22 jun
2009Jornal dos jornalistas, já
Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 22-06-2009
Os jornalistas dançaram no Supremo Tribunal Federal, porque são proprietários privados do consumo, mas não da produção do seu ofício. Como o STF atua no plano ideal e não no real, em que a igualdade jurídica corresponde à desigualdade social, dialeticamente, no movimento do capital, o ideal, para o pensamento abstrato do ministro Gilmar Mendes, é manter-se no exterior da realidade, como a matemática. Considera a liberdade como algo que se dá ao largo das relações sociais, onde o antagonismo capital-trabalho domina amplamente o cenário histórico social em processo de permanente mudança. Visão, absolutamente, parcial, ideológica, porque a esfera ideal das relações jurídicas refletiria de modo apenas unilateral as relações reais de propriedade privada, que balizam as atividades materiais e a divisão do trabalho entre os homens, como destaca o professor de história, Jorge Grespan, da USP. Nesse caso, o ideal se encontra muito distante do real. Os jornalistas, lamentavelmente, estão prisioneiros do ideal.
A internet, no entanto, está aí. O direito de propriedade, no ambiente da tecnologia da informação, é o conhecimento registrado em patente. O domínio pode ser explorado economicamente, porque passa a ser instrumento de produção. No ambiente capitalista em que predomina o contrário da aparência, tornando o mundo, fetichistamente, ser estranho ao trabalhador, o domínio, na internet, para explorar as possib ilidades do trabalho humano, representa a conquista, pelo trabalhador, do direito de propriedade não apenas do consumo, mas, igualmente, da produção. Produção é consumo, consumo é produção(Marx).
No plano jurídico, o que interessa, como diz o autor de O Capital, é a norma. Por esta, estabelece-se o predomínio da forma sobre o conteúdo, Para a relação formal entre as pessoas e o objeto da propriedade não importa o uso particular que se faz do objeto, seja laranja, café, cozinheiro ou jornalista. Tudo é mercadoria ao alcance da propriedade, não se fazendo distinções entre mercadorias que se consome ou mercadorias que produzem outros objetos(trabalhador) etc.
Os contratos se dão de acordo com a norma que é abstrata, formal, aparente, ideal, distante da distinção oposta, ou seja, a essência , o conteúdo, que determina o direito de propriedade privada sobre todos os intrumentos de reprodução da riqueza, sendo o principal, a força de trabalho.
O salário é anomalia. Não é termo correto. O empresário procura, justamente, ganhar na compra e na venda. Por isso, tudo, para ele, é mercadoria. Se puder, compra o salário mínimo por R$ 150. Disponibilizar ao trabalhador a ração necessária – como se fazem com os cavalos, burros de carga etc – , capaz de garantir a reprodução do trabalho dele em forma de lucro, é compatível com o desejo empresarial de baixar custo para ganhar na compra, bem como se busca o preço mais alto possível para ganhar na venda. E ponto final.
O jornalista, como consumidor dos produtos da cultura e não produtor, porque não dispõe dos instrumentos que lhe garantem ser produtor, é um custo de produção. Como , agora, esse custo pesa, debaixo da grande bancarrota global, tome demissão.
No Correio Braziliense, por exemplo, que acaba de sair de uma reforma editorial, para pior, o custo de produção é alcançado com a demissão do consumo. Não se demitiu a produção. Como o jornalista não é produtor, capaz de lhe assegurar as benesses da propriedade privada, tchau.
Auto-destruição dialética
Certamente, a mente investigadora e dialética de Gay Talese está certa. A crise não é do jornalismo, é do jornal. Não tem nada ver com a sacada do Sarney, de que a crise não é dele, é do Senado. Assim como a igualdade jurídica corresponde à desigualdade social, demonstrando a distinção entre concreto e abstrato, da mesma forma são contraditórias as relações entre jornal e jornalismo. Isso é, particularmente, verdade na periferia capitalista, onde as determinantes são dadas pelo capital financeiro especulativo, que domina o Executivo, o Legislativo e o Juridiário, como , também, a grande mídia.
Sendo a liberdade, sob o mundo jurídico contraditório de Gilmar Mendes e seus pares, expressão da desigualdade social , concreta, polo oposto da igualdade jurídica, abstrata, os antagonimos, que dão vida ao verdadeiro jornalismo, dificilmente, teriam forma, sob empresas dependuradas nos juros compostos, de jornalismo.
