14 jan
2010Haiti traduz urgência por união global
Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 14-01-2010
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SANTA ZILDA ARNS. Missionária, mulher global, sorriso lindo e puro, imolada no sacrifício em nome da paz , da concórdia e da fraternidade, viúva, mãe de cinco filhos e de milhões de crianças pelo mundo afora, ela demonstrou aos líderes mundiais que a paz está ao alcance das mãos , desde que se abra o coração ao outro que é a extensão do ser em si na generalidade do semelhante, sem fronteiras, para o entendimento de uma só linguagem – a do AMOR.
SANTA ZILDA ARNS. Missionária, mulher global, sorriso lindo e puro, imolada no sacrifício em nome da paz , da concórdia e da fraternidade, viúva, mãe de cinco filhos e de milhões de crianças pelo mundo afora, ela demonstrou aos líderes mundiais que a paz está ao alcance das mãos , desde que se abra o coração ao outro que é a extensão do ser em si na generalidade do semelhante, sem fronteiras, para o entendimento de uma só linguagem – a do AMOR.
Seria mera coincidência a morte trágica da médica brasileira Zilda Arns, dedicada de corpo e alma à caridade humana, dentro de Igreja, enquanto dava sequência a sua missão humanitária, sucumbindo-se em meio aos milhares e milhares de mortos no violento terremoto que abalou a humanidade e a tirou do torpor sob crise econômica global, envolvendo a todos, ricos, pobres e remediados em um vendaval econômico, cujas conseqüências destrutivas ainda se encontram em marcha, abalando espíritos ambiciosos, egoístas, vaidosos, orgulhosos, niilistas, levando-os a um beco sem saída, capaz de levantar questionamentos indispensáveis quanto à adequada e necessária condução do destino humano na terra sob novas relações sociais, econômicas e políticas?
Assim como se mobilizam forças espalhadas por todos os países, movidas pelo mesmo espírito de caridade que embalava Zilda Arns, para coordenarem ajuda ao povo massacrado do Haiti, desgovernado por forças econômicas internas e externas que o sugaram e o impediram até agora de ganhar autonomia sobre seu próprio destino, condenando-o à condição de nação mais pobre e miserável da terra, da mesma forma, essa humanidade perdida e medíocre, que fez evaporar a riqueza mundial na especulação e na irresponsabilidade determinada pela ganância, não estaria necessitando de um esforço de união universal para coordenação da irracionalidade desenvolvida por si mesma em sua perdição materialista?
Estaria fora da união a salvação mundial, assim como não será possível ao Haiti conseguir se superar senão pela ajuda caridosa da solidariedade universal?
Os escombros sob os quais mais de 100 mil mortos e sobrevividos massacrados se esvaem em sangue aos olhos e sentimentos atônicos do mundo sinalizam ou não uma urgência moral, de modo a espantar o egoísmo global alargado pela sede de poder e lucro, impulsionados pela ciência e tecnologia colocados a serviço da produção e da sobreacumulação acapitalista, cujo resultado é a própria população do Haiti, onde a renda média é de, no máximo , dois dólares, incapaz de conferir dignidade ao ser humano?
Terá sido necessária uma sacudida violentíssima dessa natureza, como foi a que atingiu os haitianos, no embalo do tremor, na escala Richter de quase 8 graus, para sensibilizar os humanos, no sentido de que sua força é, realmente, sua fraqueza, se esta não for amparada, permanentemente, pelo espírito de solidariedade universal que embalava Zilda Arns, SANTA ZILDA ARNS?
Debalde, até agora, por causa da ganância especulativa sem fim, não foi possível aos humanos erguer organização social capaz de coordenar a produção global, a fim de evitar o que já começou a acontecer, em escala, por enquanto incontrolável: a do desabalado protecionismo comercial, no rastro da bancarrota financeira dos Estados Unidos, disseminando geral por todos os cantos da terra a sensação absoluta de insegurança, que, em outros tempos, não longínquos, produziu guerras fratricidas.
As reuniões multilaterais – multilateralismo indispensável – se multiplicam, mas o excesso de capital em mãos de poucos detentores estimula novas guerras econômicas, novas destruições, em busca de mais acumulação, potencializando placas tectônicas, tais quais as que se deslocaram no fundo da terra, para emergirem no Haiti, e sinalizando semelhnças de movimento entre a natureza terrestre e a natureza destrutiva do próprio capital.
