19 nov
2009Obama fatura natal de Lula
Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 19-11-2009

Barack Obama reclama da moeda chinesa sobredesvalorizada, mas fica super-feliz com a moeda brasileira sobrevalorizada. Com os chineses, acumula déficit, que ameaça o dólar; com os brasileiros, acumula superavit ,que ajuda a moeda americana. Para a China, as empresas americanas não vendem nada; para o Brasil, faturam alto, vendendo tudo. Enquanto isso, cresce a desindustrialização brasileira e sul-americana.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá mandar um lindo cartão de natal ao seu colega brasileiro, presidente Lula, agradecendo pelo belo presente que o governo da coalizão governamental lulista está proporcionando à economia americana, graças ao real sobrevalorizado. Ao final, desejará boas festas e próspero ano novo.
O presidente brasileiro , por outro lado, comemorará as boas vendas com o brinquedo dos outros, e não dos brasileiros. Com a moeda nacional sob ataque cambial, excessivamente, valorizada, os industriais brasileiros perderão competitividade com os concorrentes internacionais. Acelera-se a desindustrialização nacional.
Os vendedores das grandes lojas de departamento e de supermercados estão otimistas. Prevêem queda de preços nos produtos importados da ordem de 20% a 30% em relação ao ano passado. Nos últimos doze meses, o dólar se desvalorizou quase 40% em relação ao real. Ninguém, nesse contexto, vai comprar, no natal, produto nacional, mas, sim, importado. Afinal, pintará natal com deflação. Papai Noel vestido de Tio Sam.
Partes, peças e componentes importados para as indústrias de linha branca, favorecidas por desoneração fiscal, bem como para computadores e celulares, terão suas vendas elevadas, segundo os vendedores, na casa dos 50%, podendo alcançar, até, 200%, no caso dos tevês mais modernos, LCD. Um show de importações baratas em dólar que se despenca na praça internacional em meio à bancarrota financeira global dos Estados Unidos.
Da mesma forma, bens duráveis, como automóveis, idem, as importações ficarão baratas e as exportações caras. Com o dólar a R$ 1,70, podendo cair para R$ 1,60 – alguns prevêem R$ 1,50 – a indústria nacional quebra e os competidores, como as indústrias chinesas e americanas, com seus dólares desvalorizados, jogam suas mercadorias a preço de banana em toda a América do Sul. Parece com o cenário no início da Era FHC, em que o ex-presidente do Banco Central, Gustavo NEOLIBEAL Franco, pregou que as empresas brasileiras fossem se instalar na Bolívia, com a sobrevalorização do real como arma de combate à inflação. Combate a inflação, mas eleva a dívida e destroi as empresas, os empregos etc.
O dólar sobredesvalorizado cria, por sua vez, ambiente de impasse na relação comercial sul-americana, como é o caso do conflito comercial Brasil-Argentina, devido, principalmente, ao fato de que os argentinos se fecharam para as mercadorias brasileiras, mais caras, e se abriram para as chinesas e americanas, mais baratas. Da mesma forma ocorre na Venezuela. Os chineses estão colocando lá os computadores e celulares pela metade do preço, descartando os produtos similares fabricados e montados em São Paulo.
O Mercosul não dá certo porque os sul-americanos estão sob ataque do dólar, enquanto dormem no ponto, não alavancando a moeda sul-americana e o Banco do Sul, para integrar o continente na nova divisão internacional do trabalho à vista, com a derrocada financeira norte-americana.
Enquanto isso, os exportadores estarão penando prejuízos. A valorização de quase 40% do real frente ao dólar impede as exportações. Como o modelo de desenvolvimento econômico concentrador de renda e poupador de mão de obra é dependente de poupança externa e de importação de partes, peças e componentes, para montar as indústrias sob ataque especulativo do dólar, evidentemente, sob política cambial e monetária bancada por juros altos, enquanto na Europa e nos Estados Unidos prevalece taxa de juro negativa, a situação é péssima para o parque produtivo brasileiro.
No tempo da eutanásia do rentista , juro negativo, e da desvalorização do dólar, os especuladores têm salvação no juro positivo-especulativo brasileiro. Maná.