A lógica não é essa. É o oposto, dado pela desigualdade social e não pela igualdade jurídica. Exploram os donos das empresas jornalísticas a mão de obra até desqualificá-la, como produtor do objeto do jornal, que é o jornalismo. Auto-destruição dialética, porque o capital não gosta de questionamentos. Evidentemente, a empresa jornal, sem o valor da propriedade da produção roubada do jornalista, que fica, apenas, como proprietário do consumo , candidata-se à falência em meio à democratização da produção da informação.
As empresas estão jornalisticamente mortas, por terem matado o jornalismo. Somente terão sobrevida, no ambiente dessa ampla democracia da informação mundial, se buscarem um novo pacto produtivo, porque sem a produção não paga, que é a propriedade consumista e não-produtiva do jornalista, a qualidade do produto cairá e seu preço vai ao chão. Há mercadorias melhores e mais baratas, de graça, na internet. A internet comprovou que o custo do papel é exorbitante e dispensável para fazer jornalismo. O poder dos jornais é a combinação do papel, que não é valor que se valoriza, com a força de trabalho, jornalista, valor que se valoriza. Se o papel, com a internet, vai se tornando dispensável…
Os jornalistas , que estão desempregados, têm que criar seus jornais pela internet. Há, em Brasília, nesse momento, mais de duas excelentes redações cujos profissionais estão desempregados. Nos demais estados, a situação, certamente, é a mesma. O capitalismo está despencando e , igualmente, o jornalismo barato que ele admite.
Grandes nomes buscam, envergonhada e desesperadamente, uma vaga de gabinete de senador ou deputado, para dar uma de assessor. Viver na capital é muito caro. Sem os empregos nas folhas, que estão minguando, a sustentação material – materialismo – somente torna-se possível, se se dispor, construtiva e cooperativamente, a propriedade da produção. Do contrário, continuarão curtindo a fantasia de que são livres numa sociedade em que a desiguadade social significa igualdade jurídica – idealismo. Sobraria a oportnidade de se transformarem em servidores, que, mediante concurso, adquirem a sua liberdade. Os salários, no Senado e na Câmara, batem a média do que se paga nas redações paras os melhores jornalistas, sem o perigo da insegurança.
A desgraça bate à porta

Pude, na última semana, no Congresso, conversar com demitidos do Correio, do Estadão, da Folha, e senti o drama de pais de família entrando no túnel da escuridão que o desemprego, na crise global, anuncia, massacrando os coleguinhas, cuja competência, como proprietários de produção não paga, é extraordinária.
É chegada a hora de grandes jornais de jornalistas na internet, para conferir credibilidade ao jornalismo ao largo das grandes empresas, candidatas à falência.
Dependuradas nas dívidas bancárias, porque fizeram o jogo da especulação dos derivativos com seus parceiros acionistas, as empresas jornalísticas, prisioneiras dos juros do capital externo, ao qual estão aliadas desde sempre, entram no enxugamento, fazendo reforma de araque, como a do CB. Nada mais nada menos do que adequações às exigências draconianas dos credores, em tempo de quedas de anúncios, por conta da redução do nível de atividade produtiva.
Nesse contexto, em que o diploma de jornalismo é extinto por uma visão jurídica ideal , que vê a realidade pelo avesso, excluída das relações materiais – materialismo – da vida, as empresas, acossadas pelos juros compostos, caminharão para a precarização total das relações capital-trabalho.
Estarão, consequentemente, livres da legislação que determina a igualdade dos seres humanos a partir da desigualdade social, estabelecida pela contradição intrínseca ao conceito de propriedade privada. Poderão, livremente, livrar do passado, que as obrigava a contratar, apenas, diplomados.
Tem muita gente que vai fazer bico nas redações, como outrora, antes da profissionalização das redações, a partir do final da ditadura militar. A desprofissionalização dos jornalistas, antes de ser uma questão de qualidade ou não do jornalismo, é uma oportunidade para a empresa reduzir custo, ganhar, materialmente, mais, mas, idealmente, menos.
Projeto Genoíno
Olha a revolução do jornalismo na eleição do Irã. As fotos chegam por celulares no ambiente da censura iraniana. Se quem enviou a foto a tivesse transmido pelo próprio site ou blog, estaria, como proprietário privado dos meios de produção, relacionando-se juridicamente com os donos de empresa e cobrando deles comissão por utilização de material.
O que os jornalistas desempregados e empregados devem fazer de agora em diante é encabeçar a luta do deputado José Genoíno(PT-SP), que limita gastos da publicidade oficial aos jornais e tevês da grande mídia. A luta política é, essencialmente, luta ideológica, disse Glauber Rocha.
