Chilenização sucessória lulista à vista

Ciro cruzou o caminho da coalizão governamental dividindo suas forças, mas não agiu sozinho, porém, estimulado pelo próprio presidente da República, que, agora, embaralhado pelo monstro que criou, não sabe desmontar suas peças, a não ser a custa de muitos ressentimentos à vista, certamente, favoráveis ao adversário de Dilma Rousseff, o governador José Serra.
Ciro cruzou o caminho da coalizão governamental dividindo suas forças, mas não agiu sozinho, porém, estimulado pelo próprio presidente da República, que, agora, embaralhado pelo monstro que criou, não sabe desmontar suas peças, a não ser a custa de muitos ressentimentos à vista, certamente, favoráveis ao adversário de Dilma Rousseff, o governador José Serra.

O PMDB e o PSB estão protagonizando os primeiros passos da chilenização política sucessória do presidente Lula ao darem tiros para todos os lados, enquanto o PT vai organizando candidaturas dentro do espírito essencialmente petista, de jogar sozinho no primeiro turno, para fazer composições no segundo.  A desarticulação da coalizão governamental , nesse instante, é total.

O maior aliado governista , o PMDB, está inquieto, e o aliado mais problemático, o PSB, joga para fazer valer sua ousadia, para marcar posição, pois não há outra forma de se crescer em política a não ser abrindo controvérsias, emulando as paixões etc. No centro do palco controverso sucessório, do lado do PMDB, está a indefinição partidária quanto ao candidato peemedebista que ocupará a  vice-presidência  na cabeça de chapa com Dilma Rousseff, a candidata petista, preferida do titular do Planalto.

O presidente da Câmara, Michel Temer, está sendo rifado pelo PT. Não agregaria votos para Dilma, dizem os petistas. Quem dá razão a eles é o próprio Temer. Em entrevista no Valor Econômico, o parlamentar peemdebista paulista reconhece que não cuida da micro, mas da macro-política. Não suja os sapatos na lama em busca do eleitor. Faz as jogadas estratégicas. Tem dado certo, garantindo seus mandatos por SP. Mas, seria suficiente para ajudar Dilma a macro ou a micro política, em campanha presidencial?

Nacionalismo com salário mínimo forte para formar mercado interno forte e discurso nacional influente na cena internacional em que o capitalismo nos países cêntricos estão abalados pela bancarrota financeira americana e européia, eis o discurso de Requião para sustentação da moeda nacional na nova divisão internacional do trabalho ao mesmo tempo em que engajaria no fortalecimento da união sul-americana, ancorado nas riquezas potenciais continentais, das quais dependem a manufatura global.
Nacionalismo com salário mínimo forte para formar mercado interno forte e discurso nacional influente na cena internacional em que o capitalismo nos países cêntricos estão abalados pela bancarrota financeira americana e européia, eis o discurso de Requião para sustentação da moeda nacional na nova divisão internacional do trabalho ao mesmo tempo em que engajaria no fortalecimento da união sul-americana, ancorado nas riquezas potenciais continentais, das quais dependem a manufatura global.

Em torno dessa dúvida, os desentendimentos se aprofundam. A rejeição lulista a Temer ajudaria os peemedebistas a buscarem outra acomodação alternativa? Pintaria o verdadeiro desejo do presidente Lula de ter o ministro Hélio Costa, das Comunicações, como o vice ideal para Dilma, como destaca o repórter Raymundo Costa, do Valor? Não há, por enquanto, radicalismo à vista. O PMDB é igual a macaco hermafrodita. Quer é gozar. Talvez pesquisas sejam os indicadores para afastar ou aproximar. Não se sabe. Os espíritos não estão alinhados. Ao contrário, avançam em pique de revoluções artísticas, ou seja, diversos pontos de vista, diversos gêneros e tendências entram em cena, embaralhando geral.

Não só isso. O PMDB não apenas dispõe de varias tendências para busca de composições, mas, igualmente, tenta emplacar candidatura própria, dependendo do andar da carruagem das contradições em marcha. Tendência partidária forte, independente, avança na região sul e sudeste, de São Paulo para baixo.

São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e, no Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e Goiás apresentam ramificações peemedebistas de todas as ordens. Umas estão alinhadas com o PT; outras, com o PSDB, e, enfim, emerge o próprio PMDB com candidatura própria.

Socialismo temperado de capitalismo distribuidor de renda, comandado por discurso empresarial, para fortalecer a produção, que se encontra ameaçada pela estratégia financeira especulativa neoliberal que confere privilégio total à bancocracia no país na condução da política econômica - eis os movimentos do governador pernambucano, que, com Requião, racha a coalizão governamental na sucessão.
Socialismo temperado de capitalismo distribuidor de renda, comandado por discurso empresarial, para fortalecer a produção, que se encontra ameaçada pela estratégia financeira especulativa neoliberal que confere privilégio total à bancocracia no país na condução da política econômica - eis os movimentos do governador pernambucano, que, com Requião, racha a coalizão governamental na sucessão.

