Lula espalha brasa para virar liderança internacional em Londres no G-20

A crise mundial muda as regras do jogo e favorece quem dispõe, como o Brasil, de matérias primas, sobre as quais o governo pode lançar emissões de papeis brasileiros para financiar o desenvolvimento, tornando-se potencial intennacional do séuclo 21O presidente Lula pode ter mandado o Itamarati colocar mais pimenta no seu discurso no G-20, Londres, 02.04, principalmente, depois que seu prestigio popular começou a diminuir, perigosamente, no rítmo da crise. Se ele disse que não foi o Brasil que produziu a crise e a crise está destruindo sua reputação, aos poucos, devagar e sempre, quanto mais aumentam seus estragos, em escala global, claro, Lula vai sentar o pau nos que , ao seu juízo, fizeram a crise, ou seja, os homens de olhos azuis. Do contrário, o desgate governamental vai se aprofundar  e a condidatura da ministra Dilma Rousseff derrapará. Ontem, em Paris, lascou: os ricos são os culpados pela bancarrota mundial. Alguém tem dúvida?

O ataque lulista foi dado previamente no primeiro ministro inglês Gordon Brown, ao considerar culpado pela crise os homens dos olhos azuis, a grei da qual Brown faz parte. O titular do Planalto já partiu para o ataque. Buscará no exterior  – prestígio político internacional –  o que poderá faltar no interior, no compasso da crise que gera desemprego e insatisfação popular.

Como na Europa e nos Estados Unidos a agitação social já começou e tende a se ampliar, quanto mais avançar a taxa de desemprego e a contestação política e ideológica capaz de colocar em cena, novamente, a luta de classes, Lula, se recorrer aos velhos chavões da velha luta ideológica sindical, na qual formou sua consciência política, poderá ser o canal por meio do qual os desempregados pela crise se identificariam. Os líderes das potencias mundiais, salvo, por enquanto, Barack Obama, que está prestigiado, estão falidos, sem credibilidade. O presidente francês, Nicolas Sarkosy, esperto, propõe, para dar a volta por cima, refundação do capitalismo. Ou seja, não há confiança na sustentação do sistema, apoiado na financeirização econômica global irracional como foi tocada pelo estímulo dos governos dos países ricos, estimuladores da crise bancária, sem regulamentação, que implodiu em anarquia total.

Os emergentes são os fatos novos que espalharam brasa na reunião do G-20, a fim de criar as bases de novo sistema monetário internacional. A desregulamenação financeira no cenário da financeirização da economia mundial exposta à desmoralização produziu, igualmente, a inviabilidade da continuação do sistema atual. A partir das emissões de dólar sem lastro, o sistema produziu os derivativos que inundaram a praça global, inviabilizando empoçamento do crédito mundial, que gira as mercadorias produzidas sob sistema voltado para o lucro e a ganância, tornando incapaz a sustentação das relações de troca, visto que o numerário virou moeda podre, tóxica.

Os governantes, que, como Lula, no calor da crise, perdem popularidade, querem se livrar desse demônio , espalhando brasas, porque a sociedade, sob desemprego em ascensão, está inquieta, disponível, diante da queda do seu poder aquisitivo, de ir à luta política. Novo momento mundial prepara grandes mudanças estruturais.

Falência americana e européia

O dólar, que gerou derivativos por todos os lados, encharcando a praça global de moeda podre, perdendo valor, não tem mais condições de ser a referencia de troca global, como já teme seus aliados, como a chinaOs poderes sobre a moeda mudam com as crises. A libra inglesa, na passagem do século 19 para o 20, perdeu poder para os Estados Unidos. O dólar consolidou-se depois da guerra, determinando nova divisão internacional do trabalho. Na passagem do século 20 para o 21, no entanto, o poder da moeda americana já não é o mesmo de sessenta anos atrás, entrando como salvadora do mundo.

A Casa Branca teria fôlego para emitir dólares a fim de comprar as moedas podres em total superior a 10 trilhões de dólares, de modo a permitir a volta da circulação normal da produção e do consumo girada no crediário ao nível em que vinha sendo tocado o capatalismo, na base da especulação, como arma de reprodução acumulada do capital?

