Mudança no BB é recado para Meirelles do BC

A situação de Meirelles ficou crítica com a queda do presidente do Banco do Brasil, por não cumprir determinações, para diminuir os juros, tarefa cuja responsabilidade maior é do titular do Banco Central, que, se não cumprir essa tarefa coloca em risco a candidatura de Dilma RousseffNão teria sido recado para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a queda do presidente do Banco do Brasil, Lima Neto, resistente à recomendação presidencial para baixar juros e intermediação financeira(spreds), nos empréstimos no contexto da crise em marcha, que destroi empresas, empregos, consumo e arrecadação tributária, jogando no chão o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) e , consequentemente, a candidatura da ministra Dilma Rousseff, ao Planalto, em 2010, abrindo espaço, para a oposição?

Faltaria apenas uma carta para ser jogada pelo governo como tentativa capaz de reduzir, mais rapidamente, as taxas de juros, como arma capaz de dinamizar a produção, o consumo e a arrecadação , ameaçados pela crise de crédito cujo custo no Brasil tornou-se excessivamente exorbitante. Trata-se, agora, de aumentar a oferta de dinheiro em circulação diminuindo os depósitos compulsórios recolhidos pelo Banco Central, para administrar a liquidez monetária. O presidente do BC, até o momento, não encarou para valer o assunto, deixando correr solto o juro alto. Está correndo perigo. Lula, ao dizer que sua obsessão é diminuir o custo do dinheiro, baixando os spreds, que, no Brasil, são escandalosos, coloca a corda no pescoço do titular do BC. Poderá apertá-la, se as próximas pesquisas de opinião pública apontarem queda na popularidade presidencial.

A impaciência lulista chegou ao limite depois de jogar três cartas na mesa para tentar, infrutiferamente, diminuir o custo do dinheiro no país. A primeira representou tentativa de arregimentar os grandes bancos para ajudarem a salvar os bancos pequenos, utilizando os depósitos compulsórios a custo zero. Debalde. Em vez de jogar o compulsório na circulação creditícia, os banqueiros, que atuam oligopolisticamente, começaram a joga-lo nos títulos do governo, faturando selic de 11,25%, que dá ganho real de 6,5%, descontada a inflação. Algo extraordinário na crise em que a taxa de juro nos paises ricos, para derrubar a crise, está negativa. Por que suar a camisa se tem a mamata pela frente?

A segunda carta foi a de induzir , rapidamente, os bancos públicos a agir opostamente aos bancos privados, ou seja, diminuindo, mais fortemente, os juros, para servir de exemplo à banca privada oligopolizada, resistente à colaboração para elevar a oferta de crédito, evitando formação de expectativas pessimistas. O discurso foi forte , mas não se traduziu em prática. O Banco do Brasil, que atua, hoje, como banco comercial, de olho na rentabilidade, para dar respostas aos acionistas privados, que abocanharam quase um terço do seu capital, fez corpo mole diante da pressão governamental. As agências continuaram atuando da mesma forma, lerdamente, no atendimento da demanda, exigindo garantias absurdas, para emprestar, longe, portanto, da filosofia de banco público, perfil defendido para a instituição, nesse momento, dentro do Planalto.

Desovar compulsório nos bancos públicos

aldemir terá quta de credito para dinamizar a economia paralisada pelo juro alto decorrente da escassez de oferta de dinheiro, enquanto sobram compulsorios que poderiam cumprir com essa tarefaO corpo mole do BB obrigou o governo a jogar a terceira carta no tabuleiro, a da intervenção, na quarta, 08.04. O novo presidente Aldemir Bendine, até então vice-presidente de Novos Negócios do BB, funcionário de carreira, que seria ligado ao PT, começa, sob ordens do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a trabalhar com cronograma de ação e prática de gestão por resultados. Não cumpriu, dançou, essa seria a nova ordem. Se vai dar certo, não se sabe.

A canalização dos depósitos compulsórios, estimados em R$ 280 bilhões, poderá ser a nova arma lulista, para diminuir os juros. A acumulação deles sempre favoreceu o mercado financeiro. A administração da oferta de dinheiro, pelo BC, nos últimos anos, sempre cuidou de acumular reservas altas de compulsórios, para bancar certa escassez de dinheiro na praça, a fim de que seu preço suba, elevando os lucros bancários. Quanto mais alto o deposito compulsório, menor a oferta de crédito, mas caro o seu custo, maiores os lucros bancários, maiores os prejuízos do povo.

