Multiplicador de empobrecimento nacional agita Congresso de olho na eleição presidencial

O senador gaúcho, que está na vanguarda da defesa dos aposentados e pensionistas, provoca ira dos neoliberais dentro do governo , cuja preoucpação, ainda, sob reinado lulista, é pagar em dia os juros da dívida pública interna, que exigem sacrifícios crescentes dos que vivem de salários, em nome da governabilidade bancocrática
O senador gaúcho, que está na vanguarda da defesa dos aposentados e pensionistas, provoca ira dos neoliberais dentro do governo , cuja preoucpação, ainda, sob reinado lulista, é pagar em dia os juros da dívida pública interna, que exigem sacrifícios crescentes dos que vivem de salários, em nome da governabilidade bancocrática

O Congresso viverá nessa quarta feira 11 um dos dias mais  agitados politicamente dos últimos tempos. Está em pauta reivindicações sociais de grande repercussão. Os políticos estão de cabelo em pé, graças à disposição dos trabalhadores, que vão à luta por duas questões fundamentais. De um lado, os trabalhadores inativos; de outro, os ativos. Os primeiros querem eliminação do chamado FATOR PREVIDENCIÁRIO e vinculação da política de reajuste do salário mínimo para os trabalhadores aposentados, tanto para os que ganham o mínimo , como para os que percebem acima do mínimo, bem como recuperação de perdas acumuladas, desde 1993, quando começa a era neoliberal irracional, na Nova República. Já os indutriários e comerciantes pregam a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, polarizando com os empresários, que prevêem desempregos, se a medida for aprovada pelos congressistas.

Os trabahadores inativos que ganham mais de um salário mínimo querem o reajuste real de 63% dado aos que ganham apenas o mínimo no período de 2003 a 2008, retroativos a partir de 2006.  São 8,5 milhões de aposentados. Ao mesmo tempo, pregam, cada vez mais radicalmente, o fim do FATOR PREVIDENCIÁRIO, que, na prática, representa MULTIPLICADOR DE EMPOBRECIMENTO do trabalhador. Quem se aposentou com 20 salários mínimos há 10 anos, estaria ganhando , hoje, apenas, 5 salários mínimos. Os exemplos abundam nas declarações dos aposentados que lotam os corredores e salões do Congresso , nesses dias, realizando pressão insuportável sobre senadores e deputados, cada qual explicando suas situações singulares.

A grande estrela dos trabalhadores inativos, atualmente, é o senador Paulo Paim(PT-RS), que elaborou projetos de lei para atender as reivindicações deles. Governistas e oposicionistas estão sendo obrigados, para desespero do Palácio do Planalto, a marchar com Paim, todos de olho nos votos dos aposentados , 25 milhões, e de suas famílias, algo próximo de 80 milhões de pessoas, na eleição de 2010, que escolherá o novo ou a nova presidente, os governadores/ras e os e as novas parlamentares, nas Assembléias Legislativas e no Congresso. Ou seja, eleitorado que desequilibra qualquer eleição, para o bem e para o mal. 

 

Roubo descarado

Se o trabalhador economizou sua aposentadoria por um montante x e recebe, agora, x-1, tem que entrar no Supremo Tribunal Federal para recuperar aquilo que colocou e que está sendo surrupiado como forma de compensação pelo roubo executado em nome do ajuste macroeconômico bancocrático neorepublicano
Se o trabalhador economizou sua aposentadoria por um montante x e recebe, agora, x-1, tem que entrar no Supremo Tribunal Federal para recuperar aquilo que colocou e que está sendo surrupiado como forma de compensação pelo roubo executado em nome do ajuste macroeconômico bancocrático neorepublicano

Há uma corrente de parlamentares que já articula, inclusive, buscar o Supremo Tribunal Federal como instância última para proteger os trabalhadores inativos do roubo expresso no FATOR PREVIDENCIÁRIO. Seria o caso de pedir de volta o que os aposentados  pagaram a mais, em forma de recolhimento de aposentadoria, para compensar o que recebem a menos, graças à roubalheira descarada. 

Os governistas, como os deputados Cãndido Vaccarezza(PT-SP) , líder da bancada petista, e Henrique Fontana(PT-SP), líder do governo, na Câmara, estão sendo vaiados em plenário. Argumentam que o governo não tem como bancar o pagamento reivindicado , que alcançaria R$ 130 bilhões, colocando em risco a Previdência Social, cuja situação financeira piorou no último ano com queda no nível de atividade econômica, por conta da bancarrota financeira internacional.

