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Chavez vira Lenin em ação

Categoria: (Cultura) por Cesar Fonseca em 29-01-2010

 

Chavez aprofunda o discurso socialista para vencer a crise econômico-financeira venezuelana decorrente da bancarrota global com a convicção de que a nova conjuntura internacional que fragiliza o capitalismo cêntrico, candidatando-o à condição de caloteiro, libere forças políticas renovadoras, impulsionadas pelo desemprego e pelas pregações políticas radicais que ele detona para fazer avançar as relações sociais frente às forças do capital em crise, sob controle do Estado.
Chavez aprofunda o discurso socialista para vencer a crise econômico-financeira venezuelana decorrente da bancarrota global com a convicção de que a nova conjuntura internacional que fragiliza o capitalismo cêntrico, candidatando-o à condição de caloteiro, libere forças políticas renovadoras, impulsionadas pelo desemprego e pelas pregações políticas radicais que ele detona para fazer avançar as relações sociais frente às forças do capital em crise, sob controle do Estado.

As eleições parlamentares de setembro na Venezuela prometem ser agitadas em meio à crise econômico-financeira que o presidente Hugo Chavez enfrenta, racionando energia, por escassez de oferta e diminuição dos investimentos relativamente ao consumo que aumentou com a melhor distribuição da renda, e desvalorizando a moeda. Com isso, eleva a inflação, os juros e desestabiliza socialmente, enquanto fecha tevês privadas que viraram partidos políticos oposicionistas depois de 2005. Naquele ano, omitiram-se nas eleições parlamentares, entregando as 167 cadeiras da Assembléia Nacional às forças chavistas, agrupadas no Movimento da Quinta República. Configurou-se, na prática, emergência de partido único, à moda leninista. Não se pode descartar a violência em meio ao câmbio sob controle governamental que coloca o meio empresarial sob domínio oficial , especialmente, a mídia, que , para importar equipamentos, papel etc, necessita recorrer ao governo.

O erro dos oposicionistas em 2005 foi brutal: não compareceram à disputa democrática. O presidente Chavez, claro, aprofundou suas propostas de mudanças à esquerda, totalizando  MAIORIA ABSOLUTA. Abriu-se espaço ao ABSOLUTISMO CONSTITUCIONAL DEMOCRÁTICO DE PARTIDO ÚNICO.

Os oposicionistas entregaram na bandeja a rapadura, ou seja, o que todo candidato a revolucionário pede: o poder total. Busca-o pelas armas, como a história demonstra. Chavez, cuja leitura política principal, nesse momento, conforme revelou, é o “Estado e a Revolução”, de Lenin, não precisou desse recurso. A oposição, rachada em suas forças tradicionais – AD , COPEI e outros – facilitou , isto é, deu-lhe o  comando político absoluto.

O líder soviético escreveu o livro no pique das mudanças revolucionárias, em cima de partido revolucionário, pregando sua existência absoluta e sua utilização para centralizar totalmente o poder e realizar, pela violência política, na União Soviética, o que considera fundamental: submeter ao controle do Estado o crédito e o comércio exterior, em primeiro lugar, para dispor da moeda e das transações cambiais como alternativa para evitar especulações e perdas bruscas do poder de compra da população. Lenin fez isso, destruindo a democracia burguesa. Chavez faz a mesma coisa com a própria democracia, sem oposição, omissa ao processo democrático.

No momento, Chavez corre, justamente, o perigo de perder o controle sobre a moeda e, consequentemente, a inflação. Tenta jogar as reservas cambiais para sustentar um dólar valendo 4,3 bolivares, moeda venezuelana, mas, no mercado paralelo, as transações estão sendo realizadas com 6 a 7 bolívares. Buraco grande. Provavelmente , como especulam os bancos, a inflação, em 2010, pode chegar aos 45% ou a 50%, no ritmo do descontrole cambial, comendo solto no mercado negro.

Nesse contexto, a fuga de capitais se intensifica. As estatizações do petróleo, do cimento, do aço e serviços de utilidade pública, mais os confiscos de produção alimentícias junto aos grandes grupos econômicos multinacionais, como a Cargil, que domina oligopolicamente o comércio de arroz, e outros grandes varejistas como a rede franco-colombiana Exito Hipermercado, estimulam os capitalistas a tal fuga de dinheiro do País. Mas, aplicariam onde, se a taxa de juro internacional é negativa, configurando eutanásia internacional do rentista? Deixariam seus investimentos na América do Sul, a nova rica do mundo, para ir para os paraísos fiscais onde , com o juro negativo, o prejuízo seria certo? A moeda nacional oscila selvagemente nas relações reais, ao largo do artificialismo cambial governamental. O dólar de Tio Sam, abalado pela crise mundial, encontra forças, na especulação, para detonar o  bolívar de Chavez .

Se o presidente jogar todas as reservas, atualmente, abaixo dos 30 bilhões de dólares, para salvar o bolívar contra o   ataque do dólar, provavelmente, secará o pote de ouro venezuelano. Chegará a esse ponto?

Ao longo da semana, sob pressão oposicionista em protesto por fechamento de canais de televisão privados por resistirem à lei que determina sejam divulgados os discursos do presidente da República e diante de rachas internos dentro do governo, com debandada de auxiliares importantes, como o vice-presidente e o presidente do Banco Central, que toma conta da moeda, evidenciou radicalização. Chavez avisou, em contrapartida, que pode aprofundar a política socialista. Militares comandam a política cambial, não os economistas.

Fuga de capitais e inflação em alta, conjugados com queda do preço do petróleo e tensões entre oferta e demanda em uma conjuntura econômica sem base industrial auto-sustentável, tudo dependendo das importações, eis o desafio gigantesco que enfrenta presidente Hugo Chavez. Detentor do poder absoluto, conferido pela Assembléia Nacional, pode jogar o jogo leninista, montando em partido único , constitucionalmente representado no parlamento, que lhe conferiu apoio à aprovação de 49 decretos para governar absolutamente sem a oposição. As cordas estão esticadíssimas.

Sob o influxo leninista implícito na proposta revolucionária contida em “O Estado e a Revolução”, que faz a cabeça do titular venezuelano, poderia pintar a emergência da versão soviética na Venezuela, nos moldes em que se deu o golpe de Estado na burguesia russa, em 1917, rompendo com as instituições burguesas democráticas venezuelanas?

Na Venezuela, até que pode se conjecturar que o presidente Chavez, com o seu discurso bolivariano libertador, poderia pegar nas armas para mudar o contexto político, a fim de valer a sua pregação revolucionária ancorada em Bolívar, que caminha para o leninismo. Mas, não seria necessário. A oposição colaborou. 

  Oposição traiu o povo  

A pregação leninista requer avanço do Estado sobre o crédito e o comércio exterior para tentar organizar a produção e o consumo sob orientação socialista, pois, de acordo com o credo de Lenin, nas crises globais avançam as anarquias financeiras capitalistas que detonam o poder de compra popular em face das oscilações monetárias, propiciando, sob medo popular da falência, o avanço do discurso socialista internacional.
A pregação leninista requer avanço do Estado sobre o crédito e o comércio exterior para tentar organizar a produção e o consumo sob orientação socialista, pois, de acordo com o credo de Lenin, nas crises globais avançam as anarquias financeiras capitalistas que detonam o poder de compra popular em face das oscilações monetárias, propiciando, sob medo popular da falência, o avanço do discurso socialista internacional.

