30 out
2009PMDB quer reserva cambial para produção interna e não para especulação externa
Cesar Fonseca em 30/10/2009

Por que a Singapura investe suas reservas cambiais no Brasil, para fugir dos dólares e dos títulos da dívida dos países financeiramente abalados pela bancarrota, enquanto Meirelles faz o contrário, joga nos títulos dos países endividados que pagam juro negativo, em vez de acreditar no potencial brasileiro? Essa é a indagação do PMDB que quer reservas cambiais brasileiras para alavancar o Brasil e não o estrangeiro
NOVIDADE POLÍTICA DA SEMANA - Os peemedetistas colocaram inusitada tarefa para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, novo integrante do partido, em sua primeira reunião com a bancada, na quarta feira, 27. Querem que os prejuízos provocados pelo dólar barato aos exportadores sejam cobertos com as reservas cambiais acumuladas pelo BC. Levaram o assunto para o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, candidato a candidato a vice presidente da República , fazendo dobradinha com a ministra Dilma Roussefff, da Casa Civil, com apoio do presidente Lula. O prejuízo dos agricultores, bradaram os peemedebistas, é de quase 8 bilhões de dólares. A saca de soja está custanto a eles 35 dólares, mas recebem, na hora que exportam, apenas 25 dólares. Estão pagando para trabalhar. Desde já , o PMDB, apoiando a bancada ruralista, no Congresso, articula verba orçamentária, nesse sentido, para o próximo ano, como fator compensátorio decorrente do prejuízo provocado pela desvalorização da moeda de Tio Sam. Mas, se os agricultores conseguirem isso, outros setores da economia reivindicarão o mesmo. Por isso, querem garantia maior, dispondo das reservas cambiais. Afinal, são quase 250 bilhões de dólares acumulados como garantia do país contra a crise. Como os dólares estão em processo de desvalorização inexorável, para elevar as exportações dos Estados Unidos, que enfrentam crises de deficits em contas correntes, o PMDB considera que em vez de os agricultores brasileiros trabalharem para o presidente americano, Barack Obama, que, graças ao dólar barato, vê a economia americana respirar, devem, naturalmente, batalhar para fortalecer o presidente e a economia brasileiros. A aposta nas reservas se voltariam para garantir o mercado interno como antídoto à crise, cujos desdobramentos, segundo ´Meirelles, são incertos, dadas as armadilhas das bolhas atômicas especulativas armadas pelo dólar mundo afora.
Apostar no Brasil, não no estrangeiro
![Nathan[1] Sellapan Ramanatham Natham acredita mais no Brasil do que Lula. Enquanto ele joga as reservas do seu país no Brasil, que tem lastro real, o presidente brasileiro joga nos títulos dos países desenvolvidos em crise, cujo lastro é moeda deslastreada, desgastada pelo juro negativo](http://independenciasulamericana.com.br/wp-content/uploads/2009/10/Nathan1.jpg)
Sellapan Ramanatham Natham acredita mais no Brasil do que Lula. Enquanto ele joga as reservas do seu país no Brasil, que tem lastro real, o presidente brasileiro joga nos títulos dos países desenvolvidos em crise, cujo lastro é moeda deslastreada, desgastada pelo juro negativo
Os exportadores americanos se dão bem, enquanto o contrário ocorre com os exportadores brasileiros. Impactado pela cobrança, o ministro Meireles destacou que seria preciso separar as coisas, pois o Banco Central não poderia transferir dinheiro para o Tesouro , sob pena de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF). A justificativa do titular do BC, para responder às pressões peemedebistas, expressas como cobrança em favor de contribuição meireliana ao partido, que enfrenta, por sua vez, pressões das bases ruralistas, soou incompreensivel, embora possa ser justificada tecnicamente. O titular do BC disse que as reservas cambiais são utilizadas para comprar títulos da dívida pública de países que têm graus de investimentos e não para aplicar, internamente, o que, se ocorresse, deixariam de existir como reservas em si, eliminando o próprio conceito de reservas. Ou seja, abstração. No cenário de incerteza total, as reservas, que implicam em dois custos pesados – primeiro, de manutenção em forma de juros; segundo, de desgaste por conta da desvalorização crescente do dólar – , antes de serem garantia para a estabilidade do país, não estariam, totalmente asseguradas, no compasso da fragilidade das próprias economias dos países desenvolvidos. Seus títulos de dívida pública não estão rendendo praticamente nada pois os governos sustentam taxas de juros negativas em nome da recuperação do consumo interno. Por que , então, seria mais seguro aplicar as reservas no exterior em vez de fazê-lo no Brasil? Os peemdebistas estão confusos quanto ao acerto da decisão do presidente do BC relativamente à utilização das reservas, porque os próprios investidores externos, nesse momento, preferem os ativos brasileiros do que os títulos dos países capitalistas desenvolvidos. Afetados pela bancarrota financeira, que mantém bolha atômica especulativa em estado oculto e latente, eles fogem do dólar , para aplicar na bolsa e na renda fixa brasileiras. Se países como Singapura estão jogando suas reservas no Brasil, acreditanto mais na economia brasileira do que nos títulos dos países desenvolvidos, nos quais o BC está apostando, porque o Brasil acreditaria menos no Brasil do que nos países que estão financeiramente encalacrados, configurando risco e não garantia para as reservas nacionais?
Pressão total peemdebista

