18 dez
2009Fundo Obama usa plata de Lula
Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 18-12-2009

Lula, o cara, caiu, bonitinho, na manobra de Obama, que jogou o juro para baixo, transplantou o jogo especulativo para o Brasil, levantou a plata forte, que, agora, forma o fundo de Tio Sam para contribuir, em Copenhague, para a redução das emissões de gases poluentes na atmosfera global. O titular da Casa Branca jogou com o chapéu do titular do Planalto. Sabedoria é isso aí.
Talvez, agora, durante a fracassada Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas(COP-15), possa ser melhor entendida e avaliada a frase do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quando disse que o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, é “o cara”. A deferência diria respeito à consciência do titular da Casa Branca de que seria o titular do Planalto que contribuiria, decisivamente, para os Estados Unidos proporem o fundo de investimento de 100 bilhões de dólares que anunciou como participação americana na COP-15. Grande parte desse dinheiro estaria sendo garantida pelo Brasil, graças aos juros negativos americanos que levaram os bancos dos Estados Unidos a migrarem para os países emergentes, especialmente, ao Brasil, onde, ao longo de 2009, faturaram horrores, dispondo, agora, no final do ano, de recursos suficientes para devolverem ao tesouro americano. Este, por sua vez, capitalizado com os recursos que emprestou aos banqueiros, passa o dinheiro para o fundo americano com o objetivo de combater os efeitos das emissões de gases poluentes na atmosfera. A proposta americana, anunciada pela secretária de Estado, Hillary Clinton, visa capitalizar o fundo financeiro ambiental com dinheiro dos outros. Com a participação dos demais 191 países integrantes da COP-15, tal fundo agilizaria modernização dos parques industriais em utilização pelo mundo afora, cuja característica básica é, fundamentalmente, inadequada às exigências da sustentabilidade ambiental. O jogo da Casa Branca está cada vez mais claro. A grande crise global, detonada pela bancarrota financeira americana, levou Washington a intervir fortemente no sistema bancário. Foram jogados na circulação capitalista trilhões de dólares. Calculam os especialistas que tenha sido algo superior a 15 trilhões de dólares. O governo americano, com tal volume de emissões, viu-se obrigado a reduzir, drasticamente, a taxa de juros. Caso contrário, mantida a taxa positiva, teria a Casa Branca de pagar juro alto sobre a sua própria dívida. Emergiria bancarrota explosiva do sistema financeiro internacional, que se encontra na UTI, por enquanto, correndo perigo de novas derrapadas perigosas. Em face dos juros negativos, impondo eutanásia do rentista, os bancos dos Estados Unidos, capitalizados pelo governo, mas sem poder dar rentabilidade a tal capitalização, deslocaram-se para os países emergentes, com destaque para o Brasil, onde vigora o juro positivo mais alto do mundo. Aqui, elevaram suas aplicações no mercado acionário, esquentando-o, artificialmente, valorizando as moedas locais dos países destinatários dos dólares em desvalorização. Passados 12 meses de intensas especulações, os bancos americanos, com suas aplicações mundo afora, levantam recursos para pagarem o tesouro americano os bilhões de dólares que tomaram emprestados em forma de socorro emergencial. Com esse dinheiro retornado, o presidente Barack Obama dispõe de reservas capazes de contribuir com o fundo financeiro ambiental que se constrói em Copenhague. Ou seja, Tio Sam faz favor ambiental com o chapéu financeiro dos outros.
Papel de trouxa

Lula, o cara, caiu, bonitinho, na manobra de Obama, que jogou o juro para baixo, transplantou o jogo especulativo para o Brasil, levantou a plata forte, que, agora, forma o fundo de Tio Sam para contribuir, em Copenhague, para a redução das emissões de gases poluentes na atmosfera global. O titular da Casa Branca jogou com o chapéu do titular do Planalto. Sabedoria é isso aí.

