Lula vira heroi latino-americano

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 29-09-2009

simon_bolivar serve de exemplo para lula que prega volta de zelaya que prega desobendiencia civil, ou seja, revolução em honduraslula adota discurso radical que vestiu durante a ditadura militar no brasil para enfentar micheletti em hondurasmarti renasce na america central pelas palavras de ordemde zelaya e lula em favor da desobediencia aos ditadores colonialistasA partidarização da grande mídia que está batendo a cabeça na parede ao insistir que o Brasil deixou Zelaya transformar a embaixada brasileira em Tegucigalpa em palanque dele, para atacar Micheletti, como se estivesse fazendo algo estrategicamente construído, não deixa ela ver o óbvio: o presidente Lula, pela primeira vez na história, se transforma em um presidente brasileiro popular em lingua espanhola. O povo de Honduras transformou o titular do Planalto em seu novo libertador, num José Marti, num Bolívar. Vão às ruas para saldar o herói, que, de fora para dentro, abriu guerra contra o governo golpista de Micheletti. Lula está como em seus grandes dias de opositor ao regime militar brasileiro. Ataca sem dó. Prega, sem dizer, o seu exemplo, ou seja, o de quem liderou a criação de um partido dos trabalhadores contra os ditadores. Micheletti não suportou a carga. Pediu água, na noite de segunda. Chamou Lula de irmão. Garantiu que jamais permitiria invasão do território brasileiro sagrado em território hondurenho. Mandou um abraço ao companheiro. Tentou , dessa forma, desesperadamente, evitar o que já está em marcha, a palavra de Lula, somada à de Zelaya, para pedir democracia em Honduras, mediante desobediência civil. Receita de revolução popular.

 

 

Contradição em Eldorado

 

 

zelaya-e-michelett dois personagens que se distanciam no drama político de honduras para dar lugar a uma solução que vai ganhando cunho popular revolucionário em face dos imnpasses políticos

Caso único na história das Américas, eis o que configura a ação de Lula, isto é, um presidente de país democrático que toma a peito a causa da democracia violada em país outro, assumindo as circunstâncias históricas, construídas ou consumadas, em que a neutralidade seria considerada covardia. Tipo Napoleão.  Segue, indiscutivelmente, a desconfiança de que o governo brasileiro não estaria de todo inocente com a chegada de Zelaya, que teve o apoio incondicional de Chavez. Fica para a história essa controvérsia. A dinâmica dos fatos, o que é importante,  ganhou velocidade que deixa para trás a questão de se saber como foi arranjada ou consumada a situação. Fica menor esse aspecto da questão, a partir de onde – Venezuela? Brasil? Argentina? – teria sido construída a saída de Zelaya da Venezuela(ou da Colômbia?) e a chegada dele na embaixada brasileira, em Tegucigalpa. Se fosse nos tempos da Atlântida, Oscarito e Grande Otelo protagonizariam chanchada latino-americana. Os fatos se rendem às versões e as versões protagonizam fatos que transformam o presidente brasileiro ídolo popular em Honduras e em toda a América Central e do Sul, dada sua resistência, pelo discurso radical, contra o presidente interino ditatorial Michelleti. Aplica Lula o método do discurso metalúrgico, de mobilização popular, não para conquistar maiores salários, mas para derrubar governo. Tremenda saraivada de socos que estão sobrando para a oposição brasileira que entrou numa, como sempre, de louvar o acessório e esquecer o principal. A democracia, para a oposição, estaria em segundo plano, ou sob suspeita. Primeiro, Zelaya, para a oposição, não é democrata. Tentou terceiro mandato, alcançado, democraticamente, na Venezuela, Colômbia, Equador e Bolívia, porque iria colocar o assunto para consulta popular em referendo.

 

 

Falsidade democrática

 

 

o eminente jurista comparato historiou a tragédia política brasileira para demonstrar que as elites fogem da modernzação democratica

A oposição joga contra a história. Na segunda, o consagrado jurista brasileiro, Fábio Konder Comparato, comprovou isso. Deu uma aula magna, curta e grossa, de direito popular na Comissão de Constituição e Justiça, no Senado, enfocando a democracia direta, participativa, democrática, que Zelaya tenta implementar em Honduras. Demonstrou, claramente, a inexistência da democracia efetiva no Legislativo brasileiro, que atrasa, consideravelmente, a regulamentação da disposição constitucional favorável ao plebiscito e referendo no Brasil, atribuindo tal posição reacionária à resistência das carcomidas elites brasileiras à participação do povo nas grandes decisões. Talvez por isso os Michelettis brasileiros, nesse instante, reagem como o companheiro golpista de Honduras. Comparato relatou os fatos que começam desde o descobrimento em 1500. Evidenciou  panorama, mais claramente, depois da Independência, em 1822, seguindo a República, 1889, o golpe getulista de 1930, a “revolução” de 1964 etc, para chegar ao Congresso de hoje prisioneiro do pensamento colonialista. Segue este ancorado na subordinação ao capitalismo cêntrico, comportando-se como periferias capitalistas depe ndentes da poupança externa, vigiada por essas elites em forma de política econômica super-consevadora, comandadas pelos enviados dos banqueiros internacionais, como é o caso de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central.  Zelaya tentou, em Honduras , romper o cerco das elites. Lula jogou todas as suas fichas com ele, na resistência. Desestabilizou Micheletti, que parecia invulnerável. Fará o mesmo no Brasil, de agora em diante, como novo libertador sul-americano?

