03 dez
2009Grande Cristina, líder sul-americana
Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 03-12-2009

Amplo guarda-chuva democrático é estendido a toda a América do Sul por Cristina, que entra para a história política como renovadora do PERONISMO, superando a sua representação POPULISTA, ultrapassada, agora, pela democratização total da escolha partidária, para além das limitações históricas estabelecidas pelas elites reacionárias.
Pintou a grande liderança política sul-americana, no início do século 21: Cristina Kirchner. Lição da mulher para melhorar os costumes democráticos na América do Sul. Nem Chavez, nem Lula, nem Fidel, Cristina. A proposta NACIONALISTA-INTERNACIONALISTA de reforma política que ela conseguiu aprovar no Senado, liberando a sociedade, para ajustar, diretamente, suas contas com a classe política, que ela escolhe para liderar o processo econômico, político e social, representa avanço espetacular rumo a uma sociedade mais justa, no triste solo sul-americano, permeado de colonialismo político machista.
Depois de aprovar, no Congresso, lei de comunicação que democratiza totalmente a informação para as hermanas e hermanos, contrariando, profundamente, os oligopólios midiáticos, que dirigem , coordenadamente, as informações na América do Sul, em defesa dos interesses econômicos concentradores de renda, Cristina conquista grande vitória que permite a ampla democracia partidária.
As eleitoras e eleitores poderão, de agora, em diante, conforme aprovação da proposta no Senado, ontem à noite, escolher, antes das eleições, quem vai representar o partido. Claro, quem tem ficha suja, está fora. A verdadeira lista partidária será tirada na ponta da língua popular, democraticamente. Democracia na informação e na política, total.
Os partidos e seus respectivos candidatos irão para as eleições pré-aprovados pela força do povo. Os eleitores concedem, previamente, aos candidatos o diploma de FICHA LIMPA, ou seja, o direito de disputarem eleições. Integridade, lisura, transparência.
Por 42 votos a favor e 24 contra, no Senado, ficou estabelecido que as eleições gerais serão precedidas de eleições partidárias PRIMÁRIAS, ABERTAS, OBRIGATÓRIAS E SIMULTÂNEAS. Show. Ao mesmo tempo, somente participará das eleições gerais o partido que obtiver 1,5% dos votos, senão deixa de ser credenciado perante a opinião pública.
Fixou-se, ainda, o chamado PISO ELEITORAL. Quem alcançar 2% do total dos votos nos distritos credencia-se para a disputa. Caso contrário, nada feito. E mais: EMPRESAS ESTARÃO PROIBIDAS DE CONTRIBUIR FINANCEIRAMENTE PARA CAMPANHA ELEITORAL.
Simples, tudo muito simples, democraticamente, revolucionário. Já o candidato à presidência da República, somente conseguirá disputar se obtiver nas PRIMÁRIAS, ABERTAS, OBRIGAÓRIAS E SIMULTÂNEAS, pelo menos, 1,5% dos votos.
Superação do populismo

Expressão do desejo popular, Peron, o líder da TERCERA POSICION sul-americana, no contexto mundial, é, fundamentalmente, produto da anti-democracia burguesa, que limita a liberdade partidária, dando lugar às LIDERANÇAS CARISMÁTICAS NACIONALISTAS, identificadas, parcial ou totalmente, com o interesse popular, na oferta da sua reivindicação básica, garantias sociais, econômicas e políticas.
O mais sensacional da nova legislação eleitoral argentina é que nas PRIMÁRIAS todos poderão participar, filiados ou não na escolha dentro da agremiação partidária. Assim, em agosto de ano eleitoral, ocorrerão as prévias. QUE ROTINA DEMOCRÁTICA!
A aprovação dos senadores, uma semana depois de ter ocorrido o mesmo na Câmara dos Deputados, representou o último grande gesto político do KIRCHNERISMO antes da nova Legislatura. Nesta, o KIRCHNERISMO não terá mais maioria no Congresso.
Cristina Kirchner, que foi derrotada nas últimas eleições parlamentares, em julho, adiou em 10 dias o fim do ano parlamentar, para conquistar, com a maioria parlamentar kirchnerista, essa brilhante vitória democrática sul-americana.
A oposição, claro, chiou; não deixaria passar uma coisa dessa, dispondo de maioria, porque , sempre, correspondeu às forças conservadoras, resistente à democracia partidária verdadeira. A esquerda mais radical e os conservadores mais radicais – os extremos se aproximam nos equívocos – consideraram a nova legislação partidária prejudicial aos partidos menores.
Na prática, tenderá ocorrer o oposto; os menores, se verdadeiros, poderão se transformar em maiores e os maiores, em menores, se continuarem comportando-se como sempre comportarem, ou seja, enganando a sociedade mediante predomínio do dinheiro.