O agente de Obama no Brasil, Henrique Meirelles, jogou o jogo da Casa Branca, mantendo o juro alto para atrair os dólares desvalorizados que especularam na bolsa, levantando lucros que retornaram aos Estados Unidos, para ajudar os americanos a formarem fundo financeiro, com suor dos outros, para apresentar como triunfo em Copenhague. Morou?
Nas duas últimas semanas, quase 100 bilhões de dólares foram devolvidos pelos bancos americanos ao tesouro como fruto das suas aplicações financeiras fora dos Estados Unidos. O Citybank , por exemplo, devolveu quase 30 bilhões. Outros grandes bancos estão fazendo o mesmo. O próprio presidente Obama, que, depois do estouro da grande crise, quando se viu obrigado a socorrer a bancocracia ameaçada de extinção, graças aos abusos decorrentes de uma legislação bancária laxista, removida, semana passada, pelo Congresso dos Estados Unidos, exortou, principalmente, o City a ampliar, na América do Sul, suas operações, especialmente, no mercado financeiro. Contribuiu, dessa forma, para impedir a união sul-americana na disposição geral de criar o Banco do Sul. Se der certo – já está dando – a estratégia financeira obamista detona o propósito da Unasul. A Bolsa de São Paulo, por exemplo, no início do ano rodava na casa dos 38 mil pontos. No final de 2009, graças ao jogo especulativo dos bancos americanos, aproxima-se dos 70 mil pontos. Ou seja, ampliou-se bolha especulativa patrocinada pelos bancos e corretoras americanas, na América do Sul, sem correspondência relativa com o crescimento do PIB. No Brasil, por exemplo, a bolha bombou a bolsa, mas o PIB, ou seja, a economia real, ficará negativo. Agora, no final do ano, os especuladores, cheios dos dólares, levantados na Bovespa, retornam aos Estados Unidos, para pagar o Tesouro americano pela benesse financeira, enquanto Barack Obama aproveita, na reta final da COP-15, para anunciar o montante – 100 bilhões de dólares – de contribuição dos Estados Unidos ao fundo financeiro ambiental global, de modo a tentar mitigar a expansão dos gases estufas. Pela especulação financeira, extraída do suor dos países emergentes e pobres, os Estados Unidos, que sofreram baque federal, com a grande crise, buscam sair por cima, montado nas costas dos trouxas. Quando Barack Obama diz que o presidente Lula é “o cara”, certamente, está apontando para quem vai pagar a conta, junto com os outros panacas, do estrago ambiental provocado, principalmente, pelos Estados Unidos, Europa, Japão e China, os mais ricos do mundo e, igualmente, os mais poluidores. Além de fazer de bobos os emergentes e os mais pobres, a secretária de Estado Hillary Clinton ainda deu lição de moral, dizendo que não faz sentido a pressão deles em cima dos mais ricos, sabendo que, como o caso brasileiro, são responsáveis pelas emissões poluentes, graças ao aumento descomunal do desmatamento da Amazônia. Para um dos economistas que trabalham na FIPECq – Fundação de Previdência Cmplementar dos Empregados ou Servidores da FINEP, IPEA, CNPq, INPE e INPA – em entrevista a este site , os banqueiros americanos, com estímulo do juro negativo fixado pelo governo Barack Obama, para salvar o tesouro dos Estados Unidos da falência, visto que o país é o maior devedor do mundo, transformaram as economias capitalistas periféricas emergentes, como a brasileira, em tremendas bolhas especulativas, ao longo de todo o ano. Contribuiu, naturalmente, para o sucesso dessa empreitada obamista em Copenhague, a sustentação, pelo Banco Central, sob comando do ministro Henrique Meirelles, da elevada taxa de juro nacional, atrativa ao capital especulativo.
Jogo do consumo

O agente de Obama no Brasil, Henrique Meirelles, jogou o jogo da Casa Branca, mantendo o juro alto para atrair os dólares desvalorizados que especularam na bolsa, levantando lucros que retornaram aos Estados Unidos, para ajudar os americanos a formarem fundo financeiro, com suor dos outros, para apresentar como triunfo em Copenhague. Morou?

