Brasilia Legal vira Brasília ilegal

Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 28-11-2009

A sociedade brasiliense foi bombardeada nos últimos dois anos com a progapaganda da emergência da ética para criar a BRASILIA LEGAL, mas os escândalos demonstram o contrário, estava sendo sedimentada a BRASILIA ILEGAL. O assunto pega fogo na campanha eleitoral.

A sociedade brasiliense foi bombardeada nos últimos dois anos com a progapaganda da emergência da ética para criar a BRASILIA LEGAL, mas os escândalos demonstram o contrário, estava sendo sedimentada a BRASILIA ILEGAL. O assunto pega fogo na campanha eleitoral.

O escândalo monumental das gravações do ex-secretário de Assuntos Institucionais, Durval Barbosa, pivô dos acontecimentos bombásticos, com o governador José Roberto Arruda(DEM-DF) e secretários do primeiro time, para comandar a corrupção do Palácio do governo com a Assembléia Legislativa, onde o titular governamental possui – ou possuía – base majoritária, capaz de aprovar projetos e maracutaias, expressas em gordas comissões pelas aprovações, que se transformam em caixas dois eleitorais, impõe a abertura, no Congresso, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, para investigar o executivo e o legislativo distritais. O ar da capital  federal está empestiado. É um tema que diz respeito não apenas ao Distrito Federal , mas a todo o país, que banca as instituições republicanas, sediadas na capital da República. O fedor geral da corrupção entra em cena na campanha eleitoral 2010, a partir da capital de todos os brasileiros. Certamente, por meio da Câmara Legislativa Distrital, considerada, sarcasticamente, pela gozação popular,  “Casa do Espanto”, não será possível chegar ao fundo do problema. Seria amarrar cachorro com lingüiça. O presidente da Assembléia,  deputado Leonardo Prudente(DEM), que não teria motivo nenhum para empenhar-se na investigação, visto que é um dos suspeitos, atropelado pela Polícia Federal, a mando do Superior Tribunal Federal, com supervisão do Ministério Público Federal, teria que ser afastado, imediatamente. Ou seja, a Casa do Espanto, espantada pelo envolvimento dos governistas numa caixinha milionária, poderia enfiar a cabeça no buraco. Não julgaria a si própria.

O ex-governador não ficaria muito bem na foto do episódio porque Durval foi seu secretário , aprontando ilegaliades que levaria adiante no governo Arruda-Octávio, manchando a reputação ético-moral das duas administrações.

O ex-governador não ficaria muito bem na foto do episódio porque Durval foi seu secretário , aprontando ilegaliades que levaria adiante no governo Arruda-Octávio, manchando a reputação ético-moral das duas administrações.

 A oposição não tem maioria. O assunto poderia morrer lá. Mas, no Congresso, a situação seria outra. Antes de existir a Assembléa, o DF era administrado pelo Senado. Por que os senadores, agora, não poderiam debater o assunto, já que são eles que votam os orçamentos e os pedidos de empréstimos externos dos governos estaduais e  distrital? Sobretudo, o DF , bancado pelos contribuintes, é assunto de interresse geral, nacional, antes de ser regional. Politicamente, o DEM, no Congresso, estará com seu maior problema histórico. O governador José Roberto Arruda e seu vice Paulo Octávio são os únicos representantes do Democratas a comandarem um poder executivo no contexto da federação brasileira de 26 estados mais o Distrito Federal. O partido  fez propaganda intensa da administração Arruda-Octávio, especialmente, focada no marketing do chamado BRASÍLIA LEGAL. Abstratamente, representa postura ética. O DF estaria excessivamente ILEGAL em sua institucionalidade geral. O ex-governador Joaquim Roriz teria deixado muita sujeira. A mais terrível delas se localizaria na Codeplan e no Instituto Candango de Solidariedade(ISC). A primeira comandaria a política de informática do GDF, envolvendo interesses milionários na compra e manutenção dos equipamentos e assistência técnica permanente. A segunda, pagaria a conta, por meio de mecanismos ainda obscursos. De órgão previsto para ser social, o ICS ficou , nessa condição, apenas como fachada. Por trás dela, os negócios rolaram, na relação governo e empresas de tecnologia da informação. O aparelhamento informático governamental , elaborado na base da ilegalidade, transformou-se em fonte de irrigação de dinheiro.  Arruda-Octávio viriam para remover toda a sujeira rorizista. A capital estava suja, ilegalmente ocupada. Precisava de faxina geral.

 

Impeachment à vista

 

Pivô do escândalo que envolve o governador Arruda e o ex-governador Joaquim Roriz, Durval surfou, até agora, nas duas administrações por representar bomba relógico que precisaria ser permanentemente monitorada do ponto de vista político. Mas a justiça e a política entraram eem cena e acabou com a festa

Pivô do escândalo que envolve o governador Arruda e o ex-governador Joaquim Roriz, Durval surfou, até agora, nas duas administrações por representar bomba relógico que precisaria ser permanentemente monitorada do ponto de vista político. Mas a justiça e a política entraram eem cena e acabou com a festa

Arruda- Octávio atacaria, imediatamente, o foco Codeplan-ICS. As empresas, arrebanhadas por licitações ajambradas, tinham virado canal de corrupção na rodovia larga da relação CODEPLAN-INSTITUTO CANDANGADO DE SOLIDARIEDADE-EMPRESAS, por trás dos quais estava o comandante Durval Barbosa, no tempo de Roriz. Os preços super-faturados pagos pela CODEPLAN-ICS revertiam comissões gordas, hierarquizadas, para tubarões, peixões, peixes e peixinhos, um cardume espetacular. Arruda-Octávio, imediatamente, reformaram a Codeplan e fecharam o ICS. Mandaram 16 mil pessoas embora. Ou seja, a fachada social foi varrida. Ali estavam os cabos eleitorais de Roriz. Os mais pobres, que recebiam subsídios sociais para aplacar-lhes a fome, dançaram. Mas, a fachada da corrupção, ao que tudo indica, continuou.  O incrível na história da administração Arruda-Octávio é a continuidade , no governo, de Durval Barbosa.  Demonizado, Barbosa  não foi expelido. Sabia demais. Os depoimentos dele quanto à participação do governador Arruda, no tempo do governo Roriz, dentro da Codeplan, presidida por ele, Durval, para arregimentar valores financeiros a serem distribuídos aos aliados, demonstram o óbvio:  o titular do poder, em vez de destruir Durval, buscou  acomodação relativamente a ele. Concedeu-lhe uma secretaria, a de Assuntos Institucionais, ou seja, cabide,  para, certamente, mantê-lo  calado. Mas, as investigações em cima dele pelo Ministério Público Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, seguiram adiante, com maior motivação. Os governantes pensaram que os juízes fossem burros. Por que Durval Barbosa continuou no governo, se tem tantos inquéritos sobre as costas, originários do governo anterior? A permanência de Durval no governo Arruda-Octávio sinalizaria pacto de convivência entre o governo atual e o governo anterior. O pivô entre ambos seria Durval, que, no entanto, estava sob o olhar da justiça e da polícia. Deu errado a opção arrudista de sustentar Durval. Este seria a cobra que iria lhe picar.  

O titular da CASA DO ESPANTO comanda instituição que tende a se desmoralizar completamente , se não passar a investigar, imediatamente, os acontecimentos bombásticos. Caso contrário, seria melhor o CONGRESSO NACIONAL abrir CPI DO GDF, já que a CAPITAL DA REPÚBLICA é de interesse nacional e não apenas local.

O titular da CASA DO ESPANTO comanda instituição que tende a se desmoralizar completamente , se não passar a investigar, imediatamente, os acontecimentos bombásticos. Caso contrário, seria melhor o CONGRESSO NACIONAL abrir CPI DO GDF, já que a CAPITAL DA REPÚBLICA é de interesse nacional e não apenas local.

