Lula fortalece Dilma e Marina em Copenhague

Copenhague será o palco em que Dilma e Marina estarão frente a frente em meio a uma expectativa geral do mundo relativamente à proposta brasileira, dada a responsabilidade do Brasil por dispor da floresta amazônica, pulmão do mundo, e de uma base industrial, cujo preço de sustentação é permanente agressão contra a natureza, por sustentar-se em cima da concentração da renda e da exclusão social
Copenhague será o palco em que Dilma e Marina estarão frente a frente em meio a uma expectativa geral do mundo relativamente à proposta brasileira, dada a responsabilidade do Brasil por dispor da floresta amazônica, pulmão do mundo, e de uma base industrial, cujo preço de sustentação é permanente agressão contra a natureza, por sustentar-se em cima da concentração da renda e da exclusão social

A posição de Lula em Compenhague o transforma em líder mundial que faz história: redução de 40% da oferta de CO2 na atmosfera e diminuição de 80% do desmatamento da floresta amazônica entre 2009 e 2020.  Isso, compatível com uma estratégia de desenvolvimento econômico, que contempla crescimento médio de 5% a 8% do PIB, nos próximos anos, patamar que contribui para elevação constante da taxa de emprego, enquanto mantém, no limite, equilíbrio tênue da relação economia-meio ambiente. Uma no cravo, outra na ferradura. Ou seja, trata-e de posição que incomoará relativamente o mundo econômico, mas ganhará aplauso global por contribuir, decisivamente, para a sustentabilidade ecológica terrestre. O titular do Planalto vai de encontro à senadorA Marina Silva(PV-AC), que pede garra, em proposta ambiental, mas com Dilma a tiracola, como candidata preferida para sucedê-lo em 2010.

O fato é que os países ricos, até o estouro da grande crise em outubro e 2008, estão dando vexame geral. Estados Unidos e Europa não avançam além de redução de 20% do gás de efeito estufa, que balança a estrutura básica que assegura a sobrevivência humana. Estão sob pressão das ONGs, para que cheguem até 30%. O Congresso americano não deliberou nada. Deixa Barack Obama falando sozinho discurso de sustentabilidade econômica global. Os europeus, igualmente, resistem a avanço ousado. O modelo de desenvolvimento econômico capitalista dispõe de capacidade instalada que acostumou a agredir ao meio ambiente, destituindo as reservas naturais para transformá-las em manufaturas cujos sub-produtos poluem o ar em escala relativamente controlável. Não há saída fácil.

Os emergentes, nos quais a economia global aposta, diante da situação em que os ricos se encontram falidos de joelhos diante do Estado protetor, em meio à bancarrota financeira, dão uma lição. Lula, com a responsabilidade da floresta amazônica sobre as costas, carregando pulmão do mundo, vai , com sua proposição, abalar geral. Propõe o dobro do que tentam fixar os países ricos. Aplausos são o que não faltarão. Tudo isso poderá render votos para Dilma ou para Marina, se a grande seringueira soltar o canto do Uirapuru.

 

Shakespeare na Dinamarca

A retórica ambiental radical de Minc atrai Lula para o palco internacional onde pode ser grande lider, capaz de levá-lo à presidência da ONU, enquanto as resistências políticas explodiriam no Congresso por parte das forças cujos interesses estariam contrariados pela ousadia ambiental carlosminquiana, politicamente, inrteressante ao titular do Planalto , no cenário do reinado shakespeareano da Dinamarca
A retórica ambiental radical de Minc atrai Lula para o palco internacional onde pode ser grande lider, capaz de levá-lo à presidência da ONU, enquanto as resistências políticas explodiriam no Congresso por parte das forças cujos interesses estariam contrariados pela ousadia ambiental carlosminquiana, politicamente, inrteressante ao titular do Planalto , no cenário do reinado shakespeareano da Dinamarca