É o caso do governador nacionalista Roberto Requião, do Paraná. Sua bandeira, no momento, chama-se PRÉVIAS DEMOCRÁTICAS. Trata-se da estratégia que virou lei na Argentina. Antes das eleições gerais, prévias nacionais e simultâneas, com a liberdade de o eleitor votar na indicação dos candidatos, sendo ou não filiados aos partidos, de modo que o escolhido previamente já dispõe, automaticamente, do aval eleitoral forte, com ficha limpa, adquirida na confiança comunitária.

Requião, com a bandeira das prévias, junta o PMDB do Sul e Sudeste. Ao lado das prévias, ele emerge como o governador que paga o mais alto salário mínimo do país, R$ 780, prometendo universalizá-lo no território nacional. Nasce novo Jango Goulart, que, como ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, triplicou, em 1954,  o salário mínimo, transformou-se em vice-presidente e, depois, presidente deposto em 1964 pela ditadura, apoiada por Washington.

Requião estaria jogando duplamente, forçando candidatura à presidência, para ganhar uma candidatura à vice-presidência, deslocando Temer? Linha super-nacionalista Dilma-Requião? Ou seja, o PMDB que vai se formando no Sul e no Sudeste é o oposto do PMDB que vigora no Nordeste e Norte, ainda, comandado por coronéis, tipo senadores Renan Calheiros(AL), José Sarney(AP), e deputado Henrique Alves(RN) etc. Temer, do sul, teria, dentro do partido, chances se tivesse mais o apoio do Norte-Nordeste do que do sul, ou vice-versa, ou corre perigo no  meio das duas correntes, que , ainda carecem de maiores definições?

Socialismo empresarial

A classe empresarial busca sua representação política para fazer valer o discurso da produção que perdeu pique para o discurso da especulação bancocrática, dominante no cenário da macroeconomia a partir do privilégio que conquistou no ambiente constitucional, onde os recursos orçamentários são assegurados ao pagamento dos juros enquanto todos os demais setores produtivos são obrigados a contingenciar-se para satisfazer cláusula pétrea bancocrática.
A classe empresarial busca sua representação política para fazer valer o discurso da produção que perdeu pique para o discurso da especulação bancocrática, dominante no cenário da macroeconomia a partir do privilégio que conquistou no ambiente constitucional, onde os recursos orçamentários são assegurados ao pagamento dos juros enquanto todos os demais setores produtivos são obrigados a contingenciar-se para satisfazer cláusula pétrea bancocrática.

Complementa o quadro de racha da coalizão a posição dúbia do presidente do PSB, o governador de Pernambuco, neto de Miguel Arraes, Eduardo Campos. Entre a pressão do presidente Lula, de um lado, interessado, sobretudo, no realinhamento das forças governistas, para não dançar como dançou Michele Bachellete, no Chile, e do seu partido, de outro, interessado em ganhar musculatura no cenário nacional com a candidatura do deputado Ciro Gomes, o governador pernambucano balança como pêndulo nervoso.

 Ciro não diz nem sim nem não à candidatura presidencial. Teria sido incensado nesse sentido pelo próprio presidente da República, para sair candidato ao Palácio dos Bandeirantes ou ao Palácio do Planalto? O deputado cearense, nascido em São Paulo, pulou de cabeça no abismo. Transferiu seu título para a terra bandeirante, disposto a jogar no retorno ao útero materno. Mostra-se como cadáver insepulto.

Os petistas rechaçaram candidatura Ciro ao Palácio dos Bandeirantes e, agora, Lula rechaça a possibilidade dele se candidatar ao Planalto. Sem escada e com a brocha na mão, Ciro é o personagem do ridículo, pura ejaculação política precoce. Quem vai botar o guizo no pescoço do gato? Eduardo Campos ou Lula?

O presidente do PT-SP reagiu como verdadeiro ditador a dizer o que é certo e o que é errado em matéria de liberdade política, negando o direito empresarial de disputar sua representação política, considerando tal pretenção absudo fora de propósito. A representação do trabalhador para chegar à presidência pode; a do empresário, não. Negou a realidade chilena, que se expressa na vitória de Sebastian Pinera. A provocação petista seria puro medo.
O presidente do PT-SP reagiu como verdadeiro ditador a dizer o que é certo e o que é errado em matéria de liberdade política, negando o direito empresarial de disputar sua representação política, considerando tal pretenção absudo fora de propósito. A representação do trabalhador para chegar à presidência pode; a do empresário, não. Negou a realidade chilena, que se expressa na vitória de Sebastian Pinera. A provocação petista seria puro medo.

