Crise mundial acelera privatização dilmista
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A direita está eufórica porque o Governo Dilma privatiza aeroportos.
Os ganhadores terão 20-25-30 anos para explorarem o negócio; ainda assim terão o governo como sócio deles em 49%. Se der…

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Tom: linguagem brasileira universal
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Forte ajuste fiscal detona rebelião policial
Aperto fiscal e rebelião policial no carnaval
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Nacionalismo socialista nascido no quartel
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Crise capitalista destroi direitos humanos
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Capitalismo estatal mais perto do socialismo
Capitalismo estatal-social distancia do fali…
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Cuba se rende ao capitalismo estatal petista
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Coalizão presidencial entra em crise na gestã…
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A determinação da presidenta Dilma Rousseff de realizar um governo eminentemente técnico, colocando para escanteio o governo político, que reflete as correlações de forças político-partidárias, capazes de sustentar a governabilidade…

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O Brasil engarrafado
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11 dias atrás

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PIB brasileiro: gigante com pés de barro
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As históricas manipulações dos números têm feito com que a população se engane com o proclamado avanço da riqueza nacional, como se ela fosse amplamente democratizada e não abocanhada por…

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Bunge escapa da nacionalização

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 20-01-2010

 

Diante das fortes pressões financeiras externas, desatadas pela crise mundial, o governo busca reduzir as importações de produtos estratéticos para a agricultura, como potássio e fosfatos, que pesam nas contas nacionais, partindo para uma semi-nacionalização das jazidas, por meio da Vale do Rio Doce, induzindo os fundos de pensão estatais, que dominam as ações dela, a ampliarem sua ação nacionalista, em vez da estatização pura e simples, que abriria polêmica ideológica em ano eleitoral.

Diante das fortes pressões financeiras externas, desatadas pela crise mundial, o governo busca reduzir as importações de produtos estratéticos para a agricultura, como potássio e fosfatos, que pesam nas contas nacionais, partindo para uma semi-nacionalização das jazidas, por meio da Vale do Rio Doce, induzindo os fundos de pensão estatais, que dominam as ações dela, a ampliarem sua ação nacionalista, em vez da estatização pura e simples, que abriria polêmica ideológica em ano eleitoral.

Começou a pegar fogo o mercado de fertilizantes no País, depois que a Cia Vale do Rio Doce iniciou negociações com a Bunge, dona da Fosfértil, fabricante do produto, justamente, no momento em que o governo Lula iniciava discussões sobre possibilidade de estatizar as minas de fosfato e potássio. Trata-se de dois produtos minerais indispensáveis à fabricação de fertilizantes cujo consumo interno exige importações de cerca de 24 milhões de toneladas por ano. Ou seja, constitui-se forte peso no déficit em contas correntes do balanço de pagamentos nacional. Elevando a produção interna das minas de potássio e de fosfato, a multinacional Bunge, que, até agora, preferiu segurar as reservas extrativas, optando por importações cuja comercialização domina oligopolicamente no mercado interno, começou a sofrer pressões oficiais. O Palácio do Planalto, sob pressão da conjuntura internacional, que sinaliza déficits crescentes em contas correntes em 2010 e 2011, passara a exigir da Bunge a mesma exigência que fez à Vale do Rio Doce, ou seja, mais produção interna, mais emprego, mais renda, mais arrecadação, de moto a permitir maior espaço aos investimentos. A Companhia Vale do Rio do Doce, no auge da crise mundial, preferiu conter os investimentos, para diminuir o peso da folha salarial. Foi preciso o presidente Lula cobrar duramente outro comportamento da empresa, da qual fazem parte os fundos de pensão oficiais com maioria das ações. Ação governamental se intensificou. Por pouco a diretoria da empresa não iria para o espaço. Os investimentos, anteriormente, programados, mas suspensos diante da grande crise global, foram retomados. Esse é o objetivo que leva o Palácio do Planalto a trabalhar no mesmo sentido, pressionando em favor do aumento da produção de adubos minerais cujas reservas estão de posse da empresa multinacional Bunge. Sentada em cima da riqueza, sem extraí-la, a empresa, sob pressão, ameaçada de ter seu patrimônio mineral estatizado, dada a necessidade governamental de economizar divisas externas, ficou em sinuca de bico. Ou dá ou desce. 

