Lula orienta BB nacionalista para o campo

Categoria: (Cultura, Economia, Política) por Cesar Fonseca em 15-04-2009

lula-e-vargas

EXCLUSIVO – A tarefa principal do Banco do Brasil na nova fase de reestatização branca por meio de administração extra-mercado, para diminuir a taxa de juros, é salvar o setor agrícola, que pode sofrer crash generalizado, mantidos escassez de crédito e juros altos. Reuniões no Planalto entre as autoridades econômicas e financeiras concluiram que a tarefa é urgente. Caso contrário, pode haver desarticulação econômica no campo e emergência política indigesta em tempo de antecipação da campanha eleitoral, bancada pelo próprio presidente Lula, a fim de bombar a candidatura de sua preferida, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.

A crise traz ou não  potencial de destruição que poderia levar o titular do Planalto a arrepender-se da sua precipitação?

Basicamente, o setor agrícola perdeu base de apoio de financiamento de giro da sua atividade, na escala em que vinha sendo mantida até outubro do ano passado, quando irrompeu a grande crise financeira internacional. As tradings, nacionais e internacionais, cujos interesses misturam grandes indústrias e grandes bancos, estavam financiando o giro financeiro dos agricultores, depois que o BB, nos anos de 1990 em diante, começou a criar dificuldades com cadastros dos agricultores proprietários de dívidas antigas, sempre renegociadas, mas jamais pagas. No vácuo, elas entraram para bancar os negócios dos que não tinham mais acesso ao BB por problemas de crediário precarizado no tempo.

Evitar o crash agrícola

Dilma é uma das mais entusiasmadas em jogar o Banco do Brasil na linha nacionalista para substituir as tradings que escravizavam o agricultor, impondo-lhe falências anunciadas no tempo, dado os juros e impostos vigentes sobre seus produtos

A supressão do crédito internacional criou fato novo e terrível. As trading pegavam dinheiro no mercado externo,  convertiam dólares em reais pela taxa do dia e fechavam pré-contratos com os empresários. Ganhavam na oferta de dinheiro em quantidade inferior à receita que os agricultores tinham com as exportações contratadas, diminuindo o risco. Financiam insumos e equipamentos em escala que favorece cadeia industrial da qual as próprias trading são determinantes com seus financiamentos. Uma amarração geral em escala global.  A bancarrota financeira pôs fim ao giro financeiro ao interromper o crédito internacional. Crash à vista.

A interferência do governo federal no Banco do Brasil, para jogar o juro para baixo, tem outra grande motivação, segundo representantes do setor agrícola, qual seja a de o BB suprir a falta das trading, que, sem fornecer oxigênio financeiro, para bancar o jogo do agronegócio, perderão espaço. Jogo bruto de mercado.

Abre-se ao BB a necessidade de preeencher o vácuo deixado pelas trading, em nome da salvação da agricultura, e a oportunidade de dispor de nova estratégia para a agricultura nacional como intrumento de promoção do desenvolvimento, a partir da organização do crédito ao setor e, igualmente,  do restabelecimento de políticas que foram suprimidas pela prática  neoliberal neorepublicana, emergente depois da ditadura militar, a partir de 1985.

A periferica capitalista, nessa ocasião, sob os impactos da crise monetária dos anos de 1980, passara a ser administrada pelo Consenso de Washington.  Os Estados Unidos, para enxugar o excesso de dólares na economia mundial, subiram , violentamente, a taxa de juros, de 5% para quase 15%, estourando financeiramente as economias periféricas excessivamente endividadas em dólares, como era o caso brasileiro.

Dominação externa implacável

geisel seguindo os planos de desenvolvimento nacionalista adotados desde o governo medici colocara o banco do brasil para ser dinamico na agricultura, mas os governos neorepublicanos neoliberais reverteriam essa posição

A política econômica, ditada pelo Consenso de Washington e operada pelo FMI, sob supervisão da Casa Brana, partiu para o estado mínimo. A agricultura perdeu os subsídios, os preços mínimos, os seguros agrícolas. Os agricultores foram jogados às feras nas savanas darwinianas africanas do livre mercado, na medida em que os bancos públicos, como o Banco do Brasil, outrora identificado como banco da produção agrícola, abraçaram o jogo neoliberal.

Rompia-se prática que vinha desde Getúlio Vargas, em 1930, quando, para fugir da crise neoliberal de 1929, o governo protegeu os agricultores de café em nome do fortalecimento do mercado interno, que fomentaria, imediatamente, nos anos de 1930-1940, a arrancada industrial brasileira, em plena crise mundial. A proteção e estímul ao campo, pelo Banco do Brasil, atravessou toda a ditadura militar, de 1964 a 1984, mas, sob neoliberalismo do Consenso de Washington, ruiu espetacular e desastrosamente. A agricultura caia nas mãos dos especuladores, deixando de ser instrumento estratégico do desenvolvimento, segundo a visão getulista-militarista-nacionalista.

Sob o juro alto praticado nos anos de 1990, principalmente, na Era FHC - que pretendeu enterrar a Era Vargas – , para sobrevalorizar a moeda nacional, a fim de dar combate à inflação, enquanto acumulava-se dívida pública interna e externa e sucateamento industrial, mediante práticas de redução de tarifas de importação, a agricultura passou a viver altos e baixos, no compasso do dinheiro caro. As bancarrotas fizeram acumular dívidas, quanto mais estiveram os agricultores desprotegidos do seguro agrícola, com o qual pagavam os prejuízos e renovavam os empréstimos. Sem os seguros e com a emergencia dos prejuízos, deixaram de pagar seus papagaios, que se acumularam. O BB, sob orientação do mercado, passou a atuar radicalmente, deixando os agricultores, paulatinamente, de lado. Ou melhor, expostos às garras dos especuladores.

Os fazendeiros tocaram o negócio, mesmo perdendo relativamente aos ganhos das tradings e correndo maiores riscos decorrentes da inexistência de seguros e preços mínimos, porque havia a garantia da oferta de crédito, viabilizada pelas trading. Como, na crise, esse jogo foi aos ares, impedindo as trading de exercitar o papel de escravizar o setor agrícola nacional, o BB, agora, é chamado a exercitar novo jogo, nacionalista. Caso contrário, haverá falências em pencas. Lula retomaria a tradição getulista-militarista que via o campo como fator estratégico para fomentar o mercado interno para a indústria, a fim de substituir as exportações que estão em dificuldades diante do crédito escasso?

