Dólar elege oposição no sul e sudeste

A desvalorização da moeda americana por conta da política monetária do governo Lula coloca a governadora do Rio Grande do Sul no páreo da sucessão gaúcha com chances de vitória, porque seus oponentes, os governistas coaligados no plano federal, são obrigados a apoiar, nesse momento, seus argumentos, contrários ao dólar barato que empobre o Rio Grande do Sul
A desvalorização da moeda americana por conta da política monetária do governo Lula coloca a governadora do Rio Grande do Sul no páreo da sucessão gaúcha com chances de vitória, porque seus oponentes, os governistas coaligados no plano federal, são obrigados a apoiar, nesse momento, seus argumentos, contrários ao dólar barato que empobre o Rio Grande do Sul

Não está afastada a possibilidade de a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius(PSDB), disputar e reeleger-se, em 2010, embora tenha se desgastado pelas denúncias de corrupção no seu governo, caso o dólar continue se desvalorizando e jogando a indústria exportadora gaúcha no chão, detonando desemprego, queda de arrecadação, investimentos etc. Estado, fortemente, exportador, o Rio Grande do Sul padece com a sobrevalorização do real. Ela torna os empresários incompetitivos. Num primeiro momento, eles buscam compensação fiscal, tanto junto ao governo estadual como federal. Redobram suas forças e seus gritos em favor de créditos tributários, que o governo enrola para devolver, porque contingencia os recursos, a fim de pagar juros da dívida pública interna. Somente, no ano passado, quando estourou a grande crise, a conta de juros alcançou R$ 280 bilhões. Num segundo instante, se a ajuda fiscal e monetária oficial for insuficiente, os empresários partem para o horror, ou seja, demitir trabalhadores, o pior dos mundos, algo que , nesse momento, por causa da crise, devasta o cenário político nos Estados Unidos e Europa. Nesse contexto, o discurso da governadora, de combate ao dólar barato, já começa a despertar a atenção dos eleitores e a preocupar os governistas. O PMDB, com o prefeito José Fogaça, que tentaria desbancar Yeda, em face do dólar barato, que desestrutura a economia do Rio Grande do Sul, fica obrigado a sintonizar com o discurso da governadora, no plano que interessa, ou seja, o econômico. Da mesma forma, ocorre com o PT.

Se o governo não colocar uma quarentena no dólar, a economia dos estados exportadores será prejudicada, com consequências eleitorais, ressalta Pepe Vargas, especialista do PT em Previdência Social, empenhado em destacar para os aposentados que a proposta do governo é boa para eles, embora estejam vaiando.
Se o governo não colocar uma quarentena no dólar, a economia dos estados exportadores será prejudicada, com consequências eleitorais, ressalta Pepe Vargas, especialista do PT em Previdência Social, empenhado em destacar para os aposentados que a proposta do governo é boa para eles, embora estejam vaiando.

Tarso Genro, ministro da Justiça, que está  mais no sul do que no planalto central, nesses dias em que intensifica campanha, para ser escolhido candidato do PT ao governo estadual, teme o dólar barato. No RGS, tanto oposição e governo centram suas forças contra a desvalorização da moeda americana, que ameaça a todos. Como têm parceria forte com a Argentina, e o governo de Cristina Kirchner adota protecionismo contra o real valorizado, os gaúchos arrancam os cabelos e pressionam o Congresso e o Palácio do Planalto. Fundamentalmente, o dólar mina, politicamente, a aliança PT-PMDB. Tal possibilidade se estende , igualmente, com todas as suas semelhanças e pequenas variações, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, os maiores críticos do Mercosul. Quase dois terços do superavit comercial brasileiro estavam sendo realizados nos países integrantes do Mercado Comum do Sul que o dólar em desvalorização ajuda a evaporar.  Nesse espaço geográfico, está o poder industrial brasileiro. As relações capital-trabalho se acirram quando o dólar começa a desempregar gente nas indústrias e a impor prejuízo aos exportadores de grãos, que se deslocam de Goiás para Mato Grosso do Sul, a fim de desembarcarem suas mercadorias nos portos sulinos. Se o governo gaúcho tucano, que é oposição ao governo federal, desembainha a faca para tentar furar o dólar, não apenas os oposicionistas estaduais e governistas nacionais do Rio Grande do Sul perfilam nesse sentido. Da mesma forma, acontece com as correlações de forças políticas em Santa Catarina, Paraná e São Paulo, onde o discurso do governo de manter a atual política monetária faz estragos em escalada crescente, desestabilizando empresas, temerosas de continuarem investindo , se o retorno sobre o capital aplicado, no jogo do dólar desvalorizado, não acontece, satisfatoriamente.