Os oposicionistas presentearam o presidente dando-lhe a Assembléia, o poder constitucional, como forma infantil de protesto contra a maneira com que Chavez passou, via democracia plebiscitária, a governar, depois de 2002, quando sofreu o golpe articulado por políticos e militares com ajuda da Casa Branca. Traíram as instituições democráticas ao renunciarem à disputa eleitoral em 2005. Criaram as condições para surgimento da democracia absolutista de partido único, inaugurando etapa história em que se poderia fazer revolução com consentimento da oposição ausente. Fragilizada e acuada pelas pressões populares, depois do golpe que manobrou, em 2002, para derrubar o presidente, fugiu do pau.

Pode se afirmar, então, como analistas venezuelanos relativamente isentos destacam, que a política na Venezuela se divide entre Antes de 2002 e Depois de 2002. Conseguindo avançar mediante consultas democráticas diretas à população, o presidente foi encantoando os oposicionistas, infringindo-lhes seguidas derrotas, até que decidiram que omitir poderia representar ato de resistência política ao avanço bolivariano chavista, chancelado nas urnas. Lascaram-se e, consequentemente, prejudicaram o processo democrático, na sua essência fundamental de estabelecer contrapesos político-partidários etc, ou seja, o jogo político burguês.

Nasceu o partido único ideológico chavista , graças aos oposicionistas. E o partido único, sem precisar chegar ao poder pelas armas, alcançou-o, absolutamente, pelo voto em Chavez, favorecido pela ausência da oposição no pleito.

Com o poder constitucional absoluto, o presidente Chavez se dispôs a acelerar as mudanças de forma mais radical. Tirou o poder das forças tradicionais, omissas no processo eleitoral. Repassou-o , com a ajuda do dinheiro farto do petróleo,  às forças comunitárias, em forma de prioridade política ao combate às desigualdades sociais. Rompeu e enterrou os pactos de elite, vigentes desde o final dos anos de 1950 em diante. Liberou as forças do mandonismo político tradicional e instaurou nova ordem.

Nesse ambiente, os partidos políticos da oposição, sem trincheira na Assembléia, pois a ela se renunciou, burramente, transferiram-se para nova trincheira, a grande mídia. Esta, que apoiara o golpe contra Chavez em 2002, inconformada com a derrota eleitoral de 1998 e a mudança do discurso presidencial rumo à pregação socialista, joga como partido político direto por cima da própria oposição institucionalmente fracassada.

 Guerra midiática

A burguesia, que tentou o golpe constitucional contra Chavez, em 2002; que abandonou sua trincheira de luta, as eleições, em 2005, e, agora, guerreia pela mídia privada, que se transforma em partido político, tenta voltar à cena, mas suas forças estão desorganizadas e a Casa Branca sob Obama não é a Casa Branca sob W. Bush para sustentar os Pedro Carmona. Ou é?
A burguesia, que tentou o golpe constitucional contra Chavez, em 2002; que abandonou sua trincheira de luta, as eleições, em 2005, e, agora, guerreia pela mídia privada, que se transforma em partido político, tenta voltar à cena, mas suas forças estão desorganizadas e a Casa Branca sob Obama não é a Casa Branca sob W. Bush para sustentar os Pedro Carmona. Ou é?

Na Venezuela os partidos políticos oposicionistas são os meios de comunicação e os jornalistas, efetivamente, os políticos, depois que deixaram o parlamento na mão do presidente, sem resistências.

Se a oposição, sem representação na Assembléia, se retirou para as redações dos jornais, Chavez, naturalmente, buscou o oposto: criou sua própria redação. Tese e Antítese.

ALÔ, ALÔ, PRESIDENTE! Programa dominical estatal passou a ser a comunicação direta de Chavez com as massas. Atualmente, a comunicação estatal se expressa em 34 emissoras de TV, 500 estações de rádios comunitárias, jornais de circulação regional e nacional e agência de notícias. Oligopólio midiático estatal para enfrentar o oligopólio midiático privado, que atua como partido oposicionista no vácuo da sua ausência no parlamento. As massas jamais puderam dar seu recado. Pela mídia comunitária abundante, alavancam os movimentos sociais que atuam como ponta de lança da organização política socialista. Avança clara luta de classes.

Como os legisladores, no Congresso, são maioria absoluta constitucional chavista, eleita no rastro da omissão oposicionista, a legislação nascida dessa representação absolutista-unitária somente poderia ser forçosamente expressa em legislação unitária-absolutista. Ordem unida absoluta contra a oposição, alinhada na trincheira do poder midiático privado.

 A legislação configurada pela maioria chavista encabrestou a mídia para dar espaço ao noticiário do presidente, que fala horas e horas para a população, dominicalmente. Resistir à palavra do presidente seria, portanto, resistir à lei, aprovada pela maioria governamental, já que a oposição, no parlamento, inexiste. Se não se obedece a lei, torna-se ilegal. A tribuna midiática privada virou ilegalidade no jogo do domínio político de partido único. Leva chumbo grosso.  

Não há mediação política no País. Há, sim, radicalização total. De um lado, a mídia privada; do outro, a mídia estatal, que não pode ser chamada de mídia pública, na acepção da palavra, em meio ao contexto radicalizado, como demonstrou a competente reportagem do jornalista Cláudio Bojunga e do cinegrafista José Araripe Junior no Canal OI – Observatório da Imprensa, na TV Brasil, apresentado por Alberto Dines, sobre o perfil midiático venezuelano como tradução política fundamental da Venezuela, para além dos partidos.

Há frontalidade brutal, no momento em que se abre a campanha eleitoral parlamentar para as eleições de setembro. Governo e oposição estão entrincheirados em suas respectivas redações.  Confronto psico-social explícito, agressivo, totalmente, incompatibilizado.

Com as paixões acesas, os oposicionistas, de um lado, tentam consertar a mancada histórica, fazendo campanha política pelos jornais e tevês, já que os partidos se desestruturam na ausência da prática democrática. Já os governistas, do outro lado, de posse de conquistas legais alcançadas por maioria parlamentar absolutista, tentam manter o absolutismo parlamentar de partido único que tem permitido avanço político que em outra conjuntura somente seria possível pelas armas. A radicalização chavista decorre da fuga burra da oposição à luta democrática.  

Revolução constitucional

As ruas esquentam os tamborins da política para disputar as eleições parlamentares em setembro; ganhará a oposição, que está desestruturada e desacreditada por ter abandonado a luta legislativa?; ou vencerão as forças chavistas, para aprofundar a proposta socialista, favorecida pela ampliação do poder estatal, tendo como ancora as reservas de mais de 500 milhões de barrista de petróleo, bombeadoras de programas sociais distributivistas?
As ruas esquentam os tamborins da política para disputar as eleições parlamentares em setembro; ganhará a oposição, que está desestruturada e desacreditada por ter abandonado a luta legislativa?; ou vencerão as forças chavistas, para aprofundar a proposta socialista, favorecida pela ampliação do poder estatal, tendo como ancora as reservas de mais de 500 milhões de barrista de petróleo, bombeadoras de programas sociais distributivistas?

O absolutismo democrático chavista é absolutamente legal, constitucional. A base dessa legalidade é a representação democrática  governista, que trabalha sem ter a oposição como objeto de resistência no parlamento. A burguesia venezuelana renegou seu próprio instrumento de luta. Traiu o povo. Chora o leite derramado.

O que Lenin aprofundou, ou seja, a revolução do partido único CONTRA e SEM o parlamento, em 1917, instaurando o poder bolchevique, Chavez  o faz COM o parlamento, constitucionalmente.

A tarefa de Chavez, portanto, está sendo a de aprofundar o domínio do partido único governista mediante legalidade constitucional. Quem deu o golpe: Chavez que ganhou a eleição ou a oposição que fugiu dela?

Depois do golpe de 2002, Chavez caminhou nesse sentido, no da oligopolização midiática, de forma paulatina, em nome do interesse público, porque tal interesse, naquele ano, foi rompido, pelo engajamento do oligopólio midiático privado nas fileiras do golpismo político explícito.