A justiça mandou bala e chamou a Polícia Federal para investigar. Sob pressão da PF, Durval Barbosa, que é policial aposentado, rendeu-se à proposta da delação legal constante na legislação brasileira. Estar sob cuidado da PF se transformou em melhor negócio do que ficar entre dois fogos: de um lado, o passado sombrio com o governador Roriz; de outro, o presente perigoso com o governador Arruda. Resolveu detonar os dois, abrindo seu coração ao que julga ser a verdade que o libertaria, depois de ficar nas grades, até quando ninguém sabe, ou talvez, nem isso, isto é, a liberdade provisória etc. Tanto o governador  Arruda como o ex  Roriz correm perigo. Podem perder, completamente,  a credibilidade. Não interessa a ambos que o assunto se aprofunde na Câmara Legislativa. Ficariam excessivamente expostos, nos próximos meses, dando água para o PT e aliados, que faturariam a eleição do próximo ano. Arruda, segundo a mídia, disse que o foco da corrupção não seria o seu governo, mas o governo anterior, de Roriz, e que as irregularidades tenham prosseguido sem o seu conhecimento, é claro. Mas, tal argumentação pode ser amplamente questionada em face da permanência de Durval Barbosa no seu governo. Por  que?  Ele não sabia da continuidade das maracutaias, mas aceitou manter no seu governo o comandante das maracutaias, seu conhecido de velha data.  As descrições dos depoimentos constantes do inquérito policial, especialmente, das gravações feitas entre Durval e Arruda, para organizar a distribuição do dinheiro público aos interesses corruptos da base política aliada governamental, na Câmara Legislativa, encherão as motivações políticas no Congresso Nacional. O DEM estaria, com seu único, governador eleito, pego no contrapé da contradição. Faz propaganda da ética, da legalidade e da probidade, ou seja, abstração, mas, na prática, a jogada era outra.

 

Futuro governador

 

Agnelo, possível candidato ao Buriti, e Geraldo Magela, comandante da comissão de orçamento, no Congresso, cotado para disputar o Senado, transformam-se em grandes favoritos em meio à desgraça política emergente do governo Arruda-Octávio

Agnelo, possível candidato ao Buriti, e Geraldo Magela, comandante da comissão de orçamento, no Congresso, cotado para disputar o Senado, transformam-se em grandes favoritos em meio à desgraça política emergente do governo Arruda-Octávio

O DEM não teria mais condições de fazer parceria com o PSDB, liderado, possivelmente, pelo governador José Serra, de São Paulo, na campanha eleitoral, para enfrentar a ministra Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula, tendo que sustentar o governador brasiliense, enquanto estiver sob fogo cruzado, algo que tende a se estender na campanha eleitoral. Chegou-se a ser cogitada a candidatura Arruda para vice de Serra. O barco virou. Os desdobramentos do escândalo político, nos próximos dias, semanas e meses, adentrando a campanha, representam o fato novo explosivo. A desmoralização do DEM coloca o partido em situação inquestionavelmente embaraçosa. Crescerá a discussão quanto à conveniência de os Democratas seguirem adiante ou não  em companhia de brutal desgaste político. Os tucanos, obviamente, no Distrito Federal, principalmente, não aceitarão mais a convivência com tal desgaste. Seria diferente no plano nacional? A candidatura Serra, entre os eleitores do DF, estará , inteiramente, queimada, caso ele marche com o DEM-DF, sob suspeição bombástica, verdadeiro triturador eleitoral. O impacto da influência da Capital Federal, no noticiário político, bombará, ainda mais, o assunto, ganhando proporções elevadas. Caso venha ao ar, além das gravações entre Arruda e Durval, suposta fita de vídeo, que comprovaria , visualmente, o fato, aí a vaca para o DEM iria para o brejo. O partido ficaria numa sinuca de bico.  Historicamente, os democratas, antes pefelistas, buscaram, sempre, preservar as aparências, para esconder a essência dos fatos. Descartam o incômodo quando este aparece e ganha vulto político perigoso.  Seria conveniente, para o DEM, manter em suas fileiras instrumento político que enferruja e o afasta da aliança com o PSDB , no plano nacional, porque, no plano distrital, emergiram problemas cabeludos?

O senador democrata Agripino Maia saiu em defesa do governo Arruda-Octávio do DEM sob argumento de que está havendo muita espuma sem provas concretas, mas as publicações das descrições da gravação das conversas ARRUDA-DURVAL desmentem o político do Rio Grande do Norte, sinalizando turbulência para o DEM  na campanha eleitoral, tanto no DF como no cenário nacional

O senador democrata Agripino Maia saiu em defesa do governo Arruda-Octávio do DEM sob argumento de que está havendo muita espuma sem provas concretas, mas as publicações das descrições da gravação das conversas ARRUDA-DURVAL desmentem o político do Rio Grande do Norte, sinalizando turbulência para o DEM na campanha eleitoral, tanto no DF como no cenário nacional

O regional teria que ser removido para preservar  o nacional. A visão ampla dos líderes democratas tenderia a enxergar a floresta do ponto mais alto da montanha. O caso do DF seria um foco de incêndio a ser apagado e extirpado, preferencialmente. A parte não poderia comprometer o todo.  A hora é dos advogados. Os argumentos e contra-argumentos, nesse instante, de lado a lado, emergirão, mas, no momento seguinte,  em tempo de eleição, o julgamento será político. Por isso, nos próximos dias, a temperatura, no Congresso, ditará os acontecimentos. A bancada oposicionista ao governo do DF terá todo o motivo do mundo para esquentar os tamborins. O candidato do PT, Agnelo Queiróz, sobe nas cotações gerais. O governador e o vice e seus aliados, tanto no Congresso Nacional, como na Assembléia Legislativa, estarão , sob pressão das atenções dos eleitores e eleitoras, na retaguarda. Buscarão conter o tsunami. Quem, durante a eleição, joga na defesa, joga para perder ou para empatar, jamais para ganhar. Só um contra-ataque milagroso poderia virar o jogo. Mas, na altura do campeonato, o ataque governamental foi detonado. Poderia pintar, então,  carnificina ético-moral-eleitoral, com cada parte dispondo de seu dossiê, para tentar fazer o máximo de barulho. Nesse contexto, a vitória seria a daquele que tem menos culpa – aparente –  no cartório. O ex-governador Roriz, que rompeu com o governador Arruda, porque este lhe tomou o PMDB, tem sobre as costas processo que rola sob segredo de justiça Agora, o mesmo acontece com o governador Arruda. Se os dois se auto-destruirem, eleitoralmente, o vitorioso poderá ser Agnelo , sobre quem, por enquanto, pelo menos, não pesam acusações. Pode já estar pintando o novo governador?

Brasil entra na dança de Dubai e do dólar

Categoria: (Economia) por Cesar Fonseca em 27-11-2009

Presidente do fundo financeiro Dubai World, que comanda a empresa imobiliária Nakheel, afetada por corrida especulativa, o Sultão  Ahmed bin Sulayem decretou moratória das dívidas, que afetam o mercado financeiro, abala o dólar e atiça especuladores para trocarem a moeda americana em desvalorização acelerada por ativos reais fortes, no Brasil, por exemplo, acelerando a valorização da moeda brasileira e determinando, consequentemente, decisões capazes de liberar o câmbio e evitar maiores prejuizos para a economia. Ou seja, o Brasil entra na dança de Dubai.

