19 dez
2009Copenhague expôs loucura capitalista alienada
Cesar Fonseca em 19/12/2009

A opção desenvolvimentista irracional que privilegia o individualismo, transformando-o em religião, demonstra estar a civilização ocidental equivocada em sua perseguição desenfreada do lucro como objetivo maior a ser alcançado pelas atividades produtivas no contexto das relações sociais da produção em que o resultado é contradição cuja superação se encontra na desmontagem da infra-estrutura produtiva e ocupacional destrutiva contra a qual nenhum líder político investe , simplesmente, por ser o contrário do que proclama, ou seja, falso líder, fantasma da alienação.
A pífia participação dos líderes políticos dos países mais ricos do mundo, Estados Unidos, Europa, Japão, China, e o esperneio dos emergentes, que ainda não demonstram força suficiente em meio ao caos capitalista destruidor da natureza para dar conteúdo transformador ao seu discurso, configuraram nova divisão internacional do trabalho em meio ao dólar em bancarrota na conferência do clima em Copenhague. Sobretudo, evidenciou-se o fim do unilateralismo americano. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não fedeu nem cheirou na capital dinamarquesa. Tal qual um Otelo shakespeareano em decadência, o titular da Casa Branca revelou a face carcomida do império que não é mais império. A voz americana deixa de ser preponderante como norte capaz de conduzir a humanidade em meio ao sistema capitalista no qual os instrumentos básicos de expansão do capital, os bancos americanos, estão baleados na UTI estatal da Casa Branca. Obama chegou a Copenhague falando de um fundo financeiro sem fundo, sintonizado com a China para contraporem às reivindicações favoráveis às limitações rígidas às emissões de CO2 na atmosfera. . Ninguém acreditou. Como também não houve crença nas promessas francesas, inglesas, alemãs e japonesas. Como disse Miriam Leitão, de O Globo, não foi apresentado o cheque. Falou-se sem maiores convicções. O fundo financeiro deverá ser um arrastamento interminável de discussões, pois nem a moeda equivalente internacional das relações de troca, ou seja, o dólar, dispõe de maiores confianças dos parceiros, visto que desvaloriza aceleradamente, somente sendo segurada por bancos centrais preocupados em evitar o caos total. Copenhague comprovou a consciência universal relativa aos perigos do clima adulterado pelo consumismo irracional capitalista, que tem o lucro como o Deus absoluto, mas a forma de transformá-la em ação política prática ainda não foi, devidamente, encontrada. O caos está à vista, porque perdura a estrutura produtiva e ocupacional que destrói o meio ambiente, tendo a produção bélica e espacial como motor básico e a de bens duráveis como periférica, sendo esta expressa na fabricação de automóveis, que exige destruição traduzida em expansão de infra-estrutura, multiplicadora de irracionalidades e corrupção sob amparo dos políticos em geral.
Individualismo absoluto suicida
A opção desenvolvimentista irracional que privilegia o individualismo, transformando-o em religião, demonstra estar a civilização ocidental equivocada em sua perseguição desenfreada do lucro como objetivo maior a ser alcançado pelas atividades produtivas no contexto das relações sociais da produção em que o resultado é contradição cuja superação se encontra na desmontagem da infra-estrutura produtiva e ocupacional destrutiva contra a qual nenhum líder político investe , simplesmente, por ser o contrário do que proclama, ou seja, falso líder, fantasma da alienação.

