Chavez entra na crise do Senado e na sucessão 2010 pela mão de Cristovam Buarque

cristovam-buarque joga na democracia diret para tirar sarney ancorado na democracia representativa que perdeu legitimidade popular e está totalmente desacreditada hugo chaves com sua proposta democratica bolivariana em que a participação direta popular via plebiscito e referendos deu novoca coloração política na América do Sul vai influen ciando o comportamento de Cristovam com sua proposta de tirar Sarney por meio de consultra popular semelhante à onda bolivariana
 O senador Cristovam Buarque(PDT-DF) está definindo, claramente, seu esquema político estratégico para 2010. Aposta, abertamente, na radicalização política popular, que se articula, com a crise do Senado,  na onda da desaceleração econômica e do desemprego,  a colocar o capitalismo sob debate na sociedade e sua continuidade como produto histórico social que muda, constantemente, ao sabor das correlações de forças políticas em permanente flexib ilidade global. Ao defender plebiscito para julgar o presidente do Congresso, senador José Sarney(PMDB-AP), para ver se ele tem condições ou não de continuar no comando do segundo poder da República, o Legislativo, desmoralizado, o senador brasiliense joga o assunto na  rua, onde, ao final, deitarão as discussões que culminarão na eleição do próximo ou próxima presidente do Brasil. Trabalha, enfim, com a solução bolivariana do presidente da Venezuela, Hugo Chavez, de acelerar a participação direta da população na questão política e econômica nacional.
 
Cristovam Buarque põe em cena novo PDT, que viabiliza seu nome no espaço nacional, ligado a uma proposta de democracia direta, a nova moda sul-americana,  ao mesmo tempo que dá sustentação ideológica aos candidatos pedetistas Brasil afora nos estados e municípios. O nome do senador brasiliense, que desejaria renovar seu mandato, ou repetir a dose de uma candidatura presidencial, fortalece, no DF, o nome do deputado distrital, José Antônio Regufe, que, ao longo da atual legislatura, adotou comportamento oposto ao da classe política, ancorada no excesso de mordomias e permissividades anti-éticas que transformou a Cãmara Legislativa na “Casa do Espanto”, tal as barbaridades legislativas ali perpetradas.
Regufe, na onda ética , aprofundada, agora, pela proposta de democracia direta cristovista, pode ser candidato forte ao governo do Distrito Federal no próximo ano. O discurso renovador da representatividade política teria condições de virar bandeira eleitoral, numa linha que, certamente, o fundador do PDT , Leonel Brizola, e seu guru intelectual, ex-senador Darcy Ribeiro, apoiariam, no cenário da degradação geral do Legislativo, comandado por legislação eleitoral cuja essência se rende ao peso do dinheiro do caixa dois que financia mandatos de norte a sul e de leste a oeste nos 27 estados da Federação, espalhando corrupção por todos os lados.
 
A entrada dos estudantes no Congresso defendendo Fora Sarney elevou a sensibilidade política do professor universitário Cristovam aos píncaros do alerta capaz de direcioná-lo a um posicionamento mais radical, dessintonizado-se da democracia representativa, cujos impasses crescem e demonstram sua caminhada rumo a soluções cada vez mais conservadoras. A comprovação dessa evidência foi claramente dada com a indicação do senador Paulo Duque(PMDB-RJ), para comandar o conselho de ética do Senado, tendo como bandeira destroçar, debochadamente, da própria ética. Escandâlo.
 
Cristovam ao optar pelos gritos dos estudantes, nos corredores do Congresso, sinalizando o teor futuro dos discursos nas ruas durante a eleição do próximo ano, no compasso do desemprego e da redução relativa da renda, sob crise global, que afetará, por sua vez, o ritmo da economia brasileira, pautada em modelo de desenvolvimento, totalmente, dependente do capital externo, joga politicamente no espaço ainda não ocupado pelos concorrentes na corrida sucessõria.
Trata-se, pragmaticamente , do aprofundamento da defesa da participação direta da sociedade no processo político, como contrapolo da falta de participação ela, expressa no ambiente da democracia representantiva, que se mostra distante dos interesses populares. Afinal, o Legislativo passou a ser administrado não pela política, mas pelas medidas provisórias, que aposentaram a política.
 

Enrolação nacional

Rogerio CArdoso   criou o personagem que o protótipo geral do político brasileiro da atualidade, enrolador e antiético
Há tempos, Cristovam Buarque vem levantando radicalização em torno de propostas mais ousadas. Já declarou estar os senadores e a classe política em geral, dessintonizados das demandas sociais autênticas. Sem essa sintonia,  mergulhados na abstração das idéias, que norteiam os líderes políticos, cujas estratégias, tanto governista quanto oposicionista, se tornam equivalentes no ambiente da governabilidade eternamente provisória, o desgaste político popular estressou Cristovam. Seus pronunciamentos recentes o tornam incompatível com o utilitarismo democratico meramente representativo-ideológico. Expôs, radicalmente, propondo plebiscito para Sarney, seu rompimento com o caráter de Rolando Lero, criação genial do ator Rogério Cardoso, que tomou conta da classe política nacional.
Na toada do lero-lero,  em pleno ambiente de derrocada capitalista a abalar a superestrutura jurídica em que se assenta o sistema privado, sendo necessária a tábua de salvação do Estado, o episódio Sarney , que abala o Legislativo de cima a baixo, caiu como uma luva para o jogo da radicalização cristovista.
 
