Crise mundial acelera privatização dilmista
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Crise capitalista destroi direitos humanos
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Cuba se rende ao capitalismo estatal petista
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O Brasil engarrafado
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A esquerda que a direita gosta

Cesar Fonseca em 11/01/2010

Tarso e Vanuchi escolheram hora errada para levantar polêmica que divide a sociedade em vez de uni-la em torno do presidente Lula que se empenha, por tal união, em favor do bombeamento eleitoral da candidata Dilma Rousseff, que a estratégia dos dois ministros prejudica, lançando-a contra os  militares, religiosos, agricultores, imprensa etc, desnecessariamente. Macacos em loja de louça brandindo bandeira do dogmatismo revanchista. José Serra agradece.

Tarso e Vanuchi escolheram hora errada para levantar polêmica que divide a sociedade em vez de uni-la em torno do presidente Lula que se empenha, por tal união, em favor do bombeamento eleitoral da candidata Dilma Rousseff, que a estratégia dos dois ministros prejudica, lançando-a contra os militares, religiosos, agricultores, imprensa etc, desnecessariamente. Macacos em loja de louça brandindo bandeira do dogmatismo revanchista. José Serra agradece.

Parece que a esquerda, pelo menos a brasileira, gosta de jogar a favor da direita neoliberal nos momentos decisivos. Darci Ribeiro tinha razão: eles, os esquerdistas, fazem o jogo que a direita gosta. Veja, por exemplo, essa polêmica idiota – no sentido grego, de se ignorar o mundo – , relativamente à questão dos direitos humanos que divide, inutilmente, os setores formadores de opinião. Claro, não se trata de desconhecer a dignidade da pessoa humana e a necessidade fundamental de que seus direitos sejam devidamente respeitados ontem, hoje, amanhã, sempre. Mas, fazer o jogo do adversário, lançando mão da bandeira dos direitos humanos, como se achasse que estivesse contribuindo para o avanço do processo democrático e das forças progressistas, na sua luta para remover a contradição básica do estado burguês, expressa na superestrutura jurídica, em que a máxima da igualdade jurídica corresponde, dialeticamente, à injustiça social, no caso do terrorismo político que predominou no país há 45 anos, não passa de equívoco total.

O genial Darcy Ribeiro entendeu a alma conflituosa da esquerda brasileira, que, quando quer ajudar, atrapalha, e, quando quer atrapalhar, ajuda.

O genial Darcy Ribeiro entendeu a alma conflituosa da esquerda brasileira, que, quando quer ajudar, atrapalha, e, quando quer atrapalhar, ajuda.

Os jornais conservadores estão nadando de braçadas. Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Globo etc encontraram motivações espetaculares para preencherem, diariamente, quatro, cinco páginas com o assunto, estimulando espíritos contrários entre si a levantarem bandeiras revanchistas cujos efeitos políticos sobre o povão, que vai votar,  é, praticamente, nenhum. Mas dá caldo grosso da classe média para cima, já que as classes C,D e E, que passaram a comer, não estão nem aí. Durante a campanha eleitoral, a esquerda, rendida, psicologicamente, ao dogmatismo, ao fanatismo , à intransigência, à intolerância etc, que tem toda uma programação que poderia ser dinamizada, ganhando maior espaço, no rastro da popularidade do presidente Lula, no âmbito das classes C,D e E, as que garantem eleição, para que consiga avançar programaticamente em plataforma reformadora econômica, política e social, dá espaço para a direita, carente, nesse instante, de bandeiras firmes e convincentes, detonada que foi pela ideologia neoliberal, falida na grande crise global. O que tem as forças governistas a ganharem, em tempo eleitoral, ao  levantar polêmicas desnecessárias , no sentido do time , que dividem em vez de unir a sociedade? Burrice.

 

Assunto fora de hora  

 

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, vestiu, claro, a camisa dos militares, assumindo a indignação deles contra a estratégia e a tática de Vanuchi e Genro, de tentarem fazer do Programa dos Direitos Humanos bandeira eleitoral, que abre polêmicas sem fim, enquanto os temas fundamentais que elevariam a força do presidente e de sua candidata, como são os sucessos dos programas sociais, ficariam em segundo plano. Jobim vê racha na coalisão governamental na jogada fora de propóstico dos seus dois colegas de ministério. Demais.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, vestiu, claro, a camisa dos militares, assumindo a indignação deles contra a estratégia e a tática de Vanuchi e Genro, de tentarem fazer do Programa dos Direitos Humanos bandeira eleitoral, que abre polêmicas sem fim, enquanto os temas fundamentais que elevariam a força do presidente e de sua candidata, como são os sucessos dos programas sociais, ficariam em segundo plano. Jobim vê racha na coalisão governamental na jogada fora de propóstico dos seus dois colegas de ministério. Demais.