Especulação vitimou campo

ministro-da-agricultura stefani está diante de novos desafios para

O Ministério da Agricultura está atônito com a possibilidade de quebradeira e desarticulação geral, a menos que haja socorro emergencial por parte do Banco do Brasil. Como as trading não podem mais complementar a ação do Banco do Brasil na oferta de capital de giro aos agricultores , o BB terá, obrigatoriamente, que complementar a falta das trading. Pode ser a libertação dos agricultores do jogo financeiro especulativo.

Na prática, muito capital que moveu o setor, repassado pelas tradings atuantes no campo brasileiro, veio das conversões dos derivativos em operações bancárias altamente especulativas. O jogo especulativo teria se dado, largamente, na avaliações de representantes do setor agrícola, por intermédio das tradings. Elas teriam movimentado, em grande parte , o agronegócio com os ganhos de intermediação que estavam sendo reproduzidos na praça global pelos fundos de investimentos aos quais recorriam para levantar empréstimos externos para serem repassados internamente - tudo para garantir o giro do agronegócio  nacional, agora, sem crédito, pedingo água.

Acabou a predominância da palavra de ordem favorável ao estado mínimo no campo. O BB, segundo articula-se , no Planalto, potencializaria a agricultura nacional a partir de ótica nacionalista. Esse é o fulcro da discussão que se dá entre os assessores presidenciais, fechados com a candidatura Dilma Rousseff, dispostos a marcar nova posição política governamental na condução da política agrícola, operada pelo BB.

Crise favorece retorno de Roriz ao poder no DF

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 13-04-2009

Situação internacional favorece tentativa de Roriz de voltar ao palco político no Distrito Federal no momento em que o desgaste político toma conta do governador Arruda, pego em cheio pela bancarrota internacionalVicentine, como num enredo de novela, volta à cena no Distrito Federal, para, ao lado de Roriz, tentar mandato parlamentar, na oposição ao governador, seu ex-marido

O governador José Roberto Arruda(DEM-DF) está passando pelo inferno astral político. Ele e seus colegas governadores, não se excluindo, principalmente, o presidente Luís Inácio Lula da Silva. Todos tentam embarcar na Arca de Noé, para se salvarem do dilúvio econômico universal. Não está fácil. Nesse contexto, o caminho se abre para a oposição. Se esta, em outras oportunidades, fichinhas perto do tremor de terra que representa a crise econômica global em curso, teve bons resultados ou se seu representante teve condições de exercitar uma relação estreita com a população, as chances de retorno ao poder são grandes. Pode ser o caso do ex-governador Joaquim Roriz, que renunciou para não ser cassado por corrupção com perda de mandato de senador eleito em 2006. Ele se prepara para voltar em grande estilo, tendo como estandarde a ex-mulher do governador Arruda, a talentosa atriz Mariane Vicentine. Separada do marido, logo que este assumiu o poder, casando outra vez, com Flávia, agora, lançada politicamente por ele para tentar ser popular, comandando programa social, numa típica jogada política peronista sulamericana, Mariane Vicentine volta à cena nos braços políticos do PMDB, com Roriz, para disputar mandato parlamentar. O Distrito Federal assistirá espetáculo jamais visto na história política recente do país. O ex-governador busca sensibilizar o senso feminino da capital, jogando em cena a ex-mulher do governador como astro político na campanha eleitoral. Roriz feminista.

O governador José Roberto Arruda e seu vice, empresário Paulo Octávio, foram pegos no contrapé pela crise. Assumiram o governo com a capa de Maquiavel. Fazer o mal de uma só vez e o bem aos poucos. O titular do Buritinga fez a maldade numa pancada. Demitiu mais de 16  mil aliados populares do ex-governador Roriz abancados na máquina administrativa, em fundação social, como cabos eleitorais rorizistas.  Se se multiplica 16 x 5(integrantes de cada família do demitido ou demitida), tem-se 80 mil pessoas que imediatamente passaram a ter ódio do governador. Milhares de votos foram para a fogueira. Logo em seguida, em rumoroso e excitante desdobramento de vida familiar, rolou novo casamento, que incendiou a imaginação da capital totalmente fofoqueira.

Dois episódios, um familiar, que não deixa de virar público, porque público é o governador, a partir do momento em que assume o cargo e se expõe material e espiritualmente ao povo; outro, político, a demissão em massa de rorizistas, ocupantes de cabides de emprego em fundação de serviço social, cuja função era, indiscutivelmente, fazer populismo político – eis os codimentos que temperarão a luta política no DF.

Ao meter o pé na barraca de Roriz, Arruda inviabilizou possibilidade de conquistar o coração dos rorizista ao longo de sua trajetória. E ao deixar a ex-mullher e casar rapidamente com outra, criou indisposição surda com o voto feminino.

O fervor que os partidários de Roriz evocam promete radicalismo. Não menos fervoroso e radical pode vir a ser, também, o voto feminino no DF. Tudo misturado, no compasso geral da crise que inviabiliza economicamente o governo e o coloca sob pressão total do desemprego, tende a favorecer Roriz.

Pegos no contrapé pela crise

Governador e vice estão sob ameaças por ter preferido o econômico ao social, pensando em primeiro enxugar e econmizar, para depois gastar, no momento errado, porque a crise emergiu e levou as economias que poderiam garantir segundo mandatoOs dois episódios, que deixaram a familia brasiliense antenada na situação política e familiar governamental e nos seus desdobramentos ao longo dos últimos dois anos, não contribuiram, por sua vez, para transformar o governador Arruda em político carismático, como é o caso de Joaquim Roriz, amado pela população pobre, porque viveu tempo especial de bonança, por meio da qual construiu capital político popular de grande estoque no tempo.

José Roberto Arruda , ao destruir o paiol populista rorizista não construiu outro no lugar, imediatamente. Conferiu característica mais econômica que social ao seu perfil governista, na medida em que jogou , maquiavelicamente, o neoliberalismo radical. Primeiro a economia, custe o que custar; depois, o social. Ou seja, o inverso das prioridades de Roriz.