Presidente do fundo financeiro Dubai World, que comanda a empresa imobiliária Nakheel, afetada por corrida especulativa, o Sultão Ahmed bin Sulayem decretou moratória das dívidas, que afetam o mercado financeiro, abala o dólar e atiça especuladores para trocarem a moeda americana em desvalorização acelerada por ativos reais fortes, no Brasil, por exemplo, acelerando a valorização da moeda brasileira e determinando, consequentemente, decisões capazes de liberar o câmbio e evitar maiores prejuizos para a economia. Ou seja, o Brasil entra na dança de Dubai.

O governo Lula pode ficar de barbas de molho. Estava demorando surgir novo pesadelo no sistema financeiro global, depois de, nas duas últimas semanas, os bancos centrais dos Estados Unidos, Europa e Japão destacarem que a pregação de apressados em favor da redução da ajuda governamental aos mercados abalados estava sendo precipitada. Os diretores do FMI engrossaram as vozes dos BCs. O recado foi fortíssimo, mas os especuladores fizeram ouvidos moucos. Continuaram atuando como se a economia global estivesse reagindo satisfatoriamente ao tsunami financeiro que a fez mergulhar no abismo há um ano e pouco. No entanto, a notícia bombástica, nessa quinta feira, 26, de que o governo árabe de Dubai entrou em estresse financeiro, adiando, por tempo indeterminado, o pagamento de 59 bilhões de dólares vencido junto a bancos europeus e americanos, lançou novas chamas sobre a economia global, dominada pelo excesso de papéis especulativos, assegurados, mal e porcamente, por moeda estatal sem lastro. As bolsas despencaram. Trata-se de sinal que anuncia possibilidades de moratórias em pencas, de agora em diante. Como os bancos mais afetados pela decisão de Dubai são os europeus e americanos, atualmente, sob socorro nas UTIs dos governos, uma nova onda, redobrada, de pessimismo tenderia a avançar, trancando, ainda mais, o crédito internacional, abalado pela bancarrota financeira global. Os governos capitalistas desenvolvidos, já, excessivamente, endividados, pela necessidade de aumentarem as emissões de moeda e títulos da dívida pública, para tentarem evitar corridas contra os bancos, sofrerão novas cargas elétricas. Consequentemente, com mais emissão de moedas, especialmente, de dólares, maior a desvalorização delas, maior, portanto, o receio do mercado financeiro. Será mais uma motivação para as autoridades financeiras internacionais intensificarem a discussão sobre mudança no modelo monetário global, que tem o dólar como equivalente geral das trocas internacionais. A moeda de Tio Sam bate biela.

Real sob ataque 

Mantega tenta acalmar o mercado no sentido de que o Brasil não sofreria consequências com a moratória decretada por Dubai, mas a verdade é que no mercado globalizado não tem disso não, todos são, de alguma forma, afetados, especialmente, as economias, como a brasileira, que atrai especuladores com a moeda americana em rítmo de desvalorização incontrolável.

Mantega tenta acalmar o mercado no sentido de que o Brasil não sofreria consequências com a moratória decretada por Dubai, mas a verdade é que no mercado globalizado não tem disso não, todos são, de alguma forma, afetados, especialmente, as economias, como a brasileira, que atrai especuladores com a moeda americana em rítmo de desvalorização incontrolável.

A economia brasileira, em princípio, não sofreria conseqüências imediatas com o estouro financeiro na praça de Dubai? Engano. A economia global, totalmente, interligada, sinalizaria problemas na circulação monetária, podendo acelerar entrada de dólares na economia. Como a moeda americana está sob ataque especulativo em todos os cantos do mundo, especialmente, por parte dos países que dispõem de elevadas reservas em dólar, como são os casos da China, do Japão e dos países árabes, os especuladores correriam com seus ativos, candidatos à desvalorização acelerada, para trocá-los por ativos reais nos países emergentes. Como a economia brasileira se transformou em alvo dos investidores e especuladores em geral, não estaria afastada a intensificação da entrada da moeda de Tio Sam. O resultado seria maior valorização do real, fenômeno que tem provocado dores de cabeça intensas nas autoridades econômicas, dividindo-as entre si, a exemplo do que ocorre entre os ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Henrique Meirelles, presidente do Banco Central. Enquanto a Fazenda prega maior controle da entrada de dólar na economia, a fim de conter a sobrevalorização do real, que afeta as exportações, o Banco Central vacila em adotar medidas cambiais mais fortes, colocando em risco a indústria nacional. Mais especulações contra o dólar, por conta dos desajustes de Dubai, que se traduzem em moratória, sinalizando que o fenômeno pode se estender aos países já fortemente endividados, coloca, no Brasil, em risco a decisão do governo Lula de acelerar o déficit público para dinamizar o consumo interno via renuncia fiscal. A redução de impostos(IPI, Cofins etc), para compra de automóveis, eletrodoméstico, móveis , podendo atingir, também, eletroeletrônicos, para que, por meio da aceleração consumista, seja possível sustentar, relativamente, a arrecadação tributária, de modo a permitir expansão dos investimentos públicos, poderia não dar resultado esperado, principalmente, se as notícias negativas ganharem vulto, levando os consumidores a se retraírem diante delas, como medida de segurança. Caso isso ocorra, o governo , em face de eventual retração, teria pela frente, com a entrada , sem controle, de dólar, maiores déficits. Sinal vermelho.

Aumentar ou diminuir reservas?

A queda de Dubai deixa o ministro Meirelles fragilizado, porque os dólares que acumulou como garantia contra a crise tendem a desvalorizar ainda mais, oblrigando-o acelerar medidas cambiais salvacionistas, a fim de evitar enxurrada de moeda americana na economia e valorização excessiva do real, capaz de bloquear o aquecimento econômico bancado por Lula mediante renuncia fiscal para os consumidores. Quem vai comprar os dólares que Meirelles acumula?

A queda de Dubai deixa o ministro Meirelles fragilizado, porque os dólares que acumulou como garantia contra a crise tendem a desvalorizar ainda mais, oblrigando-o acelerar medidas cambiais salvacionistas, a fim de evitar enxurrada de moeda americana na economia e valorização excessiva do real, capaz de bloquear o aquecimento econômico bancado por Lula mediante renuncia fiscal para os consumidores. Quem vai comprar os dólares que Meirelles acumula?

O calote temporário – ou permanente? – de Dubai na praça financeira internacional, com repercussões nas bolsas globais, na quinta e sexta feira, revitalizando as expectativas negativas quanto ao comportamento da economia mundial, coloca em questão a política monetária brasileira comandada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de fortalecer as reservas cambiais brasileiras, como antídoto à crise internacional. Se a moeda americana, por força de calotes que começam a pintar a partir de países considerados ricos em petróleo, maior garantia possível para o comércio, a tendência a se aprofundar será a de corrida não a favor mas contra o dólar. Os detentores de moeda americana tentariam desfazer-se dela, em troca de outros ativos, preferencialmente, ouro, prata, terras na América do Sul, aplicação no petróleo do pré-sal, minérios etc. Quem compraria os quase 300 bilhões de dólares acumulados pelo BC brasileiro, se a desvalorização deles se intensificarem no compasso dos calotes que se anunciam? A moeda americana vira brasa no bolso dos especuladores. Todos tentam desová-la. Se a corrida contra o dólar se intensificar na praça brasileira, por exemplo, as divergências entre Ministério da Fazenda e Banco Central teriam que ser rapidamente superadas. Medidas cambiais salvacionistas se impõem, para liberar saída de moeda americana do país, a fim de desvalorizar, relativamente, o real. Providências, nesse sentido, estão sendo analisadas, como relatou a repórter Cláudia Safatle, do Valor Econômico, na quinta. No cenário de ampliação de calotes possíveis, por parte de países super-endividados em dólar, caso seja mantida a valorização da moeda brasileira em relação ao dólar, afetando exportações, ampliando desemprego e desindustrialização interna, o resultado poderia ser crescimento descontrolado do déficit em contas correntes do balanço de pagamentos. Este, que poderá, esse ano, alcançar os 3% do PIB, tenderia a crescer para a casa dos 4% ou 5%, no contexto em que, ao lado da desvalorização do dólar, cresce as desonerações fiscais, que forçam, ainda mais, o déficit público. Somente seria possível superar tal perigo, se a população não fosse contaminada pelo negativismo e continuasse a gastar. Provável ou improvável?