A política cambial mantida pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, mantém os peemedebistas céticos com a candidatura Dilma Rousseff, com quem encontraram, na terça feira, 2t, em clima gelado, conforme comentou o governador do Paraná, Roberto Requião, com seus correligionários
Meirelles estará, de agora em diante, sob pressão total do PMDB, que, ainda, não está , inteiramente, convencido de que possa apostar todas suas fichas na candidatura da ministra Dilma Rousseff, articulada pelo presidente Lula, já que , nas pesquisas eleitorais, se mostra tímida e incerta, como incerta , como destacou o presidente do BC, na Câmara, é a situação internacional, da qual o Brasil depende, pela própria estrutura do modelo de desenvolvimento concentrador subordinado à poupança externa. Meirelles alertou aos peemdebistas que o perigo está nas bolhas especualtivas atômicas que o dólar desvalorizado está promovendo em escala internacional. A prova são as desvalorizações das moedas dos países capitalistas periféricos, sinalizando desestruturação e tensões políticas, ao mesmo tempo em que alimentam propensão do mercado financeiro a apostar em hiperinflação para os governos ultra-endividados, como o brasileiro. Os especuladores apostarm, a priori, no juro alto futuro, trazendo-o para o presente, refletindo-o no crédito direto ao consumidor, cujo custo o presidente Lula considerou, na quarta, assalto ao bolso do povo. Diante do cenário incerto, Meirelles ressaltou que a garantia do governo são as reservas. Por isso, os peemedebistas, que indagaram ao titular do BC qual a contribuição imediata pode dar ao partido, querem que essa ajuda seja em forma de liberação das reservas para o desenvolvimento das atividades produtivas internas, em vez de jogá-las nas possibilidades externas incertas. Meirelles ficou em sinuca de bico. Destacou que tem dado sua contribuição como presidente do Banco Central em forma de estabilidade da moeda, mas como integrante do PMDB, o entendimento é outro. Os peemedebistas não estão enxergando estabilidade monetária. Pelo contrário, vêem total risco monetários para as suas bases em face do dólar despencando. Se resistir em utilizar as reservas, para manter seu conceito dentro dos entendimentos técnicos, o titular do BC terá que apresentar ao PMDB outra alternativa, que, certamente, poderá ser a de alterar a política cambial. O ex-presidente do Banco Central, Fernão Bracher, foi claro: torna-se necessário, urgente, algum tipo, temporário, de controle da enxurrada de moeda americana, que desorganiza, completamente, a economia nacional. No mesmo rumo, o ex-ministro Delfim Netto lembrou que o limite para o câmbio estourou. Sob pressão, o presidente Lula já se prepara para colocar Meirelles na parede: ou dá as reservas ou mexe no câmbio. Caso contrário, Meirelles está oferecendo sua própria cabeça aos peemedebistas, para livrar o presidente do perigo de não conseguir articular a coalizão governamental PT-PMDB, para tentar fazer sua sucessora, a ministra Dilma.

Por que a Singapura investe suas reservas cambiais no Brasil, para fugir dos dólares e dos títulos da dívida dos países financeiramente abalados pela bancarrota, enquanto Meirelles faz o contrário, joga nos títulos dos países endividados que pagam juro negativo, em vez de acreditar no potencial brasileiro? Essa é a indagação do PMDB que quer reservas cambiais brasileiras para alavancar o Brasil e não o estrangeiro
Apostar no Brasil, não no estrangeiro
![Nathan[1] Sellapan Ramanatham Natham acredita mais no Brasil do que Lula. Enquanto ele joga as reservas do seu país no Brasil, que tem lastro real, o presidente brasileiro joga nos títulos dos países desenvolvidos em crise, cujo lastro é moeda deslastreada, desgastada pelo juro negativo](http://independenciasulamericana.com.br/wp-content/uploads/2009/10/Nathan1.jpg)
Sellapan Ramanatham Natham acredita mais no Brasil do que Lula. Enquanto ele joga as reservas do seu país no Brasil, que tem lastro real, o presidente brasileiro joga nos títulos dos países desenvolvidos em crise, cujo lastro é moeda deslastreada, desgastada pelo juro negativo
Pressão total peemdebista

A política cambial mantida pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, mantém os peemedebistas céticos com a candidatura Dilma Rousseff, com quem encontraram, na terça feira, 2t, em clima gelado, conforme comentou o governador do Paraná, Roberto Requião, com seus correligionários









