Economia política dita maracutaia sucessória

Ontem eles condenaram Sarney; hoje se unem para salvar Sarney, em meio a uma conjuntura em que a economia política passa por cima da política econômica para tentar salvar o capitalismo da bancarrota neoliberal

O colapso econômico do setor privado, em escala global, em decorrência da excessiva alavancagem do crédito, gerado na especulação, especialmente, nos Estados Unidos e Europa, responsáveis maiores pela dinâmica capitalista mundial, até outubro de 2008, colocou o Estado no centro da política econômica para revertê-la em economia política estatal em plena sucessão presidencial no Brasil. Como o Estado é produto da correlação de forças políticas, o enfraquecimento relativo do setor privado, que determinava as ações prioritárias  do governo em relação aos interesses dele, comparado aos das classes sociais antagônicas dos trabalhadores, que estão ficando desempregados,  no calor da desaceleração deflacionária da produção, gera o fortalecimento político estatal como contrapartida dialética. Ganha dimensão política extraordinária o comandante do Estado, o presidente da República, como árbitro político que administra centralizadamente a economia. Os poderes da República são abalados pela força presidencial emergente que vai distribuindo favores, maracutaias e anti-éticas por todos os lados, evidenciando democracia de fachada tocada por medidas provisórias em nome da governabilidade.
 
A força não está mais no setor privado, mas no próprio Estado, que dispõe de moeda própria – os títulos que ele troca por moeda – , fictícia. A política econômica, que estava animando a concentração da renda em mãos do setor privado, vira, em parte, de posição e obriga o governo a agir políticamente, abandonando as prioridades anteriores, expressas na  política econômica, para adotar o seu inverso, a economia política. O dinheiro estatal inflacionário – cuja inflação é disfarçada em dívida pública em expansão – é a grande  força econômica estatal, mas pode ser , também, a maldição, porque os limites de endividamento do Estado  se tornaram estreitos, dado que a grande crise financeira já pegou ele excessivamente endividado, em todos quadrantes do mundo.

A força da economia americana, por exemplo, diminuiu porque a Casa Branca não tem mais credibilidade infinita, para jogar papéis públicos  na praça, a fim de levantar dinheiro, de modo a cobrir os deficits fiscais e comerciais americanos, responsáveis por dinamizar a locomotica capitalista global, depois da segunda guerra mundial. O mesmo acontece com o presidente Lula. A OCDE chamou a atenção para a voracidade lulista rumo ao endividamento sem controle, como alternativa para salvar a produção em colapso por escassez de consumo, que detona a arrecadação e, consequentemente, o PAC. A ministra Dilma Rousseff está a perigo como candidata à sucessão, ancorada no PAC que se desacelerou.

O quadro é de instabilidade total, no Brasil e  no mundo. A China, o Japão e a Europa realizavam, até outubro do ano passado, a sua produção no consumo dos Estados Unidos à custa de moeda fictícia. Os seus derivativos acabaram por inundar a circulação do sistema além do suportável pelas veias gastas de endividamento de Tio Sam,  já esburacadas pelos excessivos déficits. O quadro não é diferente em relação às contas públicas brasileiras, afetadas pelas dívidas que correspondem ao tamanho do PIB, no embalo do juro alto.
 

Opção pelo mal menor
 

O presidente da CNI, deputado Armando Monteiro Netto, prefere o mal menor do Estado interventor do que o mal maior que seria a quebradeira geral do setor privado

O risco de o Estado explodir vai crescendo paulatinamente, mas o mercado prefere enfrentar esse risco futuro do que optar pelo risco presente, isto é, a bancarrota privada, que depende do colo estatal. Entre a desgraça futura e a desgraça presente, já causando estragos, os empresários optaram, sem ter outra opção, pela salvação do presente lançando mão do futuro incerto. Opção pelo mal menor feita pelos líderes empresariais, como o titular da CNI, deputado Armando Monteiro Netto(PTB-PE).

