Coronelismo enterra Nova República

 

O coronel do Maranhão que serviu aos militares na ditadura ergueu-se na Nova República, para a redemocratização, mas o rastro de sua história coronelista maranhense deixa à mostra as práticas espúrias do conservadorismo que impede o avanço dos costumes e das práticas políticas que entram em crise no compasso da crise mundialRenan não conseguiu provar sua inocência nos casos escabrosos, teve apoio do PT, voltou por cima e comando o espetaculo do coronelismo político, junto com Sarney e Collor, escanteando os petistas ao máximo, subordinados e humilhadosRepresentante da mais pura expressão do coronelismo nordestino, ELLE voltou com as manobras coronelistas que o PT favoreceu com o seu comportamento irresponsável de ter-se rendido à baixa política traindo os ideais dos trabalhadores, em sua etapa histórica de ascensão e consolidação política no poder

 

 

 

 

 

A Nova República, sob coalizão governamental lulista(PT-PMDB-PTB-PS-PDT-ETC),  dirigida pelo coronelismo político, está agonizante na grande crise financeira mundial, que põe à mostra o medievalismo parlamentar nacional, comandado por lideranças manchadas pela corrupção. É como a história da escravidão. O Brasil é o último do planeta a livrar-se dos escravagistas, detonados, no século 19, pelo brilhante monarquista pernambucano Joaquim Nabuco. Agora, o escravagismo se encontra sob o tacão de novo ativo pernambucano, senador Jarbas Vasconcelos. Mas a Idade Média resiste com os senadores que expressam o mais puro coronelismo nacional: senadores José Sarney(PMDB-AM), Renan Calherios(PMDB-AL), líder do partido, e Fernando Collor de Mello, ex-presidente, que, graças ao conformismo do PT, voltou à cena política, para ocupar a cadeira da influente Comissão de Infraestrutura do Senado. Terá o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) sob sua regra congressual. O presidente Lula e sua candidata, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, terão, obrigatoriamente, que articular com ELLE, a partir de agora, os desdobramentos do PAC como bandeira eleitoral e dissuassória da crise mundial, para continuar mantendo a economia de pé no embalo do investimento público. O conformismo lulista com a vitória parlamentar do ex-presidente sobre sua adversária petista, senadora catarinense , Ideli Salvati, expressou a decadência petista no Senado na reta final da Era Lula. A Nova República se encontra na Velha República, nas mãos dos coroneis eletrônicos. Ou seja, sem nenhuma surpresa para o PT e o presidente, que se renderam às ordens deles , no Congresso, onde a corrupção saiu dos gabinetes dos políticos e entrou , também, no dos assessores, com Agaciel Maia de porta-estandarte. Funeral neorepublicano.

 

Parto na crise

 

Nabuco, que, na República, rendeu-se a Washington, como se rendeu à Inglaterra, na Monarquia, levantou a bandeira contra o escravagismo que continua até hoje dando as cartas na política nacional por personagens que infestam a história política com práticas conservadoras que sustentam o modelo político medievalTancredo, que discursou, no enterro de Vargas, contra os coroneis, morreu, deixando em seu lugar, para contra gosto geral, a herança dos coroneis expressa em Sarney, que não renovou os costumes da política brasileira, como se percebe pelas manobras que abençoa, com Lula, para a sustentação do pensamento coronelista conservador no comando do LegislativoLauro Campos previu a derrocada morral petista e pulou fora do partido, percebendo que ele seguiu o exemplo contra o qual historicamente combateu mas que abraçou-o assim que assumiu o poder, traindo a classe trabalhadora

 

 

 

 

 

A Nova República, nasceu debaixo de crise monetária em 1985,  com José Sarney, da Arena, mutante em PDS-PFL-DEM-PMDB, como vice de Tancredo Neves, que assumiu o poder, e morre com Sarney, senador peemedebista, presidente do Congresso, assessorado, agora, pelos seus pares coronéis. Desde o primeiro momento, o governo neorepublicano sarneysista e os demais neorepublicanos que viriam pela frente, subordinaram-se ao Consenso de Washington. Mesmo Sarney, que a história oficial diz ter dado o calote, pagou toda a conta de juros aos banqueiros. Os neorepublicanos, debaixo do Consenso de Washington, expostos às crises cambiais, rebolaram-se com planos econômicos de ajustes ditados pelo FMI, e impuseram ao Congresso as MPs, adequadas à governabilidade eternamente provisória comandada pelo pensamento neoliberal, bancocrático,  alheio ao debate político. Os coroneis da política nacional leram a mensagem e partiram para a corrupção. Sabiam que não haveria sob provisionariedade governamental moralidade pública a ser detonada com a ajuda das leis eleitorais burláveis.

