22 jan
2010Estatização do crédito em marcha global
Categoria: (Cultura) por Cesar Fonseca em 22-01-2010

O que é a história, heim? De repente, o presidente dos Estados Unidos, sob pressão da especulação financeira, que deixa o colosso capitalista de joelhos, toma posição semelhante à do presidente Hugo Chavez, de enquadrar o sistema financeiro desgovernado em nome do interesse público, abrindo espaço para o que Lenin pregou durante a revolução soviética, ou seja, a estatização do crédito, como medida necessária à organização da produção, que, de outro modo, se perde na anarquia produtiva capitalista cuja essência não é o social, mas o econômic, meramente, lucrativo. Os populistas se encontram no combate ao lucro especulativo.
2010 sinaliza nova relação entre o Estado e o sistema financeiro cujas conseqüências poderão se traduzir no controle estatal do crédito em nome do interesse público, para combater a especulação bancária que detonou o sistema capitalista global na grande crise de 2008, espalhando incertezas gerais que ameaçam a sustentabilidade econômica, como demonstraram os tremores das bolsas mundiais ao longo da semana, desmentindo falsos otimismos fabricados pelos analistas. O jogo especulativo bancário poderá sofrer violento baque, se a proposta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, for aprovada no Congresso, onde crescem restrições à estratégia governamental de reformar o sistema financeiro e o de saúde nos Estados Unidos. Os reflexos em todo o mundo seriam totais, inclusive, no Brasil, com desdobramentos imprevisíveis durante a campanha eleitoral.
Essencialmente, Obama busca impedir que os bancos criem lucros fictícios futuros para trazê-los ao presente a fim de distribuir rendimentos aos acionistas em escala crescente, elevando os lucros especulativos, detonadores, por sua vez, de bolhas financeiras que implodem recorrentemente, gerando instabilidades gerais, em escala cada vez mais intensa. O freio obamista à ação dos bancos, responsável pela bolha especulativa mundial , decorrente da desregulamentação governamental laxista, representa desafio de gigante. Ele barra cultura de ganhar dinheiro fácil que se baseia na alavancagem de negócios por meio de formação de expec tativas abstratas, concebidas por operadores , especializados em matemática financeira, que se multiplicaram ao longo os últimos vinte anos em que o capitalismo deixou de se reproduzir na produção descolando-se para a especulação nas bolsas.
Os produtos financeiros, ao se multiplicarem de forma extraordinária, ganharam proporções que fugiram do controle dos governos, cujos interesses se subordinaram às determinações do capital bancário sobreacumulado a reclamar cada vez mais medidas capazes de reproduzi-los no exterior da realidade, ou seja, na pura reprodução especulativa, ancorada em expectativas fabricadas em laboratórios nos quais são projetadas estimativas destinadas a se auto-realizarem mesmo à revelia dos fatos concretos e objetivos do presente. Trata-se de construir, primeiro, o futuro abstrato, conforme a lógica pré-fabricada, para, em seguida, recuá-lo ao presente em forma de lucros artificiais. Agora, os bancos, que, graças a essas manobras, cresceram de forma incontrolável, configurando-se em verdadeiros supermercados de investimentos, alavancado possibilidades muito além dos recursos disponíveis dos clientes e deles próprios, terão que encolher-se à realidade da disponibilidade dos recursos existentes e não dos recursos abstratamente projetados por engenharias financeiras multiplicadoras.
Abstração econômica em xeque

O que é a história, heim? De repente, o presidente dos Estados Unidos, sob pressão da especulação financeira, que deixa o colosso capitalista de joelhos, toma posição semelhante à do presidente Hugo Chavez, de enquadrar o sistema financeiro desgovernado em nome do interesse público, abrindo espaço para o que Lenin pregou durante a revolução soviética, ou seja, a estatização do crédito, como medida necessária à organização da produção, que, de outro modo, se perde na anarquia produtiva capitalista cuja essência não é o social, mas o econômic, meramente, lucrativo. Os populistas se encontram no combate ao lucro especulativo.
Essencialmente, Obama busca impedir que os bancos criem lucros fictícios futuros para trazê-los ao presente a fim de distribuir rendimentos aos acionistas em escala crescente, elevando os lucros especulativos, detonadores, por sua vez, de bolhas financeiras que implodem recorrentemente, gerando instabilidades gerais, em escala cada vez mais intensa. O freio obamista à ação dos bancos, responsável pela bolha especulativa mundial , decorrente da desregulamentação governamental laxista, representa desafio de gigante. Ele barra cultura de ganhar dinheiro fácil que se baseia na alavancagem de negócios por meio de formação de expec tativas abstratas, concebidas por operadores , especializados em matemática financeira, que se multiplicaram ao longo os últimos vinte anos em que o capitalismo deixou de se reproduzir na produção descolando-se para a especulação nas bolsas.
