Cachoeira, receita do capitalismo em crise
Cachoeira, produto do capitalismo em crise
Posted 3 horas ago

A corrupção que tomou
conta do Estado capitalista 
O drama maior da crise capitalista em ascensão irresistível decorre do fato de que o governo não pode mais gastar inflacionariamente, escondendo a…

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Colapso capitalista destroi direitos humanos
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Posted 1 dia ago

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unir-se à presidenta, urgente, 
É chato ficar repetindo.
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Olhaí a Europa!
Capitalismo desenvolvido, ao entrar…

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Estatizar o crédito, programa para neoesquerda
Capitalismo em transe: salve-se quem puder
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neoesquerda é pregar

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Ataque à miseria reduz crise e eleva receita
Capital + Trabalho + Consumo = Receita – Cris…
Posted 3 dias ago

No auge da crise financeira
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São mais quatro milhões de novos consumidores na economia, que demandarão R$ 2,8 bilhões a serem lançados na circulação capitalista.
É o que, de…

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Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipação economica nacional
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Posted 4 dias ago

No país do entreguismo, o capital
 
estrangeiro deita e rola,

No momento em que surgem novos avanços na nanotecnologia e na criação de materiais, como o grafeno, é fundamental compreender a…

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Corrida suicida ao dólar como reação ao colapso europeu sinaliza moratória global inevitável
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Posted 8 dias ago

O mundo enlouqueceu ao 
Cenas de horrores econômicos.
A Europa, se não sair do pacto de austeridade, pode acelerar a bancarrota financeira americana, pois os investidores, sem nenhuma confiança nas atividades produtivas,…

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Grande mídia anti-nacional, inimiga de Dilma
Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Posted 9 dias ago

Acostumado a ver obedecidas
A grande mídia está com saudades do Banco Central subordinado à bancocracia.
O editorial do Estado de São Paulo, nessa quarta feira, é o exemplo acabado dessa nostalgia.
Reclama…

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Agiotagem bancária une Dilma e Chavez
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Posted 10 dias ago

A luta do governo Dilma Rousseff contra a agiotagem bancocrática vai ganhando contornos dramáticos e colocando a titular do Planalto na posição defendida também pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez,…

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Neopoupança exige renegociação de dívidas e divide com CPI atenção do Congresso Nacional
Vitória de Hollande fortalece Dilma
Posted 11 dias ago

O governo Dilma Rousseff se fortalece com a vitória do presidente eleito Francois Hollande, na França. Ele derrotou o neoliberalismo abraçado por Nicolau Sarkozy, cujo objetivo era o de destruir…

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Juro abafa CPI e vira bandeira eleitoral
Consumo mais barato turbina reeleição
Posted 12 dias ago

BB, CEF e BNDES, armas
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O estardalhaço que prometia ser a criação da CPI do Cachoeira foi relativamente abafado pela decisão política da presidenta Dilma Rousseff de cair…

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SEM TERRA abre debate ideológico-eleitoral

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 14-10-2009

Fruto da desigualdade social, o MST encarará a igualdade jurídica, no Congresso, para reverte-la de seu aspecto abstrato para conferir-lhe perfil real por força de nova correlação política , ou optará pela radicalização total?

Fruto da desigualdade social, o MST encarará a igualdade jurídica, no Congresso, para reverte-la de seu aspecto abstrato para conferir-lhe perfil real por força de nova correlação política , ou optará pela radicalização total?

Não tem que fugir, não. Chegou a hora da onça beber água. O Congresso, como disse Glauber Rocha, tem que entrar na Idade de Pompéia, da luta político-ideológica. A luta política, diz,  é , essencialmente, luta ideológica. O debate no Legislativo sobre se deve ou não ampliar a discussão sobre a reforma agrária e a vida do MST por meio de CPMI divide ideologicamente o país. Tem que focar a relação histórica capital-trabalho, para que se possa divisar horizonte largo. Ou seja, a decisão terá, necessariamente, que ser mediada pela política. O Congresso jamais encarou, para valer,  a questão da reforma agrária. Sempre esperou pela iniciativa do governo, que, dominado pelas forças que comandam o Congresso, deixou o assunto prá la. Configura-se o remédio dos covardes: a fuga para frente. Não rolou no Brasil, periferia capitalista, o que ocorreu nos países capitalistas ricos, ou seja, a reforma agrária como fator de reprodução do capital por intermédio do aumento da renda assalariada no campo, graças à divisão do trabalho.  Nesse sentido, não apenas os interesses e as motivações dos SEM TERRA devem ser investigados, mas, igualmente, as motivações , interesses e ações dos COM TERRA, detentores do capital, para estabelecer status quo atual no cenário capitalista nacional. Há os que abominam o MST, há os que o apoiam e os há que tentam explicar o fenômeno da ocupação da terra do ponto de vista da história e da ciência sob o capitalismo em que a essência é a acumulação de capital sob regime de propriedade privada. O assunto é vasto. Vale uma CPMI. Por que surgiu o movimento político do MST? Por que se efetivou , na base da meia sola uma fracassada reforma agrária, ou por que não se efetivou? A reforma agrária é necessária ao capitalismo nacional, na atual fase da existência econômica capitalista, dominada pela ciência e tecnologia, poupadoras de mão de obra e concentradora de capital? Se não é, o que fazer com quem foi excluído da propriedade privada no campo? Se não pode ser produtor, terá que ser consumidor. O direito de propriedade seria substituido pelo direito de consumo, a fim de haver correspondência entre produção-consumo, com melhor distribuição da renda, a fim de assegurar sustentável arrecadação tributária ao Estado? 

 

Fuga para frente

 

 

Não tiveram coragem política suficiente para encarar o problema do ponto de vista da utiliade capitalista que requer reforma agrária como sustentab ilidade do sistema, a exemplo do que ocorreu nos países capitalistas desenvolvidos. Falharam.

Não tiveram coragem política suficiente para encarar o problema do ponto de vista da utiliade capitalista que requer reforma agrária como sustentab ilidade do sistema, a exemplo do que ocorreu nos países capitalistas desenvolvidos. Falharam.

A invasão dos SEM-TERRAS na fazenda da Cutrale, cuja propriedade é pública, ocupada pela iniciativa privada, entornou o caldo da relação dessa categoria social de excluídos da propriedade, sem configuração civil(mantida , indiretamente, pelo dinheiro público, via organizações não-governamentais, ONGs), com a sociedade civil, organizada, por sua vez, por relações jurídicas que contrastam com as relações reais de produção capitalista. Tal contradição , a da existência da igualdade jurídica correspondente  à desigualdade social, busca sua superação dialética. A contradição está excessivamente exposta. Os congressitas são chamados a encará-la. Se não o fizerem, dando uma de avestruz, dará sinal de que deixa de ser útil. Se deixa de ser útil, deixa, de acordo com a ideologia utilitarista, suprassumo do capitalismo, de ser verdade. O real – relações materiais da existência dos trabalhadores SEM TERRA – seria irreal ou o irreal – as relações jurídicas abstratas – , real?  As duas faces da realidade, positivo-negativo, singular-plural etc, estão, em seu antagonismo social, frente a frente. Quem será o mediador, senão os representantes do povo no Congresso? O presidente Lula, assim como seu antecessor, ex-presidente FHC, fugiram para frente no trato do problema. Não enfrentaram a história em seu movimento dialético. Suas vocações democráticas piscaram. Por que Lula tem medo de abrir o debate, dando uma de Pilatos?  Seria a coroação da sua vocação democrática. Diante de tal fuga, em face das tensões desatadas pelos tratores dos empresários guiados pelos trabalhadores SEM TERRA, que passaram por cima dos laranjais da Cutrale, não há outra alternativa ao Congresso senão encarar de frente o grande tema político. A sucessão entra no campo ideológico. O pau democrático quebará na CPMI, que, por sua vez, se desdobrará em propostas de projetos de lei que movimentarão comissões e plenários legislativos pelo Brasil afora. Estaria aberto o confronto político ideológico no Legislativo. Melhor do que deixar o impasse explodir nas ruas em forma de revolução sangrenta. Chegou a hora de esmiuçar a qualidade do PIB em sua conformação de riqueza nacional cuja distribuição se dá de forma extraordinariamente desigual. A CPMI da Reforma Agrária e dos SEM TERRA  pode mexer com os nervos políticos , energizando a sucessão presidencial.