Kátia, Dilma de Serra

Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 24-11-2009

Senadora, líder empresarial, empreendedora, dinâmica, guerreira, a voz do capital no campo, Kátia Abreu pode entrar em cena para dividir o voto feminino, ao lado de Serra, contra Dilma e Michel Temer

Senadora, líder empresarial, empreendedora, dinâmica, guerreira, a voz do capital no campo, Kátia Abreu pode entrar em cena para dividir o voto feminino, ao lado de Serra, contra Dilma e Michel Temer

O governador José Serra, de São Paulo, considerado homem de nervos de aço, prepara jogada política de impacto: negocia com a senadora Kátia Abreu(DEM-TO) para ser sua companheira de chapa, a fim de enfrentar suposta chapa de coalizão governamental Dilma-Temer.  Articula e busca consolidar parceria PSDB-DEM, como ponta de lança oposicionista para a eleição presidencial 2010. O titular dos Bandeirantes, dessa forma, atenua a irritação dos democratas de que ele é ditador, comandando soberanamente sua vontade quanto ao tempo de lançamento de sua candidatura. A possível parceria representaria, também, oxigenação político-partidária. Embora esteja na frente em relação aos concorrentes, Serra vê seus números erodirem-se em face do avanço relativo de Dilma Rousseff, exposta, excessivamente, ao lado do presidente Lula, e do crescimento do fato novo que é o deputado Ciro Gomes. 

Com a companhia de Kátia Abreu, o governador paulista cria, igualmente, novidade política.
 

 

Serra tenta acertar a candidatura feminina de Dilma com outra, a de Kátia, para dividir o peso do voto majoritário feminino, que decidirá a eleição 2010

Serra tenta acertar a candidatura feminina de Dilma com outra, a de Kátia, para dividir o peso do voto majoritário feminino, que decidirá a eleição 2010

Otimizaria sua participação nas pesquisas, minimizada com a entrada em cena de Ciro Gomes, que pontifica em diversos cenários, sinalizando condição de fator decisivo, para onde pender, seja para o governo, seja para a oposição, caso vire o candidato desta não o governador José Serra, de São Paulo, mas o governador Aécio Neves, de Minas. Como se mostra melhor posicionado até do que o titular do Palácio da Liberdade, seu cacife torna-se ainda mais valorizado. Somado o fator Ciro Gomes mais a insatisfação dos democratas diante da resistência de José Serra em ceder às pressões para que lance já sua candidatura, tem-se conjuntura que faz maré alta. As cogitações em torno da negociação PSDB-DEM, Serra-Kátia, funcionariam como ducha de água fria na fervura cirogomista. Será? A novidade Serra-Kátia bateu no final de semana em Belo Horizonte entre os governistas ligados ao vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, cuja disposição para conter o câncer e disputar vaga de senador pelo PR mineiro é total. Serra e Aécio, em conversas que passam ao largo da sensação vendida de que estão com relações tensas, concordam que a chapa de oposição teria que ter representante feminina.

                    

Poder feminino em ascensão

  

 

 

 

A força do voto feminino coloca as mulheres na vanguarda do desenvolvimento no século 21 em que o crescimento demográfico se estabilizará, sinalizando a força política das mulheres em escala crescente na projeção do futuro nacional.

A força do voto feminino coloca as mulheres na vanguarda do desenvolvimento no século 21 em que o crescimento demográfico se estabilizará, sinalizando a força política das mulheres em escala crescente na projeção do futuro nacional.

As mulheres somam, atualmente,  51% do total do eleitorado. Como o IBGE calcula que o limite populacional brasileiro será, em 2040, de 207 milhões de pessoas, quando então o crescimento demográfico cairá a zero, tendendo ao negativo, em tal conjuntura o papel da mulher passará ser mais relevante do que o do homem no mercado de trabalho, especialmente, porque estará sendo descolada a relação sexo versus reprodução, bem como a relação sexo versus casamento, dada a evolução dos costumes e da ciência. Ou seja, vendo longe, José Serra entra com Kátia Abreu, no cenário sucessório. Tenta dividir o voto feminino brasileiro na eleição presidencial com Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, já em plena campanha eleitoral, em que passa destacar-se nas costuras dos aliados, como começou no último final de semana, com as eleições dentro do PT. A jogada de José Serra e Kátia Abreu aponta para outra dinâmica. Serra não estaria testando os nervos dos companheiros, porque seus próprios nervos se renderam às pressões, como foram as realizadas pelo ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Mais, criando, consequentemente, intrigas internas, desgastantes, desagregadoras. Ao contrário, Serra, com Kátia, vira protagonista, caso o casal político se acerte, por meio de suas ramificações político partidárias. A previsão do presidente Lula de que chegou a hora de o Brasil ser governado por uma mulher e que esta seria possivelmente a ministrar Dilma valoriza, relativamente, o voto feminino, excitando o inconsciente nacional. Tal voto, psicologicamente, com valor relativo mais expressivo, passa a ter a força da decisão politicamente qualificada.  

O PMDB exercitará sua vocação governista, a partir do Palácio do Jaburu, sob ordenação política feminina, se Dilma for eleita, em cenário em que as previsões dão conta de influência crescente do Brasil na cena internacional sob influência do avanço da mulher na política.

O PMDB exercitará sua vocação governista, a partir do Palácio do Jaburu, sob ordenação política feminina, se Dilma for eleita, em cenário em que as previsões dão conta de influência crescente do Brasil na cena internacional sob influência do avanço da mulher na política.

A chegada da mulher ao poder representaria a elevação da auto-estima feminina brasileira e internacional. Seria mais uma sul-americana que toma as rédeas do poder na periferia capitalista com discurso nacionalista, no caso de Dilma-Temer, e liberal, no caso Serra-Dilma. Politica e  psico-socialmente, para além dos interesses concretos das categorias sociais em jogo, que se perfilarão ao lado das candidaturas, pintaria a luta singular, isto é,  uma disputa de casais.. De um lado , o casal governista,  Dilma-Temer; de outro, o oposicionista, Serra-Kátia.  Se a ministra Dilma vende a imagem de uma administradora austera, nacionalista, concentradora de atividades, burocrata, pelo menos, por enquanto, visto que não desempenhou atividades político-partidárias no plano democrático, mas político-partidária no plano clandestino da ditadura militar, ou seja, fazendo o tipo energético chumbo- grosso, a senadora Kátia, por sua vez, representa a face empresarial feminina, empreendedora, líder de classe, como presidente da Confederação Nacional da Agricultura(CNA). Comanda a senadora, como líder político-empresarial, os interesses econômicos correspondentes a 34 % do PIB nacional.  Igualmente, determinada, abriu queda de braço com a visão socialista do governo Lula, relacionada ao tratamento dispensado aos movimentos sociais, cuja atuação entra em choque com os agricultores, pecuaristas, exportadores etc, dotados de visão global, que implica em colocar a produtividade da terra preferencialmente nas mãos da ciência e da tecnologia, descartando mão de obra e divisão territorial das propriedades.

                                                                                                                                                             

Visão chinesa democrata-tucana

   

 

O jogo dos chineses com os pequenos agricultores pode ser repetido no Brasil se a corrente katiana chegar ao poder para alavancar o consumo interno transformando os trabalhadores do campo em consumidores bancados pelo subsídio estatal keynesiano destinado a promover aumento de arrecadação e investimentos públicos, no mundo em que o emprego está acabando.