Os produtos financeiros, ao se multiplicarem de forma extraordinária, ganharam proporções que fugiram do controle dos governos, cujos interesses se subordinaram às determinações do capital bancário sobreacumulado a reclamar cada vez mais medidas capazes de reproduzi-los no exterior da realidade, ou seja, na pura reprodução especulativa, ancorada em expectativas fabricadas em laboratórios nos quais são projetadas estimativas destinadas a se auto-realizarem mesmo à revelia dos fatos concretos e objetivos do presente. Trata-se de construir, primeiro, o futuro abstrato, conforme a lógica pré-fabricada, para, em seguida, recuá-lo ao presente em forma de lucros artificiais. Agora, os bancos, que, graças a essas manobras, cresceram de forma incontrolável, configurando-se em verdadeiros supermercados de investimentos, alavancado possibilidades muito além dos recursos disponíveis dos clientes e deles próprios, terão que encolher-se à realidade da disponibilidade dos recursos existentes e não dos recursos abstratamente projetados por engenharias financeiras multiplicadoras.

José Serra afina sua viola para atacar os juros altos que inibem a estratégia desenvolvimentista lulista, com a qual Lula pretende fazer de Dilma sua sucessora. Convergem os interesses dos três personagens para o foco crítico à atuação do Banco Central que, sob pressão dos bancos oligopolizados, ameaça aumento o custo do dinheiro, detonando estratégia governamental de sustentar a economia pelo bombeamento do consumo para elevar a arrecadação e os investimentos públicos. Depois de Obama enquadrar os bancos, teria chegada a hora de Lula fazer o mesmo, para evitar que a pregação de Serra nesse sentido ganhe corações e mentes?
A tentativa de Barack Obama terá reflexo global, porque as práticas abusivas que busca conter, mediante novas regulamentações, em nome do interesse público, disseminaram-se de forma generalizada. No Brasil, especialmente, elas ganharam dimensão incontrolável, favorecendo, justamente, aquilo que o titular da Casa Branca visa atacar, ou seja, a expansão dos grandes bancos, atuando oligopolicamente. Tal expansão acabou criando cultura de que as mega-casas financeiras não podem quebrar, quando praticam abusos, sob pena de levar toda a economia de roldão. De acordo com essa lógica, qualquer perigo que ameaça a sobrevivência delas, traduzido em perigo de corrida bancária, requereria socorro estatal benevolente. Foi o que aconteceu na recente bancarrota. No Brasil, na Era FHC, a emergência do PROER foi isso. Ao limitar o crescimento da financeirização econômica puramente especulativa, o Estado impõe-lhes, consequentemente, regras e maiores responsabilidades no trato do dinheiro dos clientes, evitando envolvê-los em operações arriscadas, cujos desfechos, na escalada especulativa, são formação de bolhas que explodem, recorrentemente, como lógica da própria expansão desregulamentada, determinada pelas operações de tesouraria geradoras de filhotes em escala infinita.
A economia mundial se incorporou das práticas bancárias de forma generalizada. Os valores negociados das empresas nas bolsas passaram a obedecer à lógica das tesourarias. Os faturamenos projetados, de acordo com as expectativas de crescimento das atividades produtivas, que, por sua vez, passam a depender das projeções financeiras, essencialmente, especulativas, criam lucros futuros fictícios que são revertidos ao presente, de m odo a ampliar a distribuição dos dividendos aos acionistas. Assim, por exemplo, determinado investimento da ordem de 30 milhões de dólares que promete, no espaço de cinco a dez anos, faturamento de 100 milhões por ano, passa a ser a ter seu valor futuro estimado entre 500 milhões de dólares e 1 bilhão de dólares, valores esses que, do cálculo futuro se reveste para o presente, a título de remuneração para acionistas, descontada a taxa de juro esperada etc.