 

 

Dois pesos, duas medidas

 

Para o capital, a igualdade jurídica; para o trabalhador , a desigualdade social. O abstrato entra na realidade para escondê-la

Para o capital, a igualdade jurídica; para o trabalhador , a desigualdade social. O abstrato entra na realidade para escondê-la

O pau democrático,  no Congresso, provocaria, imediatamente, o assassinato da governança provisória sob a qual vive o país na Nova República eivada de neoliberalismo radical em sua história. Em vez de invadirem as terras improdutivas e, também, as produtivas, como é o caso da Cutrale, explorando terra pública, seriam invadidos corredores, comissões e galerias para o grande debate. Haveria a verdadeira pulsão nacional. O país , segundo IBGE, possui 30 milhões de miseráveis excluídos. A educação, a saúde , a segurança e a infra-estrutura nacional estão caindo os pedações e o governo economiza 230 bilhões de dólares candidatos à desvalorização em forma de reserva cambial para valorizar artificialmente a moeda americana. Os programas sociais do governo são compensações irrisórias frente ao privilégio constitucional conferido aos bancos para se reproduzirem especulativamente na dívida pública a juros altos. Crime do colarinho branco contra o qual não se ouve a voz do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, como ele vocifera, contidamente em português castiço, em relação ao crime contra a propriedade praticado pelos SEM TERRA. Dois pesos, duas medidas. O peso dos COM-TERRA, adeptos da igualdade jurídica abstrata, é maior do que o seu oposto, o peso dos SEM TERRA, submetidos à histórica desigualdade social. Não sobra dinheiro para fazer a verdadeira reforma agrária, capaz de dar não apenas a terra, mas toda a infra-estrutura produtiva, que permitiria o sucesso da co-gestão econômica por parte dos pequenos agricultores expulsos de sua propriedade. O filé mingnon dos recursos orçamentos se destina ao pagamento dos juros da dívida. Liquidá-los, religiosamente, à custa do contingenciamento dos demais setores da vida nacional, constitui prioiridade número um da política econômica, assegurada constitucionalmente, no art. 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, da carta maior, guardião da bancocracia nacional. 

 

 

Coletivo ou privado?

 

 

Elinor comprovou a eficácia da propriedade comum, co-gestão, como solução para os problemas da rentabilidade do capital que tende sob propriedade privada especulativa ir para o espaço em meio à sobreacumulação de riqueza, de um lado, e sobre-exclusão social, de outro

Elinor comprovou a eficácia da propriedade comum, co-gestão, como solução para os problemas da rentabilidade do capital que tende sob propriedade privada especulativa ir para o espaço em meio à sobreacumulação de riqueza, de um lado, e sobre-exclusão social, de outro

O Congresso terá que debater, na CPMI, a questão substantiva que focaliza, por exemplo, a ganhadora do prêmio Nobel de economia de 2009, Elinor Ostrom, cujos trabalhados empíricos demonstraram  a eficácia do oposto do desenvolvimento sob propriedade privada, ao comprovar a viabilidade da propriedade comum, co-gestionária, para a agricultura e a indústria, que se proclama necessária pelo MST. Os SEM TERRA são, congenitamente, incompetentes para trabalhar no campo ou as condições para exercitarem uma co-gestão produtiva não foram  permitidas pelo Estado sob domínio preponderante do espírito da propriedade privada como deus eterno e inviolável?  O Estado brasileiro, dominado pelos interesses que defendem a eficácia da abstração da igualdade jurídica sem correspondência com a igualdade social, jamais jogou para valer em favor da superação dessa contradição. Antes, subordinou-se ideologicamente à abstração, lavando as mãos pilatonianamente.  A emergência da crise mundial-2008/09, que relativiza o poder entre a propriedade privada capitalista e o Estado, de um lado, e o Estado e a classe social despossuída da propriedade, de outro, cria situação nova. Candidata a ser despossuída dos seus instrumentos de produção, como no caso dos banqueiros socorridos pelo governo, nos Estados Unidos, a elite econômico-financeira perde força relativa frente ao Estado. Abre para ele poder de arbitragem maior para exercitar politicamente o poderio estatal mediador da relação capital-trabalho. A autonomia estatal cresce em face da fragilidade do capital, para exercitar distribuição de direitos em contexto marcado por novas correlações de forças. Sob democracia, o Estado se vê obrigado a colocar em relevo a questão social diante da problemática econômica. Os SEM-TERRA representam, sobretudo, passivo econômico-histórico-social frente ao ativo econômico-financeiro privilegiado no ambiente da economia política. A contradição bate à porta do Legilativo. Se fugir do pau, perde sua utilidade. Questão social vira bandeira eleitoral

 

 

Raízes do antagonismo ideológico

 

 

A luta políica é luta ideológica

A luta políica é luta ideológica

Glauber, em artigo brilhante, “Mizérya do lyberalysmo”, Correio Braziliense, 1976, traçou o antagonimso ideológico histórico em que se envolve a sociedade brasileira em eterno transe ao longo de sua história. PMDB  e Arena, naquele ano, debatiam o acordo militar e o nacionalismo geiseliano. De um lado, deputado José Bonifácio, famoso Zézinho Bonifácio, líder da Arena, porta-voz dos militares no poder; de outro, deputado Alencar Furtado, líder do PMDB, homem de Ulisses, constitucionalista ruibarbosiano. Da redação do Correio, sob comando de Oliveira Bastos e Fernando Lemos, Glauber, freneticamente, tentava conduzir ideologicamente o debate político. Vestiu Zezinho Bonifácio de Euclides da Cunha e Alencar Furtado de Rui Barbosa. De um lado, o nacionalismo euclidiano; de outro o internacionalismo de Rui, advogado dos ingleses, pai do encilhamento, que jogou a moeda nacional na pura especulação, depois de permitir os banqueiros emitirem dinheiro e criar, com a ajuda dos advogados, no Rio de Janeiro, fantasias investidoras-especulativas pelo Brasil afora, até que a bolsa explodiu, e com ela a candidatura dele à presidência da República, para nunca mais. Geisel, diz Glauber, é o cavalo de São Jorge, que vem espetar o dragão da maldade contra o santo guerreiro, os imperialistas comandados pela CIA. O presidente ditador havia rompido o acordo militar com os Estados Unidos e fechado acordo nuclear com a Alemanha, capaz de permitir o ciclo completo da industrialização sob economia de guerra, mediante produção bélica e espacial, a disseminar avanços tecnológicos na cadeia produtiva, de cima para baixo. Contra Geisel, os deputados Ulisses Guimarães-Alencar Furtado brandiam o constitucionalismo de Rui, aliando-se à ideologia pacifista de Tio Sam sob representação do presidente democrata Jimmy Carter, contrário ao nacionalismo dos militares. O dólar estava em crise , depois de o estouro do deficit americano, com a guerra do Vietnan e guerra fria. Richard Nixon, quando viu a coisa preta, não vacilou: rompeu a paridade ouro-dólar. Tremendo beiço na praça global.  

 

 

Aparência e essência

 

 

A visão das relações reais constrasta com a das relações jurídicas

A visão das relações reais constrasta com a das relações jurídicas

A visão das relações jurídicas tenta ser expressão das relações reais, invertendo as prioridades humanas do trabalho frente ao capital

A visão das relações jurídicas tenta ser expressão das relações reais, invertendo as prioridades humanas do trabalho frente ao capital

A esquerda, segundo Glauber, estava em cima do aparente; esquecia o oculto e o latente. Show glauberiano de competência intelectual, considerada profana pelos esquerdistas que cantavam a hora do irmão do Henfil, Betinho, voltar no grande samba de Aldir Blanc e João Bosco, na voz maravilhosa de Elis Regina. Crime ideológico glauberiano. O diretor de “Terra em transe”  levantou as armas de Euclides da Cunha contra as do “bayano cabeçudo”, cuja inteligência fazia as delícias da elite às quais servia. Foi um dos homens mais ricos do Rio de Janeiro , no seu tempo. Tal qual Talleyrand, o grande diplomata da burguesia de Napoleão, o maior milionário de Paris, nos anos de 1810-1820, cobrando gordas comisões dos reis derrotados pelo grande corso. Euclides estava, como repórter de O Estado de São Paulo, embreenhado no sertão, relatando a tragédia de Canudos, visualizando os dentes arreganhados do capital sobre os mais pobres, utilizando a força do Estado nacional. O autor de ”Os sertões” vivia o real para escrever a teoria. Rui, inversamente, via a teoria para ditar a prática. Euclides entendeu que o saber jurídico não é dado por si mesmo, mas que se embrenha nas lutas entre capital e trabalho, para fixar a ideologia utilitarista do primeiro sobre a do segundo. Euclides, como Marx, que começou no jornalismo cobrindo as tensões entre os fazendeiros e os agricultores alemães da Renânia sob regime medieval, nos anos de 1835-40, aprendeu que as relações materiais não são inteiramente percebidas pelas relações jurídicas. A igualdade jurídica, por não existir correlação entre as relações mateirias e as jurídicas, representa, por isso, o seu oposto, ou seja, a desigualdade social. Negou-e, portanto, a render-se à alienação ideológica.

 

 

Ancestrais do MST

 

 

Destituídos da propriedade dos bens de produção, os trabalhadores passaram a dispor apenas da propriedade dos bens de consumo sob regime de desigualdade social regido pelo conceito de igualdade jurídica. Contradição total.

Destituídos da propriedade dos bens de produção, os trabalhadores passaram a dispor apenas da propriedade dos bens de consumo sob regime de desigualdade social regido pelo conceito de igualdade jurídica. Contradição total.