O governo do presidente Obama deu o alerta, que deixou o mercado aparentemente eufórico, durante a semana, com as notícias de renovação de estoques em escala global, especialmente, por parte da C hina, a nova estrela capitalista pós-crise. No entanto, os impasses do mercado financeiro, que intensificam mudanças no sistema monetário internacional, para superar a supremacia abalada do dólar baleado,  indicam que o setor privado continuará com problemas para desovar rapidamente os estoques, devido à falta de crédito suficiente. Mais razão para a emergência forte da economia política, como acontece , explicitamente, no Brasil.

O titular da Casa Branca destacou ao titular do Planalto, em LÁquila, Itália, na reunião do G-14, seus problemas comuns em escalas diferenciadas. Não se pode esperar mais do consumo americano como garantia da salvação capitalista, alertou Obama. A Europa, igualmente, está fora dessa jogada. Os consumidores europeus e americanos entraram em uma nova era. Abandonaram a Era da Gastança, para entrar na Era da Poupança.

A poupança, por sua vez, acelera a bancarrota privada, que fortalece, em contrapartida, o Estado e a economia política em subsituição à política econômica neoliberal. Vão-se aos ares os pressupostos do neoliberalismo econômico, apoiados no câmbio flutuante, nas metas inflacionárias, nos superatis primários elevados , mas os limites do Estado não aguentam expansões sem limites.

 

Falsas lideranças no bolso estatal
 

Lúcia Stumpf, presidente da UNE, faz o discurso do Planalto, que subvenciona as lideranças estudantis com dinheiro público, para arrefecer a rebeldia dos jovens contra a antiética governamental que patrocina uma grande pizza no Congresso Nacional

No comando da economia política, o governo Lula lança mão de tudo, tendo como escudo o dinheiro do contribuinte. Para equilibrar-se na nova correlação de forças, que enfraquece a economia e fortalece a política, o governo joga para subjugar as categorias sociais. A fim de enfraquecer as forças renovadoras das bases sociais, que se radicalizam no ambiente de antagonismo entre capital e trabalho, o governo compras as lideranças, transforman do-as em falsas lideranças.

Às lideranças empresariais dá exoneração fiscal, até a um limite cuja essência torna-se perigosa para a saúde do próprio Estado gastador sem limites. Às lideranças trabalhistas, que passaram a conviver com desemprego e consequente arrocho salarial, dá mordomia. Os líderes sindicais se transformaram em síndicos do dinheiro público.

As empresas, com seus líderes pelegos fragilizados,  somente conseguem capitalizar-se com os recursos do BNDES se seguem as orientações determinadas polo FAT cujo peso político das lideranças pelegas trabalhistas é preponderante.

Ou seja, o governo calou os empresários e os trabalhadores. E, igualmente, silenciou a voz dos estudantes, que, outrora, durante a ditadura militar, faziam excessivo barulho a alimentar a própria ditadura. Liderada por Lúcia Stumpf, a velha UNE, transfigurada pela subvenção do crédito público, transformou-se em porta-voz do Palácio do Planalto, com o mesmo discurso governista.

O trabalho de conter os antagonismos sociais foi realizado com a compra da consciência das falsas lideranças, que passaram a dispor de influência na destinação dos recursos do povo por intermédio do governo.

 

Compulsório contra juros
 

O monetarista se transformou em incrementalista no ritmo da economia política para ver se chega ao governo de Goiás sem incomodar o todo poderoso chefe no Palácio do Planalto com os juros altos que viraram inferno astral do governo

Ao se transformar em maior adversária da economia política praticada pelo Palácio do Planalto, a política econômica, comandada pelos juros altos bancados pelo Banco Central, deve, igualmetne, entrar na dança do poder estatal, para sofrer mudanças.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, metamorfoseou-se, completamente,  em relação ao discurso monetarista que praticou até há pouco. Agora, para ele, não tem sentido as especulações altista da taxa de juro detonadas pelo sistema financeiro especulativo, no momento em que a inflação é cadente e a deflação ascendente. Pelo contrário, o que espera os banqueiros, na próxima reunião do Copom, pode ser mais uma pancada baixista no juro básico, selic.