Celso Minc, ministro do Meio Ambiente, joga no ataque. Sabe que o meio ambiente entrou na campanha eleitoral. Pode faturar o governo do Rio de Janeiro ou o senado federal. Provoca náuseas no agronegócio. A presidente da Confederação Nacional da Agricultura(CNA), senador Kátia Abreu(DEM-TO), considera, em artigo no Estado de São Paulo, nessa segunda,  maluquice a proposta de Minc , que pode emplacar em Copenhague. Ao mesmo tempo faz uma profissão de fé nas anistias aos agricultores como forma recorrente de o Estado conceder perdão a uma categoria social responsável por produzir alimentos e riqueza exportadora para o país. A ética do perdão à degradação ambiental em nome da produção de alimentos parece, no entanto, estar atingindo seus limites. A redução da emissão de CO2 em 40% e em 80% o desmatamento da floresta amazônica repreentaria freio ao avanço da exploração econômica do agronegócio na fronteira agrícola.

O agronegócio teria que intensificar a produtividade para manter sua lucratividade em área constante, menor, nos próximos anos. Acabaria a velha história da desvatação da natureza como carro-chefe da taxa de lucro do agricultor e do pecuarista. Os conceitos de produtividade deles teriam que mudar , conferindo ao capitalismo no campo  nova contabilidade de custos, produtividade e racionalidade, para sustentar o aumento da produção com margem de lucro adequada. Ou seja, investimentos maciços em tecnologia. Os limites territoriais não seriam mais vistos como durante a epópeia lançada por JK, para ampliar as fronteiras nacionais e abrir espaço à construção do mercado interno, com maior oferta de alimentos, evitando pressão inflacionária. 

Nesse sábado, o titular do Planalto e a ministra Dilma Rousseff, que vai representar o Brasil na conferência internacional – para não perder espaço para Marina, que estará lá como estrela de primeira grandeza entre os ambientalistas globais –  baterão o martelo na proposta brasileira. Está em jogo a campanha eleitoral em que o meio ambiente se transforma em motivo de mobilização popular. Afinal, os grandes centros urbanos estão cada vez mais sensíveis aos desastres ambientais, apresentados, diariamente, em escala crescente, pela Michele Loretto, no Bom Dia Brasil, com riqueza de detalhes. As discussões em Copenhague ganharão as manchetes e as consciências gerais. Se a proposta brasileira for chinfrim, Marina fatura. Se for ousada, Dilma ganha um tremendo fluxo de ar nos pulmões.

 

Serra consolida candidatura

Serra antecipou-se a Aécio relativamente a Copenhague, ganhando espaço ao sancionar lei do meio ambiente que rivalirza com a proposta do Planalto, consolidando ação proativa que favorece sua justa ambição de chegar à presidência da República em 2010, conferindo proposta ambiental compatível com o desenvolvimento paulista acelerado na linha lulista. Joga com Dilma , fazendo aparência de oposição
Serra antecipou-se a Aécio relativamente a Copenhague, ganhando espaço ao sancionar lei do meio ambiente que rivalirza com a proposta do Planalto, consolidando ação proativa que favorece sua justa ambição de chegar à presidência da República em 2010, conferindo proposta ambiental compatível com o desenvolvimento paulista acelerado na linha lulista. Joga com Dilma , fazendo aparência de oposição

O governador José Serra, de São Paulo, não deixou passar batido, como aconteceu com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.  O titular do Bandeiras saiu, igualmente, com a proposta, considerada pela sua equipe de meio ambiente ousada, enquanto Aécio Neves ficou na estação, depois de perder o trem. Serra joga no ataque, posicionando sobre o assunto, para o eleitorado paulista, sensível à questão ambiental. Vira exemplo para os demais governadores. Considera que sua proposta de redução de 20% das emissões de CO2 diz respeito a termos absolutos, enquanto a do ministro Carlos Minc corresponderia, apenas, a termos relativos, pois compreende, essencialmente, a uma desaceleração. Haveria diferença de qualidade entre uma desaceleração de emissão de 40% e uma redução absoluta de 20%. Comparativamente, o absoluto representaria maior significado prático que o relativo.