A contradição rola desde o século 16, quando começaram os cercamentos das propriedades dos agricultores, na Inglaterra, para serem expulsos do campo para a cidade. A posse da terra pelo capital corresponde ao dessapossamento dos agriculotres do seu instrumento de produção. Posse da propriedade = Exclusão da propriedade. A concentração da terra, para criar ovelhas, das quais a lã era extraída, de modo a dinamizar as indústrias têxteis  de Manchester e Londres, correspondeu à expulsão dos trabalhadores de suas propriedades naturais. Transformaram-se em trabalhadores livres ao serem arrancados do seu chão, em nome da reprodução do capital industrial inglês. Deixaram de ser proprietários dos meios de produção. Tornaram, consequentemente, como trabalhadores livres, proprietários, apenas, da sua força de trabalho. Ganharam o direito positivo de ser proprietário dos seus meios de consumo; já, relativamente, aos meios de produção, dançaram. Eis a gênese da propriedade privada capitalista, ancorada no direito positivo, que configura a filosofia do direito do Estado, como destaca Marx, quando reportou a vida dos trabahadores do campo na Europa, na Alemanha. Franças e Inglaterra.  Nasce a acumulação primitiva, o capital original, que expõe, por sua vez, no plano religioso, o pecado original do capital, quando arranca da terra quem nela trabalha para transformá-la em capital. No plano da igualdade jurídica, o trabalhador assalariado livre iguala-se ao capitalista livre, que tem a liberdade de realizar o capital, seja consumindo-o, seja adquirindo com ele força de trabalho livre que põe a seu serviço. Gera, dessa forma, comprando força de trabalho livre , valor que se valoriza na produção, via mais valia. O nascimento da propriedade privada é, na prática, cisão entre a propriedade e o trabalho. A igualdade do capital e do trabalho é consagrada na relação jurídica, ideal, idealismo, que, por sua vez, não tem nada a ver com as relações materiais, materialismo, a contrução da vida prática. Constroi-se igualdade abstrata para encobrir o seu oposto, a desigualdade social. Jogo dialético dos contrários.

 

 

Guerra ao abstrato democrático

 

 

A estratégia leninista de Stedile de destruição da propriedade privada para abrir espaço ao socialismo sob MST terá que se deslocar para o palco da democracia representativa para justificar que a desigualdade social e a igualdade jurídica são uma construção abstrata para configurar a supremacia do capital sobre o trabalho no plano ideológico

A estratégia leninista de Stedile de destruição da propriedade privada para abrir espaço ao socialismo sob MST terá que se deslocar para o palco da democracia representativa para justificar que a desigualdade social e a igualdade jurídica são uma construção abstrata para configurar a supremacia do capital sobre o trabalho no plano ideológico

Euclides da Cunha viveu o dia a dia do sertanejo baiano, em sua construção material de vida, como Marx viveu o dia a dia do agricultor alemão. Perceberam que as relações reais não têm correspondência prática com as relações jurídicas ideais. Estas, no entanto, engendram, necessariamente, uma inversão ideológica da realidade, que se torna verdade apenas no plano da ficção abstracionista. O real é o irreal e o irreal, real. Ao contrário de Euclides, forjado na dureza do sertão, do qual extraiu o suprassumo do seu livro genial, Rui Barbosa, aplicou o abstrato no real. A genialidade jurídica , engajada na defesa abstrada da liberdade, não conviveu com a dureza da realidade, para certificar-se de que a igualdade jurídica corresponde à desigualdade social. Zézinho Bonifácio teria, então, segundo Glauber, de jogar com Euclides, na tribuna da Cãmara, para brandir a espada sãojorgiana contra o santo guerreiro, expresso em Alencar Furtado, teleguiado pelo lyberalysmo norte-americano de Rui Barbosa. Nacionalismo contra o internacionalismo pacifista jimmycarteano. Quem seria , agora, o Euclides, de um lado, e o Rui Barbosa , de outro, na luta ideológica, relativamente, à discussão da reforma agrária e dos SEM TERRA, na CPMI? O Congresso vai encarar ou fugir? Os proprietários de terra, que dispõem de bancada forte, resistem ao grande debate, de fundo. Rechaçam o oculto e o latente: a revisão de planos de produtividade para a terra, quando os que vigoram foram concebidos quarenta anos atrás, tempo da enxada e do trator puxado por bois e cavalos. Se eles se negam a ajustarem contas  com o desenvolvimento científico e tecnológico para saberem, realmente, se estão sendo produtivos ou improdutivos, o que restaria aos agricultores de médio porte, que se transformam em SEM TERRAS,  diante da concorrência com a grande propriedade?

 

 

Mente liberal esquizofrênica

 

 

O rompimento da fronteira agrícola construiu o conceito de propriedade privada no centro-oeste e norte mediante rompimento das relações reais dos trabalhadores no campo para dar lugar às relações jurídicas dos capitalistas do campo

O rompimento da fronteira agrícola construiu o conceito de propriedade privada no centro-oeste e norte mediante rompimento das relações reais dos trabalhadores no campo para dar lugar às relações jurídicas dos capitalistas do campo

Tenta a mente da propriedade privada conceber o direito de propriedade como categoria dada pela natureza e não pela histórica econômica, social e política

Tenta a mente da propriedade privada conceber o direito de propriedade como categoria dada pela natureza e não pela histórica econômica, social e política

A destruição do pequeno capital, no cenário em que a igualdade jurídica representa a desigualdade social, torna-se, no compasso da oligopolização econômica,  inexorável. A história da Nova República significa  calvário da pequena propriedade agrícola. A crise monetária dos anos de 1980, como sempre, desencadeada pelo capitalismo cêntrico, que se espalha para a periferia, subordinada ao liberalismo radical do Consenso de Washington, eliminou todas as seguranças da agricultura familiar, responsável pelo abastecimento alimentar, em favor da grande agricultura voltada para o mercado internacional de commodities. A necessidade de aumento da produção interna, a partir dos anos de 1970, para evitar aumento da inflação especultiva com alimentos, levou o governo a estimular a expansão das fronteiras nacionais, Centro-Oeste e Norte, na base do faroeste. As cabeças políticas da senadora Kátia Abreu(DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura(CNA), e do deputado Ronaldo Caiado(DEM-GO), líder dos ruralistas, foram forjadas nessa luta heróica desigual, que representou despossamento de pequenos proprietários e de vastas comunidades indígenas sob as botas dos tratores, dos arados e das grandes colheitadeiras, poupadoras de mão de obra em nome do aumento da produtividade e do lucro. O fenômeno do SEM TERRAS, no Brasil, guarda, nesse sentido, relação com a exclusão da propriedade dos agricultores ingleses, no século 16. A história da ocupação das terras brasileiras, na base da violência, criou caldo de cultura do mandonismo e da percepção dos que mandam de usufruirem de completa impunidade. A igualdade jurídica que construíram vale apenas para eles, porque, para os que deles dependem, o que vale é o oposto, a desigualdade social. A igualdade e a desigualdade são, na verdade, polos opostos que se interagem e se negam, dialeticamente, no processo de desenvolvimento da propriedade capitalista. Esse é o debate que explodirá na CPMI. Marcará, certamente, o passo da sucessão, a partir da sua instalação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Feminismo econômico no terceiro milênio

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 13-10-2009

A visão de que a harmonia econômica pode ser alcançada pela governança que prioriza organização e controle e a de que na empresa convive o germe da unidade promotora do econômico e do social dão conformação a um novo pensamento para além do capitalismo em sua visão unilateralista da preponderância do econômico sobre o social. Multilateralismo nas relações capital-trabalho à vista?

A visão de que a harmonia econômica pode ser alcançada pela governança que prioriza organização e controle e a de que na empresa convive o germe da unidade promotora do econômico e do social dão conformação a um novo pensamento para além do capitalismo em sua visão unilateralista da preponderância do econômico sobre o social. Multilateralismo nas relações capital-trabalho à vista?

Nada poderia ser mais sintomático para retratar os novos tempos de bancarrota financeira global que o Prêmio Nobel de economia para a economista Elinor Ostrom, 76, primeira a recebê-lo, da Universidade de Indiana, EUA, e para o economista Oliver E. Williamson, da Universidade de Berkeley, EUA, cujos trabalhos traçam novo perfil para o desenvolvimento da economia capitalista, sinalizando emergência do social sobre o econômico na sustentação das atividades produtivas. Elinor ganhou notoriedade com suas formulações sobre a auto-gestão econômica social e Williamson fixou novo perfil para o papel da empresa como instrumento simultaneamente social e econômico como fator de eficácia sustentável. Os dois premiados jogam em cena  novo pensamento para a economia que demonstra ser possível à organização empresarial exercitar conjugadamente o empreendedorismo econômico e social, harmonicamente. Trata-se de passo adiante em relação ao pensamento meramente privado ou exclusivamente estatal. Nem privatização, nem estatização, mas cooperação – social e econômica. Seria essa a tendência capaz de dar ordem à desorganização e à anarquia econômico-financeira-especulativa atingida pelo capitalismo em sua fase esquizofrência-machista de financeirização econômica total? O toque de Elinor e de Williamson de inserção da governança social no plano econômico tem, sobretudo, senso de organização feminina para a economia. Ao que tudo indica, seria a emergência do feminismo econômico global. Será? Tomara.

