Aécio, blefe democrático

Cesar Fonseca em 21/12/2009

Reclamou que abandonou o barco da candidatura à presidência da República porque o tucanato decidiu boicotar as prévias eleitorais que dariam consistência democrática à sucessão presidencial, mas, em Minas, agiu opostamente, ou seja, escolhe o candidato que tentará sucedê-lo no dedaço, antidemocraticamente, negando a fazer nas Alterosas o que prega no plano nacional, isto é, as prévias eleitorais, configurando-se democrata de meia tigela. Não tem moral para falar de ninguém sobre democracia partidária.

Reclamou que abandonou o barco da candidatura à presidência da República porque o tucanato decidiu boicotar as prévias eleitorais que dariam consistência democrática à sucessão presidencial, mas, em Minas, agiu opostamente, ou seja, escolhe o candidato que tentará sucedê-lo no dedaço, antidemocraticamente, negando a fazer nas Alterosas o que prega no plano nacional, isto é, as prévias eleitorais, configurando-se democrata de meia tigela. Não tem moral para falar de ninguém sobre democracia partidária.

Belo Horizonte – Em Minas Gerais, Aécio Neves não está com essa bola toda que a gente percebe fora das Alterosas. Pinta-se um mundo em que o neto de Tancredo é o tal. Grande administrador, grande democrata etc.  Nada disso, se for ouvido o coração da gente mineira. Primeiro, a imprensa, em Minas, é uma enganação. Não há crítica. Um jornal católico, em São João Del Rey, por exemplo, foi censurado. Criticou o titular do Palácio da Liberdade, porque há, indiscutivelmente, uma tremenda insatisfação contra ele, especialmente, por parte do funcionalismo público. O bispo enquadrou a publicação. Não houve da parte do governo nenhuma bonança para com essa categoria. Ele foi o oposto do que fez o presidente Lula. Na prática, atuou como carrasco dos servidores. Em encontro com empresários, servidores e trabalhadores na indústria mineira, em uma confraternização geral em BH, numa rodada geral de papo político liberal, lingua solta, pude observar a insatisfação oculta e latente, que não sai nos jornais mineiros, ancorados na verba publicitária oficial. Falou mal, dança. Dos servidores, ouve-se o diabo. Salários baixos, arrocho, promessas não cumpridas. Escândalos, loucuras, rock and roll etc. De vendedores das empresas metalúrgicas mineiras, escutei elogios, não ao governador Aécio, mas ao governador José Serra, de São Paulo, porque o titular dos Bandeirantes adotou política fiscal atrativa que leva, nesse momento, vantagem sobre Minas, na cobrança do ICMS. Tanto é verdade que, agora, Aécio tenta fazer o que combatia, ou seja, guerra fiscal, tanto contra São Paulo como contra o Rio de Janeiro. Os vendedores das empresas mineiras estão reclamando que estão perdendo comissões de vendas porque, graças aos impostos mais altos em Minas, os clientes preferem comprar produtos paulistas e cariocas. Ouvi de fiscal do INPI algo que jamais pensei ouvir. Disse ele que Deus fora generoso com o Brasil por não ter permitido que Tancredo Neves chegasse à Presidência da República. Espantei-me. Por que? Quando o filho mais famoso de São João Del Rey chegou ao comando do governo mineiro(1982-84), adotou política fiscal de arrocho total em cima das empresas. Derrama tancrediana. Era como se na porta de cada estabelecimento comercial e industrial estivesse postado um homem de Tancredo, para arrecadar impostos, mandar ver nas multas, fiscalizando, acerbamente. Loucura. A mesma coisa, disse-me o funcionário do INPI, rola com Aéco. As empresas, atualmente, estão insatisfeiras com o governador mineiro, dada sua ganância fiscal, com  perseguição por meio de fiscais implacáveis etc. Voz do povo, voz de Deus. Ao mesmo tempo em que a derrama aeciana segue em frente, os produtos mineiros vão perdendo mercado para os produtos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Mas, o mais importante é o lance político. Aécio Neves sai vendendo propaganda de democrata. Na sua carta de despedida como pré-candidato à presidência da República, porque não aguentou suportar os nervos de aço do governador José Serra, disposto a dar lance decisivo quanto a sua candidatura somente em março, o neto de Tancredo reclama do fato de que lutou por eleições prévias dentro do PSDB, a fim de escolher o candidato tucano ao Palácio do Planalto. Meia verdade. 

Dilma, autoritarismo puro, como comprovou em Copenhague, e Serra, artista do disfarce anti-democrátigo, trânsfuga das prévias, dão péssima demonstração de ação democrática ao povo brasileiro , quando renunciam às declarações favoráveis à escolha prévia dentro dos seus partidos para enfrentar eleições gerais com o aval da comunidade socialmente organizada partidariamente.

