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Tom: linguagem brasileira universal
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Cuba se rende ao capitalismo estatal petista
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O Brasil engarrafado
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PIB brasileiro: gigante com pés de barro
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Feminismo econômico no terceiro milênio

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 13-10-2009

A visão de que a harmonia econômica pode ser alcançada pela governança que prioriza organização e controle e a de que na empresa convive o germe da unidade promotora do econômico e do social dão conformação a um novo pensamento para além do capitalismo em sua visão unilateralista da preponderância do econômico sobre o social. Multilateralismo nas relações capital-trabalho à vista?

A visão de que a harmonia econômica pode ser alcançada pela governança que prioriza organização e controle e a de que na empresa convive o germe da unidade promotora do econômico e do social dão conformação a um novo pensamento para além do capitalismo em sua visão unilateralista da preponderância do econômico sobre o social. Multilateralismo nas relações capital-trabalho à vista?

Nada poderia ser mais sintomático para retratar os novos tempos de bancarrota financeira global que o Prêmio Nobel de economia para a economista Elinor Ostrom, 76, primeira a recebê-lo, da Universidade de Indiana, EUA, e para o economista Oliver E. Williamson, da Universidade de Berkeley, EUA, cujos trabalhos traçam novo perfil para o desenvolvimento da economia capitalista, sinalizando emergência do social sobre o econômico na sustentação das atividades produtivas. Elinor ganhou notoriedade com suas formulações sobre a auto-gestão econômica social e Williamson fixou novo perfil para o papel da empresa como instrumento simultaneamente social e econômico como fator de eficácia sustentável. Os dois premiados jogam em cena  novo pensamento para a economia que demonstra ser possível à organização empresarial exercitar conjugadamente o empreendedorismo econômico e social, harmonicamente. Trata-se de passo adiante em relação ao pensamento meramente privado ou exclusivamente estatal. Nem privatização, nem estatização, mas cooperação – social e econômica. Seria essa a tendência capaz de dar ordem à desorganização e à anarquia econômico-financeira-especulativa atingida pelo capitalismo em sua fase esquizofrência-machista de financeirização econômica total? O toque de Elinor e de Williamson de inserção da governança social no plano econômico tem, sobretudo, senso de organização feminina para a economia. Ao que tudo indica, seria a emergência do feminismo econômico global. Será? Tomara.

 

 

Controle e organização do capital

 

 

A sobreacumulação de capital, nas crises sistemicas, levam à desorganização monetária, que expropria riqueza da comunidade e a leva à sensação de perda que a impulsiona à mudanças políticas aceleradas

A sobreacumulação de capital, nas crises sistemicas, levam à desorganização monetária, que expropria riqueza da comunidade e a leva à sensação de perda que a impulsiona à mudanças políticas aceleradas

Sobretudo Elinor e Oliver destacam a essencialidade do controle e da organização. Se deixados na savana africana, os homens cumprem o mandamento de Malthus de que a economia é uma ciência triste, lúgubre, tendente para a morte. Salve-se quem puder. Esse é o mandamento da realização do lucro, cuja essência se realiza nos oligopólios, porque, no livre mercado, os preços caem. Emerge deflação e destruição do capital. A inflação aleija; a deflação mata. Governança  é a saída para que o homem hobbesiano não se auto-proclame auto-destruidor, sendo o lobo de si mesmo. Coitado dos lobos! Mas, eis que chega a mulher na parada. Pede ordem no barraco. Seu colega, idem. Sem organização e sem controle, especialmente, do sistema financeiro, como disse Lênin, não é possível evitar as recorrentes crises de anarquia financeira que destroi o sistema, jogando a economia no caos monetário inflacionário. A crise mundial em curso é basicamente de destruição financeira, porque o capitalismo, depois da década de 1970, quando o dólar desvinculou-se do ouro e ficou flutuando sem garantia, gerando riqueza na própria moeda, via especulação, transformou-se em pura jogatina. Os governos, sob comando do pensamento da banca financeira, trabalharam para eliminar todas as restrições à ação do livre exercício do capital - ”poder sobre coisas e pessoas”(Marx). As pessoas foram dominadas para se auto-realizarem como coisas,  de tal forma que a coisificação delas  tornou-as objetos, sujeitos objetivados, pela ação do capital especulativo. Sucumbiram-se à propaganda dos rendimentos infindáveis e crescentes, alardeados pelos vendedores de produtos financeiros fictícios. O machismo econômico foi para  espaço, porque  não se cuidou, sob ele, de preservar as bases do edifício sobre as quais se assentava.  O espírito feminino jamais permeou a economia política machista. As mulheres que chegaram ao poder seguiram preceitos econômicos machistas, expresso na lei da seleção natural darwiniana, onde os conceitos se invertem. A igualdade jurídica corresponde à desigualdade social e a propriedade privada, para o trabalhador, representa sua exclusão da própria propriedade. Ele pode ser o dono dos meios de consumo, mas jamais dos meios de produção. Ou seja, nesse ambiente econômico machista, tornou-se escasso o espírito feminino, o espírito da mãe terra, que produz alimentos para todos, como dizem os textos bíblicos. Jogue um grão de milho na mãe terra e colha uma espiga. Jogue uma espiga e colha um saco etc. Desejo econômico-maternal nunca efetivado.

 

 

Individualismo ou coletivismo?