Os oposicionistas contrargumentam que não seria difícil ao governo fazer com os aposentados o que está fazendo com a Petrobrás, capitalizando ela em títulos públicos, ancorados na reserva do pré-sal, na proporção de 5 bilhões de barris, que serão, futuramente, comercializados. Por que não sacar em favor dos aposentados, também, capitalizando-os como compensação do logro produzido pelo FATOR PREVIDENCIÁRIO e pela assimetria na concessão de reajuste real para os que se aposentaram com mais de um mínimo, garantindo, também, os pensionistas, cuja fatura será de R$ 6 bilhões/ano?

 

Capitalistas equivocados

Os capitalistas brasileiros resistem à redução da jornada de trabalho porque estão presos a um padrão de sobreacumulação de capital que impõe insuficiência geral de consumo global e que não percebe que menos horas trabalhadas representam maior renda disponível para o consumo que elevaria demanda para as indústrias. Estão longe da social democracia e perto da escravatura
Os capitalistas brasileiros resistem à redução da jornada de trabalho porque estão presos a um padrão de sobreacumulação de capital que impõe insuficiência geral de consumo global e que não percebe que menos horas trabalhadas representam maior renda disponível para o consumo que elevaria demanda para as indústrias. Estão longe da social democracia e perto da escravatura

Ao lado dos trabalhadores inativos, estarão, também, lotando os corredores do Congresso, ao longo dessa quarta feira, os trabalhadores ativos, da indústria e do comércio, para defenderem a redução de 4 horas na jornada de trabalho. Trata-se de briga histórica dentro do capitalismo.

Quanto mais horas de trabalho, menores são os salários, maiores as explorações, maior o desemprego estrutural, na estrutura produtiva e ocupacional do modelo de desenvolvimento econômico nacional, poupador de mão de obra e concentrador exponencial de renda, responsável por promover, historicamente, no Brasil,  elevada insuficiência relativa de consumo global.

No compasso do desenvolvimento científico e tecnológico aplicado às atividades produtivas, elevando, exponencialmente, a produtividade e a consequente taxa de lucro empresarial, o trabalhador não precisa mais de 40 horas para girar a taxa de lucro do empresário na escala atual. Com menos, até, 30 horas semanais, geraria valor suficiente para tal.

Se se trabalha, hoje, 44, acumula-se 14 horas de TRABALHO NÃO PAGO, como diria Marx, pelos empresários, embolsado em forma de mais valia. Ou seja, redução da jornada de trabalho não seria prejudicial à produtividade. Ocorreria o oposto: haveria aumento de salário real dos trabahadores, porque teriam menos salário roubado do capital. Vale dizer, elevaria a renda disponível para  consumo.

Beneficiaria o próprio capital, como compreendeu a social democracia européia, que assegura melhor padrão de vida aos trabalhadores, responsável, nesse momento, pela resistência da economia européia à bancarrota financeira. 

Os empresários, que não raciocinam do ponto de vista macro, mas micro, para inserir-se na realidade egoista em que se situam, se perdem no mecanicismo, em vez de seguir a dialética. Getúlio Vargas já dizia que os capitalistas brasileiros são burros. 

 

A malandragem de Marshall

O curto prazo marshalliano é uma tremenda malandragem dos economistas neoclássicos do século 19 em cima dos trabalhadores que persistiu no século 20 e prossegue no 21, tirando renda do trabalho em nome da acumulação capitalista, bombando especulação, que, agora, detona o capital na grande crise financeira global
O curto prazo marshalliano é uma tremenda malandragem dos economistas neoclássicos do século 19 em cima dos trabalhadores que persistiu no século 20 e prossegue no 21, tirando renda do trabalho em nome da acumulação capitalista, bombando especulação, que, agora, detona o capital na grande crise financeira global

O FATOR PREVIDENCIÁRIO, que inferniza a vida dos aposentados, por corresponder a  FATOR DE EMPOBRECIMENTO,  ao multiplicar para trás e não para frente o rendimento dos seus salários, significa uma variação a mais dos arranjos conceituais que os economistas desenvolveram para roubar o dinheiro do trabalhador. Guarda relação com as ideologias desenvolvidas pelo economistas neoclássicos, no século 19, com destaque para o mestre Alfred Marshall. Sua façanha foi a de adaptar a teoria dos rendimentos decrescentes de Ricardo, válida para a estrutura de produção agrícola, para a estrutura industrial, onde os rendimentos, dado o desenvolvimento tecnológico, são, fundamentalmente, crescentes. Ou seja, o contrário.