Cristovam pediu a cabeça de Sarney, sendo o primeiro a defender a entrada da polícia federal no caso, bem como da Procuradoria Geral da União. Pânico geral.
O senador Francisco Dornelles(DEM-RJ) alarmou-se com a ousadia de Cristovam e considerou a providência complicador extraordinário. No entanto, a proposta prosperou.
O senador brasiliense passou a ser seguido por toda a oposição, revelando seu distanciamento da coalizão govermental, formada, principalmente, pela dupla PT-PMDB . 
 
 
Fogueira decisória do plenário
 
 
heraclito-fortes promete transformar o plenário em fogueira política para dar um mínimo de credibilidade à democracia representativa acossada pela proposta de democracia direta para resolver o impasse sarney
A entrada dos procuradores e dos policiais federais no Congresso abala geral a honorabilidade dos políticos. Nos últimos anos, a Procuradoria Geral da União e a Polícia Federal revolucionaram os comportamentos da ação de busca dos promotores de maracutaias e grandes roubos do erário público por força das influências políticas que têm suas raízes no plano político. O perigo de ações espetaculares da polícia federal em cima dos eleitos pelo povo criaria novo ambiente político de alta temperatura.
 
Cristovam provocou o fogo da radicalidade, quanto mais iam sendo divulgadas informações comprometedoras da honorabilidade ética do presidente do Senado. No rastro aberto por Cristovam, as vozes se generalizaram. O plenário do Senado promete ser, no segundo semestre, fogueira política chamada a decidir pelo voto as questões incendiárias, em ritmo de campanha eleitoral, como promete o primeiro secretário, senador Heráclito Fortes(DEM-PI).
 
Pegará bem, do ponto de vista eleitoral, para os senadores, atuarem como os imperadores  no plenário romano, queimando os infiéis em nome da moralidade pública, em tempo de eleição, em amb iente e conômic o marcado por desemprego em alta, lucro em baixa e deflação emergente. O pior dos mundos para o capitalismo.
 
Nesse ambiente de economia e ética deterioradas, o senador brasiliense joga lenha e gasolina na fogueira, dando um passo além do que ele mesmo já dera com a proposta de levar para dentro do Legislativo a Polícia Federal e os procuradores gerais da República com suas armas ensarrilhadas.
Agora, quer que as ruas se pronuncie. Avança, com a proposta da democracia participativa, direta, em contexto em que a democracia representativa mostra estresse total e, simultaneamente, resistência a qualquer teste de renovação.
 

Pavor da participação popular

O medo da democracia direta levou os conservadores da democracia representativa golpista a reagir com golpe que enterra a democracia em honduras
A resistência conservadora latino americana pode ser aferida pelo golpe de estado em Honduras. O presidente Manoel Zelaya foi defenestrado porque , simplesmente, queria colocar em teste a democracia direta, para além da democracia representativa, que abalou seus representantes, dispondo-os a irem sofregamente ao golpe de Estado contra tal ação política renovadora.
Aquilo que já é comum nas democracias européias, que é a sucessividade dos mandatos sob autorização popular; aquilo que se encontra inscrito na constituição dos Estados Unidos, que é a manifestação popular democratica direta via plebiscito e referendos, ainda, na América Latina, é considerado tabu, absurdo e radicalidade política contra a proprieade privada.
 
No compasso em que a ideologia utilitarista neoliberal deixa de ser solução, para se transformar em problema, a democracia representativa, que levou a economia capitalista à crise, na medida em que os parlamentos burgueses aprovaram legislação amplamente permissiva ao capital especulativo global, encontra-se diante do seu maior teste.
 
Como ela vai deixando de ser útil, consequentemente, deixando, também, de ser verdade, segundo a ideologia utilitarista, que os ingleses inventaram, transformando-a em religião ortodoxa, os legislativos demonstram impotência e abrem o bico, ou seja, criam vácuo político, quanto mais a crise se aprofunda, impedindo a realização efetiva da produção no consumo global, cujas consequências são deflação, desemprego e desarticulação política.
 
Cristovam, no fundo, ao radicalizar, defendendo a convocação das ruas contra Sarney, põe em cena novo fato político, a democracia direta, que vai se transformando em rotina na Bolívia, no Equador, na Venezuela, sintonizando-os  com as práticas institucionais existente nos países capitalistas desenvolvidos, em processo de empobrecimento relativo, no contexto da grande crise global.