Crise mundial acelera privatização dilmista
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A direita está eufórica porque o Governo Dilma privatiza aeroportos.
Os ganhadores terão 20-25-30 anos para explorarem o negócio; ainda assim terão o governo como sócio deles em 49%. Se der…

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Tom: linguagem brasileira universal
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Crise capitalista destroi direitos humanos
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Cuba se rende ao capitalismo estatal petista
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Coalizão presidencial entra em crise na gestã…
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O Brasil engarrafado
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PIB brasileiro: gigante com pés de barro
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Ahmadinejad tenta o que tentou Geisel

Cesar Fonseca em 23/11/2009

O nacionalismo de Ahmadinejad tenta dotar o Irã daquilo que os países capitalistas desenvolvidos consideram fruto proibido, ou seja, a linha de montagem industrial capitalista como limite do desenvolvimento científico e tecnolóico se completa com o domínio atômico, como arma para proteger a principal riqueza iraniana, alvo dos interesses dos Estados Unidos, o petróleo

O nacionalismo de Ahmadinejad tenta dotar o Irã daquilo que os países capitalistas desenvolvidos consideram fruto proibido, ou seja, a linha de montagem industrial capitalista como limite do desenvolvimento científico e tecnolóico se completa com o domínio atômico, como arma para proteger a principal riqueza iraniana, alvo dos interesses dos Estados Unidos, o petróleo

Freud foi um gênio porque viu que o real, o inconsciente, é oculto e latente. A representação, o consciente, é a falsidade aparente. Por exemplo, a ira geral contra Mahmud Ahamadinejad, presidente do Irã, que estará em Brasília, nessa segunda, 23. Por que estão jogando pedra nele, atendendo o pedido de Jesus, que mandem as pedras quem não tem culpa no cartório? Se estão mandando pedradas, como foi o caso da passeata no Rio de Janeiro, ontem, e os protestos no Itamarati, hoje, é porque os integrantes estão certos de que a aparência é a essência. Freud explica.

O que está em jogo, para além do palavrório ideológico-religioso, é a disposição iraniana de conquistar o ciclo da produção do combustível atômico. Evidencia-se tal conquista que há uma cadeia produtiva que vai do início ao fim quanto ao domínio da tecnologia energética atômica cujos resultados se espraiam, no contexto da economia de guerra capitalista, para as indústrias de bens duráveis consumistas em geral, subprodutos que se desenvolvem para o mercado. A internet começou com a guerra, para acelerar comunicações de guerra. O avião, também, foi assim, sua função inicial foi levar informações, para denunciar os inimigos e combatê-los.

Ahmadinejad quer  o mesmo que o presidente Geisel quis quando fechou acordo nuclear com a Alemanhã, em 1976-77. O que desejavam os militares brasileiros na ocasião? O mesmo que o titular do poder iraniano, ou seja, ampliar o domínio nacional sobre a tecnologia do urânio. Foi combatido tenazmente pela grande imprensa, que vocalizava, na ocasião, a ideologia pacifista de Jimmy Carter. Os Estados Unidos haviam acabado de sair da fria da derrota na guerra do Vietnan. Paz e amor. Era a representação de Tio Sam. Geisel era a guerra. Queria, para o Brasil, o fruto proibido, acessível, apenas, aos países ricos. Ou seja, o domínio da tecnologia capitalista que alcança seus limtes no desenvolvimento dos produtos bélicos e espaciais, como demonstram os Estados Unidos, depois da segunda guerra mundial, como vencedores do conflito, a comandar o dólar todo poderoso. Geisel virara inimigo dos americanos. Vestia, naquele momento, o paletó, hoje, vestido por Hugo Chavez, presidente da Venezuela, e Mahmud Ahmadinejad, por ansiarem o poder atômico em nome da defesa de interesses nacionais. 