O jogo dos chineses com os pequenos agricultores pode ser repetido no Brasil se a corrente katiana chegar ao poder para alavancar o consumo interno transformando os trabalhadores do campo em consumidores bancados pelo subsídio estatal keynesiano destinado a promover aumento de arrecadação e investimentos públicos, no mundo em que o emprego está acabando.

Kátia joga o mesmo jogo dos chineses. O governo da China liberou os pequenos agricultores para venderem suas propriedades, algo antes não permitido. A visão comunista-capitalista-chinesa, para o desenvolvimento agrícola, descarta a reforma agrária, abraçada pelas forças governistas lulistas-dilmistas. Ocorrerá, dessa forma, como a história capitalista comprova, concentração da propriedade, avanço oligopolizado do agronegócio na China, a nova esperança do mundo,  especialmente dos especuladores, depois da bancarrota financeira dos Estados Unidos.  A jogada chinesa, em armação, assegura ao ex-proprietário de pequeno porte , que migra do campo para a cidade, subsídios , tipo bolsa família. Estará, assim, assegurada a dinamização do consumo interno, capaz de sustentar arrecadação tributária crescente. Ou seja, a reforma agrária sob o oligopólio capitalista nacional e internacional, na China, vira museu histórico.  O importante, para o desenvolvimento capitalista, é assegurar, não mais a produção, em primeiro lugar, mas o consumo, que puxa as atividades produtivas, especialmente, em cenário de sobrevalorização da moeda nacional, como destacou o ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, em entrevista aos repórteres Sérgio Leo e Rosângela Bittar do Valor Econômico. Fortalece na China a jogada keynesiana, de o consumo interno ser bancado pelo governo, que, garantindo consumo, assegura arrecadação e investimentos sociais.  

Estratégia chinesa, se aplicada no Brasil, acabaria com os sem terra, transformando-os em consumidores, que bombariam, com renda bancada pelo Estado, seu consumo , cujo produto seria aumento da arrecadação, voltada para o incremento do desenvolvimento interno.

Estratégia chinesa, se aplicada no Brasil, acabaria com os sem terra, transformando-os em consumidores, que bombariam, com renda bancada pelo Estado, seu consumo , cujo produto seria aumento da arrecadação, voltada para o incremento do desenvolvimento interno.

Será dessa forma que os chineses conseguirão valorizar o Yuan, assim como, no Brasil, com o bolsa família, Lula valorizou o real.  Kátia Abreu e José Serra representam a união do grande capital financeiro ao capital produtivo do campo. A renda desses setores, na China, passa a ser sustentada pela garantia de consumo dada pelo Estado a serviço da reprodução do capital. Ocorreria o mesmo no Brasil, para eliminar, politicamente, o fenômeno dos SEM TERRA, cuja solução política, até agora, não foi alcançada pelo capitalismo nacional, voltado a atender, apenas, o interesse da propriedade dos meios de produção e não a propriedade dos meios de consumo? A luta política na sucessão 2010 , em que a participação da mulher ganha relevância extraordinária, sinaliza luta ideológica. Com Kátia, o debate, sobretudo, ambiental ganhará relevância.   A dinâmica senadora tocantinense joga com pregação de excessiva flexibilidade legal na ordenação do espaço para a produção agroindustrial. Defende constante anistia para o empreendedor, que, na utilização dos insumos que deterioram as propriedades vitais do solo, torna-se alvo dos ataques fiscais governistas, estimulados pelos ambientalistas.  Considera maluquice, como escreveu no Estado de São Paulo, a meta de reduzir em 40% as emissões de CO2 na atmosfera, entre 2009 e 2020, como promete o governo, com Dilma à frente, em Copenhague.  O embate Dilma versus Kátia se estenderá, também, à Amazônia, onde os desmatamentos serão reduzidos em 80% , para profunda irritação dos pecuaristas e agricultores. Tais forças estarão em confronto, em grau elevado, no campo eleitoral, marcado pelo poder feminino em ascensão.

 

 

 

 

 

Ahmadinejad tenta o que tentou Geisel

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 23-11-2009

O nacionalismo de Ahmadinejad tenta dotar o Irã daquilo que os países capitalistas desenvolvidos consideram fruto proibido, ou seja, a linha de montagem industrial capitalista como limite do desenvolvimento científico e tecnolóico se completa com o domínio atômico, como arma para proteger a principal riqueza iraniana, alvo dos interesses dos Estados Unidos, o petróleo

O nacionalismo de Ahmadinejad tenta dotar o Irã daquilo que os países capitalistas desenvolvidos consideram fruto proibido, ou seja, a linha de montagem industrial capitalista como limite do desenvolvimento científico e tecnolóico se completa com o domínio atômico, como arma para proteger a principal riqueza iraniana, alvo dos interesses dos Estados Unidos, o petróleo

Freud foi um gênio porque viu que o real, o inconsciente, é oculto e latente. A representação, o consciente, é a falsidade aparente. Por exemplo, a ira geral contra Mahmud Ahamadinejad, presidente do Irã, que estará em Brasília, nessa segunda, 23. Por que estão jogando pedra nele, atendendo o pedido de Jesus, que mandem as pedras quem não tem culpa no cartório? Se estão mandando pedradas, como foi o caso da passeata no Rio de Janeiro, ontem, e os protestos no Itamarati, hoje, é porque os integrantes estão certos de que a aparência é a essência. Freud explica.

O que está em jogo, para além do palavrório ideológico-religioso, é a disposição iraniana de conquistar o ciclo da produção do combustível atômico. Evidencia-se tal conquista que há uma cadeia produtiva que vai do início ao fim quanto ao domínio da tecnologia energética atômica cujos resultados se espraiam, no contexto da economia de guerra capitalista, para as indústrias de bens duráveis consumistas em geral, subprodutos que se desenvolvem para o mercado. A internet começou com a guerra, para acelerar comunicações de guerra. O avião, também, foi assim, sua função inicial foi levar informações, para denunciar os inimigos e combatê-los.

Ahmadinejad quer  o mesmo que o presidente Geisel quis quando fechou acordo nuclear com a Alemanhã, em 1976-77. O que desejavam os militares brasileiros na ocasião? O mesmo que o titular do poder iraniano, ou seja, ampliar o domínio nacional sobre a tecnologia do urânio. Foi combatido tenazmente pela grande imprensa, que vocalizava, na ocasião, a ideologia pacifista de Jimmy Carter. Os Estados Unidos haviam acabado de sair da fria da derrota na guerra do Vietnan. Paz e amor. Era a representação de Tio Sam. Geisel era a guerra. Queria, para o Brasil, o fruto proibido, acessível, apenas, aos países ricos. Ou seja, o domínio da tecnologia capitalista que alcança seus limtes no desenvolvimento dos produtos bélicos e espaciais, como demonstram os Estados Unidos, depois da segunda guerra mundial, como vencedores do conflito, a comandar o dólar todo poderoso. Geisel virara inimigo dos americanos. Vestia, naquele momento, o paletó, hoje, vestido por Hugo Chavez, presidente da Venezuela, e Mahmud Ahmadinejad, por ansiarem o poder atômico em nome da defesa de interesses nacionais. 

Se os Estados Unidos, Rússia, França, Inglaterra, China, Índia, Paquistão, Israel possuem a bomba atômica, por que o Brasil, o Irã, Venezuela, igualmente, não podem? A paz estaria em impedir o acesso dos pobres às bombas ou em desarmemento geral dos que possuem elas, a começar pelos Estados Unidos? Se o mais poderoso não se desarma, qual a moral para pregar o desarmamento ou impedir o desejo dos outros?