Até quando durará o absolutismo democrático Venezuelano? A crise econômica entrou em cena para ajudar a oposição. Ou não. Caso ocorra o que analistas internacionais proclamam, que a crise se aprofundará nos países ricos, ou seja, no centro do capitalismo, excessivamente, endividado, detonando desemprego e calotes gerais, as contradições poderão estourar no plano político global, abrindo novas eras de mudanças.

Pra frente ou para trás viriam as transformações? Democracia parlamentar fortalecida ou enfraquecida? Democracia direta? Socialismo? Ditadura?

Essencialmente, os oposicionistas venezuelanos – que lançaram mão do golpismo apoiado pelo governo americano – lutam para conquistar o poder, porque pretendem, naturalmente, dominar a fantástica riqueza expressa no petróleo, cujas reservas, na Venezuela, são para mais de 500 bilhões de barris, conforme vieram ao ar, recentemente, notícias alvissareiras.

O poder econômico conferido pelo petróleo daria oportunidade a Chavez, no governo, mediante absolutismo constitucional, sob partido único, continuar gastando para elevar a renda interna, que reduz o poder dos grupos dominantes, concentradores da renda nacional, avançando com as conquistas populares, rumo ao socialismo  no embalo da leitura de “O Estado e a Revolução”.

Se os oposicionistas conseguirem barrar Chavez no Congresso, em  setembro, as reformas radicalizadas se arrefeceriam?

Os rachas internos no governo nos últimos dias, indicando diminuição de poder de grupos rivais dentro da máquina governamental, para dar lugar a novos grupos e novos interesses chavistas, interessados em aprofundar as mudanças rumo a uma proposta socialista, indicam as dificuldades das manobras políticas absolutistas respaldadas democraticamente no parlamento.

Os desdobramentos, certamente, serão dados pelos próprios venezuelanos, que irão às urnas em setembro, se não houver algum golpe pelo caminho, envolvendo forças internas e externas, em contexto internacional de crise capitalista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Chilenização sucessória lulista à vista

Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 27-01-2010

Ciro cruzou o caminho da coalizão governamental dividindo suas forças, mas não agiu sozinho, porém, estimulado pelo próprio presidente da República, que, agora, embaralhado pelo monstro que criou, não sabe desmontar suas peças, a não ser a custa de muitos ressentimentos à vista, certamente, favoráveis ao adversário de Dilma Rousseff, o governador José Serra.

Ciro cruzou o caminho da coalizão governamental dividindo suas forças, mas não agiu sozinho, porém, estimulado pelo próprio presidente da República, que, agora, embaralhado pelo monstro que criou, não sabe desmontar suas peças, a não ser a custa de muitos ressentimentos à vista, certamente, favoráveis ao adversário de Dilma Rousseff, o governador José Serra.

O PMDB e o PSB estão protagonizando os primeiros passos da chilenização política sucessória do presidente Lula ao darem tiros para todos os lados, enquanto o PT vai organizando candidaturas dentro do espírito essencialmente petista, de jogar sozinho no primeiro turno, para fazer composições no segundo.  A desarticulação da coalizão governamental , nesse instante, é total.

O maior aliado governista , o PMDB, está inquieto, e o aliado mais problemático, o PSB, joga para fazer valer sua ousadia, para marcar posição, pois não há outra forma de se crescer em política a não ser abrindo controvérsias, emulando as paixões etc. No centro do palco controverso sucessório, do lado do PMDB, está a indefinição partidária quanto ao candidato peemedebista que ocupará a  vice-presidência  na cabeça de chapa com Dilma Rousseff, a candidata petista, preferida do titular do Planalto.

O presidente da Câmara, Michel Temer, está sendo rifado pelo PT. Não agregaria votos para Dilma, dizem os petistas. Quem dá razão a eles é o próprio Temer. Em entrevista no Valor Econômico, o parlamentar peemdebista paulista reconhece que não cuida da micro, mas da macro-política. Não suja os sapatos na lama em busca do eleitor. Faz as jogadas estratégicas. Tem dado certo, garantindo seus mandatos por SP. Mas, seria suficiente para ajudar Dilma a macro ou a micro política, em campanha presidencial?

Nacionalismo com salário mínimo forte para formar mercado interno forte e discurso nacional influente na cena internacional em que o capitalismo nos países cêntricos estão abalados pela bancarrota financeira americana e européia, eis o discurso de Requião para sustentação da moeda nacional na nova divisão internacional do trabalho ao mesmo tempo em que engajaria no fortalecimento da união sul-americana, ancorado nas riquezas potenciais continentais, das quais dependem a manufatura global.

Nacionalismo com salário mínimo forte para formar mercado interno forte e discurso nacional influente na cena internacional em que o capitalismo nos países cêntricos estão abalados pela bancarrota financeira americana e européia, eis o discurso de Requião para sustentação da moeda nacional na nova divisão internacional do trabalho ao mesmo tempo em que engajaria no fortalecimento da união sul-americana, ancorado nas riquezas potenciais continentais, das quais dependem a manufatura global.

Em torno dessa dúvida, os desentendimentos se aprofundam. A rejeição lulista a Temer ajudaria os peemedebistas a buscarem outra acomodação alternativa? Pintaria o verdadeiro desejo do presidente Lula de ter o ministro Hélio Costa, das Comunicações, como o vice ideal para Dilma, como destaca o repórter Raymundo Costa, do Valor? Não há, por enquanto, radicalismo à vista. O PMDB é igual a macaco hermafrodita. Quer é gozar. Talvez pesquisas sejam os indicadores para afastar ou aproximar. Não se sabe. Os espíritos não estão alinhados. Ao contrário, avançam em pique de revoluções artísticas, ou seja, diversos pontos de vista, diversos gêneros e tendências entram em cena, embaralhando geral.

Não só isso. O PMDB não apenas dispõe de varias tendências para busca de composições, mas, igualmente, tenta emplacar candidatura própria, dependendo do andar da carruagem das contradições em marcha. Tendência partidária forte, independente, avança na região sul e sudeste, de São Paulo para baixo.

São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e, no Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e Goiás apresentam ramificações peemedebistas de todas as ordens. Umas estão alinhadas com o PT; outras, com o PSDB, e, enfim, emerge o próprio PMDB com candidatura própria.

Socialismo temperado de capitalismo distribuidor de renda, comandado por discurso empresarial, para fortalecer a produção, que se encontra ameaçada pela estratégia financeira especulativa neoliberal que confere privilégio total à bancocracia no país na condução da política econômica - eis os movimentos do governador pernambucano, que, com Requião, racha a coalizão governamental na sucessão.

Socialismo temperado de capitalismo distribuidor de renda, comandado por discurso empresarial, para fortalecer a produção, que se encontra ameaçada pela estratégia financeira especulativa neoliberal que confere privilégio total à bancocracia no país na condução da política econômica - eis os movimentos do governador pernambucano, que, com Requião, racha a coalizão governamental na sucessão.

É o caso do governador nacionalista Roberto Requião, do Paraná. Sua bandeira, no momento, chama-se PRÉVIAS DEMOCRÁTICAS. Trata-se da estratégia que virou lei na Argentina. Antes das eleições gerais, prévias nacionais e simultâneas, com a liberdade de o eleitor votar na indicação dos candidatos, sendo ou não filiados aos partidos, de modo que o escolhido previamente já dispõe, automaticamente, do aval eleitoral forte, com ficha limpa, adquirida na confiança comunitária.