 

 

Desmoralização da OEA

 

 

obama entra na disputa contra lula em territorio sulamericano em desvantagem porque se manteve no meio do caminho, no muro, em relação a zelaya, adotando ambiguidade, quano o cenário não aceita os ambiguos

O titular do Planalto pesou muito mais do que a OEA na consideração política da turma golpista de Micheletti. Desmoralizada, historicamente, a OEA não conseguiu nem entrar no país, pelo menos por enquanto. Sempre alinhada às posições dos Estados Unidos, que tratam a América do Sul e a América Central como quintais norte-americanos, cuja receita política é o porrete e a corrupção, a OEA desmoralizou-se perante todos os países das Américas, excluindo os Estados Unidos, desde que apoiou o bloqueio a Cuba, em 1962. De lá para cá é só vergonha, jogando com as ditaduras.  O papel de Obama está em teste. Se não romper o bloqueio a Cuba  não terá crebilidade entre os latino-americanos. Perderá espaço para o novo libertador de Honduras, Lula, se é que as coisas se aprofundem em buraqueira revolucionária sem fim. Esse é o lance. Lula tentou , inicialmente, a ONU, pedindo intervenção. Os casos políticos resolvidos pela ONU são controversos, pois o peso dos votos para que sua decisão aconteça depende, majoritamente, dos Estados Unidos e da Europa. Agem juntos nas questões estratégicas. Haja visto o bombardeio aéreo de um avião militar inglês sobre um barco colombiano de traficantes, nessa segunda feira, a pedido da base militar americana na Colômbia. Ou seja, os irmãos do norte agem conjugamente no plano militar. Assim foi, também, na guerra das Malvinhas. E será da mesma forma relativamente a outros conflitos que pintarem. Ou não? Lula detonou o espaço politicamente apodrecido da OEA, expondo, demasiadamente, a perda de poder dos Estados Unidos, no organismo. A embaixadora dos Estados Unidos, Rice, na ONU, boicotou a proposta política de Lula de interferência do organismo em nome da paz em Honduras. Não se sabe até quando, certamente, até tudo ir para os ares. Diante da impossibilidade de alcançar uma força independente politicamente para equacionar o aprofundamento das contradições, Lula não foi na conversa da ONU contemporizadora sob voz americana e da seguidora dela,  isto é, a oposição brasileira, acompanhada, agora, de Sarney-Serra, críticos da presença de Zelaya na embaixada. Ao contrário, meteu o pé no acelerador contra os ditadores hondurenhos. Micheletti arriou, e, com ele, a diplomacia americana, na qual sequer o próprio Micheletti aceitou ao não deixar ninguém da OEA entrar até a semana passada.

 

 

Guerra diplomática

 

 

clinton-and-amorim detonam o jogo de busca de maior influencia latino-americana por parte dos estados unidos, com vitória, parcial, brasileira, dada a popularidade de lula em meio ao jogo diplomatico itamaratiano

E o povo saudou Lula nas ruas de Tegucigalpa. Lula deu o troco à embaixadora dos EUA na ONU. Com seu discurso radicalizado, passou por cima dela. Evidentemente, levantou a ira americana, na medida em que criou nova correlação de forças dentro de Honduras que prejudica os interesses americanos no país, expressos no apoio que Washington dá às elites locais, cujo perfil é Micheletti. Engrandeceu-se Lula como líder político sul-americano. Virou mais um problema ou uma solução para Obama, na sua relação com a América do Sul, cheia de petróleo e riquezas a atrair os investidores do mundo rico em escala empobrecedora na crise mundial?  Chavez deve estar vibrando, por ver Lula mais radical, mais bolivariano, mas, igualmente, pode estar com ciúmes. Lula ultrapassa ele como líder latino-americano. A diplomacia americana está dividida. Hilary Clinton, a secretária de Estado, inicialmente, aplaudiu o jogo brasileiro e fechou com Lula. Ontem, porém, o embaixador americano, na falida OEA, Lewis Ameselen, distribuiu insinuações fortes. Atacou os que teriam organizado a entrada de Zelaya, de forma irresponsável, na embaixada brasileira. Abriu guerra diplomática. O chanceler Celso Amorim desconheceu o embaixador e falou direto com Clinton, sem que se saiba, até o momento, o teor desse papo diplomático super-quente, mas teria dito que o Brasil não aceita insinuações, já que a posição brasileira é a de que age diante de fato consumado e não de fato arranjado. Enquanto isso, Lula mostrou não estar nem aí. Contratacou. Micheletti percebeu que Lula se transformou no maior inimigo político não de Honduras mas dele, ditador, do seu partido, o PL, que disputará o poder, se as eleições não forem suspensas sob estado de sítio em 29 de novembro. Como deseja que  o PL, ao qual pertence, também, Zelaya, chegue forte nas eleições, como polarizaria o ditador  com chances de vitória com o adversário mais poderoso dentro de Honduras, na atualiade, ou seja, o presidente Lula? Está nas cordas. Lula fortalece o discurso fidelista de Zelaya de botar para quebrar, convocando o povo à desobediên cia civil. Cria ambiente ambiente revolucionário em Honduras, ao levantar bandeira libertadora, vestindo representação de José Marti, de Bolívar, de Tiradentes etc.

Mídia colonizada esconde Banco do Sul

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 28-09-2009

América do Sul, Chavez, Venezuela, e África, Jacob Zuma, Africa do Sul, se unem para a libertação ecnômico financeira sulamericana e africana, passo inicial para a libertação do dominio cambial sob o dolar

