudo muda, só não muda a lei do movimento, segundo a qual tudo muda, no processo histórico social. E a hora da mudança chega quando a sinceridade de uma mãe entra em cena para dar o testemunho do filho assassinado por falta de assistência adequada no momento oportuno. Zapata, segundo ela, não cometeu nenhum crime contra o Estado, senão o da crítica que não é aceita pelo Estado excessivamente policial. Certamente, a lei da física explica o Estado policial cubano. A toda ação corresponde uma reação em contrário com idêntico poder e força. Os Estados Unidos, ao bloquearem Cuba, impedindo-a de relacionar-se comercialmente com os países capitalistas, por força da pressão do dólar, atuaram imperialmente e perderam, por isso, a condição moral de falar em direitos humanos. O desrespeito vem de longe. Ao longo do século 19 e 20, como destaca Luiz Alberto Moniz Bandeira, em seu monumental livro “Formação do império americano”, os Estados Unidos, para enfrentarem o imperialismo inglês, cercaram toda a América do Sul e América Central para si, transformando os dois continentes em quintais de Tio Sam. Impuserem títeres ditatoriais obedientes a Washington, enquanto as resistências internas eram combatidas a ferro e fogo. Cuba, a ação revolucionária espetacular em contrário, com seu povo admirável e a liderança socialista de Fidel, Guevara, Cienfuegos etc, rompeu o cerco. Paga, por isso, ao longo de mais de cinquenta anos, preço exorbitante, para garantir sua dignidade e autodeterminação frente ao agressor. A dialética, no entanto, cobra seu preço, demonstrando que o desenvolvimento envolve a tese, a antítese e a síntese, em eterno movimento do real em seu vir a ser. A antítese vira tese, enquanto não se alcança a síntese. Os que, ao longo desses anos, ousaram, como antítese, criticar a evolução dos acontecimentos, têm encontrado pela frente a tese expressa no Estado policial. A reação ao bloqueio americano , que expressa antítese à tese imperialista, vira em seu contrário, em nova tese, na sua relação com os dissidentes, que se transformam em nova antítese. Predomina receio ao exercício da liberdade interna como resistência à ameaça externa à liberdade nacional em sua ação global. Certamente, o argumento político partidário entra em cena para construir as racionalidades diversificadas, a fim de justificar o princípio da segurança nacional. Como ocorreu no tempo da ditadura no Brasil, o conceito de segurança nacional é sempre o de conter as forças internas, principalmente, porque os impérios, necessariamente, começam a ser destruídos, não de fora para dentro, mas, essencialmente, de dentro para fora. A história de Roma é isso aí. A morte de Zapata é uma força interna que busca superar a contradição entre o reino da liberdade e o da necessidade, que exige, de acordo com o pragmatismo construído, quase sempre abstratamente, comportamentos pragmáticos ligados a interesses cuja preservação impõe, invariavelmente, o direito da força sobre a força do direito. O direito à vida, negado pela necessidade de acabar com a vida para evitar a reafirmação da vida, é negado aos críticos. Não se tem notícia de que a resistência de Zapata tenha sido realizada pelo conceito do direito da força, mas porque não conseguiu impor a força do direito. A capacidade de o ser humano reagir com a sua própria força de vontade de se expressar em si por si mesmo, no processo político contraditório em movimento dialético de negação, dançou em Cuba. O movimento, contudo, não pára. A força da decisão em favor da morte como arma de luta, expressando a força do direito de viver e morrer lutando sem armas, bate de frente com o estado policial cubano que exercita o direito da força, da arrogância, como produto do raciocínio de que as minorias precisam ser tratadas exemplarmente em nome do interesse político pragmático. Castro mentiu e Lula, sem coragem de enfrentar a mentira, mentiu, também, ao inverter a realidade em forma de crítica ao condenado e não ao algoz. O fato é que no momento em que o mundo entra na era da quinta densidade muldimensional – o ser humano é, essencialmente, muldimensional – , em que o planeta terra sofre os efeitos de uma movimentação energética universal em seu eixo, verticalizando-se, corrigindo sua inclinação de quase 25%, configurando mudanças que balançarão geral, como destacam os estudiosos da física quântica, no ambiente de estudo da telemática avançada, não dá mais para suportar a morte de um ser humano pela ação do Estado, acusado por crime de opinião. No mundo multidimensional, o ser-outro-em-si-mesmo é o poder estabelecido, estágio avançado da quinta densidade, que deixa para trás a terceira densidade, na qual vigoram as misérias humanas, as intolerâncias, estabelecidas pela luta de classe, que ainda vigoram no estágio tanto capitalista quanto socialista. A morte política é a expressão do Estado assentado nas lutas de classes, é a negação do ser-outro-em-si-mesmo, como disse Marx em “Manuscritos Econômicos