16 jun
2009Lula para Senado 2010
Categoria: (Política) por Cesar Fonseca em 16-06-2009

Exclusivo
O presidente Lula pode disputar o Senado em 2010. Essa posição já corre nos bastidores. Incendeia as mentes petistas no Distrito Federal, devendo, certamente, espraiar geral. Ele ganharia fácil, em qualquer estado brasileiro, argumentam os grupos lulistas e dilmistas, muito bem situados na burocracia estatal, cujo ídolo é o ex-deputado José Dirceu, o articulador-mor da estratétia de tudo para Dilma e para formação de base governista parlamentar majoritária e distribuição do poder regional para os aliados. Lula, candidato ao Senado, seria a correia de transmissão irresistível.
Na Nova República, herdeira da ditadura e dos modos concentracionistas dela, conferindo supremacia absoluta ao poder federal, ficando aos governadores e prefeitos a tarefa de virem a Brasília passar o chapéu, sempre, de forma subordinada, conforme determina os mandamentos do Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, o jogo já é dado como favas contadas entre os eufóricos integrantes do PT. Nas rodas lulistas, clubes, filas de cinema etc, é lance jogado.
Lula sairia no tempo constitucional, daria espaço ao vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, que o titular do Planalto pretende homenagear com cores históricas, no panteão da Nova República, e correria o Brasil, ao lado de Dilma, para tentar elegê-la e cumprir a programação política de José Dirceu.
O presidente, que diz já estar com saudade do poder, vai articulando o poder mais amplo. No Congresso, seria primeiro ministro de fato, embora, de direito, a Constituição consagre uma mixórdia presidencialista-parlamentarista subordinada às medidas provisórias que atendem aos interesses maiores do capital financeiro.
Lula seguiria o destino do primeiro ministro da Rússia, Wladimir Putin, que, depois que deixou o comando do Executivo, para seu sucessor eleito Dimitri Medevdev , continuou mandando como parlamentar das Dunas. O primeiro ministro joga dobradinha com o presidente da Rússia.
A aproximação entre Russia e Brasil guarda não apenas interesses econômicos, como vendas de carnes , porcos, fosfato, grãos em troca de trigo e petróleo, mas, igualmente, políticos. Putin manda no parlamento e influi diretamente o governo Mendevedev.
Putinização sul-americana



Pontificando, internacionalmente, no momento em que o capitalismo, americano e europeu, balança como sacos furados sob sol e vento para se enxugar do maremoto financeiro , responsável por fragilizar o dólar, o presidente Lula, ao lado de Mendevedv, primeiro ministro russo, Hu Jintao , presidente chinês, e Manmohan Singh , primeiro ministro indiano, no contexto dos BRICs – Brasil, Rússia, ìndia e China – , abre espaço para consolidar liderança internacional, no pós crise global 2008.
Sua característica essencial condiz com os interesses das elites, que precisam de apoio do governo, e das massas, que, igualmente, necessitam ser atendidas. Sua vantagem comparativa é ter a cara de povo, aceitável para os dois lados, a fim de que sejam indiferenciados em seus interesses básicos, na relação social conflituosa brasileira.
No Brasil, a burguesia, na Nova República, experimentou representações personalistas variadas em meio à evisceração político-partidária sem representatividade concreta, enraízada nas categorias sociais antagônicas, sob modelo concentrador de renda e poupador de mão de obra.
Depois da ditadura militar, a burguesia nacional, aliada ao capital internacional, experimentou um presidente transgênico(José Sarney), um doido(Fernando Collor), um perigoso vice a contragosto desgarrado do sistema financeiro especulativo(Itamar Franco), um sociólogo marxista de sapato fino(FHC) e um operário(Lula). Jogou em todas as posições para adequar a contraditória acumulação capitalista às evoluções nas relações capital-trabalho em meio ao modelo socialmente injusto.
Lula, pelo que a história está demonstrando – e como comentam abertamente os empresários nas reuniões da CNI – , cozinha no seu cadinho as contradições e os antagonismos históricos. Faz isso por ser expressão acabada da representação popular aparente, capaz de esconder, latentemente, as contradições que desatam as forças que dominam o Congresso, para evitar que, institucionalmente, haja representação popular autêntica sob modelo eleitoral sintonizado com a comunidade. Mas, e se ele sair senador e fizer maioria popular?
O povo mete medo