A grande mídia brasileira mostrou realmente a sua essência no noticiário dessa segunda feira. Não está nem aí para a independencia econômica, política e social  sul-americana. Melhor: está, na medida em que esconde os fatos que consolidarão essa tendência histórica, no momento em que o mundo capitalista vive crise de realização do capital, como evidenciaram as decisões tomadas na reunião do Grupo dos 20, em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, semana passada. Não mereceu nenhuma atenção a noticia de criação do Banco do Sul, anunciada pelos líderes sul-americanos e africanos, na Venezuela, no final de semana. A África e a América do Sul se mexem, juntas, para se livrarem da escravidão financeira do desenvolvimento sul-americano e africano dependente de poupança externa, historicamente, responsável pelo aprofundamento da dependência. E a grande mídia nem aí. Claro, não interessa aos seus poderosos anunciantes, os banqueiros privados, que essa informação circule e gere debates. O Banco do Sul captará recursos internos e externos, para dispor de liquidez capaz de emprestar a juro baixo, graças à garantia disponível do potencial sul-americano, que, nesse momento, desperta antenção mundial. Com um capital inicial de 20 bilhões de dólares, o primeiro banco sul-americano tem propósitos avançados. Reunirá, evidentemente, as poupanças sul-americanas e internacionais, para que sejam emprestadas aos sul-americanos. Abre-se a possibilidade de que a dependência externa da América do Sul comece a ser revertida. Afinal, se todos os países da América do Sul decidirem depositar suas reservas, ou dar elas como garantia para o desenvolvimento da infra-estrutura continental, evidentemente, haverá o segundo passo decisivo, ou seja, a criação da moeda sul-americana. Os sul-americanos e os africanos se libertariam da senhoriagem do dólar em crescente desvalorização, no compasso da banc arrota financeira. O lastro da moeda sul-americana é poderoso. São riquezas reais, não ficção monetária, em que se transformou a moeda americana, exposta aos desgastes dos deficits fantásticos de Tio Sam. Petróleo, energia, terra, alimentos, biodiversidade, base industrial forte, minérios, classe trabalhadora em escalada de organização sindical e política etc, capaz de mobilizar-se pela distribuição da renda, que vai aumentar o poder do mercado intern etc – tais riquezas têm poder de atração extraordinária, quando os capitalistas, no Norte, estão sem onde investir porque onde estavam ganhando dinheiro, na especulação, as oportunidades se evaporaram. Os empresários dos países desenvolvidos, onde as possibilidades de investimentos em infra-estrutura inexistem, visto que eles estão formados, historicamente, vêem a América do Sul como o novo Eldorado econômico-financeiro. Mega-investidores globais, como Warren Buffett, recomendam aos aplicadores nos fundos de investimentos que não façam outra coisa, senão jogar suas reservas no potencial dos emergentes, com destaque para os países sul-americanos.Os comandados de Buffett recusariam papéis e ações do Banco do Sul, cujo lastro é riqueza material incomensurável, ou acreditariam no Citybank, que está quebrado no colo de Obama, comandante do lastro fictício? O que a grande mídia está querendo senão desinformar e desacreditar os brasileiros e sul-americanos em sua própria potencialidade. Quer que a América do Sul e África continuem como potentes cavalos que não conhecem sua força, sendo, portanto, facilmente manejados pelo cabresto dos editoriais super-conservadores, como o do Globo, no domingo, configurando a verdadeira voz da dependência.

 

 

Moeda sul-americana à vista

 

 

Argentina , Brasil e Bolívia , mediadfos pelo Banco do Sul, poderão jogar com o comercio bilateral sem a pressão do dólar, abrindo-se à moeda sulamericana que está à vista

O maior empresário da América do Sul, no momento, Eike Batista, filho de Eliezer Batista, o maior conhecedor da geopolítica-estratégica-continental sul-americana, criador da Companhia Vale do Rio Doce, entende ser o continente sul-americano, especialmente, o Brasil o celeiro da nova riqueza global. Por isso, investe tudo que tem por aqui, enquanto desdenha possibilidades de promissoras oportunidades em outras partes do mundo. Como ele, outros vão pelo mesmo caminho, todos sob o olhar dos chineses, que estão apostando firme neles.

Com a emergência do Banco do Sul, um BNDES sul-americano, do qual, por exemplo, ressente o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para ajudar os isteites a sair do abismo econômico em que se encontram, não apenas os sul-americanos se disporão a jogar suas reservas na nova instituição financeira. Outros aplicadores estarão disponíveis para fazer o mesmo. O dólar quente candidato à desvalorização pode se transformar em infra-estrutura via emprestimos captados pelo Banco do Sul, que, claro, vai pagar barato pela captação de um ativo fragilizado, isto é, o dólar. Se está sobrando, porque tem que pagar caro?

Detentores de mais de 2 trilhões de dólares, que amealharam quando a divisão internacional do trabalho permitia que os Estados Unidos puxassem a demanda global mediante deficits comerciais e fiscais em troca de superavits financeiros obtidos com a senhoriagem exercida pelo dólar, outrora poderoso, os chineses, sem a possibilidade de continuarem realizando sua produção exportadora no consumismo americano, que se evaporou na bancarrota financeira, habilitam-se, fortemente, a transferir sua poupança para a América do Sul.

Botarão a grana onde senão no  Banco do Sul, claro, instrumento financeiro da visão sul-americana. É algo para além do Estado nacional.

O Oriente está de olho no novo rico do Ocidente. Quanto mais dólar chinês entrar para atacar a infra-estrutura e a base econômica como um todo, mais tenderão a reciclar capitais com o Banco do Sul.

Seria a forma de valorizar seu próprio investimento na América do Sul, tendo como operador agente financeiro sul-americano. Ou dariam tiro no pé para inviabilizar relação com o novo Estado financeiro sul-americano?

 

 

Confiança na força sul-americana-africana

 

 

warren, santo de fora, ao contrário dos santos de casa, acredita no potencial sul-americano, desdenhado pela grande mídia conservadoraeike batista desfez-se dos seus negócios em outras partes do mundo para acreditar no potencial brasileiro no qual seu pai, eliezer o despertou para valerEike  Batista, de grande visão empresarial, não deixa a peteca cair. Está de braços dados com os chineses, como acontece com outros grandes empresários sul-americanos, na Argentina, Chile, Venezuela, México, Bolivia etc. Trata-se de onda irresistível de atração de capitais. Estes pegarão o Banco do Sul como veículo a ser o pioneiro na configuração e operação de grandes aplicações financeiras no continente, voltando-se para a sua concretização econômica no território sul-americano, onde tudo está por fazer. Os aplicadores internacionais já estão de olho no Banco do Sul. Os 20 bilhões de dólares iniciais poderão alavancar empréstimos de 200 bilhões, numa primeira etapa.

Papéis sul-americanos poderão ser lançados na praça global, para captar investimentos. Se os grandes capitalistas europeus, americanos, chineses, japoneses estão acreditando na nova fronteira do capitalismo, aberta na América do Sul, dado seu potencial formado de base industrial competente mais matéria prima abundante, que reduz custos internacionais de transportes, por que os brasileiros e sul-americanos não acreditariam nas suas próprias vantagens comparativas?

