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Grande exemplo do Império para o mundo: dar calote nos bancos para reduzir dívida e crescer
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Centroestinos visam poder federal

Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 20-06-2009

alcides , como os demais executivos do centro oeste, estão perdidos na centralização do poder nacional que esvazia as regiões e impõe o jogo da política da subordinação dos estados à uniãoo mato grosso cuidou, especialmente, de acelerar suas fronteiras econômicas mediante guerra fiscal, algo seguido por todos, cujos efeitos são posicões individualistas dos governantes, que eliminaram a possibiliade de uniã dos governadores do centro-oesteMais ligado aos interesses de são paulo do que os do centro oeste mato grosso do sul corre individualmente, sem espírio coletivo, no plano regionalarruda cheio de problemas no df não intensificou relações para se destacar no plano regional a partir da metropole capital nacional e centro de influencia mundial, ficou acanhado, como liderança regional

 

 

 

 

 

O Centro-Oeste, novo rico do mundo, 30% do PIB,  atrativo ao capital nacional e internacional, no momento em que a economia global se encontra em crise, quer ter voz mais ativa na sucessão presidencial em 2010. O potencial econômico regional e a posição que alcançou e que avança para tornar a região peão do processo de desenvolvimento nacional asseguram ao Centro-Oeste o direito de fato de alcançar um ministério no próximo governo, seja vencedor o governo, seja a oposição. Falta a união política regional.

Por enquanto, fala mais alto o potencial econômico do Centro-Oeste , que, na prática, é moeda com garantia, em tempo de dólar em crescente desvalorização: terras férteis em torno de 73,7 mil km2 de solos com boas reservas de elementos nutritivos, que alcançam fertilidade alta, com favoráveis caractrerísticas física para o desenvolvimento das plantas e sem restrições topográficas. São 140 milhões de terras irrigáveis capazes de dar três safras anuais. Celeiro do mundo.

Um terço da biodiversidade brasileira, segundo o plano estratégico de desenvolvimento do Centro-Oeste, elaborado pelo Ministério da Integração Nacional, domina o panorama centroestino. São aproximadamente 5 mil espécies de plantas vasculares e mais de 1.600 espécies de mamíferos , aves e répteis. Mesmo em condições bioclimáticas mais rigorosas que a floresta tropica, os cerrados têm floras e faunas das mais ricas do mundo. A vegetação do Cerrado conta sistema subterraneo de plantas herbáceas capazes de armazenar água e nutrientes que facilitar recuperação das queimadas e assegura até três safras anuais. Celeiro do mundo.

A cadeia produtiva da biomassa dispõe, no cerrado, da condição ideal para o seu desenvolvimento, transformando o Centro-Oeste, talvez, no centro de excelência mundial de biotecnologia, riqueza incalculável em produção de patentes, cuja valorização no mercado é crescente, gerando superavit no balanço de pagamento, na medida em que torna as vendas de serviços, aliados às patentes, fonte de renda nacional, proveniente do conhecimento etc.

O potencial econômico do Centro-Oeste, por sua vez, gera base industrial que se deslocou para a região nos anos de 1990 em diante a partir da detonação da guerra fiscal, na prática, competição tributária, para compensar o esvaziamento econômico dos Estados sob a política monetária e fiscal brasileira subordinada ao FMI e ao Consenso de Washington.

Nesse contexto centroestino de vastas possibilidades inexiste, no entanto, forças políticas centroestinas , devidamente, articuladas para fazer valer o poder econômico ascendente expresso em ocupação de espaço no poder federal. 

As forças políticas do Centro-Oeste, por isso,  ainda não conseguiram espaço na Esplanada dos Ministérios. No máximo tem uma secretaria politicamente esvaziada no Ministério da Integração Nacional. O ministro Geddel Vieira Lima, sob pressão permanente das bancadas nordestinas, da qual faz parte, volta suas atenções para tais bases, enquanto não sofre pressões, no mesmo sentido, da bancada centroestina, na prática, inexistente. Esquentar para que?