Dilma foi fiasco em Copenhague. Leu discurso equivocado, depois de medir forças com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que estava sintonizado não com ela, mas com Lula, que acabou rendendo-se à necessidade de o Brasil colocar dinheiro no fundo financeiro ambiental, constestado pela candidata dele. Saiu perdendo para a senadora Marina Silva, cujo discurso orientou o titular do Planalto na reta final.
Enquanto Obama, jogou os juros para abaixo de zero, a fim de que não seja importunada a dívida americana com juro positivo, algo que seria fatal em face da política fiscal adotada pela Casa Branca, no Brasil, o presidente Lula, obrigado a agir, fiscalmente, no mesmo sentido, sofreu, ao contrário do titular da Casa Branca, a facada nas costas do BC, sustentando juro positivo elevado. As conseqüências não poderiam ser outras senão as referentes aos números do balanço de pagamentos. Esse ano, o déficit em contas correntes poderá aproximar-se dos 2% do PIB, podendo, em 2010, alcançar os 4%, sinalizando bancarrota do tesouro nacional, se o capital externo não entrar como entrou em 2009. especulando brabo na bolsa e comprando empresas brasileiras na bacia das almas, graças à sobrevalorização do real. Ao entrarem no país, os dólares fortalecem o real. Com o real em caixa, os aplicadores, que valorizaram a moeda nacional, avançam sobre as empresas brasileiras, comprando-as barato, num contexto de esfriamento da economia, como demonstram os números apresentados, semana passada, pelo IBGE, sinalizando PIB negativo em 2009. O jogo especulativo, favorecido pelo câmbio flutuante, aponta para grandes lucros dos especuladores que compraram ações de empresas, candidatas a faturarem alto, no próximo ano, em que o governo fará tudo, via política fiscal, para sustentar mercado interno forte, bancando subsídios, a fim de garantir arrecadação tributária ascendente. O presidente Lula optou, ao que parece, definitivamente, pelo bombeamento do consumo, em vez de estimular a produção. Como a capacidade instalada, ao longo de 2009, manteve-se baixa, em face da retração relativa do consumo, a opção econômica lulista foi a de não privilegiar o investimento nas atividades produtivas, mas no aquecimento da onda consumista. A ação governamental se repetiu ao longo da semana. Depois de desonerar fiscalmente diversos produtos industriais, para estimular as compras no crediário, chegou a vez das motocicletas, igualmente, desoneradas. Estarão suspensas as cobranças de impostos sobre a fabricação delas, a fim de aumentar suas vendas, nos próximos meses. Como o investimento na produção não gera, sob capitalismo, consumo correspondente, desmentindo a Lei de Say – de que toda a oferta gera consumo correspondente – , o governo, experimentado pela prática, expressa em queda de arrecadação, decidiu pelo oposto, ou seja, bombear o consumo. Este sim, ao ser acionado, imediatamente, produz arrecadação. Como, em 2010, o presidente Lula precisará de ingressos tributários alentados, para bancar investimentos crescentes, capazes de sustentar, positivamente,a produção, emprego, consumo e arrecadação, a fim de manter em ascensão a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fiasco em Copenhague, o jogo do Banco Central, de manter juro positivo, que fragiliza as finanças públicas, tenderia a enfraquecer, em vez de fortalecer, a estratégia econômica lulista. Quem ganhar a eleição, no ambiente de sustentação do monetarismo especulativo meirelliano, vai herdar tremendo abacaxi.

Dilma foi fiasco em Copenhague. Leu discurso equivocado, depois de medir forças com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que estava sintonizado não com ela, mas com Lula, que acabou rendendo-se à necessidade de o Brasil colocar dinheiro no fundo financeiro ambiental, constestado pela candidata dele. Saiu perdendo para a senadora Marina Silva, cujo discurso orientou o titular do Planalto na reta final.



























