09 dez
2009Copenhague sinaliza socialismo ou barbárie?
Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 09-12-2009

João Gregório, primeiro neto, saravá, chegou em 04.12, véspera da Conferência de Copenhague e do hexa campeonato do Flamengo. Assistiu o jogo no colo do Pedro, famenguista roxo. No momento do gol de Angelim, sensacional, deu uma cagada e uma mijada maravilhosas. MENNNGOOO!!! Quanta emoção e graça na chegada da vida eterna, amém.
Como será possível articular a oferta global de 200 bilhões de dólares anuais para distribuir entre 192 países que participam da Conferência de Copenhague de modo a adquirirem condições de combater a emissão de gases de efeito estufa para que a temperatura da terra não se eleve mais 2 graus centígrados a partir de 2050 senão pelo avanço da cooperação internacional que aponta superação do egoismo capitalista e emergência de nova sociedade? Socialismo ou barbárie?
Ao mesmo tempo, como será possível evitar carnificina competitiva internacional, depois que se desarticulou a relação comercial Estados Unidos-China, com os produtos chineses, depois do freio consumista americano, entrando adoidado nas economias capitalistas periféricas mediante moeda desvalorizada, cujo resultado é reafirmação de modelo de desenvolvimento auto-destrutivo das forças produtivas e das relações sociais da produção, senão pela superação do unilateralismo e implementação do multilateralismo internacional?
De um lado, tem-se a sinalização de que se tornou indispensável a cooperação entre os povos, para sustentarem o equilíbrio ecológico global, mas, de outro, a capacidade instalada da estrutura produtiva e ocupacional requer investimentos que, essencialmente, levam à destruição ambiental. Investe-se na destruição, para que se busque alternativas ao próprio processo produtivo suicida-egoista.
Os investimentos que os países procuram realizar destinam-se a uma base produtiva apoiada na sobreacumulação de capital cujas consequências são aumento das próprias contradições. No dia em que se iniciou a grande conferência, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama anunciou investimentos de 200 bilhões de dólares em infra-estrutura produtiva para dar sustentação ao modelo de desenvolvimento americano que, essencialmente, representa desequilibrio ambiental intrínseco, perigoso para a saúde humana, como reconheceu a agência norte-americana de meio ambiente.
Se os Estados Unidos gastam 200 bilhões em medidas que contêm , em si mesmas, o germe da destruição ambiental, o que farão os demais países, China, por exemplo, cuja base produtiva, igualmente, é ultra-destruidora do meio ambiente?
Ao mesmo tempo Obama rasga a fantasia de pacifista ao apostar suas fichas na ampliação dos investimentos em economia de guerra, que, ao longo do século 20, puxou a demanda capitalista global, especialmente, depois da segunda guerra mundial, quando o dólar, sem lastro, apoiado nas bombas atômicas, passa a ditar a divisão internacional do trabalho.
Calcula-se que o deslocamento de mais 30 mil soldados americanos para o Afeganistão, a fim de combater os talebans, implicará gastos de 1 trilhão de dólares. Jogada essa quantia monetária na circulação, ocorrerá o incremento da produção bélica e espacial. Ou seja disposição governamental de promover o equilibrio ambiental, de um lado, e a destruição , de outro. Contradição total.
O modelo de desenvolvimento guerreiro, que conformou aquilo que Eisenhouwer denominou, nos anos de 1960, de ESTADO INDUSTRIAL MILITAR NORTE-AMERICANO, continua sendo a opção principal do império, enquanto Barack Obama fantasia o discurso pacifista do meio ambiente. Grande farsa no teatro humano em que desenvolverá o espírito de João Gregório.
O primeiro negro que chega à presidência dos Estados Unidos sinaliza a paz com o comprometimento de redução de 17% da emissão de gases CO2 na atmosfera até 2020 em relação emissões registradas em 1995, algo semelhante ao que promete, também, os europeus, em 20%. Ao mesmo tempo, porém, rende-se às pressões do Pentágono e manda ver na economia de guerra. Pólo e contrapolo do império que balança no compasso da desvalorização do dólar, responsável por manter a economia capitalista em ritmo de permanente bolha especulativa global.