Bombardeio ao oligopólio 

Dona da Fosfertil, junto com duas outras multinacionais, a Bunge , sob pressão do governo, foi obrigada a abrir mão das suas minas de fosfato para a Vale do Rio Doce, sob pena de serem estatizadas, para abrir espaço à produção interna de matérias primas destinadas à agricultura, contra a qual a multinacional manipulas, oligopolicamente, os preços dos insumos, gerando tensões nacionalistas dentro do governo Lula.

Dona da Fosfertil, junto com duas outras multinacionais, a Bunge , sob pressão do governo, foi obrigada a abrir mão das suas minas de fosfato para a Vale do Rio Doce, sob pena de serem estatizadas, para abrir espaço à produção interna de matérias primas destinadas à agricultura, contra a qual a multinacional manipulas, oligopolicamente, os preços dos insumos, gerando tensões nacionalistas dentro do governo Lula.

A ordem do Palácio do Planalto foi a de que a Cia Vale do Rio Doce, na qual o governo manda nas ações por meio dos grandes fundos de pensão oficiais, entrasse em campo para comprar as minas, a fim de explorá-las imediatamente, ou, caso contrário, viria a estatização. As negociações se estenderam nos últimos dois meses. A Bunge, oligopólio que domina não apenas o mercado de fertilizando, com quatro outras grandes empresas, mas, também, o de alimentos, com destaque para a comercialização da soja, sentiu a barra. Teria suas reservas de potássio e fosfato estatizadas. Para fugir da estatização, entrou em negociações com a Vale para que esta comprasse a maior produtora de fertilizantes do país, a Fosfértil, responsável pela produção de 9 milhões de toneladas, na tarefa das misturas dos materiais químicos com os minerais. O novo capital social da Fosfértil teria a Vale, ou seja, os fundos de pensão oficiais como majoritários, com 52% das ações, ficando, para a Bunge, 48%, percentual que a multinacional dividirá com dois outros acionistas a Mosaic e a Yara, multinacionais norueguesas. A Vale estaria colocando, no negócio, algo em torno de 4 bilhões de dólares, sabendo que o valor de mercado da Fosfértil – valor futuro de cinco anos trazidos a valor presente – está na casa dos 10 bilhões de dólares. Dessa forma, ao desfazer-se de 51% da Fosfértil, a Bunge, ficando com 48%, que lhe asseguram a comercialização das misturas que realiza para produzir o fertilizante, deixa de correr o risco da estatização do complexo de mineração correspondente à extração e fabricação de potássio e de fosfato, ao mesmo tempo em que atua na ponta do mercado com as marcas Manah, Iap, Ouro Verde e Serrana. Sozinha, na exploração do potássio e do fosfato, a Bunge poderia virar comida de onça, isto é, vítima de onda estatizante dos minerais estratégicos, defendidos pelos nacionalistas dentro do governo. Os abusos nos preços oligopolizados manipulados pela Bunge chegaram ao limite do suportável. Pintaria estatização para valer? 

Tentação eleitoral  

Pressionada pelo governo, a Vale do Rio Doce comprou a maioria das ações da Fosfertil, dominada pela Bunge, para que se possa explorar os minerais indispensáveis para a produção agrícola, no País, onde a multinacional dispõe de minas de fosfato e potássio que mantinham baixa produção, obrigando o país a sangrar-se em importações onerosas ao balanço de pagamento nacional.

Pressionada pelo governo, a Vale do Rio Doce comprou a maioria das ações da Fosfertil, dominada pela Bunge, para que se possa explorar os minerais indispensáveis para a produção agrícola, no País, onde a multinacional dispõe de minas de fosfato e potássio que mantinham baixa produção, obrigando o país a sangrar-se em importações onerosas ao balanço de pagamento nacional.