Se os Estados Unidos, Rússia, França, Inglaterra, China, Índia, Paquistão, Israel possuem a bomba atômica, por que o Brasil, o Irã, Venezuela, igualmente, não podem? A paz estaria em impedir o acesso dos pobres às bombas ou em desarmemento geral dos que possuem elas, a começar pelos Estados Unidos? Se o mais poderoso não se desarma, qual a moral para pregar o desarmamento ou impedir o desejo dos outros?

Os críticos dos militares embarcaram na representação do pacifismo, para demonizar o armamentista Geisel, como demonizam o armamentismo do Irã e da Venezuela. Leram pelo avesso o processo histórico, como disse Glauber Rocha, em “Mizérya do lyberalysmo”, 1976, Correio Braziliense. Quem estaria rompendo a ética do pacifismo: quem já está super-armado e prega desarmamento ou quem está desarmado e desaja se armar para se proteger? O agressor vira agredido e o agredido, agressor.

Agora, como as ideologias de esquerda e direita se misturam em propósitos políticos e econômicos mais ou menos semelhantes, em passagens do processo histórico, emergiu a dualidade liberalismo-nacionalismo, sendo o primeiro, que se desmoraliza na especulação, a virtude, e o segundo, o atraso.

Ahmadinejad, Geisel, Chavez, Lula, Evo são o atraso, querendo alcançar, via gastos públicos, como fizeram os americanos, o domínio total da tecnologia do urânio, das armas atômicas, que fazem os grandes respeitarem quem chega perto deles, como aconteceu com a Coreia do Norte, em matéria de poderio bélico. Linguagem do direito da força sobre a força do direito.

Ahmadinejad, como Geisel,  quer o controle atômico para preservar o que os militares sempre temeram, o assalto às riquezas nacionais. No cenário do Oriente Médio, onde as fontes de petróleo abundam e são objeto de disputas guerreiras há mais de cem anos, o problema é crucial.

 

Pacifismo neoliberal disfarçado

Geisel buscou as armas atômicas como busca o presidente do Irã. Pagou o preço da demonização americana, justamente, no momen to em que levava o regime para o restabelecimento da democracia, porém, contrariando Washington , com seu pacifismo de fachada

Geisel buscou as armas atômicas como busca o presidente do Irã. Pagou o preço da demonização americana, justamente, no momen to em que levava o regime para o restabelecimento da democracia, porém, contrariando Washington , com seu pacifismo de fachada

Em exposição excelente na Comissão de Infra-estrutura do Senado, presidida pelo ex-presidente Fernando Collor, alto escalão da Petrobrás destacou, semana passada, a propósito de defender o regime de partilha e a criação da Petro-sal pelo presidente Lula, no contexto da nova política energética-nacionalista-lulista, que todo o processo histórico, no século 20, desenrolou-se ao largo da essência dada pela disputa pelo petróleo. Regiões produtoras, alvos, ao longo de 100 anos, pelo capital americano e europeu, foram retalhadas e as nacionalidades jogadas umas contra as outras pelo interesse pelo ouro negro, matriz energética dos bens duráveis, que sustentaram a dinamica de acumulação capitalista. Sem ele, a dinâmica esfriaria.

O Irã está sob ataque, como Geisel esteve, no seu tempo, porque adota política nacionalista de proteção do petróleo, por intermédio da busca do domínio da energia atômica, algo que já está quase estabelecido, por conta da ajuda da Rússia, aliada dos iranianos. Essa força, que as potências do Ocidente consideram cega, porque não está sob comando do capital internacional, mas nacional, precisa ser dominada. Auto-suficiente, ela foge, totalmente, do controle do capital internacional, principalmente, porque sua expressão política encontrra-se no nacionalismo xiita, uma das correntes políticas mais velhas da humanidade, nascida desde os primórdios. A velha Pérsia, que já foi dominante, como são, hoje, os Estados Unidos, abalados pelo dólar fragilizado, sabe porque o nacionalismo é fundamental no contexto das relações internacionais.

O domínio xiita, no Oriente Médio, significa a reeencarnação do espírito da velha Pérsia, do nacionalismo, que se espraia na região mulçulmana, cheia de petróleo, dominada pelas empresas multinacionais, aliadas de famílias sunitas, elite rica contrária aos xiitas, a base massacrada social, política e economicamente. 