Arruda partiu para enxugar o governo no plano fiscal e monetário, na base do arrocho, enquanto, ao mesmo tempo, ergueu o discurso da Brasília legal, na tentativa de desmontar o jogo de interesses armados pelo ex-governador Joaquim Roriz, que favoreceu sua relação não apenas com os mais pobres, por meio de agressivo programa social, tão ou mais eficiente do que o patrocinado pelo governo federal, com o Bolsa Família, mas, também, com os mais abastados. Se, de um lado, ficou com sua imagem ligada à desconfiaça de favorecer empreiteiras, isto é, grandes empresários, enquanto tocava as obras que rendiam votos, ao mesmo tempo, tocava programa social, favorecendo os miseráveis. Uma no cravo outra na ferradura.

Com Arruda, essa possibilidade não foi construída, no plano do imaginário. Sem mediação política , o governador destroçou a base social erguida por Roriz e ao mesmo tempo, também, a base econômica que usufrui os serviços de concessão do governo anteriormente concedidos pelo ex-governador, como no caso de transportes de vans.

Embora possa ter havido, como denunciam os arrudistas, jogo de influência na divisão dos interesses, com as vans, tornou-se possível alcançar, no DF, aquilo que o economista inglês, Adam Smith, caracterizou de livre mercado. Os consumidores estiveram sob intensa disputa pelos donos de vans, de modo que esperavam o transporte na própria porta de casa, a preço competitivo.

Arruda destruiu essa base econômica em nome da organização do trânsito, que, infestado de vans, estavam destruindo a paz dos que enfrentam o dia a dia caótico no DF. O governador e o vice, na prática, detonaram o livre mercado de transporte que, atuando sem regras – tipo o mercado financeiro global que foi para os ares – , aterrorizava quem possui carro, m as, de alguma maneira, facilitava a vida de quem não o possui.

Não teria sido o caso de, em vez de destruir essa base econômica vivendo em competição imperfeita, enquadrá-la dentro de rígidas regras de fiscalização econômica e de comportamento estabelecidas pela legislação do trânsito?

Petistas se aliam ao ex-governador

Magela ou Agnelo-Roriz? O jogo do PT-RORIZ-PMDB já está no ar com potencial de fogo elevado com Roriz na cabeça, se a crise se aprofundar e deixar o governador em situação ainda mais crítica, podendo superar seu momento em forma de vitoria em 2010.O fato é que ao destruir a base econômica do transporte disseminado de vans, que, segundo os aliados do governador, constituiam máfias organizadas com o beneplácito do ex-governador, o titular do GDF acumulou  mais uma carga de ódio, agora, de outra categoria social, cujo poder de espalhar veneno político tornou-se imenso, quanto mais foram destroçados em favor da predominância de grupos oligopolizados, mais poderosos financeiramente.  São milhares de bocas a falar mal do chefe do poder.

Arruda e Octávio, no plano do transporte coletivo,  optaram pela elitização da propriedade em vez da disseminação da propriedade, em nome chamada Brasília Legal, cujos resultados positivos foram ofuscados pela radicalidade das medidas corretivas adotadas. Também em nome da legalidade, foram retirados os feirantes dos locais de movimento, bem como limpeza da paísagem em geral, sob abuso da propaganda indiscriminada. Limpou o terreno, transferindo o pessoal para uma feira construída pelo governo, mas distante do consumidor. Mas, quem vai continuar distante do consumidor, com mercadorias acumuladas em estoque, com o compromisso de se formalizarem? Caixão. Acumularam-se mais ressentimentos etc.

Toda essa onda negativa – somada aos insuficientes serviços de saúde, educação e segurança – o governador pensou ser possível removê-los nos dois anos finais de governo, quando teria em caixa dinheiro acumulado com a política maquiavélica praticada nos dois primeiros anos, à moda neoliberal, de cortar despesas e acumular receitas, em nome da governabilidade. Cumpriria, na segunda etapa governamental,  seu tempo de vacas gordas, programando, abstratamente, arrojado cronograma de obras. Estas, claro, se expressriam em votos em 2010, favorecendo segundo madato. Debalde.

No meio do caminho tinha uma pedra. Explodiram as hipotecas imobiliárias americanas no mercado global, empoçando o crédito mundial, quebrando o sistema financeiro europeu e americano e, consequentemente, rompendo o equilíbrio econômico internacional precário sob o domínio do dólar.

O tsunami econômico desorganizou a economia e as finanças de todos os países, atingindo o DF. Na Europa do Leste , a situação está muito pior. Não têm matérias primas nem base industrial, estão endividados e as exportações secaram. Os governos estão caindo em pencas. No Brasil, embora haja abundancia de matérias primas e base industrial forte, a posição do presidente Lula , ainda assim,  começou a sofrer revezes nas pesquisas em meio a uma economia sangrada pelos juros altos. Os governadores e prefeitos, idem.

Sem poder lançar mão do dinheiro que economizou nos dois primeiros anos do governo, o governador Arruda, em vez disso, está tendo, nos dois anos finais de sua administração, que distribuir o recurso economizado para compensar quedas de arrecadação tributária decorrente da bancarrota financeira que desacelerou geral.

Troca seis por meia duzia, fora o desgaste das greves.

Lua de mel no fim

A lua de mel entre Lula e os governadores, entre eles, o governador Arruda, pode estar chegando ao fim, porque não são mais possíveis a sustentação das regras do consenso de washington, que fragilizaram a federação brasileiraOs prefeitos e os governadores estão na lona, com a queda da arrecadação. As dívidas e os prazos terão que ser renegociados e esticados. Para piorar, recebem, como recursos transferidos, apenas, as receitas dos tributos – imposto de renda e imposto sobre produtos industrializados; não vêem a cor do dinheiro das contribuições sociais, responsáveis por mais da metade da arrecadação tributária nacional, pois são abocanhadas, integralmente, pelo tesouro nacional, graças ao neoliberalismo praticado na Era FHC.