 

 

Controle e organização do capital

 

 

A sobreacumulação de capital, nas crises sistemicas, levam à desorganização monetária, que expropria riqueza da comunidade e a leva à sensação de perda que a impulsiona à mudanças políticas aceleradas

A sobreacumulação de capital, nas crises sistemicas, levam à desorganização monetária, que expropria riqueza da comunidade e a leva à sensação de perda que a impulsiona à mudanças políticas aceleradas

Sobretudo Elinor e Oliver destacam a essencialidade do controle e da organização. Se deixados na savana africana, os homens cumprem o mandamento de Malthus de que a economia é uma ciência triste, lúgubre, tendente para a morte. Salve-se quem puder. Esse é o mandamento da realização do lucro, cuja essência se realiza nos oligopólios, porque, no livre mercado, os preços caem. Emerge deflação e destruição do capital. A inflação aleija; a deflação mata. Governança  é a saída para que o homem hobbesiano não se auto-proclame auto-destruidor, sendo o lobo de si mesmo. Coitado dos lobos! Mas, eis que chega a mulher na parada. Pede ordem no barraco. Seu colega, idem. Sem organização e sem controle, especialmente, do sistema financeiro, como disse Lênin, não é possível evitar as recorrentes crises de anarquia financeira que destroi o sistema, jogando a economia no caos monetário inflacionário. A crise mundial em curso é basicamente de destruição financeira, porque o capitalismo, depois da década de 1970, quando o dólar desvinculou-se do ouro e ficou flutuando sem garantia, gerando riqueza na própria moeda, via especulação, transformou-se em pura jogatina. Os governos, sob comando do pensamento da banca financeira, trabalharam para eliminar todas as restrições à ação do livre exercício do capital - ”poder sobre coisas e pessoas”(Marx). As pessoas foram dominadas para se auto-realizarem como coisas,  de tal forma que a coisificação delas  tornou-as objetos, sujeitos objetivados, pela ação do capital especulativo. Sucumbiram-se à propaganda dos rendimentos infindáveis e crescentes, alardeados pelos vendedores de produtos financeiros fictícios. O machismo econômico foi para  espaço, porque  não se cuidou, sob ele, de preservar as bases do edifício sobre as quais se assentava.  O espírito feminino jamais permeou a economia política machista. As mulheres que chegaram ao poder seguiram preceitos econômicos machistas, expresso na lei da seleção natural darwiniana, onde os conceitos se invertem. A igualdade jurídica corresponde à desigualdade social e a propriedade privada, para o trabalhador, representa sua exclusão da própria propriedade. Ele pode ser o dono dos meios de consumo, mas jamais dos meios de produção. Ou seja, nesse ambiente econômico machista, tornou-se escasso o espírito feminino, o espírito da mãe terra, que produz alimentos para todos, como dizem os textos bíblicos. Jogue um grão de milho na mãe terra e colha uma espiga. Jogue uma espiga e colha um saco etc. Desejo econômico-maternal nunca efetivado.

 

 

Individualismo ou coletivismo?

 

 

Nem mão invisivel do mercado , de Smith, nem dirigismo estatal, de Keynes e Malthus, seriam, no auge das crises capitalistas, solução, que estaria , segundo Elinor e Williamson, no meio termo da efetiva co-gestão econômico-social

Nem mão invisivel do mercado , de Smith, nem dirigismo estatal, de Keynes e Malthus, seriam, no auge das crises capitalistas, solução, que estaria , segundo Elinor e Williamson, no meio termo da efetiva co-gestão econômico-social

Nesse contexto, em que as relações de propriedade colocam o mundo pelo avesso, configurando alienação fetichista da realidade, a construção da economia da solidariedade foi banida. Mas, as experiências, em meio às crises do capitalismo, vão demonstrando, como na presente bancarrota global, que , como disse Hegel, “tudo muda, só não muda a lei do movimento, segundo a qual tudo muda”. O individualismo e a competição, de acordo com as teses dos dois prêmios Nobel, vão deixando , na especulação financeira desenfreada, auto-destrutiva, de ser úteis como fator de reprodução ampliada do capital. Entram em cena a organização, o controle a a auto-gestão como solução alternativa. Governo mundial, banco central mundial etc é o que clamam os desesperados que não conseguiram, na tempestada, chegar à Arca de Noé. As bases da economia política clássica, que nasce com Adam Smith, produz, como algo essencial à reprodução do capital, o subconsumismo. Os conselhos de Malthus, para que sejam criadas demandas improdutivas, dissipadoras, pelo Estado, para que livrem as atividades produtivas privadas do perigo da crônica insuficiência de demanda global que marca a existência do capitalismo, desde o seu nascimento, tentaram ser o oposto salvacionista. Ao colapso privado seguiria a aparente solução estatal? Os resultados configuraram contraditórios, historicamente, porque, se , de um lado, o privado produz o excessivo individualismo, de outro, o estatismo-coletivismo negaria o indivíduo. Individualismo ou coletivismo? Individualismo + coletivismo/ 2! Ou seja co-gestão = cooperativismo. O espírito individualista machista dá lugar ao espírito cooperativista feminino de Elinor Ostrom.  A super-abundancia, de um lado, e a super-carência, de outro, em um mundo em que dos 6 bilhões de habitantes, 2 bilhões vivem com renda de 2 dólares por dia, demonstram a dualidade louca na qual se move o capitalismo, em crise global, em 2009,  baleado pelas suas próprias contradições.  O pensamento social co-gestionário feminista, certamente, destoa das barbaridades perpetradas pela incrível desregulamentação capitalista-machista. Novos paradigmas à vista?

 

 

Multilaterismo feminista sob G-20

 

 

A ampliação do forum internacional para o debate da crise implica novos conceitos econômicos que invertem a prioridade conferida até agora pelo capital, de tentar resolver os impasses unilateralmente,  obrigando-se à subordinação ao pensamento multilateral como fator de sobrevivência

A ampliação do forum internacional para o debate da crise implica novos conceitos econômicos que invertem a prioridade conferida até agora pelo capital, de tentar resolver os impasses unilateralmente, obrigando-se à subordinação ao pensamento multilateral como fator de sobrevivência

A proposta de organização e controle do sistema, que , fundamentalmente,  é incontrolável em sua essência voltada para a sobreacumulação, de um lado, e a sobrexclusão social, de outro, condiz, naturalmente, com a alma feminina.  O equilibrismo orçamentário somente é possível em ambiente de harmonia familiar e não de anarquia financeira.  Seria possível, sob tal equilibrio, fazer valer a teoria de Jean Baptiste Say segundo a qual toda a oferta gera demanda correspodente? Em ambiente de harmonia familiar, somente possível pela preponderância do espírito feminino – quem já viu cachorro tomar conta dos cachorrinhos? – o que fosse produzido seria consumido. Sob capitalismo, impossível. Say seria verdadeiro sob socialismo Sua lei valeria, apenas, se as mercadorias que vão ao mercado fossem vendidas sem lucro, como sarcarstizou Marx.  A governança feminina está, evidentemente, na base do pensamento econômico de Elinor, como, também, na do seu colega, Oliver. Se o lucro, em seus limites máximos, desorganiza a sociedade, regida por leis que geram a desigualdade econômica, maquiada pela falsa igualdade jurídica abstrata, a reversão desse processo poderia, na avaliação tanto de Elinor como de Oliver,  desenvolver-se no próprio ambiente da empresa, no qual capital-trabalho se relacionam antagonicamente. Ela , como a realidade, é dual. Positivo e negativo. Masculino-Feminino. Se tem a solução para o lucro, desde que coordenada para atuar nesse sentido, tem, também, a solução para a organização social. O econômico e o social convergem-se, conflituosamente, dentro da empresa, na avaliação de ambos. Elinor  estabelece a organização e o controle como frutos da co-gestão produtiva; Oliver determina que a empresa, como a realidade, é , em sua dualidade, é pura espaço de interatividade em que os contrários se articularam, se negam e se sintetizam: geradora de lucro, que desequilibra, e de organização, que equilibra sob co-gestao. Nem Marx disse que o capitalismo acabaria, mas que seria superado. Parece que ele caminha para uma  química nova no século 21. Essa novidade poderia ser o multilateralismo econômico, social e polítco a ser empreendido pelo G-20, sob feminismo econômico, já que sob o G-8 machista o barco foi à garra.