Somente a grande imprensa, subordinada ao capital externo, porta-voz dos bancos que já apostam no juro alto futuro construindo inflação por antecipação, para 2010,  mantém-se com os olhos fechados para a nova novidade. Está a fazer, como diria o presidente do STF, Gilmar Mendes, em seu portugues castiço, o serviço que os seus patrões proclamam, ou seja, difundir a idéia negativa capaz de evitar a auto-estima sul-americana. Trabalham para minimizar motivações sul-americanas nacionalistas-socialistas. Dividiriam, permanentemente, dessa forma os sul-americanos em torno da sua própria riqueza.

Nenhum grande jornal brasileiro deu a informação em primeira página. O Bom Dia Brasil, da Globo, ignorou. A comentarista de economia, Miriam Leitão, não disse nada, sequer compareceu. Os sitios do Estado de São Paulo, do Globo e da Folha, nessa segunda, estão, pelo menos na primeira hora, sem nenhuma informação. Os noticiários econômicos internos desconhecem a novidade. A Folha de São Paulo colocou, no caderno de economia, a criação do Banco do Sul como a última informação a ser dada aos seus leitores. O Estado de São Paulo não deu uma linha. Idem o Globo. Até o jornal Valor Econômico, a bíblia do jornalismo econômico nacional, ficou na muda. Boicote geral.

Por que? O distanciamento da grande imprensa de fatos que interessam aos sul-americanos comprova o óbvio: tal informação é contrária aos interessas dessa grandeza menor que é a mídia privada nacional, cujo aposta maior é contra o intesse nacional e sul-americano.

Zelaya veste Fidel, Ortega etc

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 27-09-2009

castro-ortega v ão se tornando exemplo para Zelaya que não tem mais espaço na democracia representativa de honduras, restandoo-lhe a resistência fidelista e orteguista etcsem espaço na democracia representativa, zelaya fica entre o povo, a essência, e a representação parlamentar falsa que implodiu no golpe de micheletti, jogando com o povo

Zelaya está sendo empurrado para frente pela história. Não pode mais estar no partido que o levou à presidência, pois quem manda nessa agremiação, agora, é Micheletti, que o depôs, ancorado na Constituição, segundo a leitura da corte constitucional hondurenha. Como voltaria ao poder para comandar partido golpista? As bases do Partido Liberal(PL) jogaram a democracia no abismo. Negaram o processo democrático. Deixaram  de ser representação democrática, de acordo com o direito burguês. Agiram em nome da Constituição, estruprando a Constituição. Se Zelaya volta para o PL, estaria dizendo sim aos métodos que foram usados contra ele, presidente deposto. O partido não merece mais Zelaya. Seu vínculo com o passado foi aos ares. Teria que se abrigar em outra corrente política. Qual senão uma que prega a destruição de quem destruiu a democracia em sua regra fundamental de sustentar-se por meio de representatividade partidária balizada pelo voto popular? Se a derrubada de Zelaya foi patrocinada por uma pretensa representatividade política que se revela golpista , sobra ao presidente deposto negar tal representatividade, caso deseje ser considerado líder político autêntico. 

Entre elite e povo

As massas darão a palavra final ou se renderão às elites por falta de lideranças políticas?

Ele ficou entre manter-se fiel à falsa representatividade que negou o processo democrático e o destituiu ou alinhar-se ao representado enganado pelos falsos valores democráticos, ou seja, o povo. A representatividade ficou de um lado; o povo, de outro. A essência, o povo, separou-se da aparência, modelo representativo corrupto. Aparência e essência entraram em choque violento em Honduras. Zelaya ficaria com a aparência ou com a essência? A sua voz de comando pela desobediência civil, a partir do momento em que percebeu impossibilidade de diálogo político com Micheletti, seu ex-colega de PL, representa opção revolucionária. Caminha para outro desdobramento do processo, chamando o povo para defender suas conquistas democráticas ou deixar-se levar pelos moldes dos golpistas. Apela para o sentimento de resistência popular, como forma de repudiá-los, nas ruas.  Vai na linha de Fidel Castro. Vale dizer, os golpisas empuram Zelaya para novas circunstâncias, que somente se fixarão se o alvo do presidente deposto for, realmente, o de mudar de representação política, repudiando sua classe, a burguesa, e abraçando a nova classe, o povo, socialmente, excluído pelo processo econômico e político burguês, da falsa representatividade parlamentar golpista. Zelaya não pode mais ficar na aparência, pois foi expulso das suas fileiras por Micheletti. Sobra a essência que se distância do aparente ficcional, para tentar alcançar  nova representação, concreta, amparada no povo. A representação golpista cuja aparência foi revelada e desmoralizada , como pressuposto democrático, não serve mais para a essência popular, que se encontra diante de uma enganação à qual estava subordinada até à implosão do Partido Liberal. Dentro dele, abrigavam, antes do golpe, Zelaya e Micheletti. Se Zelaya não nega a aparência, Micheletti, confunde-se com ela e se distancia da essência, o povo. As divergências no jogo do poder impediram que houvesse avanço democrático para balizar novo regime, do seu aspecto meramente representantivo para o participativo,  dado pela consulta popular antecipada, em nome da democracia direta, prevista nas constituições avançadas. O povo do abismo, isto é, o bicho, como denomina as massas o grande escritor americano socialista Jack London, pode pegar.

 

 

Contradição entre essência e aparência

 

 

fhc foi anti-democrata ao propor a reeleição sem consulta popular, mas por golpe parlamentar. Seria detonado por Michelettimicheleti derrubaria fhc com muito mais razão do que derrubou zelaya, pois a proposta aprovada por fhc foi antidemocrática, sem consulta popular, enquanto a de zelaya visava o aval do povo via plebiscito

 

 

 

 

 

 

 

 

Os hondurenhos, de acordo com essa proposta de avanço democrático qualitativo, possibilitada pelo referendo plebiscitário, foram mais respeitados que os brasileiros, na Era FHC , quando a Constituição de 1988, foi desrespeitada, à custa de grossa corrupção parlamentar, sem nenhuma consulta popular. Não teve um Zelaya, no tempo de FHC, para virar o barco, com proposta democrática mais ousada, que fosse deposto, por algum Micheletti tucano, por denunciar a farsa.

Teórica e praticamente,  já fora antecipada, historicamente, no Brasil, na Era FHC, a dissociação entre aparência, jogo democrático partidário burguês(desde o tempo de Napeleão, depois da revolução de 1789), e essência, o povo, representado pela farsa que, agora, se rasga, em Honduras.