Sob orientação dos banqueiros,  do Consenso de Washington e do FMI, os governos neorepublicanos, depois da crise monetária dos anos de 1980, arrocharam neoliberalmente os governos estaduais para pagarem em escala cada vez mais crescente os serviços da dívida pública interna. Superavits elevados , abertura econômica e privatização – eis o que exigiam os credores.

Os neoliberais , agora, colhem o desastre que plantaram em forma de condução da economia, desregulamentando-a, totalmente, sob discurso ideológico favorável ao estado mínimo. A sociedade, argumentavam, teria maior abundância e progresso. Olha o resultado aí! Miséria, fome, desemprego e, certamente, perda de votos.

O governador Arruda e o vice, propagandistas do neoliberalismo, que entrou em crise e pegou-os, como executivos, no contrapé, terão pela frente a propaganda populista distributivista do ex-governador Joaquim Roriz, aliado do PT.

Ambos, PMDB-PT,  almejam evitar que Arruda e Paulo Octávio – a dobradinha seria repetida, na crise, em 2010? – cheguem ao segundo turno, para poderem disputar entre si – Roriz x Agnelo? Magela x Roriz?  – , realizando, no frigir dos ovos, governo de composição, seja qual for o resultado final.

Se Arruda for para o segundo turno, teria Roriz-PT juntos contra ele. Se, ao contrário,  o PT e Roriz  disputarem a segunda etapa, Arruda apoiaria quem? Roriz? Agnelo ou Magela, prováveis nomes do PT? Roriz, parece, conseguiu entrar na Arca de Noé.

No momento em que as massas têm diante de si o espectro da fome espalhada pela crise global, PT-Roriz ou Roriz-PT, na composição eventual da força oposicionista , disporiam de vantagens comparativas geradas pelo desgaste político mundial circuntancial que abala Arruda-PO.

O desgaste adicional com a greve dos professores seria outro buraco político. A disposição da categoria de radicalizar, no momento em que a maior preocupação é evitar a escalada do desemprego, pode favorecer o governador Arruda, fortalecendo-o. Mas, poderá ser algo momentâneo, caso a crise continue desvastando os lares, expulsando trabalhadores, espalhando o pânico social.

O pedido de trégua de 90 dias solicitado aos professores pelo  governador é sua única saída, que pode esconder grande sagacidade. Nos próximo três meses, a situação estaria tão crítica, pelo andar da carruagem, que as reivindicações dos professores soariam abusivas aos pais dos alunos prejudicados.

Seria a hora de Arruda mobilizar a sociedade contra os professores?

Consenso de Washington já era

Se Gordon Brown reconheceu que o Consenso de Washngton chegou ao fim, porque os governadores continuariam sofrendo os desgastes impostos pela regra do consenso, inviabilizando a economia nacional? Não seria ser mais realista que o rei, que está nu?As opções que vão restando aos governadores , na marcha da redução dos recursos, é gritar contra o governo federal. Arruda não faz para cima, com Lula, o que fez para baixo, com os aliados de Roriz, depois que chegou ao poder. Convive bem com Lula, mas luta nos Ministérios para arrumar dinheiro e evitar que haja maiores restrições aos repasses de recursos por meio dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios, visto que o DF tem direito, constitucional, aos dois.

Ele, no entanto, entra na fila como os demais colegas governadores, esperando pela oportunidade, enquanto os desgastes provocados pela crise avançam, inexoravelmente. Diante da morte, ninguém deixa de gritar. É o que pode acontecer, se o gargalo apertar. Tudo indica que isso pode rolar, nos próximos meses. Analistas credenciados dão de barato três anos de crise. Ou seja, tempo de vacas magérrimas. Contraste total com os   cinco anos de vacas gordas que passaram como vento das tempestades, sem deixar rastro, assombrando governadores e prefeitos.

Certamente, abre-se campo de luta entre os governadores e o governo federal por maior distribuição de recursos da receita tributária em nome de pacto federativo. O foco da luta pode ser a defesa, pelos governadores, de maior naco de carne das contribuições sociais, cuja arrecadação não é dividida entre governo federal e unidades federativas.

A criação das contribuições representou maquiavelismo do ex-secretário da Receita Federal e da secretaria da Fazenda do Distrito Federal, Everardo Maciel. Monitorado pelo Consenso de Washington e pelo  FMI, o governo FHC determinou à Receita mais arrecadação para cobrir as despesas com juros que bancavam o populismo cambial decorrente da sobrevalorização da moeda nacional em nome do combate à inflação.

Sem distribuir os bônus das contribuições sociais, que ajudam a formar os superavits elevados, para pagar juros da dívida pública interna, o governo federal segregou economicamente estados e municípios. Estes tiveram que se contentar com repasses organizados em fundos de participação, sujeitos a rígidas condições orçamentárias impostas pelo FMI e Consenso de Washington.

Ou seja, Arruda  e governadores em geral teriam que peitar Lula e engrossar movimento nacional pela reversão ou eliminação das regras do Consenso de Washington, que caducaram.

Por que seriam mantidas no Brasil, se, na reunião do G-20, realizada há duas semanas, em Londres, o primeiro ministro da Inglaterra, Gordon Brown, destacou que o Consenso de Washington acabou? Se quem criou o instrumento que ancora pensamento neoliberal anglo-saxão o condenou, por ter se tornado ineficaz, por que ele continuaria sendo aceito em forma de exploração pelos explorados?

O Distrito Federal, sob as regras do Consenso de Washington, só tem a perder, porque, sendo município e estado, de acordo com a Constituição, poderia ter o dobro da arrecadação, se o resultado das contribuições sociais entrasse no bolo geral para dividir com estados e municipios. Disporia de recursos para  cumprir cronograma de obras. Poderia se safar da pressão social que favorece ascensão irresistível de Roriz. Arruda teria que levantar uma bandeira externa, para obter ressonância interna, a fim de tentar dar a volta por cima.