No momento do sufoco, o governo se dispôs a colocar essa dinheirama nas mãos dos grandes bancos, na tentativa de transforma-los em parceiros, na batalha de sustentação de satisfatória oferta monetária na circulação capitalista nacional. Não deu certo. O compulsório ficou onde está, ou seja, empoçado, para gerar, calculadamente, crédito escasso, a fim de manter juro alto. Essa é a causa central dos juros altos no país em torno da qual os analistas discutem abobrinhas, tentando construir teoria estapafurdias, tipo a de que o juro é alto no Brasil porque o risco é alto etc. Papo furado.

O Palácio do Planalto, ao que tudo indica, está tomando a frente nas questões financeiras, ultrapassando as coordenadas do Banco Central, que, nos últimos vinte anos de governos neorepublicanos, subordinados aos ditames do Consenso de Washington, tornou-se independente do governo, de forma paulatina, embora, em compensação, tornou-se, também, paulatinamente, dependente dos interesses do mercado financeiro. Seguiu, fielmente, as tendências estabelecidas por metas e pesquisas realizadas pela própria banca. Raposa fiscalizando o galinheiro.

O Planalto estaria, portanto, dando independência para as autoridades monetárias se livrarem da dependencia da banca, a fim de passarem a depender das determinações governamentais, cujas responsabilidades, na crise, aumentam, com a tarefa de gerenciar o mercado que entrou em parafuso.

Possibilidade de ampliar estatização

lima-neto deu maiores atenções aos acionistas privados do bb que não queriam assumir os riscos de aumentar emprestimos a juros mais baixos pois recolheriam lucratividade menor e rendimento mais curto da ações, enquanto o presidente ficou a ver naviosO juro elevado no Brasil transformou-se em problema político número um, no compasso da crise global, que afeta o país, colocando em xeque a produção e o consumo. O avanço do desemprego, enquanto os bancos insistem, em meio a essa catastrofe, sustentar credito escasso, exigências maiores de garantias e spreds absurdos, coloca em risco a popularidade presidencial e o futuro de Dilma Rousseff, engordando, em contrapartida, os adversários.

A tarefa do novo presidente Aldemir Bendine de irrigar a praça de dinheiro mais barato assustará os acionistas privados do banco. Com as ações rendendo menos do que antes, na euforia financeira, durante a qual o banco se caracterizava como banco privado, sem freios do Planalto, os acionistas tenderiam a vendê-las. O preço delas, no dia da queda de Lima Neto, caiu fortemente.  O governo, maior acionista, poderia ser o novo comprador. Reestatizaria geral o BB.

Essa poderia ser uma tendência relativamente ao trato do governo com suas empresas públicas, de agora em diante, em que o poder estatal se revela o único capaz de dinamizar o sistema em ritmo deflacionário?

O discurso político favorável ao fortalecimento do Estado, se houver , realmente, queda dos juros, puxados pelo BB, influenciando os demais bancos a irem pelo mesmo caminho, crescerá e estimulará pressões reestatizantes. Assim como o BB e a Petrobrás, durante os anos neorepublicanos neoliberais, abriram-se aos acionistas privados, conferindo prioridade ao valor de mercado dos seus produtos, da mesma forma, numa situação contrária, pode ocorrer, igualmente, o oposto.

O valor de mercado, vindo a recuar, imporia a estatização pela queda das ações. Mas, pode , também, ocorrer especulação pela baixa, para que os especuladores faturem essas ações, que subiriam, num segundo momento, gerando lucros especulativos. O mercado é esperto demais. A aparência não é a essência.

2 respostas para “Mudança no BB é recado para Meirelles do BC”

  1. È por aí,grande mestre.Suas observações e análises são totalmente pertinentes ,claras e interessantes.
    Vindo de quem vem não poderia ser diferente!….

  2. Caro César Fonseca,
    O Presidente da República NÃO precisa mandar recado via mídia para NENHUM subordinado do Poder Executivo. As medidas impostas ao BB, CEF, BASA, BNDES para reduzir juros como deseja o 1° Mandatário, não tem fundamento econômico-financeiro nem respaldo técnico que a sustente, pois se houvesse, o Ministro da Fazenda já a teria sugerido ao Chefe. E aqui envio uma pergunta: Porque o Sr. Lula não manda reduzir a taxa SELIC e o depósito compulsório dos bancos? A redução dos juros aconteceria automaticamente e Presidente elevaria seu índice de popularidade, alicerçaria com coerência a precandidatura da Srª Dilma Roussef.

Os comentários estão desativados.