A luta de classes está em cena no Oriente Médio. Sobretudo, o acirramento dela abala a divisão internacional do trabalho estabelecida pelos Estados Unidos, depois da segunda guerra mundial, sob domínio do dólar. Como destaca Paul Krugman, em “A crise de 2008 e a economia da depressão”(Campus), os ciclos econômicos sob capitalismo não foram dominados pela linguagem do mercado, razão pela qual está em xeque, no Oriente e em todo o lugar, a supremacia da moeda americana como determinante nas relações de trocas. Especialmente, os países produtores de petróleo dão seu grito de independência. O presidente iraniano está na linha de frente dessa resistência, como porta-bandeira dos xiitas marginalizados que alcançaram o poder e deslocam os sunistas e seus sócios estrangeiros do petróleo.

 

Nacionalismo atômico perigoso

Os dois presidentes nacionalista sulmaericanos que desejam proteger suas riquezas se armando são igualmente demonizados, como Ahmadinejad

Os dois presidentes nacionalista sulmaericanos que desejam proteger suas riquezas se armando são igualmente demonizados, como Ahmadinejad

O contexto joga contra os interesses dos Estados Unidos na região, especialmente, porque a crise mundial abateu-se sobre o império, desarticulando sua moeda e seu discurso. Os americanos estão com a moeda podre nas mãos e com suas multinacionais do petróleo dominando somente 7% das reservas mundiais , enquanto o restante está em mãos de governos nacionalistas. Estes, como é o caso do Irã, jogam para valer o lance político radical. No Oriente, o nacionalismo atende pelo nome de xiitas iranianos e iraquianos, que se unem, depois da derrocada americana na terra de Saddam Hussein. Transformam-se, consequentemente, em pavor para os Estados Unidos e para Israel, armado até os dentes, com bombas atômicas, pelos americanos. Está em jogo o poder americano , sob dolar enfraquecido, no Oriente Médio. Os países produtores de petróleo querem descartar o dólar. Pagam suas importações européias em euro. Sofrem prejuízos, já que suas receitas cambiais se realizam em dólar, na venda do produto. Ou seja, tendem a aprofundar o discurso nacionalista de defesa dos preços do óleo, jogando para cima sua cotação, como forma de compensação monetária. Nessa conjuntura, a pregação do Irã, de nacionalizar tudo e de preparar o Oriente Médio para defender-se contra os ataques dos interesses econômicos e financeiros que se aliam contra a tentativa nacionalista, é a essência do problema. Quando Ahmadinejad chama Lula de parceiro e companheiro; quando faz o mesmo com Hugo Chavez, e, da mesma forma, em relação a Evo Moralez, o fundo do interesse é o mesmo: petróleo nacionalizado, totalmente, da produção à distribuição, sob comando da voz estatal. Evo Moralez fêz isso, como realizaram a mesma façanha Lula com o pré-sal e Hugo Chavez no comando do petróleo venezuelano, apertando o controle sobre as empresas privadas, subordinando-as aos interesses dos donos da riqueza, ou seja, o povo, de acordo com as constituições.

Certamente, Mahmud Ahmadinejad falou besteira quando negou o holocausto  e quando demonizou os homossexuais. Em entrevista ao repórter William Waack, o titular iraniano parece que até flexibilizou sua negação ao destacar que o problema dos judeus foram provocados pelo ocidente e não pelo oriente. Por que, perguntou, os palestinos têm que pagar o pato, sofrendo o mesmo holocausto, vivendo segregados, impossibilitados de resolver seus próprios problemas econômicos, que determinam qualidade de vida dos povos?

Quando destaca “problema” dos judeus reconhece que houve o problema, isto é, o holocausto. Equívoco semelhante é o de demonizar em nome da religião os homosseuxuis. Simplesmente, a negação do direito de ser homosseuxual é a negação do livre arbítrio, poder maior que Deus , segundo todas as religiões, colocou como direito essencial do ser humano. Caso contrário, não seria sujeito, mas objeto. 