Mudança no BB é recado para Meirelles do BC

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 09-04-2009

A situação de Meirelles ficou crítica com a queda do presidente do Banco do Brasil, por não cumprir determinações, para diminuir os juros, tarefa cuja responsabilidade maior é do titular do Banco Central, que, se não cumprir essa tarefa coloca em risco a candidatura de Dilma RousseffNão teria sido recado para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a queda do presidente do Banco do Brasil, Lima Neto, resistente à recomendação presidencial para baixar juros e intermediação financeira(spreds), nos empréstimos no contexto da crise em marcha, que destroi empresas, empregos, consumo e arrecadação tributária, jogando no chão o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) e , consequentemente, a candidatura da ministra Dilma Rousseff, ao Planalto, em 2010, abrindo espaço, para a oposição?

Faltaria apenas uma carta para ser jogada pelo governo como tentativa capaz de reduzir, mais rapidamente, as taxas de juros, como arma capaz de dinamizar a produção, o consumo e a arrecadação , ameaçados pela crise de crédito cujo custo no Brasil tornou-se excessivamente exorbitante. Trata-se, agora, de aumentar a oferta de dinheiro em circulação diminuindo os depósitos compulsórios recolhidos pelo Banco Central, para administrar a liquidez monetária. O presidente do BC, até o momento, não encarou para valer o assunto, deixando correr solto o juro alto. Está correndo perigo. Lula, ao dizer que sua obsessão é diminuir o custo do dinheiro, baixando os spreds, que, no Brasil, são escandalosos, coloca a corda no pescoço do titular do BC. Poderá apertá-la, se as próximas pesquisas de opinião pública apontarem queda na popularidade presidencial.

A impaciência lulista chegou ao limite depois de jogar três cartas na mesa para tentar, infrutiferamente, diminuir o custo do dinheiro no país. A primeira representou tentativa de arregimentar os grandes bancos para ajudarem a salvar os bancos pequenos, utilizando os depósitos compulsórios a custo zero. Debalde. Em vez de jogar o compulsório na circulação creditícia, os banqueiros, que atuam oligopolisticamente, começaram a joga-lo nos títulos do governo, faturando selic de 11,25%, que dá ganho real de 6,5%, descontada a inflação. Algo extraordinário na crise em que a taxa de juro nos paises ricos, para derrubar a crise, está negativa. Por que suar a camisa se tem a mamata pela frente?

A segunda carta foi a de induzir , rapidamente, os bancos públicos a agir opostamente aos bancos privados, ou seja, diminuindo, mais fortemente, os juros, para servir de exemplo à banca privada oligopolizada, resistente à colaboração para elevar a oferta de crédito, evitando formação de expectativas pessimistas. O discurso foi forte , mas não se traduziu em prática. O Banco do Brasil, que atua, hoje, como banco comercial, de olho na rentabilidade, para dar respostas aos acionistas privados, que abocanharam quase um terço do seu capital, fez corpo mole diante da pressão governamental. As agências continuaram atuando da mesma forma, lerdamente, no atendimento da demanda, exigindo garantias absurdas, para emprestar, longe, portanto, da filosofia de banco público, perfil defendido para a instituição, nesse momento, dentro do Planalto.

Desovar compulsório nos bancos públicos

aldemir terá quta de credito para dinamizar a economia paralisada pelo juro alto decorrente da escassez de oferta de dinheiro, enquanto sobram compulsorios que poderiam cumprir com essa tarefaO corpo mole do BB obrigou o governo a jogar a terceira carta no tabuleiro, a da intervenção, na quarta, 08.04. O novo presidente Aldemir Bendine, até então vice-presidente de Novos Negócios do BB, funcionário de carreira, que seria ligado ao PT, começa, sob ordens do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a trabalhar com cronograma de ação e prática de gestão por resultados. Não cumpriu, dançou, essa seria a nova ordem. Se vai dar certo, não se sabe.

A canalização dos depósitos compulsórios, estimados em R$ 280 bilhões, poderá ser a nova arma lulista, para diminuir os juros. A acumulação deles sempre favoreceu o mercado financeiro. A administração da oferta de dinheiro, pelo BC, nos últimos anos, sempre cuidou de acumular reservas altas de compulsórios, para bancar certa escassez de dinheiro na praça, a fim de que seu preço suba, elevando os lucros bancários. Quanto mais alto o deposito compulsório, menor a oferta de crédito, mas caro o seu custo, maiores os lucros bancários, maiores os prejuízos do povo.

No momento do sufoco, o governo se dispôs a colocar essa dinheirama nas mãos dos grandes bancos, na tentativa de transforma-los em parceiros, na batalha de sustentação de satisfatória oferta monetária na circulação capitalista nacional. Não deu certo. O compulsório ficou onde está, ou seja, empoçado, para gerar, calculadamente, crédito escasso, a fim de manter juro alto. Essa é a causa central dos juros altos no país em torno da qual os analistas discutem abobrinhas, tentando construir teoria estapafurdias, tipo a de que o juro é alto no Brasil porque o risco é alto etc. Papo furado.

O Palácio do Planalto, ao que tudo indica, está tomando a frente nas questões financeiras, ultrapassando as coordenadas do Banco Central, que, nos últimos vinte anos de governos neorepublicanos, subordinados aos ditames do Consenso de Washington, tornou-se independente do governo, de forma paulatina, embora, em compensação, tornou-se, também, paulatinamente, dependente dos interesses do mercado financeiro. Seguiu, fielmente, as tendências estabelecidas por metas e pesquisas realizadas pela própria banca. Raposa fiscalizando o galinheiro.

O Planalto estaria, portanto, dando independência para as autoridades monetárias se livrarem da dependencia da banca, a fim de passarem a depender das determinações governamentais, cujas responsabilidades, na crise, aumentam, com a tarefa de gerenciar o mercado que entrou em parafuso.

Possibilidade de ampliar estatização

lima-neto deu maiores atenções aos acionistas privados do bb que não queriam assumir os riscos de aumentar emprestimos a juros mais baixos pois recolheriam lucratividade menor e rendimento mais curto da ações, enquanto o presidente ficou a ver naviosO juro elevado no Brasil transformou-se em problema político número um, no compasso da crise global, que afeta o país, colocando em xeque a produção e o consumo. O avanço do desemprego, enquanto os bancos insistem, em meio a essa catastrofe, sustentar credito escasso, exigências maiores de garantias e spreds absurdos, coloca em risco a popularidade presidencial e o futuro de Dilma Rousseff, engordando, em contrapartida, os adversários.