Dilma, autoritarismo puro, como comprovou em Copenhague, e Serra, artista do disfarce anti-democrátigo, trânsfuga das prévias, dão péssima demonstração de ação democrática ao povo brasileiro , quando renunciam às declarações favoráveis à escolha prévia dentro dos seus partidos para enfrentar eleições gerais com o aval da comunidade socialmente organizada partidariamente.

As palavras, repetindo Freud, servem para esconder o pensamento. É preciso ler o contrário do que está postado na missiva aeciana. O que  faz ele relativamente a sua própria sucessão? O mesmo que o presidente Lula faz em relação à candidata Dilma Rousseff, escolhida no dedaço, à revelia dos petistas em todo o país, negando a história do partido, tido como internamente democrata. O candidato de Aécio Neves, Anastasia, como Dilma, nunca disputou eleição. Igualmente, está sendo escolhido sem consulta prévia, no dedaço. Aécio senta no próprio rabo e deita falação sobre a vida dos outros. Não há disposição dele em escolher, democraticamente, o candidato tucano que tentará substitui-lo. A carta que escreveu é a negação da própria democracia, falsa, praticada por ele. Se não faz dentro de casa o que prega fora dela, qual a moral de sair chiando contra o PSDB? Sua ação configura puro gesto anti-democrático. Farsa. Assim como Lula demonstra ser um anti-democrata anti-partidário na sua disposição de conduzir Dilma à vitória, sem levar em conta o debate interno dentro do PT, onde há candidatos, essencialmente, populares, que deram mostra disso nas eleições anteriores, por meio das quais chegaram aos governos estaduais, da mesma forma Aécio se revela anti-democrata, quando impõe Anastasia, um administrador, tido como competente, como Dilma, mas ignorante em política como ela, a exemplo do que demonstrou em Copenhague, fiasco total. Dá para desconfiar porque os que estão no poder, dominando com mão de ferro as ações governamentais, por meio de administradores e administradoras competentes, como são Anastasia e Dilma, escolhem tais figuras, alheias à política, para substitui-los. Claro, se houvesse escolha prévia de candidatos, quem fosse escolhido teria o respaldo político necessário para ter voz própria, para não ser comandado. Mas, se a escolha é anti-democrática, feita ao largo das agremiações partidárias, certamente, quem escolheu continuará, na gestão seguinte, dispondo de poder capaz de conduzir quem ajudou a chegar lá. Aécio Neves e Lula da Silva, com seus gestos anti-democráticos e autoritários, simplesmente, demonstram que suas declarações em favor de reformas partidárias são mentirosas. Não estão empenhados nesse processo, como não tiveram, também, os que os antecederam.

Os presidentes neo-republicanos revelaram suas vocações de líderes de calças-curtas por renunciarem à decisva ação política favorável às reformas, preferindo jogar com as medidas provisórias, ditadas pelo Consenso de Washington, que, na prática, determinou a governabilidade, em nome dos credores internacionais, depois da crise monetária dos anos de 1980-90, provocada pelos Estados Unidos, jogando a periferia capitalista na crise econômica e na falsa provisoriedade democrática neorepublicana neoliberal.

Os presidentes neo-republicanos revelaram suas vocações de líderes de calças-curtas por renunciarem à decisva ação política favorável às reformas, preferindo jogar com as medidas provisórias, ditadas pelo Consenso de Washington, que, na prática, determinou a governabilidade, em nome dos credores internacionais, depois da crise monetária dos anos de 1980-90, provocada pelos Estados Unidos, jogando a periferia capitalista na crise econômica e na falsa provisoriedade democrática neorepublicana neoliberal.