Requião, com a bandeira das prévias, junta o PMDB do Sul e Sudeste. Ao lado das prévias, ele emerge como o governador que paga o mais alto salário mínimo do país, R$ 780, prometendo universalizá-lo no território nacional. Nasce novo Jango Goulart, que, como ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, triplicou, em 1954,  o salário mínimo, transformou-se em vice-presidente e, depois, presidente deposto em 1964 pela ditadura, apoiada por Washington.

Requião estaria jogando duplamente, forçando candidatura à presidência, para ganhar uma candidatura à vice-presidência, deslocando Temer? Linha super-nacionalista Dilma-Requião? Ou seja, o PMDB que vai se formando no Sul e no Sudeste é o oposto do PMDB que vigora no Nordeste e Norte, ainda, comandado por coronéis, tipo senadores Renan Calheiros(AL), José Sarney(AP), e deputado Henrique Alves(RN) etc. Temer, do sul, teria, dentro do partido, chances se tivesse mais o apoio do Norte-Nordeste do que do sul, ou vice-versa, ou corre perigo no  meio das duas correntes, que , ainda carecem de maiores definições?

Socialismo empresarial

A classe empresarial busca sua representação política para fazer valer o discurso da produção que perdeu pique para o discurso da especulação bancocrática, dominante no cenário da macroeconomia a partir do privilégio que conquistou no ambiente constitucional, onde os recursos orçamentários são assegurados ao pagamento dos juros enquanto todos os demais setores produtivos são obrigados a contingenciar-se para satisfazer cláusula pétrea bancocrática.

A classe empresarial busca sua representação política para fazer valer o discurso da produção que perdeu pique para o discurso da especulação bancocrática, dominante no cenário da macroeconomia a partir do privilégio que conquistou no ambiente constitucional, onde os recursos orçamentários são assegurados ao pagamento dos juros enquanto todos os demais setores produtivos são obrigados a contingenciar-se para satisfazer cláusula pétrea bancocrática.

Complementa o quadro de racha da coalizão a posição dúbia do presidente do PSB, o governador de Pernambuco, neto de Miguel Arraes, Eduardo Campos. Entre a pressão do presidente Lula, de um lado, interessado, sobretudo, no realinhamento das forças governistas, para não dançar como dançou Michele Bachellete, no Chile, e do seu partido, de outro, interessado em ganhar musculatura no cenário nacional com a candidatura do deputado Ciro Gomes, o governador pernambucano balança como pêndulo nervoso.

 Ciro não diz nem sim nem não à candidatura presidencial. Teria sido incensado nesse sentido pelo próprio presidente da República, para sair candidato ao Palácio dos Bandeirantes ou ao Palácio do Planalto? O deputado cearense, nascido em São Paulo, pulou de cabeça no abismo. Transferiu seu título para a terra bandeirante, disposto a jogar no retorno ao útero materno. Mostra-se como cadáver insepulto.

Os petistas rechaçaram candidatura Ciro ao Palácio dos Bandeirantes e, agora, Lula rechaça a possibilidade dele se candidatar ao Planalto. Sem escada e com a brocha na mão, Ciro é o personagem do ridículo, pura ejaculação política precoce. Quem vai botar o guizo no pescoço do gato? Eduardo Campos ou Lula?

O presidente do PT-SP reagiu como verdadeiro ditador a dizer o que é certo e o que é errado em matéria de liberdade política, negando o direito empresarial de disputar sua representação política, considerando tal pretenção absudo fora de propósito. A representação do trabalhador para chegar à presidência pode; a do empresário, não. Negou a realidade chilena, que se expressa na vitória de Sebastian Pinera. A provocação petista seria puro medo.

O presidente do PT-SP reagiu como verdadeiro ditador a dizer o que é certo e o que é errado em matéria de liberdade política, negando o direito empresarial de disputar sua representação política, considerando tal pretenção absudo fora de propósito. A representação do trabalhador para chegar à presidência pode; a do empresário, não. Negou a realidade chilena, que se expressa na vitória de Sebastian Pinera. A provocação petista seria puro medo.

Dificilmente, o governador pernambucano faria uma coisa dessa. Ao contrário, pelo que tudo indica, ele joga para frente, tentando aprofundar divisão das forças governistas. O aval que ele deu à candidatura do empresário Paulo Skaf, da Federação das Indústrias de São Paulo(FIESP), ao governo paulista pelo PSB, sinaliza disposição dos socialistas buscarem uma representação empresarial e faturar o prestígio político que uma nova esquerda socialista, com tonalidade capitalista, obteria.

Incompreensivelmente, ou melhor, freudianamente, compreensível, o presidente do PT paulista, Edinho Silva, considerou “inabilidade brutal”, o lançamento político de Skaf. Por que brutalidade inábil? Os empresários não teriam o direito de buscar sua representação política, como os empresários chilenos buscaram ter a sua, na figura de Sebastian Pinera, vitorioso na eleição presidencial chilena, colocando a direita no poder?

Preconceito contra os empresários foi o que revelou Edinho Silva, tentando negar a legimitidade da classe empresarial de participar do jogo democrático. Contradição dialética: se os trabalhadores, como categoria social, tiveram a chance de ganhar o poder com Lula, por que os empresários se tornam brutalmente insensíveis quando busca o mesmo caminho?

A sucessão 2010 lança, portanto, no cenário político a disputa capital-trabalho em busca do espaço democrático. Os empresários estariam no jogo político, certamente, para equilibrar, no plano parlamentar, o predomínio absoluto do pensamento da bancocracia neoliberal, que conseguiu inserir na Constituição o artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b, que dá prioridade total ao interesse dos bancos, garantindo-lhes o pagamento dos serviços da dívida pública como causa pétrea, enquanto os demais setores da vida nacional, que dependem dos investimentos públicos, são passíveis de contigenciamentos intermitentes, dos quais a banca está , constitucionalmente, livre. Privilégio bancocrático neoliberal garantido pelo poder neorepublicano.

Os petistas estão rifando Temer. O PMDB concordará? Acomodará a essa pressão, buscando outro candidato que não fosse Requião, para compor os interesses dos peemedebistas do Norte e do Nordeste, que temem a pregação nacionalista do governador paranaense, ou baterão pé, ameaçando bandearem-se para José Serra?

Os petistas estão rifando Temer. O PMDB concordará? Acomodará a essa pressão, buscando outro candidato que não fosse Requião, para compor os interesses dos peemedebistas do Norte e do Nordeste, que temem a pregação nacionalista do governador paranaense, ou baterão pé, ameaçando bandearem-se para José Serra?

Os homens da produção foram relegados a segundo plano pelos homens da especulação. Como foram estes que levaram o capitalismo global ao colapso, a emergência política empresarial seria a busca de uma reversão dos privilégios de classe ou uma brutalidade insensível? Onde estaria a insensibilidade brutal dos empresários quando buscam a representação político partidária?

Conjunturalmente, no processo eleitoral, em seus passos já avançados, os governadores de Pernambuco e do Paraná se transformam em duas pedras pontudas no sapato bico fino de Dilma Rousseff. Ambos dificultam a pretendida união governista, rachando a coalizão governamental, abrindo o espaço para a chilenização sucessória lulista.

Lula quer rachar MG, hoje, dominada pelo PSDB, sob Aécio, lançando Hélio Costa vice de Dilma, mandando as pretensões de Temer para o espaço. Abriria oportunidade para Patrus Ananias nas Gerais, montado no cavalo Bolsa Família. Uniria o PMDB?

Lula quer rachar MG, hoje, dominada pelo PSDB, sob Aécio, lançando Hélio Costa vice de Dilma, mandando as pretensões de Temer para o espaço. Abriria oportunidade para Patrus Ananias nas Gerais, montado no cavalo Bolsa Família. Uniria o PMDB?