O receio das forças dominantes seria o domínio completo do parlamento pelas forças populares. Aí , o cordéis poderiam fugir das mãos delas. Pavor.
Se a representação mudar – ou seja, a aparência popular chamada Lula, que esconde a essência da agressividade social que se dirigiria ao modelo em sua totalidade excludente – , a burguesia financeira sanguessuga ficaria excessivamente exposta em sua contradição.
Lula, cara do povo e máscara que os especuladores utilizam para evitar mudanças bruscas na condução do poder político, poderia não ser suficiente. Essa é a preocupação central das elites.
A candidatura de Lula ao parlamento continuaria sendo vista pelas elites como algodão entre cristais, no plano legislativo, no qual se transformaria em primeiro ministro. Continuaria útil às duas posições: de um lado, na acumulação capitalista e, de outro, na distribuição de política social, para incrementar o consumo interno. Evitaria desvalorização acelerada da moeda, cujos efeitos seriam a destruição do modelo exportador, que, historicamente, desequilibrou social e economicamente as forças produtivas sob relações sociais conservadoras.
Lula tem tudo para continuar sendo obrigado a adiar os churrascos de final de semana com os amigos de São Bernardo depois de deixar a faixa presidencial, como promete. Ninguém acredita nas suas promessas idílicas, principalmente, agora, que sua voz ganha notoriedade internacional.
Sua pregação em favor da presença do Brasil no Conselho de Segurança da ONU; a defesa que tem feito, junto com os colegas do Brics – Brasil, Rússia, Índia e China – , favorável a nova ponderação do processo de decisão política dentro do FMI, para que se possa, através dele lavar os dólares que apodreceram no mundo, a fim de distribui-lo, novamente, com a credibilidade do G-20, por intermédio da rede bancária internacional, carente de socorro; e, enfim, o próprio interesse demonstrado, segundo o jornal El País, pelo presidente Barack Obama, em ter Lula no Banco Mundial – ou na ONU? – , depois que ele deixar a presidência, para que, certamente, universalize o Bolsa Família, a fim de dar prestígio internacional aos próprios Estados Unidos, o presidente Lula vai virando peão internacional atrativo à aproximação de diversos interesses. Pode dar voto às lideranças européias visitas ao Brasil em tempo eleitoral europeu.
Evidentemente, o ibope brasileiro não decorre do jeito atarracado de nordestino arrojado no linguajar popular, extrovertido, de butiquim, de Lula, mas, porque tem por trás a nova força brasileira emergente, disponível em garantia concreta frente ao dólar que se desmancha no ar, sugerindo novo modelo monetário global.
Como senador, eleito por qualquer estado, sua força ganharia dimensão ainda mais intensa, como interlocutor. Sobretudo, nas hostes lulistas, considera-se fundamental o rearranjo do Congresso por forças renovadas pela campanha que Lula, jogando com Dilma no ataque, faria mediante discurso com repercussão internacional para conquistar o poder tanto na Câmara como no Senado. Aí , os petistas herdariam a terra.











Teria justificado orgulho de ter em meu clube rotário, Adam Smith, o professor escocês de ética e moral que viveu na segunda metade do século 18 – não apenas pelo sua obra prima – Riqueza das Nações, mas sobretudo pelo seu livro pouco conhecido e que deu embasamento filosófico ético e moral para seu pensamento – “A teoria dos sentimentos morais” de 1759 .
Após estes dois ícones do pensamento filosófico com profundas repercussões nas formas de convívio da humanidade, surgiu em 1936 a Teoria Geral de John Maynard Keynes, – é bem verdade que as propostas monetaristas foram gestadas numa conjuntura pós crise de 1929 e discutidas em Bretton Woods em 1944 num mundo com a Europa destruída pela segunda guerra mundial – embora tenha recebido o reconhecimento em sua época, a médio e longo prazo sua teoria mostrou-se um desastre – os 64 anos de exercício prático desta teoria mostrou que a estagflação foi seu melhor resultado - solução de compromisso entre o desemprego e inflação – uma ofensa a inteligência humana.