Cada um faz a opção que deseja no plano político, social e sexual. O destaque a esses aspectos da questão da visita do presidente iraniano no Brasil é, no entanto, cortina de fumaça. Não querem os países ricos, caminhando para serem relativamente pobres, no contexto da grande crise, a união de interesses atômicos do Irã com a América do Sul. Ambos têm petróleo e são alvos dos interesses da guerra. O propósito é claro, dividir para governar. 

 

Enganação religiosa

O direito da força dado pelo capital monta a representação burguesa que fixa o fetichismo político democrático onde a inversão da realidade de que a igualdade jurídica corresponde à injustiça social formata a face da hipocrisia como verdade útil

O direito da força dado pelo capital monta a representação burguesa que fixa o fetichismo político democrático onde a inversão da realidade de que a igualdade jurídica corresponde à injustiça social formata a face da hipocrisia como verdade útil

O Estado teocrático está por trás dessa ignorância política de Mahmud Ahmadinejad. Mas, na prática, é esse sentido que costura a unidade nacional no Oriente Médio, goste ou não os ocidentais, onde o regime democrático disfarça a ditadura do capital, como reconheceu o próprio Napoleão, quando destacava que nos parlamentos são escritas as leis que expressam o poder da força nas guerras de conquistas etc. No parlamento burguês, a unidade nacional é costurada no fetiche, que é outra forma de religião.

Há, no contexto democrático, o direito da propriedade privada e o da livre escolha política, mas, na prática, o que funciona é o direito de propriedade dos bens de produção, mas não direito de propriedade dos bens de consumo.

O direito de propriedade dos bens de produção é do capital e o direito de propriedade dos bens de consumo, do salário. Juridicamente, no entanto, igualam-se ambos os direitos, no plano abstrato, do capital e do salário. Vende-se ao contribuinte a representação falsa da igualdade jurídica, mas que, na prática, expressa a desigualdade social.

Há uma cortina de fumaça fetichista que faz com que se acredite nessa contraditória justiça cujo pressuposto vira, também, religião, não do Estado teocrático, mas do Estado utilitarista-bancocrático. A religião representativa burguesa-neoliberal de Barack Obama, nesse sentido, não seria muito diferente da religião do Estado teocrático de Mahmud Ahmadinejad, como estratégia para assegurar a unidade nacional.

O Estado democrático, sob especulação financeira, segura a unidade nacional, não em nome de Deus, mas da  UTILIDADE, a religião do capital. Como a utilidade está, sob dólar em bancarota, sendo negada, a religião da igualdade jurídica correspondente à desigualdade social , vai perdendo sua áurea, por estar deixando de ser útil.

“TUDO QUE É ÚTIL É VERDADEIRO. SE DEIXA DE SER ÚTIL, DEIXA DE SER VERDADE”(KEYNES).

A economia de guerra é fruto da utilidade capitalista, de criar oferta sem gerar produção, para sustentar o nível das forças produtivas, sob moeda estatal sem lastro, de modo a manter rígidas as relações sociais da produção, para que tudo permaneça estático, equilibrado, esquizofrênico, anti-natural, ideologicamente, religioso.

Ahmadinejad é a face oculta do fracasso da utilidade como Deus eterno. Tentam colocar nele a representação do oposto daquilo que seria útil, mas que, no entanto, está fracassando. Fogem da essência, isto é, da luta nacionalista iraniana pelo domínio político e econômico sobre o petróleo. O armamentismo nuclear em marcha no Irã é resultado prático da essência que assusta o ocidente.

Um país do oriente, alcançando a bomba, desenvolve não apenas a cadeia produtiva da guerra, mas, sobretudo, a da produção de bens e serviços que tirará os povos da região da exploração externa, historicamente, colonialista-utilitarista-religiosa.

 

 

 

 

 

 

 

Categoria: (Economia, Política)

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