No Brasil, o jogo do mercado financeiro caminha nessa direção, intermitentemente. Se , como ocorre nesse momento, os bancos especulam com pressão inflacionária por conta da elevação do consumo, que, teoricamente, forçaria a alta dos preços, o jogo da tesouraria bancária projeta, como conseqüência dessa manobra, juros futuros em alta. Estes, por sua vez, são trazidos para o presente, a fim de servir de cálculo para projeções dos lucros anuais, elevando os dividendos acionários etc. Manipular, dessa forma, a taxa de juro é garantir, especulativamente, no abstrato, o crescimento real da taxa de lucro bancária. Se se elimina esse jogo especulativo futurista transposto, regressivamente, para o presente, evidentemente, as expectativas de lucratividade do sistema financeiro caem. Não haveria porque praticar juro alto no futuro, se não formasse expectativas altistas para a inflação no presente, onde ela está cadente, no compasso das atividades produtivas desaceleradas por conta da crise global. Mesmo que a inflação presente esteja sob controle, graças aos investimentos em programas sociais que elevaram o consumo interno, diminuindo os excedentes, e valorizaram a moeda, eliminando perigos de sobredesvalorizações cambiais, ainda, assim, o jogo especulativo bancário prossegue, construindo futuros fictícios para convertê-los ao presente. Os bancos, portanto, resistirão, o quanto puderem, para evitar que sejam capados em sua liberdade de produzir lucros futuros especulativos, a partir de previsões pessimistas inflacionárias no presente, a fim de transformar o presente em futuro e o futuro em presente.
Nova racionalidade econômica

José Serra afina sua viola para atacar os juros altos que inibem a estratégia desenvolvimentista lulista, com a qual Lula pretende fazer de Dilma sua sucessora. Convergem os interesses dos três personagens para o foco crítico à atuação do Banco Central que, sob pressão dos bancos oligopolizados, ameaça aumento o custo do dinheiro, detonando estratégia governamental de sustentar a economia pelo bombeamento do consumo para elevar a arrecadação e os investimentos públicos. Depois de Obama enquadrar os bancos, teria chegada a hora de Lula fazer o mesmo, para evitar que a pregação de Serra nesse sentido ganhe corações e mentes?
A economia mundial se incorporou das práticas bancárias de forma generalizada. Os valores negociados das empresas nas bolsas passaram a obedecer à lógica das tesourarias. Os faturamenos projetados, de acordo com as expectativas de crescimento das atividades produtivas, que, por sua vez, passam a depender das projeções financeiras, essencialmente, especulativas, criam lucros futuros fictícios que são revertidos ao presente, de m odo a ampliar a distribuição dos dividendos aos acionistas. Assim, por exemplo, determinado investimento da ordem de 30 milhões de dólares que promete, no espaço de cinco a dez anos, faturamento de 100 milhões por ano, passa a ser a ter seu valor futuro estimado entre 500 milhões de dólares e 1 bilhão de dólares, valores esses que, do cálculo futuro se reveste para o presente, a título de remuneração para acionistas, descontada a taxa de juro esperada etc.
No Brasil, o jogo do mercado financeiro caminha nessa direção, intermitentemente. Se , como ocorre nesse momento, os bancos especulam com pressão inflacionária por conta da elevação do consumo, que, teoricamente, forçaria a alta dos preços, o jogo da tesouraria bancária projeta, como conseqüência dessa manobra, juros futuros em alta. Estes, por sua vez, são trazidos para o presente, a fim de servir de cálculo para projeções dos lucros anuais, elevando os dividendos acionários etc. Manipular, dessa forma, a taxa de juro é garantir, especulativamente, no abstrato, o crescimento real da taxa de lucro bancária. Se se elimina esse jogo especulativo futurista transposto, regressivamente, para o presente, evidentemente, as expectativas de lucratividade do sistema financeiro caem. Não haveria porque praticar juro alto no futuro, se não formasse expectativas altistas para a inflação no presente, onde ela está cadente, no compasso das atividades produtivas desaceleradas por conta da crise global. Mesmo que a inflação presente esteja sob controle, graças aos investimentos em programas sociais que elevaram o consumo interno, diminuindo os excedentes, e valorizaram a moeda, eliminando perigos de sobredesvalorizações cambiais, ainda, assim, o jogo especulativo bancário prossegue, construindo futuros fictícios para convertê-los ao presente. Os bancos, portanto, resistirão, o quanto puderem, para evitar que sejam capados em sua liberdade de produzir lucros futuros especulativos, a partir de previsões pessimistas inflacionárias no presente, a fim de transformar o presente em futuro e o futuro em presente.

Os abusos praticados pelos bancos, que massacravam a poupança popular, estão dividindo os dois comandantes da economia, Mantega e Meirelles. O primeiro acusa o segundo de dar ouvidos aos especuladores que articulam juros altos para conter o consumo em nome do combate à inflação, quando a realidade, em plena crise, demonstrou o oposto, ou seja, foi o incremento do consumo que conteve a alta dos preços, ao desovar estoques e impedir desvalorização cambial para estimular as exportações, produzindo, consequentemente, controle inflacionário. Mas, até quando, se a sobrevalorização do real eleva a dívida e coloca os bancos predispostos à especulação jurista?