A tarefa do novo presidente Aldemir Bendine de irrigar a praça de dinheiro mais barato assustará os acionistas privados do banco. Com as ações rendendo menos do que antes, na euforia financeira, durante a qual o banco se caracterizava como banco privado, sem freios do Planalto, os acionistas tenderiam a vendê-las. O preço delas, no dia da queda de Lima Neto, caiu fortemente.  O governo, maior acionista, poderia ser o novo comprador. Reestatizaria geral o BB.

Essa poderia ser uma tendência relativamente ao trato do governo com suas empresas públicas, de agora em diante, em que o poder estatal se revela o único capaz de dinamizar o sistema em ritmo deflacionário?

O discurso político favorável ao fortalecimento do Estado, se houver , realmente, queda dos juros, puxados pelo BB, influenciando os demais bancos a irem pelo mesmo caminho, crescerá e estimulará pressões reestatizantes. Assim como o BB e a Petrobrás, durante os anos neorepublicanos neoliberais, abriram-se aos acionistas privados, conferindo prioridade ao valor de mercado dos seus produtos, da mesma forma, numa situação contrária, pode ocorrer, igualmente, o oposto.

O valor de mercado, vindo a recuar, imporia a estatização pela queda das ações. Mas, pode , também, ocorrer especulação pela baixa, para que os especuladores faturem essas ações, que subiriam, num segundo momento, gerando lucros especulativos. O mercado é esperto demais. A aparência não é a essência.

Lula põe “Tesouro Direto” para financiar governo e preserva poupança popular

Categoria: (Cultura) por Cesar Fonseca em 07-04-2009

Lula terá que arbitrar perdas entre os banqueiros e o poupador, provavelmente, impondo sacrificios a estes, enquanto tenta obter apoio do povo para financiar o próprio governo, comprando seus títulosA poupança virou estrela. Até agora considerada uma aplicação chifrim, rendendo 6% ao ano + TR,  diante dos absurdos juros reais que pagavam os títulos do governo – em 1998 chegaram a 49% ao ano, estando atualmente em 11,25% a taxa básica selic – de repente, torna-se alvo de atenção generalizada.

Os bancos estão chiando porque a selic pode passar a perder para a poupança. Quando se desconta da selic a inflação, emerge o ganho vantajoso circunstancial da poupança relativamente à selic. Uma virada de mesa. Bastou isso, para os banqueiros iniciarem pressões de modo a defender seus  sagrados direitos.

Sob tal pressão, o governo, subitamente, começa a estimular a compra direta de Letra do Tesouro(LT), um dos títulos da dívida pública interna, pagando juros selic, que estão caindo, para manterem ativas as atividades produtivas, a fim de evitar a expansão do desemprego.  Seria detonada a crise social se não forem fincadas estacas de contenção à lógica autodestrutiva do sistema em curso.

O rendimento do povo, justamente, na hora em que a regra garante a ele vantagem comparativa ao rendimento do banqueiro, sofre ataque. Entra em campo as forças do capital financeiro para igualar o rendimento do poupador ao rendimento do banqueiro, em prejuízo daquele. Na alta, nada igual; na baixa, tudo igual. “Quando[sob capitalismo] tudo vai bem, não tem porque distribuir. Quando tudo vai mal, não tem o que distribuir”(Marx)

O governo age para evitar que a colocação dos seus títulos no mercado, indispensáveis para ativar a demanda econômica global, sofra descontinuidade, no momento em que começa a cair o custo do dinheiro sob pressão deflacionária. Seria o caos. A segurança governamental , nesse ambiente instável, está ficando menor.

Os bancos, diante do governo em processo de superendividamento, continuariam comprando os títulos do tesouro, na escala acelerada de antes, enquanto os juros reais da selic caem, ou gostariam que essa tarefa fosse dividida com a sociedade?

Dividindo na baixa

No Brasil, paraíso dos banqueiros, os rendimentos da poupança do povo em cadernetas começa a valorizar mais do que a taxa básica de juro selic que remunera os títulos do tesouro, fonte de renda dos banqueiros, levando-os à choradeira totalParece que essa tese está pegando. O governo começou essa semana a fazer propaganda do seu mais novo produto financeiro, o “Tesouro direto”. O poupador, a partir de investimento de R$ 100, inicia a formação de sua carteira de Letras do Tesouro(LT), remunerada pela selic, com resgate de longo prazo mediante garantia de 100% do valor de face. A LT, remunerada pela taxa básica, perderia, relativamente, nas atuais circunstâncias, para a poupança. No entanto, a garantia da poupança é de até 60% do total, em caso de desastres. Já a garantia da letra do tesouro é total.

Está ficando complexo o quadro em torno da poupança e da continuidade do financiamento da dívida do governo em meio ao aprofundamento da crise mundial. O governo teme que os bancos oligopolizados  comecem a fazer corpo mole para comprar títulos públicos, na medida em que exigem arrocho na poupança. Não amolecerem no auge da crise negando apoio ao pedido governamental de socorro aos bancos menores com dinheiro do compulsório?

Por isso, como tudo é incerteza, nesse momento, o Planalto intensifica  a venda de balcão de letras do tesouro nacional. Precisa garantir novos compradores.  Começa a rolar experiência histórica: o povo, junto com os banqueiros, estaria jogando suas economias em letras do tesouro, para financiar o governo, de modo a permitir investimentos públicos, promovendo o desenvolvimento? As novas circunstâncias vão impondo novas ações surpreendentes e inesperadas.

A classe média pode embarcar nas letras do tesouro. Seria atraída, assim como o pequeno poupador, pela diversificação da aplicação financeira popular. Ele pode ganhar na poupança um juro maior, sem garantia total, ou faturar uma letra do tesouro por um juro menor – ou maior, dependendo das circunstâncias – , mas com garantia total. Dividiria seus ovos em duas cestas seguras. Uma super-segura, outra bastante segura.