Bombardeio dos banqueiros

 

itamar foi bombardeado pelos banqueiros na tentativa de fortalecer o centro oestemarisa-serrano diz que não existe na prática o espírito centroestino, mas o dia em que firmar, será , politicamente, poderosoLúcia Vânia articula a Sudeco, mas , sem união, fica difícil

joaquim-roriz ficou pouco tempo como ministro da agricultura pelo PMDB, deixando espaço que não foi mais preenchido por políticos centroestinos

 

 

 

 

 

O desejo regional intenso seria se ver representado no Ministério da Agricultura, ressalta a senadora Marisa Serrano(PSDB-MS). Tal conquista daria força ao espírito centroestino, diz ela. Haveria, consequentemente, deslocamento do poder de São Paulo e do Paraná, que, historicamente, têm dado as cartas nas políticas agrícolas.  Tal façanha foi possível , pela primeira vez, no Governo Itamar Franco. A experiência, porém, foi implodida pelos banqueiros. Itamar julgou necessário o Centro Oeste posicionar-se melhor na cena federal e indicou o falecido empresário brasiliense, ex-presidente da Associação Comercial do DF e ex-secretário da Agricultura, Nuri Andraus, candidato do ex-governador Joaquim Roriz(PMDB). 

O bombardeio dos paulistas e dos paranaenses não tardou. Implodiram Nuri. Conseguiram desencavar um crime antigo praticado por Nuri, que a justiça já havia julgado, isentando-o, para tira-lo. No fundo, Itamar, via Centro-Oeste, tentatava emplacar reivindicação nacionalista dos pequenos e médios agricultores, de poderem pagar suas dívidas com produtos. Fugiriam da escravidão monetária dos bancos, no momento em que os juros escalpelavam e iam escalpelar ainda mais do governo FHC em diante, no tumulto das crises monetárias.

Os banqueiros jogaram para o alto o sonho do Centro Oeste de ocupara a pasta poderosa da Agricultura com uma proposta de redução dos custos financeiros nas transações comerciais. Loucura itamariana.  Agora, que começa a disseminar tentativas de trocas comercias por moedas regionais, livres do dólar, que se desvaloriza, a experiência do ex-presidente mineiro ganha sonoridade maior, com destaque que o Centro Oeste foi o seu portador.

Contudo, sem força política, o sonho de Itamar morreu e Nuri foi para o espaço, sem o socorro de Roriz, que ficou na muda, diante das pressões dos banqueiros. Posteriormente, Roriz, em 1990, se transformaria em Ministro da Agricultura, mas , rapidamente, saiu da pasta para candidatare-se a governador. Experiência pífia.

A oportunidade teria sido perdida depois que JK, que pretendia disputar a eleição de 1965, levantando a bandeira da agricultura, foi cassado pelos militares em 1964. Não nasceram novos JKs, depois do golpe, e a região , sem projeto , dilui-se em divisões intestinas.

Os políticos não se colocaram à altura do espírito empresarial empreendedor que, mesmo sem a unidade política regional, seguiu adiante, no peito e na ração, como destaca a senadora Kátia Abreu(DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNA), primeira mulher a alcançar o cargo, comandando, politicamente, a classe empresarial responsável por 34% do PIB brasileiro.

Enquanto não dominar o espírito centroestino, a força do Centro Oeste fica comprometida pela própria divisão das bancadas partidárias da região, ressalta a senadora Lúcia Vânia(PSDB-GO), relatora do projeto de lei que cria a Superintendência de Desenvolvimento do Centro Oeste(Sudeco), em tramitação no Senado.

 

Furia collorida 

 

katia-abreu comanda política 34% do PIB, correspondente ao agronegócio brasileiro, mas não conseguiu destacar-se como liderança que busque a união da linguagem centroestina, como fazem os politicos do nordeste, para valorizar os pleitos políticos centroestinosrodrigo-rollemberg considera essencial a união para abrir espaço ao centro oeste no poder federal, caso contrário, continuará sendo insignificancia no congresso nacionalcollor representou um dos maiores atrasos para o centro oeste

magela-, no comando da comissão de orçamento da camara dos deputados, prega mais recursos, mas união, para tanto, é fundamental, o que, infelizmente, falta

 

 

 

 

 

A Sudeco, evidentemente, criaria fato político, ao começar a ser pressionada pelas assembléias legislativas dos estados do Centro Oeste e, também, do Norte, a tomar providências em favor do interesse centroestino. Antes que isso acontecesse, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, na sua fúria anti-estatizante, comandado de fora para dentro pelo Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, mandou fechar a Sudeco, que fazia o papel da Sudene e da Sudam – Superintendência de Desenvolvimento do Norte.