O Programa Nacional de Direitos Humanos, agitado nessa hora, é isso aí. Tremenda facada no presidente Lula e em sua candidata, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, cujo passado de guerrilheira , tornou-se motivo oculto dos militares para buscarem revanchismo besta , que remexidos no caldo de cultura da ignorância e bestialidade tupiniquins podem fazer estragos gerais. Lula, em recente discurso, falou, em tom engrandecido, em sua disposição de sublimar os desentendimentos forjados pela história. Nesse ambiente, o País poderia ter na presidência uma ex-guerrilheira. Por que não? Mas, em meio à disposição inteligentíssima da esquerda de misturar essa alegoria presidencial como a disposição de mexer nos porões da ditadura, o barco começou a balançar, movido, é claro, pelas incompreensões, alimentadas pelos ressentimentos.

O povo está interessado nisso?  Em que, realmente, ele está ligado, no momento em que os candidatos esquentam os tamborins, para atrair as multidões às suas propostas na avenida da eleição que leva às urnas sob o som da batucada da vida?

No que aconteceu nos porões da ditadura militar faz quase 50 anos, com todo o seu rol de indignidades, que estão sendo purgadas pelo tempo, envolvendo personagens trágicos, cujas famílias, inclusive, embora tenham sofrido horrores, acomodaram-se, relativamente, às circunstâncias determinadas pela correlação de forças sociais e econômicas em país onde predomina violenta concentração de renda?

Ou , ao contrário, as preocupações se voltam, justamente, para a remoção histórica dessa injustiça social e econômica em forma de atitudes governamentais concretas, expressas em inclusão social ampla das massas, como são os casos dos programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família, o Luz para Todos etc, que determinaram equilíbrio entre o social e o econômico, responsáveis, por fim, em contribuir para dinamizar o mercado interno e salvar o Brasil da bancarrota capitalista global?

Se a superestrutura jurídica vigente, que dá conformação ao estado burguês nas periferias capitalistas miseráveis, das quais o Brasil, infelizmente, ainda, é parte, não foi capaz de eliminar os horrores que acontecem nas cadeias atuais, nos grandes centros urbanos, por que intensificar, mentalmente, os horrores do passado, se o presente horrorizado está mais vivo do que nunca e deixando os pobres cada vez mais apavorados, diante da confirmação de que as injustiças, os desmandos e a violência patrocinados pelo Estado continuam nas cadeias putrefatas, cheias de presos subjugados em sua dignidade humana?

Será que os que sofrem os horrores de hoje, sempre os pobres, se sensibilizarão com os horrores de ontem, cujas vítimas foram filhos da classe média, no tempo em que o Brasil vivia o milagre econômico, em que os trabalhadores empregados sequer ouviam os gritos dos torturados nos calabouços da ditadura?

Sobretudo, é politicamente inteligente, por parte da esquerda, que encampa campanha de rediscussão sobre os destinos dos torturadores do tempo da ditadura , 1964-1984, , quando os torturadores do Estado continuam, em 2010,  massacrando os miseráveis nas delegacias carentes de infra-estrutura pela multiplicação dos crimes cuja origem, majoritariamente, está na injustiça social crônica nacional? Darci, Darci, ó grande Darci Ribeiro, onde está você!

 

Jogo desnecessário da divisão  

 

A esquerda colocou a bola na marca do penalti para Serra bater, fazendo gol contra Dilma, no momento em que começa a campanha eleitoral, na medida em que em vez de centrar fogo no que soma, aprofundou o que divide, jogando com os adversários. Muita inteligência.

A esquerda colocou a bola na marca do penalti para Serra bater, fazendo gol contra Dilma, no momento em que começa a campanha eleitoral, na medida em que em vez de centrar fogo no que soma, aprofundou o que divide, jogando com os adversários. Muita inteligência.

Os torturadores e os torturados, evidentemente, não devem e não podem ser misturados no mesmo saco, mas se a história brasileira, no tempo e nas circunstâncias possíveis, dadas pela correlação de forças, encontrou uma solução por meio da anistia, mal e porca, por que abrir essa caixa de marimbondo logo no momento em que começa a disputa eleitoral, sabendo que sua discussão extensiva fortalecerá os adversários que buscam brechas para dividir o campo governamental, aparentemente, forte, graças ao prestígio impressionante do presidente da República junto às massas, empenhado em  transferir tal capital para Dilma Rousseff?