 

 

Nem mão invisivel do mercado , de Smith, nem dirigismo estatal, de Keynes e Malthus, seriam, no auge das crises capitalistas, solução, que estaria , segundo Elinor e Williamson, no meio termo da efetiva co-gestão econômico-social

Nem mão invisivel do mercado , de Smith, nem dirigismo estatal, de Keynes e Malthus, seriam, no auge das crises capitalistas, solução, que estaria , segundo Elinor e Williamson, no meio termo da efetiva co-gestão econômico-social

Nesse contexto, em que as relações de propriedade colocam o mundo pelo avesso, configurando alienação fetichista da realidade, a construção da economia da solidariedade foi banida. Mas, as experiências, em meio às crises do capitalismo, vão demonstrando, como na presente bancarrota global, que , como disse Hegel, “tudo muda, só não muda a lei do movimento, segundo a qual tudo muda”. O individualismo e a competição, de acordo com as teses dos dois prêmios Nobel, vão deixando , na especulação financeira desenfreada, auto-destrutiva, de ser úteis como fator de reprodução ampliada do capital. Entram em cena a organização, o controle a a auto-gestão como solução alternativa. Governo mundial, banco central mundial etc é o que clamam os desesperados que não conseguiram, na tempestada, chegar à Arca de Noé. As bases da economia política clássica, que nasce com Adam Smith, produz, como algo essencial à reprodução do capital, o subconsumismo. Os conselhos de Malthus, para que sejam criadas demandas improdutivas, dissipadoras, pelo Estado, para que livrem as atividades produtivas privadas do perigo da crônica insuficiência de demanda global que marca a existência do capitalismo, desde o seu nascimento, tentaram ser o oposto salvacionista. Ao colapso privado seguiria a aparente solução estatal? Os resultados configuraram contraditórios, historicamente, porque, se , de um lado, o privado produz o excessivo individualismo, de outro, o estatismo-coletivismo negaria o indivíduo. Individualismo ou coletivismo? Individualismo + coletivismo/ 2! Ou seja co-gestão = cooperativismo. O espírito individualista machista dá lugar ao espírito cooperativista feminino de Elinor Ostrom.  A super-abundancia, de um lado, e a super-carência, de outro, em um mundo em que dos 6 bilhões de habitantes, 2 bilhões vivem com renda de 2 dólares por dia, demonstram a dualidade louca na qual se move o capitalismo, em crise global, em 2009,  baleado pelas suas próprias contradições.  O pensamento social co-gestionário feminista, certamente, destoa das barbaridades perpetradas pela incrível desregulamentação capitalista-machista. Novos paradigmas à vista?

 

 

Multilaterismo feminista sob G-20

 

 

A ampliação do forum internacional para o debate da crise implica novos conceitos econômicos que invertem a prioridade conferida até agora pelo capital, de tentar resolver os impasses unilateralmente,  obrigando-se à subordinação ao pensamento multilateral como fator de sobrevivência

A ampliação do forum internacional para o debate da crise implica novos conceitos econômicos que invertem a prioridade conferida até agora pelo capital, de tentar resolver os impasses unilateralmente, obrigando-se à subordinação ao pensamento multilateral como fator de sobrevivência

A proposta de organização e controle do sistema, que , fundamentalmente,  é incontrolável em sua essência voltada para a sobreacumulação, de um lado, e a sobrexclusão social, de outro, condiz, naturalmente, com a alma feminina.  O equilibrismo orçamentário somente é possível em ambiente de harmonia familiar e não de anarquia financeira.  Seria possível, sob tal equilibrio, fazer valer a teoria de Jean Baptiste Say segundo a qual toda a oferta gera demanda correspodente? Em ambiente de harmonia familiar, somente possível pela preponderância do espírito feminino – quem já viu cachorro tomar conta dos cachorrinhos? – o que fosse produzido seria consumido. Sob capitalismo, impossível. Say seria verdadeiro sob socialismo Sua lei valeria, apenas, se as mercadorias que vão ao mercado fossem vendidas sem lucro, como sarcarstizou Marx.  A governança feminina está, evidentemente, na base do pensamento econômico de Elinor, como, também, na do seu colega, Oliver. Se o lucro, em seus limites máximos, desorganiza a sociedade, regida por leis que geram a desigualdade econômica, maquiada pela falsa igualdade jurídica abstrata, a reversão desse processo poderia, na avaliação tanto de Elinor como de Oliver,  desenvolver-se no próprio ambiente da empresa, no qual capital-trabalho se relacionam antagonicamente. Ela , como a realidade, é dual. Positivo e negativo. Masculino-Feminino. Se tem a solução para o lucro, desde que coordenada para atuar nesse sentido, tem, também, a solução para a organização social. O econômico e o social convergem-se, conflituosamente, dentro da empresa, na avaliação de ambos. Elinor  estabelece a organização e o controle como frutos da co-gestão produtiva; Oliver determina que a empresa, como a realidade, é , em sua dualidade, é pura espaço de interatividade em que os contrários se articularam, se negam e se sintetizam: geradora de lucro, que desequilibra, e de organização, que equilibra sob co-gestao. Nem Marx disse que o capitalismo acabaria, mas que seria superado. Parece que ele caminha para uma  química nova no século 21. Essa novidade poderia ser o multilateralismo econômico, social e polítco a ser empreendido pelo G-20, sob feminismo econômico, já que sob o G-8 machista o barco foi à garra.