Lula, indisposto a discutir tecnicamente o assunto, como é do gosto do economista e matemático José Serra, que deseja politizar as proporções numéricas das propostas paulista, de um lado, e federal, de outro, joga o resultado final, não na matemática, mas na política. Inicialmente, o titular do Planalto fez gesto de compreensão em favor das pretensões do agronegócio. Recebeu cacetadas de Marina por todos os lados. Na ONU, posicionou-se, timidamente. Se salvou, na ocasião, porque o tema predominante não foi o meio ambiente, mas o golpe jurídico-militar em Honduras, dado por Michelleti e comandos do exército, destituindo Zelaya.

Resistiu o titular do Planalto, nos últimos dias, a uma meta numérica. Nem 20%, nem 30% , nem 40%. Destacou que esperará uma posição internacional, porque seria melhor uma negociação e a obtenção de um consenso. Não gostaria de ser percebido como alguém que está querendo impor uma meta para os outros. A luta política em torno de um consenso seria o resultado razoável e refletiria, consequentemente, as correlações de forças adequadas, unindo todos. Mas, a ministra Dilma Rousseff, em São Paulo, nessa segunda, no mesmo dia e hora em que José Serra sancionava em lei sua proposta ambiental, fazendo barulho, resolveu deixar de fazer segredo em torno do número do governo. Serão, disse, os 40%, podendo variar para mais, ou seja, 42%, ou para menos, 38%, tipo metas inflacionárias do BC, com intervalo para menos e para mais. Evitou que Marina Silva fizesse novas pressões. Segue, portanto, para Copenhague de bola cheia.

 

Jogo de cena necessário

Coutinho fixa investimentos compatível com crescimento econômico acelerado que compatibilizaria o presidente Lula mais com os interesses dos produtores e industriais do que com os dos ambientalistas, em meio a tentativa de conciliação de posições das classes antagônicas em Copenhague
Coutinho fixa investimentos compatível com crescimento econômico acelerado que compatibilizaria o presidente Lula mais com os interesses dos produtores e industriais do que com os dos ambientalistas, em meio a tentativa de conciliação de posições das classes antagônicas em Copenhague

Poderá rolar, também, jogo de cena, necessário, para formar as aparências, porque a essência do modelo de desenvolvimento econômico , poupador de mão de obra, concentrador de renda e ambienalmente incorreto, por ser, intrinsecamente, agressivo à natureza, implicará convivência contraditória do governo com os produtores e industriais, poderosos, no Congresso. A compatibilidade entre a proposta ambiental ousada e os interesses econômicos que ela contrariria, para sustentar crescimento variável de 6% a 8% do PIB, ao ano, representará avanços e recuos , isto é, uma gangorra permanente na relação das categorias sociais em confronto. O jogo radical de Carlos Minc é incompatível com crescimento acelerado destruidor da natureza que a estratégia de desenvolvimento em marcha, em ano eleitoral, prenuncia. Lula destaca que pisará no acelerador, de acordo com as projeções de investimentos, especialmente, da Petrobrás, na camada do pré-sal, e do BNDES.

Luciano Coutinho, presidente do BNDES, anuncia que terá mais R$ 100 bilhões para novos investimentos. Sob pressão do Banco Central, que teme pressão do consumo sobre a capacidade instalada, suscitando alta de preços, que levaria ao aumento dos juros, o BNDES quer emprestar ao máximo para as indústrias. Tal ação sinaliza elevação da oferta que afastaria suposta pressão de demanda a justificar aumento da selic pelo BC. Os grandes investimentos, ampliados pelo BNDES, estariam sendo compatíveis com o crescimento da produção e do consumo, configurando avanço de 6% a 8% do PIB. Tal expansão econômica corresponderia ao avanço do agronegócio sobre os espaços territoriais na fronteira agrícola, tensionando a relação do governo com os ambientalistas.