A elite brasileira é muito mais brutal do que a hondurenha, pela medição da história, na sua relação com o povo.

Nesse contexto, os advogados, orientadores das cabeças que fazem as colunas na grande mídia, entram em campo para dar aula de direito constitucional. Dão razão a Napoleão que disse serem os advogados os profissionais que traçam a lei de acordo com as ordens emanadas dos palácios, vencedores das batalhas e das guerras.

O código napoleônico é a aula magna do poder liberal burguês que derrotou a monarquia e passou a cobrar senhoriagem dos reis derrotados, sob corrupção dos Talleyrand da democracia burguesa ocidental em todo o século 18 e seguintes.

Os porões do poder representantivo burguês na América Latina são a undécima versão de Napoleão que se degenerou, historicamente, especialmente, nas periferias capitalistas, dependentes da poupança externa, escrava dos juros compostos.

Nelas, na grande crise capitalista em curso, com os bancos poderosos quebrados no colo do Estado, está em risco a continuidade do espírito(napoleônico) burguês, expresso em falso poder representantivo parlamentar, cuja contradição tende a implodir no compasso da ba ncarrota financeira global.  A emergência do G-20 é prenúncio de novo tempo, parteiro de uma nova história.

O poder burguês, com sua corte de puxa-sacos, vê o jogo político representativo como massa de manobra para atender os interesses dos grupos econômicos poderosos comandantes do capital, que, na crise, balança, porque o instrumento básico que estava permitindo a sua reprodução, a especulação, dançou.

Nos parlamentos, caminha para ficar em xeque tal poder, que traça  sua estratégia de obtenção e expansão de poder para controlar os antagonismos que o processo de acumulação desenfreada do capital produz em termos de exclusão social. Torna-se indispensável, portanto, que a representação do poder burgues nos parlamentos sirva para encobrir as reais causas da exclusão.

 

 

Ser ou não ser?

 

 

shakespeare recebe nova adaptação em Honduras sob Zelaya deposto

Mas, o que fazer quando a própria representação se rebenta por dentro? Os impérios não caem de fora para dentro, mas de dentro para fora. Roma é o exemplo maior.

Zelaya, com sua proposta de expansão da democracia participativa em Honduras, não coube mais no molde do Partido Liberal, da democracia meramente representiva hondurenha, dentro da qual disputava espaço com Micheletti e os golpistas. Estes não suportaram maiores aberturas à modernização do poder burguês, dominado pelas ordens de Washington, fomentador dos interesses que visam a exploração do petróleo no país por parte das multinacionais americanas.

Tudo fica ainda mais excitado politicamente, sabendo que a grande crise neoliberal, que estourou a praça financeira global, sinaliza mudanças qualitativas no contexto de nova divisão internacional do trabalho a ser ditada pelo G-20, fórum maior, que ultrapassou, formalmente, o G-8, grupo de países ricos, agora, relativamente, empobrecidos, sem bala cambial para comandar a senhoriagem global, visto que o dólar perdeu seu elãn.

A nova dinâmica em curso balança de alto a baixo o poder burguês meramente representativo, transformado em fonte de inspirações de golpes políticos, sustentados pelo interesse do capital, que, na crise, perde sua potencialidade e, naturalmente, passa a agir violentamente às propostas de renovação política.

Zelaya, diante da conjuntura em ebulição, detonado pelo seu partido, consciente de que a farsa democrática hondurenha não será mais o caminho pelo qual poderá voltar ao poder democraticamente alcançado pelas regras falsamente democraticas que foram aos ares , veste o discurso de Fidel Castro.

Suas palavras de ordem voltadas para mobilização popular, a partir desse final de semana, enquanto se encontra abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, demonstram que o seu novo partido é a revolução popular.

A posição do governo Lula, diante do discurso revolucionário fidelista, orteguista etc, em meio ao desdobramento da crise,  torna-se mais delicada.

Se tentar calar Zelaya, impedindo sua pregação, colherá repúdio popular latino-americano; se concordar, estará estimulando a revolução; se ficar em cima do muro, coloca Zelaya em perigo por se render a Micheletti.

A correnteza da história latino-americana engrossa extraordinariamente no ambiente da bancarrot financeira global, que detona o poder representativo burguês anti-popular. 

Ser ou não ser: Zelaya vira personagem latino-americano shakespeariano.

 

 

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 marco-antonio visiualizou o impasse de zelaya e o chamento histórico a que terá que cumprir se não quiser se desmoralizarDedico este artigo ao arguto jornalista Marco Antônio Pontes que disse, no Jornal da Comunidade, coluna Comunicação & Problemas, não haver saída outra para Zelaya senão rasgar a fantasia e ir em busca da verdadeira essencia social, o povo, como aconteceu com Fidel, Ortega etc. Nada como um grande pauteiro para conduzir os repórteres em busca de ângulos novos por conta dos desdobramentos dos fatos. É a arte dos mestres de acompanhar, criticamente, a expansão dos acontecimentos, enfim, do universo, como destacam os físicos visionários.

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Indiscrição chavista desmonta discurso lulista

Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 26-09-2009

Ficaram constrangedoras as relações entre Brasil e Venezuela depois que Chavez descreveu como rolou a chegada de Zelaya a Honduras, para abrigar-se na embaixada brasileira, com possível não aviso ao Itamarati