 Na crise mundial, que abre nova janela para o mundo, no sentido de expor o passado e buscar solução para removê-lo, as lideranças aliancistas-lulistas, mantidas debaixo das asas conservadoras dos coronéis, acovardadas, fogem para o passado. Fixam suas regras patrimonialistas na distribuição do poder congressual. A vitória de Collor deve-se a essa manobra histórica dos coronéis, artistas diante do expectador petista.  O PT, que era promessa de futuro, no início da Nova República, herdeira dos militares, se transformou em fantasma do passado,  aliado dos coroneis e articuladores de suas candidaturas, na medida em que viabilizaram a volta deles, ou seja, a volta do passado como solução para o futuro.

Como destacou o senador Lauro Campos, do Distrito Federal, que fugiu do PT para o PDT brizolista, o pecado mortal dos petistas, no poder, foi seguir as práticas dos coroneis de direita sem ter os talentos deles. Se lambuzaram no doce de leite do mensalão, perderam credibilidade, para comandar reforma política e, lentamente, criaram o ambiente capaz de promover o retorno dos coroneis que eles mesmos haviam desalojados do poder com a emergência petista-lulista, a partir de 2003. A vitória de Collor é o apoio do PT a Collor.

Na prática, o funeral da Nova República culmina com a desmoralização ética do PT, que se alia à desmoralização ética chamada PMDB-PTB, que comanda, com seus coroneis, as correias de transmissão do poder. No Congresso, o PMDB vira soberano com os velhos caciques e coroneis; no Palácio do Planalto, os coroneis atuam através do Ministério da Articulação Política(PTB-PE), deputado José Múcio(PTB-PE). Monteiro é o inverso de Joaquim Nabuco, a envolver o PT no pensamento escravigista do coronelismo político. Nem os tucanos escapam. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra(PSDB-PE), alinha-se, tradicionalmente, ao coronelato, e somente reclama da corrupção sob comando dos coroneis,  porque eles, no momento, estão ao lado de Lula.

A velha esquerda do PT –  como os cadetes, os sociais democratas  e os democratas liberais russos, às vésperas da revolução soviética de 1917 –  cuida de situar-se bem na máquina do poder, para dispor dos melhores cargos, como preço pela renúncia ao velho discurso socialista radical. Vende a preço de alumínio barato sua autonomia outrora poderosa no início da Era Lula, para os coroneis cuja volta patrocinaram por incompetência na gerência do Estado corruptor.

  

O jogo dos coronéis

 

O ministro pernambucano das articulações políticas coordena de dentro do Planalto a divisão dos poderes entre os coroneis, mantando a sitonia do poder do coronelato do país, sob as b enções do presidente metalurgico que se rendeu às velhas práticas medievais, como nordestino filho da pobreza e humilhado por ela sob o tacão dos coroneis aos quais se aliouAloisio Mercadante, que, incialmente, carregava a pecha de honorável, levou para a nova republica lulista o bancocrático Henrique Meirelles, do Banco de Boston, para continuar sustentando a taxa de juro mais alta do mundo a partir do Brasil, eternizando as mazelas econômicas, políticas e sociais que sustentam o coronelismo com o qual se compactuou, mas que finge combatê-lo, como freira de convento falso-inocenteSérgio Guerra, comandante do PSDB, clama contra os corruptos do PMDB, não porque queira detoná-los, mas porque eles estão , na sua opinião, do lado contrario aos tucanos, que gostariam de ter Sarney, Renan e Collor do lado, como tiveram no passado, que virou presente, para assombramento da nação, cansada do coronelado

 

 

 

 

 

A história política nacional é uma cadeia de subordinação do poder político do mais fraco ao poder político do mais forte. Os coroneis nordestinos, depois que foram derrotados, economicamente, por São Paulo, na passagem do século 19 para o século 20, com a queda relativa do açucar e da ascensão relativa  do café, subordinaram-se ao coronelismo eletrônico paulista, que, por sua vez, aliou-se ao capital externo, sustentáculo da industrialização nacional  juscelinista regada a juros compostos sanguessugas a partir dos anos de 1950.

Os coroneis do Nordeste são sábios. Deixaram o poder econômico para São Paulo, mas se organizaram para dominar politicamente o país, no ambiente do curral eleitoral-congressual.

A superestrutura jurídica do Estado nacional se ancora na expressão prática do coronel político, que tem como sustentação o Congresso Nacional, onde votam as leis que garantem a continuidade dos mandatos dos representantes dos coroneis. Emergiu poderoso  espírito de classe expresso na lei que configara o Estado de direito positivo ditado pela prática inflexível do poder dos coroneis.

Como as lideranças congressuais, inconscientemente estruturadas na esperta sabedoria política colonial, irão pensar no futuro no momento da crise, se o que se abre pela frente, com esse futuro, é a supressão da visão coronelista de poder por revisão total desse poder, a fim de encaixar novo molde político dado pela revolução dos costumes? É muita areia para o caminhão dos coronéis. Melhor fugir para o passado.