O BC, cujo titular é candidato ao governo de Goiás, em 2010, caiu na real, sintonizando sua feição ao perfil da economia política lulista. Juro alto, na crise, é caixão para o Planalto. Encarece a dívida pública, a moeda fictícia, e bloqueia o crediário, o consumo, para animar a produção e a arrecadação, com a qual se garante o PAC.

O desafio , a partir de agora, do poder estatal são as taxas de juros no crediário. Enquanto a taxa básica poderá cair para perto do intervalo entre 8% e 9%, o povo está sendo sangrado quando vai ao crédito ofertado a juro superior a 80% ao ano. Um tênis comprado pelo trabalhador para dar de presente ao seu filho custa 100% mais no crediário. Puro assalto.

O titular do Planalto dispõe de uma arma, para tentar submeter, também, os banqueiros-assaltantes aos interesses da economia política no ambiente da sucessão presidencial. Trata-se dos depósitos compulsórios. Até agora, o Banco Central manteve o compulsório elevado, para vigorar a política da escassez do dinheiro na praça. Quanto maior o compulsório, menor a oferta de dinheiro, mais alto o juro para o trabalhadores e microe e pequenas empresas , que precisam financiar suas folhas de pagamento de pessoal.

Restaria, portanto, ao Planalto, para tentar subjugar os assaltantes banqueiros à sua determinação, afrouxar as rédeas da oferta de dinheiro, por meio da liberação mais acelerada do compulsório. Os banqueiros teriam que ganhar dinheiro, não mais na taxa de juro alta, mas na disputa pelo cliente via juro baixo, como acontece com os bancos americanos e europeus. Conseguirão sobreviver sem a mamata do juro alto que aplicam sobre a dívida pública interna, para tentar esconder a inflação?

 
República da maracutáia
 

Lina virou bode expiatória para salvar as aparências da república da maracutaia tupiniquim

O presidente Lula, que encabeça a pregação de nova moeda internacional no rítmo da decadência do dólar como equivalente monetário internacional, demonstra, no comando da economia política, em ambiente de valorização do Brasil na cena internacional, não estar nem aí para a ética que sustenta a República, dividida entre três poderes, bem como se lixa para as comparações entre o Lula de hoje com o Lula de ontem, pregador do sindicalismo livre do poder do Estado.

Se ontem ele, como o ex-presidente Fernando Collor, juntos condenaram o ex-presidente Sarney, concordando entre si para taxá-lo de marajá e promotor das maracutais, hoje, Lula e Collor se unem para tentar salvar o marajá da maracutaia, simplesmente, porque os critérios de moralidade pública do presidente Lula, assim como os do ex-presidente Collor, metamorfosearam-se, passando a  confundir com os daquele que condenaram, ou seja, Sarney.

Configura-se, claramente, a República da Maracutáia, no ambiente da economia política sob impulso da crise mundial e da sucessão presidencial.

Nesse ambiente , a ética é um estorvo para quem administrou o processo geral dos pizzaiolos, com o mensalão. Passa a ser condenada, em tal conjuntura, a própria ética. Cumprir a lei vira critério de inutilidade.

A secretária da Receita Federal, Lina Vieira, por exemplo, transformou-se em danação a ser extirpada, no ambiente do colapso tributário nacional, porque a arrecadação caiu e empresas poderosas e bancos passaram a ser incomodados pelos fiscais, mediante multas e fiscalizações.

Depois que foi eliminado, por força das pressões dos bancos, o imposto sobre o cheque – a CPMF – , eliminou-se, consequentemente, o instrumento de fiscalização automática dos bancos, por meio de transparência total, no conta corrente diário da contabilidade estatal.

Os banqueiros compraram a ética dos políticos, eliminando a transparência tributária, e quem paga o pato é a secretária exonerada, acusada de laxismo no comando da Secretaria.

Inversão total de valores que vai configurando o perfil do novo poder estatal em que a economia política determina as regras da política econômica e do processo sucessório em meio à deterioração completa dos valores republicanos.