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Estudantes, reservas morais da nação

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 08-12-2009

A resistência dos estudantes dentro da Câmara Legislativa representa a consciência da sociedade cansada de ser desrespeitada por políticos corruptos que trairam a vontade popular para fazer valer seus interesses financeiros, cujas consequências são a desestruturação moral da sociedade e a ameaça de caos econômico-financeiro. A justiça falará mais alto contra os corruptos ou ficará tudo por isso mesmo?

A resistência dos estudantes dentro da Câmara Legislativa representa a consciência da sociedade cansada de ser desrespeitada por políticos corruptos que trairam a vontade popular para fazer valer seus interesses financeiros, cujas consequências são a desestruturação moral da sociedade e a ameaça de caos econômico-financeiro. A justiça falará mais alto contra os corruptos ou ficará tudo por isso mesmo?

A decisão dos estudantes brasilienses de ocuparem a Câmara Legislativa do Distrito Federal, considerada CASA DO ESPANTO, por aprovar inúmeras leis que são, sistematicamente, derrubadas pelas instâncias jurídicas superiores como inconstitucionais, visto que atendem, geralmente, a interesses de grupos, aos quais os governantes, pelo visto, aliaram-se, como alternativa para comprar consciências, é o fato político do ano.

Certamente, tal evidência e gesto altamente renovador dos costumes políticos surgiram como reação espetacular ao escândalo patrocinado pelo governo Arruda-Octávio, cujos bastidores é pura fedentina. A fuga dos partidos para não ficarem perto da tremenda catinga e não se apodrecerem até as eleições, para serem negados nas urnas, demonstra o espetáculo imoral que marca a capital da República às vésperas de completar  seus 50 anos, envergonhando JK e seus descendentes.

O que estaria sendo abortado em forma de corrupção, envolvendo os festejos dessa data magnânima, só o tempo vai dizer, ou não. Mas, o que interessa, no momento, é a resistência estudantil. Dirão que são bagunceiros, que representam versão modelada pelo MST, que isso e que aquilo. Na prática, constituíram-se em resistência da consciência popular.

O assunto corrupção no Distrito Federal permeia o comportamento dos partidos políticos que estão ao lado do governo e escandalizam os habitantes do Distrito Federal. Vai evidenciado o óbvio: a construção dos desmandos ocorreu lenta e gradualmente a partir do governador Joaquim Roriz, que elevou ao máximo os desmandos, enquanto mantinha, de forma competente, uma áurea popular.

Indiscutivelmente, o ex-governador atendeu os interesses populares. Ao dar acesso aos lotes para que os moradores sem teto pudessem ter o seu e nele construíssem sua moradia permitiu conquista social indiscutível. Elevou, com isso, a economia a um patamar admirável, porque a construção civil ganhou dimensão significativa, gerando emprego, renda, consumo, arrecadação e investimentos públicos etc.

 

Populismo e roubalheira

 

Se não fosse os estudantes que ousadamente ocuparam a CASA DO ESPANTO talvez a maracutaia patrocinada pelos falsos representantes poderia rolar com mais facilidade a fim de livrarem os ladrões das penas que terão que cumprir, necessariamente, na cadeia, se , realmente, a justiça for feita para valer no Distrito Federal. Mas, será que isso ocorrerá na t erra onde manda quem tem QI?

Se não fosse os estudantes que ousadamente ocuparam a CASA DO ESPANTO talvez a maracutaia patrocinada pelos falsos representantes poderia rolar com mais facilidade a fim de livrarem os ladrões das penas que terão que cumprir, necessariamente, na cadeia, se , realmente, a justiça for feita para valer no Distrito Federal. Mas, será que isso ocorrerá na t erra onde manda quem tem QI?

Roriz deu lição ao programa MINHA CASA , MINHA VIDA, que está sendo tocado pelo presidente Lula. Em vez de excluir o morador da possibilidade de construir sua própria casa, dando essa tarefa para grandes empresas, com dinheiro do governo repassado à Caixa Econômica Federa(CEF), algo que possibilita desmandos possíveis e imagináveis, o ex-governador permitiu que os pobres construíssem sua própria moradia, a partir do lote concedido pelo poder público. Crença total no empreendedorismo popular, no qual Lula mostra, nesse momento, não acreditar, preferindo convocar os grandes empreiteiros, por trás dos quais a corrupção campeia, como os fatos têm, historicamente, demonstrando nos últimos anos.

Cumpriu, dessa forma, o ex-governador do DF os cronogramas sociais. Acreditou no povo, na sua capacidade empreendedora, o que não acontece, por exemplo, com o MINHA CASA, MINHA VIDA lulista. Talvez, por isso, não esteja alcançando resultados previamente anunciados com toda a pompa, porque os interesses dos grandes, que estão tocando o programa, impedindo que  o povo construa por si mesmo, não deixam.

Embora Roriz tenha acreditado na capacidade empreendora popular, não deixou, ao mesmo tempo, de andar mal acompanhado, como foi o caso da contratação de Durval Barbosa, policial que foi tomar conta da CODEPLAN, de onde armou toda uma jogada especulativa que destruiria reputações, tanto de Roriz, como de quem viria substituí-lo mais tarde, como é o caso do governador Arruda, demonizado e prestes a ser defenestrado pela população, junto com seu vice, Paulo Octávio.

