11 dez
2009PIB de merda ameaça Meirelles e fortalece Serra
Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 11-12-2009

- Meirelles deu mais munição para a candidatura Serra ao sustentar, no auge da crise, juro alto que impôs comportamento insatisfatório do PIB ao mesmo tempo em que coloca o governo no risco de sofrer, de agora em diante, tensões favoráveis aos juros altos. O discurso da oposição ganha força.

Se o presidente brasileiro fosse o governador de São Paulo, José Serra, o presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, já teria dançado. A política monetarista ortodoxa do BC, fortemente, atacada por Serra, pode ser considerada a principal culpada pelo baixo rendimento da economia expresso no crescimento do PIB de apenas 1,3% no terceiro trimestre, sinalizando PIB negativo em 2009, embora, desde o início do ano, o governo estivesse enganando a sociedade com números excessivamente otimistas. Os economistas do governo venderam que o terceiro trimestre geraria PIB em torno de 2%. Ficou batendo, batendo, nessa tecla, mas o IBGE desmentiu, mostrando, na quinta , 10, o outro lado da realidade. Os números revelam dificuldades para transformar em realidade a mercadoria desvalorizada do PIB positivo que o presidente Lula vendeu a partir do segundo semestre. Quem desmentiu e desmoralizou as previsões do titular do Planalto foi o Banco Central, que resistiu à queda do custo do dinheiro no país, agravando as atividades produtivas.

- O monetarismo roxo do ministro Meirelles atuou como freio ao crescimento da economia, desmentindo as previsões otimistas do presidente, que elevou o endividamento público para salvar o capitalismo nacional, ameaçado pelos juros meirellianos que favorem a candidatura Serra.

Enquanto o presidente baixava medidas anti-cíclicas, para evitar a recessão, elevando o déficit público e o déficit em contas correntes, o presidente do Banco Central ouvia as previsões catastrofistas dos banqueiros, para sustentar o juro alto. Este acabou atrasando a recuperação da produção e do consumo. O BC jogou a economia na incerteza, acrescentando às incertezas detonadas pela crise global o prognóstico dos banqueiros de que os gastos governamentais anticíclicos aumentariam a inflação e consequentemente impulsionariam os juros. Os banqueiros passaram conversa fiada no BC, que jogou na oposição ao próprio governo. De um lado, o presidente Lula apostava todas as suas fichas no aquecimento das atividades produtivas, desonerando fiscalmente as empresas e bombando o consumo à moda keynesiana, ou seja, aumentando a dívida pública interna, que esconde, dialeticamente, a inflação, crescendo no lugar dela; de outro, Meirelles dava ouvidos à pesquisa Focus, elaborada pelos banqueiros, fazendo, contraditoriamente, previsão especulativa de juro alto futuro em 2010 em meio à desvalorização do dólar. Resultado: o juro brasileiro mais alto do mundo detonou as esperanças de PIB positivo em 2009. O BC conseguiu agravar as carências de infra-estrutura urbana , responsáveis por deixar o povo na merda, como destacou o presidente Lula, no Maranhão, na quinta-feira, graças à sustentação dos juros altos que limitam a capacidade de investimento do governo. Ou seja, o PIB DE MERDA é o contrapolo da vida do povo na merda.
Retranqueiro bancocrático

- O ministro Mantega, da Fazenda, ficou vendendo otimismo o ano inteiro, mas não radicalizou contra a taxa de juros, como fez o vice-presidente da José Alencar Gomes da Silva, adversário da política monetarista de Meirelles, aproximando-se de Serra.