Essa alternativa, que já está sendo colocada em prática, no lançamento da campanha de marketing favorável ao “Tesouro direto”, estimulando aquisição de LT, sem intermediário bancário, parece representar o meio termo encontrado pelo titular do Planalto para não entrar em choque direto com os aplicadores em cadernetas de poupança. Se isso ocorresse, o presidente poderia sair chamuscado nas pesquisas eleitorais, o termômetro da governabilidade lulista.

Faltou combinar com os russos

poupanca-do-povoContudo, toda a armação que se faz em torno da poupança começa, na crise, a produzir efeito contrário aos propósitos dos que articulam decisões de cúpula. O governo não combinou com os russos, seguindo exemplo de Garrincha.  Os poupadores estão sacando o dinheiro da poupança e fazendo alguma coisa com ele.

Estaria em baixa a confiança da sociedade , no momento em que o povo fica exposto a toda a sorte de previsões e catástrofes financeiras no embalo da bancarrota financeira e dos sustos que ela produz?

A segurança existe até que emerge o seu contrário. O presidente Fernando Collor de Mello é o exemplo. Os poupadores e os correntistas foram assaltados e tiveram que ir para o corralito. Na Argentina, a mesma coisa. O presidente Barack Obama, nos Estados Unidos, não está livre da possibilidade de uma corrida bancária, sabendo que os bancos estão falidos.

Os aplicadores nas cadernetas são ligados no destino do seu dinheiro. Se estão sacando, na crise, é porque ou ficaram desempregados e estão necessitando do dinheiro, ou estão, ao fugir do perigo que seu dinheiro corre nas mãos de governos irresponsáveis,  partindo para novas aplicações, na casa própria, por exemplo, comprando tijolos, cimento, telha, areia, materiais de louças etc.

Nesse ambiente de desconfiança generalizada, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, especialmente, no epicento do capitalismo em crise, Estados Unidos e Europa, os governos começam a ficar apertados diante da desconfiança generalizada da sociedade. Esta  teme continuar conferindo apoio às ações governamentais que, como os fatos comprovam, são as principais responsáveis pela anarquia capitalista totalmente desregulamentada que afoga a humanidade. Maluquice suicida irresponsável neoliberal.

Concretamente, chegou o tempo de vacas magras para o governo se financiar, a fim de investir e ampliar serviços públicos, que geram renda que produzem circulação de mercadorias, arrecadação tributária e novos investimentos públicos etc.

Será nesse tempo que a arbitragem governamental para distribuir a renda terá que obedecer às novas correlações de forças políticas que a grande crise está desatando nas ruas como consequência da expansão do desemprego.

ATENÇÃO LEITOR/A:  O www.independenciasulamericana.com.br levantou essa questão por meio de proposta do empresário Sebastião Gomes e, ao que tudo indica, está prosperando.

Obama está entre o G-20 e a guerra

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 06-04-2009

O presidente Obama não pode optar pela guerra, mas a paz ameaça a economia america estrutura para sustenar a guerra, em um mundo onde os estados perderam a capacidade de dinamizar a economia, chamando o FMI para tal tarefa sem saber direito se terá condições de exerce-la, apostando em moedas podresO genial keynes queria uma moeda mundial, em 1944, e não o dólar, como pregam, agora, os chineses, diante da bancarrota financeira da moeda americana e seus derivativos que bloqueiam o comercio internacional, dando fim às estratégias keynesianas de estimular a economia com moeda estatal sem lastro , tornando a economia mundial uma grande bolha, agora, transferia tal tarefa para o FMI, como enxugar e dinamizar geral, com moeda podre sem garantiasRoosevelt colocou os Estados Unidos para gastarem até fazer valer a pregação de Keynes traduzida em transformação da nação americana na mais rica da terra por ter apostado todas as suas fichas na guerra movida por emissões de papel moeda sem lastro, enquanto o mundo pagava senhoriagem ao dolar

“Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego – , exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas aprenderão a conhecer sua força”.

Esse foi o grande recado dado por John Maynards Keynes, maior economista inglês do século 20, ao presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, em 1936, quando a nação americana penava sob os estragos da crise de 1929 e não enxergava horizonte à vista sob discurso neoliberal.  Roosevelt, de 1936 a 1943, elevou o deficit público a 144% do PIB. Somente dessa forma, apostando em nova estrutura produtiva e ocupacional, baseada não mais na dinâmica dos bens duráveis, mas na dinâmica estatal, os Estados  Unidos voltariam a produzir 27 milhões de automáveis por ano, mesmo número de 1929, sendo que não seria mais os bens duráveis , mas os gastos governamentais o carro-chefe da demanda global. Não foram apenas três anos de crise, desatada pelo crash de 29, mas sim quatroze anos. Quanto tempo irá a atual que é muito mais abrangente?

Significa o recado de Keynes, citado por Lauro Campos em “A crise da ideologia keynesiana”(1980, Campus), a crença fundamental dele no fato de que no âmago da macroeconomia capitalista está a guerra. O autor de “Teoria Geral do Juro e da Moeda” já se referira às boas novas trazidas pela primeira guerra de 1914-1918, ao destacar que, embora o conflito bélico destruisse mais de 15 milhões de vidas, na Europa, ainda assim, gerara riqueza, tirando o sistema capitalista da crise que o antecedera , a de 1873-1893, cujas consequências foram levar o capitalismo à violenta deflação, sinalizando quedas da taxa de lucro e expansão do desemprego, abrindo caminho, consequentemente, à guerra, ao fascismo, ao nazismo, para barrar o socialismo.

Por isso, o fato mais intenso e emocionante que se desenrola nos meandros do poder mundial , ainda não focalizado , com força, pela grande mídia, que , até agora, está no passado, é a divisão interna do poder americano. De um lado, uma corrente que busca maior integração no cenário internacional depois da bancarrota financeira, tendo como líder um negro – acompanhado de uma negra linda – , apostando no multilateralismo. De outro, os falcões do Pentágono, que, desde a segunda guerra mundial, têm sido a expressão do poder americano montado na garupa do dólar, que está, agora, tatibitate. Quem vencerá?