Dificilmente, o governador pernambucano faria uma coisa dessa. Ao contrário, pelo que tudo indica, ele joga para frente, tentando aprofundar divisão das forças governistas. O aval que ele deu à candidatura do empresário Paulo Skaf, da Federação das Indústrias de São Paulo(FIESP), ao governo paulista pelo PSB, sinaliza disposição dos socialistas buscarem uma representação empresarial e faturar o prestígio político que uma nova esquerda socialista, com tonalidade capitalista, obteria.

Incompreensivelmente, ou melhor, freudianamente, compreensível, o presidente do PT paulista, Edinho Silva, considerou “inabilidade brutal”, o lançamento político de Skaf. Por que brutalidade inábil? Os empresários não teriam o direito de buscar sua representação política, como os empresários chilenos buscaram ter a sua, na figura de Sebastian Pinera, vitorioso na eleição presidencial chilena, colocando a direita no poder?

Preconceito contra os empresários foi o que revelou Edinho Silva, tentando negar a legimitidade da classe empresarial de participar do jogo democrático. Contradição dialética: se os trabalhadores, como categoria social, tiveram a chance de ganhar o poder com Lula, por que os empresários se tornam brutalmente insensíveis quando busca o mesmo caminho?

A sucessão 2010 lança, portanto, no cenário político a disputa capital-trabalho em busca do espaço democrático. Os empresários estariam no jogo político, certamente, para equilibrar, no plano parlamentar, o predomínio absoluto do pensamento da bancocracia neoliberal, que conseguiu inserir na Constituição o artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b, que dá prioridade total ao interesse dos bancos, garantindo-lhes o pagamento dos serviços da dívida pública como causa pétrea, enquanto os demais setores da vida nacional, que dependem dos investimentos públicos, são passíveis de contigenciamentos intermitentes, dos quais a banca está , constitucionalmente, livre. Privilégio bancocrático neoliberal garantido pelo poder neorepublicano.

Os petistas estão rifando Temer. O PMDB concordará? Acomodará a essa pressão, buscando outro candidato que não fosse Requião, para compor os interesses dos peemedebistas do Norte e do Nordeste, que temem a pregação nacionalista do governador paranaense, ou baterão pé, ameaçando bandearem-se para José Serra?
Os petistas estão rifando Temer. O PMDB concordará? Acomodará a essa pressão, buscando outro candidato que não fosse Requião, para compor os interesses dos peemedebistas do Norte e do Nordeste, que temem a pregação nacionalista do governador paranaense, ou baterão pé, ameaçando bandearem-se para José Serra?

Os homens da produção foram relegados a segundo plano pelos homens da especulação. Como foram estes que levaram o capitalismo global ao colapso, a emergência política empresarial seria a busca de uma reversão dos privilégios de classe ou uma brutalidade insensível? Onde estaria a insensibilidade brutal dos empresários quando buscam a representação político partidária?

Conjunturalmente, no processo eleitoral, em seus passos já avançados, os governadores de Pernambuco e do Paraná se transformam em duas pedras pontudas no sapato bico fino de Dilma Rousseff. Ambos dificultam a pretendida união governista, rachando a coalizão governamental, abrindo o espaço para a chilenização sucessória lulista.

Lula quer rachar MG, hoje, dominada pelo PSDB, sob Aécio, lançando Hélio Costa vice de Dilma, mandando as pretensões de Temer para o espaço. Abriria oportunidade para Patrus Ananias nas Gerais, montado no cavalo Bolsa Família. Uniria o PMDB?
Lula quer rachar MG, hoje, dominada pelo PSDB, sob Aécio, lançando Hélio Costa vice de Dilma, mandando as pretensões de Temer para o espaço. Abriria oportunidade para Patrus Ananias nas Gerais, montado no cavalo Bolsa Família. Uniria o PMDB?

Resta saber se, com as cordas da divisão esticadas, sob patrocínio do PSB e do PMDB, o governo Lula, para pacificar os ânimos gerais dentro da coalizão, tornando-a forte sob ordem unida, teria que compor a vice presidência com Dilma entre três ou quatro opções: ou Dilma-Requião ou Dilma-Skaf ou Dilma-Ciro ou Dilma-Costa.

O fato é que as controvérsias e os grupos de interesses que racham a coalizão governamental, enquanto a oposição parece unir-se em torno do governador José Serra, sinalizam guerra sucessória semelhante à que rolou no Chile.

Sem unidade , a candidatura Dilma correria mais perigo, ou o apoio de Lula bastaria, para além dos rachas partidários dentro da base governista?