Prevalecerá a esperança da renovação político-ideológica que aponta para uma nova sociedade comprometida com o equilibrio ambiental, sem maiores agressões à natureza, a fim de evitar os violentos desequilíbrios, como os demonstrados pelas destruidoras chuvas , em São Paulo, nessa terça-feita, bem como outras calamidades pelo mundo afora, ou vingará a continuidade da barbárie na decisão obamista, rendida às determinações dos falcões da guerra, cuja essência é anti-ecológica?
O modo com que os líderes mundiais agirão para alcançar os recursos modernizadores da base produtiva, adequada à sustentabilidade ambiental, alterará, certamente, a relação preços- salários no compasso do desenvolvimento das forças produtivas e das relações sociais da produção em novas bases políticas contraditórias.
Se não houver cooperação entre os agentes políticos, o impasse ambiental não será superado, da mesma forma que não se encontra, até o momento, saída para o impasse no qual vai se afundando o sistema monetário global, tendo o dólar como equivalente geral já batendo biela, incapaz de garantir sua própria utilidade.
A posição brasileira na capital norueguesa está, aparentemente, confortável, porque o presidente Lula deu show político ao comprometer-se com metas ousadas – redução das emissõesde CO2 em quase 40% entre 2009 e 2020, bem como diminuição de 80 por cento do desmatamento da Amazônia e do Cerrado, já que a Mata Atlântica está, praticamente, destruída.
A China e os Estados Unidos, que estavam enrolando o assunto, foram para as cabeças, também, seguindo o Brasil. Obama passou por cima do Congresso ao obter aval da agência ambiental americana que confirmou malefício à saúde da população o aumento das emissões de CO2.
O x do problema no pós-Copenhague será saber se haverá celeridade política entre os líderes mundiais para bancar investimentos capazes de promover adaptações tecnológicas empresariais de modo a diminuir os efeitos danosos dos gases poluentes. Indiscutivelmente, será preciso, como destacou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, investimentos externos, para cobrir os custos adicionais, indispensáveis à consecução das metas prometidas.
Certamente, o Brasil dispõe da Amazônia, cujo desmatamento colocou-o na condição de um dos maiores poluidores do planeta. A capitalização brasileira por conta da queda das emissões devido à redução do desmatamento deverá ocorrer como renúncia dos empresários em investir no agronegócio nas áreas que seriam desmatadas e que se constituirão em ativos financeiros gerados pelo comércio do carbono economizado.
Não há nada seguro, por enquanto, quanto às disposições cooperativas, efetivas, para se transformar a economia do alto carbono em seu inverso, economia de baixo carbono. Seriam necessários R$ 10 bilhões anuais para o Brasil sustentar a modernização tecnológica da base produtiva, capaz de diminuir , significativamente, as emissões de CO2. Caso contrário, não terá como bancar a renúncia dos investimentos nas atividades agropecuárias, que tenderiam a garantir ingressos financeiros ao país pelas exportações de alimentos . Quanto custará, então , a Amazônia, no sentido de preservá-la, e quem pagará a conta, se não há consenso quanto a tal renúncia? Incognita total.
Copenhague, simultaneamente, sinaliza a cooperação socialista e desarranjo capitalista. Cooperação, porque o consenso global em torno da preservação ambiental implicará em organização econômico-social-política alternativa às determinações capitalistas, que se alavancam em forma de super-concentração de renda, de um lado, e super-exclusão social, de outro; desarranjo capitalista especulativo, porque coloca em tensão relações políticas e econômicas explosivas, detonadas pela grande crise global, que levam os Estados Unidos, o país mais poderoso do sistema, a insistirem em fórmula econômica guerreira que ameaça a sustentabilidade global. Eis a dualidade com a qual João Gregório terá que se virar longo do século 21.

João Gregório, primeiro neto, saravá, chegou em 04.12, véspera da Conferência de Copenhague e do hexa campeonato do Flamengo. Assistiu o jogo no colo do Pedro, famenguista roxo. No momento do gol de Angelim, sensacional, deu uma cagada e uma mijada maravilhosas. MENNNGOOO!!! Quanta emoção e graça na chegada da vida eterna, amém.