Resta saber se, com as cordas da divisão esticadas, sob patrocínio do PSB e do PMDB, o governo Lula, para pacificar os ânimos gerais dentro da coalizão, tornando-a forte sob ordem unida, teria que compor a vice presidência com Dilma entre três ou quatro opções: ou Dilma-Requião ou Dilma-Skaf ou Dilma-Ciro ou Dilma-Costa.

O fato é que as controvérsias e os grupos de interesses que racham a coalizão governamental, enquanto a oposição parece unir-se em torno do governador José Serra, sinalizam guerra sucessória semelhante à que rolou no Chile.

Sem unidade , a candidatura Dilma correria mais perigo, ou o apoio de Lula bastaria, para além dos rachas partidários dentro da base governista?

O NIILISTA MEDROSO

Categoria: (Cultura) por Ariosto Teixeira em 26-01-2010

Poeta, jornalista, cientista político, gremista, gaúcho de Santana do Livramento, casado com Solange, jornalista, dois filhos, Diogo e Manuel, craque na análise política,  vivacidade total no jornalismo, amante da canoagem, do jazz, de Chet Baker, das mulheres etc, Ariosto Teixeira(1953-2010) sai da vida expulso pela hepatite, mas entra na esfera do imaterial livre para dar prosseguimento a sua beleza interior em toda a sua pureza do seu olhar translúcido, livre dos condicionamentos impostos pelo incômodo da matéria, que, sendo idéia que é pura energia expressa em eletricidade, sequer existe, segundo estudiosos da física avançada, aproximando-se dos místicos. Uma coisa é certa, demonstrada pelo poema: ele não tinha medo da morte porque acreditava na vida-morte-vida que é idéia, que é energia, que é eletricidade, que é matéria/anti-matéria, configurando o ser e o nada no mesmo momento em que se é e que se não é. Adeus, Ariosto, beijo grande. Dê um abraço no Jamil. Todos hoje à noite no Martinica para homenagear essa figura linda.(CF)

Poeta, jornalista, cientista político, gremista, gaúcho de Santana do Livramento, casado com Solange, jornalista, dois filhos, Diogo e Manuel, craque na análise política, vivacidade total no jornalismo, amante da canoagem, do jazz, de Chet Baker, das mulheres etc, Ariosto Teixeira(1953-2010) sai da vida expulso pela hepatite, mas entra na esfera do imaterial livre para dar prosseguimento a sua beleza interior em toda a sua pureza do seu olhar translúcido, livre dos condicionamentos impostos pelo incômodo da matéria, que, sendo idéia que é pura energia expressa em eletricidade, sequer existe, segundo estudiosos da física avançada, aproximando-se dos místicos. Uma coisa é certa, demonstrada pelo poema: ele não tinha medo da morte porque acreditava na vida-morte-vida que é idéia, que é energia, que é eletricidade, que é matéria/anti-matéria, configurando o ser e o nada no mesmo momento em que se é e que se não é. Adeus, Ariosto, beijo grande. Dê um abraço no Jamil. Todos hoje à noite no Martinica para homenagear essa figura linda.(CF)

Às vezes você se pergunta

Olhando o rosto no espelho

Se o reflexo é verdadeiro

Ou se a verdade é o corpo

Parado no meio do banheiro

 

Você acha que sabe bem o que é

Você acha que sabe bem o que quer

Você acha que sabe quem você é

 

Mas você sente medo

Medo de não ser você no espelho

Medo de ser mero reflexo

Do outro que consigo parece

 

Você não tem medo de sexo

Você gosta de sexo

Você sonha com sexo

Você procura fazer muito sexo

 

Sexo à distância

Sem beijo sem fluido

Higiênico e sem lirismo

Seguro como sexo com prostituta

Você de frente ela de costas

Ela por cima de costas

Você por baixo de costas deitado

 

É que você tem medo

Do ataque de um vírus complexo

Medo de gravidez

Medo de se apaixonar irremediavelmente

Medo de perder o controle

Medo de assumir o controle

Medo de que tudo enfim faça nexo

 

Você acende e apaga o cigarro

Com medo de pegar câncer de pulmão

Medo de apagar a luz

Medo de acender a luz

Medo de desligar o alarme

Medo de abrir o portão

Medo de ladrão policial pivete

Medo de colisão

De atropelamento

De ataque do coração

 

Medo de padre

Da certeza cristã absoluta

Da democracia liberal

Da esquerda latina

Medo da nova direita francesa

Medo do presidente americano

Medo da falta de medo do terrorista muçulmano

Medo de ser fragmentado por um raio da Al Qaeda

 

Medo da China capitalista

De milho transgênico

De buraco negro

De carne vermelha

Medo da falta de limite da física quântica

Do aquecimento global

Da inteligência artificial

De velocidade acima do permitido

De remédio de quinta geração

Da globalização

Do fim da globalização

Da falta de sentido

 

Medo de que Deus provavelmente não exista

De não haver outra vida

Você tem medo de ficar sozinho

Sem ninguém nem final feliz

 

Ah mas você confia no amor

O terno e doce amor

Do homem pela mulher

Do homem por outro homem

Da mulher por outra mulher

Do homem pelos animais

Da humanidade pela natureza

Você confia no amor das criancinhas

 

Você pensa nessas coisas

E por um instante

Acha que nada está perdido

Que o amor salvará o mundo

O amor romântico como no cinema

Como em um soneto de Shakespeare

Apesar da podridão no reino terrestre

 

Mas quanto tempo dura o amor

Antes de se dissolver em tédio

15 minutos uma tarde inteira uma noitada?

 

Você odeia sentir isso assim tão sentimentalmente

Mas é impossível ser de outro modo

É preciso agarrar-se a algo

Não ter medo de que o vazio

Tenha se espalhado em todos os quadrantes

 

O fato indiscutível é que você tem medo

Medo muito medo

De ficar vivo durante o inverno nuclear

 

Você principalmente tem medo

Do que um dia vai fazer

Quando ao anoitecer

O seu rosto tiver desaparecido do espelho do banheiro

 

 x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

 

 Ariosto
            In memoriam
 
Luiz Martins da Silva
 

Eu o conheci,
Ao tempo em que contava
Histórias do charque
E do chimarrão.
 
Eu o conheci,
Nas lides da lira,
Nas militâncias gerais
E da profissão.
 
Eu o conheci,
Também no por vez
Do mais conhecível das pessoas,
Que é quando olham nos olhos.
 
Eu o conheci, nas palavras do amigo,
Na estirpe do poeta-fidalgo,
Sócio-fundador da Ordem
Dos Cavalheiros Meigos.
 
Achava-lhe engraçado o nome
Que o trocava por Aoristo,
Esse misterioso tempo antiverbo,
Mas que impregna conjugações de doçura.
 
És, agora, tempo passado:
Encomendas de saudades,
Que já se precipitam muito antes
De vencer-se o reembolso postal.
 
Agora, meu caro vate,
Faço-o símbolo, signo, selo
De amizade selada,
Colada, carimbada, tchê.

 

 

 

 

 

Neonacionalismo eleitoral em campanha

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 25-01-2010

Nasceu com ela a idéia da fusão oligopólica entre a Petrobrás e a Odebrecht. A criação da gigante petroquímica Braskem, união Petrobrás-Odebrech, entra na cena mundial como personagem brasileiro que desja acontecer no século 21 no concerto das nações. Tarefa para uma mulher presidente? Parece ser essa a ambição de Dilma, que sai com sua bandeira nacionalista sul-americana para enfrentar José Serra, tendo como âncora a popularidade do presidente Lula. Discurso forte em campanha.

