Neonacionalismo eleitoral em campanha

Nasceu com ela a idéia da fusão oligopólica entre a Petrobrás e a Odebrecht. A criação da gigante petroquímica Braskem, união Petrobrás-Odebrech, entra na cena mundial como personagem brasileiro que desja acontecer no século 21 no concerto das nações. Tarefa para uma mulher presidente? Parece ser essa a ambição de Dilma, que sai com sua bandeira nacionalista sul-americana para enfrentar José Serra, tendo como âncora a popularidade do presidente Lula. Discurso forte em campanha.
Nasceu com ela a idéia da fusão oligopólica entre a Petrobrás e a Odebrecht. A criação da gigante petroquímica Braskem, união Petrobrás-Odebrech, entra na cena mundial como personagem brasileiro que desja acontecer no século 21 no concerto das nações. Tarefa para uma mulher presidente? Parece ser essa a ambição de Dilma, que sai com sua bandeira nacionalista sul-americana para enfrentar José Serra, tendo como âncora a popularidade do presidente Lula. Discurso forte em campanha.

Fato político e econômico estrondoso que ocorre em início da disputa eleitoral. Descortinou-se como propaganda forte de campanha política, apoiada no nacionalismo, a materialização da proposta da ministra Dilma Rousseff, quando titular do Ministério das Minas e Energia, de fusão da estatal Petrobrás com a privada Odebrecht, na formação do conglomerado petroquímico público-privado, expresso na Braskem, cujo faturamento alcançará R$ 25,8 bilhões, produzidos por 26 fábricas com capacidade de transformar 5,5 milhões de toneladas de resinas termoplásticas – o mundo dos plásticos, das fibras sintéticas, que permeiam dezenas de atividades petroquímicas e um consumo per capita nacional de 27,5 kg. Os plásticos inundam a humanidade. Agora, no Brasil, vira oligopólio público-privado. Cria-se conglomerado com poder de competição global entre as dez maiores fabricantes do mundo, conforme excelente matéria no jornal O Estado de São Paulo, sábado, 23.

Eis o modelo de economia para o País, a partir de proposta nacionalista, que o Governo Lula , por meio da Petrobrás, joga no mercado eleitoral para bombar a candidatura Dilma Rousseff , adversária, provavelmente, do tucano governador José Serra, de São Paulo. A negociação se estendeu por todo o ano passado, para concluir no início do ano de eleição presidencial. Jogo bruto, que determina novo caminho do Brasil no cenário global, na formação de grandes grupos nacionais, aliados ao Estado, para dominar a cena internacional. Na prática, a fusão PETROBRÁS-ODEBRECH, que engoliu o Grupo Unipar, da família Paulo Geyer, dominante durante mais de 60 anos, no mercado, dá a dimensão total da nova estratégia econômica nacional, a ser administrada pela candidata lulista, caso seja eleita, configurando, por intermédio de ação política da mulher brasileira no poder, voz de comando nacional na macroeconomia global.

 No último ano do governo Lula, vai ficando cada vez mais clara a opção nacionalista lulista que Dilma herdaria, se eleita, disposta a jogar pesado na conformação de um capitalismo oligopolizado, na divisão das forças econômicas privadas e estatais. Seria o nacionalismo econômico a estratégia para enfrentar os concorrentes mundiais em cenário onde a competição global tende a acirrar-se intensamente.  Reverte-se processo privatizante que tinha tomado rumo na Era FHC, quando o Grupo Unipar comprou, nos anos de 1990, participações da Petrobrás em diversas atividades da segunda e terceira geração de produção petroquímica. Ficara, na ocasião, com a Petrobrás, apenas, a produção de petróleo. O gás e a nafta, matérias primas destinadas à produção das resinas termoplásticas, passaram para a iniciativa privada. Na grande crise global de 2008, a Unipar tentou dar passos mais largos, montando o conglomerado petroquímico da Quattor. Não deu conta do recado. A bancarrota financeira global pôs areia no negócio e os lucros esperados não realizaram, desestabilizando o projeto privado. Agora a estatal, que com a Unipar figurava como sócia minoritária na Quattor, ganha dimensão dominante, ampliando sua participação efetiva na produção do petróleo e nas produções de segunda e terceira geração, oligopolizando geral. Configura-se uma tendência econômica olipolizada no final da Era Lula, prometendo aprofundar-se com Dilma Rousseff, eventualmente, vitoriosa em outubro. Teria outra saída racional, quando o setor privado é insuficiente para tocar negócio, sendo candidato a ser engolido pelos grandes grupos multinacionais na nova cena global, ultra-competitiva?

Outro exemplo semelhante, de expansão estatal, tendo o setor privado como representação, ocorrido durante a semana, foi a fusão Cia Vale do Rio Doce com a Bunge, para nacionalizar as reservas de fosfato e potássio, matérias primas indispensáveis à fabricação de fertilizantes, que impulsionam o agronegócio nacional. Sujeito às oscilações violentas de preço, por ação de oligopólio internacional, comandante das importações e distribuição interna do produto, sangrando o deficit em contas correntes em cerca de 12 bilhões de dólares, o governo jogou no nacionalismo econômico para dominar as reservas dos dois produtos e mandar na sua distribuição por intermédio da Vale do Rio Doce, dentro da qual impõe ordens e direções por meio dos fundos de pensão estatais majoritários nas ações da empresa.

