Moeda sul-americana:demorou

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca. Sebastiao Gomes em 23-06-2009

América do Sul, sem moeda para expressar sua riqueza nas relações de troca internacionais, vai dançar diante da voracidade chinesa, em trocar seus dólares em processo de desvalorização, por ativos sulamericanos valorizados. Jogada para enganar trouxas

A evidência, cada vez mais forte, da união estratégico-financeira global China-USA, como forma de defender o dólar, obriga a América do Sul a partir para a moeda sul-americana, urgente. Se os chineses e americanos conquistarem objetivo que estão construindo, de transformarem o FMI em banco global, para desovar os dólares, no momento, empoçados, diante da falência bancária, ocorrerá massacre comercial. Este já está em alta escala.

Na Argentina, no Chile, no Uruguai, Bolívia, Venezuela, Brasil etc, os produtos chineses, super baratos, deslocam a indústria sul-americana e impedem relação comercial entre os países, simplesmente, porque a  China joga o preço para baixo.

Embora as barreiras comerciais estejam sendo levantadas por todos os lados, com mais intensidade, na Argentina, os produtos chineses têm saído mais barato para o consumidor, na disputa do mercado portenho pelas mercadorias industrailizadas de São Paulo, onde o avanço do desemprego desespera o governador José Serra.

O dinheiro do consumidor não tem pátria, tem preço. Os chineses estão oferecendo melhores preços para os quais o dinheiro está correndo. Mais dólares chineses-americanos, lavados no eventual Banco Global FMI – armação China-USA, encharcando a praça sul-americana, valorizando, excessivamente, as moedas dos países do continente, resultarão no óbvio: sucateamento industrial.

As indústrias, sem poder competir, dançam no mercado e demitem pessoal. As ondas de desemprego , na Europa e nos Estados Unidos, anunciam tempestades políticas, se a depressão for mantida em fogo relativamente alto. Querem passar os dólares furados para os trouxas.

O comércio, que, num primeiro momento, ganha com os preços chineses mais baratos, na disputa pelo mercado, num segundo momento, também, perde. Com a elevação do desemprego, com a redução da renda disponível, o consumo cai.

Lideranças divididas na Unasul

 

liderancas estão div ididas internamente sem discurso para fazer valer a independencia econômica e financ eira sulamericana a partir do lastro real sulamericano dado pela potencialidade sulameicana cuja valorização se acentua em meio à desvalorização global do dólar

O governo, igualmente, dança, perdendo arrecadação. E as lideranças, desnorteadas, se dividem. No caso brasileiro, há sete meses a queda de 6% em média coloca a relação governo-estados-municípios, de um lado, e governo-empresários, de outro, em antagonismos totais. Os empresários pedem desoneração fiscal, mas, sem a receita fiscal, os estados e municípios decretam a falência da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sem arrecadação, o governo, por sua vez, não toca o PAC. Nos demais países, idem. Tentam resolver isoladamente a conjuntura que exige união e determinação política.

A onda dos dólares chineses e de outras possuidores para a América do Sul vai promovendo o swap de riqueza fictícia por riqueza real. Os dólares chineses, não apenas deslocam as moedas sul-americanas, para abrir passagem aos produtos chineses, mas, também, penetram nas grandes  empresas em escala incontrolável. Os minérios, que o empresário Eike Batista está extraindo mediante investimentos bilionários, enriquecerão, ainda, mais o capital chinês. Este penetra na empresa, trocando dólar desvalorizado por minério valorizado.

Com as moedas sul-americanas sobrevalorizadas pela penetração – estupro – dos dólares chineses, dança o comércio exterior sul-americano, enquanto a relação entre os países do continente experimentam confrontos protecionistas crescentes. Se a moeda sul-americana existisse, em vez de confronto, haveria, certamente, integração.

A América do Sul, diante dos 2 trilhões de dólares de reservas chinesas, mais os outros dólares internacionais, que estão empoçados, sem poder escoar por intermédio da rede bancária em bancarrota, fica à merce das forças externas. São detonados de fora para dentro.

A China virou, com seus dólares, gigante, que, ao encostar, desloca, fortemente, o adversário, um tremendo cavalo diante da fragilidade relativa humana. Só que enquanto o cavalo não é inteligente, o gigante chinês tem 10 mil anos de história. 

 

China pode comprar Petrobrás

 

Em dois extremos opostos, políticamente, Estados Unidos e China são capazes de se unirem mais rapiamente do que os sulamericanos que fazem fronteira, mas não se entendem quando está em jogo o interesse continental em face da ameaça do dólar em processo de desvalorização global, detonando as relações comerciais, por meio de valor que se desvaloriza, ficção, frente ao valor que se valoriza, a riqueza potencial sulamericana

A aliança China-USA, para salvar o dólar, transformando o FMI em banco global, sob possível coordenaçáo dos dois gigantes, representa perigo geo-estratégica para a América do Sul, com a diversidade das suas moedas , desvalorizadas por elites políticas ligadas ao capital externo – disponíveis para ganhar na baixa e na alta ao mesmo tempo.

