Oligarquia financeira ameaça democracia

Os juros altos cobrados pela oligarquia financeira brasileira são as principais ameaças à democracia brasileira pois joga a economia no chão e impedem que a estabilidade economica se realiza pela via do aumento do consumo, já que este é garroteado pelos agiotas
A oligarquia financeira internacional, que faliu, passou a ser uma das principais, senão a principal, ameaça à democracia. Obsecada pelo risco que a leva aumentar os juros ou a pedir socorro aos bancos centrais para evitar a liquidez excessiva deflacionária que a destruiria, a oligarquia = oligopólio, que em cenário de bancarrota se mantêm no colo governamental, empoça o dinheiro e não deixa o sistema fluir, como está acontecendo. Tanto no exterior, como no Brasil. Para evitar o colapso geral, os governos se lançam às políticas fiscais que elevam o endividamento em escala incontrolável. Tem-se, de um lado, o perigo da deflação, com o empoçamento monetário, que destroi as relações de troca, jogando os preços no chão; de outro, emerge o perigo inflacionário. Os governos jogam com uma mão dinheiro na circulação e com a outra títulos para enxugar liquidez monetária, a fim de evitar explosão inflacionária. A dívida cresce no lugar da inflação. Como os deficits governamentais  já se encontram excessivamente elevados, o fôlego para bancar a situação fica cada vez mais curto, sinalizando hiperinflação. Se der mergulho muito fundo, pode não voltar à tona. Sem a fluidez do sistema monetário, o sistema democrático sofre choques intermitentes, em função das incertezas gerais cujos resultados são desempregos crescentes e consequentes tensões políticas.

Concentração e colapso total

 

o castelo monetário especulativo global detonou a oligarquia financeira que se mantém no colo do estado bloqueando o trabalho coletivo e ameaçando o distema de dissolução totalA oligarquia financeira, ao oligopolizar o mercado dinheiro, a mercadoria da qual dependem todas as demais mercadorias para poderem circular, vai, no ambiente de colapso, tornando-se ameça ao interesse público. Candidata-se, consequentemente, ao controle das autoridades monetárias em nome do ponto de vista social. A correlação de forças políticas, em ambiente democrático, obriga o governo a atuar nesse sentido, ou seja, em nome do interesse público. Ocorre, no entanto, que a máquina pública, nas economias monetárias, durante o século 20, dominado pela moeda estatal ,distribuída pelo sistema financeiro, em forma de concessão, está amplamente dominada política e ideologicamente pelo pensamento bancocrático neoliberal. Vale dizer, está ela  não a serviço do interesse público, mas do interesse financeiro privado, o anti-interesse social. Pressionado, politicamente, o governo fica entre a democracia e a oligarquia financeira , que domina as finanças governamentais. Os desdobramentos políticos de tal predomínio despertam a sensibilidade social, em meio à grande crise, na medida em que são necessárias escolhas políticas por parte do governo, para evitar que o sistema entre em derrocada. O poder político relativo dos banqueiros no sentido de direcionar as políticas públicas capazes de atender seus interesses, como ocorreu ao longo da Nova República, dominada pelo Consenso de Washington, depois da crise monetária dos anos de 1980 em diante, sofreu duro baque, agora, na crise monetária de 2008.

Ciranda financeira suicida

 

escalpelamento-do-tomador-de-dinheiro condena o consumo e o sistema porque a produção não se realiza e apodrece na deflação
Os banqueiros, ancorados nos títulos do governo , foram além dos seus limites. Sendo condutores dos seus próprios interesses, manipulando o Estado, para minimizar as regras fiscalizatórias sobre o comércio de dinheiro, em escala global, jogaram contra o interesse público no compasso da oligopolização = oligarquização financeira. Emitiram, no caso da crise imobiliária , nos Estados Unidos, que se transformou em estopim final da bancarrota americana, títulos privados que espalharam por todo o globo, com maior intensidade no mercado europeu. Romperam com os limites prudenciais, mediante cinismo da fiscalização estatal, pois dominavam a máquina política do Estado. Os derivativos dolarizados apodreceram a moeda americana, cuja sobrevivência, como equivalente monetário global, estressou-se  com o esgotamento do fôlego do governo para continuar bancando deficits indefinidamente. No colo do governo,  o sistema financeiro estatizado de fato e falido de direito  passa a representanr bomba atômica para o próprio Estado, impossibilitado de equacionar os balanços bancários que passaram à responsabilidade estatal. O governo americano , tornando-se árbitro entre a democracia, dependente da fluidez do crédito direto ao consumidor, e a oligarquia, resistente a elevar os empréstimos, preferindo mantê-los empoçados,  está diante do seu maior desafio. Há excesso de dinheiro nos bancos que não podem ser usados na praça. O sistema se afoga na abundância de dinheiro que se candidata a perder valor.