Despertar da solidariedade
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Dor, desespero, agonia dos haitianos sensibilizam o mundo dividido em nome do lucro que destroi a sensibilidade e faz explodir a violência em contexto em que civilização se expressa na contradição entre igualdade jurídica correspondente à desigualdade social, clamando por solidariedade entre os povos, cuja emergência somente acontece quando algo mais forte que a frieza da racionalidade se impõe em forma de tragédia.
Dor, desespero, agonia dos haitianos sensibilizam o mundo dividido em nome do lucro que destroi a sensibilidade e faz explodir a violência em contexto em que civilização se expressa na contradição entre igualdade jurídica correspondente à desigualdade social, clamando por solidariedade entre os povos, cuja emergência somente acontece quando algo mais forte que a frieza da racionalidade se impõe em forma de tragédia.
Os estadistas se sensibilizaram. As imagens nos levam às lágrimas. O sorriso de anjo superior de Zilda Arns, acompanhado de suas palavras de que as necessidades do mundo estão relacionadas, igualmente, às exigências de maior solidariedade e amor, para se alcançar a paz por meio da ajuda ao próximo, representa a indicação sublime da racionalidade humanitária. Esta, naturalmente, se assenta na simplicidade da caridade.
A caridade universal, como disse SANTA ZILDA ARNS, é a salvação universal.
Os aviões se deslocam do norte para o sul e do leste para o oeste e vice-versa, cheios de mantimentos, médicos, assistentes sociais, profissionais de toda a natureza, medicamentos, materiais indispensáveis à ajuda dos que estão soterrados, mortos ou ainda vivos no Haiti. São como almas humanas caridosas deslocando-se no espaço, apressadas em prestar serviço humanitário que até agora faltou sob regime de normalidade.
Precisa emergir a anormalidade, os momentos trágicos, para que a natureza humana se sensibilize com a desgraça do outro. Sob a normalidade, predomina a violência, o roubo , a imoralidade, a anti-ética em nome da acumulação capitalista sem freio, que compra políticos e governos a preço vil, enquanto o outro é o estorvo universal de sempre.
O inferno, disse Sartre, são os outros. O ser outro em si mesmo, como ressaltou Hegel, só se deslumbra na desgraça. Os mineiros somente são solidários no câncer, como diz ditado popular.
Não se passa pela cabeça, em tempos de normalidade, que o outro é a generalização de nós mesmos, que a exploração econômica do outro é a nossa própria exploração de si, cega, faca amolada.
Ainda não se disseminou a crença de que o ser humano é um ser genérico, que o ser outro em si mesmo é a construção de si. Sobretudo, ainda, não se chegou às mentes mediocrizadas, de forma genérica, que é mais negócio dar do que receber etc.
Que fazer diante dessa ignorância de si senão balançá-la, violentamente, por meio de acontecimentos trágicos, tocantes, de modo uníssono, à sensibilidade universal, que, de outro modo, fica recolhida em sua mediocridade individualista, sem saber que a coletividade é o contrapolo necessário da unidade humana em si mesma ao lado de cada individualidade?
Nova Arca de Noé

Será que a humanidade entenderá dessa vez que a união para salvar uma nação é a mesma que deve ser realizada para construir um mundo novo não dividido pela ganância que estimula a divisão permanente dos povos em nome da sobreacumulação de capital que ameaça a estabilidade global?
O mega-especulador George Souros, em artigo pessimista, destacou que o caos financeiro seguirá em frente – como o caos haitiano sob escombros do terremoto – enquanto predominar o nacionalismo monetário, incapaz de perceber que a desregulamentação financeira global, responsável pelo terremoto econômico ainda insolúvel sob areia movediça, somente será superado por uma visão global, indispensável para promover a coordenação geral das necessidades de ricos, pobres e remediados, embalados pela decadência do dólar como equivalente geral que se autodestruiu na sobreacumulação de capital.

Será que a humanidade entenderá dessa vez que a união para salvar uma nação é a mesma que deve ser realizada para construir um mundo novo não dividido pela ganância que estimula a divisão permanente dos povos em nome da sobreacumulação de capital que ameaça a estabilidade global?