Conseguirá o presidente Obama quebrar a espinha do sistema financeiro que , nesse instante, está no colo do Estado, protegido contra perigo de quebradeira, desencadeado pela bancarrota financeira de 2008, ainda pairando como Espada de Dâmocles sobre o pescoço capitalismo? Trata-se, no fundo, de controle total sobre as atividades bancárias, que se expandiram diante das contradições decorrentes da própria sobreacumulação de capital. Esta, no plano da produção, enfrenta contradições que, como demonstrou a história, desatam em crises de realização da produção no consumo, cujas conseqüências são super-produção que levam à queda da taxa de lucro. Essa foi a essência, por exemplo, da crise de 1929. O capital sobre-acumulado, incapaz de reproduzir-se na produção, descolou, ao longo do século 20, para a especulação nas bolsas. Fora rompido, com o crash de 29, o padrão-ouro, que limitava a expansão capitalista no limite dos orçamentos adequados à quantidade da oferta de moeda compatível com a quantidade das reservas do metal. Tal equilibrismo, no contexto conflitivo da relação capital-trabalho, implodiu em forma de deflação e levou à mudança do modelo monetário. Saiu de cena o padrão-ouro, característicos das eras monárquicas, para o padrão monetário apoiado na moeda papel-estatal, sem lastro, cuja base de sustentação passou a ser a capacidade de endividamento dos governos, com as dívidas crescendo no lugar da inflação.
Tal solução durou durante todo o século 20 até que as finanças dos governos se esgotaram para bancar o desenvolvimento por meio da elevação das dívidas públicas internas, instrumento de combate à inflação, roladas pelos bancos. Esse jogo capitalista especulativo chegou aos seus próprios limites na grande crise de 2008, com a bancarrota americana, detonadora do sistema financeiro dos Estados Unidos e da Europa.
Barack Obama tenta evitar a implosão, regulando o sistema financeiro, trazendo-o de volta a um tempo que virou história, ou seja, ao padrão-ouro, mediante controle estatal. A desregulamentação financeira, ao provocar a desestruturação do capital, impõe nova regulamentação do crédito, como premissa para organizar a economia capitalista. Vai se configurando novo caminho do Estado na relação com o sistema financeiro. Em vez de ser financiado pelos bancos, como sempre aconteceu, os bancos é que passam a ser dependentes do Estado para sobreviverem, mediante novas regras, em nome do interesse público. Na prática, o controle estatal do crédito vai se impondo como imperativo para dar racionalidade à acumulação do capital. Será a nova ordem em busca de racionalidade compatível com o capitalismo que é essencialmente irracional?

Os abusos praticados pelos bancos, que massacravam a poupança popular, estão dividindo os dois comandantes da economia, Mantega e Meirelles. O primeiro acusa o segundo de dar ouvidos aos especuladores que articulam juros altos para conter o consumo em nome do combate à inflação, quando a realidade, em plena crise, demonstrou o oposto, ou seja, foi o incremento do consumo que conteve a alta dos preços, ao desovar estoques e impedir desvalorização cambial para estimular as exportações, produzindo, consequentemente, controle inflacionário. Mas, até quando, se a sobrevalorização do real eleva a dívida e coloca os bancos predispostos à especulação jurista?
Tal solução durou durante todo o século 20 até que as finanças dos governos se esgotaram para bancar o desenvolvimento por meio da elevação das dívidas públicas internas, instrumento de combate à inflação, roladas pelos bancos. Esse jogo capitalista especulativo chegou aos seus próprios limites na grande crise de 2008, com a bancarrota americana, detonadora do sistema financeiro dos Estados Unidos e da Europa.
Barack Obama tenta evitar a implosão, regulando o sistema financeiro, trazendo-o de volta a um tempo que virou história, ou seja, ao padrão-ouro, mediante controle estatal. A desregulamentação financeira, ao provocar a desestruturação do capital, impõe nova regulamentação do crédito, como premissa para organizar a economia capitalista. Vai se configurando novo caminho do Estado na relação com o sistema financeiro. Em vez de ser financiado pelos bancos, como sempre aconteceu, os bancos é que passam a ser dependentes do Estado para sobreviverem, mediante novas regras, em nome do interesse público. Na prática, o controle estatal do crédito vai se impondo como imperativo para dar racionalidade à acumulação do capital. Será a nova ordem em busca de racionalidade compatível com o capitalismo que é essencialmente irracional?