O ex-presidente prestou péssimo serviço ao Centro-Oeste: desestruturou a possibilidade de criação do Banco de Desenvolvimento do Centro Oeste, para atuar como os bancos de desenvolvimento do Norte e do Nordeste. Sem possibilidade de banco de desenvolvimento para o Centro Oeste, o Banco do Brasil passou a fazer as vezes de banco de desenvolvimento. Como, durante a Nova República, sob orientação do Consenso de Washington, o Banco do Brasil passou a privatizar suas ações e caminhou para o curso de banco estritamente comercial, o papel de promotor do desenvolvimento ficou apenas no papel, não foi , efetivamente, exercido.

Como banco meramente comercial, o BB, nas crises monetárias que abalaram a Nova República, sujeita às ordens dos credores e da governança do FMI, arrochou geral. As dívidas dos empresários, para alavancar os projetos de desenvolvimento no Centro Oeste, foram para a lua, na elevação das taxas de juros, especialmente, a partir de 1997. Criou um passivo financeiro monstruoso, enquanto os tomadores de crédito perdiam suas garantias, como foram os casos dos agricultores. Sem preço mínimo e sem seguro, que garantiam renovação anual dos empréstimos, limpando passivos e liberando crédito, rapidamente, os agricultores, com os juros escorchantes, perderam o rumo. Inadimplência geral.

As lideranças políticas centroestinas, nessa ocasião dramática, não se uniram no Congresso, e, até hoje, como reconhece o deputado Rodrigo Rollemberg(PSB-DF), as bancadas não se fizeram resistentes aos estragos provocados pelas políticas econômicas neoliberais, porque faltou união política e estratégia de ação comum, regional.

antonio-fabio : sem união não terá ministerio centroestinoRICARDO CALDAS considera morosa a estrategia centro oeste e prega pressa na sua materializaçãoA criação Sudeco é debatida no Senado. Da mesma forma, a criação do Banco de Desenvolvimento do Centro Oeste se arrasta na Câmara. Os governadores da região já se reuniram várias vezes, para acertar pontos divergentes, mas não ficou amarrado nada. Só conversas. A condução política não se efetiva, destacam o deputado Geraldo Magela(PT-DF) e o senador Delcídio Amaral(PT-MS).Enquanto isso, os empresários seguem adiante, no rastro da escassez das lideranças políticas. Os dados das federações de indústria e agricultura dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, sinalizam investimento superiores a 10 bilhões de dólares no Centro Oeste nos próximos cinco anos. O Centro-Oeste, no cenário mundial em que se inverte a deterioração nas relações de trocas globais, mediante dólar em desvalorização, terá suas mercadorias valorizadas. Passaram a constituir, segundo o vice-presidente da Fibra, Ricardo Caldas, atrativo aos investidores nacionais e internacionais.

 

Armadilha financeira

 

sandro mabel contraria o planalto porque descentraliza o poder da união no plano tributáriodelcidio considera a sudeco ponto de partida para o revigoramento do centro oeste no cenário nacionalperilo em goiás jogou com a agressividade na política tributária, fazendo guerra fiscal, acabou conseguindo construir base industrial goiana cuja produção se realiza, principalmente, no distrito federal

 

 

 

 

 

São amargas as experiências empresariais que se lançaram aos empreendimentos com recursos do governo , repassados pelo Banco do Brasil, para dar cumprimento aos programas de desenvolvimento regionais. Os empréstimos oriundos do chamado FCO – Fundo de Desenvolvimento do Centro Oeste, coordenados pelo Banco do Brasil, sob orientação comercial, distante do conceito de banco de desenvolvimento, viraram pura armadilha.