É incrível essa armadilha pregada contra os trabalhadores. Ricardo havia , com sua genialidade, conceituado que o aproveitamento das novas terras, menos férteis, implicava custos mais elevados para os proprietários. Por isso, quanto mais trabalhadores colocados para lavrarem as terras menos férteis, improdutivas,  acrescidas às férteis, produtivas, menores teriam que ser os salários, para compensar essa questão “natural”, “física”.

O arrocho salarial não seria fruto das relações conflitivas entre capital-trabalho, mas decorreria de lógica natural, física, que impõe lucros decrescentes por conta da utilização do solo improdutivo. O que fizeram os neoliberais? Transferiram essa lei, válida para a agricultura, para a indústria. Assim, quanto mais trabalhadores na indústria, assim como na agricultura, menor teriam que ser os salários no processo industrial, em obediência à lei ricardiana dos rendimentos decrescente.

Esse conceito, como explica muito bem Lauro Campos , em “A crise da ideologia keynesiana”(Campus, 1980),  foi trabalhado por Marshall no plano MICROECONÔMICO, no âmbito da empresa, individualizada, condicionada a um determinado MOMENTO DADO , em que vigorasse, de forma congelada, a técnica, o equipamento e a organização empresarial. Ou seja, trata-se de arranjo abstrato adequado ao plano MICROECONÔMICO sobre o qual aplicou a lei de Ricardo dos rendimentos decrescentes, sempre que os empresários empregassem mais gente na produção industrial.

 

Jogo do cinismo capitalista

Keynes inverteu o diagnóstico de Marx segundo o qual a insuficiência no capitalismo é de consumo e não de produção, para priorizar a multiplicação dos investimentos estatais com moeda inconversível, inflacionaria, dinamizando economia de guerra, cujos limites são os deficits públicos que estimulam corrida contra as moedas, jogando o sistema na anarquia deflacionária, exigindo o Estado como interventor salvacionista
Keynes inverteu o diagnóstico de Marx segundo o qual a insuficiência no capitalismo é de consumo e não de produção, para priorizar a multiplicação dos investimentos estatais com moeda inconversível, inflacionaria, dinamizando economia de guerra, cujos limites são os deficits públicos que estimulam corrida contra as moedas, jogando o sistema na anarquia deflacionária, exigindo o Estado como interventor salvacionista

Tal armação marshalliana não seria, por outro lado, adequada à MACROECONOMIA, onde as variações , no tempo e no espaço, sob impacto do desenvolvimento científico e tecnológico, obrigam as empresas a buscarem mais tecnologia, mais ciência, mais produção, para reduzirem custos e aumentarem competição lucrativa, caminhando para o monopolío e oligopólio. A lei de rendimentos decrescentes de Ricardo não caberia, então, na estrutura industrial que trabalha com rendimentos crescentes, alterando, ININTERRUPTAMENTE,   o equipamento, a técnica e a organização. Não há o congelamento de situação a priori dada. Tudo está em movimento, para frente e para o alto, como diria o governador Ademar de Barros.

No entanto, Keynes encaixa a lei de rendimentos decrescentes, formulada por Marshal, para o plano MICROECONÔMICO, no espaço MACROECONÔMICO. Tenta enfiar o MACRO no MICRO. Pé 54 em sapato 22. Inversão da realidade.

Nesse mundo artificial e economicamente invertido, quanto maior o volume de emprego, menores deveriam ser os salários. O genial economista inglês, liberal cínico, utilitarista, aplicou, no plano homogeneizado da produção, em que as categorias sociais são indiferenciadas, como se vivessem no exterior da realidade, sem conflitos antagônicos, a sua TEORIA INVERTIDA.

Mandou ver um FATOR PREVIDENCIÁRIO para arrochar os trabalhadores nas indústrias, como se eles trabalhassem na agricultura, nas terras menos férteis, enquanto ocorre o contrário, já que trabalham com máquinas que elevam constantemente a produtividade.

O capitalismo marshalliano de curto prazo foi estendido por Keynes para o longo prazo. Eterniza a exploração. Esses ardis maquiavélicos dos economistas clássicos e neoclássicos, armados com o concurso da econometria matemática, ciência, que, conforme Hegel, se desenvolve no exterior da realidade, não podendo, pois, determiná-la, se estendem por todo o século 19 e 20. O objetivo é um só: promover a acumulação capitalista global, arrochando salários. Roubo.

O capitalismo arma sua própria armadilha para nela cair: a insuficiência de consumo que leva o capital a descolar-se da produção para a especulação, implodindo nas bolhas. A crise atual é o retrato disso.