Indiscutivelmente, os presidentes Lula e Chavez trabalharam para o fortalecimento da democracia em Honduras ao agirem diplomaticamente em favor do presidente deposto. Os advogados que estão analisando a Constituição de Honduras, para concluirem que o presidente Manuel Zelaya atuou inconstitucionalmente, ao tentar emplacar terceiro mandato sob plebiscito, fazem a cabeça dos analistas da grande imprensa. Não consideram tais advogados que a última palavra em direito político é dada pela decisão popular, como já dizia Napoleão Bonaparte, o pai do direito positivo burguês inscrito no código napoleônico. Assim, não se pode concluir que Zelaya seja o anti-democrata antes que houvesse o veredito da sociedade hondurenha sobre a proposta que fez e pela qual pagou com o seu mandato, expropriado pelos golpistas. Esquecem os analistas políticos, no fervor da crise política em Honduras, na qual o governo brasileiro está no olho do furacão, que a legitimidade do terceiro mandato não seria obtida antes de referendo eleitoral, mas, seria, sim, alcançada, se houvesse a concordância popular, que não chegou a ocorrer. Vale dizer, configuraria algo democrático, contrariamente, ao que ocorreu, por exemplo, no Brasil, na Era FHC, em que a proposta de reeleição não foi a referendo. O governo se limitou a angariar apoio parlamentar a custa de corrupção, conforme denúncias que emergiram em profusão, na ocasião, 1998. Rolou no Brasil situação pior do que a que rola em Honduras. Na oportunidade, a grande mídia, hoje, acusando reeleição possível em Honduras, com apoio popular, via referendo plebiscitário, de golpe, não viu a mesma coisa na manobra dos tucanos. Ao contrário, cantaram gloriosos. A reeleição, descartada pela Constituição, seria democrática, a exemplo do apresentado em diversos países democráticos desenvolvidos. Dois pesos , duas medidas. Qualificadas as situações políticas, num caso e noutro, o governo brasileiro e o governo v enezuelano teriam como motivo para a ação política em favor de Zelaya uma causa substantiva, a restauração democrática em Honduras, ajudando o presidente eleito. O que ficou vulnerável foi a condução do problema, ou seja, a forma de contribuir para que Zelaya voltasse ao seu pais, depois de um périplo pelos países latino-americano e norte-americano em defesa da sua posição de democrata expropriado por golpe de estado (in)constitucional.

Relações estremecidas ou revigoradas?

 zelaya-no-muro. chegou a hora de agir, do contrário se desmoralizará por falta de suficiente força de liderança

Ficaram desconfortáveis as relações diplomáticas entre os presidentes Lula e Chavez, depois que o titular do poder venezuelanao detalhou o plano que traçou com o presidente deposto hondurenho Manuel Zelaya, para chegar a Honduras e abrigar-se na embaixada do Brasil. Teria Chavez avisado a diplomacia brasileira ou não? Se avisou, o titular do Planalto compactuou-se com o Plano Chavez-Zelaya, que, na verdade, seria o Plano Lula-Chavez-Zelaya. Se não avisou, desrespeitou o governo brasileiro. Seria improvável que a hipótese de abrigar-se na embaixada brasileira não tenha sido racionalmente considerada por Zelaya-Chavez. Ou tal decisão foi tomada de afogadilho por Zelaya, um profissional da política, até sem o conhecimento de Chavez-Lula? Para o presidente Lula, tremenda facada. O ministro Celso Amorim tenta sair com o argumento do fato consumado em cima da diplomacia brasileira. Consumado ou arranjado? Chavez, pelo que denota, falou demais e acabou, como no ditado antigo, dando bom dia a cavalo. O resultado final acaba fazendo o jogo dos que trabalham para ver os latino-americanos permanentemente divididos, a fim de que continuem sendo manipulados pelo capital externo, que dá as cartas nos governos da região. Já Zelaya, como destaca o jornalista Marco Antônio Pontes, no Jornal da Comunidade, tem que ir à luta, para conduzir o povo que o apoiou, como fizeram Fidel Castro, em Cuba, e Ortega, na Nicarágua. Essa tarefa se tornou indispensável, especialmente, depois que Micheletti garantiu que poderia deixar a embaixada que não seria preso. Dá para acreditar no ditador? Se quiser continuar dentro estará fugindo do embate político em seus desdobramentos capitais.  Mas, isso parece que já está mudando com a radicalização em marcha.

Amorim corre perigo

rice contraiou amorim ao considerar prematura ação da onu na escala e intensidade reivindicda pelo brasil para agir em honduras, antes de negociação via oea

Nesse contexto, o chanceler Celso Amorim, que, na primeira hora, não encaminhou embaixador especial a Tegucigalpa, para conduzir o impasse a eventual superação, estaria sob fogo cerrado por parte dos adversários que aprofundam o caráter de ação secreta que haveria sido materializado.

O perigo que corre o titular do Itamarati acentuou-se, ainda mais, na divergência que surgiu entre ele e a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, no momento em que pediu ação mais decisiva da entidade internacional na crise de Honduras.

Enfatizou a necessidade de alcançar essa instância com mais vigor do que a defesa de que tal papel coubesse, essencialmente, à OEA, historicamente, dominada pelo ponto de vista emanado de Washington, do qual tem discordado a diplomacia brasileira.

Pela ONU, ocorreria uma mobilização política mais abrangente. A OEA deixou de ter papel determinante, na medida em que se desmoralizou em face da subserviência dela à diplomacia norte-americana, ao longo de toda a sua existência.

Amorim, subrepticiamente, desdenhou a OEA para dar preferência à ONU, razão pela qual entrou em choque com a diplomatica de Washington.

O governo americano desconsiderou a proposta de dar amplitude excessiva à questão política em Honduras, antes da hora.

Honduras ganharia, pela visão de Washington, status semelhante às questões controversas e explosivas relacionadas às pressões dos países ricos sobre o Irã, desejoso de ter sua bomba atômica, para se proteger de Israel, armado pelos americanos.

As apostas de Washington são contra às de Amorim, nesse instante. Os americanos vão esperar até à próxima semana, quando a OEA , que sempre obedeceu à Casa Branca, entrará em ação, a fim de buscar conciliação entre Micheletti e Zelay

Radicalização total

hilary-inzulsa-e-arias tentarão na prozima semana conciliação entre micheletti e zelaya, mas pode não dar certo

Por enquanto, os golpistas não querem papo, pelo que informaram os candidatos dos partidos em disputa eleitoral que foram à embaixada brasileira e ao palácio presidencial buscar entendimentos entre as duas partes politicamente antagonizadas às vésperas da eleição em 29 de novembro.

Zelaya quer diálogo, se for para voltar à cadeira de presidente, de onde foi ejetado. Micheletti aceita o diálogo, mas mantendo-se onde está, no poder interino, com aval da Suprema Corte. Mais, Zelaya teria, segundo Micheletti, que concordar com as regras eleitorais fixadas pelo governo golpista para o pleito. Tremenda camisa de força.