Nasceu com ela a idéia da fusão oligopólica entre a Petrobrás e a Odebrecht. A criação da gigante petroquímica Braskem, união Petrobrás-Odebrech, entra na cena mundial como personagem brasileiro que desja acontecer no século 21 no concerto das nações. Tarefa para uma mulher presidente? Parece ser essa a ambição de Dilma, que sai com sua bandeira nacionalista sul-americana para enfrentar José Serra, tendo como âncora a popularidade do presidente Lula. Discurso forte em campanha.

Fato político e econômico estrondoso que ocorre em início da disputa eleitoral. Descortinou-se como propaganda forte de campanha política, apoiada no nacionalismo, a materialização da proposta da ministra Dilma Rousseff, quando titular do Ministério das Minas e Energia, de fusão da estatal Petrobrás com a privada Odebrecht, na formação do conglomerado petroquímico público-privado, expresso na Braskem, cujo faturamento alcançará R$ 25,8 bilhões, produzidos por 26 fábricas com capacidade de transformar 5,5 milhões de toneladas de resinas termoplásticas – o mundo dos plásticos, das fibras sintéticas, que permeiam dezenas de atividades petroquímicas e um consumo per capita nacional de 27,5 kg. Os plásticos inundam a humanidade. Agora, no Brasil, vira oligopólio público-privado. Cria-se conglomerado com poder de competição global entre as dez maiores fabricantes do mundo, conforme excelente matéria no jornal O Estado de São Paulo, sábado, 23.

Eis o modelo de economia para o País, a partir de proposta nacionalista, que o Governo Lula , por meio da Petrobrás, joga no mercado eleitoral para bombar a candidatura Dilma Rousseff , adversária, provavelmente, do tucano governador José Serra, de São Paulo. A negociação se estendeu por todo o ano passado, para concluir no início do ano de eleição presidencial. Jogo bruto, que determina novo caminho do Brasil no cenário global, na formação de grandes grupos nacionais, aliados ao Estado, para dominar a cena internacional. Na prática, a fusão PETROBRÁS-ODEBRECH, que engoliu o Grupo Unipar, da família Paulo Geyer, dominante durante mais de 60 anos, no mercado, dá a dimensão total da nova estratégia econômica nacional, a ser administrada pela candidata lulista, caso seja eleita, configurando, por intermédio de ação política da mulher brasileira no poder, voz de comando nacional na macroeconomia global.

 No último ano do governo Lula, vai ficando cada vez mais clara a opção nacionalista lulista que Dilma herdaria, se eleita, disposta a jogar pesado na conformação de um capitalismo oligopolizado, na divisão das forças econômicas privadas e estatais. Seria o nacionalismo econômico a estratégia para enfrentar os concorrentes mundiais em cenário onde a competição global tende a acirrar-se intensamente.  Reverte-se processo privatizante que tinha tomado rumo na Era FHC, quando o Grupo Unipar comprou, nos anos de 1990, participações da Petrobrás em diversas atividades da segunda e terceira geração de produção petroquímica. Ficara, na ocasião, com a Petrobrás, apenas, a produção de petróleo. O gás e a nafta, matérias primas destinadas à produção das resinas termoplásticas, passaram para a iniciativa privada. Na grande crise global de 2008, a Unipar tentou dar passos mais largos, montando o conglomerado petroquímico da Quattor. Não deu conta do recado. A bancarrota financeira global pôs areia no negócio e os lucros esperados não realizaram, desestabilizando o projeto privado. Agora a estatal, que com a Unipar figurava como sócia minoritária na Quattor, ganha dimensão dominante, ampliando sua participação efetiva na produção do petróleo e nas produções de segunda e terceira geração, oligopolizando geral. Configura-se uma tendência econômica olipolizada no final da Era Lula, prometendo aprofundar-se com Dilma Rousseff, eventualmente, vitoriosa em outubro. Teria outra saída racional, quando o setor privado é insuficiente para tocar negócio, sendo candidato a ser engolido pelos grandes grupos multinacionais na nova cena global, ultra-competitiva?

Outro exemplo semelhante, de expansão estatal, tendo o setor privado como representação, ocorrido durante a semana, foi a fusão Cia Vale do Rio Doce com a Bunge, para nacionalizar as reservas de fosfato e potássio, matérias primas indispensáveis à fabricação de fertilizantes, que impulsionam o agronegócio nacional. Sujeito às oscilações violentas de preço, por ação de oligopólio internacional, comandante das importações e distribuição interna do produto, sangrando o deficit em contas correntes em cerca de 12 bilhões de dólares, o governo jogou no nacionalismo econômico para dominar as reservas dos dois produtos e mandar na sua distribuição por intermédio da Vale do Rio Doce, dentro da qual impõe ordens e direções por meio dos fundos de pensão estatais majoritários nas ações da empresa.

 Dirigismo econômico em marcha

O neonacionalismo é um jogo de cena do Estado Nacional, sob Lula, que disfarça a estatização com a participação forte na parceria público-privada, para CO-GESTIONAR o negócio. Ou seja, o Estado manda, com a representação da empresa privada, que, sozinha, não tem bala para tocar o projeto de Dilma de internacionalizar a economia brasileira no cenário da crise mundial no seio da qual o préstigio brasileiro é forte e atrativo em meio à bancarrota do dólar do qual os rentistas fogem desesperadamente. Gabrieli, presidente da Petrobrás, é o o executivo mais poderoso do planeta, na atualidade.

O neonacionalismo é um jogo de cena do Estado Nacional, sob Lula, que disfarça a estatização com a participação forte na parceria público-privada, para CO-GESTIONAR o negócio. Ou seja, o Estado manda, com a representação da empresa privada, que, sozinha, não tem bala para tocar o projeto de Dilma de internacionalizar a economia brasileira no cenário da crise mundial no seio da qual o préstigio brasileiro é forte e atrativo em meio à bancarrota do dólar do qual os rentistas fogem desesperadamente. Gabrieli, presidente da Petrobrás, é o o executivo mais poderoso do planeta, na atualidade.

Amplia-se o dirigismo econômico, no compasso da oligopolização econômica estatal, em contrapolo à ação do oligopólio privado. O fenômeno dirigista estatal pode, também, caminhar para o setor financeiro. Durante a crise, o governo somente não perdeu o controle da economia, porque jogou os bancos estatais para alimentar o crédito ao consumo e à produção. Os bancos privados fugiram da raia e só voltaram lentamente. Quando retornaram, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES haviam avançado e dado provas de que o sistema financeiro estatal oligopolizado se transformou em força efetiva para inibir o oligopólio financeiro privado, essencialmente, especulativo. Não apenas inibiu, mas o ultrapassou em expansão de negócios e faturamento ao longo de 2009. Qual a conclusão disso, tirada pelos nacionalistas dentro do governo? Que se o time colocado em campo deu certo, por que não apostar nele, já que está ganhando?

 Comprovam estratégias estatais nesse sentido as  ações do Banco do Brasil rumo a uma internacionalização das suas operações em meio a um sistema financeiro europeu e americano falido, de joelhos diante do Estado, O Estado é capital, sua moeda é que puxa a demanda, conforme disse Marx. Por que deixaria de puxar ele mesmo em parceria com grandes grupos nacionais a demanda global se a força financeira está com ele, deixando a peteca cair nas mãos dos grandes oligopólios internacionais, exclusivos na exploração econômica das riquezas nacionais? Eis o jogo político econômico-financeiro eleitoral diamarousseffeano, que tende a ampliar-se de agora em diante em forma de discurso político ideológico.