Os críticos dos militares embarcaram na representação do pacifismo, para demonizar o armamentista Geisel, como demonizam o armamentismo do Irã e da Venezuela. Leram pelo avesso o processo histórico, como disse Glauber Rocha, em “Mizérya do lyberalysmo”, 1976, Correio Braziliense. Quem estaria rompendo a ética do pacifismo: quem já está super-armado e prega desarmamento ou quem está desarmado e desaja se armar para se proteger? O agressor vira agredido e o agredido, agressor.

Agora, como as ideologias de esquerda e direita se misturam em propósitos políticos e econômicos mais ou menos semelhantes, em passagens do processo histórico, emergiu a dualidade liberalismo-nacionalismo, sendo o primeiro, que se desmoraliza na especulação, a virtude, e o segundo, o atraso.

Ahmadinejad, Geisel, Chavez, Lula, Evo são o atraso, querendo alcançar, via gastos públicos, como fizeram os americanos, o domínio total da tecnologia do urânio, das armas atômicas, que fazem os grandes respeitarem quem chega perto deles, como aconteceu com a Coreia do Norte, em matéria de poderio bélico. Linguagem do direito da força sobre a força do direito.

Ahmadinejad, como Geisel,  quer o controle atômico para preservar o que os militares sempre temeram, o assalto às riquezas nacionais. No cenário do Oriente Médio, onde as fontes de petróleo abundam e são objeto de disputas guerreiras há mais de cem anos, o problema é crucial.

 

Pacifismo neoliberal disfarçado

Geisel buscou as armas atômicas como busca o presidente do Irã. Pagou o preço da demonização americana, justamente, no momen to em que levava o regime para o restabelecimento da democracia, porém, contrariando Washington , com seu pacifismo de fachada

Geisel buscou as armas atômicas como busca o presidente do Irã. Pagou o preço da demonização americana, justamente, no momen to em que levava o regime para o restabelecimento da democracia, porém, contrariando Washington , com seu pacifismo de fachada

Em exposição excelente na Comissão de Infra-estrutura do Senado, presidida pelo ex-presidente Fernando Collor, alto escalão da Petrobrás destacou, semana passada, a propósito de defender o regime de partilha e a criação da Petro-sal pelo presidente Lula, no contexto da nova política energética-nacionalista-lulista, que todo o processo histórico, no século 20, desenrolou-se ao largo da essência dada pela disputa pelo petróleo. Regiões produtoras, alvos, ao longo de 100 anos, pelo capital americano e europeu, foram retalhadas e as nacionalidades jogadas umas contra as outras pelo interesse pelo ouro negro, matriz energética dos bens duráveis, que sustentaram a dinamica de acumulação capitalista. Sem ele, a dinâmica esfriaria.

O Irã está sob ataque, como Geisel esteve, no seu tempo, porque adota política nacionalista de proteção do petróleo, por intermédio da busca do domínio da energia atômica, algo que já está quase estabelecido, por conta da ajuda da Rússia, aliada dos iranianos. Essa força, que as potências do Ocidente consideram cega, porque não está sob comando do capital internacional, mas nacional, precisa ser dominada. Auto-suficiente, ela foge, totalmente, do controle do capital internacional, principalmente, porque sua expressão política encontrra-se no nacionalismo xiita, uma das correntes políticas mais velhas da humanidade, nascida desde os primórdios. A velha Pérsia, que já foi dominante, como são, hoje, os Estados Unidos, abalados pelo dólar fragilizado, sabe porque o nacionalismo é fundamental no contexto das relações internacionais.

O domínio xiita, no Oriente Médio, significa a reeencarnação do espírito da velha Pérsia, do nacionalismo, que se espraia na região mulçulmana, cheia de petróleo, dominada pelas empresas multinacionais, aliadas de famílias sunitas, elite rica contrária aos xiitas, a base massacrada social, política e economicamente. 

A luta de classes está em cena no Oriente Médio. Sobretudo, o acirramento dela abala a divisão internacional do trabalho estabelecida pelos Estados Unidos, depois da segunda guerra mundial, sob domínio do dólar. Como destaca Paul Krugman, em “A crise de 2008 e a economia da depressão”(Campus), os ciclos econômicos sob capitalismo não foram dominados pela linguagem do mercado, razão pela qual está em xeque, no Oriente e em todo o lugar, a supremacia da moeda americana como determinante nas relações de trocas. Especialmente, os países produtores de petróleo dão seu grito de independência. O presidente iraniano está na linha de frente dessa resistência, como porta-bandeira dos xiitas marginalizados que alcançaram o poder e deslocam os sunistas e seus sócios estrangeiros do petróleo.

 

Nacionalismo atômico perigoso

Os dois presidentes nacionalista sulmaericanos que desejam proteger suas riquezas se armando são igualmente demonizados, como Ahmadinejad

Os dois presidentes nacionalista sulmaericanos que desejam proteger suas riquezas se armando são igualmente demonizados, como Ahmadinejad

O contexto joga contra os interesses dos Estados Unidos na região, especialmente, porque a crise mundial abateu-se sobre o império, desarticulando sua moeda e seu discurso. Os americanos estão com a moeda podre nas mãos e com suas multinacionais do petróleo dominando somente 7% das reservas mundiais , enquanto o restante está em mãos de governos nacionalistas. Estes, como é o caso do Irã, jogam para valer o lance político radical. No Oriente, o nacionalismo atende pelo nome de xiitas iranianos e iraquianos, que se unem, depois da derrocada americana na terra de Saddam Hussein. Transformam-se, consequentemente, em pavor para os Estados Unidos e para Israel, armado até os dentes, com bombas atômicas, pelos americanos. Está em jogo o poder americano , sob dolar enfraquecido, no Oriente Médio. Os países produtores de petróleo querem descartar o dólar. Pagam suas importações européias em euro. Sofrem prejuízos, já que suas receitas cambiais se realizam em dólar, na venda do produto. Ou seja, tendem a aprofundar o discurso nacionalista de defesa dos preços do óleo, jogando para cima sua cotação, como forma de compensação monetária. Nessa conjuntura, a pregação do Irã, de nacionalizar tudo e de preparar o Oriente Médio para defender-se contra os ataques dos interesses econômicos e financeiros que se aliam contra a tentativa nacionalista, é a essência do problema. Quando Ahmadinejad chama Lula de parceiro e companheiro; quando faz o mesmo com Hugo Chavez, e, da mesma forma, em relação a Evo Moralez, o fundo do interesse é o mesmo: petróleo nacionalizado, totalmente, da produção à distribuição, sob comando da voz estatal. Evo Moralez fêz isso, como realizaram a mesma façanha Lula com o pré-sal e Hugo Chavez no comando do petróleo venezuelano, apertando o controle sobre as empresas privadas, subordinando-as aos interesses dos donos da riqueza, ou seja, o povo, de acordo com as constituições.

Certamente, Mahmud Ahmadinejad falou besteira quando negou o holocausto  e quando demonizou os homossexuais. Em entrevista ao repórter William Waack, o titular iraniano parece que até flexibilizou sua negação ao destacar que o problema dos judeus foram provocados pelo ocidente e não pelo oriente. Por que, perguntou, os palestinos têm que pagar o pato, sofrendo o mesmo holocausto, vivendo segregados, impossibilitados de resolver seus próprios problemas econômicos, que determinam qualidade de vida dos povos?

Quando destaca “problema” dos judeus reconhece que houve o problema, isto é, o holocausto. Equívoco semelhante é o de demonizar em nome da religião os homosseuxuis. Simplesmente, a negação do direito de ser homosseuxual é a negação do livre arbítrio, poder maior que Deus , segundo todas as religiões, colocou como direito essencial do ser humano. Caso contrário, não seria sujeito, mas objeto. 

