O NIILISTA MEDROSO

Ariosto Teixeira em 26/01/2010

Poeta, jornalista, cientista político, gremista, gaúcho de Santana do Livramento, casado com Solange, jornalista, dois filhos, Diogo e Manuel, craque na análise política,  vivacidade total no jornalismo, amante da canoagem, do jazz, de Chet Baker, das mulheres etc, Ariosto Teixeira(1953-2010) sai da vida expulso pela hepatite, mas entra na esfera do imaterial livre para dar prosseguimento a sua beleza interior em toda a sua pureza do seu olhar translúcido, livre dos condicionamentos impostos pelo incômodo da matéria, que, sendo idéia que é pura energia expressa em eletricidade, sequer existe, segundo estudiosos da física avançada, aproximando-se dos místicos. Uma coisa é certa, demonstrada pelo poema: ele não tinha medo da morte porque acreditava na vida-morte-vida que é idéia, que é energia, que é eletricidade, que é matéria/anti-matéria, configurando o ser e o nada no mesmo momento em que se é e que se não é. Adeus, Ariosto, beijo grande. Dê um abraço no Jamil. Todos hoje à noite no Martinica para homenagear essa figura linda.(CF)

Poeta, jornalista, cientista político, gremista, gaúcho de Santana do Livramento, casado com Solange, jornalista, dois filhos, Diogo e Manuel, craque na análise política, vivacidade total no jornalismo, amante da canoagem, do jazz, de Chet Baker, das mulheres etc, Ariosto Teixeira(1953-2010) sai da vida expulso pela hepatite, mas entra na esfera do imaterial livre para dar prosseguimento a sua beleza interior em toda a sua pureza do seu olhar translúcido, livre dos condicionamentos impostos pelo incômodo da matéria, que, sendo idéia que é pura energia expressa em eletricidade, sequer existe, segundo estudiosos da física avançada, aproximando-se dos místicos. Uma coisa é certa, demonstrada pelo poema: ele não tinha medo da morte porque acreditava na vida-morte-vida que é idéia, que é energia, que é eletricidade, que é matéria/anti-matéria, configurando o ser e o nada no mesmo momento em que se é e que se não é. Adeus, Ariosto, beijo grande. Dê um abraço no Jamil. Todos hoje à noite no Martinica para homenagear essa figura linda.(CF)

Às vezes você se pergunta

Olhando o rosto no espelho

Se o reflexo é verdadeiro

Ou se a verdade é o corpo

Parado no meio do banheiro

 

Você acha que sabe bem o que é

Você acha que sabe bem o que quer

Você acha que sabe quem você é

 

Mas você sente medo

Medo de não ser você no espelho

Medo de ser mero reflexo

Do outro que consigo parece

 

Você não tem medo de sexo

Você gosta de sexo

Você sonha com sexo

Você procura fazer muito sexo

 

Sexo à distância

Sem beijo sem fluido

Higiênico e sem lirismo

Seguro como sexo com prostituta

Você de frente ela de costas

Ela por cima de costas

Você por baixo de costas deitado

 

É que você tem medo

Do ataque de um vírus complexo

Medo de gravidez

Medo de se apaixonar irremediavelmente

Medo de perder o controle

Medo de assumir o controle

Medo de que tudo enfim faça nexo

 

Você acende e apaga o cigarro

Com medo de pegar câncer de pulmão

Medo de apagar a luz

Medo de acender a luz

Medo de desligar o alarme

Medo de abrir o portão

Medo de ladrão policial pivete

Medo de colisão

De atropelamento

De ataque do coração

 

Medo de padre

Da certeza cristã absoluta

Da democracia liberal

Da esquerda latina

Medo da nova direita francesa

Medo do presidente americano

Medo da falta de medo do terrorista muçulmano

Medo de ser fragmentado por um raio da Al Qaeda

 

Medo da China capitalista

De milho transgênico

De buraco negro

De carne vermelha

Medo da falta de limite da física quântica

Do aquecimento global

Da inteligência artificial

De velocidade acima do permitido

De remédio de quinta geração

Da globalização

Do fim da globalização

Da falta de sentido

 

Medo de que Deus provavelmente não exista

De não haver outra vida

Você tem medo de ficar sozinho

Sem ninguém nem final feliz

 

Ah mas você confia no amor

O terno e doce amor

Do homem pela mulher

Do homem por outro homem

Da mulher por outra mulher

Do homem pelos animais

Da humanidade pela natureza

Você confia no amor das criancinhas

 

Você pensa nessas coisas

E por um instante

Acha que nada está perdido

Que o amor salvará o mundo

O amor romântico como no cinema

Como em um soneto de Shakespeare

Apesar da podridão no reino terrestre

 

Mas quanto tempo dura o amor

Antes de se dissolver em tédio

15 minutos uma tarde inteira uma noitada?

 

Você odeia sentir isso assim tão sentimentalmente

Mas é impossível ser de outro modo

É preciso agarrar-se a algo

Não ter medo de que o vazio

Tenha se espalhado em todos os quadrantes

 

O fato indiscutível é que você tem medo

Medo muito medo

De ficar vivo durante o inverno nuclear

 

Você principalmente tem medo

Do que um dia vai fazer

Quando ao anoitecer

O seu rosto tiver desaparecido do espelho do banheiro

 

 x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

 

 Ariosto
            In memoriam
 
Luiz Martins da Silva
 

Eu o conheci,
Ao tempo em que contava
Histórias do charque
E do chimarrão.
 
Eu o conheci,
Nas lides da lira,
Nas militâncias gerais
E da profissão.
 
Eu o conheci,
Também no por vez
Do mais conhecível das pessoas,
Que é quando olham nos olhos.
 
Eu o conheci, nas palavras do amigo,
Na estirpe do poeta-fidalgo,
Sócio-fundador da Ordem
Dos Cavalheiros Meigos.
 
Achava-lhe engraçado o nome
Que o trocava por Aoristo,
Esse misterioso tempo antiverbo,
Mas que impregna conjugações de doçura.
 
És, agora, tempo passado:
Encomendas de saudades,
Que já se precipitam muito antes
De vencer-se o reembolso postal.
 
Agora, meu caro vate,
Faço-o símbolo, signo, selo
De amizade selada,
Colada, carimbada, tchê.

 

 

 

 

 

Categoria: (Cultura)

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