Abundância destrutiva

 

o dinheiro empoçado sem serventia é dinheiro queimado que destroi os preços em forma de deflação, cujo contrapolo é a inflação que pode destruir os governos já excessivamente endividados. por isso, a ONU já pede o fim do dólar como moeda equivalente global
No Brasil, a mesma coisa. O jornal Valor Econômico , em 09.09.2009, com matéria de Cristiane Perini Lucchesi, informa  disponibilidade de capital  superior a R$ 400 bilhões nos cofres dos bancos brasileiros. Resistem à demanda dos empréstimos ao crédito direto ao consumidor, com tamanha oferta de dinheiro, receosos de calote. Não aceitam correr risco, embora preguem a lei do risco aos que tomam emprestado deles. Preferem aplicações no governo, em forma de títulos da dívida pública ou em esterilização monetária, para manter relativa escassez, de modo elevar o custo da sua mercadoria, em forma de juro especulativo. Os banqueiros estão afogados em dinheiro que não flui para o comércio, para a indústria e os serviços. Os setores produtivos, no contexto de oferta excessiva de moeda empoçada, na economia monetária, representam riscos elevadíssimos, sob a ótica dos bancos. Os investimentos realizados na produção não geram sustentavelmente consumo correspondente, criando, consequentemente, no médio prazo, sempre risco de quebradeiras, com formação de estoques, por conta da insuficiência crônica de consumo. O governo, sob pressão dos empresários sufocados, valem-se – valiam, antes da crise – de desvalorizações cambiais. Com isso, viabilizava exportações, de um lado, e pressão inflacionária, de outro, bem como aumento da dívida pública interna, que, por tabela, sustenta juros altos. O presidente Lula minimizou tal estratégia ao apostar nos programas sociais que elevaram o consumo interno. Aprendeu que essa é a melhor forma de elevar a arrecadação, bem como a valorização da moeda, cujo resultado é diminuição da inflação. Esse jogo governamental, porém, terá vida curta , se os interesses da oligarquia financeira continuarem sendo priorizados em forma de juros de 150% ao ano que empobrece e escraviza o povo no crediário.

Perigo eleitoral iminente

 

a derrocada do crédito por conta da resistencia daoligarquia gera o desemprego porque sem o consumo o governo não dispõe dos investimentos que puxa a demanda global na economia capitalista, colocando o sistema democratico em derrocada
O juro bancário extorsivo transforma-se no principal obstáculo ao objetivo governamental de promover investimentos públicos mediante aumento de arrecadação proveniente do consumo popular estimulado por programas sociais. O fôlego do consumidor, para continuar girando a arrecadação tributária desejada pelo governo, de modo a produzir recursos orçamentários destinados aos investimentos públicos, entraria em colapso via inadimplência, caso mantido por mais tempo a espoliação jurista bancocrática nacional. Os sintomas de falência do consumidor já são antevistos pelos bancos que, consequentemente, pisam no freio, empoçando o dinheiro. Está, pois, montada uma máquina financeira envolvendo a superestrutura e a microestrutura econômica que, no ambiente de crise, em que a oligarquia, ao intensificar o oligopolio financeiro privado, avançando sobre as empresas seguradoras, ameaça o interesse público, em forma de oferta de juro escorchante. Obriga, dessa forma, o governo a conformar-se , também, em oligopólio, como alternativa capaz de preservar o interesse público. Caso contrário, o goveno, sob democracia, cai. O dinheiro parado nos bancos torna-se o padrastro cruel da sociedade. Recorrer a ele é optar pela escravidão jurista oligopolizada, essencialmente, contrária ao interesse público. O Estado, diante dessa realidade, obriga-se a agir contra o oligopólio bancário privado vestido de salvador da pátria, em forma de oligopólio bancário estatal. Confronto de gigantes em plena sucessão presidencial: oligarquia financeira privada contra oligarquia financeira estatal.

Tacão de ferro

 

genial jack londom literalizou o confronto dos gigantes oligopolizados em que predomina o poder do tacão de ferro como escravizador da humanidade expresso em oligarquia financeira
Jack Londom, em livro premonitório, “Tacão de ferro”, de 1907, que simboliza o poder total da oligarquia sobre o povo, projeta sociedade em que o desenlace da contradição será o confronto final entre o oligopólio público e o oligopólio privado. As cores são tão vibrantes que assustaram grandes escritores como Anatole France e Leon Trotski. Genial, versado em economia política, pois dominara Adam Smit, Ricardo Malthus e Marx, e calejado pela vida de pobre miséravel que se fez por si mesmo, trabalhando e estudando, enquanto passava fome, Jack London uniu teoria e prática como unidade dialética em movimento para antever o confronto  final entre a oligarquia e socialistas, depois de destruída a democracia. Ergue-se monstro oligopolizado como dominador de tudo. Segundo o escritor estariam, nesse momento, maduras as condições objetivas  para o confronto derradeiro entre o oligopólio privado contrário ao interesse público que obriga o surgimento do oligopólio estatal obrigado, por pressão política, mediar contrariamente ao interesse privado. Ocorreria mudança de mão no comando do poder ou continuidade do tacão de ferro, a oligarquia escravocrata e sanguinária, mobilizadora da revolução social. No momento em que ocorre a ação estatal em nome da estabilização econômica, desenha-se a grande guerra das oligarquias. A grande crise em curso, que o ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, balançará forte, brevemente, corre como uma sombra ameaçadora sobre a humanidade sob o domínio financeiro oligárquico global.