 Dirigismo econômico em marcha

O neonacionalismo é um jogo de cena do Estado Nacional, sob Lula, que disfarça a estatização com a participação forte na parceria público-privada, para CO-GESTIONAR o negócio. Ou seja, o Estado manda, com a representação da empresa privada, que, sozinha, não tem bala para tocar o projeto de Dilma de internacionalizar a economia brasileira no cenário da crise mundial no seio da qual o préstigio brasileiro é forte e atrativo em meio à bancarrota do dólar do qual os rentistas fogem desesperadamente. Gabrieli, presidente da Petrobrás, é o o executivo mais poderoso do planeta, na atualidade.
O neonacionalismo é um jogo de cena do Estado Nacional, sob Lula, que disfarça a estatização com a participação forte na parceria público-privada, para CO-GESTIONAR o negócio. Ou seja, o Estado manda, com a representação da empresa privada, que, sozinha, não tem bala para tocar o projeto de Dilma de internacionalizar a economia brasileira no cenário da crise mundial no seio da qual o préstigio brasileiro é forte e atrativo em meio à bancarrota do dólar do qual os rentistas fogem desesperadamente. Gabrieli, presidente da Petrobrás, é o o executivo mais poderoso do planeta, na atualidade.

Amplia-se o dirigismo econômico, no compasso da oligopolização econômica estatal, em contrapolo à ação do oligopólio privado. O fenômeno dirigista estatal pode, também, caminhar para o setor financeiro. Durante a crise, o governo somente não perdeu o controle da economia, porque jogou os bancos estatais para alimentar o crédito ao consumo e à produção. Os bancos privados fugiram da raia e só voltaram lentamente. Quando retornaram, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES haviam avançado e dado provas de que o sistema financeiro estatal oligopolizado se transformou em força efetiva para inibir o oligopólio financeiro privado, essencialmente, especulativo. Não apenas inibiu, mas o ultrapassou em expansão de negócios e faturamento ao longo de 2009. Qual a conclusão disso, tirada pelos nacionalistas dentro do governo? Que se o time colocado em campo deu certo, por que não apostar nele, já que está ganhando?

 Comprovam estratégias estatais nesse sentido as  ações do Banco do Brasil rumo a uma internacionalização das suas operações em meio a um sistema financeiro europeu e americano falido, de joelhos diante do Estado, O Estado é capital, sua moeda é que puxa a demanda, conforme disse Marx. Por que deixaria de puxar ele mesmo em parceria com grandes grupos nacionais a demanda global se a força financeira está com ele, deixando a peteca cair nas mãos dos grandes oligopólios internacionais, exclusivos na exploração econômica das riquezas nacionais? Eis o jogo político econômico-financeiro eleitoral diamarousseffeano, que tende a ampliar-se de agora em diante em forma de discurso político ideológico.

A Petrobrás, a Vale do Rio Doce, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, efetivamente, agentes econômicos e financeiros poderosos do Estado, dão um tom da NOVA ECNOMIA POLÍTICA BRASILEIRA NO SÉCULO 21. A força dessa estratégia se assenta, por sua vez, na aposta lulista de privilegiar o social no compasso dos privilégios concedidos, historicamente, ao econômico, durante os sete anos de governo que comandou até o momento. Tenta passar a bola para Dilma Rousseff, que abraça, como ideologia política, a pregação nacionalista moderna, em que o governo e o setor privado atuam oligopolicamente, na parceria público-privado. Tal estratégia desenvolvimentista implicaria, por sua vez, em visão econômico-social correspondente, no sentido de o governo continuar a apostando no mercado interno, utilizando os recursos da arrecadação dessa ação oligopolizada para jogar no social, dando continuidade a uma estratégia de resgate social dos miseráveis. Afinal, a crise demonstrou que o consumo interno não apenas combate a inflação, mas produz poupança interna, que dispensa a externa.

Brasil século 21

Bendine, o homem do BB, que comanda o braço financeiro estatal. Ao lado da expansão empresarial estado-iniciativa privada juntos, o BB vai jogando capital nacional no seu próprio negócio em ampliação global. Tem como garantia a riqueza nacional que atrai dólares candidatos à desvalorização em busca de ativos mais fortes. Seria negócio acumular dólares, sr. Meirelles? No momento em que os grandes bancos americanos e europeus estão em baixa, sob custódia dos governos, quebrados, o jogo neonacionalista dilmista-lulista abre-se às amplas possibilidades. O queima de patrimônio europeu e americano em bancarrota pode virar comida de onça pelo BB, ancorado na garantia chamada  Brasil.
Bendine, o homem do BB, que comanda o braço financeiro estatal. Ao lado da expansão empresarial estado-iniciativa privada juntos, o BB vai jogando capital nacional no seu próprio negócio em ampliação global. Tem como garantia a riqueza nacional que atrai dólares candidatos à desvalorização em busca de ativos mais fortes. Seria negócio acumular dólares, sr. Meirelles? No momento em que os grandes bancos americanos e europeus estão em baixa, sob custódia dos governos, quebrados, o jogo neonacionalista dilmista-lulista abre-se às amplas possibilidades. O queima de patrimônio europeu e americano em bancarrota pode virar comida de onça pelo BB, ancorado na garantia chamada Brasil.