O BC jogou na retranca total antevendo fantasmas, ou seja, aumento da inflação. No momento em que a moeda se encontra sobrevalorizada, com a bancarrota do dólar e dado o prestígio do Brasil no cenário internacional, como nova fronteira dos investimentos globais, as previsões inflacionárias deram lugar às deflacionárias, especialmente, se o governo atendesse inteiramente os pedidos dos monetaristas para que eliminasse gastos de modo a evitar que os juros subam. Em doze meses corridos, a inflação está na casa dos 4,1%, abaixo da meta de 4,5%. A capacidade instalada do setor industrial encontra-se inferior a 80%. A desvalorização do dólar facilita investimentos em bens de capital e compra barato geral no exterior, jogando os preços internos para baixo, em meio a um mercado potencialmente consumidor, bombado pelos gastos públicos e disseminação de programas sociais, responsável por sustentar, relativamente, a reprodução do capital sem bancarrotas.A poupança interna virou o mercado interno bancado pelo keynesianismo lulista. Caso contrário, os capitalistas nacionais esetariam na mesma condição em que se encontram os congêneres nos Estados Unidos e Europa. Se o PIB brasileiro cresceu no terceiro trimestre meros 1,3%, quando era esperado 1,8% a quase 2,5% – super-otimismo lulista – , na Europa, Estados Unidos, Japão, locomotivas capitalistas, a situação foi muito pior. No mesmo período não chegaram a 0,5%. Bancarrota geral sob ameaça de aprofundamento , como sinalizam os presidentes dos bancos c entrais, cada vez mais temerosos quanto à fraqueza das economias mais ricas e o perigo de deixá-las sem o amparo estatal.

- Sustentado na força da mulher Mariza para enfrentar o câncer, o vice aproxima-se de José Serra no discurso contra os juros altos meirellianos que impediram o crescimento satisfatório do PIB. Estaria chegando a hora do discurso de Alencar no governo Lula para enfrentar a oposição de José Serra e garantir sua candidatura para Senador por Minas em 2010?

Não fosse o conservadorismo monetarista do Banco Central, sob o comando do ministro Henrique Meirelles, que, ainda, por cima, deseja ser candidato a vice na chapa da ministra Dilma Rousseff(será?), o PIB nacional poderia ter sido positivo em 2009. Trabalhou contra os propósitos do presidente Lula a sustentação, no Brasil, da elevada taxa de juro, enquanto em todo o mundo vigora juro negativo – eutanásia do rentista – , para não agravar o endividamento dos governos, inviabilizando-lhes o papel de estabilizadores do caos capitalista pós 2008. No momento em que a crise explodiu em setembro de 2008, todos os governos capitalistas desenvolvidos reduziram a taxa de juro. Como teriam que endividar-se, fortemente, jogando muito dinheiro em circulação para sustentar a produção e o consumo, afetados pelo empoçamento da liquidez financeira, decorrente da bancarrota dos grandes bancos, decidiram jogar os juros no chão. Caso contrário, teriam que pagar juros elevados para sustentar as escaladas dos déficits. Os ricos não são burros. No Brasil, vigorou raciocínio inverso. O presidente do Banco Central, em nome do combate à inflação, justamente, quando a inflação ameaçava se transformar, na crise, em deflação, manteve os juros altos. Favoreceu, extraordinariamente, os banqueiros, que não cooperaram, na hora H, com o governo Lula, desesperado diante da possibilidade de bancarrota dos bancos pequenos e das empresas em geral, afetadas, duramente, pelos cortes de créditos imediatos. Não fosse o governo jogando dinheiro na circulação, adeus.
Candidato dos banqueiros