Tarefa para G-20

O jogo da guerra para acumular capital e puxar o sistema por meio da destruição encontrou seus limites nos imensos deficits que jogam o valor da moeda na lata de lixoO grande papel que os líderes do G-20 devem exercitar, nesse instante, é fortalecer Obama, para barrar o ímpeto de guerra dos generais do Pentágono, acostumados a conviver com crescentes déficits públicos, para sustentar a expansão imperial americana no mundo. Se deixarem Obama sozinho, tchau. Poderá ser destruido, tranquilamente. Assim como a questão central dos Estados Unidos se transforma não mais na política externa, mas interna, na medida em que começa a estourar, dentro do país, a luta de classes, a questão central do G-20 é fortalecer externamente Obama para que ele ganhe musculatura interna suficiente capaz de permitir-lhe enfrentar com sucesso os gorilas da guerra.

Não há meio termo, ou Hugo Chavez, presidente da Venezuela, muda o discurso, qualificando a luta dentro dos Estados Unidos, entre o poder militar, unilateral, e o poder da política de Obama, multilareal, ou fortalece a retórica de guerra. Não dá para fazer generalizações. A União das Nações Sul-Americanas(Unasul) teria que entrar nessa discussão e fortalecer o pensamento que ultrapassaria a economia de guerra como dinâmica do progresso social. Cada presidente sul-americano, como os demais presidentes integrantes do G-20, teriam que colocar o foco no assunto. Ficar discutindo, apenas, a colocação de dinheiro sem garantia nos cofres do FMI, como se essa fosse a questão central, seria dividir,  fortalecer a posição dos falcões, porque se estaria jogando todas as fichas na mesma estrutura produtiva e ocupacional global que entrou em crise de realização da produção no consumo e de relação conflituosa dela com a própria natureza, incapaz de suportar os ataques da destruição ambiental em nome da acumulação irracional para garantir reprodução ampliada do capital.

A questão maior não é saber quanto vai para o FMI, para salvar a economia mundial. O foco é evitar que a guerra continue sendo solução para a reprodução do capital na escala em que se deu até agora, unilateralmente, com o poder de Wall Street, de um lado, e do Pentágono de outro. Os militares querem continuar gastando porque a estrutura produtiva e ocupacional do Estado Industrial Militar Norte-Americano, assim denominado por Eisenhower, em 1960, emprega milhões de pessoas, sendo uma cadeia produtiva que , historicamente, no século 2, representou, sobretudo, vanguarda do desenvolvimento tecnológico, no rastro dos conflitos bélicos. Obama não seria louco de descartar esse aspecto fundamental da guerra para manter o predomínio americano no mundo. Se transformaria em novo Kennedy.

As massas dão novo tom

Mobilização popular contra o desemprego e a destruição pode ser a grande novidade política e econômica a marcar uma nova etapa da vida humana no planeta esgotada pela irracionalidade da reprodução do capital sem regras sob estimulos de governos burgueses cujas lideranças estão indo para o espaçoPor outro lado, o titular da Casa Branca está entre jogar mais dinheiro na guerra ou jogar mais dinheiro na salvação dos desempregados – por enquanto, 5 milhões, podendo triplicar – ,  salvando os trabalhadores implodidos com a crise. As massas começam a ferver nas ruas com cartazes radicais. Na Inglaterra, o pau começou em cima dos banqueiros com quebradeiras de instalações bancárias e morte de protestante. Quem disse que os policiais ingleses não usam arma de fogo? Na crise, a situação exige mais força. O que fazer com as massas nas ruas que determinam prioridade governamental ao enfrentamento dos problemas internos, desatando antagonismo social, econômico e político radical?

As forças armadas americanas teriam que ser chamadas para o grande embate interno, já que o externo deixou de ser a prioridade? Obama , nesse novo amb iente, não conseguiria adesão para entrar mais firmemente no Afeganistão. Receberá, no máximo, incentivo para sair do Iraque, urgente.

Uma virada de mesa popular nos Estados Unidos contra a guerra para que sobre mais recursos para os desempregados vitimas da crise  seria o fim do Estado eisenhouweriano, cultivado por todos os presidentes depois dele, até que Barack Obama herdasse o funeral  e tivesse a responsabilidade de enterrá-lo.

Uma radicalização interna levaria ao que Keynes descreveu, ou seja, à supressão da democracia. Repetindo o grande economista em frase recolhida por Lauro:

“Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego – , exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer asua força”.

Obama teria que gastar não mais com guerra , mas com os 5 milhões de desempregados, que poderão passar fome e se disporem a uma radicalidade política sem fim, explodindo a luta de classes no seio da nação mais desenvolvida da terra, cumprindo a previsão de Marx: o confronto entre as estreitas  relações sociais da produção e o desenvolvimento largo,  sem limites, das forças produtivas, incompatíveis entre si, sob o sistema capitalista, que adota a teoria da escassez para sustentar preços altos e maiores lucors, oligopolisticamente.

Capital sem guerra morre

O papel dos Estados Unidos de puxar a demanda mundial via guerras acabouNão haveria, em situação de desemprego, outra alternativa senão colocar renda estatal no bolso da comunidade sem rendimento. Assim como o Estado colocou dinheiro na guerra e na circulação para gerar os dólares derivativos bancários que implodiram a praça financeira global, da mesma forma terá que colocar dinheiro no bolso dos trabalhadores desempregados, em escala ascensional, como forma de sustentar o consumo interno e ó consequente nível de arrecadação tributária. Do contrário, o Estado americano não teria renda interna suficiente para manter investimentos públicos capazes de satisfazer as necessidades básicas da sociedade americana. Ou isso se desenha aos olhos do povo, para tornar-se compreensível aos esforços obamistas, para melhor distribuir a renda nacional, ou enxergarão em Obama mais um servidor do status quo, como seus antecessores.

O desafio de Obama é evitar a guerra interna, que divide o país entre os falcões da guerra e os apóstolos da paz. Não poderá alcançar resultados sozinho. A América do Sul deve fortalecer os propósitos multilateralistas de  Obama como passo central para a construção da nova divisão internacional do trabalho. Do contrário, emergiráa guerra, que poderá ser expressa na pregação profética de J. Pousadas, de que, no nível do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, a guerra viria como um apagão, matando gente instantaneamente, como afirmação de que a lógica do capitalismo sustentado na guerra é a própria falta de lógica. Tais limites seriam alcançados? Pelamor de Deus!