Extroversão social-sexual pede paz e não guerra

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 10-10-2009

O capital deixa de se reproduzir na guerra por conta dos deficits excessivos americanos, levando a era obamista a um novo tempo de estresse capitalista guerreiro que exige o seu contrário, a paz. Genial decisão da Academia Real da Suécia

O capital deixa de se reproduzir na guerra por conta dos deficits excessivos americanos, levando a era obamista a um novo tempo de estresse capitalista guerreiro que exige o seu contrário, a paz. Genial decisão da Academia Real da Suécia

O prêmio Nobel da Paz para o presidente Barack Obama, que fará caridade franciscana com o dinheiro, 1,4 milhão de dólares, da láurea espetacular, expõe o perfil do novo mundo capitalista em transição – para o socialismo? – , embora os neoliberais resistam em sair do século 19. O capitalismo no século 21 nunca será mais como antes. O primeiro sintona é o cansaço, simplesmente, porque o dinheiro da classe média rica, que puxava a demanda global, junto com a economia de guerra, bancada pela demanda estatal, evaporou. No hay plata.  As dívidas estão acumuladas e precisarão ser pagas. Entre continuar o consumismo exacerbado e segurar os gastos , porque os bancos não dão mais crédito para comprar a prazo, nas condições anteriores, de estímulo excessivo ao endividamento, a classe média rendeu-se à realidade. Tem que lamber as feridas. As notícias em voga são as de que pintam novos comportamentos. Outros estarão em marcha, no compasso da bancarrota financeira, cujos desdobramentos desestabilizadores, que  podem acontecer a qualquer momento, lançam a humanidade na perplexidade. Sentimento de desengano e disposição para mudar. Tudo que é sólido desmancha no ar, como destacaram Marx e Engels.

Os mais destacados dos comportamentos, nos novos tempos abertos pelas bancarrotas, são as extroversões sociais em todas as suas variedades artísticas, sentimento mais próximo do belo artístico hegeliano, da pretensão de se sobrepor à própria natureza como forma de engrandecê-la. Trata-se de desenvolvimento de sentimento que não combina com a agressiviade capitalista guerreira, auto-destruidora, em permanente sofreguidão pela busca da maximização lucrativa. Para Keynes, no final do século 20 e início do 21, haveria em grau elevado a extroversão sexual potencializada para além da que ele praticou para contestar a era vitoriana, sexualmente, castratora, que matou Oscar Wilde.

O grande economista inglês, homossexual, genial, tinha no seu dinamismo espiritual a convivência intrínseca da sensibilidade feminina e da dureza masculina, interativas, dentro de si, em grau de elevada competição, extrovertidamente proativas, tanto no campo da economia, como no das artes e da filosofia, como destaca Lauro Campos, um dos maiores conhecedores de Keynes, em “A crise da ideologia keynesiana”, um clássico da economia política.

A extroversão sexual, no final do século 20, emergiria, segundo o autor de “Teoria Geral do Juro, do Emprego e da Moeda”, por conta da supressão da necessidade de fingir. Fingir relativamente às instituições, aos falsos moralismos, à estruturação auto-destrutiva capitalista etc. ”Precisamos fingir para nós mesmos, por mais cem anos, que tudo que é útil é verdadeiro. Se deixa de ser útil, deixa de ser verdade”. Por deixar de ser útil, em matéria, por exemplo, de geração de emprego, o capitalismo, em crise, apoiado na economia de guerra, deixa, igualmente, de ser verdade. Se a guerra não é a verdade que se vende em forma de paz, a paz não poderá ser alcançada com guerra. A busca de Obama para uma acomodação anti-guerreira global desata as forças reprimidas da sociedade e assusta meio mundo. Grande momento histórico.

 

 

Fim do falso moralismo

 

 

O genial e cínico economista inglês sabia que era necessário mentir para promover a acumulação capitalista no século 20 com moeda ficitícia cuja durabilidade dependeria da capacidade de endividamento dos governos que não seria eterna

O genial e cínico economista inglês sabia que era necessário mentir para promover a acumulação capitalista no século 20 com moeda ficitícia cuja durabilidade dependeria da capacidade de endividamento dos governos que não seria eterna

Estaria o estresse capitalista afastado do perigo de guerras? Que dirão os generais do Pentágono quando for colocada na mesa, pelo G-20, a proposta da cesta de moedas, que obrigaria os EUA realizarem superavit primário? Unilateralismo ou  multilateralismo? Não dá mais para o capitalismo mentir e ficar por isso mesmo. Por isso a libertação humana da necessidade de fingir, no auge do estresse do capital, abriria, como visualizou Keynes,  as fronteiras artísticas postas pela verdade. Esta, no entanto, destacou, teria que ficar de quarentena ainda durante todo o século 20.

Mentir foi o que o guru de Keynes, Malthus, negou-se a fazer e se deu mal, caindo no ostracismo e no esquecimento no seu tempo, final do século 18 e início do 19. A economia é uma ciência perigosa, disse Keynes, na mesma linha de Guimarães Rosa , para quem viver é muito perigoso. O keynesianismo repetiria no século 20 o malthusianismo do século 19, mas sem expor a verdade.

Por exemplo: o papel do governo no capitalismo. Ele precisa ser, COMPLETAMENTE, dissipador, consideravam os dois grandes economistas, como fator de salvação do sistema capitalista. Se o setor privado tem que primar pela eficiência, para elevar a produtividade e o lucro, que gera o subconsumismo, a sua salvação estaria no seu oposto, na INEFICIÊNCIA governamental expressa em seus gastos necessariamente dissipadores. Os colunistas se escandalizam.

Enquanto o setor privado cuida de diminuir custos para maximizar lucros, o governo tem que maximizar gastos para elevar os lucros do setor privado, por meio da DISSIPAÇÃO. Jogo dialético dos contrários.  Dessa forma, o capitalismo, no estresses das crises de sobreacumujlação, geraria consumo sem elevar a produção, evitando a falência dos capitalistas, que não suportam o livre mercado.  Malthus, gênio autêntico.

A crueza da realidade expressa no pensamento límpido de Malthus, em Princípios da Economia Política, choca os falsos moralistas, que pregam controle dos gastos públicos, para estimular o setor privado, ou seja, o contrário do que é preciso para manter o sistema capitalista vivo. Malthus não fingiu, embora não se tenha notícia de que era homossexual, mas, sim, padre, casado, com filhos. Já Keynes teve que mentir nos estertores do final da era vitoriana inglesa, dominada pelo supramassumo ideológico capitalista, o Utilitarismo, sofisticação do cinismo inglês.

A ideologia utilitarista inglesa, que se espalhou pelo mundo, seguindo o rastro aberto pela libra esterlina, no século 19, e prosseguiu, no século 20, com os primos,  com a ascensão americana, alavancada pelo dólar, vitorioso na segunda guerra mundial, requer, essencialmente, o fingimento, a mentira, a enganação, o disfarce.

Trata-se de mentir que o sistema leva à paz e não à guerra, quando, na verdade, a guerra é o âmago da economia política capitalista, como Keynes ressaltou, em 1936, em artigo no New Republic, destacado por Lauro Campos: “Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego -, exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força”.

 

 

Verdade mentirosa desmascarada pela crise

 

 

Malthus considerava essencial que o governo realizasse gastos improdutivos para salvar o sistema capitalista produtivo que tende ao subconsumismo sob capitalismo

Malthus considerava essencial que o governo realizasse gastos improdutivos para salvar o sistema capitalista produtivo que tende ao subconsumismo sob capitalismo

Como acreditar na paz, se o âmago do sistema é a guerra? A mentira dá as cartas.

Era o recado keynesiano para o presidente Roosevelt superar o desastre econômico decorrente do crash de 1929, que se estendeu até 1943. A economia de guerra se transforma em solução para reprodução do capital, que havia entrado em crise total na economia de mercado sob padrão-ouro.

A guerra é o caminho para a paz econômica sob o capitalismo. Que  o digam os deficits. Em 1944, o deficit público americano alcançara 144% do PIB. O economista inglês , quando destacou a economia de guerra como essencial, lembrava dos efeitos positivos da primeira guerra mundial, em 1914,  para a economia inglesa. Depois da guerra, a paz trouxe a desorganização econômica, porque a demanda e a oferta, sob livre mercado, sem os gastos de guerra, para gerar consumo sem aumento de produção, no mercado de bens e serviços, levaria o sistema ao colapso, como ocorreu em 1929.

Era preciso continuar fingindo que a paz representa o objetivo da humanidade dominada pelo capital. Toda uma estrutura ideológica utilitarista se construiu em torno das atividades produtivas para justificar a necessidade de um esquizofrênico equilibrismo sob capitalismo quando a essência do capital é o desequilíbrio, que exige guerra como salvação da autodestruição.

Uma humanidade com o pensamento invertido pela ideologia do capital foi levada aos desastres econômicos, porque, evidentemente, o capitalismo é construção de economia de desastres, como destaca o economista canadense Naomi Klein.  Ele exige a mentira como fator útil para que se creia na sua perenidade histórica, evitando que seja visto como fenômeno histórico-social, a exemplo das diversas fases do desenvolvimento histórico mundial. “Tudo munda, só não muda a lei do movimento segundo a qual tudo muda”(Hegel).

Os estouros orçamentários, para sustentar a economia de guerra, foram se acumulando nos últimos 50 anos do pós-segunda guerra mundial. Quanto mais elevados, mais tensões guerreiras foram criando. Ao mesmo tempo, porém, foram dando sinais de que a capacidade de Tio Sam de endividar-se para fazer a reprodução do capital na guerra teria  limites. Estes seriam dados, em algum momento, pelo sistema financeiro.

O capitalismo, no século 20, vestiu  a representação mentirosa da falsa sustentatibilidade da economia monetária. A inflação seria a solução, mas ela não poderia aparecer, teria que ser uma verdade falsificada. A representação da mentira econômica inflacionária , no século 20, seria a dívida pública interna, que cresceria , dialeticamente, no lugar da inflação. Constituiria a dívida em bombeamento e sucção monetários, até que chegasse ao limite da implosão. O século 20 acabaria em outubro de 2009.