Por que não democratizar essa verba, que vai produzir baboseiras e lixo cultural, tipo Gugu Liberato, Fausto Silva, Silvio Santos?
Não é à toa, certamente, que os salários milionários, na grande mídia, se destinam aos que apresentam as maiores desqualificações da cultura apresentadas ao povo nos domingos alienantes.
Os proprietários privados dos meios de produção jornalística sabem que a qualidade informativa não é um exigência do capital. Ao contrário, a ele interessa a disseminação do mundo estranho ao trabalhador, para que introjete em sua cabeça que a contradição entre capital-trabalho seja dada pela natureza e não pela luta histórico social em desdobramento diário e eterno, sinalizando que a eternidade é a mudança e não o positivismo abstrato.
O oposto é o real concreto em movimento. Os jornalistas compraram e ainda compram gato por lebre, simplesmente, porque não são donos do próprio instrumento de trabalho, que, com a internet, está começando a acontecer.
A ideologia neoliberal, que segue os mandamentos da dicotomia jurídica abstrata, muito bem manipulada pelos juristas da estirpe do ministro Gilmar Mendes – abstracionismo em ação política – somente será desnudada pelo verdadeiro jornalismo, impossível de nascer nas atuais redações que consideram salário custo e não renda. Se o negócio é baixar o custo…
Jornal dos jornalistas, já. Uma pauta poderia merecer atenção de todos nos 27 estados da federação, para uma edição não necessariamente diária, mas biária ou triária, sendo renovada , diariamente, a primeira página com um tema com ampla formulação. Sugiro a linha do Luiz Gutemberg, lançador da fórmula FPA – Fato, Pesquisa e Análise – , a notícia em três tempos, no “José – Jornal da Semana Inteira”, sucesso no DF, nos anos de 1970/80.
O espírito empreendedor jornalístico, como detentor do direito de consumo e do direito de produção, no tempo da internet, produziria a custo baixo e com rentabilidade alta, simplesmente, porque a receita seria distribuida em sua integralidade aos colaboradores. O salário não pago seria pago. Os colaboradores , por sua vez, teriam todo o interesse em buscar a sobrevivência econômica do site como produtor e não meramente consumidor. Ou isso já não seria mais capitalismo? Sei lá, não sei.
As empresas estão decretando sua própria falência. Os jornalistas, pela internet, resgatarim o jornalismo, para comprovar a assertiva de Gay Talese.























A criação Sudeco é debatida no Senado. Da mesma forma, a criação do Banco de Desenvolvimento do Centro Oeste se arrasta na Câmara. Os governadores da região já se reuniram várias vezes, para acertar pontos divergentes, mas não ficou amarrado nada. Só conversas. A condução política não se efetiva, destacam o deputado Geraldo Magela(PT-DF) e o senador Delcídio Amaral(PT-MS).Enquanto isso, os empresários seguem adiante, no rastro da escassez das lideranças políticas. Os dados das federações de indústria e agricultura dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, sinalizam investimento superiores a 10 bilhões de dólares no Centro Oeste nos próximos cinco anos. O Centro-Oeste, no cenário mundial em que se inverte a deterioração nas relações de trocas globais, mediante dólar em desvalorização, terá suas mercadorias valorizadas. Passaram a constituir, segundo o vice-presidente da Fibra, Ricardo Caldas, atrativo aos investidores nacionais e internacionais.










Teria justificado orgulho de ter em meu clube rotário, Adam Smith, o professor escocês de ética e moral que viveu na segunda metade do século 18 – não apenas pelo sua obra prima – Riqueza das Nações, mas sobretudo pelo seu livro pouco conhecido e que deu embasamento filosófico ético e moral para seu pensamento – “A teoria dos sentimentos morais” de 1759 .
Após estes dois ícones do pensamento filosófico com profundas repercussões nas formas de convívio da humanidade, surgiu em 1936 a Teoria Geral de John Maynard Keynes, – é bem verdade que as propostas monetaristas foram gestadas numa conjuntura pós crise de 1929 e discutidas em Bretton Woods em 1944 num mundo com a Europa destruída pela segunda guerra mundial – embora tenha recebido o reconhecimento em sua época, a médio e longo prazo sua teoria mostrou-se um desastre – os 64 anos de exercício prático desta teoria mostrou que a estagflação foi seu melhor resultado - solução de compromisso entre o desemprego e inflação – uma ofensa a inteligência humana.