O jogo lulista segue dando certíssimo, nessa linha, pois os votos das classes C,D e E, certamente, virão para engordar o caixa eleitoral governamental. A base da força estatal esteve, até agora, no fomento ao consumo interno. Por intermédio dele, acabaram os excedentes de produção, que levavam, recorrentemente, à inflação via desvalorização cambial para exportá-los. A moeda se valorizou nessa jogada, ao mesmo tempo em que elevaram os investimentos, como produto do aumento dos ingressos tributários. A grande crise global de 2008 deu um baque na estratégia econômica lulista, mas não quebrou sua espinha. A sua resistência gerou novas expectativas, tanto para os capitais internos como os externos. Ambos, nesse momento, redobram suas apostas na economia brasileira. Esse, evidentemene, é o capital garantidor da expansão do Banco do Brasil no campo internacional. Jogar poupança no BB, instalado na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia, como pretende o governo, representa apostar no potencial brasileiro, cuja expansão interna combateu a inflação e fortaleceu o poder de compra popular que despertou investidores globais. Seria o Banco do Brasil, dispondo de garantia real, expressa no potencial econômico brasileiro, negócio melhor do que apostas nos bancos americanos, por exemplo, tecnicamente, falidos, sob socorro na UTI da Casa Branca. A garantia tradicional americana, seu mercado interno, está baleado, enquanto o dólar, que sempre embalou o consumo mundial, está bichado na praça global.

 A China, por exemplo, que detém mais de 2,5 trilhões de dólares, tenta desfazer de moeda americana, comprando, entre outras coisas, empresas brasileiras produtoras de minério de ferro. No cenário em que as manufaturas perdem poder relativo, na crise, por conta do aumento da concorrência em face de mercado retraído, ganham maior poder as matérias primas, das quais todos dependem, elevando, relativamente, seus preços. Os chineses fogem dos dólares em desvalorização, candidatos a virarem papel de parede, por ativo real brasileiro. Seria inteligente o BC manter dólares que se desvalorizam como reservas ou comprar com esses dólares as minas de ouro, de prata, de bronze, de minérios de bauxita, que estão em mãos privadas, como fazerm os chineses? O lance da Petrobrás com a Odebrecheth sinaliza ser mais negócio apostar na produção do que na especulação, para dominar a produção de matérias primas e agregar valor a elas, de modo a permitir ao Brasil colocar seu produto e sua força no mercado mundial, totalmente, oligopolizado. Dilma Rousseff embarcou de cabeça nesse jogo, para ganhar corpo na disputa com Serra.

Triunfo da razão

O real é racional e o racional é real, disse Hegel, para determinar que a realidade é um eterno vir a ser em meio ao movimento dialético dos contrários em que a negatividade é a realidade que busca na sua totalidade a razão do Estado como construção do espírito universal, configurando, portanto, o Estado o produto genuíno da razão. Em meio ao capitalismo, que é, essencialmente, irracional, uma razão maior vai se impondo. Hegel aconteceria no século 21?
O real é racional e o racional é real, disse Hegel, para determinar que a realidade é um eterno vir a ser em meio ao movimento dialético dos contrários em que a negatividade é a realidade que busca na sua totalidade a razão do Estado como construção do espírito universal, configurando, portanto, o Estado o produto genuíno da razão. Em meio ao capitalismo, que é, essencialmente, irracional, uma razão maior vai se impondo. Hegel aconteceria no século 21?

A sucessão presidencial brasileira, debaixo de uma orientação macroeconômica cada vez mais nacionalista, coloca em cena o poder do Estado mobilizador de forças oligopolizadas, para contrastar-se com a oligopolização privada internacional. Os filósofos alemães previram a emergência final do Estado sobre a economia como fator de organização dela em defesa do interesse social. Kant descreveu o Estado Universal. Hegel proclamou a prevalência da razão como voz do Estado para expressar-se como fator de totalidade social etc. O baque capitalista na grande crise de 2008 jogou a financeirização econômica global como negação do poder do Estado, tornando-o, na verdade, em joguete do capital, até que o interesse público se viu ameçado com a bancarrota global. O Estado teve que converter-se em proposta racional capaz de organizar o caos irracional. Esse processo está em marcha, mesclando-se com uma conjuntura que ainda tenta sobreviver, mas que está seriamente abalada. É como aquela velha árvore que foi abatida, mas que se percebe que em seus galhos, ainda,  floresce o verde remanescente das folhas, cuja duração torna-se incerta. O certo é que o tiro no coração dela já foi dado pela história.