Os ex-presidentes José Sarneyy, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, igualmente, falaram, falaram, mas não entraram firme no processo de renovação política nacional. Em algum momento, manter o jogo político partidário indefinido, ao sabor das forças e dos interesses dominantes, tornou-se indispensável aos presidentes, ao longo da Nova República neoliberal, que nasceu com o propósito de remover a ditadura política e econômica nacional herdada de 20 anos de ditadura militar. Os militares cagaram para o Congresso, jogando os políticos em geral na merda deles. Que bom, Lula abriu espaço para o palavrão. Governaram por meio de decretos-leis. Transformaram o Legislativo em mera fantasia. Substituiram-nos os presidentes neorepublicanos, munidos não mais dos decretos-leis ditatoriais, mas das medidas provisórias. Entronizaram a governabilidade eternamente provisória, adequada aos interesses dos banqueiros que haviam obrigado os constituintes a aprovarem o artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, da Constituição, que da vida boa aos credores da dívida pública interna. Enquanto todos os demais setores econômicos e sociais podem, no âmbito do orçamento da União, ter suas dotações orçamentárias contingenciadas, o mesmo não pode acontecer com o dinheiro destinado ao pagamento dos serviços da dívida pública interna. A bancocracia se protegeu, mediante cláusula pétrea constitucional, no âmbito do parlamento nacional neorrepublicano neoliberal sob MPs. O debate público do orçamento foi para as cucuias. Os parlamentares, rendidos às determinações dos banqueiros, na Nova República, sob subordinação do Consenso de Washington, construiram a comissão de orçamento por meio da qual, como demonstrou a história neorepublicana, até agora, passaram as mais gordas jogadas de interesses escusos, desde a fatídica CPI dos anões do orçamento. Ao mesmo tempo, os governos neoliberais neorepublicanos introduziram, no Congresso, os seus líderes de governo, por meio dos quais, disputando espaço com os líderes dos partidos, levaram para dentro do legislativo a influência do executivo ditatorialmente impostor da eternidade da governabilidade provisória. Na condição de líder do governo de FHC, no Senado, o então senador José Roberto Arruda, tucano, naquela ocasião, compactou-se, criminosamente, com falecido senador baiano Antônio Carlos Magalhães, do PFL, na prática da bisbilhotice sobre a lista de votação da cassação do corrupto senador Luís Estevão. ACM e Arruda escapuliram da degola, porque renunciaram. ACM  e FHC exercitaram, como denominou o falecido senador Lauro Campos(PT-DF), a ditadura compartilhada neoliberal neorepublicana. Ao servir a dois senhores, na condição de líder do governo, Arruda meteu os pés pelas mãos, como, demonstrando que não aprendeu com seus erros, tornou a enfiar o pé na jaca da corrupção, agora, sendo autuado em flagrande por Durval Ferreira. Tá lá o corpo estendido no chão.

Os filiados e não filiados dos partidos argentinos poderão comparecer às PRÉVIAS NACIONAIS SIMULTÂNEAS no mês de agosto de cada eleição presidencial para escolherem quem vai comparecer às eleições gerais, indo todos para a escolha geral popular já com suas fichas limpas. A comunidade organizada é que faz a lista eleitoral e não os presidentes que atuam no dedaço. Contribuição decisiva do governo Cristina Kirchner para a democracia autêntica sul-americana.

Os filiados e não filiados dos partidos argentinos poderão comparecer às PRÉVIAS NACIONAIS SIMULTÂNEAS no mês de agosto de cada eleição presidencial para escolherem quem vai comparecer às eleições gerais, indo todos para a escolha geral popular já com suas fichas limpas. A comunidade organizada é que faz a lista eleitoral e não os presidentes que atuam no dedaço. Contribuição decisiva do governo Cristina Kirchner para a democracia autêntica sul-americana.

É isso aí: Aécio Neves é produto desse tempo neorepublicano falsamente democrata. Levou para Minas os ensinamentos da Nova República. De democrata pouco tem, porque os líderes falsos não quiseram realizar a reforma política, como acaba de fazer, na Argentina, a presidene Cristina Kirchner, a fim de democratizar o âmbito partidário. Previamente, segundo a reforma portenha, as escolhas dos candidatos que disputarão eleições passam a ser obrigatórias. Limpam suas fichas nas urnas e não nos tribunais, que, também, na Nova República se corromperam eticamente. A prova é a controvertida decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento da censura prévia ao jornal Estado de São Paulo, para fazer graça para os interesses do senador José Sarney(PMDB-AP), cujo filho, Fernando Sarney, recorreu aos juízes amigos para não ter sua vida investigada pelo grande matutino conservador, historicamente, representativo da democracia do capital. Agora, Fernando Sarney, talvez, melhor, certamente, influencidado pelo pai, que, inegavelmente, quando presidente, atuou como democrata, sem, contudo, encaminhar a reforma política, por falta de apoio dentro das forças conservadoras, recua e retira, envergonhado, a ação movida contra o Estadão, deixando os senhores juízes do Supremo com a cara no chão. Enfim, enquanto não rolar uma autêntica reforma política, em que os políticos que enfrentarem eleições sejam escolhidos previamente dentro de suas agremiações partidárias, pelo voto tanto dos filiados como dos não filiados dos partidos – como passou a acontecer no país dos hermanos e hermanas, nesse final de ano – a sociedade brasileira, escanteada pela falsa democracia burguesa tupiniquim, ficará como a  Januária do samba de Chico, debruçada na janela vendo passar a banda dos falsos democratas vestidos de palhaço.

Categoria: (Política)

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