A Petrobrás, a Vale do Rio Doce, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, efetivamente, agentes econômicos e financeiros poderosos do Estado, dão um tom da NOVA ECNOMIA POLÍTICA BRASILEIRA NO SÉCULO 21. A força dessa estratégia se assenta, por sua vez, na aposta lulista de privilegiar o social no compasso dos privilégios concedidos, historicamente, ao econômico, durante os sete anos de governo que comandou até o momento. Tenta passar a bola para Dilma Rousseff, que abraça, como ideologia política, a pregação nacionalista moderna, em que o governo e o setor privado atuam oligopolicamente, na parceria público-privado. Tal estratégia desenvolvimentista implicaria, por sua vez, em visão econômico-social correspondente, no sentido de o governo continuar a apostando no mercado interno, utilizando os recursos da arrecadação dessa ação oligopolizada para jogar no social, dando continuidade a uma estratégia de resgate social dos miseráveis. Afinal, a crise demonstrou que o consumo interno não apenas combate a inflação, mas produz poupança interna, que dispensa a externa.

Brasil século 21

Bendine, o homem do BB, que comanda o braço financeiro estatal. Ao lado da expansão empresarial estado-iniciativa privada juntos, o BB vai jogando capital nacional no seu próprio negócio em ampliação global. Tem como garantia a riqueza nacional que atrai dólares candidatos à desvalorização em busca de ativos mais fortes. Seria negócio acumular dólares, sr. Meirelles? No momento em que os grandes bancos americanos e europeus estão em baixa, sob custódia dos governos, quebrados, o jogo neonacionalista dilmista-lulista abre-se às amplas possibilidades. O queima de patrimônio europeu e americano em bancarrota pode virar comida de onça pelo BB, ancorado na garantia chamada  Brasil.

Bendine, o homem do BB, que comanda o braço financeiro estatal. Ao lado da expansão empresarial estado-iniciativa privada juntos, o BB vai jogando capital nacional no seu próprio negócio em ampliação global. Tem como garantia a riqueza nacional que atrai dólares candidatos à desvalorização em busca de ativos mais fortes. Seria negócio acumular dólares, sr. Meirelles? No momento em que os grandes bancos americanos e europeus estão em baixa, sob custódia dos governos, quebrados, o jogo neonacionalista dilmista-lulista abre-se às amplas possibilidades. O queima de patrimônio europeu e americano em bancarrota pode virar comida de onça pelo BB, ancorado na garantia chamada Brasil.

O jogo lulista segue dando certíssimo, nessa linha, pois os votos das classes C,D e E, certamente, virão para engordar o caixa eleitoral governamental. A base da força estatal esteve, até agora, no fomento ao consumo interno. Por intermédio dele, acabaram os excedentes de produção, que levavam, recorrentemente, à inflação via desvalorização cambial para exportá-los. A moeda se valorizou nessa jogada, ao mesmo tempo em que elevaram os investimentos, como produto do aumento dos ingressos tributários. A grande crise global de 2008 deu um baque na estratégia econômica lulista, mas não quebrou sua espinha. A sua resistência gerou novas expectativas, tanto para os capitais internos como os externos. Ambos, nesse momento, redobram suas apostas na economia brasileira. Esse, evidentemene, é o capital garantidor da expansão do Banco do Brasil no campo internacional. Jogar poupança no BB, instalado na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia, como pretende o governo, representa apostar no potencial brasileiro, cuja expansão interna combateu a inflação e fortaleceu o poder de compra popular que despertou investidores globais. Seria o Banco do Brasil, dispondo de garantia real, expressa no potencial econômico brasileiro, negócio melhor do que apostas nos bancos americanos, por exemplo, tecnicamente, falidos, sob socorro na UTI da Casa Branca. A garantia tradicional americana, seu mercado interno, está baleado, enquanto o dólar, que sempre embalou o consumo mundial, está bichado na praça global.

 A China, por exemplo, que detém mais de 2,5 trilhões de dólares, tenta desfazer de moeda americana, comprando, entre outras coisas, empresas brasileiras produtoras de minério de ferro. No cenário em que as manufaturas perdem poder relativo, na crise, por conta do aumento da concorrência em face de mercado retraído, ganham maior poder as matérias primas, das quais todos dependem, elevando, relativamente, seus preços. Os chineses fogem dos dólares em desvalorização, candidatos a virarem papel de parede, por ativo real brasileiro. Seria inteligente o BC manter dólares que se desvalorizam como reservas ou comprar com esses dólares as minas de ouro, de prata, de bronze, de minérios de bauxita, que estão em mãos privadas, como fazerm os chineses? O lance da Petrobrás com a Odebrecheth sinaliza ser mais negócio apostar na produção do que na especulação, para dominar a produção de matérias primas e agregar valor a elas, de modo a permitir ao Brasil colocar seu produto e sua força no mercado mundial, totalmente, oligopolizado. Dilma Rousseff embarcou de cabeça nesse jogo, para ganhar corpo na disputa com Serra.

Triunfo da razão

O real é racional e o racional é real, disse Hegel, para determinar que a realidade é um eterno vir a ser em meio ao movimento dialético dos contrários em que a negatividade é a realidade que busca na sua totalidade a razão do Estado como construção do espírito universal, configurando, portanto, o Estado o produto genuíno da razão. Em meio ao capitalismo, que é, essencialmente, irracional, uma razão maior vai se impondo. Hegel aconteceria no século 21?

O real é racional e o racional é real, disse Hegel, para determinar que a realidade é um eterno vir a ser em meio ao movimento dialético dos contrários em que a negatividade é a realidade que busca na sua totalidade a razão do Estado como construção do espírito universal, configurando, portanto, o Estado o produto genuíno da razão. Em meio ao capitalismo, que é, essencialmente, irracional, uma razão maior vai se impondo. Hegel aconteceria no século 21?

A sucessão presidencial brasileira, debaixo de uma orientação macroeconômica cada vez mais nacionalista, coloca em cena o poder do Estado mobilizador de forças oligopolizadas, para contrastar-se com a oligopolização privada internacional. Os filósofos alemães previram a emergência final do Estado sobre a economia como fator de organização dela em defesa do interesse social. Kant descreveu o Estado Universal. Hegel proclamou a prevalência da razão como voz do Estado para expressar-se como fator de totalidade social etc. O baque capitalista na grande crise de 2008 jogou a financeirização econômica global como negação do poder do Estado, tornando-o, na verdade, em joguete do capital, até que o interesse público se viu ameçado com a bancarrota global. O Estado teve que converter-se em proposta racional capaz de organizar o caos irracional. Esse processo está em marcha, mesclando-se com uma conjuntura que ainda tenta sobreviver, mas que está seriamente abalada. É como aquela velha árvore que foi abatida, mas que se percebe que em seus galhos, ainda,  floresce o verde remanescente das folhas, cuja duração torna-se incerta. O certo é que o tiro no coração dela já foi dado pela história.

Jornalismo e catástrofe

Categoria: (Cultura) por Beto Almeida em 23-01-2010

O jornalismo busca os efeitos e não as causas dos acontecimentos, por isso deixa de ser útil è comunidade e, consequentemente, candidata-se à incredulidade e à falta de credibilidade. Compromete-se com a aparência e não com a essência, evidenciando seu compromisso explícito não com o social e o moral, mas com o econômico e o imoral, essencialmente, anti-educativo.

O jornalismo busca os efeitos e não as causas dos acontecimentos, por isso deixa de ser útil è comunidade e, consequentemente, candidata-se à incredulidade e à falta de credibilidade. Compromete-se com a aparência e não com a essência, evidenciando seu compromisso explícito não com o social e o moral, mas com o econômico e o imoral, essencialmente, anti-educativo.