e Filosóficos” ao caracterizar o ser humano como ser genérico universal, deformado pelos regimes seja de partidos ideologicamente diferenciados em que predomina o individuo sobre o coletivo, como no capitalismo, seja de partidos únicos, em que o coletivo destroi o individuo, como no socialismo, na fase histórica em que se encontra. Constituindo-se um dos textos mais fantástico de todos os tempos, dado o seu caráter de introjetar-se na consciência e balançá-la, energicamente, para frente e para o alto, destronando conceitos à esquerda e à direita, os manuscritos marxistas incomodam os machistas direitistas e esquerdistas e exalta a mulher, a deusa que, no compasso da superação dos contornos da ideologia construída para a eterna preservação dos poderes, rompe com a contradição e se expressa na prostituição universal, depois de se livrar do contrato de direito positivo inquiridor representado pelo casamento burguês. E aí é que está o problema e ao mesmo tempo a solução: a mulher, a mãe, a resistente, a que enfrenta ditadura. Reina Luisa Tamayo gritou contra Fidel e Raul. Outros cinco prisioneiros, depois do sacrificio do filho dela e do grito universal que ela deu, conferindo força à resistência do filho morto, dispuseram-se, igualmente, ao sacrifício. O estado policial cubano, opressor das minorias, em nome da ditadura do coletivo sobre o individual, pode ruir, se as mães dos prisioneiros se reunirem ao protesto de Reina, saindo às ruas de Cuba e do mundo. Afinal, a sonoridade é global na sociedade do conhecimento dominada pela tecnologia da informação instantânea. O próximo e o distante são UM e TODOS ao mesmo tempo. Foi isso que aconteceu com as Mães da Praça de Mayo na Argentina. Se elas sairem à calle para solidarizar-se com a grande Reina, pode pintar movimento universal em favor da libertação dos prisioneiros cubanos. Por que não podem eles em liberdade pregar a sua resistência, se estão desarmados frente a um Estado instituido, que, como toda a obra humana, reforma-se, dialeticamente, no compasso da história? Fidel e Raul são a tese; Zapata, a antítese, Reina, a síntese. A história está girando. Lula não teve suficiente descortínio histórico para se pronunciar em Cuba. O Itamarati viu as razões do poder cubano, não as razões do poder brasileiro em Cuba, independente, para afirmar-se, democraticamente, na terra dos outros, sem medo. Constrangeu-se, extraordinariamente, ficando pequeno e obediente a Fidel e a Raul em face de assunto que interessa à humanidade genérica. Com todo o acerto, gritou Lula em terras cubanas o direito do governo de Cuba de espernear contra o bloqueio dos americanos. Mas, por que, tambem, não gritou em favor do sagrado direito de Zapata de espernear contra o socialismo cubano, obra que, por estar em construção, é , justamente, cheia de virtudes e defeitos que precisam, ambos, serem expostos, sem medo? Zapata, ao morrer, pôs a contradição em marcha. Será uma jogada burra do poder cubano se adotar em relação aos companheiros do martir o mesmo tratamento para produzir outros mártires. O simbolismo político tem a força superior à do estado policial, que nega o ser-outro-em-si-mesmo. A força da morte como defesa da força do direito mexe planetariamente com o eu genérico universal que se levanta instintivamente contra o direito da força. Getúlio Vargas é um exemplo de que a morte buscada como opção política movimenta a realidade emocional e bruscamente. Não dá para falar em socialismo onde o estado socialista deixa um opositor do socialismo dogmático morrer de inanição na prisão por crime de opinião. Total contradição em termos.
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POLÊMICA EM CENA
Onde Lula envergonhou?
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cesar,
há uma guerra de baixa intensidade entre a primeita potência imperial do mundo e uma ilhapequena que ousou rebelar-se contra o capitalismo! Há dissidentes que são colaboradores remunerados dos gringos e este talvez tenha sido um dos responsáveis poara mais de 3 mil atentados que Cuba sofreu em todos esses anos, inclusive com o bombardeio de escolas, com guerra bacteriológica, confessada pelo ex-ministro da saúde dos EUA, que denunciou a difusão de virus da dengue por avionetas destes terroristas pagos por Miami.
Onde que Lula envergonhou? Lula não cede ao côro que a direitona fascista quer impor a ele contra Cuba e contra o Irã também. Por isso vem a nazistinha da Hillary aqui para pressionar, ilegalmente, indevidamente, e Lula já deu uma aresposta por antecipação! Para a honra e orgulho do povo brasileiro, diz que viaja ao país que quiser e que só deve explicação aos brasileiros!!!
Mais que isto: quantas vidas os mais de 700 médicos cubanos terão salvo no Haiti agora? Cuba tem mais de 7o mil médicos espalhados pelo mundo trabalhando solidariamente em países pobres, em zonas inóspitas, onde nenhum destes dissidente imagina por os pés um dia, pois querem apenas enriquecer em Miami.