 

 

Acabou gás de Tio Sam

 

 

Eisenhower, em seu último discurso, vaticinou desastres para o Estado Industrial Militar Norte-Americano, dependente das dívidas públicas, para impor ordem no mundo. Até quando? Morreu sem saber que o limite seria alcançado na bancarrota financeira em 2009, para eleger Obama Prêmio Nobel da Paz

Eisenhower, em seu último discurso, vaticinou desastres para o Estado Industrial Militar Norte-Americano, dependente das dívidas públicas, para impor ordem no mundo. Até quando? Morreu sem saber que o limite seria alcançado na bancarrota financeira em 2009, para eleger Obama Prêmio Nobel da Paz

A verdade está à mão, clara. Por isso, como previu Keynes, não seria mais possível ou necessário fingir. A extroversão social, dada pelo conhecimento da evolução dialética dos fatos, em meio às contradições do sistema, que prepara para si mesmo as armadilhas que o detonam, ganha espaço no compasso do estresse dos deficits. Estes não aguentam mais guerras, estão arriando. O presidente Eisenhower, em 1960, destacou que uma das maiores preocupações suas era o desdobramento dos efeitos do ESTADO INDUSTRIAL MILITAR DOS ESTADOS UNIDOS, bancado pela inflação, ganhando autonomia imperial no mundo. 

Os doutores do Nobel tinham tentado, na década de 1970, contribuir com antecipação do fim da  economia de guerra, quando concederam ao presidente Jimmy Carter, o Nobel da Paz. Naquele momento, os americanos, ameaçados pela desvalorização do dólar, graças aos excessos de deficits decorrentes da sustentação da guerra fria e da guerra do Vietnan, para salvar o capitalismo da ameaça comunista, sonharam com a paz. Mas, os falcões da guerra, no Pentágono e na CIA,  tinham, como X-MEN, a força. O gás de Tio Sam foi reposto pela desvinculação do dólar relativamente ao ouro. A moeda flutuou, deu um beiço geral na praça e iniciou etapa econômica em que a riqueza passaria a ser gerada, pura e simplesmente, na moeda, na especulação.

O consumismo ganhou oxigenação extraordinária, bem como os orçamentos inflacionários do Pentágono puderam continuar bancando economia de guerra. Fundamentalmente,  os investimentos governamentais completamente dissipadores, dinamizando  produção bélico-espacial, contribuiam, contraditoriamente, para o desenvolvimento da vanguarda científica e tecnológica. Esta, posteriormente, seria absorvida como insumos para  produção de bens duráveis de consumo de massa, no crediário, estimulando especulação desenfreada etc. O último estágio de desenvolvimento do capital, como disse Marx, é a guerra que produz inovações tecnológicas que viram mercadorias que levam os homens à guerra.

 

 

Guerrear ou relaxar e gozar?

 

 

Marta iniciou a discussão sobre os comportamentos sexuais extrovertidos bem antes da crise para sinalizar os novos tempos que Keynes antevira no estresse geral da libra esterlina e da era vitoriana

Marta iniciou a discussão sobre os comportamentos sexuais extrovertidos bem antes da crise para sinalizar os novos tempos que Keynes antevira no estresse geral da libra esterlina e da era vitoriana

O gás guerreiro-inflacionário de Tio Sam, em 2008,  esgotou-se, finalmente. Não consegue mais bancar o jogo da economia de guerra, em meio à bancarrota financeira, que empobreceu a sociedade e quebrou os bancos. O perigo de guerra agora não é externa mas interna, panela de pressão que fará explodir contradições capazes, inclusive, de ameaçar a vida do novo prêmio Nobel. Racismos, nazismo, fascismos são produtos que a crise gera.

Contraditoriamente, no cenário de ressaca total, de incerteza e vulnerabilidade, inverte-se a onda consumista e guerreira para dar lugar à onda da poupança e da paz, por absoluta falta de dinheiro. Emerge a filosofia martasuplicista do relaxa e goza.

A extroversão social total será dada, portanto, pelo empobrecimento relativo da sociedade nos países ricos diante do estresse consumista, que ameaça a natureza e a estabilidade econômica ambiental.

O inimigo maior dos governos não estará fora, mas dentro do país, no processo de mudança e de adaptação do enriquecimento relativo para o empobrecimento relativo geral em nome da economia global sustentável. Nada mais anti-guerra.

Em tal contexto, dado pela falência americana, afogada nos déficits, perde pique a economia de guerra. Abre-se espaço à necessidade de novas negociações no contexto do pensamento humanista.

Barack Obam é o homem escolhido pela história para dar início a essa nova fase. Negro, brilhante, coloca em xeque o pensamento conservador. Sua chegada ao poder é mais importante do que a chegada do homem à lua.

As minorias e maiorias excluídas botam as mangas de fora, põem-se no centro dos acontecimentos. Se estão no centro, por que continuarão a aceitar a pressão que sofriam quando se encontravam na periferia?

A extroversão dada pelo empobrecimento econômico relativo global, por sua vez, surge diante da necessidade de organização do econômico pela visão social.

O capitalismo, com seu utilitarismo, deixa de ser útil. Se perde a utilidade, deixa de ser verdade.  Saravá.

Lula pune classe média para segurar inflação

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 09-10-2009

O dólar deixa Lula atarantado, obrigado a entrar em contradição, atacando a classe média, que deixa de consumir para construir o sonho lulista obrigado a sacrificá-la por pressão da inflação dolarizada

O dólar deixa Lula atarantado, obrigado a entrar em contradição, atacando a classe média, que deixa de consumir para construir o sonho lulista obrigado a sacrificá-la por pressão da inflação dolarizada

O atraso na devolução do imposto de renda cobrado a mais pelo governo sobre a classe média, diante das tensões inflacionárias alardeadas pelo mercado financeiro, que sinaliza aumento de juro, representa arma de combate à inflação. Ao atrasar a devolução do IR para a classe média, ela deixa de consumir. Redução do consumo redundaria em aumento da oferta em relação à demanda, jogando os preços para baixo. A classe média passa a ser , no final do governo Lula, instrumento de combate direto à inflação, por meio do atraso na devolução do IR. Rompe-se um comportamento dessa categoria social politicamente influente. Normalmente, tendo a garantia da devolução do IR, as famílias tomam dinheiro emprestado nos bancos. Terão que renogicar seus papagaios. Os juros subirão ou diminuirão, para elas, sabendo que passam a ser riscos aos olhos dos banqueiros?
 
Sacrifício financeiro adicional sobre a classe média representa diminuir da renda disponível para o consumo. A equipe econômica entra em contradição total. O governo está no sufoco com a queda da arrecadação tributária, de um lado, e sob pressão inflacionária, de outro. Se combater a inflação, reduzindo consumo da classe média, terá ingresso tributário menor. As obras do PAC ficariam semi-paralisadas. Sobretudo, o governo encontrará maiores dificuldades para pagar o superavit primário aos bancos, ou seja, os juros da dívida pública interna. Sinaliza horizonte de calote. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
 
Trata-se de cenário econômico, determinado pelo excesso de oferta de dólares na economia nacional, que gera  pressão inflacionária sobre a dívida, puxando os juros, cujas consequências poderão ser sinalização de expectativas negativas a atrapalhar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a escolhida pelo titular do Planalto. Não é nada positivo para o presidente Lula negociar a parceria com o PMDB, na formação da aliança maior da coalizão governamental, no momento em que o governo convoca a classe média ao sacrifício, para pagar o mico do dólar falso inflacionário.
 

Classe média vira arma contra inflação no tempo do dólar barato em que a inflação deveria cair e não subir. Samba do crioulo doido.

Classe média vira arma contra inflação no tempo do dólar barato em que a inflação deveria cair e não subir. Samba do crioulo doido.

A enxurrada de dólares eleva a dívida, a inflação escondida e em crescimento dentro dela e, consequentemente, bombeia para cima, também, os juros. Teoricamente, dolar baixo teria que baixar a inflação e não o contrário, mas a entrada da moeda gera efeito para o bem e para o  mal . Serve para baixar e para aumentar. Para pagar os juros da dívida que cresce, o governo atrasa a devolução do imposto de renda da classe média, cujo consumo cadente diminuiria a inflação. Será?
 
Há oito meses consecutivos, o tesouro nacional amarga ingressos tributários negativos em relação ao ano passado. Os atrasos nos pagamentos das encomendas governamentais já começam a deixar os empresários preocupados. O recolhimento do imposto virou a norma das empresas em meio ao sufoco financeiro produzido pelo juro alto. Tal conjuntura joga para baixo a demanda estatal,  que puxa a demanda global, especialmente, no momento em que o governo atua fortemente como banqueiro, por intermédio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, colocando-os na vanguarda dos empréstimos às atividades produtivas a juro mais baixo para os programas sociais, especialmente, o da casa própria.
 