Essa possibilidade aumentaria, ainda mais, em ano eleitoral, quando o sentimento nacionalista despertado pelas descobertas do petróleo na região do pré-sal estimula discursos estatizantes, especialmente, em relação aos fosfatos e potássios, considerados minerais estratégicos para oferta da produção alimentícia. A possível estatização cresceu, principalmente, depois que o presidente Lula, no auge da crise financeira e econômica, irritou-se com a direção da Cia Vale do Rio Doce, resistente ao apelo presidencial por maior produção da empresa, a fim de ajudar o País a vencer a crise. Na disputa eleitoral em que a coalisão lulista pretende fazer comparações com o ex-governo FHC, a fim de, apresentando as duas administrações, ressaltar a vantagem comparativa que julga possuir, o tema nacionalização tenderia a ganhar destaque. Haveria tentativa de demonização da característica privatizante da Era FHC contra a essência nacionalista da Era Lula. Quem ganharia? Os nacionalistas, que pregam a criação de EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA, com o slogan de que A AGROENERGIA É NOSSA, repetindo a campanha do PETRÓLEO É NOSSO,  consideram, como é o caso do governador do Paraná, Roberto Requião, do PMDB,  indispensável a manutenção do poder do Estado sobre os minerais estratégicos. Potássio e fosfato estão nesse rol. Anualmente, o Brasil gasta cerca de 13 a 15 bilhões de dólares por ano para importar 24 milhões de toneladas correspondente ao consumo nacional. Os grandes fornecedores são a Rússia, Estados Unidos e Marrocos. Os preços variam com a demanda, mas o domínio multinacional manipula as cotações. Como a produção de alimentos requer os fosfatos e o potássio importados para correção do solo, ao mesmo tempo em que  degradam-no, garantir os dois produtos se transformou, para o país, problema de segurança nacional. 

Poderosos fundos de pensão 

Sergio Rosa, presidente da Previ, será homem forte dos fundos de pensão no controle da Vale para ingrementar a produção nacional de fertilizantes, para tentar diminuir a dependencia das importações que sangram o deficits em contas correntes e escravizam os agricultores sob o tacão das multinacionais fornecedoras de minerais fundamentais à produção agrícola

Sergio Rosa, presidente da Previ, será homem forte dos fundos de pensão no controle da Vale para ingrementar a produção nacional de fertilizantes, para tentar diminuir a dependencia das importações que sangram o deficits em contas correntes e escravizam os agricultores sob o tacão das multinacionais fornecedoras de minerais fundamentais à produção agrícola

No contexto internacional em que o país estará exportando menos, devido ao acirramento da concorrência global, e incorrendo em crescentes déficits em contas correntes, o peso da importação de fertilizantes se transforma em pesadelo para as contas nacionais. A jogada estratégica governamental de partir para a produção interna movimentará, extraordinariamente, os investimentos na exploração mineral. A Cia Vale do Rio Doce, avançando sobre o capital de uma multinacional dos fertilizantes, dá um colorido nacionalista ao setor, sem que haja estatização direta, mas branca, envolvendo os fundos de pensão oficiais. Evita-se, dessa forma, tremores políticos caso ocorresse fosse pura e simplesmente estatizada a Fosfértil. Por meio da Vale do Rio Doce, o Palácio do Planalto faz o serviço. O jogo inteligente da Bunge se expressou na antecipação de suas ações em abrir seu capital para a Vale. Sendo esta dominada pelos fundos de pensão estatais, sua associação com a Bunge significa a união desta com o próprio governo. O reflexo da transação milionária movimenta a bolsa e coloca em perspectivas altos negócios que elevarão os rendimentos dos acionistas ao mesmo tempo em que proporciona economia com importação, de um lado, e aumento de arrecadação, de outro. Evita-se a polêmica ideológica eleitoral  e somam-se pontos para a ação desenvolvimentista apoiada em riqueza mineral sob controle nacional. Não é uma estatização, mas quase, à moda lulista.