José Fogaça, PMDB, e Tarso Genro , PT, embora sejam adversários, no plano estadual, são obrigados a se renderem ao discurso econômico de Yeda, que clama aos céus contra o dólar barato, que destroi as exportações gaúchas, especialmente, para o Mercosul, onde o protecionismo da presidente Cristina Kirchner campeia solto, dando prioridade aos produtos chineses do que aos brasileiros
José Fogaça, PMDB, e Tarso Genro , PT, embora sejam adversários, no plano estadual, são obrigados a se renderem ao discurso econômico de Yeda, que clama aos céus contra o dólar barato, que destroi as exportações gaúchas, especialmente, para o Mercosul, onde o protecionismo da presidente Cristina Kirchner campeia solto, dando prioridade aos produtos chineses do que aos brasileiros

Acaba, nos estados do sul e do sudeste, aquilo de que o capitalismo mais precisa, isto é, do espírito animal do empresário. Se ele não vê, na sua frente,  o que disse Keynes, ou seja, “a eficiência marginal do capital”, o lucro, desanima, vai para casa, desativa a produção, vai viver de juros. Opta pela liquidez do seu capital, em vez de arriscá-lo em ativ idades de baixo retorno.O presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI), deputado Armando Monteiro Neto(PTB-PE), está sob intensa pressão das federações das indústrias de SP, PR, SC e RS. O governo federal trabalha para mudar o câmbio, rapidamente, pois, no calor da campanha eleitoral, se as coisas continuarem como estão evoluindo, a sorte dos petistas e peemedebistas nos estados mais ricos da federação será caixão e vela preta. Os petistas se desesperam. O deputato Pepe Vargas(PT-RS) entende que se torna urgente adotar o cercadinho sobre o dólar, a chamda quarentena, segurar a saída da moeda americana, evitando especulação do entra e sai, a fim de faturar no juro alto pago pelo Banco Central, enquanto os bancos centrais americanos e europeus adotam o juro zero ou negativo. Os empresários americanos tomam dólar a custo negativo e aplicam no Brasil a 8,75%, menos 4% de inflação, lucro real de 4%, negoção. Esse é o jogo internacional dos investidores, já que a produção européia e americana estão paradas pela combinação de opção pela poupança por parte da população, excessivamente, endividada, com quebradeira financeira dos bancos. Da mesma forma agem os chineses, entupidos de dólar, que entram na América do Sul arrsando quarteirão, inviabilizando a integração econômica sul-americana.

 

 

Agenda social abalada

 

 

A força de trabalho inativa vai atrás do seu valor que considera ser os R$ 130 bilhões que o governo considera elevado para pagá-los, enquanto eles argumentam que esse dinheiro é deles e vai se transformar em consumo que fortalece o mercado interno e aumenta a arrecadação de impostos, com os quais o governo realimenta os investimentos sociais etc. Ou seja, para os trabalhadores, o gasto não seria custo, seria renda, para sustentar o discurso desenvolvimentista lulista
A força de trabalho inativa vai atrás do seu valor que considera ser os R$ 130 bilhões que o governo considera elevado para pagá-los, enquanto eles argumentam que esse dinheiro é deles e vai se transformar em consumo que fortalece o mercado interno e aumenta a arrecadação de impostos, com os quais o governo realimenta os investimentos sociais etc. Ou seja, para os trabalhadores, o gasto não seria custo, seria renda, para sustentar o discurso desenvolvimentista lulista

A agenda econômica mistura, dialeticamente, com a agenda social. Se o dólar barato eleva a dívida pública interna – pois a moeda americana precisa ser trocada pelo real quando entra, cujas consequencias são as de o governo emitir para enxugar a base monetária, a fim de evitar enchente inflacionária – e pressiona para cima os juros, que encarecem, por sua vez, a dívida, falta, evidentemente, recursos para o governo executar sua política social. Entre estas, está a de reajustar os salários dos aposentados, que, durante a Nova República, foram sucateados pelo neoliberalismo do Consenso de Washignton, para fazer superavit primário , indispensável ao pagamento dos juros, prioridade número um da política econômica. Não está tendo dinheiro para dar aos aposentados. Estes, consequentemente, ameaçam ir para a oposição. São 25 milhões de trabalhadores inativos. Durante a Era Lula, de 2003 a 2006, diz o governo, 17 milhões desse total tiveram reajuste real , acima do salário mínimo, de 63%. Os que ganham mais de um mínimo, 8 milhões, que tiveram reposição pela inflação, durante o período, na sequência do que começou a fazer o governo FHC, querem, agora, o benefício que obtiveram os que percebem, apenas, o mínimo. Mas, o governo diz que não tem como dar eses 63%. Impasse.