Até hoje, o rabo do passivo torna o empresariado tecnicamente inadimplente e , portanto, indisponível para empréstimos, aos olhos do BB, que considera tal passivo incapaz de servir de garantia para novos empréstimos. Empoçamento geral.

Se não se pode sair do passivo que fica como um cadáver insepulto a bloquear novos empréstimos não realizados por carência de garantia dos tomadores, não se pode dizer que o FCO seja saída satisfatória, como destaca o empresário,  Gilberto Rossi, da Indústrais Rossi, fabricantes de motoredutores para portões automáticos.

A falta do espírito político centroestino impediu até hoje o enfrentamento , no Congresso, das anomalias do FCO, fruto das irracionalidades, fiscal e monetária, praticadas nos anos de 1990 em diante, responsável por colocar em bancarrota os tomadores de empréstimos para o desenvolvimento regional.

Os fatos, porém, estão superando as perplexidade dos próprios políticos do Centro Oeste distantes de si mesmo em forma de desunião tem torno de objetivos comuns, para fazer valer o poder econômico regional.

 A base industrial do Centro Oeste ganha cores vivas em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul , tendo como mercado consumidor, principalmente, o Distrito Federal, maior renda per capita do país, com um PIB distrital de quase 35 bilhões de reais. 

Goiania, por exemplo, entraria em colapso econômico se o Distrito Federal enfrentasse bancarrota. Repetiria a situação global, em que os países asiáticos faziam dólares vendendo suas tecnologias no mercado consumidor americano tocado a dólar emitido sem lastro. Com a bancarrota americana, os asiáticos e europeus foram implodidos, com os derivativos podres que adquiriram dos bancos americanos, também, falidos, na jogada.

Há uma cadeia produtiva geoestratégica a partir do Distrito Federal, caminhando para o Oeste e Norte, na linha preconizada por JK, que prometia, se fosse eleito em 1965, priorizar a agricultura. O discurso juscelinista perdeu sonoridade, simplesmente, porque os líderes regionais ainda não concluiram o óbvio: somente serão fortes, diz o deputado Magela, se tiverem força no Congresso, para influir nos ministérios.

Restam ações isoladas, que não prosperam, como o projeto de lei da reforma tributária, cujo relator, o deputado Sandro Mabel(PR-GO), contraria o Planalto.

Haveria, na prática, pelo projeto relatado por Mabel, supressão das contribuições sociais e distribuição maior de recursos para estados e muncipios, descentralizando o poder tributário localizado na União. As contribuições nasceram como sugestão do Consenso de Washington, na Era FHC, para que não fosse distribuida a totalidade da arrecadação tributária com as entidades federativas. O objetivo federal era permitir crescentes sobras de recursos para formação de superavits primários elevados, de modo a garantir pagamento dos serviços da dívida aos bancos privados, satisfazendo-os em suas exigências bancocráticas neoliberais.

O neoliberalismo abraçado pelos governos neorepublicanos, nos anos de 1990, determinou que o resultado das contribuições não seriam repartidos entre União e Estados e Municípios. Somente continuariam sendo repartidos os resultados da arrecadação do IPI e IR. Os governadores e prefeitos dançaram.

Mabel, com seu projeto, que cria o IVA, ao mesmo tempo, elimina as contribuições, que, atualmente, correspondem a quase 50% do total da arrecadação. O Planalto, sob Lula, reage como reagiu FHC: impede que o projeto caminhe no Congresso. Nesse cenário, o Centro-Oeste, que poderia, como potência econômica emergente, sair favorecido com a mudança da cobrança do ICMS,  no estado consumidor e não mais no estado produtor, sai prejudicado, principalmente, porque não cerra fileiras em favor de Mabel a bancada centroestina.

A força econômica do Centro Oeste, detentora de base para garantir a sobrevivência nacional e internacional de alimentos; para produzir energia renovável, que atrai investidores em áreas de química, biologia , biofertilizantes, etanol, biodiesel, óleos vegetais, capaz de formar cadeia produtiva da biomassa,  que muda de paradigma a relação produção-meio ambiente, está sem líderes e unidade no Congresso. A tentativa para influir em 2010 requereria muito mais mobilização.