 A OEA seria capaz de conduzir o processo político conciliatório, ou essa tarefa somente poderia ser levada adiante pela ONU, como aconteceu relativamente ao Timor Leste, em que os capacetes azuis mediaram o processo de mudança, para assegurar a independencia, com eleições, sobre o colonizador governo indonesiano?

O chanceler brasileiro joga na radicalização para que a ONU seja instada a fazer o serviço, dada a fragilidade da OEA, para alcançar esse objetivo, de conciliar partes inconciliáveis.

Os Estados Unidos contrapõem: teria que haver o desfecho por intermédio da OEA, primeiro; a ONU, só em último caso.

A diplomacia brasileira teria que ter paciência e apostar para que suas expectativas sejam concretizadas no plano mais largo da ONU.

Os adversários da diplomacia de esquerda brasileira torcem para que tudo dê errado para ela.

O tom de galhofa de Chavez, confessando sua façanha, colocou Lula-Amorim em saia justa. Vale dizer, o galhofeiro daria razão ao presidente golpista Roberto Micheletti de que o Brasil pode ser o responsável pelos distúrbios sociais em Honduras.

De qualquer forma, Micheletti já construiu o seu bode expiatório, tanto para o público interno como para o externo.

A diplomacia brasileira somente ficaria a salvo das maledicências gerais, se realmente, tudo tenha ocorrido sem o conhecimento do governo brasileiro, com Zelaya atuando por conta própria. Mas, depois da indiscrição de Chavez, em falar sobre a criação de fato consumado em cima do Brasil, como não desconfiar da situação oposta, a do fato construido?

O clima , indiscutivelmente, passa a ser de constrangimento entre Lula e Chavez, pelo menos por enquanto.

 

 

 

 

Ensaio geral de governo mundial

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 25-09-2009

onu, novo palco da articulação global, para evitar que a humanidade vá de novo ao confronto internacional suicida

A crise política em Honduras , a reunião da ONU em Nova York  e o encontro do G-20 em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, durante a semana, demonstram , à larga, que os conflitos políticos, econômicos e sociais, expressos em escala global, de forma mais intensa, depois da bancarrota financeira internacional, levando de roldão as  economias americana e européia, contaminando geral os demais países, conduzem o esforço dos líderes mundias  em torno de consensos, para acomodar antagonismos ideológicos. Trata-se de acelerar entendimentos, para superar dissensos, como forma de salvação da humanidade, pois todos estão no mesmo barco, à deriva.  A Organização das Nações Unidas vai se destacando como o centro internacional de articulação, cujas consequências são a formulação de governo global, de modo a conduzir o multilateralismo, depois que o unilateralismo norte-americano foi aos ares.

 

Lula, Chavez e Amorim articularam juntos?

 

 

lula-chavez-e-amorim teriam articulado a manobra que permitiu zelaya abrigar-se na embaixada brasileira, criando tremenda kizumba diplomática?

Em Honduras, a controvertida chegada do presidente deposto Manuel Zelaya ao país, entrando, com mais de 300 correliginários, na embaixada brasileira, depois de períplo de 15 horas, plenamente, sob conhecimento do presidente da Venezuela, Hugo C havez, que emprestou avião para deslocamento até Nicarágua e El Salvador, desatou negociações globais antes inimaginável, no ambiente da ONU, onde, durante o ocorrido, os integrantes discutiam a questão ambiental.

O governo hondurenho golpista de Roberto Micheletti ficou perdido. Foi pego de surpresa pela armação, que, como se cogita, teria sido realizada com conhecimento não apenas do presidente Chavez, mas, também, do presidente Lula, que negou, peremptoriamente, tal acusação, embora tenha adotado comportamento laxista, de modo a permitir Zelaya, de dentro da embaixada, articular politicamente com seus aliados, a fim de levar adiante sua proposta de diálogo. Se o presidente Lula jogou estrategicamente com Chavez não se sabe e seria pura especulação, mas as evidências do conforto e liberdade de Zelaya, no território brasileiro, dentro de Honduras, causou mal estar. As pressões, nesse sentido, serviram para o titular do Planalto recomendar ao presidente deposto hondurenho que não fizesse do lugar onde se encontra palanque político, para tentar voltar ao poder. Debalde. Zelaya se mostrou em casa.
Não teria sido, entretanto, o jogo , possivelmente, armado entre Chavez e Lula, o determinante, para balançar Micheletti, mas sim a coordenação dos governantes, que se encontravam na ONU, quando Zelaya entrou na embaixada, na terça, 22. Unanimemente, condenaram o golpe, exigiram a volta do presidente constitucionalmente eleito ao poder e bateram palmas para a ação diplomática humanitária brasileira de permitir a Zelaya abrigar-se na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, como registrou o editorial do jornal El País.
 
O que antes estava difícil de ocorrer, ou seja, a flexibilização política dos golpistas, depois da entrada do presidente deposto na embaixada, passou a desenvolver-se por força de intensas pressões, que, naturalmente, se desenrolarão ao longo desse final de semana. Micheletti, que acusou Zelaya de tentar golpe na Constituição, fixando, por plebiscito novo mandato presidencial, à moda venezuelana e colombiana, não poderia resistir brutalmente, porque haverá eleições em 29 de novembro no país, e democracia eleitoral não combina com porrete. O pleito , no entanto, não está, totalmente, seguro, podendo o calendário eleitoral sofrer acidente de percurso, a menos que a política vença a força, por intermédio da OEA ou da ONU.