Quem é mais perigoso para a humanidade: Mahmoud Ahamadinejad, que alerta que o individualismo expresso na produção automobilística, responsável por destruir os grandes centros urbanos, é suicida ou Barack Obama que redobra as apostas na indústria automobilística falida poluidora da natureza, ao mesmo tempo em que, um dia depois de terminada a reunião de Copenhague sanciona aprovação do Congresso de verba extra-oçamentária de 600 bilhões de dólares para a economia de guerra?
Quem destrói as florestas? Claro, a produção automobilística. Esta compreende cadeia produtiva que rasga estradas, impõe construção de novas moradias, que exigem madeiras, que são extraídas das matas virgens, que eliminam as fontes de água, que matam os animais, que degradam os solos etc. Em Copenhague, os considerados grandes líderes não falaram nada sobre a irracionalidade da expansão da produção de carros que torna a vida insuportável nos grandes centros urbanos. Os considerados racionais, lógicos, renderam-se à religião do consumismo, enquanto aquele a quem atacam, considerando-o dominado pela religião e pela ortodoxia, como é o caso do presidente do Irã, Ahamadinejad, destacou que somente a superação da visão individualista, que tem como Deus o lucro, representará a salvação humana. Engraçado, quem está destruindo o meio ambiente, os países ricos, governados por Obama, Merkel, Brown, Sarkozy, patronos da civilização ocidental cristã, racional, adeptos da religião individualista enlouquecida pelo dinheiro e pela aparência, ou o líder iraniano que tocou o dedo na ferida dos loucos aquecedores da terra, rendidos à produção dos automóveis? Já em 1978, o ex-prefeito de Nova York, John Lindsay, em entrevista a Paulo Francis, em “Francis, melhores escritos”(Editora Três), destacava que enquanto não houvesse freio à ação dos lobistas das montadoras, que mandavam nos políticos em Washington, seria impossível conter a destruição ambiental. O Brasil e os demais países, até então considerados do terceiro mundo – não estava em voga o neologismo emergente – preparavam-se para entrar mais firmemente na era industrial, enquanto os Estados Unidos, segundo Lindsay, já viviam os transtornos não da era industrial, mas da pós-industrial, requerendo novas intervenções políticas e novos conceitos desenvolvimentistas, capazes de superar os estragos produzidos pela expansão irracional do individualismo expresso nos modelos dos carros cada vez mais atrativos aos consumidores. De lá para cá, a sociedade pós-industrial americana avançou, com a economia de guerra – produtos bélicos e espaciais – para a tecnologia da informação, em meio às bolhas especulativas, mas, igualmente, convivendo com a indústria automobilística, responsável pelo avanço do caos urbano total, espalhando em escala global, destruindo florestas, exigindo sofisticação acelerada de uma cadeia produtiva infernal destrutiva do meio ambiente.
Lógica destrutiva irracional

Quem é mais perigoso para a humanidade: Mahmoud Ahamadinejad, que alerta que o individualismo expresso na produção automobilística, responsável por destruir os grandes centros urbanos, é suicida ou Barack Obama que redobra as apostas na indústria automobilística falida poluidora da natureza, ao mesmo tempo em que, um dia depois de terminada a reunião de Copenhague sanciona aprovação do Congresso de verba extra-oçamentária de 600 bilhões de dólares para a economia de guerra?

Nem Lula, nem Serra, nem Dilma tiveram, em Copenhague, coragem de dizer que é a produção desenfreada de automóveis a responsável maior pela destruição ambiental no Brasil e no mundo. Fizeram figuração no meio das falsas lideranças globais, incapazes de ver o óbvio: as montadoras são ecologicamente incorretas e precisam sofrer ação de políticas contecionistas, abrindo espaço para nova estrutura produtiva e ocupacional, capaz de melhorar, com o transporte de massa competente, via investimentos públicos, a qualidade de vida humana no planeta, salvando-o da destruição.
Começa pela indústria siderúrgica. Florestas são , por exemplo, permanentemente derrubadas para produzir o carvão que, indo para Minas Gerais, é jogado nas bocas de fornos para produzir minério de ferro cujo destino é a China, especialmente, nos últimos vinte anos.O crescimento de 10% do PIB chinês tem como contrapartida a destruição florestal brasileira. Por Brasília, trafegam, diariamente, cerca de mil caminhões sobrecarregados de carvão. Haja destruição! A capacidade instalada da indústria automobilística mundial está preparada para vomitar 80 milhões de carros por ano. Antes da crise mundial, em setembro de 2008, o consumo era de 50 milhões/ano.Ou seja, já rolava um excedente de 30 milhões na praça. Era visível o desastre. Depois da bancarrota, caiu para 30 milhões. Como se trata de renovar, constantemente, a produção, dada a competição entre as dezenas de montadoras, pois se não houver renovação tecnológica permanente, o consumidor descarta o produto, visto sua subordinação à propaganda, o resultado é a sustentação do sistema em cima de um bem durável que comanda a destruição da natureza. Bomba atômica que explode paulatinamente, dia a dia, sem que se sinta a destruição brutal, imediata, mas compassada, permanente. O que disseram os líderes mundiais em Copenhague em relação à irracionalidade espalhada pela indústria automobilística que manipula, pelo dinheiro, os parlamentos do mundo, como no Brasil, cujo governo, para sair da crise, aprova medidas fiscais intermitentes capazes de levar o consumidor a trocar de automóvel todo ano e, consequentemente, a intensificar a destruição ambiental? O ex-líder metalúrgico Inácio Lula da Silva, claro, não falou nada. O governador de São Paulo, José Serra, idem. Falaria contra o parque produtivo destruidor instalado na paulicéia desvairada, sabendo que é essa indústria da morte que mantém os cofres públicos cheios de arrecadação, com a qual realiza novos investimentos etc? E Barack Obama? No auge da crise americana, jogou dinheiro público a rodo, para salvar as montadoras dos Estados Unidos. Teria ou não razão o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, demonizado pelos líderes tidos como racionais, quando disse que se o clima fosse um banco financeiro em chamas, certamente, haveria esforços conjuntos para salvá-lo? Obama não mediu esforços para tirar os banqueiros do sufoco, mesmo sabendo que eles são os promotores da destruição especulativa que levou o capitalismo à garra. E assim por diante.
Jogo da aparência farsante