Se os acionistas privados da Petrobrás, que compõem 60% do capital da semi-estatal, receberem propostas vantajosas dos investidores chineses, não estaria afastada a possibilidade de o controle mudar de mãos. Seriam desovados no Brasil parte dos 2 trilhões de dólares. Estariam os chineses passando para os trouxas moeda que se desvaloriza em troca de moeda que se valoriza. Se liv rariam do que mais o preocupam, ou seja, a derrocada da moeda americana em meio à bancarrota.

Nesse contexto, os sul-americanos ficam diante de suas próprias perplexidades. Continuarão levantando barreiras comerciais entre si ou vão abrir as barreiras por meio da moeda sul-americana que teria como garantia o potencial sulamericano, cuja vantagem comparativa atrai investidores internacionais que , como a China, desejam livrar dos dólares, comprando ativos mais lucrativos?

O Banco do Sul, que está para nascer, teria que ser abortado, já. A distribuição mundial dos dólares reciclados, lavados, pirateados, no FMI, para serem , novamente, distruibuidos pela rede bancária internacional, transforma-se, claramente, no novo jogo econômico global em choque ampliado entre si.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama , busca, no desespero, mudar o prestígio desgastado dos banqueiros, perante a população, para tentar reaver o comando do jogo. O povo americano quer botar fogo em Wall Street. As famílias, superendividas, foram, violentamente, despertados da fantasia monetária, expressa em endividamento, que bloqueia o consumo.

A nação consumista, que garantia a realização da produção global, na importação, em troca do domínio do dólar, gerador de superavit no balanço de pagamento, por conta dos lucros financeiros de senhoriagem internacional, está sem gás para continuar sendo o carro chefe da demanda mundial.

A política lançada por Barack Obama, essa semana, para regularizar o mercado financeiro e dar novo rumo ao Banco Central dos Estados Unidos, laxista em relação à atividade bancária global, depois da queda do Muro de Berlim, é uma tentativa para fortalecer a aliança com a China, a fim de evitar que acelere a desvalorização do dólar.

 

Fragilidade explícita

 

Tio Sam não é mais aquela potencia do passado. Precisaria de doses maciças de viagra para tornar-se potente, no momento em que a moeda sulamericana perdeu o elan junto às suas fãs, ou seja, as elites da periferia capitalista que se rendiam a ele, facilmente, com o estalar de dedos

Obama foge do perigo representado pelo excessivo endividamento de Tio Sam. Este não aguentaria a continuidade do excessivo endividamento interno americano, antes de implodir em hiperinflação, se quiser fazer o swap  global dos dólares podres na praça por outras emissões que, igualmente, nasceriam apodrecidas.

A desova geral de dólares por intermédio do FMI é o jogo China-USA, que o BRIC tentou evitar, esbarrando-se na resistência chinesa à tentativa de apressar novo sistema monetária baseado em cesta de moedas. Ora, se a fragilidade do dólar fica exposta pelo grupo do qual participa a própria China, cheia de dólares, o que estarão fazendo os sul-americanos, que estão mais ricos, com a valorização de suas matérias primas, não aceleram a moeda sul-americana?

A deterioração dos termos nas relações de trocas globais muda de mão na grande crise mundial. Antes, eram os produtos manufaturados, dotados de tecnologia, que impunham vantagens comparativas sobre as matérias primas, das quais são fabricados. Como a produção, impulsionada pela ciencia e tecnologia, eleva-se, exponencialmente, jogando os preços para baixo, a situação, na crise, piora ainda mais.

Os preços das mercadorias chinesas ganham de longe da competição com seus concorrentes sul-americanos em meio à sobrevalorização cambial, que compromete a competitividade.

Nesse contexto, somente a divisão política explica a moleza sul-americana em proteger suas próprias riquezas via moeda sul-americana.

Qual a garantia do dólar, se o consumo americano está no chão, sem poder puxar a demanda global via endividamento sem fim dos consumidores?

As grandes empresas, como a GM, símbolo do consumismo, cairam como a estátua de Saddam Hussein, puxada pela falência dos consumidores dos Estados Unidos. Os chineses, pragmaticamente, querem se livrar do abacaxi.

As moedas sul-americanas valorizadas pela manufatura global cujos preços estão em queda pelo acirramento da concorrência , somente, conseguirão fazer frente ao jogo China-USA, em marcha, se se unirem. O jogo China-USA não deixou opção à América do Sul senão partir para construir sua própria personalidade históriia.