A presidente interina do PMDB, Iris de Araújo, mulher de Iris Resende, maior expressão do partido em Goiás, pode trabalhar por Henrique Meirelles, na batalha para inseri-lo em lista tríplice, como recomendou o presidente Lula, interferindo, diretamente, na campanha eleitoral de sua candidata escolhida à revelia do PT.
Em vez de ajudar o governo a reduzir seu endividamento, o BC manteve o juro alto escutando o argumento dos bancos segundo o qual o déficit do governo, em expansão, seria traduzido em taxa de juro mais alta. Meirelles avalizou tal argumento, podendo ter como prêmio sua candidatura à vice de Dilma pelo PMDB. O governo dilmista, se vitorioso, em 2010, teria a presença forte da bancocracia. As razões dos bancos, construída na manipulação de pesquisas coordenadas por eles mesmos, acabou convencendo o BC a sustentar os juros altos no auge da crise, agravando a situação financeira do governo e das empresas em geral. Ao mesmo tempo, com os juros altos, os grandes banqueiros, que se negaram a ajudar os bancos menores a pedido do governo, utilizando recursos do compulsório a juro zero, jogaram suas reservas não no avanço do crédito ao consumo, mas nos títulos do governo, para ganhar sem trabalhar, especulando com a selic. No auge do clima de incerteza, os bancos partiram não para a cooperação com o governo, mas para fazer avançar a oligopolização bancária. O ITAÚ e o Unibanco correram não para o chamamento do presidente Lula em favor da cooperação econômica, mas para a fusão entre eles, a fim de se tornarem mais fortes, jogando especulativamente nos juros altos dos títulos públicos bancados pela política monetarista meirelliana, embora a inflação estivesse, como está , sob controle.

Temer está sendo rifado pelo presidente que sugeriu-exigiu lista tríplece para a ministra Dilma escolher. Tudo na base do dedação, que vai configurando a anti-democracia partidária no Brasil, expressa em manifestãções de coronelismo político sustentado em popularidade presidencial em alta.
Os banqueiros especularam contra o tesouro nacional no instante em que o esforço governamental tentava livrar o país do chamado risco Brasil, a fim de ser percebido de forma oposta, isto é, como atrativo aos investimentos, o que acabou acontecendo. A força do presidente do Banco Central se revelou poderosa. A lembrança do seu nome para ser vice na chapa da ministra Dilma Rousseff, durante a semana, indic a, claramente, que ele é o candidato dos banqueiros a vice-presidência da República. Depois que o presidente Lula, na quinta, 10, recomendou ao PMDB que escolha três candidatos para Dilma Rousseff escolher entre eles aquele que preferir como companhia, abriu espaço ao titular do Banco Central. O presidente da Câmara , deputado Michel Temer está sendo rifado, à luz do dia. Como a força dos bancos é determinante dentro do PMDB, pois são as maiores fontes de financiamento de campanha eleitoral, os peemedebistas, pontos de equilíbrio da coalização governamental, pensarão duas vezes em escolher o vice de Dilma, de agora em diante, estando Meirelles com a ficha do partido no bolso. A configuração político- democrática da escolha da chapa presidencial da coalizão lulista vai revelando o espírito coronelista que está por trás dela. O presidente Lula escolheu Dilma sem ouvir o PT e delega a Dilma o mesmo poder, isto é, a tarefa de escolher seu vice dentro do PMDB numa lista tríplice. O poder do presidente Lula, ancorado na popularidade chancelada por 83% da população, o induz a intervir geral no processo sucessório. Depois de considerar que sua missão é a de tirar da merda os pobres que vivem sem infra-estrutura urbana, o titular do Planalto, por conta da política monetarista meirelliana, colhe um crescimento de merda do PIB, mas , sob pressão dos bancos, vai ter que impor a merda na chapa de Dilma. Ou o PIB de merda, construído pelos juros altos, virará a maior ameaça ao titular do BC sob ataque do governador José Serra de agora em diante?

A presidente interina do PMDB, Iris de Araújo, mulher de Iris Resende, maior expressão do partido em Goiás, pode trabalhar por Henrique Meirelles, na batalha para inseri-lo em lista tríplice, como recomendou o presidente Lula, interferindo, diretamente, na campanha eleitoral de sua candidata escolhida à revelia do PT.

Temer está sendo rifado pelo presidente que sugeriu-exigiu lista tríplece para a ministra Dilma escolher. Tudo na base do dedação, que vai configurando a anti-democracia partidária no Brasil, expressa em manifestãções de coronelismo político sustentado em popularidade presidencial em alta.