Vigorosamente vaiado pelos aposentados, das galerias do plenário da Cãmara, o deputado Cândido Vaccarezza, líder da bancada, que disputa espaço dentro do partido, com o deputado Henrique Fontana, líder do governo, que contornou as vaias, emergem-se num discurso incompreensível para as massas inativas, porque a essência dele precisa ficar oculta e latente, já que falta dinheiro, porque precisa pagar anualmente aos banqueiros uma conta de juros de R$ 280 bilhões. Tudo é contigenciado para favorecer a bancocracia
Vigorosamente vaiado pelos aposentados, das galerias do plenário da Cãmara, o deputado Cândido Vaccarezza, líder da bancada, que disputa espaço dentro do partido, com o deputado Henrique Fontana, líder do governo, que contornou as vaias, emergem-se num discurso incompreensível para as massas inativas, porque a essência dele precisa ficar oculta e latente, já que falta dinheiro, porque precisa pagar anualmente aos banqueiros uma conta de juros de R$ 280 bilhões. Tudo é contigenciado para favorecer a bancocracia

Haveria um buraco de 6 bilhões por ano, R$ 150 bilhões, no médio prazo, quebradeira, portanto, da Previdência. Os aposentados não deixam por menos: suspendam, destacam, as compras dos aviões que estão sendo negociadas com a França, sob protestos dos Estados Unidos e da Suissa. Sobraria dinheiro, calculam. Utilizem, insistem os aposentados, as reservas cambiais, para pagar, como reivindicam, nesse instante, os agricultores, prejudicados pelo dólar barato. Emitam títulos com lastro no petróleo do pré-sal, artgumentam. Não faltam discurso aos aposentados, que estão sendo enrolados pelas derrogações dos parlamentares em decidirem sobre seus pleitos, cujo maior beneficiado será o senador Paulo Paim(PT-RS). O fecho de galão que os aposentados articulam é o discurso de que com o dinheiro do reajuste ajudarão o governo a aumentar a arrecadação, pois os aposentados irão às compras. O consumo, na crise capitalista atual, em que os investimentos na produção não se realizam, diante das expectativas sombrias da economia sob dólar barato, tornou-se o puxador da demanda global. O mercado interno dinamizou-se, na Era Lula, justamente, porque o consumo, por intermédio dos programas sociais lulistas, realizou a produção capitalista nacional, assegurando os investimentos públicos, favorecidos pelo aumento da arrecadação que os gastos dos salários proporcionam. O dinheiro dos aposentados voltariam, portanto, para os cofres do governo, agitando o mercado interno e garantindo o dinamismo da demanda global.

O deputado Ferando Coruja(PPS-SC) considera a política cambial suícida e os aposentados não podem pagar o pato, sendo necessário que o Planalto garanta para do que vai arrecadar com o petróleo do pré-sal, para garantir a renda dos aposentados, como foi garantida a dos empresários, no auge da crise financeira global. R$ 5 bilhões por ano para os aposentados é perfeitamente pago pelo óleo negro
O deputado Ferando Coruja(PPS-SC) considera a política cambial suícida e os aposentados não podem pagar o pato, sendo necessário que o Planalto garanta para do que vai arrecadar com o petróleo do pré-sal, para garantir a renda dos aposentados, como foi garantida a dos empresários, no auge da crise financeira global. R$ 5 bilhões por ano para os aposentados é perfeitamente pago pelo óleo negro

O discurso dos petistas , na Câmara, ontem, foram de confusão. O líder do partido, deputado Cândido Vacarrezza(PT-SP), recebeu vaiA estrondosa. Explicou mal, do ponto de vista popular. Falou difícil. Já o líder do governo, deputado Henrique Fontana, centrando, desesperadamente, no chamamento ao diálogo, conseguiu sair ileso das vaias. A postura do governo é percebida pelos aposentados como oposta àquela que o governo adotou perante os empresários. Para estes, o governo liberou a política fiscal em nome do desenvolvimento sustentável, da aceleração do consumo, para garantir arrecadação relativa. Teria colhido o desastre, nos ingressos tributários, se não tivesse dado incentivos ao setor produtivo.

Em permanente campanha em favor da concessão do reajuste de 63% reais dado ao salário mínimo, entre 2003 e 2008, para os que ganham acima do mínimo, retroativamente, a 2006, o senador petista Paulo Paim estimula os aposentados às pressões ao máximo , deixando o Planalto em estresse total.
Em permanente campanha em favor da concessão do reajuste de 63% reais dado ao salário mínimo, entre 2003 e 2008, para os que ganham acima do mínimo, retroativamente, a 2006, o senador petista Paulo Paim estimula os aposentados às pressões ao máximo , deixando o Planalto em estresse total.

Já , para os aposentados, as lideranças governistas levantam o discurso de ajuste fiscal, ou seja, o inverso, dois pesos, duas medidas. Entram em grande incoerência política, que os coloca em contradição. As demandas fiscais para o capital, podem; para o trabalho, não. Talvez, por isso, os aposentados e aposentadas estampam em suas camisetas sua ironia: “O Brasil é um pais de QUASE  todos”. O dólar e os aposentados apertam o calcanhar do governo.