O drama de Obama pode está sendo o perigo de morrer afogado , endividando-se, na tentativa de salvar o afogado, o sistema financeiro, nas águas dos créditos podres e tóxicos. Afogado não salva afogado, como destaca o empresário Sebastião Gomes.  Nesse cenário de deterioração das bases do dólar para manter as relações de troca, deterioração que cresce quanto mais aumenta o buraco do tesouro por meio de deficit coberto por moeda deslastreada, a vantagem comparativa do Brasil, nesse instante, é superior, relativamente, à Europa e aos Estados Unidos, se o barco dos ricos afundarem. Eles estão sem boia. O Brasil possui as suas com relativa segurança.

O país dispõe das mercadorias que tendem a valorizar, ou seja, as matérias primas fundamentais à manufatura global, enquanto os países ricos dispõem das mercadorias manufaturadas que tendem a desvalorizar. Vira pelo avesso a deterioração nos termos de troca, como destacou há meses o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.Enquanto os preços das matérias primas, das quais todos necessitam, conseguem navegar no mar tempestuoso da deflação, saindo pela inflação, com mais boias, os preços dos manufaturados, em excesso, estocadas, sem mercado, por conta da suspensão do crédito, afoga-se no mar deflacionário.

As matérias primas valorizadas, frente às mercadorias manufaturadas desvalorizadas, representariam boias  sobre as quais seriam lançadas emissões inflacionárias anticíclicas. No limite, sem moeda, quem tem a mercadoria real, lastro, garantia , possui maior poder cambial na relação de troca de sua mercadoria que se valoriza, pela sua escassez, diante da mercadoria que se desvaloriza pelo seu excesso nos estoques.

Moeda com garantia

As riquezas nacionais , as materias primas abundantes, a base industrial, a produção de alimentos etc, são as garantias nacionais sobre as quais o país disporá de vantagem comparativa para participar da nova divisão internacional do trabalho no ambiente da grande crise mundial

O pré-sal brasileiro, que guarda petróleo; os biocombustíveis; os minérios estratégicos; terra, sol e água que garantem até três safra anuais, biodiversidade infinita, base industrial forte e mercado interno  etc são garantia reais que podem falar mais grosso depois da reunião do Grupo dos 20, especialmente, se os emergentes fecharem em torno de discurso político multilateralista irresistível.

Se Lula, em cima das grantias reais brasileiras e sul-americanas – pois falará em nome do continente – lança papeis do tesouro na cena internacional, para construir a infra-estrutura nacional, quem, na Europa e nos Estados Unidos, onde não há mais onde investir em grandes obras, não toparia?

Os investimentos públicos, na Europa e nos Estados Unidos, não seriam substitutos do consumo que está caindo, porque, simplesmente, do ponto de vista da estrutura produtiva e ocupacional, europeus e americanos estão atendidos. Os grandes investimentos, ao longo da história deles, foram realizados. Jogar tudo no chão e construir outra vez? Teria que emitir mais moeda em ambiente monetariamente encharcado de moeda podre. Impossível.

Se, nos países ricos, a infra-estrutura já está construida, o mesmo não ocorre nos países emergentes, como o Brasil e os da America do Sul, em geral, onde quase tudo ainda está por fazer. A hora, portanto, é de o Brasil fazer uma chamada de capital,  lançando títulos brasileiros ancorados na infra-estrutura do pré-sal, dividindo parceiras, cria demanda para capitais europeus e americanos que estão parados, afogados.

As chances de Lula acontecer no G-20 são grandes, porque os ricos ficaram pequenos e os pequenos podem ficar ricos, especialmente, se a América do Sul se unir em torno de um discurso sulamericano, ancorado em suas riquezas. reais, seu povo e suas matérias primas. Libertariam das restrições externas, expressas em deficits em contas correntes – que etenizam a miséria continental sob o jugo dos juros compostos.