 

Controle bancário estatal total

A anarquia financeira que as bolhas especulativas capitalista provocam exige o controle do estado sobre a única variável econômica verdadeiramente independente sob capitalismo, isto é, a quantidade da oferta de dinheiro na economia. Sem controle estatal sobre os bancos, a bancocracia leva a sociedade ao abismo total da especulação e do empobrecimento. Maior impulsionador do movimento socialista internacional, disse Lênin
A anarquia financeira que as bolhas especulativas capitalista provocam exige o controle do estado sobre a única variável econômica verdadeiramente independente sob capitalismo, isto é, a quantidade da oferta de dinheiro na economia. Sem controle estatal sobre os bancos, a bancocracia leva a sociedade ao abismo total da especulação e do empobrecimento. Maior impulsionador do movimento socialista internacional, disse Lênin
Brilhante editor e articulista econômico do Financial Times, Martin Wolff, assim como o economista brasileiro, Yoshiaki Nakano, rendem-se ao pensamento de Lênin de que o controle da mercadoria mais importante , sob sistema capitalista, precisa estar sob rigoroso controle do Estado, como fator fundamental de organização da sociedade
Brilhante editor e articulista econômico do Financial Times, Martin Wolff, assim como o economista brasileiro, Yoshiaki Nakano, rendem-se ao pensamento de Lênin de que o controle da mercadoria mais importante , sob sistema capitalista, precisa estar sob rigoroso controle do Estado, como fator fundamental de organização da sociedade

Como cantou a bola Lenin, as bolhas explodem de forma incontrolável, detonando os bancos, colocando-os sob regulação estatal necessária. A pregação leninista é, agora, absorvida, tranquilamente, pelos críticos dos neoliberais, como Martin Wolff. 

O FATOR PREVIDENCIÁRIO, em sua variações infinitas, desenvolvidas pela inteligência mecânica dos economistas,  representa, na verdade, fator de empobrecimento. 

 O MULTIPLICADOR DE IN- VESTIMENTO de Keynes corresponde o seu oposto, o MULTIPLICADOR DE ARROCHO SALARIAL, de  EMPOBRECIMENTO.

Ele considerou o MULTIPLICADOR DE OCUPAÇÃO de Kahn igual ao seu MULTIPLICADOR DE INVESTIMENTO. Rechaçou-o, no entanto, porque o primeiro, o MULTIPLICADOR DE OCUPAÇÃO implicaria o reconhecimento de que haveria redução da unidade real de salário na indústria quanto mais aumentasse o volume de ocupação, conforme a lógica do rendimento decrescente de Ricardo.

Como Keynes, espertíssimo, sabia que sua proposta de aquecimento da produção requereria o arrocho salarial, que deveria ser encoberto, ideologicamente, preferiu criar não o MULTIPLICADOR DE OCUPAÇÃO, mas o MULTIPLICADOR DE INVESTIMENTO, bombado po moeda inconversível, estatal, sem lastro, para gerar consumo estatal em NÃO-MERCADORIAS – produtos bélicos e espaciais, economia de guerra etc. Puxaria a demanda global não por meio da produção de MERCADORIAS, mas da de NÃO-MERCADORIAS – produtos bélicos e espaciais , enfim, economia de guerra – consumida pelo governo. A mágica de Keynes, portanto, é a de aumentar o consumo sem elevar a produção. O consumo estatal entra puxando o consumo privado que historicamente, no crash de 1929, dançou como fator reprodutor do capital. A inflação, “a unidade das soluções”(Keynes), teria que entrar em campo.

Quanto mais investimentos estais, maior volume de ocupação, maiores reduções de salários, sob a mágica fajuta de tentar colocar Ricardo a serviço de Marshal. Grande malandragem. 

Os neoliberais, na NOVA REPÚBLICA BRASILEIRA, obediente ao Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, em que os Estados Unidos, pressionados por seus déficits, subiram a taxa de juros e transferiram seus pepinos para a periferia capitalista, obrigando-a suportar mais arrochos salariais, seguiram os conselhos de Alfred Marshal, de forma mais realista que o rei. Buscaram matar os trabalhadores inativos com o FATOR PREVIDENCIÁRIO, para formar crescentes superavits primários.

O FATOR PREVIDENCIÁRIO , que aleija os aposentados, assim como a resistência dos empresários à redução da jornada, são movimentos da história econômica brasileira armada para reproduzir o capital às custas dos trabalhadores.

O Congresso que se cuide, se der passo errado em tempo de eleição.