Espero /que a natureza/faça voce mudar de opinião”

 Samba de Ademir e Casquinha

 Começamos este ano cheio de catástrofes, lamentando perdas de vidas nas tragédias gigantescas como no Haiti, ou em outras de outro alcance em Angra dos Reis, no Estado de São Paulo  relatadas pela tv  e já somos obrigados a um questionamento aparentemente banal, mas nem tanto: será que o jornalismo não pode ir muito mais além do que reportar, muitas vezes com claro sensacionalismo, a estas tragédias? Não poderia ter outro papel? Será que não pode ajudar a elaborar uma consciência na sociedade sobre serem muitas destas tragédias perfeitamente previsíveis e evitáveis?

Se é verdade que terremotos não são evitáveis , também é verdade que a humanidade já possui a capacidade  científica   para prever e indicar com precisão quais as áreas onde ocorrerão. Exemplo disso, é que o geólogo Patrick Charles, do Instituto de Geologia de Havana e o sismólogo  John   Bellini, do Instituto de Sismologia dos EUA, na Conferência  Internacional de Geoologia do Caribe, em 2008, previram a inevitável ocorrência de um terremoto de grandes proporções na cidade de Porto-Príncipe, embora não fosse possível definir a data.

O que foi feito com as previsões e os alertas destes cientistas? Foram levadas a sério? É verdade que o Haiti está vitimado por um verdadeiro terremoto social há décadas, causado pelo colonialismo que transformou a primeira República das Américas e o primeiro país a abolir a escravidão num poço de miséria . Poço construído por ações políticas e econômicas concretas, não pelas forças da natureza. Por exemplo, a França, ex-colonizadora do Haiti, cobrou uma dívida dos haitianos, sob ameaça de intervenção armada, equivalente ao que hoje seria a quantia de 20 bilhões de dólares! Os EUA apoiaram todas as ditaduras mais sanguinárias que aquele país teve que suportar, como a da criminosa dinastia Duvalier que, ao ser derrotada pela luta do povo haitiano, fugiu com sua fortuna para os bancos da Suíça. E tem gente que quer apontar a Suíça como país exemplo de civilização, quando é um  grande cúmplice dos maiores roubos e crimes  praticados contra a humanidade.

Jogo da mentira e do disfarce

As tragédias nos morros se repetem ano a ano a cada chuva intensa evidenciando a falta de políticas públicas para coordenar as ocupações urbanas de acordo com o critério científico e educativo. Prevalecem os interesses do lucro sobre os da sociedade que se vê destituida de informações, de segurança e de valores seguros para promover a cidadania. Tudo que falta no jornalismo que se esmera na construção das catástrofes e não nas explicações das suas razões profundas.

As tragédias nos morros se repetem ano a ano a cada chuva intensa evidenciando a falta de políticas públicas para coordenar as ocupações urbanas de acordo com o critério científico e educativo. Prevalecem os interesses do lucro sobre os da sociedade que se vê destituida de informações, de segurança e de valores seguros para promover a cidadania. Tudo que falta no jornalismo que se esmera na construção das catástrofes e não nas explicações das suas razões profundas.

O jornalismo tem diante de si o desafio de ir mais além do que a simples constatação e exploração sensacionalista e mesquinha das tragédias humanas. Os administradores públicos são em muitos casos os grandes culpados por estas perdas de vidas. Acaso não sabemos que em 2007 já havia a determinação de autoridades competentes para a demolição daquela Pousada Sankai, em Angra dos Reis, por estar em área de risco? O governador do Rio de Janeiro chegou a  baixar decreto flexibilizando e facilitando a ocupação de encostas na região, quando deveria agir no sentido contrário. Da mesma forma, vale relacionar que os moradores do Morro da Carioca, também em Angra, ocuparam aquela área imprópria para a habitação quando houve a privatização e demolição da indústria naval no início dos anos 90. Desempregados dos estaleiros os trabalhadores subiram os morros porque não tinham outro lugar para morar e viver, e foi ali que viram muitos de seus entes queridos perder a vida. Não é tudo isto perfeitamente evitável??? Claro que sim !  Se as autoridades de São Paulo não investem na retirada dos entulhos da calha do Tietê – e política pública negligente  deveria acarretar responsabilidade criminal -  torna-se perfeitamente previsível que enchentes ocorrerão,  provavelmente  seguidas de morte e destruição. Que não se culpe a natureza se os responsáveis pelas políticas públicas não se organizam para a prevenção, para a adaptação das cidades, para políticas habitacionais capazes de dar dignidade,  conforto e segurança á população.

Por último vale lembrar que cientistas russos detectaram que em 2036 o asteróide gigante Apophis  irá  chocar-se com a Terra, sendo previsível grande destruição dada a magnitude do astro. Pois já estão desenvolvendo tecnologias para alterar a trajetória do asteróide de modo a evitar o choque. Em Cuba, furacões são previstos e com o uso intenso e inteligente dos meios de comunicação, a mobilização dos sindicatos e organizações sociais, chega-se a deslocar até 10 por cento da população cubana em poucas horas, reduzindo radicalmente as perdas de vidas  ante as gigantescas tempestades naturais. É a força da consciência e da organização sociais ante a natureza.

Lições desconsideradas

A ocupação dos grandes centros urbancos, obedecendo sempre o interesse econômico, voltado para a agressividade contra a natureza , cria as bases das catástrofes, mas, quando estas chegam, os verdadeiros culpados não são apontados, mas dissimulados em forma de desvios estratégicos decorrentes das explicações falsas para descrever os acontecimentos. Fazer confusão e alienação é o resultado prático do jornalismo de catástrofe sob um sistema que elimina a qualidade de vida.

A ocupação dos grandes centros urbancos, obedecendo sempre o interesse econômico, voltado para a agressividade contra a natureza , cria as bases das catástrofes, mas, quando estas chegam, os verdadeiros culpados não são apontados, mas dissimulados em forma de desvios estratégicos decorrentes das explicações falsas para descrever os acontecimentos. Fazer confusão e alienação é o resultado prático do jornalismo de catástrofe sob um sistema que elimina a qualidade de vida.

No entanto, este mesmo furacão  que passou por Cuba,   também passou pelo Haiti e pela  Guatemala   em 2008 , causou centenas e centenas de mortes em cada um destes países. É a diferença das políticas públicas praticadas. Da mesma forma, quando o furacão Katrina chegou a Nova Orleans, mesmo tendo sido previsto com boa antecipação, nenhuma política pública preventiva foi adotada pelo governo do sinistro George Bush , mesmo com todos os recursos materiais e tecnológicos que o país mais rico do mundo possui . Resultado: centenas e centenas de vidas se perderam  injustificadamente por falta de prevenção do governo dos EUA que, no entanto, não reluta em gastar bilhões de dólares em  operações  militares em qualquer parte do mundo onde possa estar.

O que foi feito com a previsão dos geólogos Patrick Charles e  John  Bellini que haviam afirmado: os moradores de Porto Príncipe deverão se preparar para um inevitável terremoto de largas proporções? Os EUA que agora ocupam militarmente o Haiti , antes  tinham cortado toda a ajuda humanitária ao país. A França também. O que não poderia ter sido feito com apenas uma fatia de recursos esterilizados no inútil salvamento de bancos que estão seguindo a mesma política financista especulativa irresponsável se este  dinheiro  tivesse   sido utilizado para o deslocamento  preventivo  da população da capital haitiana, para a construção de novos núcleos habitacionais com técnicas apropriadas para resistir terremotos? Em muitos países usam-se estruturas de bambu para a construção já que por sua flexibilidade adaptam-se aos tremores de terra e a eles resistem.

Por que os avisos dos cientistas não foram ouvidos?  Por que a mídia não deu o mesmo destaque a este aviso como deu à morte de um pop star?

 

Beto Almeida

Jornalista, Membro da Junta Diretiva da Telesur e presidente da TV Cidade Livre de Brasília