A ação financeira bancária estatal entra em xeque no momento em que a enxurrada de dólares eleva a dívida e pressiona para cima os juros, como resposta dos bancos ao risco decorrente da valorização excessiva da moeda nacional. Como deter o dólar? Estocá-lo e pagar juros sobre moeda desvalorizada que entra para ser convertida em real que paga juro básico de 8,75%, enquanto nos países ricos o juro está negativo? Quem comprará nossos dólares no futuro? Garantia falsa. Quem comprará  moeda que passou a ter seu preço em queda todo o dia?
 

 
Dólar enlouquece economia

 

Aécio e Serra estão começando a ver vantagem na política econômica pelo lado do beneficio que traz a eles dadas as contradições que geram confusões e possibilidades que se abrem para frente e para o alto, como dizia Ademar de Barros

Aécio e Serra estão começando a ver vantagem na política econômica pelo lado do beneficio que traz a eles dadas as contradições que geram confusões e possibilidades que se abrem para frente e para o alto, como dizia Ademar de Barros

O dólar em crescente desvalorização internacional se transformou no maior problema atual do governo Lula. O presidente, no momento em que coloca para fora todo o seu ufanismo nacional, começa a sofrer os efeitos da vaca holandesa, cheia de leite, que não pode desovar para não provocar hiperinflação de oferta do produto. É preciso tirar o leite da vaca e estocar, porque se for totalmente consumida a oferta, os produtores morrerão de fome para alimentar suas vacas. O custo do estoque passa a ser maior do que a cotação do produto no mercado, exigindo elevação da dívida interna.
 
Ou seja, o dólar em excesso , que está entrando na economia(25 bilhões de dólares no segundo semestre), obriga o governo a emitir reais para enxugar o excesso de moeda americana candidata à desvalorização em decorrência dos excessivos déficits americanos. Com isso, o governo ajudar a financiar o déficit de Barack Obama e, ao mesmo tempo, superinflaciona a dívida pública, que cresce, dialeticamente, no lugar da inflação. Jogo da maior inteligência, para evitar a falência imediata dos exportadores.
 
O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, diante dos juros dos bancos privados, em ascensão, terão que emprestar mais a preços competitivos, com a ajuda do Tesouro Nacional. Ou seja, mais déficit, mais presão inflacionária , mais juros. O tesouro, irrigando o BB e a CEF,  evitaria que juro privado leve a economia à recessão em ano eleitoral. O esforço governamental seria feito em 2010 para maquiar a situação, elevando a dívida, para que em 2011 ocorresse, depois das eleições, um grande arrocho.
 

A moeda americana, candidata a virar papel de parede, joga a economia na sua mais incrível contradição, levando o governo a fugir para frente, culpando a crise pela derrocada monetária de Tio Sam

A moeda americana, candidata a virar papel de parede, joga a economia na sua mais incrível contradição, levando o governo a fugir para frente, culpando a crise pela derrocada monetária de Tio Sam

A entrada exagerada de dólar no mercado interno, em busca de rentabilidade que se esgotou na especulação, detonada pela crise mundial, enlouque, no momento, as autoridades econômicas. O Banco Central diz que a tensão inflacionária decorre do excesso de consumo que sinaliza alta de preços. O argumento pode ser contestado porque a capacidade instalada, somente, agora, segundo  CNI,  está repondo estoques. Com o atraso na devolução do imposto de renda, elevando a propensão consumista ao arrefecimento, as pressões inflacionárias acabariam , isto é, não justificariam , teoricamente, o aumento da inflação e, consequentemente, dos juros.
 
Ajudaria, ainda, a combater a inflação, alardeada pelo sistema financeira,  nova onda social no mundo desenvolvido, a de entrar na era da poupança, da redução do consumo, como fator de restabelecimento das finanças familiares, super-abaladas na grande crise. É o que começa a rolar nos Estados Unidos e na Europa  e tende a entrar no mundo fashion e soltar as frangas pelo universo como comportamento coletivo. Seria o pior dos mundos para o capitalismo.
 
A capacidade instalada semi-utilizada diminui a eficiência marginal do capital, ou seja, o lucro, assim denominado por Keynes. Como há excesso de capacidade instalada, seria intensificada guerra comercial global com desvalorização das moedas em busca de competição. Justamente, nesse momento, em que todos buscam alinhar suas moedas, para tentarem ser competitivos, a economia, sob o excessivo otimismo lulista, passa a praticar o oposto, a sustentação de moeda incompetitiva, mediante sacrifício da classe média.
 
 

 
Nova bolha global

 
 
 

O dólar fraco teria que baixar os preços, diminuindo a inflação, mas, ao contrário, ao elevar a dívida e o risco, aumenta o juro, que, com os impostos caros, elevam o preço. Quem é o culpado pela inflação, senão a especulação com o dinheiro que entra em excesso?

O dólar fraco teria que baixar os preços, diminuindo a inflação, mas, ao contrário, ao elevar a dívida e o risco, aumenta o juro, que, com os impostos caros, elevam o preço. Quem é o culpado pela inflação, senão a especulação com o dinheiro que entra em excesso?

Antecipadamente, o Brasil, pelo atrativo econômico que exerce, começa a sofrer a conhecida e sempre relembrada doença holandesa. Em 1960, com a descoberta de gás e óleo, ocorreu excesso de oferta que valorizou a moeda. Igualmente, em 1636 e 1637, também, na Holanda, houve a famosa especulação com as tulipas. Um bulbo de tulipa chegou a valer 24 toneladas de trigo. Pura especulação. Implosão inflacionária. O excesso de dólares, atraídos pelas possibilidades abertas pelo país emergente – a flor holandesa – mais disputado no planeta, neste instante, pelos investidores, afoga de flores/dólares a economia. Há um excessivo odor de glória e desastre possíveis.
 
O Brasil virou a nova bolha financeira global. Todos vêem o novo Eldorado. Petróleo, alimentos, base industrial competente, salários miseráveis, biodiversidade infinita, energia elétrica natural, que bombará o carro elétrico, a representar o novo chamariz consumista etc, tudo isso cria condições que aceleram entrada de dólares para o Brasil. Meirelles e Mantega terão que sentar, urgentemente, e dar um discurso coerente ao presidente Lula.
 
Por enquanto, a classe média começa a pagar parte do prejuízo. O ministro Mantega pode estar colocando a candidatura de Dilma Rousseff na rota do desastre, se cair no argumento do Banco Central de que o culpado pela pressão inflacionária é o consumo excessivo e não a entrada excessiva de dólares falsos, sem garantia, disponíveis para comprar ativos reais no país.
 

Os BRICs querem nova moeda para não pagarem o mico da inflação espalhada globalmente pelo dólar

Os BRICs querem nova moeda para não pagarem o mico da inflação espalhada globalmente pelo dólar

Se os dois ministros não se entenderem, se não apresentarem um argumento palatável ao presidente Lula, fortalecerão os adversários, os governadores do PSDB, José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais.
 
Como tudo é incerteza, muito provavelmente ocorrerá fuga para frente, ou seja, culpar a crise internaiconal e exigir a entrada em cena de moeda global pra evitar que o mundo seja obrigado a suportar hiperinflação espalhada pela moeda falsa em franca desvalorização.
 
O rumor de que os BRICs – Brasil, Rússica, Índia e China, Índia – e a  Arábia Saudita , interessada em lançar a moeda árabe, estariam articulando cesta de moeda para fugir da pressão inflacionária do dólar, criou novo ambiente financeiro internacional.
 
A cesta de moeda, dentro da qual estaria, também, o dólar, porém, com valor relativo afetado, como equivalente geral das relaçoes de trocas globais, seria a expressão do novo sistema monetário.
 
Caso contrário, os países emergentes continuarão totalmente vulneráveis diante da moeda americana e os governos, jogando a classe média no abismo, para tentarem se salvar, enfrentarão os eleitores e eleitoras em estágio de guerra, dispostos a votarem na oposição.

Golpismo empresarial sul-americano em Brasília

Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 08-10-2009

Ricardo Caldas, candidato à presidência, denuncia o golpe empresarial e se prepara para a resistência democrática, capaz de evitar a desmoralização ética da classe na capital da República

Ricardo Caldas, candidato à presidência, denuncia o golpe empresarial e se prepara para a resistência democrática, capaz de evitar a desmoralização ética da classe na capital da República

O exercício da democracia política, no meio empresarial brasiliense, está correndo perigo. Ele está ameaçado por golpes de mão. Os adversários do processo democrático lançam mão de tudo, especialmente, dos estatutos. São eleitos pedindo respeito a eles. Mas, quanto alcançam  a caneta, que subordina os interesses a ela, que assina a liberação dos recursos, há como que uma rendição do poder ao desejo de eternização nele, embora, a boca pequena, seja condena a ação política anti-ética em marcha pelos que se alinham a ela. Cinismo. É o que pode acontecer na Federação das Indústrias do Distrito Federal. Numa jogada, totalmente, polêmica, o presidente da entidade, Antônio Rocha da Silva, em exercício de segundo mandato,  conseguiu a adesão de 9 entre 10 presidentes de sindicatos, para tentar o terceiro mandato. Para tanto, busca alterar o art. 25, parágrafos terceiro e  quarto do estatuto social, que fixam mandato quadrienal(uma eleição e a reeleição) e veda continuismo:

“Ao titular do cargo de presidente fica permitida a reeleição uma única vez para o mesmo cargo, devendo qualquer alteração estatutária relativa à reeleição, ser respeitado o limite máximo de um mandato inicial e uma reeleição, sendo qualquer outra hipótese aplicável somente à Diretoria subsequente à reeleição”.   Ou seja: “as alterações do estatuto relativas aos prazos de mandatos eletivos somente serão aplicáveis às diretorias subsequentes àquela em cuja gestão ocorrer a modificação estatutária”.