Cada um faz a opção que deseja no plano político, social e sexual. O destaque a esses aspectos da questão da visita do presidente iraniano no Brasil é, no entanto, cortina de fumaça. Não querem os países ricos, caminhando para serem relativamente pobres, no contexto da grande crise, a união de interesses atômicos do Irã com a América do Sul. Ambos têm petróleo e são alvos dos interesses da guerra. O propósito é claro, dividir para governar. 

 

Enganação religiosa

O direito da força dado pelo capital monta a representação burguesa que fixa o fetichismo político democrático onde a inversão da realidade de que a igualdade jurídica corresponde à injustiça social formata a face da hipocrisia como verdade útil

O direito da força dado pelo capital monta a representação burguesa que fixa o fetichismo político democrático onde a inversão da realidade de que a igualdade jurídica corresponde à injustiça social formata a face da hipocrisia como verdade útil

O Estado teocrático está por trás dessa ignorância política de Mahmud Ahmadinejad. Mas, na prática, é esse sentido que costura a unidade nacional no Oriente Médio, goste ou não os ocidentais, onde o regime democrático disfarça a ditadura do capital, como reconheceu o próprio Napoleão, quando destacava que nos parlamentos são escritas as leis que expressam o poder da força nas guerras de conquistas etc. No parlamento burguês, a unidade nacional é costurada no fetiche, que é outra forma de religião.

Há, no contexto democrático, o direito da propriedade privada e o da livre escolha política, mas, na prática, o que funciona é o direito de propriedade dos bens de produção, mas não direito de propriedade dos bens de consumo.

O direito de propriedade dos bens de produção é do capital e o direito de propriedade dos bens de consumo, do salário. Juridicamente, no entanto, igualam-se ambos os direitos, no plano abstrato, do capital e do salário. Vende-se ao contribuinte a representação falsa da igualdade jurídica, mas que, na prática, expressa a desigualdade social.

Há uma cortina de fumaça fetichista que faz com que se acredite nessa contraditória justiça cujo pressuposto vira, também, religião, não do Estado teocrático, mas do Estado utilitarista-bancocrático. A religião representativa burguesa-neoliberal de Barack Obama, nesse sentido, não seria muito diferente da religião do Estado teocrático de Mahmud Ahmadinejad, como estratégia para assegurar a unidade nacional.

O Estado democrático, sob especulação financeira, segura a unidade nacional, não em nome de Deus, mas da  UTILIDADE, a religião do capital. Como a utilidade está, sob dólar em bancarota, sendo negada, a religião da igualdade jurídica correspondente à desigualdade social , vai perdendo sua áurea, por estar deixando de ser útil.

“TUDO QUE É ÚTIL É VERDADEIRO. SE DEIXA DE SER ÚTIL, DEIXA DE SER VERDADE”(KEYNES).

A economia de guerra é fruto da utilidade capitalista, de criar oferta sem gerar produção, para sustentar o nível das forças produtivas, sob moeda estatal sem lastro, de modo a manter rígidas as relações sociais da produção, para que tudo permaneça estático, equilibrado, esquizofrênico, anti-natural, ideologicamente, religioso.

Ahmadinejad é a face oculta do fracasso da utilidade como Deus eterno. Tentam colocar nele a representação do oposto daquilo que seria útil, mas que, no entanto, está fracassando. Fogem da essência, isto é, da luta nacionalista iraniana pelo domínio político e econômico sobre o petróleo. O armamentismo nuclear em marcha no Irã é resultado prático da essência que assusta o ocidente.

Um país do oriente, alcançando a bomba, desenvolve não apenas a cadeia produtiva da guerra, mas, sobretudo, a da produção de bens e serviços que tirará os povos da região da exploração externa, historicamente, colonialista-utilitarista-religiosa.

 

 

 

 

 

 

 

Aposentados testam o Lula social-eleitoral

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 20-11-2009

As/os aposentadas/os são os que têm o bom senso de conduzir os filhos e os seus gastos que dinamizam a economia pelo consumo, fator responsável, na Era Lula, pelo fortalecimento do mercado interno, da moeda, da produção e da credibilidade da economia no cenário internacional, permitindo-a superar a bancarrota financeira dos Estados Unidos, pelo menos, até o momento.

As/os aposentadas/os são os que têm o bom senso de conduzir os filhos e os seus gastos que dinamizam a economia pelo consumo, fator responsável, na Era Lula, pelo fortalecimento do mercado interno, da moeda, da produção e da credibilidade da economia no cenário internacional, permitindo-a superar a bancarrota financeira dos Estados Unidos, pelo menos, até o momento.

A aposentada Dona Canô, mãe do cantor e compositor Caetano Veloso, recebeu, na quarta, 19, telefonema do presidente Lula, para dizer a ela que não se preocupasse com as agressões verbais e preconceituosas que seu filho lhe fêz. Disse que já esqueceu e que gosta de ouvir Caetano. Freud entra em campo: as palavras servem para esconder o pensamento. Na primeira hora da agressão, o presidente destacou que iria esquecer o assunto, ouvindo Chico Buarque. Ou seja, lido, freudianamente, ou seja, ao contrário, o titular do Planalto, chateado, deu um tapa de luva no baiano, que, segundo dizem, morre de ciúme do Chico. Mais, Lula considerou Caetano burro por entender que analfabetismo está relacionado à falta de estudo. Ele não estudou e é presidente da República, porque Dona Lidu mandou ele teimar. “Teima, teima, teima”, para arrumar emprego, como diz ela , no filme, “Lula, o filho do Brasil”. Teimou e chegou lá. Resumindo, o presidente , ao conversar com Dona Canô, não esqueceu a agressão e ao dizer que gosta de ouvir Caetano, na verdade, quis dizer que ama Chico. Mas, a relação do líder nacional com a aposentada dona de casa mais famosa da Bahia remete sua relação conflituosa, não com Caetano, mas com os aposentados, nesse instante. Estes estão em pé de guerra contra o presidente.

O conflito Lula-aposentados representa o principal teste social do governo. Indiscutivelmente, os aposentados, que ganham salário mínimo, representam a sucata nac ional. Com um mínimo de miseráveis R$ 500, 300% inferior ao salário mínimo pago na Era Vargas, nac ionalista, esvaziada, a  partir dos anos de 1990 pelo modelo neoliberal ditado pelo Consenso de Washington, ao qual os neorepublicanos brasileiros se renderam, os aposentados, há mais de um mês, sentam praça no Congresso, pressionando os parlamentares, para que 1 – haja reajuste real do mínimo de 63%, para os que ganham mais do que mínimo, pois os que percebem o mínimo usufruiram desse benefício de 2003 a 2008, com efeito retroativo até 2006; 2 – seja eliminado o Fator Previdenciário, que, na prática, representa fator de redução do rendimento dos aposentados, funcionando como multiplicador de empobrecimento nacional.

Trata-se de 28 milhões de aposentados, dos quais 8 milhões, que ganham mais do que o mínimo, insistem em receber reajuste salarial acrescido da proposta governamental de dar ganho real de acordo com a evolução do PIB e relativamente acima da inflação. Se a cada aposentado corresponder a 5 integrantes familiares, tem-se um universo humano de 120 milhões de habitantes. Se 40% desse total implicar em eleitores e eleitoras aptos a votarem no próximo ano, os aposentados terão poder de influência eleitoral decisivo sobre um universo  50 milhões de eleitores e eleitoras. Pesarão, portanto, no resultado final. Por isso, o Congresso, nas últimas semanas, está dividido. O governo e sua força de coalizão se encontram confusão, sob ataque das galerias.