Tal contexto coloca a indústria brasileira sem condições de exportar em um mercado internacional onde o espírito de poupança passou a prevalecer sobre o da gastança, especialmente, nas praças comerciais ricas, Europa, Estados Unidos, Japão.
Se já seria difícil vender para esses países, se o real estivesse desvalorizado, valendo cada dólar em torno de R$ 2,20, supostamente, imagine com a moeda americana na casa dos R$ 1.70, tendende à maior apreciação, ainda, como estimam os analistas, em geral!
A visita de Barack Obama aos países asiáticos, pregando desvalorização da moeda da China, do Japão e da Coréia, para que elevem os gastos públicos para aumentarem o consumo interno, a fim de facilitar a redução dos deficits americanos, pode não colher resultados positivos. Em compensação, no Brasil, onde nem precisa vir, a situação é favorável aos americanos.
A disposição da China de manter desvalorizado o yuan na relação com o dólar significa, simplesmente, declaração de intensificação da guerra comercial em curso.
Os países em geral, para terem sucesso no comércio exterior, terão que seguir o mesmo caminho, ou seja, desvalorização cambial, guerra cambial. Carnificina monetária.
Indústria sob ataque do dólar barato

Os industriais exportadores estão pedindo água ao ministro Mantega, porque estão trabalhando para enriquecer os empresários americanos e a aliviar o deficit do governo Barack Obama, garantindo o natal mais agradável aos sobrinhos de Tio Sam. Pagam para trabalhar.
Todos correrão para desvalorizar, a fim de garantir uma melhor posição de vendas externas. Do contrário, mantida a desvalorização do dólar, que sobrevaloriza as demais moedas, haverá ampla desindustrialização, especialmente, na periferia capitalista.
Pouco adiantaria aos países capitalistas periféricos disporem de dólar barato, capaz de facilitar as importações, principalmente, de bens de capital, para modernização dos parques industriais, se estes produzirão sem competitividade frente à guerra cambial em marcha internacional.
Essa começa a ser a realidade do parque produtivo nacional, cujos líderes se esperneiam , desesperadamente.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria, deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), pregou , em encontro dos seus pares com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, aceleração de medidas que facilitem saída de dólares do país, para que o real se desvalorize, a fim de salvar a produção interna. Mantega prometeu continuar o processo de desoneração fiscal por mais algum tempo, mas essa estratégia terá que parar, porque o aumento do deficit público sinaliza juro alto, cujas consequencias seriam mais dificuldade para a produção.
O cenário desenhado otimisticamente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na CNI, nessa terça, 18, em que a economia brasileira crescerá 6% nos próximos anos, configurando o avanço de 50% do PIB até 2016, dado o potencial econômico nacional, que atrai investidores internacionais em grande escala, nesse momento, pode não ser satisfatório para os industriais brasileiros, se o dólar continuar desabando, sinalizando papel pintado nos próximos anos, por conta dos deficits americanos.
A eleição presidencial do próximo ano poderá ser impactada fortemente pelo dólar barato. Depois de escolhidos, os candidatos dos respectivos partidos terão que concentrar na realidade do dia a dia dos trabalhadores, deixando para lá o dia a dia das brigas partidárias. Nesse momento, a desvalorização do dólar frente à excessiva valorização do real produzirá pressões, no Congresso, que levarão o governo a acelerar mudanças na política cambial.
O governo será pressionado pelos próprios números do endividamento, pois o dólar entrando sem controle significa dívida maior, pressão altista dos juros, tensão inflacionária, porque a dívida cresce, dialeticamente, no lugar da inflação, e, consequentemente, menor nível de atividade e queda cadente de arrecadação. Dilma Rousseff só teria a perder. Aécio Neves ou José Serra, a ganhar.
Certamente, o presidente Lula não vai deixar a coisa chegar ao ponto de perturbar eleitoralmente o governo. Antes, medidas cambiais deverão estar em ação. Caso contrário, o presidente Barack Obama, não apenas em 2009, mas, também, em 2010, mandará novos cartões de natal para o colega Lula da Silva, o cara..





