O governador não apenas aprendeu a ser grande secretário de Obras, na administração de Roriz, mas, igualmente, sujou-se nas armações corruptas , em parceria com Durval. Seu governo, pelo que se pode perceber, graças às contundentes provas disponíveis, exagerou na dose. Estará pagando seus pecados pela vida eterna, amém.

A lama política arrudista envolveu, depois do aprendizado adquirido nas administrações do ex-governador Roriz, a maioria dos partidos – PMDB, PPS, PS, PDT, PSDB – sob comando do DEM, do governador e do vice. Ambos, em dobradinha que vai para a história como maldição a ser extirpada pela ética popular, ampliaram o escopo corruptista rorizista e abusaram da paciência geral.

Durval Barbosa, elemento sinistro que, igualmente, vira fato histórico para ser lembrado com asco pelas futuras gerações, contribuiu, no final das contas, com as fitas da corrupção que gravou, como profissional de investigação, para dar dimensão gigantesca ao processo de desmandos gerais no DF.

 

Hombridade estudantil 

  

A força estudantil obrigou os políticos a se renderem à força do ideal que busca para o Distrito Federal um status quo oposto ao que se verifica, manchado pelo desmando, corrupção e ladroagem, envergonhando a população que deixa de acreditar em falsos líderes que pousam como vestais arrombados pelo desejo de fazer o pé de meia a qualquer custo às custas dos contribuintes.

A força estudantil obrigou os políticos a se renderem à força do ideal que busca para o Distrito Federal um status quo oposto ao que se verifica, manchado pelo desmando, corrupção e ladroagem, envergonhando a população que deixa de acreditar em falsos líderes que pousam como vestais arrombados pelo desejo de fazer o pé de meia a qualquer custo às custas dos contribuintes.

Faz-se necessário, inclusive, que a população venha a agradecê-lo. Talvez, o sujeito  não desejasse que suas ações  malditas alcançassem a repercussão que alcançou. Não estaria em seus propósitos sua própria destruição, que , felizmente, acontece, levando de roldão um monte de gente, que traiu a confiança popular. Mas, o fato é que com a podridão exposta tornar-se mais fácil sua remoção.

A contribuição dos estudantes, nesse momento, é, justamente, essa, a de dar dimensão extraordinária a esse fato, com o qual as falsas lideranças conviviam, sem se sentirem envergonhadas, levando a vida como se tudo fosse normal.

O comportamento do deputado Prudente, presidente da Câmara Legislativa, é único na história do Brasil. Não se tem notícia de alguém que tenha abastardado tanto o poder legislativo, jogando por terra sua utilidade prática, na medida em que levantou a população para questionar se realmente é útil ou merece ser eliminado tal poder abastardado.  A presença dos estudantes ocupando a Casa legislativa é um ato de resistência democrática que deve ser saudado com honras.

Os estudantes brasileiros, depois da ditadura militar, que deu lugar à Nova República, cuja essência política e econômica  foi a de render-se ao Consenso de Washington, adotando o neoliberalismo , pregador do pensamento único alienado, tinham saído da cena política nacional. Parecia que tinham acomodado.

De certa forma, isso aconteceu, enquanto os crimes contra a sociedade, por meio da prática da corrupção, foram se acumulando, no compasso da estratégia governamental em que a prioridade nacional passou a ser o econômico-financeiro, em forma de pagamento dos juros aos credores, e não o social, para resgatar os mais pobres da indigência, tornando-os consumidores e construtores da nação.

 A União Nacional dos Estudantes(UNE), nesse período histórico neorepublicano neoliberal, rendeu-se ao comodismo. A política deixou de ser o assunto de primeira ordem dentro das universidades, como ocorreu nos anos de 1970/1980, de resistência à ditadura.

 No compasso do capitalismo especulativo, nova ordem foi sendo imposta e o prioritário, para os estudantes deixou de ser a política, para dar lugar às preocupações com a profissionalização e conquista do mercado de trabalho.

Contudo, enquanto a alienação estudantil avançava, no seu rastro, ampliavam-se, também, os desmandos políticos, avantajados pela ausência das pressões estudantis e populares junto aos políticos, que, nos legislativos, deixaram de exercitar seu papel para render-se à governabilidade eternamente provisória, a cargo do poder executivo, rendido às determinações dos credores internacionais.

Essa ausência criou as bases para a expansão sem limites da corrupção dos poderes da República, executivo, legislativo e judiciário. A tampa explodiu no Distrito Federal. Os estudantes brasilienses, nesse contexto, elevam-se como consciência moral da nação para dar um  basta geral.

O desdobramento do escândalo arrudista-paulooctavista abre as portas de  novo momento histórico cujas conseqüências apontam para a remoção dos desmandos, obrigando a CASA DO ESPANTO a se tornar mais sintonizada com os interesses populares e menos com os ladrões do dinheiro do contribuinte.