 

 

EUA se rendem à ONU

 

 

Obama deu a nova palavra de ordem americana, ou seja, nada de unilateralismo, mas multilateralismo

Desarmamento nuclear, paz e segurança, meio ambiente e economia global foram os temas que emergiram forte, na reunião da Organização das Nações Unidas, na quarta, 23, com todos os integrantes demonstrando o novo espírito da entidade como protagonista político dos novos acontecimentos e dos novos rumos que a humanidade, perdida na crise econômica, busca para evitar novo confronto ou terceira guerra mundial. O presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, ao ressaltar que o unilateralismo político americano já era, dando lugar ao novo contexto do multilateralismo, demonstra que esgotou o poderio de Tio Sam de ditar a ordem dos acontecimentos, pois o poder do dólar bichou e os deficits americanos não suportam mais puxar a demanda econômica global, sob pena de implosão do império.
O discurso obamista enterra de vez a arrogância americana, expressa na Era Bush, que chegou a classificar a ONU como desnecessária, na vã esperança de que o poder financeiro dos Estados Unidos seria eterno. As oscilações do dólar, que deixa no ar sua impossibilidade de continuar sendo, por mais tempo, a moeda equivalente universal nas relações de trocas internacionais, levou Tio Sam a moderar seu discurso de dominação internacional. A economia de guerra, que puxou o poderio imperial americano, depois da segunda guerra mundial, mediante o super-dólar, esgotou suas possibilidades de ampliação ad infinitum, em face da impossibilidade do tesouro americano continuar se endividando, na escala em que se deu logo depois da bancarrota financeira, em outubro do ano passado.
Baleado financeiramente, o governo Obama põe fim ao ímpeto armamentista. Com isso, flexibilizou posição radicalizada do seu principal adversário , ao longo do século 20, a Rússia, condescendente com as políticas armamentistas dos países do golfo pérsico, para se defenderem de Israel, armado pelos EUA,  como são os casos do Irã, determinado a alcançar a bomba atômica, e da Coréia do Norte, que, depois que detonou armas nucleares, passou a merecer mais respeito do império americano.
A política de paz e segurança, anunciada por Obama, acompanha, por sua vez, a proposta global de política de meio ambiente, voltada para redução de 25% das emissões de carbono sobre o limite alcançado em 1990, sob pena de levar o mundo ao desequilíbrio ecológico. O fim ou o princípio do fim da economia de guerra , bem com a bancarrota econômic a global , decorrente, por sua vez, do colapso econômico guerreiro desestabilzador da sustentabilidade ambiental, contribuem, paulatinamente, por sua vez, de forma decisiva, para um novo olhar da humanidade sobre seu próprio comportamento.
O individualismo e o super-consumismo, que levaram a economia ou foram levados por ela, para o buraco, na busca do lucro, abrem-se a um novo paradigma. A era do não-consumismo, do aumento da poupança, já que as famílias, nos países ricos, estão endividadas em excesso, contribui, fortemente, para aliviar a pressão sobre a terra, que estava sendo sucateada pelo lucro a qualquer custo. Nesse sentido, a estrutura produtiva e ocupacional, espalhada, globalmente, para consumir os insumos naturais, de forma irracional, tem que buscar outra alternativa, especialmente, no campo energético.
Daí os cientistas, economistas, políticos, sociólogos , antropólogos etc destacarem que a nova fronteira industrial se abre para as energias alternativas, sendo a principal delas a energia solar, que, no Brasil, tem grande futuro, com destaca o físico nacionalista Bautista Vidal, um dos criadores do Proálcool, na década de 1970. O governo americano promete, nos próximos dez anos, investir na mudança da base energética, justamente, no momento, em que as reservas petrolíferas brasileiras do pré-sal criam o ambiente de otimismo e de poder na Era Lula.

 

 

Novo poder econômico global

 

 

g20, novo centro das decisões internacionais, no qual o Brasil passa a ter posição destacada

O G-8 foi, historicamente, ultrapassado na grande crise financeira global. Os países outrora ricos e todo-poderosos – Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra, Japão, Canadá, Itália e Rússia – continuam fortes, mas o seu clube deixou de ser representativo para dar as cartas no Fundo Monetário Internacional. Transformaram-se de poder absoluto em poder absolutamente relativo. A bancarrota financeira, que destruiu o sistema financeiro, tornando-o refém dos governos, sob pena de irem aos ares, fez emergir novos sócios, para ampliar novo poder, o G-20, no âmbito do qual se destacam, agora, a China, o Brasil, a Índia e a Rússia, que ficava como prima pobre do G-8, fazendo figuração.
 
Nesse final de semana, em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, os novos líderes mundiais vão se sentar para debater pauta imensa, mas cujo tema central é o de colocar freio e regulamentação no sistema financeiro internacional. O laxismo excessivo dos países ricos, relativamente ao comportamento dos bancos, representou a causa principal da desestruturação econômica global.
 
O capital sobreacumulado, que, sob capitalismo, encontrara seus limites na produção e no consumo, havia passado das medidas, para continuar a sobreacumulação, graças à condescendência dos governos dos países ricos, permitindo a especulação desenfreada e irracional. Agiram irresponsavelmente. Agora, são obrigados a abrirem espaço, nas instituições que criaram, como o FMI e Banco Mundial, porque seu poder financeiro esgotou-se na era especulativa. São obrigados a darem passagem aos emergentes. Brasil, Índia, China e Rússia, detentores de novo poder financeiro, também, darão as cartas, sendo a principal delas a reivindicação de mandarem mais no FMI, em termos proporcionais, na medida em que os mais ricos passem a mandar, proporcionalmente, menos.
 
Vai dar certo? Se continuar o status quo vigente até antes da crise, a receita é novo fracasso, pois os bancos estão quebrados. Se houver abertura nova para os emergentes, a correlação de forças obrigará aos países ricos a se submeterem às mesmas orientações que antes recomendavam aos países pobres, mas que para si mesmos não valiam, visto que não as cumpriam. Os Estados Unidos aceitarão o FMI, sob coordenação do G-8, ditar a eles políticas fiscais contracionistas, como recomendavam ao Brasil e emergentes, em geral, nos anos de 1980, sob coordenação do Consenso de Washington?
 
A ONU, nesse sentido, passa a ser o alvo de todos, para, no âmbito dela, ser possível alcançar o consenso. A realização consensual de novas estratégias, por sua vez, representaria sinalização de que o unilateralismo dos ricos dá lugar ao multilateralismo, que antes era rechaçado.
 
O século 21 vai adquirindo seu perfil característico, decorrente da inevitável integração global multilateral, que se configura intermédio de ensaio geral de governo mundial, especialmente, se a moeda americana continuar se desvalorizando, colocando os países predispostos a uma política protecionista suicida.