Foi Lula quem defendeu os palestinos ante a carnificina bárbara israelense, é Lula que quer ampliar os laços de cooperação com o iRÃ, foi lula que apoiou até o fim a luta de Zelaya e do povo hondurenho contra o golpe gringo lá, é Lula que mandou construir uma usina hidrelétrica e 30 postos de saúde no Haiti.
Quantos médicos tem os EUA espalhados pelo mundo?????? No Timor não tinha nenhum, mas há 400 médicos cubanos lá. E o embaixador gringo revelou seu veneno ao pressionar o jornalista Ramos Horta, meu amigo, para que não aceitasse médicos de Cuba. Ele apenas perguntou: quantos médicos voces tem aqui?
Lula não envergonha ninguém em Cuba, aliás, está construindo o porto de Mariel, está apoiando a produção de alimentos com a presença da Embrapa. Todos estes dissidentes querem que a REvolução termine, que ninguém ajude o povo cubano, e a esmagadora maioria dos cubanos apoia esta revolução.
Aqui, o Heráclito Fortes mandou condolências à família`pela Embaixada de Cuba. Quantas vezes foi solidário com as vítimas da ditadura de Honduras - aliás, anteontem mais uma militante foi assassinada sem nenhuma cobertura da mídia aqui - quantas vezes mandou condolências pela montanha de cadáveres palestinos que Israel promove diariamente????
Discordo veementemente, meu caro
abs,
Beto Almeida
Quanta hipocrisia dessa
gente de direitos
humanos seletivos.
Atacam Cuba
para atingir Lula
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A greve de fome de pessoa que cumpre pena em presídio é uma arma de desobediência e um desafio às determinações do Estado que pode assumir caráter político ou de reivindicação por melhores condições carcerárias. Manifestação de vontade individual ou coletiva, deve ser respeitada e criteriosamente avaliada. Ao tomar, conscientemente, a grave decisão de iniciar a greve de fome o preso sabe – e é informado – que a conseqüência pode ser fatal. Alguns entregam sua vida por um ideal mais nobre. Esses contam com defensores de fora da prisão que pressionam as autoridades a fim de que o objetivo da greve de fome seja alcançado. Outros priorizam sua própria vida e ainda assim esperam ver acatadas suas exigências. Quando ocorre a morte, os verdadeiros humanistas se condoem.
Contudo, a reação que se leu, viu e ouviu nesses dias a respeito do caso do cubano Orlando Zapata Tamayo passa longe da natural comiseração. O cadáver de Zapata é agora exibido como um troféu coletivo. Os grandes meios de comunicação já vinham antecipando o desenlace com intenções pouco dissimuladas de utilização com premeditados fins políticos. Zapata não fazia parte dos chamados dissidentes que foram julgados em março de 2003, não era um dos 75. Tinha um longo histórico delitivo comum, nada vinculado à política. Transformado depois de muitas idas e vindas à prisão em ativista político, era um homem prescindível para os opositores da Revolução. Cumpria uma sentença de privação de liberdade de 25 anos depois de ter sido inicialmente sentenciado em 2004 a três anos por desordem pública, desacato e resistência. Vinculou-se aos dissidentes após contactos com Oswaldo Payá e Marta Beatriz Roque. Declarou-se em greve de fome em 18 de dezembro. Apesar de se negar a tanto, recebeu, de acordo com o que estabelece o Tratado de Malta, a assistência médica necessária, inclusive terapia intermédia e intensiva e alimentação voluntária por via parenteral endovenosa e enteral. Transferido para um hospital geral foi-lhe diagnosticado pneumonia, tratada com os procedimentos mais avançados. Ao ter comprometido ambos os pulmões, foi assistido com respiração artificial até que ocorreu o óbito.
Vou à história, curioso em saber como a grande imprensa cobriu greves de fome de presos que terminaram ou não em morte e como selecionam os direitos humanos.
Ao assumir o governo inglês em 1979, Margareth Thatcher deflagrou uma ofensiva militar e política contra os movimentos pela libertação da Irlanda do Norte. A virulenta tentativa de criminalização do republicanismo irlandês passava pela supressão de qualquer diferença entre o tratamento dispensado, nos cárceres, aos soldados do Exército Republicano Irlandês (IRA), do Exército de Libertação Nacional Irlandês (INLA) e a criminosos comuns. Em resposta, combatentes irlandeses encerrados nos blocos H da prisão de Maze, deflagram em 1º de março de 81 uma greve de fome. Suas reivindicações: não usar uniformes de presidiário; não realizar trabalhos forçados; liberdade de associação e organização de atividades culturais e educativas; direito a uma carta, uma visita e um pacote por semana; e que os dias de protesto não fossem descontados quando do cômputo do cumprimento da pena. Recusando-se a ser tratados como criminosos, defendiam, a um só tempo, sua dignidade pessoal e a legitimidade da luta pela libertação de seu país. A um custo inimaginavelmente alto – onze homens morreram de inanição após longa agonia de 63 dias – os grevistas conseguiram uma vitória moral, ao fazer com que os ingleses retrocedessem quanto ao regime carcerário poucos meses após o fim do movimento; e uma vitória política, ao frustrar os planos de Thatcher de expor os que lutavam pela liberdade da Irlanda como criminosos aos olhos do mundo. O funeral de Bobby Sands, o líder do movimento, foi assistido por mais de 100 mil pessoas.