O Planalto vai preferir essa tensão com os ambientalistas do que com os eleitores, que, desempregados, por falta de investimentos na produção e no consumo, votariam na oposição, enforcando, eleitoralmente, Dilma Rousseff. Da mesma forma, as tensões com os ambientalistas poderão aumentar relativamente ao avanço da exploração de petróleo no mar, afetando o meio ambiente, em ritmo de crescimento econômico acelerado em ano eleitoral. Estão previstos investimentos de 100 bilhões de dólares em atividades exploratórias, isto é, atentados ao meio ambiente. Toda a cadeia produtiva do petróleo será ativada, gerando aumento da renda interna e, consequentemente, do consumo, em escala que coloca em marcha constante agressão à  natureza, incompatível com a sustentabilidade ambiental.

 

Tensões congressuais

A bela senadora e lider do agronegócio no Brasil, como presidente da CNA, posiciona-se pelo perdão permanente aos seus pares pelas áreas degradadas em nome da expansão da fronteira econômica e considera ousada demais a proposta de Lula-Minc, que, no entanto, compatibiliza-se com a defesa katiana de um PIB na casa dos 6% a 8%
A bela senadora e lider do agronegócio no Brasil, como presidente da CNA, posiciona-se pelo perdão permanente aos seus pares pelas áreas degradadas em nome da expansão da fronteira econômica e considera ousada demais a proposta de Lula-Minc, que, no entanto, compatibiliza-se com a defesa katiana de um PIB na casa dos 6% a 8%

No Congresso, evidentemente, ganhará espaço o discurso do desenvolvimento dos ruralistas e dos industriais que pregarão taxa de juro mais baixa, para alavancar os investimentos, quanto mais o governo precisar elevar a oferta de títulos públicos, na escala necessária capaz de bancar aceleração desenvolvimentista anti-ambiental. O boom de investimentos estará, certamente, relacionado, às expectativas abertas pelos eventos desenvolvimentistas da Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016. Ambos elevarão a demanda efetiva global da economia brasileira, que, já, no estado de devastação financeira do dólar, nas esconomias americanas e européias, responsável pelo empoçamento geral do crédito no sistema financeiro falido, atrai ao Brasil grandes investidores internacionais em infra-estrutura.

As tensões cambiais, nesse período , estarão a mil, porque os dólares que não estão rendendo nada na taxa de juros negativa vigente nos países outrora ricos do G-7 tenderão a se deslocarem para a praça sul-americana, onde os investimentos previstos em infra-estrutura garantirão maior retorno do que as aplicações financeiras, especialmente, se forem cumpridas promessas de analistas de que vem aí mais estouros de bolhas financeiras. O dólar em desvalorização busca  encarnar-se em ativos reais nos países emergentes.

Enfim, trata de pressão monetária e cambial que poderá levar o governo brasileiro a permitir abertura de contas em dólar, internacionalizando a base monetária, cujas consequências poderão ser redução drástica da taxa de juros. Como o juro em dólar está negativo, quem vai tomar reais emprestados a juros altos? Talvez, por isso, o esperto ex-presidente do Banco Central, Armínio Fragas, esteja cantando a bola de que o juro vai ter que cair. Estaria se candidato a retornar ao cargo num eventual governo oposicionista, ou poderia ser, também, em governo governista de Dilma, já que tal previsão soa bem aos ouvidos de Dilma e de Lula? O perigo, evidentemente, como alerta o deputado Paulo Maluf, PPS-SP, é, em outro momento, o dólar e os juros subirem, deixando micos e quebradeiras para todo o lado. A economia capitalista, como destaca o empresário Lourival Dantas, é doida demais. Todo cuidado é pouco.