De repente a oposição, manchada pelo em vigor neoliberal entreguista, ganhou presente: o Programa Nacional de Direitos Humanos, versão 3, disparado pela presunção dos ministros Tarso Genro, da Justiça, e Paulo Vanuchi, dos Direitos Humanos, na qual o presidente Lula caiu como patinho. Os esquerdistas cutucaram onça com vara curta. Os militares se levantaram(ou seja, podem seus familiares em todo o País desistirem de votar em Dilma, optando pelo seu adversário, o governador de São Paulo, José Serra, se o calor da discussão esquentar para valer); como os militares, levantou, também, a Igreja(as comunidades eclesiais de base, sob a voz da madre, igualmente, podem dar no pé); como a Igreja e os militares, os agricultores, da mesma forma, estão em pé de guerra(milhões deles, inconformados, já viu, né); juntando tudo, a grande mídia aproveita para fazer barulho, porque o Programa de Genro e Vanuchi quer cercear, segundo ela, a liberdade de imprensa.

Os quartéis não aceitam que se faça barulho sobre os torturadores, lembrando que os seus foram, também, assassinados pelos terroristas etc; os agricultores, capitaneados pelo ministro da Agricultura, Reinhold  Stephanes, criticam a emergência repentina de insegurança jurídica que determina diálogo dos agricultores com os que invadem suas terras antes da decisão soberana da justiça; a Igreja, por sua vez, reclama contra a descriminalização do aborto e a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Gays e lésbicas, por sua vez, avalizam o texto governamental. Ou seja, as controvérsias se estendem ao infinito. O editorial do Estadão, muito justamente, pede revogação do Programa, caleidoscópio de temas conflitantes, polêmicos e mal colocados, sobrepujando até mesmo o texto constitucional, assinado, SEM VER, pelo presidente Lula, como este próprio reconheceu. Coisa de louco. Prato cheio para os adversários.

 

Na marca do penalti  

 

Se a campanha governamental pegar a proposta de Requião, do PMDB, aliado do Planalto, em favor do salário mínimo de R$ 780, pago aos trabalhadores paranaenses, estendendo-o a todos os brasileiros, agita positivamente o país, ao contrário da proposta de Genro e Vanuchi que agita negativamente. A primeira soma, a segunda divide. Qual a melhor: a opção nacionalista que avança com a democratização econômica ou a regressista que racha a sociedade?

Se a campanha governamental pegar a proposta de Requião, do PMDB, aliado do Planalto, em favor do salário mínimo de R$ 780, pago aos trabalhadores paranaenses, estendendo-o a todos os brasileiros, agita positivamente o país, ao contrário da proposta de Genro e Vanuchi que agita negativamente. A primeira soma, a segunda divide. Qual a melhor: a opção nacionalista que avança com a democratização econômica ou a regressista que racha a sociedade?

Faria melhor a esquerda se, nessa hora que antecede a grande luta política, que desembocará em outubro, escolhesse poucos pontos, mas vigorosos, para debater, que acabariam unindo militares, igreja, agricultores etc, como , por exemplo, a defesa do salário mínimo de R$ 780 que o governador nacionalista do PMDB do Paraná , Roberto Requião, está pagando aos trabalhadores no Estado, generalizando para todo o País, como ele promete, se candidato do partido, for eleito. Não teria dinheiro? E os 250 bilhões de dólares das reservas cambiais, alojadas no BC, que não rendem nada, não poderiam ser colocadas a serviço da produção, do emprego, do consumo, da arrecadação, que elevam os investimentos, que gerariam novas rendas capazes de sustentar o mínimo em novo patamar histórico? E o aumento do mínimo não geraria, por sua vez, renda disponível para o consumo , que fortaleceria, ainda, mais o mercado interno, como alavanca de Arquimedes, dinamizando a poupança interna etc?  Por que deixar as reservas cambiais paradas a título de segurança nacional, se a verdadeira segurança, como a crise demonstrou, é o bombeamento do mercado interno, com maior poder de compra da população? 

Em vez de concentrar o debate nos pontos fortes do governo que favoreceriam suas pretensões, a esquerda, que está ao lado dele, supostamente, para ajudá-lo, joga merda no ventilador, ampliando o debate para temas fora da órbita popular.

O presidente Lula , que está voltando de férias, nessa segunda feira, terá que dar uma de Getúlio Vargas, ou seja, jogar os assuntos incômodos na gaveta, para mofar um pouco. Se não fizer isso, rapidamente, as propostas de Tarso Genro e  Paulo Vanuchi ganharão foros de crise política. A OAB já pede a cabeça do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que, sob pressão dos militares, tentou, sem sucesso, amenizar o texto do Programa Nacional de Direitos Humanos, tornando-o palatável.

 O caldo está engrossando, desnecessariamente. Se o presidente Lula não agir rápido, o governador José Serra, de São Paulo, abrirá guerra política contra o revanchismo governamental. A esquerda colocou , para ele, a bola na marca do pênalti para detonar Dilma. Acertará?

 

 

Categoria: (Cultura, Política)

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