BRIC acelera CHINA-USA

A corda e o afogado são condenados a dormirem na mesma cama

A China e os Estados Unidos furaram a tentativa do BRIC – Brasil, Rússia, Índia, China – de fortalecer a discussão em favor de novo sistema monetário internacional, para ultrapassar o dólar, fixando a relação a partir de uma cesta de moedas internacionais.

Os russos e os brasileiros, principalmente, pois, a Índia, como que ficou em cima do muro, por ser vizinha do monstro asiático, jogaram mais peso. A força chinesa, contrária, prevaleceu, porque , cheios de dólares e títulos da dívida americana vencidos e sem garantia no cofre, os chineses dançariam.

A China e os Estados Unidos, na grande crise, transformaram-se em irmãos xifópagos. Os Estados Unidos precisam dos chineses, para comprarem os títulos do tesouro dos Estados Unidos, a fim de financiar o consumo interno, cujos beneficiários são as próprias empresas chineses, americanas, em muitos casos, instaladas na China.

Não interessa aos chineses o esvaziamento econômico americano. Da mesma forma, os americanos não podem prescindir da China. O problema é como fazer com as montanhas de dólares na China e nos Estados Unidos, bem como mundo afora, que não encontram canais de escoamento por meio da banca internacional falida.

Seria preciso que um banco global fizesse esse jogo de lavagem dos dólares encharcados na praça mundial, caminhando para virar papel de parede, sinalizando neorepública de Weimar global, se não houver solução para o empoçamento financeiro mundial.

Os Estados Unidos propõem que esse banco seja o FMI, mas os chineses discordam , porque os americanos têm maioria de votos na instituição. A China, nova potência, quer relativizar esse poder americano. Caso ocorra isso, e tudo indica que tem de ocorrer, mesmo, porque o unilateralismo já era, Obama não tem cacife, para blefar, poderá pintar a grande lavagem universal de dólares por meio do FMI.

A grana seria distribuida pela rede bancária européia e americana, que está em bancarrota, no colo do governo. Os bancos privados brsileiros, que engordaram nos juros altos, ficando livres da tentativa especulativa dos derivativos, estariam diante de grandes chances globais em meio à redução significativa do poder relativo americano.

Os Estados Unidos não têm mais credibilidade para dar conta do recado sozinho, utilizando o tesouro americano para fazer um swap global – trocando moeda podre por outras emissões, que poderiam nascer podres.

 

Afogamento dolarizado

 

Os chineses e americanos estão condenados a se unirem se não quiserem ir para o fundo do mar

O mercado financeiro e as próprias autoridade monetárias americanas estão dando alertas extraordinários, temerosos de bancarrota espetacular, caso haja corrida contra o dólar, por conta da desconfiança na força financeira do governo americano. Não haveria como fazer swap a torto e a direito.

Nesse contexto, os chineses são obrigados a serem parceiros dos Estados Unidos. Serão dois afogados abraçados indo para o fundo do oceano , se tentarem resolver a parada unilateralmente. Haveria hiperinflação global.

O banco global FMI, ao lavar os créditos empoçados, dando nova credibilidade ao mercado, distribuindo o dinheiro por meio dos bancos privados, reabilitando-os, tentativamente, distribuiria de novo o dinheiro na praça. É a velha história do Joãozinho que ganha todas as bolas de gude dos companheiros. Sem poder jogar sozinho, sai na praça distribuindo elas, para recomeçar o jogo.

Só que, no cenário internacional, financeiramente, conturbado, as regras do jogo caminham para o multilateralismo, passando, primeiro, quem sabe, pelo bilateralismo USA-CHINA ou CHINA-USA.

Com os 2 trilhões de dólares em carteira, mais os derivativos dolarizados apodrecidos espalhados na Europa, nos Estados Unidos e Japão, bloqueando os empréstimos bancários, os países detentores de dólares em excesso , todos, certamente, estariam interessados nesse novo banco mundial para dar liquidez mais segura às suas reservas monetárias. Por quanto tempo ninguém sabe, só Deus. Somente o presidente do BC, Henrique Meirelles, acredita no dólar, correndo firme para acumular reserva em tempo em que chinês quer desovar dólar.

Os chineses racharam o BRIC, porque o BRIC não pode ir além dos interesses da China, nem dos Estados Unidos, ambos fincados na relação CHINA-USA, cercado de dólares por todos os lados candidatos à desvalorização. Para os chineses, entre o BRIC e o USA-CHINA poderia pintar nem um nem outro, mas o rearranjo das partes integrantes em movimento dialético, que não poderia excluir, evidentemente, o G-20.

A China passa a ser peão entre duas posições nas quais ela se encontra no centro. É o Império do Meio no centro do mundo capitalista em crise.