Thatcher, insensível, fez ouvidos moucos aos apelos. Teria o Estadão, a Folha ou o Globo ou El Pais, The New York Times, Die Welt, Le Fígaro, Clarin, estampado em sua manchete principal acusando Thatcher de homicida? Evidentemente, não!
Em meio século, nada mudou na Turquia, onde os presos políticos continuam fazendo greve de fome, não pela liberdade, como Nazim Hikmet, mas para recuperar a dignidade. Nazim Hikmet, o grande poeta turco, a quem a escritora Charlotte |Kan chamou de “o comunista romântico”Condenado a uma pena pesada, Nazim Hikmet estava preso em Bursa há doze anos quando começou uma greve de fome para recuperar a liberdade. condenado a uma pena pesada, em um longo processo construído nos mínimos detalhes, estava preso em Bursa, fazia doze anos, quando começou uma greve de fome para recuperar a liberdade. E ainda teve forças suficientes para escrever o poema “O quinto dia de uma greve de fome”, dedicado a seus amigos franceses que lutavam por sua libertação. Acaso os editoriais da nossa imprensa acusaram os governantes turcos de perpetradores de um crime continuado? Nem pensar.
Na base militar de Guantanamo, aqueles que as autoridades norte-americanas chamam de “combatentes inimigos” fizeram, entre fevereiro de 2002 e fim de setembro de 2005, seis tentativas conhecidas – e talvez centenas ignoradas – de desafiar seus carcereiros do Pentágono com greves de fome. Alguém leu ou ouviu acusações a Obama de violador dos direitos humanos elementares por não ter cumprido a promessa de encerrar esse centro de tortura e humilhação?
Recentemente, a aviação norte-americana dizimou, no espaço de dias, famílias de cidadãos afegãos, a maioria mulheres e crianças. A mídia abriu espaço para o pedido de desculpas dos generais e nem um milímetro para acusá-los e a Washington de estar perpetrando uma política de terrorismo de Estado e de violação da Convenção de Genebra.
Passaportes britânicos de cidadãos israelenses de dupla nacionalidade foram utilizados pelo serviço secreto do Mossad para executar extrajudicialmente em Dubai o líder do Hamas, Mahmoud AL-Mabhouh. Por acaso, a mídia abriu suas colunas para acusar o governo Netanyhau de criminoso e fora-de-lei?
Na confrontação dos Estados Unidos e Cuba, ao largo de mais de meio século, milhares de cubanos foram vítimas de atos de terrorismo arquitetados em solo norte-americano com pleno conhecimento da Casa Branca, incluindo diplomatas assassinados no exterior. Quando Havana se dispôs a tomar medidas de inteligência para prevenir esses ataques, cinco de seus concidadãos foram presos e condenados, em processo totalmente viciado levado a cabo em Miami, a penas draconianas que chegaram a duas prisões perpétuas mais 15 anos para um deles. Jamais a mídia internacional e a nossa mídia trataram do assunto.
Os ataques virulentos a Cuba por parte da direita, das oligarquias, dos setores reacionários e dos segmentos conservadores e seus porta-vozes não são novidade. Não se conformam de a Revolução Cubana ter resistido sozinha, graças à firmeza de sua liderança e apoio valente de seu povo, à opressão e aos desígnios do Império. Nenhum outro governo da região a apoiou. Hoje diversos governos da região a apóiam. A solidariedade, simpatia e defesa da gente simples e dos progressistas em todo o mundo nunca faltou.
A visita de Lula a Havana coincidiu com a morte de Zapata. Nossa mídia rebaixou a assinatura de 10 acordos de cooperação entre os quais se destaca a modernização do porto de Mariel. No entanto, o criticou furiosamente pretendendo vinculá-lo ao desrespeito a direitos humanos. No fundo querem destruir sua imagem de grande líder nacional e internacional em proveito de seus interesses ideológicos permanentes e eleitorais de agora.
Lula soube se comportar como chefe de Estado. E pessoalmente foi leal aqueles que ao longo de décadas se constituiram numa referência de soberania, independência, auto-determinação mas também de dignidade, heroismo e solidariedade.
Max Altman
27 de fevereiro de 2010













