Sucessão com bolha especulativa contra real

Dilma, no ritmo do dólar barato, pode perder voto nos grandes centros urbanos, dominados pela classe média e pelo proletariado urbano, a serem afetados pela importação que destroi empregos na competição acirrada intenacional
Dilma, no ritmo do dólar barato, pode perder voto nos grandes centros urbanos, dominados pela classe média e pelo proletariado urbano, a serem afetados pela importação que destroi empregos na competição acirrada intenacional

Na semana em que o governo Lula fechou a dobradinha PT-PMDB, para disputar a sucessão presidencial, tendo como candidata a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, a moeda nacional sofreu tremendo ataque especulativo por parte da moeda americana em ritmo de desvalorização incontrolável, denotando que a campanha eleitoral poderá ser pautada pela instabilidade monetária, cujas consequências são possibilidades negativas que levariam a sociedade a viver sob intranquilidade intensa frente à oscilação do seu poder de compra, mesmo que as expectativas de crescimento do PIB sejam positivas em relação à economia mundial em ritmo de desaceleração. Configuraria situação que, naturalmente, daria força aos candidatos de oposição, especialmente, ao governador de São Paulo, José Serra, crítico da política monetária do Banco Central, que mantém os juros elevados. A decisão governamental de taxar em 2% a entrada de dólar no país, por meio do imposto de operações financeiras(IOF), tentou amenizar o problema, mas ele revelou resistência e a especulação continuou, o que demonstra necessidade de atenção máxima por parte das autoridades monetárias. Os investidores e especuladores, nacionais e internacionais, diante, da boa performance da economia nacional, de um lado, e da péssima expectativa sobre as economias européia e americana, que não deverão crescer esse ano e no próximo, de outro, passaram a jogar fortemente no real, desovando dólares em processo de desvalorização acumulados na praça global, depois da bancarrota financeira nos Estados Unidos. Na batida em que vinha o jogo especulativo, o dólar poderia ser cotado, nos próximos dias, a R$ 1,30 ou R$ 1,00, podendo cair mais. Os exportadores, na altura do campeonato, já buscam desvincular suas cotações em reais da cotação em dólar, para não quebrarem, como fizeram com as vendas de carne e soja.  O Banco Central, que, durante as últimas semanas, intensificou compras da moeda americana, para tentar valoriza-la, jogou a toalha. Poderia desbastar, significativamente, o total das reservas cambiais, atualmente, em torno de 240 bilhões de dólares, sem sucesso, já que circulam na praça global excesso de dólares em busca de ativos mais seguros. O câmbio desandou e configurou-se claramente a tentativa de transformar o Brasil em nova bolha especulativa global. O real, de janeiro a setembro, valorizou quase 30%, um absurdo, e a bolsa alcançou, aproximadamente, 70 mil pontos, indicador semelhante ao que atingiu antes do estouro da crise mundial. O governo não teve outra alternativa, senão impedir a super-valorização do real, que , caso mantida, sucatearia a indústria,  gerando desempregos, ao mesmo tempo em que elevaria, brutalmente, a dívida pública interna. Na medida em que se torna necessária a troca de dólar, que entra, por real, que é emitido, eleva-se o endividamento. Consequentemente, o sistema financeiro começa a especular , sinalizando juros altos, no curto, médio e longo prazo. Na prática, ocorre pressão inflacionária por meio da dívida, que cresce, dialeticamente, no lugar da inflação. Não estaria afastada hipótese de durante a eleição presidencial em 2010 o país enfrenta perigo hiperinflacionário. A candidatura Dilma sofreria abalos perigosos.

 

Pote de ouro especulativo

A moeda de Tio Sam passou a queimar os bolsos dos seus detentores que buscam fugir dela aplicando em ativos reais no Brasil, valorizando o real e deslocando a industria nacional e os trabalhadores empregados
A moeda de Tio Sam passou a queimar os bolsos dos seus detentores que buscam fugir dela aplicando em ativos reais no Brasil, valorizando o real e deslocando a industria nacional e os trabalhadores empregados

As potencialidades econômicas brasileiras se transformaram em pote de ouro para os investidores e especuladores internacionais. Na Europa e nos Estados Unidos, onde as atividades produtivas estão em ritmo de paralisia, os detentores da moeda americana, diante do juro negativo, voltam-se para os países emergentes, como o Brasil, cuja previsão de crescimento, esse ano, é de 1%, podendo chegar a 2%, ao passo que, no próximo ano, ano eleitoral, estima-se avanço do PIB na casa dos 4,5%, 5%. Suficiente em petróleo, energia elétrica, minérios, alimentos, biodiversidade, base industrial forte , com toda uma infra-estrutura para ser concretizada em território continental, a fim de dar curso à produção, a  economia brasileira tornou-se atrativo natural e sua moeda se valoriza em relação às demais. Como destacou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a valorização cambial demonstra a pujança nacional, mas, se abusar, a vaca pode ir para o brejo. A decisão de taxar em o dólar visou, portanto, os abusos. Caso continuem as pressões especulativas , e tudo indica que continuarão, conforme ficou claro ao longo da semana, mesmo depois da decisão fiscal e monetária restritiva governamental, novas medidas deverão ser tomadas, conforme admitiu o presidente Lula, na quinta feira, 22, em entrevista à Folha de São Paulo. O mercado financeiro, nas últimas semanas, atuou como se tivesse vivendo o auge da bonança até o estouro da crise em outubro do ano passado. O discurso dos banqueiros passou a ser o de que não há mais crise, embora o presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, durante a semana, tenha alertado que a crise financeira está oculta e latente. Ou seja, bomba relógio. A corrida contra o Real guarda relação direta com essa instabilidade financeira global, que demonstra estar estimulando os que dispõem de reservas em dólar, candidatos à desvalorização, a desová-los, trocando-os por ativos mais seguros. A China, principalmente, atua nesse sentido, na América do Sul, fechando parcerias com países nos quais aplica suas reservas em dólar materializando-os em projetos de  desenvolvimento. Mas, ao mesm o tempo, como os dólares chineses que entram valorizam as moedas nacionais, o resultado negativo se traduz em sucateamento da indústria nacional. Por sua vez, tal situação complica a relação do Brasil com seus parceiros sul-americanos, como é o caso da Argentina, que ampliou importações chineses, deslocando produtos brasileiros etc. Em tal contexto, em tempo de campanha eleitoral, antecipada tanto pelos governistas como pelos oposicionistas, sob alerta do presidente do Supremo Tribunal Federal(STF), ministro Gilmar Mendes, o dólar barato, ao promover desemprego industrial, acirra a disputa eleitoral.  O sucesso da economia brasileira em meio à desaceleração global acumula fatores positivos e negativos que se interagem em processo de afirmação e negação, cujas consequências exigem a mediação política em rítmo cada vez mais intenso, sob perda de controle governamental.