Nem Lula, nem Serra, nem Dilma tiveram, em Copenhague, coragem de dizer que é a produção desenfreada de automóveis a responsável maior pela destruição ambiental no Brasil e no mundo. Fizeram figuração no meio das falsas lideranças globais, incapazes de ver o óbvio: as montadoras são ecologicamente incorretas e precisam sofrer ação de políticas contecionistas, abrindo espaço para nova estrutura produtiva e ocupacional, capaz de melhorar, com o transporte de massa competente, via investimentos públicos, a qualidade de vida humana no planeta, salvando-o da destruição.

As frotas de automóveis que congestionam geral a vida urbana são as fontes da destrutição das florestas, das águas, dos bichos, em nome da produção do carvão e do minério de ferro, abençoado pelo deus individualista que coloca em xeque a racionalidade da civilização ocidental considerada o norte da sabedoria humana que leva ao caos e à guerra para sustentar a reprodução da taxa de lucro em escala cada vez mais avançada custe o que custar sob corrupção dos líderes políticos nos legislativos onde a ética se transformou em seu oposto a anti-ética.
A conversa em Copenhague, portanto, foi uma farsa completa. Cuidou-se da aparência do problema ambiental. A essência ficou oculta e latente. Lideranças políticas fracassadas falaram, falaram e não disseram nada. Enquanto isso, os administradores públicos em todo o mundo, como o governador brasiliense fracassado, José Roberto Arruda, implodido pela corrupção, faz campanha publicitária para endeusar sua administração por estar promovendo o caos urbano a fim de proporcionar maior espaço aos automóveis. Para tanto, arregimenta empresas que ganham licitações na base da corrupção etc. Irracionalidade total. Não poderia, portanto, dar em nada, como não deu, a conferência do clima na Dinamarca. Milhares de jornalistas de todas as partes escreveram bilhões e mais bilhões de palavras para não falar a verdade, porque, como já disse Freud, as palavras servem para esconder o pensamento. A terra continuará esquentando ou está esfriando, como disseram notáveis cientistas que recomendaram ao ex-presidente W. Bush – e recomendam, agora, ao presidente Obama – pé no freio quanto ao corte nas emissões? Está em cena um jogo de desinformação geral, ao que tudo indica, mas, efetivamente, o que destrói a qualidade de vida, o padrão de consumo contra o qual não se fala nada, foi deixado de lado. Todos compactuaram em não falar nada sobre o essencial, isto é, a necessidade de dar um basta na produção bélica e espacial, bem como na expansão da fabricação de automóveis. Ao contrário, o que se vê são os industriais lançando novas plantas, visando novos lançamentos de carros cada vez mais espetaculares. No dia seguinte ao do término da Conferência de Copenhague, o Congresso dos Estados Unidos aprovaram mais uma dotação extra-orçamentária de 600 bilhões de dólares para o Pentágono impulsionar a produção bélica e espacial. Enquanto isso, a grande mídia, orientada pelo capital, demoniza Ahmadinejad como perigoso à vida terrestre, logo ele que chamou a atenção para a irracionalidade da civilização ocidental, expressa na subordinação ao Deus consumista. Quem são os loucos e quem são os sãos? Quem terá coragem de meter o dedo na ferida para desarmar a infra-estrutura produtiva e ocupacional global que paga os meios de comunicação para informarem o avesso da realidade, desinformando e alienando geral, em nome da expansão do PIB? Continuará sendo racional sustentar a produção de veículos cuja cadeia produtiva é promovedora da insustentabilidade ambiental global?

As frotas de automóveis que congestionam geral a vida urbana são as fontes da destrutição das florestas, das águas, dos bichos, em nome da produção do carvão e do minério de ferro, abençoado pelo deus individualista que coloca em xeque a racionalidade da civilização ocidental considerada o norte da sabedoria humana que leva ao caos e à guerra para sustentar a reprodução da taxa de lucro em escala cada vez mais avançada custe o que custar sob corrupção dos líderes políticos nos legislativos onde a ética se transformou em seu oposto a anti-ética.