Os traidores da classe trabalhadora são as elites políticas dos próprios trabalhadores, aliados aos conservadores, que obstaculizam os canais políticos partidários, desenganando a opinião pública, que se volta para os carismáticos líderes, como representação do seu desejo eternamente traído, como aconteceu com a REVOLUÇÃO TRAÍDA, diz Trotski.
Se o povo escolhe o candidato FICHA LIMPA , despachando o FICHA SUJA, previamente, ocorre, consequentemente, RADICALIZAÇÃO DEMOCRÁTICA POPULAR, cuja expressão será o banimento da INFLUÊNCIA DO DINHEIRO na composição política orgânica social.
Agora, na Argentina, a sociedade portenha conquista o direito à livre informação, graças à legislação de comunicação, recentemente, aprovada, e a lei da democracia partidária total. Celso Furtado, certa vez, disse que o SOCIALISMO chegaria à América do Sul pela Argentina, dado o elevado grau de educação no país.
Depois de os argentinos, com PERON, conquistarem os direitos sociais e políticos, sob GOVERNABILIDADE POPULISTA, conduzida por LÍDER POPULISTA, a presidente CRISTINA KIRCHNER, herdeira do peronismo populista, dá um passo adiante. Remove o POPULISMO e abre os partidos ao povo.
Pelas agremiações partidárias, da forma em que está na lei, passarão os antagonismos de classe, configurando ampla democracia partidária.
Trotski explica o fenômeno populista como resultado da TRAIÇÃO DAS ELITES. Estas, sob o poder do capital, impedem as transformações sociais. O povo, espremido e subjugado, volta-se para lideranças carismáticas. Hitler, Mussolini, Stalin, Getúlio Vargas, Perón, Chavez, Lula, Fidel, Evo Moralez, Cardenas, Alvarado etc surgem como refúgio do povo, subjugado pelo capital, junto a lideranças carismáticas populistas.
Lideranças de calças-curtas

Faltou determinação e coragem política à COALIZÃO GOVERNAMENTAL LULISTA para ampliar a democratização no país, rendendo-se ao conservadorismo imposto pelo interesse do capital, que impede o avanço livre das massas ao seu destino, de comandar, revolucionariamente, pelo voto, por intermédio dos partidos, em seus antagonimos dialéticos de classe sob o capitalismo.
Se os partidos políticos se abrem, como ocorre, a partir desse momento histórico, na Argentina, para que os antagonismos de classe circulem livremente, as LIDERANÇAS POPULISTAS perdem utilidade.
Liberdade de informação + liberdade de escolha popular partidária dá o novo TOM do processo político sul-americano. Lição política feminina sul-americana. SARAVÁ.
Enquanto isso, no Brasil, LIDERANÇAS POLÍTICAS DE CALÇAS CURTAS, como o presidente do Congresso, senador José Sarney(PMDB-AP), e o presidente da Câmara, deputado Michel Temer(PMDB-SP), protagonizam o espetáculo falsamente democrático.
Diante do escândalo político monumental, patrocinado pelo governador José Roberto Arruda(DEM-DF), na Capital da República, os dois falsos líderes tentam segurar a fúria popular por VERDADEIRA reforma política, mantendo-se calados, sem mover uma palha rumo a uma legislação amplamente democrática, semelhante à que passa a vigorar na Argentina.
Quem são os atrasados: a elite política brasileira, falsamente, democrática, que segura a reforma dos costumes políticos, no Brasil, ou Cristina Kirchner, que os falsos democratas chamam de POPULISTA, herdeira de Perón?
O presidente Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vão para a história como continuadores do processo político conservador colonialista sul-americano que agora Cristina remove na Argentina.
O titular do Planalto, na Europa, lamentou que o Congresso não votou suas propostas de reforma política. A mesma coisa dissera FHC. Na verdade, ambos fugiram do pau. Não se empenharam. Foram omissos.
O Executivo culpa o Legislativo e o Legislativo, o Executivo. Estratégia da liderança de CALÇA CURTA para evitar que o POPULISMO seja removido por intermédio da democracia partidária total.
O POPULISMO, nesse sentido, é falsamente atacado pelas elites. No fundo, para elas, é mais importante dispor de um POPULISTA para atacar do que um PARTIDO TOTALMENTE DEMOCRATIZADO, como expressão autêntica da GENERALIZAÇÃO DO POPULISMO. Cristina, autêntica líder sul-americana.