A concordância da maioria ao terceiro mandato rompeu cláusula pétrea, anti-continuista, estatutária,  destaca o primeiro vice-presidente da Fibra, Ricardo Caldas, potencial candidato à sucessão de Rocha, em outubro de 2010, quando haverá eleição. Resistente ao que considera golpe na democracia empresarial, está indo à luta contra a onda. Vale dizer, no momento em que a sociedade brasileira, em outubro do próximo ano, estará escolhendo o candidato ou a candidata à sucessão do presidente Lula, que resistiu ao terceiro mandato, na Fibra, Antônio Rocha e seus nove aliados estarão fazendo o oposto, rendendo-se ao terceiro mandato. Vai ser um vexame anti-democrático em plena comemoração nacional da democracia.

Armando colocou Rocha em sinuca de bico ao destacar que não disputaria terceiro mandato na CNI porque romperia as regras do jogo estatutário-constitucional

Armando colocou Rocha em sinuca de bico ao destacar que não disputaria terceiro mandato na CNI porque romperia as regras do jogo estatutário-constitucional

Antônio Rocha entrou nessa, na de governar em causa própria. Sequer está respeitando o mandamento de que a mudança nas regras – o jogo atual da fixação do mandato - seja válida para o mandato subsequente, não para o presente. Quer que valha para ele, desde já.

Nem o presidente da Confederação Nacional das Indústrias(CNI), deputado Armando Monteiro Netto, engoliu a jogada de  Antônio Rocha, que os gozadores estão chamando de “Toninho Chavez”.   Em recente jantar que Rocha convocou para que os presidentes de sindicatos homenageassem Armando, a fim de encher-lhe a bola, ocorreu um constrangimento. Instado por presidentes de sindicatos a tecer comentários sobre possibilidade de terceiro mandato, o titular da CNI, primeiramente, por educação, evitou falar mais claramente. Quando a pressão aumentou, porque, afinal, o ambiente requeria doses de uisque a mais, que deixam a sensibilidade mais a flor da pele, um presidente de sindicato ressaltou que o deputado não estava respondendo às indagações específicas. Resolveu, então, o comandante político da indústria nacional abrir o verbo. Destacou que não entraria numa jogada semelhante à que tenta Antônio Rocha, porque, claramente, o estatuto da CNI, ou seja, sua Constituição, proibe.

Os estatutos em geral obedecem a uma lei maior. A Constituição Federal proibe terceiro mandato. Se, por uma razão ou outra, o presidente em exercício decidir colocar em discussão o assunto, perante a população, para que decida, por intermédio de Assembléia Constituinte, Referendo ou Plebiscito, apenas é possível por emenda constitucional e a validade do terceiro mandado, se aprovada, valeria, somente, para o futuro presidente. O que patrocionou a mudança está proibido, constitucionalmente, de ganhar o privilégio. Por analogia, as assembléias legislativas dos estados e, igualmente,  e a câmara legislativa do DF obedecem o princípio constitucional.

Qual seria a orientação maior, senão aquela dada pela Constituição, indaga o renomado advogado Arnoldo Wald, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários(CVM), em parecer de 23 páginas  elaborado a pedido da corrente empresarial contrária ao golpismo de Rocha, o resistente democrata Ricardo Caldas?

De posse do parecer abalizado de  Wald, Caldas destaca que a prorrogação de mandato patrocinada por Rocha representa uma desonra total à classe empresarial brasiliense. Trata-se de desmoralizar a categoria, que, na Capital Federal, teria que dar exemplo para todo o país. Contudo, destaca, “o poder cega”. Qual a razão da jogada golpista?

 

 

O jogo do continuísmo

 

 

 

Antônio Rocha desalojou os poderosos dentro da Fibra, mas, agora, quer continuar, mesmo, que estrupre o estatuto/constituição da entidade

Antônio Rocha desalojou os poderosos dentro da Fibra, mas, agora, quer continuar, mesmo, que estrupre o estatuto/constituição da entidade

O presidente , segundo Caldas, tem respondido que está agindo porque a base que o apoia estimula ele a continuar, e tal continuísmo pode ser aprovado por votação, subordinada à maioria, que decide. Rocha ressalta que não fere o estatuto. Mas, mesmo que isso viesse a acontecer, a possibilidade do terceiro mandato estaria inalcansável para o presidente atual, valendo, apenas, para o próximo. Ainda assim, de acordo com o estatuto, é proibido um terceiro mandato, mas, tão somente, dois mandatos, no máximo. O clima empresarial no meio industrial está perplexo. A saída não será outra, para os que estão resistindo, democraticamente, senão entrar na justiça, caso haja insistência do presidente, sob apoio de nove presidentes de sindicatos, para fazer valer sua vontade. Tal contexto sinaliza o óbvio: a eleição para a presidência da Federação das Indústrias do Distrito Federal, no próximo ano, vai ser um escândalo político. Certamente, o imbróglio desembocará na justiça. Poderá rolar intervenção do Ministério do Trabalho, caso ocorra o impasse, e até da CNI. Embora não se disponha, antecipadamente, a admitir tal possibilidade de questionar judicialmente tentativa anti-democrática, para não arrastar a Fibra aos tribunais, Caldas não aceitará o rompimento da causa pétrea, e entrará com impugnação.  O desgaste, inevitavelmente, será fatal para a honorabilidade da FIBRA.

O consagrado advogado Arnoldo Wald considera uma clara ilegalidade na tentativa continuista anti-democrática de Antônio Rocha da Silva à frente da Fibra

O consagrado advogado Arnoldo Wald considera uma clara ilegalidade na tentativa continuista anti-democrática de Antônio Rocha da Silva à frente da Fibra

Historicamente, desde que  criada, em 1972,  a entidade foi , amplamente, subordinada à força da construção civil. Os anos dourados de Brasília elevaram, extraordinariamente, o poder dos construtores, herdeiros do espírito de JK. O prestígio da categoria social dominante no DF se mede pela presença de um seu representante no governo, o vice governador Paulo Octávio, uma das expressões máximas, junto com outras de mesmo calibre, ou mais. Dessa forma, a presidência da Fibra tinha sempre o dedo do Sindicato das Indústrias da Construção Civil(Sinduscon-DF). Ao lado dos empresários construtores, ganhou dimensão, também, os empresários gráficos, dado o poder governamental para puxar a demanda do setor. Nesse contexto, a Fibra tinha as duas categorias  empresariais como destaque no seu poder político, dialogando e traçando estratégias com os governantes. Antônio Rocha furou esse esquema.

Oriundo do Sindicato de Reparação de Eletroeletrônicos(Sindeletro), que reúne os empresários que prestam serviços eletrônicos, ele enxergou a possibilidade de unir a maioria dos sindicatos que sempre ocuparam terceiro ou quarto escalão entre os grandes empresarios. Articulou com o chamado baixo clero empresarial. Descobriu que pelo voto a maioria dessa força poderia chegar ao poder com ele, hábil negociador. Foi uma virada de mesa democrática espetacular. Os pequenos passaram a ter voz.

 

 

Passado pode repetir

 

 

  

A família empresarial Fibra vive impasse sucessório e as tensões poderão desemobocar na justiça mais uma vez, repetindo o passado

A família empresarial Fibra vive impasse sucessório e as tensões poderão desemobocar na justiça mais uma vez, repetindo o passado

A eleição do próximo ano anuncia tempestades. Pode repetir o que ocorreu em 1982, quando, durante a sucessão do ex-presidente Nabor César Serqueira, irrompeu-se discordâncias que melaram a eleição, sendo necessária a intervenção do Ministério do Trabalho, que indicou interventor entre março de 1982 e agosto de 1983, para investir acusações de corrupção no SESI e SENAI, cujas receitas são oriundas de percentuais incidentes sobre a folha nacional de salários. O impasse pode pintar porque dessa v ez, também, há ações políticas decorrentes da detonação da presidência do SESI do presidente do Sindicato das Empresas de Reparação de Veículos, Vornes Simões, considerado pedra no sapato da presidência da entidade. O circo, na Fibra, está, portanto, pegando fogo. Talvez seja necessário politicamente uma negociação entre o presidente da CNI, depuutado Monteiro, e o presidente Rocha, para evitar o pior, em ano eleitoral, que viesse a manchar a honorabilidade do SESI ou do SENAI, em uma das unidades da Federação. Monteiro, que é candidato ao Senado, em Pernambuco, pelo PTB, aliado do presidente Lula, dançaria frente aos seus adversários.