05 out
2009Banco do Sul para ajudar financiar 1.a Olimpíada na América do Sul
Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 05-10-2009
O Banco do Sul nasce no momento em que o Comitê Olímpico Internacional escolhe a América do Sul, Rio de Janeiro, para sediar, pela primeira vez na história, as Olimpiadas, em 2016. Fato extraordinário. Maturidade econômica e política continental. Certamente, não entrou em cena, apenas, considerações esportivas. Ou seja, não foram conjecturas em torno, apenas, do esporte, da necessidade de justiça de que um país sul-americano, dessa vez, seja o escolhido, já que os demais continentes, América do Norte, Europa, Ásia e Oceania, já haviam sido contemplados etc. Poderosos interesses empresariais entraram em cena. Onde, hoje, em plena bancarrota financeira global, despontam oportunidades de investimentos, na escala necessária capaz de reproduzir o capital sobreacumulado no outrora todo poderoso primeiro mundo, escalavrado pela crise financeira, senão onde as coisas estão todas, praticamente, por fazer, como é o caso da América do Sul e da África? Os investidores internacionais, empreendedores da grande infra-estrutura global, batem cabeça para saber em quais aplicações poderão direcionar seus capitais, ameaçados de evaporarem , se continuarem sob juro negativo e propensão social à poupança em fez da gastança, vigente no primeiro mundo, baleado pela bancarrota financeira. O anúncio do comitê olímpico vai de encontro aos interesses da poupança privada, sem rumo, esperando a ordem maior do investimento público, que abre espaço à eficiência marginal do capital(lucro), inexistente, no presente momento, nos países capitalistas, onde os bancos estão faliados no colo dos governos, ameaçados, como é o caso dos Estados Unidos, pelo excessivo deficit fiscal, que, embora costitua ameaça, não tem substituto à altura, como fator de salvação da economia capitalista. O capital sobreacumulado, sem oportunidade de grandes investimentos, de modo a assegurar a realização da produção no consumo, algo que estava sendo contornado, estruturalmente, pela especulação financeira , facilitada pela ausência calculada de regras prudenciais, até que tudo implodiu, vê a América do Sul como o Eldorado. No Rio de Janeiro, como ressaltam as autoridades governamentais, deverão ser investidos algo em torno de R$ 30 bilhões. Esse total, por sua vez, alavancará demanda para toda a economia nacional, pois o Rio, como faz o Brasil, em desenvolvimento, compraria fora das suas fronteiras grande parte dos insumos necessários, e por ai vai. Nesse contexto, onde os líderes sul-americanos aplaudem a vitória brasileira, como fizeram Fidel Castro, Cristina Kirchner, Hugo Chavez, bem com o líder norte-americano, Barack Obam, a obrigação do Brasil é convocar não apenas os empresários brasileiros para os investimentos, mas, igualmente, os empresários sul-americanos e latino-americ anos em geral. O papel do Banco do Sul, que acaba de nascer, obviamente, poderia ser o de atrair poupança internacional, com a força das lideranças políticas sul-americanas, para que parte dos seus recursos sejam canalizadas para a primeira Olimpíada a ser realizada na América do Sul. Nesse esforço, sem dúvida, bancos estatais sulamericanos de desenvolvimento, como o BNDES, podem atuar como catalizados, sinalizando as parcerias necessárias que se desenrolarão ao longo do século 21, que tem tudo para ser o século sul-americano, cheio de oportunidades: energia, alimentos, minerais, base industrial forte, biodiversidade infinita, regime regular de chuvas capaz de proporcionar três safras – quatro no Sul, por exemplo – etc etc etc. O poder de alavancagem financeira do Banco do Sul, para que possa emprestar parte das suas reservas, a se acumularem de agora em diante, tenderia a avançar, ao longo dos próximos sete anos, até 2016, quando o grande evento olímpico será realizado. Sobretudo, a capitalização do Banco do Sul, no ambiente em que os capitais internacionais se deslocam para a América do Sul, fortaleceria a onda favorável à criação da moeda sul-americana, que, por sua vez, intensific ará integração econômica continental. Removerá tal movimento corrente contrária a essa possibilidade, que se empenha, no momento, em desviar a atenção e esforços sul-americanos não para o incremento do Banco do Sul, como instrumento soberano continental, poderoso de financiamento da infra-estrutura sul-americana, mas para concretização de eventual Eximbank, atrás do qual estariam os bancos privados, contrários à construção da instituição financeira sul-americana. Contrários ao Banco do Sul, a banca privada propugna, por meio da criação do Eximbank, continuidade de conjunto de interesses que têm sido maléficos ao fortalecimento dos estados nacionais sul-americanos. Tentam detonar essa orientação que salva, por exemplo, os capitalistas que se afogaram na bancarrota financeira. Desesperam-se eles quanto à proatividade econômica estatal alarmando notícias catastrofistas de que a inflação já está de volta, exigindo, desde já, elevação das taxas de juros como antídoto. Por meio do Eximbank, que minimizaria, consequentemente, até a ação de um BNDES, que é, na prática, uma espécie de Eximbank, no papel de promotor das atividades internas e exportadoras, os banqueiros privados ensarrilham suas metralhadoras para tentar detonar o sonho de soberania financeira sul-americana, ancorado na decisão política dos governos da América do Sul, unidos em torno da criação do Banco do Sul.