R$ 150 bilhões de déficit

Estão destruindo o SUS por dentro, via desvio de dinheiro e de privatizações e sucateamento da saúde, afetando a vida dos aposentados, que teriam uma previdência , hoje, com orçamento de 150 bilhões de reais e não de, apenas, 48 bilhões, caso fossem crumpridas as determinações constitucionais, rompidas para desviar a garantia previdenciária dos aposentados para os credores da dívida pública interna

Estão destruindo o SUS por dentro, via desvio de dinheiro e de privatizações e sucateamento da saúde, afetando a vida dos aposentados, que teriam uma previdência , hoje, com orçamento de 150 bilhões de reais e não de, apenas, 48 bilhões, caso fossem crumpridas as determinações constitucionais, rompidas para desviar a garantia previdenciária dos aposentados para os credores da dívida pública interna

Os governistas, como o deputado Pepe Vargas(PT-RS), destacam que perto de R$ 150 bilhões serão necessários para pagar os aposentados. Ou seja, a quantia que não foi paga , historicamente, aos trabalhadores inativos. Esse valor não está no orçamento da Previdência, que, com a crise, sofreu redução de receita. Mas, a realidade da Previdência Social é profundamente contraditória, pois os recursos dos trabalhadores, recolhidos ao longo da sua vida de trabalho, foram, permanentemente, desviados para outros fins. O SUS, por exemplo, segundo o deputado Jofran Frejat(PR-DF), um dos maiores conhecedores, no Congresso, do sistema previdenciário, padece de descaminhos, cujas origens estão em desvios de recursos, que criaram interesses poderosos dentro das alianças governamentais.

Estão, disse ele, destruindo o SUS  por dentro e, consequentemente, a vida dos aposentados. Sem recursos, os hospitais públicos terceirizam serviços que implicam em jogo de interesses que elevam os gastos desenecessariamente etc. Além disso, ressalta Frejat, os aposentados recolheram suas reservas para a previdência, para que recebessem, compativelmente, quando aposentassem, o que não está ocorrendo. Previdência Social, escândalo nacional.

Dessa forma, o deficit previdenciario não é, para Frejat, deficit financeiro, mas carência de gestão e de cumprimento das determinações constitucionais. Se os recursos da Previdência seguissem o que diz a Constituição, destaca, a receita previdenciária, hoje, seria de R$ 140 bilhões e não, apenas, R$ 48 bilhões.

O dinheiro foi desviado para as obras públicas, que estimularam outras demandas, mas o gap social ficou crescente, de modo que a luta dos aposentados, nos corredores do Congresso e nas assembléias e fóruns da categoria, espalhados em todos os estados da Federação, transforma-se no fato político mais intenso. Representa, sobretudo, teste eleitoral para o presidente Lula, quanto mais avança as disputas entre os potenciais  candidatos. Se os candidatos tucanos, governador José Serra, São Paulo, e governador  Aécio Neves, Minas, penderem para os aposentados, o Planalto terá que rever sua posição. Senão, dança, eleitoralmente. Se salvou os empresários da crise, por que não salvaria os aposentados, que terão mais renda disponível para o consumo?

Todos os reajustes concedidos aos aposentados , na Era Lula, que, em relação a eles, seguiu o caminho aberto na Era FHC, representam, segundo Pepe Vargas, ganho líquido de 50% para os que percebem acima do salário mínimo, enquanto para os que ganham o mínimo o benefício ocorreu em sua totalidade. Acrescentar mais o reajuste real acima do mínimo e a extinção do fator previdenciário - que pune quem completou 35 anos de recolhimento de aposentadoria, mas não tem idade suficiente , para , somando aos 35, chegar aos 85, para homem, 80, para mulher, sofrendo, portanto, corte nos rendimentos – significariam pressão orçamentária insuportável.

Social versus econômico

Os aposentados tiveram ganho real para os que ganham até o mínimo e os que ganham acima do mínimo tiveram seu reajuste equiparado ao mínimo, correspondente a ganho real ao longo da Era Lula, embora o salário mínimo continue sendo uma miséria social que não chega à proposta social avançada de Getúlio Vargas

Os aposentados tiveram ganho real para os que ganham até o mínimo e os que ganham acima do mínimo tiveram seu reajuste equiparado ao mínimo, correspondente a ganho real ao longo da Era Lula, embora o salário mínimo continue sendo uma miséria social que não chega à proposta social avançada de Getúlio Vargas

Jogando na vanguarda das reivindicações dos aposentados e aposentadas, o senador Paulo Paim é a face social do governo Lula que a orientação neoliberal da Fazenda  tenta anular, negando os recuros para os projetos de lei que encaminhou e que causa a união dos aposentados em favor da rendenção dos seus rendimentos destruídos pelo Consenso de Washington, durante a Nova República neolibaralizante.

Jogando na vanguarda das reivindicações dos aposentados e aposentadas, o senador Paulo Paim é a face social do governo Lula que a orientação neoliberal da Fazenda tenta anular, negando os recuros para os projetos de lei que encaminhou e que causa a união dos aposentados em favor da rendenção dos seus rendimentos destruídos pelo Consenso de Washington, durante a Nova República neolibaralizante.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, na quinta, 20, disse que o presidente Lula vai vetar a rejeição do Fator Previdenciário, se os deputados negarem ele. O veto nesse sentido já fora dado ao projeto de lei aprovado no Senado. Para a equipe da Fazenda, o peso orçamentário dos aposentados, agora, pressionaria o deficit público, já sob pressão das desonerações fiscais e emissões financeiras realizadas pelo tesouro nacional, a fim de superar a crise global, que reduziu o nível geral de atividades. Calcula-se subsidios e doações da ordem de R$ 150 bilhões, para o setor produtivo e financeiro. Mais R$ 150 bilhões para os aposentados?

Os aposentados e os oposicionistas, como o deputado Fernando Coruja(PSDB-SC), contrargumentam que a superação da dívida social do governo para com a categoria politicamente influente pode muito bem ser suportada pelo tesouro. Representa, diz, apenas, R$ 6 bilhões por ano. O mesmo diz o senador Paulo Paim(PT-RS). Como o governo, de acordo com o projeto que renacionaliza o petróleo, dominará 44% das receitas a serem extraídas, poderá, muito bem, emitir títulos da dívida para quitar, não apenas o setor produtivo, mas o social, principalmente.

Na verdade, desenrola-se queda de braço entre categorias sociais antagônicas. Os empresários pregam subsidios às exportações, para enfrentar o desafio cambial, decorrente da desvalorização do dólar e da valorização do real, que impede vendas externas. De outro lado, os trabalhadores aposentados querem de volta os R$ 150 bilhões que representariam o atendimento de suas reivindicações.

A quem o governo vai atender: aos empresários, que incrementam a produção, mas não geram arrecadação correspondente, porque a produção, sob o modelo atual, implica concentração de renda e poupança de mão de obra,  que gera insuficiência estrutural de consumo,  ou aos trabalhadores, que, com mais renda disponível para o consumo, gerariam arrecadação imediata para os cofres do tesouro, afetados pelo deficit?

Para enfrentar a crise  financeira internacional, que se abateu sobre as finanças brasileiras, em forma de dólar desvalorizado, responsável por elevar a dívida e sustentar juros altos, o presidente Lula potencializou o consumo mais que a produção. Havia capacidade instalada. O problema não era mais investimento, mas mais consumo. Somente este poderia reaniamar aquela.

Mais dinheiro para os pobres aposentados, agora, seria mais negócio para o governo, porque o dinheiro se reverteria ao tesouro via arrecadação imediata, enquanto mais dinheiro para a produção, ainda, tatibitate, não corresponderia a uma arrecadação, proporcionalmente, acelerada.

Está em cena, portanto, a disputa capital-trabalho em torno dos recursos orçamentários, em tempo de eleição: Lula atenderá, preferencialmente, o social ou o econômico, sabendo que foi , no seu governo, o primeiro o responsável pelo sucesso do segundo?